O cão de guarda da Inquisição
Suponhamos que eu queira matar o Fulano, mas não queria me manchar de sangue com essa morte. Então eu peço que Beltrano faça o trabalho sujo em meu lugar, matando aquele indivíduo que eu não quero mais ver vivo. Se Beltrano começar a relutar ou a pensar muito, eu começo a fazer uso da minha autoridade para ameaçá-lo. Eu digo que se ele não me obedecer e não matar o Fulano, ele vai sofrer sérias consequencias, como ser deposto de algum cargo que ocupe em sua empresa. Após insistir e ameaçar Beltrano, ele aceita a proposta e mata o Fulano. A imprensa fica revoltada, porque Fulano morreu por minha culpa. Ela sabe que eu pedi que Beltrano o matasse, mas eu me defendo, dizendo: – Eu não matei ninguém! Quem matou foi o Beltrano, aquele malvado e perverso! Eu sou do bem, veja como as minhas mãos não estão sujas de sangue! Embora a opinião popular da cidade seja massivamente em favor da minha punição (e não apenas da punição de Beltrano), uma meia dúzia de retardados mentais, ...