17 de maio de 2013

Insanidades do catecismo, bulas e decretos papais - Parte 1



Em meu artigo anterior eu abordei uma pregação de um tal padre católico da Canção Nova declarando explicitamente que Maria era eterna, intercedendo por nós desde toda a eternidade, que humilha mais o diabo do que o próprio poder divino, que é o melhor de vários caminhos para ser santo, dentre várias outras heresias que os próprios católicos admitiram que são heréticas (o que já é um bom sinal). Ocorre, porém, que essa pregação não foi um “ato isolado” por parte daquele padre, mas expressa o parecer da própria Igreja Romana a este respeito.

Se não fosse assim, não teriam passado aquela pregação no site oficial da Canção Nova, apoiando e reforçando as ideias do padre, teriam apenas o repreendido por suas heresias mariólatras. O que provarei aqui, usando documentos oficiais da própria Igreja Católica, é precisamente o que foi demonstrado no artigo anterior: que a idolatria católica por parte dos leigos não existe por falta de instrução da Igreja, mas exatamente porque foram instruídos assim.

O Catecismo Católico, as Bulas e Decretos Papais e os Concílios da Igreja colaboram fortemente para pregações heréticas e blasfêmias como as que foram referidas no artigo anterior. Para não ser demasiadamente extenso, abordarei apenas algumas das insanidades presentes nos documentos oficiais da Igreja Católica que geram tais ensinos malignos e consequente idolatria e perversão do verdadeiro evangelho bíblico Cristocêntrico.

*Obs: Para que não entre gente ignorante dizendo que “tudo isso é mentira e já foi refutado”, fiz questão de passar aqui apenas as citações que são comprovadamente autênticas, descartando as de legitimidade duvidosa ou que poderiam causar polêmica, adicionando também a referência, um print e um link onde o próprio leitor católico pode conferir a citação antes de ir chorar e vomitar bobagens na caixa de comentários.


1º O PAPA É DEUS

Por incrível que pareça, é isso o que aparece explicitamente na Encíclica promulgada pelo papa Leão XIII em 20 de Junho de 1894, dizendo:

"Nós detemos nesta terra o lugar de Deus Todo-Poderoso" (Papa Leão XIII, em Praeclara Gratulationis Publicae)

O leitor que duvida da autenticidade do texto pode conferir no link abaixo todo o discurso do papa Leão XIII em toda a Encíclica sobre a reunião da cristandade:


A citação está no início do quinto parágrafo:



O Quinto Concílio de Latrão, ocorrido entre os anos de 1512-1517 e convocado pelo papa Júlio II, declara exatamente as mesmas coisas expressas pelo papa Leão XIII séculos mais tarde: de que o papa é Deus. Foi com essas palavras que Christopher Marcellus se referiu ao papa durante o Concílio recém-mencionado:

"Cuidemos não perder aquela salvação, aquela vida e fôlego os quais tu nos tem dado, pois tu és nosso pastor, tu és nosso médico, tu és nosso governador, tu és nosso esposo, finalmente tu és outro Deus, sobre a terra" (Quinto Concílio de Latrão, ano 1512; Do Latim em Mansi SC, Vol. 32, col. 761)



Este outro antigo documento católico, denominado O Brilho dos Extravagantes (do papa João XXII), se refere ao papa como: “Nosso Senhor Deus o papa” – no latim: “Dominum Deum Nostrum Papam”:

“Crer que nosso Senhor Deus, o papa, não tem poder para decretar assim como ele tem decretado, deve ser considerado heresia” (O Brilho dos Extravagantes do papa João XXII, Inter, título 14, capítulo 4, "Ad Callem Sexti Decretalium", Coluna 140, Paris, 1685)


Aqui está um close do mesmo documento, impresso em 1543:


Outra forte evidência de que os papas jamais rejeitaram tais títulos de blasfêmia está no fato de que eles mesmos proclamam que a sujeição ao Pontífice Romano é absolutamente necessária para a salvação de toda criatura. Foi isso o que disse o papa Bonifácio VIII em 1302 em uma carta à Igreja Católica:

“Além disso, nós declaramos e definimos que é absolutamente necessária para a salvação que toda criatura humana esteja sujeita ao Pontífice Romano” (Papa Bonifácio VIII, Unam Sanctam, Rome: 1302)


Para ver mais de perto e analisar todo o documento, acesse por esse link:


O interessante é que biblicamente o único pré-requisito à salvação é se submeter a Jesus, NUNCA a Bíblia diz que é necessário se submeter a Pedro para ser salvo, o próprio Pedro negou isso em Atos 4:12, dizendo que há um único nome pelo qual devemos ser salvos e em momento algum fazendo qualquer alusão a ele próprio (mesmo considerando a lenda católica de que Pedro foi o “primeiro papa”!).

Em Cruzando o Limiar da Esperança, o papa João Paulo II declara que nomes como “Santo Padre” são aplicáveis ao papa, ainda que chamá-lo assim seja contra o evangelho:

“Não tenha medo quando as pessoas me chamam de ‘Vigário de Cristo’, quando dizem a mim ‘Santo Padre’ ou ‘Sua Santidade’, ou usam títulos semelhantes a estes, que pareçam até mesmos hostis ao evangelho (Papa João Paulo II, “Cruzando o Limiar da Esperança”: New York, 1995)

Isso quando não dizem que o papa tem todo o poder no Céu e na terra assim como Deus:

“Cristo confiou sua Igreja para o Sumo Pontífice (Mat 16:18; Mat 24:45), e todo o poder no Céu e na terra foi dado a Cristo (Mat 28:18). Portanto, o Sumo Pontífice, que é o seu vigário, tem esse poder” (Extravagantes, Decretal. Greg. IX. de Transl. lib. i. tit. 7. c. 3. 'Quanto personam,' Pope Innocent III)


Essa tese, de que o papa tem todo o poder no Céu e na terra, provém de outra tese, como vimos acima, de que o papa é o vigário de Cristo. Vigário significa substituto. Portanto, quando dizem que o papa é o vigário de Cristo, nada a mais estão dizendo senão que o papa substitui Cristo aqui na terra, ou, como disse o papa Leão XIII: “ocupa o lugar de Deus Todo-Poderoso”, porque Jesus é o Deus Todo-Poderoso! Sendo assim, os próprios papas escrevem várias vezes, como constatamos acima, que Sumo Pontífice romano detém todos os poderes de Cristo sobre o Céu e a terra, pois é o substituto (vigário) dele. Isso é biblicamente uma blasfêmia, pois o único verdadeiro substituto que Cristo nos deixou foi o Espírito Santo (Jo.16:7), e não o papa. Desta forma, o papa não pode ser considerado “vigário” (nome que o próprio João Paulo II reconheceu que é hostil ao evangelho), mas usurpador de um título que não lhe foi confiado.

E, para terminar em grande estilo, uma famosa citação que está incluída no Corpus Juris Canonici, do papa Inocêncio II declarando que o pontífice romano “detém o lugar na terra, não de um mero homem, mas do verdadeiro Deus”. Os documentos que formaram os Decretos foram reunidos por Graciano, que lecionava na Universidade de Bolonha no ano de 1140. Seu trabalho foi acrescentado e reeditado pelo papa Gregório IX em uma edição publicada em 1234. Outros documentos apareceram nos anos seguintes, incluindo os Extravagantes (que já conferimos aqui), que foram acrescentados ao final do século XV.

Todos estes, com o Decretum de Graciano, foram publicados como o Corpus Juris Canonici, em 1582. O papa Pio X autorizou a codificação em Direito Canônico, em 1904, entrando em vigor em 1918. A citação abaixo é de quando Inocêncio III era papa e pode ser vista nos Decretales Domini Gregorii Papae IX (Decretos do Senhor Papa Gregório IX), liber 1, de translatione Episcoporum (na transferência dos bispos), título 7, cap. 3; Corpus Juris Canonici (2ª edição Leipzig, 1881.), col. 99, (Paris, 1612), tom. 2, Decretales, col. 205:

"Aqueles quem o papa de Roma separou, não foi um homem que os separou, mas Deus. Pois o Papa detém um lugar na terra, não simplesmente de um homem mas do verdadeiro Deus...  ele dissolve, não por autoridade humana, mas também por autoridade divina... Eu sou em todos e sobre todos, logo o próprio Deus e eu, o sacerdote de Deus, temos ambos uma essência, e eu sou capaz de fazer quase tudo o que Deus pode fazer... portanto, se estas coisas que eu digo não são realizadas por um homem, mas por Deus, o que vocês fazem de mim senão Deus? Novamente, se aos cardeais da Igreja, Constantino os chama de deuses, eu então estou acima de todos os cardeais, visto por esta razão que estou acima de todos os deuses"

Depois de tudo o que vimos neste artigo, podemos chegar à conclusão de que títulos como estes abaixo não passam de nomes de blasfêmia e usurpação papal:

 Vigário de Cristo
 Pontífice Máximo (ou Sumo Pontífice)
 Bispo Universal
 Bispo dos Bispos

O nome “vigário” de Cristo, como já vimos ao longo de todo este artigo, induz que o papa substitui Jesus Cristo aqui nesta terra, e, como Jesus era Deus, alguns papas creram, por conseguinte, que eles eram “outro Deus sobre a terra”, com os mesmos poderes que Jesus Cristo exercia enquanto esteve entre nós. Trata-se, portanto, de um título blasfemo e de gravíssima heresia. O titulo de “bispo universal” ou “bispo dos bispos” é uma usurpação aos demais bispos, que na Igreja primitiva estavam em pé de igualdade com o bispo de Roma, e não em inferioridade. De fato, o próprio Concílio de Niceia deixa claro que Roma não tinha uma jurisdição universal, como você pode conferir aqui aqui.  

Jesus não disse que Pedro exerceria domínio e autoridade sobre todos os demais; ao contrário, disse que entre os discípulos não haveria superioridade de ninguém sobre ninguém:

“Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês (Marcos 10:42) 

Portanto, diferentemente das nações seculares, as quais tem um governante que exerce poder e autoridade sobre as pessoas, no Cristianismo de Jesus não seria assim. Um somente é o nosso Chefe (que exerce liderança), que é o próprio Jesus, e todos os demais são “irmãos”, isto é, no mesmo grau de autoridade:

“Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos (Mateus 23:8)

“Também não sereis chamados de líderes, pois um só é vosso líder, o Cristo (Mateus 23:10)

Por diversas vezes os discípulos disputaram entre si acerca de qual deles era o maior, como em Mateus 18:1 e em Lucas 22:24, mas Cristo NUNCA lhes respondeu dizendo que era Pedro. Portanto, “bispo universal” ou “bispo dos bispos” (ou seja, um bispo que é maior do que os outros e é posto em primazia universal sobre todos eles) é uma terminologia herética, antibíblica e diretamente contra os ensinamentos de Cristo.

E o título de “Pontífice Máximo” talvez seja o pior de todos eles, pois, além de colocar o bispo de Roma como superior a todos os demais bispos, ainda é fruto de um sincretismo pagão, pois era o título usado pelos imperadores romanos da época:






As medalhas acima ilustram a coroação do papa. O lema inverso é: “QVEM CREANT ADORANT ROMAE”, que significa: A QUEM ELES CREEM E ADORAM EM ROMA”. Como se vê, até mesmo as próprias moedas papais mostram claramente a usurpação, paganismo e idolatria em torno do papa. Só não percebe isso aqueles que já estão tão cegos pelos enganos de Satanás ao ponto que já “se recusaram a dar ouvidos à verdade, voltando-se aos mitos” (2Tm.4:4). A verdade é óbvia e incontestável, e exatamente por isso que quem a rejeita é indesculpável no juízo de Deus.

“Pois o coração deste povo se tornou insensível; de má vontade ouviram com os seus ouvidos, e fecharam os seus olhos. Se assim não fosse, poderiam ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração e converter-se, e eu os curaria”  – Mateus 13:15

“Pois o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” – 2ª Coríntios 4:4

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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5 comentários:

  1. Agora, sim. Achei o que eu queria. Os próprios documentos católicos dizendo que o papa é Deus na terra. Muito bom. Agora posso usar isso para mostrar a algumas pessoas, o que realmente os papas pensam que são.

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  2. Durante 22 anos participei de forma intensa da igreja de católica. Quando passei a buscar conhecimento comecei a sentir desconfortável frente a muitos aspectos da fé que professei ao longo destes anos, sobretudo no que se refere a adoração. Este artigo separou um pouco mais o joio do trigo. Fui um entre tantos que repetiu o famoso refrão católico: "Só adoramos a Deus" . Sempre atuando como músico não percebi ao longo deste anos o que eu mesmo cantava: "Eis o lenho da cruz na qual pendeu a salvação do mundo, vinde adoremos" (Trecho de um hino cantado na sexta feira santa no momento chamado assumidamente de adoração da cruz). Estas moedas pra mim foi mais um passo rumo a uma igreja bíblica. Difícil é saber qual. Se puderem me ajudar agradeço.

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    1. Olá, Márcio, agradeço-lhe pelo comentário. Em relação à adoração e veneração no catolicismo romano, eu lhe recomendo a leitura deste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/05/nao-adoram-so-veneram.html

      Em relação à igreja bíblica, há muitas igrejas que ensinam um evangelho mais puro e Cristocêntrico, enquanto é fato que existem igrejas mercantilistas que só estão preocupadas com dinheiro (tais como algumas que aparecem na televisão). Eu lhe recomendo a leitura de meu livro "Chamados para crer e sofrer", onde eu também abordo este tema; creio que ele lhe será útil na compreensão de uma igreja mais bíblica e Cristocêntrica (tem links para download do e-book completo também):

      http://lucasbanzoli.no.comunidades.net/index.php?pagina=1087350163

      Um abraço e que Deus lhe abençoe!

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  3. Lucas, saudações
    Estava discutindo com um catolico a respeito dessa matéria e ele me passou esse site com o macabeus te refutando, você por acaso, tem a refutação da refutação? Obrigado
    http://macabeus.no.comunidades.net/o-papa-auto-se-proclama-deus

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