29 de dezembro de 2013

As visões teológicas sobre o inferno


Tem se falado tanto a respeito do inferno nos últimos dias que eu decidi tecer alguns comentários a respeito das principais visões teológicas quanto ao inferno, que vão além daquilo que eu escrevi em meu livro “A Verdade sobre o Inferno”. Há historicamente quatro visões predominantes sobre este tema, sendo elas:

 Tormento eterno
 Universalismo
 Aniquilacionismo direto
 Aniquilacionismo posterior ao castigo


DE UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

Alguém que vive em pleno século XXI naturalmente irá pensar que a opção número 1, por ser a mais famosa hoje em dia, foi a que mais predominou nos primeiros séculos da Igreja, mas isso não é verdade. Uma leitura básica nos escritos dos Pais da Igreja nos mostra que a visão de um tormento eterno só passou a existir em finais do século II d.C[1], sendo precedida pela visão aniquilacionista e universalista. Isso é reconhecido até mesmo pelo maior pregador do tormento eterno que já existiu na Igreja antiga – Agostinho de Hipona –, que em sua época reconheceu que “existem muitíssimosque apesar de não negarem as Santas Escrituras não acreditam em tormentos eternos”[2]. A palavra “muitíssimos”, no original, é imo quam plurimi, que também pode ser traduzida como “maioria”. Portanto, Agostinho reconhece que em seus dias a maioria dos cristãos não cria em um tormento eterno.

Basílio, o Grande (329-379 d.C), que foi contemporâneo de Agostinho, também reconheceu isso. Ele disse: grande parte dos homens afirma que haverá um fim à punição daqueles que foram punidos”[3]. A posição predominante nos primeiros Pais, do primeiro século até meados do segundo, era aniquilacionismo subsequente à punição. A partir de Orígenes, o primeiro grande universalista, muitos outros Pais adotaram tal postura, como Ambrósio (o tutor de Agostinho), Clemente de Alexandria, Gregório de Nissa, Gregório Nazianzeno e até mesmo Jerônimo, antes de mudar de opinião e passar a atacar severamente Orígenes.

Dos Pais que criam no tormento eterno, destaca-se Irineu, que difundiu tal doutrina em finais do século II, e o próprio Agostinho, que tornou essa doutrina a mais famosa nos séculos seguintes, como a visão predominante que marcaria as próximas eras. Por isso, foi somente depois da época de Agostinho, o bispo mais famoso da história da Igreja, que a visão de tormento eterno se tornou predominante na Igreja, como diz J. N. D. Kelly: “por volta do quinto século, em todos os lugares imperava a rígida doutrina de que, depois desta vida, os pecadores não terão uma segunda chance e que o fogo que os devorará jamais se apagará”[4].

Antes disso, como diz a Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog, “nos primeiros cinco ou seis séculos do Cristianismo haviam seis escolas teológicas, no qual quatro (Alexandria, Antioquia, Cesaréia e Edessa ou Nisibis) eram universalistas, uma (Éfeso) aceitava imortalidade condicional (aniquilacionismo); uma (Cartago ou Roma) ensinava punição eterna do ímpio. Outras escolas teológicas são mencionadas como fundadas por universalistas, mas a doutrina real delas nesta questão é desconhecida”[5].

Tendo em vista a perspectiva histórica, iremos analisar brevemente cada uma delas, a partir de agora, sob uma perspectiva ideológica.



DE UMA PERSPECTIVA BÍBLICA


 Tormento eterno. Seus adeptos (Igreja Católica e maioria protestante) creem que o tormento no inferno não terá fim, será eterno, pelos séculos dos séculos, independentemente do pecador e não fazendo distinção entre aqueles que pecaram mais e aqueles que pecaram menos, pois ambos serão punidos com tormentos eternos na vida futura. Usam passagens bíblicas que, para eles, favorece a perspectiva imortalista, como o texto de Mateus 25:46, que falaria sobre “vida eterna” para os justos e “tormento eterno” para os ímpios. Se apegam também a textos apocalípticos (Ap.14:11; 20:10) que sustentariam tal tese, e às passagens que falam sobre o “fogo eterno” (Mt.18:8; 25:41; Jd.7).

O problema com essa interpretação é que, em primeiro lugar, Mateus 25:46 não fala de “tormento” (basanos), mas de “punição” (kolasin)[6]. Todos os léxicos do grego concordam que essa punição, decorrente da palavra grego kolasis, é a pena capital – a morte –, significando literalmente “mutilar, cortar fora”[7], “morte e destruição”[8], “mutilar, deceptar”[9], “extirpar alguém da vida”[10]. Ou seja: o texto está falando sobre vida eterna e morte eterna, e não sobre vida eterna ou tormento eterno. O contraste é entre existência e inexistência para sempre, e não entre existência eterna em ambos os casos.

Outro problema nessa interpretação é a identificação literal de elementos apocalípticos, que por definição é um livro hiperbólico, e não literal[11]. Além disso, a comparação de passagens, como Apocalipse 14:11 com Isaías 34:9,10, nos mostra que a “fumaça que sobe para sempre” não é sinônimo de um fogo queimando para sempre, pois este mesmo texto de Isaías fala que “os ribeiros de Edom se tornarão em pez, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em pez ardente. Nem de noite nem de dia se apagará; para sempre a sua fumaça subirá; de geração em geração será assolada; pelos séculos dos séculos ninguém passará por ela” (Is.34:9,10), mas não há fumaça subindo até hoje em Edom.

Finalmente, a interpretação sobre o “fogo eterno” falha em não considerar que o fogo é eterno pelos efeitos da destruição eterna, e não pelo processo. Foi assim em todas as vezes que a Bíblia usou tal linguagem para algo que aconteceu no mundo real. Como vimos, Isaías 34:9-10 fala de uma fumaça subindo para sempre em Edom, mas não há fumaça subindo literalmente até hoje. Semelhantemente, Jeremias fala de um fogo que consumiria os palácios de Jerusalém e que “não se apagará” (Je.17:27), mas não há nenhum fogo queimando até hoje ali. Em Ezequiel vemos que a floresta do Neguebe seria incendiada por uma chama abrasadora que “não será apagada” (Ez.20:47,48), e Judas fala das cidades de Sodoma e Gomorra sofrendo a pena do “fogo eterno” (Jd.7), ainda que o fogo que consumiu estas cidades em Gênesis 19:24 tenha sido temporário, e não eterno. Tais exemplos nos mostram claramente que a linguagem de “fogo eterno” sempre se referiu aos efeitos da destruição total, e não a um processo sem fim.


 Universalismo. Seus adeptos defendem essa tese em passagens como 1ª Coríntios 5:5, que diz: “seja, este tal, entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus”, e Filipenses 2:10-11, que diz: “para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (veja também: Rm.14:11). Para eles, isso significa que todos os perdidos um dia se dobrarão aos pés de Cristo e serão salvos por ele. Ou seja: que, no fim das contas, todos irão para o Céu.

Essa interpretação falha em dois aspectos principais: (a) pouca evidência bíblica de apoio; (b) pouca capacidade de refutação às evidências contrárias. A pouca evidência se vê pelo fato de que tal tese é apoiada muito mais pelo sentimentalismo de argumentos passionais do que por evidências Escriturísticas, e de tais referências oferecidas poderem ser perfeitamente interpretadas de outra forma. A “destruição da carne” não indica que o pecador de 1Co.5:5 não teria passado por um arrependimento futuro ainda em vida, mas implica apenas na morte corporal. Portanto, o espírito salvo no dia do Senhor (ressurreição/volta de Jesus) não se refere, necessariamente, a um perdido, mas a um salvo.

Textos que mostram todo o joelho se dobrando diante de Cristo também não implicam necessariamente no universalismo, mas apenas que todos reconhecerão que Jesus, a quem eles condenaram em vida, realmente é o Senhor. O que será dessas pessoas depois disso não é dito nestes textos. Passagens como 2ª Coríntios 6:1-2, Hebreus 3:13 e Hebreus 9:27 indicam que não existe segunda oportunidade de salvação após a morte. Além disso, se o universalismo é verdadeiro, não existiria fogo eterno nem pelo processo e nem pelo efeito, já que o efeito não seria eterno nem irreversível. Seria, então, uma linguagem inapropriada. Eles também têm grande dificuldade em explicar as 152 passagens bíblicas que falam em aniquilamento dos ímpios e as dezenas de passagens que falam em castigo, já que, segundo eles, não ocorrerá nem uma coisa e nem outra com os ímpios.


 Aniquilacionismo direto. Essa visão é compartilhada principalmente pelas testemunhas de Jeová, e se apoia em centenas de passagens bíblicas que retratam aniquilacionismo, mas falha em desconsiderar passagens que falam em castigo, como Lucas 12:47-48, que se refere a pessoas que receberão poucos açoites e outras que receberão muitos açoites. Se ninguém recebe nenhum açoite, tal texto não faria sentido. Além disso, a linguagem expressa por Cristo aos fariseus, de que “estes receberão maior castigo” (Lc.20:47) também não se enquadra no aniquilacionismo direto, em que os ímpios são destruídos sem serem castigados antes, pois, desta forma, não haveria um castigo maior para uns em detrimento dos outros.

Finalmente, a tese do aniquilacionismo direto falha em um aspecto filosófico. Para que haveria ressurreição de ímpios, se eles serão destruídos imediatamente em seguida, sem serem castigados antes? As testemunhas de Jeová respondem a tal argumento alegando que não há ressurreição de ímpios, mas apenas de justos. Isso, porém, ignora uma série de passagens bíblicas que afirmam claramente que os ímpios também ressuscitarão, assim como os justos (ex: Dn.12:2; Jo.5:28,29).


 Aniquilacionismo posterior ao castigo. É a visão mais plausível biblicamente. Ela é apoiada por pelo menos 152 versículos que ensinam que os ímpios serão destruídos na vida futura[12], ao invés de serem atormentados para sempre. Há literalmente dezenas de formas de expressar este fato, usadas no AT e no NT, como, por exemplo, que os ímpios serão:

a)    eliminados (cf. Pv.2:22; Sl.37:9; Sl.37:22; Sl.104:35; Is.29:18-20); 

b)  destruídos (cf. 2Pe.2:3; 2Pe.2:12,13; Tg.4:12; Mt.10:28; 2Pe.3:7; Dt.7:10; Fp.1:28; Rm.9:22; Sl.145:20; Gl.6:8; 1Co.3:16,17; 1Ts.5:3;2Pe.2:1; Sl.145:20; Sl.94:23; Pv.1:29; 1Ts.5:3; Jó 4:9; Sl.1:4-6; Sl.73:17-20; Sl.92:6,7; Sl.94:23; Pv.24:21,22; Is.1:28; Is.16:4,5; Is.33:1; Lc.9:25; Gl.6:8; 1Ts.1:8,9); 

c)    arrancados (cf. Pv.2:22);

d)  mortos (cf. Jo.8:24; Jo.11:28; Jo.6:47-51; Is.65:15; Rm.6:23; Is.11:4; Pv.11:19; Sl.34:21; Rm.8:13; Sl.62:3; Pv.15:10; Tg.1:15; Rm.8:13; Pv.19:16; Is.66:16; Jr.12:3; Rm.1:32; Ez.18:21; Ez.18:23,24; Ez.18:16,28; 2Co.7:10; Rm.6:16; 2Co.3:6; Hb.6:1);

e)    exterminados (cf. Sl.37:9; Mc.12:5-9; At.3:23);

f)    executados (cf. Lc.19:14,27);

g)    devorados (cf. Ap.20:9; Jó 20:26-29; Is.29:5,6; Sl.21:9);

h)    se farão em cinzas (cf. 2Pe.2:6; Is.5:23,24; Ml.4:3);

i)    não terão futuro (cf. Sl.37:38; Pv.24:20);

j)    perderão a vida (cf. Lc.9:24); 

k)  serão consumidos (cf. Sf.1:18; Lc.17:27-29; Is.47:14; Sl.21:9; Jó 20:26-29; Ap.20:9; Is.26:11; Naum 1:10; Sl.21:9; Lc.17:27-29);

l)  perecerão (cf. Jo.10:28; Jo.3:16; Sl.37:20; Jó 4:9; Is.66:17; Sl.37:20; Sl.68:2; Sl.73:27; At.13:40,41; Is.1:28; Is.41:11,12; 1Co.1:18; Rm.2:12; 2Co.4:3; 2Co.2:15,16; Lc.13:2,3; Lc.13:4,5; 2Ts.2:10);

m)  serão despedaçados (cf.Lc.20:17,18; Mt.21:44; 1Sm.2:10);

n)    virarão estrado para os pés dos justos(cf.At.2:34,35);

o)    desvanecerão como fumaça (cf. Sl.37:20; Sl.68:2; Is.5:24);

p)    terão um fim repentino (cf. Sf.1:18; Pv.24:21,22; Is.29:5,6; 1Ts.5:3; Is.29:18-20; 2Pe.2:1);

q)  serão como a palha que o vento leva(cf. Sl.1:4-6; Is.5:24; Is.29:5,6);

r)  serão como a palha para ser pisada pelos que vencerem (cf. Ml.1:1,3; Mt.5:13; Hb.10:12,13);

s)    serão reduzidos ao pó (cf. Sl.9:17; Is.5:24; Is.29:5,6; Lc.20:17,18; Mt.21:44; 2Pe.2:6);

t)     desaparecerão (cf. Sl.73:17-20; Is.16:4,5; Is.29:18-20);

u)    deixarão de existir (cf. Sl.104:35);

v)    serão apagados (cf. Pv.24:20);

w)   serão reduzidos a nada (cf. Is.41:11,12; 1Co.2:6);

x)    serão como se nunca tivessem existido(cf. Ob.1:16);

y)    serão evaporados (cf. Os.13:3);

z)    será lhes tirada a vida (cf. Pv.22:23; Jo.12:25);

aa) não mais existirão (cf. Sl.104:35; Pv.10:25).

Ao mesmo tempo, essa visão não ignora passagens que mostram os ímpios sendo castigados, pois eles só serão mortos depois de passarem pelo castigo respectivo aos seus pecados, o tanto correspondente a cada um. Assim sendo, os ímpios ressuscitarão e serão julgados e condenados, uns a “poucos açoites” (Lc.12:48) e outros a “muitos açoites” (Lc.12:47), para só depois deste castigo, merecido e proporcional, serem eliminados.


DE UMA PERSPECTIVA MORAL

 Tormento eterno. Se perguntassem a cem pessoas quantas delas achariam justo condenar um pecador a blocos intermináveis de bilhões e bilhões de anos sofrendo tormentos e torturas colossais dentro de um lago de fogo que arde com enxofre (e para todo o sempre), cem pessoas responderiam que isso é injusto. De fato, os próprios imortalistas reconhecem isso quando dizem: “Nós certamente não gostamos daquilo que a Bíblia diz sobre o inferno. Gostaríamos que não fosse verdade[13]. Isso atesta que o próprio senso de moralidade presente na consciência humana contradiz a noção de um tormento eterno, mesmo para aqueles que creem que esse tormento eterno é bíblico.

Se ainda há alguma dúvida sobre isso ser justo e correto, basta pensarmos na analogia de um pai com um filho. Se seu filho o desobedece, você não vai pegar uma cinta e descer em cima dele para sempre. Você obviamente vai castigá-lo por algum tempo, isto é, pelo tanto correspondente aos seus erros. Se nem nós, meros seres humanos, somos capazes de castigar alguém a um tormento eterno, quanto menos Deus, que é muito mais justo e amoroso que nós.

Ele não é um deus sádico que pega uma cinta e bate no filho para sempre, que faz questão de conceder imortalidade a essa criatura só para que ela passe a eternidade inteira sofrendo, com a única finalidade de perpetuar o sofrimento. Deus castigará os ímpios até que eles paguem o último centavo (Lc.12:59; Mt.5:26), e depois irão para a segunda morte, a morte final e irreversível (Ap.20:14; 21:8), o completo fim da existência.

Robert Leo Odom discorreu sobre essa mesma questão usando outra analogia:

"Suponha, por exemplo, que o juiz de sua comarca sentenciasse um homem declarado culpado de assassinato a ser torturado continuamente dia e noite com água escaldante e ferros em brasa, a fim de mantê-lo sofrendo constantemente a mais torturante dor. O que os meios de comunicação teriam a dizer sobre isso? Qual seria a reação das pessoas em geral para com esse tipo de punição? Faz sentido dizer que o nosso Criador, que é um Deus de justiça e amor, poderia ser um monstro de crueldade pior do que o mencionado?"[14]

Além disso, a teoria do tormento eterno falha em desconsiderar penas distintas para pecados distintos. No tormento eterno não há diferenciação: todos serão punidos com a mesma pena, a de sofrerem eternamente. Assim sendo, não há qualquer diferença entre Adolf Hitler, que foi responsável pela tortura e assassinato de pelo menos seis milhões de judeus, e um índio de 12 anos que morreu sem conhecer a Jesus: ambos seriam condenados para um tormento eterno e indiscriminado. Mas a Bíblia não ensina isso. Ela faz clara diferença entre os pecadores, ao ponto do próprio Senhor Jesus dizer:

“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites (Lucas 12:47-48)

Se alguém receberá “poucos” açoites significa, obviamente, que esse castigo não será eterno, pois o “pouco” presume um fim, ou senão não seria “pouco”! O contraste que Cristo estabelece aqui demonstra que não haverá uma mesma punição indiscriminada a todos os pecadores, como um tormento eterno para todo mundo, mas um castigo que é proporcional aos pecados cometidos por cada um. Sendo assim, Hitler queimaria muito mais tempo do que aquele índio de 12 anos do exemplo acima. Isso torna esse mundo justo e respeita o princípio da proporcionalidade estabelecido em toda a Bíblia, algo que não existe dentro da visão de tormento eterno.


 Universalismo. A visão universalista é o exato contraponto ao tormento eterno. Enquanto aqueles falham em desconsiderar penas relativas a pecados relativos, esta falha no mesmo aspecto, mas, ao invés de condenar todos indistintamente a um mesmo tormento eterno, dá a vida eterna para todo mundo. Assim sendo, qualquer pessoa ímpia deste mundo, incluindo os maiores déspotas e genocidas da humanidade, não sofreriam qualquer punição após a morte, pois no fim alcançariam a vida eterna com Deus. Não haveria qualquer vantagem em ser justo aqui na terra, pois ambos acabariam no Céu com Deus, no fim das contas.

Tome como exemplo uma prova de vestibular, cuja faculdade decidiu que apenas os 30 melhores alunos, com nota superior a 7, seriam aprovados. Então, 30 alunos que fizeram o vestibular estudaram o ano inteiro para isso, se dedicaram ao máximo, doaram o melhor de si, abriram mão de muita coisa para passarem neste vestibular, e, finalmente, conseguiram passar. Por outro lado, havia 100 vestibulandos incompetentes, preguiçosos, irresponsáveis e desleixados, que não estudaram nada, que ficavam zombando daqueles que estudavam, que preferiam ir “curtir a vida” e que, no fim das contas, tiraram nota inferir a 2. Mas depois a faculdade decide aprovar ambos!

Se você fosse o aluno que se aplicou e estudou o ano todo, como se sentiria diante disso? Sentiria que a justiça foi feita? É claro que não. O universalismo não estabelece um padrão de mundo justo, mas apenas o sonho de todo e qualquer pecador. Um mundo justo exige uma pena proporcional a cada um que cometeu injustiças. Se o universalismo fosse real, não valeria a pena abrir mão desta vida por amor a Cristo, aceitando sofrimento, tribulação e martírio nesta terra, se os que não fazem nada disso o alcançarão da mesma forma. Ainda, o sangue de Cristo e a aceitação pela fé seriam ineficazes em última instância, pois aquele que não tinha fé em Jesus, que desprezava a Cristo e que zombava de Deus seria salvo tanto quanto aquele que foi justificado pela fé. Desta forma, teria sido inútil servir e crer em Jesus. O que mostra que o universalismo não pode ser moralmente justificável.


 Aniquilacionismo direto. O principal problema moral na tese do aniquilacionismo direto é o fato de que, nele, não há graduação de penas para os que cometeram atos ímpios aqui na terra. Em outras palavras, um assassino frio e sanguinário seria condenado à mesma pena de um ladrão de frangos: ambos morreriam eternamente, sem serem castigados nem mesmo por um segundo. Essa visão passa claramente a noção de impunidade, já que até mesmo nesta vida sabemos que é justo e correto punir os criminosos por um tanto correspondente ao crime. Da mesma forma, aqueles que transgridem a Lei de Cristo também não merecem passar impunes.

O aniquilacionismo direto (assim como o universalismo) é, assim dizendo, o lado inverso da moeda do tormento eterno, pois em ambos os casos não haveria distinção entre os pecadores, nem graduação de pecados ou punição proporcional. A diferença é que, no primeiro caso, essa impunidade seria em fatores nulos – sem punição para ninguém – enquanto no outro seria em fatores extremos – punição para sempre e para todos. Nenhuma das três visões anteriores responde em termos proporcionais aos pecados de cada um, como a Bíblia parece estabelecer frequentemente (Lc.12:47,48; Os.12:2; Is.58:18; Sl.62:2; Pv.12:24; Rm.2:5-7; Lc.20:47; Lc.12:58,59; Mt.12:32-35; Ap.22:12; 2Co.11:15; Dt.25:2; 2Tm.4:14).


 Aniquilacionismo posterior ao castigo. É a única visão moralmente justificável e que supre as carências das outras visões. Ela não ensina um tormento eterno desproporcional aos pecados cometidos, nem um castigo infinito por pecados finitos. Por outro lado, ela também não ensina que todo mundo será salvo no final, tornando inútil a fé em Cristo, nem um aniquilacionismo direto, que nada mais é senão impunidade. Ela ensina que primeiro os ímpios serão castigados, cada um pelo tanto correspondente aos seus pecados, uns mais e outros menos, uns receberão “muitos açoites” (Lc.12:47) e outros receberão “poucos açoites” (Lc.12:48), e, somente depois disso, senão eliminados.

Essa visão é a única que trabalha em cima do princípio da proporcionalidade, que é claramente atestado pela Bíblia. A proporcionalidade é, como sabemos, a base do padrão de justiça que rege o mundo. Nenhuma das outras três visões respeita o princípio da proporcionalidade, seja por pregar um tormento eterno para todo mundo, seja por pregar a salvação final para todos ou então por ensinar uma morte sem castigo para ninguém. Deus, sabendo que os pecados dos ímpios não poderiam passar impunes, os castiga pelo tanto correspondente e justo – proporcional aos pecados de cada um – e em seguida tais vão para a morte eterna, já que um tormento eterno seria injusto, moralmente injustificável e contra a lei da proporcionalidade, ao mesmo tempo em que salvar todo mundo seria igualmente injusto.

Nessa visão não há uma perpetuação do pecado e do sofrimento, como seria caso para sempre existissem criaturas blasfemando, murmurando e brigando com Deus, nem ensina a existência de um “ponto negro” em alguma parte do universo, em um verdadeiro lago de fogo literal onde bilhões de seres humanos sofrem em tormentos eternos. Ela ensina a total e completa erradicação do pecado na nova criação, o que só poderia ocorrer caso existisse a completa extinção dos pecadores, pois o pecado só existe em função da existência de pecadores. Ela também ensina a total transformação do universo, para uma nova criação onde não existe mais morte, pecado, blasfêmia, demônios ou ímpios, mas onde Deus é tudo e está em todos (1Co.15:28), quando “não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas (Ap.21:4).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[2] Enchiria, ad Laurent. c. 29.
[3] De Asceticis.
[4] J. N. D. Kelly, Patrística, p.368-369.
[5] Enciclopédia de Conhecimento Religioso (1908).
[7] Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento.
[8] A Critical Lexicon and Concordance to the English and Greek New Testament, de E. W. Bullinger.
[9] Theological Dictionary of the New Testament (Volume III, 1965), de Gerhard Kittel.
[10] The Emphatic Diaglott.
[13] GEISLER, NORMAN; TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
[14] Robert Leo Odom. Vida Para Sempre. Casa Publicadora Brasileira: 2006.

23 comentários:

  1. Caro Lucas, mais uma vez vim te incomodar com meus problemas rs...

    Mas, primeiramente, gostaria de elogiar novamente um texto muito claro e direto. Simples e fácil de aprender. Continue assim ^^

    Eu já tentei conversar com uma pessoa sobre a injustiça do tormento eterno. Porém, sua resposta se resumiu em:

    Afirmar que "nossa justiça" é diferente da justiça de Deus.
    É o ser humano que escolhe ir pro inferno, e não Deus que manda, portanto Deus não se tornaria injusto com isso.
    Que o inferno não é um local, mas uma "situação" onde a alma se encontra e portanto não teria sido imposta por Deus.

    (Detalhe, essa mesma pessoa é católica)

    Gostaria de saber como explicar pra esta melhor sobre o tormento eterno.

    Também gostaria de saber se o senhor conhece algum texto católico que afirme que o Inferno é um "local" e não apenas uma "situação".

    Agradeço e até a próxima ^^

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    Respostas
    1. Olá, a paz de Cristo. Vejamos:

      (1) O nosso senso de moralidade (justiça) PROVÉM de Deus, e é por isso que sabemos que assassinato, estupro, aborto, pedofilia e coisas do tipo não são morais, exatamente em função deste senso de moralidade que ele injetou em nós. Isso é aceito inclusive pelos próprios imortalistas, como Geisler e Turek, que disseram:

      “Os seres humanos não determinam o que é certo e o que é errado; nós descobrimos o que é certo ou errado. Se os seres humanos determinassem o que é certo ou errado, então qualquer um poderia estar ‘certo’ em afirmar que o estupro, o homicídio, o Holocausto ou qualquer outro mal não é realmente errado. Mas nós sabemos intuitivamente que esses atos são errados por meio de nossa consciência, que é manifestação da lei moral [...] Essa lei moral deve ter uma fonte mais elevada que nós mesmos, porque ela é uma prescrição que está no coração de todas as pessoas [...] O padrão de retidão é a própria natureza do próprio Deus — infinita justiça e infinito amor" (Não tenho fé suficiente para ser ateu)

      Portanto, o padrão de moralidade humano provém daquilo que foi estabelecido por Deus, não é oposto à moralidade dEle. Se nós sabemos que o tormento eterno é injusto e moralmente injustificável, é porque realmente é injusto e moralmente injustificável, porque Deus colocou essa lei moral em nossos corações que nos diz isso!

      (2) Isso é ridículo, a própria Bíblia diz que é Deus quem manda sim, veja só:

      "Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mateus 22:13)

      O "rei" nesta parábola é o próprio Deus. Veja que é Deus quem lança o ímpio no inferno, ele não vai lá sozinho! Isso é um absurdo!

      (3) A Igreja Católica crê que o inferno é um local sim, senão não iria aceitar as "revelações" do inferno de santa Faustina e outros:

      http://apologeticadafecatolica.blogspot.com.br/2013/10/tres-visoes-terriveis-do-inferno-dadas.html

      Não crer que o inferno é um lugar é a mesma coisa de crer no aniquilacionismo, pois se a alma é imortal ela deve estar em algum lugar, e se este lugar não é o inferno ele é o Céu (universalismo) ou o nada (aniquilacionismo), que são duas visões que a Igreja Católica condena.

      Abraços.

      Excluir
  2. Lucas ..sou eu..Matheus... Eu sei que é outro assunto aquim, mas eu estava assitindo o debate no programa Vejam só, e um pastor calvinista fez uma pergunta a um pastor arminiano, e o pastor arminiano não soube responder.. Tem como vc responder para mim, fazendo o favor... Ai vai a pergunta :

    Se Deus salva com base na fé prevista, porque Deus não salvou as cidades de Corazim e de Betsaida ?

    Vejamos o texto :

    Mateus 11:21 - "Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Porque se os milagres que foram realizados entre vocês tivessem sido realizados em Tiro e Sidom, há muito tempo elas se teriam arrependido, vestindo roupas de saco e cobrindo-se de cinzas.´´

    Jesus previu que as cidades de Tiro e Sidom teriam se arrependido se tivessem visto os milagres e as obras Dele. Jesus previu que se essas cidades vissem as obras de Dele elas se arrependeriam. No entanto, elas não foram salvas. Se Deus salva com base na fé prevista, porque Deus não salvou Tiro e Sidom sendo que Deus deseja que todos se salvem, sendo que Deus sabia que Tiro e Sidom seriam salvos se vissem as manifestações de Deus ? Então Deus não quis que as cidades de Tiro e Sidom fossem salvas ? Nesse caso Deus salvou quem ele quis como alega o calvinismo ?

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    1. Oi, Matheus. O texto de Mateus 11:21 não diz que aquelas pessoas não foram salvas. O fato de dizer que elas teriam se arrependido se vissem os sinais não significa que elas se perderão porque não viram os sinais. Não é apenas o arrependimento que salva universalmente. Uma criancinha de dois anos, por exemplo, não tem a capacidade nem de ter fé em algo ou alguém, nem tampouco de se arrepender no sentido bíblico da palavra. Ela nem mesmo sabe a diferença entre Jesus, Buda e Maomé. Mas cremos que os recém-nascidos e as crianças pequenas serão todas salvas, porque obedecem à Lei Moral, isto é, a Lei de Consciência de que Paulo fala em Romanos 2:13-16.

      Da mesma forma, os índios, assim como aqueles que nunca ouviram falar de Jesus, não estão todos perdidos absolutamente. No texto que acabei de citar, Paulo faz menção aos gentios, ou seja, àqueles que não tinham a Lei de Deus, mas não diz que eles irão se perder por isso, mas que Deus irá julgá-los de maneira diferente, através da lei moral, e não da lei escrita. Penso que o mesmo se aplica a Tiro e Sidom, assim como aos que hoje nunca ouviram falar no evangelho. Eles não se arrependerão, mas não porque rejeitaram Jesus, e sim porque nunca ouviram falar dele. No entanto, isso não significa que eles necessariamente vão pro inferno em função disso, porque, como disse, será a consciência deles que irá ser julgada no dia do Juízo.

      Portanto é necessário fazer a devida distinção entre não se arrepender de forma DELIBERADA, ou seja, já conhecendo o evangelho e mesmo assim o REJEITANDO, e não se arrepender de forma NÃO-INTENCIONAL, não porque rejeitou a Cristo, mas porque não ouviu falar dele. O primeiro grupo realmente estará perdido, porque rejeitou Jesus tendo conhecimento dele, mas o segundo grupo não está necessariamente perdido, pois será julgado de acordo com a consciência de cada um. Tiro e Sidom, assim como Corazim e Betsaida, se encaixam neste segundo grupo, o de pessoas que não rejeitaram, mas não se arrependeram porque não tiveram a oportunidade de ouvirem o evangelho, o que não implica que eles já estão perdidos por causa disso.

      Concluindo: Mateus 11:21 não é uma prova conclusiva de que todas as pessoas de Corazim e Betsaida não serão salvas por Deus no dia do Juízo. A frase "no entanto, elas não foram salvas" é uma adição do autor, e não uma declaração do texto bíblico.

      Abraços.

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  3. Lucas, lendo os Evangelhos é provado que Jesus foi sim a Tiro e Sidom. Veja :

    *** "E de Jerusalém, e da Iduméia, e de além do Jordão, e de perto de Tiro e de Sidom; uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele" (Marcos 3:8 ).

    *** "E, partindo Jesus dali, foi para as partes de Tiro e de Sidom. ( Mateus 15:21-29 ).

    É que agora que ficou provado que Jesus foi até essas cidades e a Bíblia mostra que ali pessoas seriam salvas se Ele tivesse feito milagres, porque será que Jesus não fez milagres justo ali onde pessoas iam ser salvas e ele sabia disso, já que é a vontade de Deus que TODOS se salvem e Jesus disse que se ali tivessem feitos milagres eles seriam sim salvos. Nesse caso Deus salvou apenas quem ele quis como alegam os calvinistas. Fica estranho a pessoa passar por duas cidades, saber que ali as pessoas seriam salvas e não fazer nada...
    .
    T++++
    Matheus.

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    1. Acontece que no plano espiritual de Deus ele quis que o evangelho fosse levado PRIMEIRO aos judeus, em Israel, e só DEPOIS que eles rejeitassem o Messias é que o evangelho seria levado aos gentios (Jo.1:1,2), é por isso que os sinais foram realizados primeiramente entre os israelitas, e com os gentios depois da morte e ressurreição de Cristo. ISSO NÃO TEM NADA A VER COM ELEIÇÃO INDIVIDUAL, mas apenas com eleição coletiva. Deus elegeu o povo de Israel dentre todas as nações para levar a Sua Lei, mas isso não significa eleição individual, pois havia israelitas que não eram salvos e também gentios que eram salvos. Depois da morte de Jesus, o grupo eleito foi a Igreja, mas isso não significa que INDIVIDUALMENTE todos na Igreja serão salvos, pois sabemos que muitos se perderão.

      Voltando ao caso de Tiro e Sidom, os milagres não foram realizados ali porque AINDA NÃO ERA O TEMPO DOS GENTIOS, que só iria se realizar a partir da morte de Cristo, mas ISSO NÃO SIGNIFICA QUE AQUELAS PESSOAS NÃO FORAM SALVAS, pois Deus salvava individualmente mesmo entre os gentios, de acordo com a lei de consciência que já explanei na resposta anterior.

      Sendo assim, não há nada no texto que favoreça a tese da eleição individual do calvinismo, nem que prove que aquelas pessoas de Tiro e de Sidom não foram salvas, e Cristo não ter pregado naquelas cidades explica-se facilmente pelo fato de que ainda não era o tempo dos gentios. Isso é crido por TODO ARMINIANO, portanto não é algo que refute uma vírgula daquilo que os arminianos creem a respeito. Se os calvinistas querem mesmo refutar os arminianos, que tentem usar argumentos mais sólidos para isso.

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  4. E da onde que você tirou que Tiro e Sidom eram cidades gentias que não havia judeus ? Esse debate foi do programa ´´ Vejam só ´´, que por sinal sempre os calvinistas se dão muito melhor. A pergunta do pastor calvinista está nos 34 minutos e depois veja a resposta do arminiano e a contra resposta do calvinista...http://www.youtube.com/watch?v=lQos6RPo8vo
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    T+++
    Matheus.

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    1. OMG Matheus, o que você queria, que Jesus andasse por toda a terra procurando um judeu para mostrar um "sinal" a ele? Entenda uma coisa: quando a Bíblia fala de Israel, ela se refere aos judeus (ainda que haja não-judeus vivendo em Israel), e quando a Bíblia fala de gentios ela se refere a não-judeus (ainda que hajam israelitas vivendo em terras gentílicas). Portanto é óbvio que se o ministério de Jesus era voltado aos judeus ele iria se dirigir em Israel, não em terras não-judaicas procurando um judeu. Se Jesus desandasse a começar a realizar um monte de milagres em terras não-judaicas lá se ia o conceito de ser enviado primeiro aos da casa de Israel, para ser rejeitado, e somente depois aos gentios.

      Quanto ao debate que você mostrou, realmente o arminiano não foi bem, mas porque era mais jovem e despreparado, não vi nenhum argumento do calvinista que fosse novidade e nenhum que já não tenha sido facilmente refutado por outros arminianos. Já vi muitos debates que os arminianos se deram bem melhor, mas se você quer entender a teologia arminiana leia livros do gênero, é bem melhor do que debates onde se tem apenas 3 minutos para discursar por vez.

      Abraços.

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  5. Lucas, sei que estou mudando um pouco o assunto. Mas hoje me surgiu uma dúvida enquanto eu lia um fórum em questão.

    No fórum, é colocado um post sobre os irmãos de Jesus. No mesmo, um católico posta o verso que diz que Tiago era irmão de Jesus. O mesmo afirma que Jesus não teria nenhum irmão chamado Tiago (ou melhor, que Maria não teria nenhum filho chamado de Tiago)

    Me daria um exclarecimento sobre o assunto ^^?

    E obrigado pelo ultimo esclarecimento, tinha me esquecido da passagem sobre o rei que lança no inferno o pecador ^^

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    1. Você poderia me mostrar o link desse fórum? É complicado refutar um argumento que eu não vi. Mas se o que ele argumentou foi apenas o mesmo que todos os católicos sempre argumentam, creio que você conseguirá refutá-lo facilmente com estes artigos que provam que Jesus tinha irmãos de sangue (incluindo Tiago):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/09/os-irmaos-de-jesus-eram-primos.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/mulher-eis-ai-o-teu-filho.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/e-nao-conheceu-ate-que.html

      Há uma passagem bíblica que afirma diretamente que Tiago era irmão de Jesus:

      "E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor" (Gálatas 1:19)

      No original grego desta passagem está a palavra "adelphos", que era realmente aplicada para IRMÃOS, ao invés da palavra grega "anepsios", que era usada para se referir a primos, mas que não foi usada nesta passagem. Na verdade, existiam três palavras gregas usadas para parentesco, sendo elas:

      Anepsios – Primo
      Adelphos – Irmão
      Suggenes – Parente

      Mas absolutamente SEMPRE, isto é, em TODAS as ocasiões em que a Bíblia fala dos irmãos de Jesus, ela usa "adelphos", ou seja, irmão mesmo, embora pudesse usar outras duas palavras que são usadas em outros contextos quando a referência não é a um irmão mas a outro parentesco, o que nunca ocorre quando se trata dos irmãos de Jesus, pois os irmãos dele eram irmãos realmente.

      Abraços.

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    2. Desculpe-me a demora a responder, é que sempre dou um espacinho de tempo antes de acessar o site por ter um certo tempo entre suas postagens ^^

      http://quemtembocavaiaroma.livreforum.com/t1459-maria-e-a-virgindade-perpetua

      Este é o link, é um forum católico. Lá, me encontrará pelo nome de "Jonas E."

      Obrigado mais uma vez pela explicação

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    3. Olá. Pelo o que eu pude entender, ele argumenta que Tiago era chamado de apóstolo e que, portanto, ele tinha que ser um dos doze apóstolos. Isso é refutado com uma enorme facilidade, pelo simples fato de que existiam apóstolos além dos Doze, como Paulo e Barnabé:

      "Ouvindo, porém, isto os APÓSTOLOS BARNABÉ E PAULO, rasgaram as suas vestes, e saltaram para o meio da multidão, clamando" (Atos 14:14)

      Outros dois que são chamados de apóstolos e não são dos Doze são Andrônico e Júnias:

      "Saúdem Andrônico e Júnias, meus parentes que estiveram na prisão comigo. São notáveis entre os apóstolos, e estavam em Cristo antes de mim" (Romanos 16:7)

      O próprio Paulo deixa claro que o Tiago irmão de Jesus NÃO ERA UM DOS DOZE DISCÍPULOS, ao relatar ele em separado do grupo dos discípulos:

      "Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo" (1 Coríntios 15:3-8)

      Veja que primeiro ele cita o grupo dos doze discípulos, depois o grupo maior de quinhentas pessoas e depois Tiago no grupo de "todos os apóstolos", que incluía MAIS do que os doze discípulos, porque os doze discípulos já haviam sido mencionados anteriormente, e Paulo não iria repetir a mesma coisa duas vezes. Portanto, Tiago era um apóstolo, irmão de Jesus, fora do grupo dos doze discípulos:

      "Não vi nenhum dos outros apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor" (Gálatas 1:19)

      Abraços!

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    4. Muito boa colocação e bem direta ^^ Obrigado novamente

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  6. Lucas uma menina postou na comunidade de arminianos que eu participo um versiculo que prova que as cidades de Tiro e Sidom não eram gentias, veja se vc concorda :

    Por causa do dia que vem, para destruir a todos os filisteus, para cortar de Tiro e de Sidom todo o restante que os socorra; porque o SENHOR destruirá os filisteus, o remanescente da ilha de Caftor." (Jr 47: 4)
    Eu já vi sobre Tiro e Sidom, coisas relacionadas aos fenícios, que no passado faziam acordos com Salomão, mas depois permitiram Jezabel que incitava cultos a Baal ( Não sei explicar muito bem). E relacionadas aos filisteus, que guerreavam sempre contra o povo israelita.
    .
    .
    Esse assunto de calvinismo é bem legal... eu comprei o livro do Norman Geisler sobre o assunto chamado ´´ eleitos, mas livres´´. E tb tem um em inglês que eu recebi ele em pdf traduzido chamado ´´ o outro lado do calvinismo´´. E tb comprei mais 2 que disseram que são ótimos, mas eu achei bem complicados que é do autor Roger Olson. Um é chamado ´´ Contra o Calvinsimo´´, e o outro é chamado ´´ Teologia Arminiana - mitos e realidades´´.
    .
    T+++
    Matheus.

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    1. Este versículo não diz que as cidades de Tiro e Sidom não eram gentílicas, pelo contrário. Na visão de um judeu os gentios eram todos aqueles que não eram israelitas, seria o mesmo que falar de um estrangeiro na visão de um brasileiro, que é toda pessoa que não é brasileira. Este verso em questão fala dos filisteus e dos habitantes de Tiro e Sidom, ou seja, de povos gentios. Se Tiro e Sidom fossem israelitas não faria qualquer sentido a declaração de Cristo, já que ele estava CONDENANDO a nação israelita que o rejeitou, comparando com OUTROS POVOS, ou seja, povos NÃO-ISRAELITAS, que o aceitariam na situação hipotética de ele ter sido enviado para um outro povo que não o israelita.

      Também estou tentando comprar esses livros do Roger Olson, dizem que são muito bons. O Norman Geisler é "meio calvinista", pois crê que uma vez salvo está para sempre salvo, mas dos 5 pontos do calvinismo ele assina apenas 1, então ele está mais próximo do arminianismo do que do calvinismo, o que deve significar que muita coisa boa deve ser encontrada no livro dele (eu já li algumas citações patrísticas do livro dele, que provam que os Pais da Igreja criam em livre-arbítrio, até a época de Agostinho que no final de sua vida formulou a tese que seria mais tarde adotada por Calvino).

      T++

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    2. Mas como eu vou provar então ao calvinista que Tiro e Sidom eram gentílicas, pois ele pode afirmar que era israelita e nesse caso ele vai afirmar que Jesus salva quem Ele quer.
      .
      O meu livro do Norman Geisler chegou hoje. Vc ja viu ele já ? tem em ´´scrib´´ para ver no google. Ele tb no livro desmascara o arminianismo extremado...
      Se o Norman Geisler diz que uma vez salvo, sempre salvo, ele não sabe o que é apostasia, pois só se apostata quem um dia foi salvo, pois os do mundo não tem do que se apostatar.


      Quanto aos outros 2 do Roger Olson eu achei um saco.... é tudo filosófico... eu achei que ia refutar tudo do calvinismo e todas as passagens... Que nada !!! Só fica falando um monte de nomes de mais de 500 pessoas e nada de refutar... é um saco... dá até sono ler isso...
      Se quiser eu te mando aquele livro americano por e-mail - ´´ o outro lado do calvinismo´´.
      .
      Pelo que vejo nos debates os calvinistas sempre se dão melhor..
      .
      T+++
      Matheus..

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    3. Matheus, nenhum calvinista vai afirmar que Tiro e Sidom não eram gentílicas, pois isso seria tão bizarro e absurdo quanto afirmar que os japoneses são brasileiros. Tiro e Sidom não faziam parte das doze tribos de Israel, logo não eram israelitas, se não eram israelitas eram gentios, ponto final. Isso é óbvio e elementar, não é nem nunca foi ponto de debate entre ninguém.

      Sobre os arminianos não debaterem bem, talvez você esteja acostumado com debatedores brasileiros, alguns pouco estudados, que sabem pouca coisa e logo já vão debatendo com um calvinista que não faz nada na vida além de estudar e ensinar sobre o calvinismo (calvinistas geralmente são assim, eles não debatem sobre outras coisas, eles pensam que o calvinismo é a única doutrina importante da face da terra), mas veja os arminianos mais renomados, lá dos Estados Unidos, como o Jeery Walls por exemplo, eles dão um show de retórica:

      http://deusamouomundo.com/calvinismo/jerry-l-walls-refuta-a-soteriologia-calvinista/

      Eu gosto de filosofia, então provavelmente vou gostar dos livros do Olson que você disse que odiou. Se você odiou tanto eles então me envia de presente...rsrs

      T++

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  7. Lucas,

    Pela sua interpretação de temas como este transparece que o irmão é seguidor da corrente adventista, e como tal crê que aqueles que guardam o domingo e não o sábado são seguidores da Besta, correto? Por outro lado, o irmão considera os demais protestantes, pelo menos os históricos, como irmãos e seguidores de Jesus Cristo. Sendo que a maioria dos protestantes guardam o domingo e não o sábado, como fica a situação destes no futuro? São filhos de Deus, seguidores de Jesus, mas estariam guardando o "número da besta", que seria o domingo. Como harmonizar isto, se é que é possível? Os protestantes que não guardam o sábado também serão aniquilados?

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    1. Oi Jacob, creio que ocorreu um equívoco, pois eu não sou adventista, e logicamente não creio que o Domingo seja a marca da besta. A marca da besta é aquilo que o Apocalipse diz que ela é: uma marca no corpo com o "666". Abraço!

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  8. uma marca no corpo com o 666? de maneira literal? acho que não..

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    1. Eu não disse que o "666" vai estar "tatuado" no corpo, e sim que vai haver algum tipo de marca (talvez um chip, ou sabe-se lá o que), que por sua vez remeterá ao "666" de alguma forma. Mas se você pensa diferente, respeito sua opinião.

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  9. Olá,Lucas.Paz de Javé e do Senhor Jesus Cristo,
    Responda. as Setenta Semanas de Daniel já ser Cumpriram ou Ainda restar uma Semana
    como é a Maioria dos Cristaos interpretam.
    No verso 27 Eu Acho que quem fez o Pacto com muito foi Cristo.
    Ele fez o pacto com os Judeus por uma Semanas
    Porque Mateus diz Mateus 10;5
    diz que eles não eram para entra em Casa dos Samaritanos nem das gentes
    mas as ovelhas perdida de Israel,
    e Também o Caso da Mulher Cananita
    Ele não deixou eles Pregares aos Gentios
    Porque ele fez um Pacto com Muito (Judeus)
    Não sei, ser me entendeu ?
    Obrigado

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    1. Olá, a paz.

      Eu creio que se refere ao anticristo e não a Cristo. Note que o verso anterior dá a entender isso:

      "E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador" (Daniel 9:26-27)

      Ou seja, o contexto dá a entender de que está falando do anticristo e não de Cristo. Essa é a minha interpretação também.

      Abs!

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