28 de agosto de 2015

Mais uma prova da unidade católica

(Sim, isso é uma igreja católica, e não me peça explicações)

É simples:

Abaixe todo o volume do seu computador.

Acesse este link de um site católico:


Sem mais.

P.S: Se alguém se esquecer do ponto 1, eu não me responsabilizo pelos danos sofridos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)


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Desvendando a Lenda (Refutando a imortalidade da alma)
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Estudando Escatologia (Estudos sobre o Apocalipse)
Fim da Fraude (Refutando as mentiras dos apologistas católicos)

25 de agosto de 2015

Meu novo livro - "Os Pais da Igreja contra a Imortalidade da Alma"



Introdução

Este livro contém toda a minha refutação ao astronauta católico (com variantes e acréscimos) além de capítulos novos, referentes a escritores eclesiásticos que não haviam sido abordados na refutação. Além disso, recomendo a leitura do capítulo 3, que é um esboço sobre a crença holista/mortalista, a qual muita gente ataca sem conhecer absolutamente nada do que está atacando. Lendo este pequeno capítulo, o leitor imortalista já poderá tentar refutar o mortalismo com propriedade, e assim não ter que passar vergonha como Itard, Jamierson, Rafael Rodrigues, etc, que vivem mais perdidos do que cego em tiroteio. Recomendo ainda o Apêndice do livro, que é uma análise das objeções mais comuns ao aniquilacionismo, complementando o conteúdo presente em meu livro anterior sobre o tema.


Sinopse

Embora muitos livros e estudos já tenham sido publicados na área, demonstrando que a grande maioria dos Pais da Igreja do século I e II não cria na imortalidade da alma, no Brasil ainda reina uma falsa concepção histórica, popularizada por apologistas imortalistas que insistem que o aniquilacionismo é uma crença de “adventistas e testemunhas de Jeová”, e que ninguém ao longo de dezoito séculos creu nisso. E por mais que as evidências esmagadoras apontem ao contrário, a ignorância geralmente acaba prevalecendo.

Neste livro, o autor desmistifica mais uma lenda imortalista: a de que os primeiros Pais da Igreja, os sucessores dos apóstolos, criam numa alma imortal. Através de uma aprofundada pesquisa histórica nos escritos patrísticos de aproximadamente vinte escritores cristãos nos primeiros dois séculos da história da Igreja, o autor demonstra que a crença numa alma incondicionalmente imortal era uma concepção estranha à fé cristã até ela ser popularizada por filósofos platônicos convertidos ao Cristianismo e por amantes do método alegórico. Em seguida, revela como que a introdução da primeira mentira tornou os cristãos da época cada vez mais susceptíveis a novas heresias e inovações doutrinárias, que macularam cada vez mais a essência Cristocêntrica da fé cristã pura e simples.


Sumário

INTRODUÇÃO        
CAP. 1 – A imortalidade da alma nos escritos apócrifos
CAP. 2 – Uma introdução aos escritos patrísticos
CAP. 3 – Uma introdução à crença mortalista     
CAP. 4 – Inácio de Antioquia
CAP. 5 – Clemente de Roma
CAP. 6 – Barnabé
CAP. 7 – Policarpo de Esmirna      
CAP. 8 – Papias de Hierápolis
CAP. 9 – Didaquê
CAP. 10 – Polícrates de Éfeso
CAP. 11 – Melito de Sardes
CAP. 12 – Hermas
CAP. 13 – Justino Mártir   
CAP. 14 – Aristides de Atenas
CAP. 15 – Teófilo de Antioquia     
CAP. 16 – Taciano, o Sírio  
CAP. 17 – Irineu de Lyon     
CAP. 18 – Atenágoras de Atenas   
CAP. 19 – Mathetes   
CAP. 20 – Tertuliano de Cartago
CAP. 21 – Orígenes e Clemente de Alexandria
CAP. 22 – O Reino de Cristo na terra
CAP. 23 – Os frutos da primeira mentira
CAP. 24 – A imortalidade da alma no contexto da Reforma aos dias de hoje  
CONSIDERAÇÕES FINAIS
APÊNDICE – Objeções comuns ao aniquilacionismo


Download do e-book gratuito

O download do PDF completo pode ser baixado em um destes dois links:

• Opção 1:


• Opção 2:


Se alguém não conseguir baixar o arquivo em nenhum destes dois links, ou se deseja receber o arquivo em Word e não em PDF, é só enviar um e-mail para mim (lucas_banzoli@yahoo.com) que eu mando por anexo.


Compra do livro em impresso

Para quem quiser comprar o livro em impresso (que tem 330 páginas), poderá fazê-lo através do site Clube de Autores, comprando online neste link:


Após a compra, o livro chega por correio na casa de cada um, dentro de uma ou duas semanas (é só seguir as orientações do site).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)


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23 de agosto de 2015

Site católico Veritatis adulterando textos descaradamente para "provar" a imortalidade da alma


NOTA: Peço desculpas a todos pela minha ausência nesta última semana. O intensivo no mestrado voltou com aulas de manhã até a noite e eu não tive tempo nem para publicar uma “nota” aqui no blog notificando isso, nem para responder e-mails ou publicar comentários. Semana que vem o blog ainda continuará mais parado, mas retornará à normalidade a partir do dia 31. Grato pela compreensão.


Eu juro que não queria mais tocar nesse assunto até publicar aqui meu livro nos próximos dias. Eu juro. Mas não consegui. O Veritatis não deixou. Estive dando uma olhada em algumas traduções deles dos textos patrísticos, e é de embrulhar o estômago ver o quanto os caras adulteram descaradamente, na cara dura mesmo, a tradução dos textos que batem de frente com as doutrinas fracassadas do catolicismo.

Vamos começar com a Epístola de Barnabé, que a porcaria do site católico traduziu por “morte eterna nos tormentos”, para dar a entender que Barnabé cria que essa morte eterna era um “tormento eterno” (do tipo imortalista draconiano). Na continuação do verso, eles traduzem por “arruínam” a alma, para passar a noção de um dano “apenas espiritual”:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


Então vamos ao CCEL (Christian Classics Ethereal Library), um site mundialmente reconhecido e respeitado na área da patrística, que reproduz as traduções do grande historiador da Igreja Philip Schaff, e o que vemos de fato é isso:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


Ou seja, ao invés de “morte eterna nos tormentos”, o correto é “morte eterna com punição”, passando claramente a ideia aniquilacionista de uma morte eterna que se segue a uma punição temporária pelos pecados. O Veritatis achou que isso não estava certo e trocou o termo “morte eterna com punição” pelo termo “morte eterna nos tormentos”, esse sim bastante com a cara católica, pra ficar mais bonitinho. A continuação do verso, na versão original, diz destroy the soul (i.e, destrói a alma). O Veritatis achou isso pesado demais, porque seus leitores católicos poderiam pensar que Barnabé cria que esta morte eterna era a destruição da alma, então ele achou melhor suavizar e trocar para “arruínam a alma”. Os caras são feras!

Para que não apareça nenhum insano dizendo que o Veritatis que traduziu corretamente e que o Philip Schaff é que estava errado(!), o New Advent (que também é um site católico como o Veritatis, com a diferença de que não é produzido por picaretas e embusteiros), traduziu assim:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


Então eu vou ler a Segunda Apologia de Justino Mártir, um dos mais explícitos aniquilacionistas da história da Igreja, que disse explicitamente que “anjos, demônios e homens [maus] devem deixar de existir”, conforme traduz o CCEL:

(Clique na imagem para ampliar)

E também no New Advent:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


O que foi que o Veritatis poderia fazer com um texto tão claro, explícito, categórico e fulminante como esse? É simples: tirou do texto. Desta vez os picaretas nem tentaram alterar a tradução, porque nem isso salvaria eles. Então eles jogaram fora essa parte, sem mais nem menos:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


Então eu vou dar uma olhada no índice de “obras patrísticas” do Veritatis, e encontro isso:


Sim, isso mesmo: uma oração mariana no século II, quando os cristãos nem em imortalidade da alma criam! Uau!

Então eu clico ali para ler a tal “oração mariana”, e o que eu encontro é isso:

(Clique na imagem para ampliar)

Disponível em:


Sim, eles mesmos se auto-refutam e admitem que na verdade é do século III, e que o primeiro a chamar Maria de “mãe de Deus” é também do século III. Mesmo assim, eles ainda mantém o “século II” no título da página, para enganar os seus leitores católicos mais tapados, e fazer de conta que tem alguma proximidade com os apóstolos!

Eu não perdi mais tempo lendo o resto, porque não tenho tempo para postar um caminhão de textos aqui, então decidi parar provisoriamente. É safadeza demais. E eu que pensava que Rafael Rodrigues era o único apologista católico fracassado, desonesto e mentiroso que precisava apelar de forma rasteira e ordinária para levar adiante suas sandices católicas de astronauta embusteiro e charlatão. Não. O Veritatis também. Haja a paciência.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)


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15 de agosto de 2015

O terceiro Tiago (Revisto e Atualizado)

sao-tiago
O TERCEIRO TIAGO
(Alon Franco)

Aqueles que estão familiarizados com a doutrina católica tem um vasto conhecimento da labuta romana em manter a virgindade perpétua da mãe de Jesus a qualquer custo. Porém, Marcos 6:3 nos diz que Jesus tinha quatro irmãos e, pelo menos, duas irmãs, obviamente filhos de Maria e José. Os nomes das irmãs não foram preservados, mas os irmãos foram chamados de Tiago, José, Simão e Judas. O nome dos irmãos de nosso Senhor tem causado duvidas porque, naquela época, o de muitos era igual, destacando-se o dos parentes. Esse é o motivo de alguns interpretarem tratar-se de apóstolos – discípulos e primos.

Nos tempos de Jesus usava-se um único nome e, em vista dos homônimos, mais um apelido, o acréscimo do nome do pai, da cidade de nascimento ou até o nome em dois idiomas. Assim vemos Simão ser chamado por Simão Pedro, Simão Barjonas e Cefas. Havia pelo menos três Tiagos: um identificado  por filho de Alfeu [Cleofas] (At 1.13,14); outro por filho de Zebedeu (Mt 4.21; Mc 1.19) e um outro por o irmão do Senhor (Gal 1:9).

Vamos ver a lista dos doze discípulos apresentada por Mateus; “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu", Mateus 10:2-4. Esse Tadeu é mais conhecido como Judas Tadeu.

“Tiago, filho de Alfeu”, diz Mateus aqui. Porém, o mesmo Mateus em 13:55 não diz que o Tiago apresentado entre os familiares de Jesus  é filho de Alfeu, e muito menos o Tiago menor, mas sim irmão de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?”.

A  expressão " seus irmãos "ocorre nove vezes nos relatos dos Evangelhos e uma vez em Atos. Em todos os casos (exceto em João 7: 3,5,10), os irmãos são mencionadas em conexão imediata com sua mãe, Maria. Nenhuma indicação linguística  está presente no texto para inferir que "Seus irmãos" deve ser entendido em qualquer sentido menos literal  que "sua mãe". Da mesma forma, os judeus contemporâneos  interpretaram  os termos "irmãos" e "irmãs" em seu sentido comum.

Além disso, se os "irmãos e irmãs" na frase significa "primos", então estes "primos" eram os sobrinhos e sobrinhas de Maria. Mas por que as pessoas da cidade de Nazaré conectaram os sobrinhos e sobrinhas de Maria com José? Por que as pessoas da cidade mencionaram sobrinhos e sobrinhas omitindo outros parentes da família? O cenário assume que essas pessoas fazem alusão  à imediata família de Jesus. José, Maria e seus filhos foram reconhecidos como uma típica família de Nazaré. Aqui, eles simplesmente perguntaram  se Ele não era um membro desta família ao  mencionar  o nome de todos os integrantes. Essa é a justa interpretação do texto.

No entanto, a Igreja Católica ensina que o Tiago e Judas vistos entre os doze discípulos são os mesmos Tiago e Judas citados como irmãos de Jesus, que dizem ser filhos de Maria de Cleofas, a qual  seria irmã da mãe de Jesus. Assim eles não poderiam ser filhos da virgem, mas sobrinhos dela.

Existe, porém, um enorme obstáculo para a dogmática católica: os irmãos do Senhor  não acreditavam nele. Havia alguns incrédulos na família de Jesus. O mestre é claro quanto a isso:

Mat 13:57 - E escandalizavam-se nele. Jesus, porém, lhes disse: Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa.

Marcos aproxima mais os incrédulos de Jesus denunciando que eles estavam dentro da família do Salvador:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa". Marcos 6:4

Marcos entrou na pátria de Jesus, passou pelos parentes dele - primos, sobrinhos, tios e etc., – e foi parar dentro de sua casa. Provavelmente a incredulidade não procedia da mãe de Jesus; é o que João esclarece quando confirma: “nem seus irmãos criam nele”, João 7:5.

Essa é uma situação bem conhecida; os vizinhos tudo bem... primos até que dá para entender, o mesmo acontece com os estranhos, mas parece que João está surpreso com outro tipo de incrédulo quando dispara, “nem mesmo os irmãos (?). A frase revela a ênfase no absurdo, pois declarava a incredulidade de membros da própria família que não reconhecia Jesus como o Messias enviado. O contexto encontra-se em João 7:1-5

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judeia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”.

A Escritura teria certamente dito quais eram os incrédulos, se dois deles – Tiago e Judas – fossem discípulos. O contexto teria por obrigação e compromisso com a verdade fazer separação destes dois com os outros dois incrédulos que supostamente seriam José e Simão, mas não o fez. Sem dar consideração alguma, a Bíblia diz que Jesus tinha irmãos incrédulos deixando subtendido que todos os quatro estão envolvidos no dialogo com ele, sendo, portanto, impossível de serem contados entre os doze.

Obviamente o Tiago de Cleofas e Judas jamais poderiam ser reconhecidos como incrédulos, não podendo estar na casa de Jesus se comportando de tal forma depois de  presenciarem – alguns versículos antes deste contexto de João 7 – a gloriosa cena da multiplicação dos pães, quando Pedro testemunha pelos doze: “... E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente”, Jo 6:69.

Como poderiam os irmãos/primos de Jesus - como alega o catolicismo – Tiago de Cleofas e Judas,  terem mudado de cena tão rápido e serem vistos apenas alguns versículos depois conversando com o mestre e agindo como não crentes? A cena exige um Tiago, pois como veremos adiante, o Jesus ressuscitado apareceu para um Tiago em particular, e mesmo que não deixe explícito, ele apareceu para este Tiago com o intuito de testificar da sua ressurreição para ele. E ao que tudo indica este não foi o filho de Cleofas.

Observem que nesse capitulo anterior ao capítulo sete, após ajuntarem os pedaços de pães e peixes que sobraram, os discípulos concluíram: “...Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”, João 6:13-14. Portanto, Tiago, filho de Alfeu, não pode ter estado entre os  irmãos de Jesus que o expulsaram  de seu próprio domicilio em João 7: 1-5. Tiago de Cleofas foi discípulo desde a escolha sem jamais ter abandonado seu posto. Aliás - ele foi um dos que sempre esteve oculto, em menos evidência. Por mais esse motivo, a dogmática católica deveria explicar muito bem, que em sendo esse Tiago primo de Jesus e muito próximo a “virgem” Maria, por que ele jamais foi escolhido para o grupo íntimo de Jesus, mas o Tiago ali citado nas ocasiões especiais foi  o irmão de João. Por que o primo/irmão de Jesus, bispo de Jerusalém e justo por excelência, como alega um debatedor católico, ficou de fora dos momentos a sós com Jesus, Pedro, João e seu irmão Tiago se ele era um dos doze?  


A dogmática católica parece não entender o que estamos argumentando: Pedro, Tiago e João foram os únicos que viram a ressurreição da filha de Jairo (Mat. 9:23-26) e a transfiguração de Jesus (Marc. 9:2), e que estiveram com Jesus no Getsêmani  (Marc. 14:33).

Vejam vocês o que estou tentando dizer em outras palavras: Tiago, citado como irmão do Senhor em Mateus 13:55, sempre se fazia acompanhado da virgem Maria (qual católico não quer a companhia de Maria?), mas nunca entrou no grupo particular de Jesus!

Por que será?

Por que ele era um incrédulo do tamanho de um bonde e não fazia parte dos doze!         


Jesus aparece ao Tiago de Cleofas ou a outro Tiago?

Jesus apareceu a certo Tiago e, se nos baseamos na tese católica, devemos concordar que esse Tiago era o filho de Maria de Cleofas. No entanto, por que Jesus deveria aparecer ao sumido, quieto, silencioso e inofensivo Tiago de Cleofas por duas, ou mesmo três vezes após a ressurreição e a Bíblia ainda registrar um destes encontros separado dos outros discípulos? Por que deveria o filho de Alfeu exigir de Jesus uma atenção especial?

Leia atentamente I Coríntios 15:3-7:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze”, vv. 3-5.

Obviamente aqui ele aparece ao Tiago de Cleofas, pois ele era um dos doze – e aparece ressuscitado. Não esqueça que esse Tiago estava entre eles quando Jesus mostrou as marcas dos cravos pela primeira vez. E posteriormente, quando o Senhor se revela a Tomé o mesmo Tiago também estava presente, Ou seja, ele testemunhou por duas vezes as marcas no corpo de Jesus. O problema é que entre essas duas aparições aos discípulos é dito que Jesus “... apareceu a Tiago” em particular, verso 7.

A passagem segue dizendo que depois da primeira aparição, Jesus…

“... apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram”, v.6.

E depois...

“...  apareceu a Tiago, então a todos os apóstolos”.

O que mais surpreende são os detalhes que insistem em esclarecer a questão; note que no início do relato, acima em Coríntios, Jesus aparece primeiramente a Pedro e em seguida aos discípulos. Na primeira vez, sem Tomé, a Escritura esclarece que “estando as portas cerradas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (verso 19). Observe no verso 24 que não se fala de ninguém ausente a não ser Tomé, o que nos permite inferir que Tiago de Cleofas foi um dos que viu o Senhor e se alegrou  junto com os outros quando  este “mostrou-lhes as suas mãos e o lado”, João 20:20.

Oito dias depois o relato bíblico atesta que Jesus voltou a vê-los; nessa  episódio Tomé se encontrava no grupo e “chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”, v 26.

Portanto, os católicos precisam explicar muito bem porque insistem em afirmar que o último texto citado no testemunho de Paulo sobre as aparições sequenciais de Jesus o mostra se manifestando ao Tiago filho de Alfeu em particular se este já havia comprovado sua ressurreição anteriormente.

Observem o que aconteceu depois que Jesus se manifestou para os discípulos pela primeira vez, estando, obviamente,  Tiago de Cleofas junto com eles: “... depois apareceu a Tiago...”.

O que é isso? O contexto diz que Jesus apareceu aos onze com o filho de Alfeu entre ele e depois diz que ele aparece ao filho de Alfeu novamente  em particular? Por que o filho de Deus precisou se manifestar por  duas vezes num espaço de, no máximo, setenta e duas horas para o Tiago de Cleofas? Por que arrisco em 72 horas? Esse encontro entre Jesus e Tiago em particular ocorre após a sua primeira aparição aos discípulos e antes da segunda. Entre as duas ocorrências temos apenas um espaço de oito dias. E é nesse intervalo que ele aparece a um Tiago, que não poderia ser o de Cleofas.

O que faz sentido aqui? Certamente esse era o outro Tiago, o verdadeiro irmão de Jesus, filho de sua mãe, tendo como pai, José. Assim, percebe-se claramente que o relato acompanha uma sequencia exigida por necessidade de comprovação da ressurreição. Alguém estava precisando de uma comprovação maior, e seu nome era Tiago, não o de Cleofas.

Obviamente fica extremamente ridículo identificar esse Tiago incrédulo com o Tiago discípulo, pois este último já havia comprovado a ressurreição na aparição anterior, por isso o detalhe de Paulo dizendo que ele apareceu – DEPOIS – a Tiago. Muitos poderiam protestar e dizer que Jesus também apareceu a Pedro em separado, mas teriam que concordar que este contexto aqui não permite Jesus aparecer em particular para o Tiago de Cleofas, a não ser que arrumem outro motivo explicando muito bem por que a necessidade dessa aparição em particular.


Voltando para a Galiléia

Os judeus queriam matar Jesus – que foi que ele fez? Foi para casa, para sua terra. Isso tudo aconteceu depois do milagre da multiplicação dos pães. Entre os maravilhados e crédulos discípulos nessa ocasião, também estava Tiago de Cleofas, o qual Pedro defendeu como alguém que creu em Jesus diante do estupendo milagre.

Pouquíssimo tempo antes do encontro de Jesus com seus irmãos em João 7 vamos observar que no final de João 6, depois de todos saciados, e Jesus se referir a si mesmo como o pão da vida, alguns não suportaram ouvir e se retiraram. O texto diz que estes que se retiraram não mais andavam com o mestre (Jo 6:66). Jesus se volta para os doze e pergunta: "...Quereis vós também retirar-vos?” (v.67). Pedro retruca defendendo os doze: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.  E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente" (68 e 69).

Pedro testemunha e fala por eles: nós temos crido”; portanto, todos os doze creram!

Apenas três versículos após começa a pequena história de Jesus e seus irmãos incrédulos. Veja novamente a sequencia com os comentários em João 7,

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judeia, pois os judeus procuravam matá-lo...”, João 7:1

Depois de que? Lógico e evidente que foi logo após o grande banquete onde todos se saciaram apenas com alguns peixes e pães. Aqui Jesus estava na sua terra, na sua casa. Ele era Galileu…

João continua no verso três,         

Disseram-lhe, então, seus irmãos: Retira-te daqui e vai para a Judeia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes...

Aqui eles dizem para Jesus ir aos seus discípulos, o que pode sugerir que o Senhor foi para a  Galileia sozinho, sendo que os discípulos tomaram outro rumo. E, se os irmãos do Senhor aqui estão fazendo referência aos doze, então a situação torna-se mais complicada para a argumentação católica, pois encontramos mais uma vez os  irmãos separados dos discípulos.

A propósito, como primos de Jesus poderiam ter a audácia de mandá-lo sair da Galileia e ir para a Judeia (Jo 7.3) sabendo que os judeus queriam matá-lo? Isso é assunto para outro artigo.

E damos de cara com o verso cinco, onde esclarece o teor da conversa, que certamente estava cheia de hostilidade por parte desses irmãos de Jesus. O verso conclui,

“Pois nem seus irmãos criam nele”.

A única conclusão honesta e justa que podemos chegar é: o Jesus ressurreto apareceu mesmo foi para um de seus irmãos incrédulos, Tiago, mas não o discípulo e filho de Cleofas, e sim seu irmão de sangue, e filho de sua mãe, o qual o salmista já profetizava como alguém que estaria nas fileiras daqueles que por algum tempo duvidariam do ministério do Senhor:     

“Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe", Salmos 69:8.

As duas sentenças foram registradas para não deixar dúvidas mesmo: "Meus irmãos... FILHOS da MINHA mãe...". E pode acreditar, caro leitor, o texto não faz alusão a Davi. Preste atenção em outro verso do mesmo salmo: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”, v 22.

Parece que a situação de Jesus com membros da sua família não estava favorável a ele. Com certeza naquela recepção acompanhada das palavras de rejeição dos seus irmãos não podia mesmo estar presente nenhum discípulo. João não delatou como incrédulos os discípulos Tiago e Judas que foram confirmados por Pedro como tendo fé no milagre acontecido alguns versículos antes. Obviamente os que trataram Jesus com hostilidade e indiferença foram mesmo seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas, sendo que estes Tiago e Judas mostrados aqui nunca foram contados entre os doze.

E, se esses irmãos de Jesus mencionados em João sete não fizesse alusão aos quatro nomes apresentados em Mateus 13:55, se fossem apenas os outros dois, o contexto deixaria claro. Primos com certeza não eram, pois fica extremamente estranho que filhos de outra família pudessem ter essa autoridade dentro de um domicilio que não era o deles. Pelo jeito a família de Jesus tinha algumas diferenças com ele, pois em Marcos capítulo três eles são vistos “junto com Maria” indo atrás do Senhor, pois achavam que ele estava louco, e foram lá para prendê-lo.

E para silenciar de vez a dogmática católica, ainda no diálogo entre Jesus e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas em João 7:6,7, encontramos  algo surpreendente:

“Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. O MUNDO NÃO VOS PODE ODIAR, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”.

Observa bem: temos aqui mais uma pista de que o Tiago e Judas discípulos não são os mesmos Tiago e Judas incrédulos do capitulo sete. Veja novamente o que Jesus diz aos seus irmãos: “... O mundo não vos pode odiar.

Agora veja o que Jesus diz ao Tiago e ao Judas discípulos, e aos outros:

“...o mundo vos odeia” (João 15:19)

Evidente que Jesus apareceu redivivo para seu irmão Tiago, que atraído pela ocasião começou a mostrar sua fé se juntando aos onze discípulos em oração. Vemos isso em Atos 1:13, 14. Ali é dito claramente que os que estavam no cenáculo eram: Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Essa tradução reconhece esse Judas como filho de um Tiago e não como irmão dele. No entanto, outra tradução baseada em melhores manuscritos, o chama apenas de Judas Tiago e algumas outras o denomina de Judas Tadeu. O certo é que ele não tem parentesco algum com o Tiago filho de Alfeu.

Observe que no verso treze nós já vemos listados os nomes de onze apóstolos, sendo que obviamente entre eles podem ser vistos Tiago de Cleofas e Judas. No entanto, no verso 14 claramente é dito que “Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”. É muito forte o argumento implícito, que nos obriga a ver um Tiago e um Judas orando com outro Tiago e outro Judas.

Vamos ver se é isso mesmo; Mateus registra: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mateus 13:55).

Os detalhes importantes são: “Sua”, quando identifica a mãe e, “Seus”, quando identificam os irmãos - Isso significa que todos estão entrelaçados como família de sangue.

Observe que temos listado quatro nomes aqui: Tiago, José, Simão, e Judas. Antes dos nomes se lê claramente: "Sua mãe e seus irmãos...". Vemos a mesma colocação em João 2: "Mãe e irmãos". Quando voltamos um pouco mais no ministério de Jesus achamos seus irmãos separados dos discípulos:

João 2:12, “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãose seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

Atente para estes detalhes: Mateus mostra “… sua mãe… seus irmãos…”, onde são listados os nomes destes.

João apresenta “… sua mãe, seus irmãos…”. Aqui está sem nomes.

Somente alguém destituído de cérebro não pode concordar que João também fazia referência aos mesmos quatro nomes aludidos em Mateus. Assim, quando nos voltamos para o contexto de Atos, encontramos a mesma situação: os irmãos de Jesus são vistos juntamente com os discípulos e Maria orando no cenáculo.

“Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”. Entre estes você pode encontrar o terceiro Tiago, o qual jamais foi contado como um dos doze discípulos. Este Tiago era irmão do Senhor, filho de Maria, tendo como pai o próprio José; José que teve relação sexual com sua esposa, mas somente depois que Jesus nasceu:

"... E José... não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito...", Mateus 1:25, que para desespero de muitos a tradução da NTLH e a NVI vertem o verso como seguem,

“Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”.

“Porém não teve relações com ela até que a criança nasceu. E José pôs no menino o nome de Jesus”.

O uso da palavra "conhecer" é um eufemismo comum para  relação sexual. O “até que” deve significar  que José e Maria se abstiveram de relações sexuais antes do nascimento de Jesus. Aqui, neste contexto, o “até que” não implica que  eles jamais  tiveram relações sexuais, mas  confirma o fato de que aqui, onde a frase seguida de um negativo ocorre, indica que a ação negada teve lugar mais tarde. O coito subsequente foi  inevitável, pois   acompanhava  necessariamente o curso natural da relação entre  marido e mulher.

Deus seja louvado!

Por: Alon Franco.
Originalmente em: A Grande Cidade


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