19 de agosto de 2014

A confissão auricular é bíblica?



PERGUNTA 556 – A confissão auricular é bíblica?

EQ: A Igreja Romana se baseia em versículos como João 20:22-23 para estabelecer as bases da doutrina da confissão auricular, segundo a qual os fieis católicos devem confessar os seus pecados ao padre pelo menos uma vez por ano. Este, por sua vez, tem poder para perdoar os pecados, ainda que o próprio padre esteja em estado de pecado mortal.

R: Há vários problemas com a confissão auricular da forma que existe no catolicismo romano. Em primeiro lugar, a Bíblia mostra claramente que o único a quem precisamos confessar nossos pecados pessoais (secretos) é a Deus. Foi assim que Esdras se dirigiu publicamente à nação de Israel:

“Agora confessem ao Senhor, o Deus dos seus antepassados, e façam a vontade dele” (Esdras 10:11)

Embora em sua época já houvessem sacerdotes instituídos por Deus, Esdras não disse para o povo confessar esses pecados a aqueles sacerdotes, mas sim ao Senhor, a Deus. Com efeito, o salmista também declara:

Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado" (Salmos 32:5)

Não há sequer uma única linha ou prescrição na Bíblia ordenando os fieis a confessarem seus pecados secretos aos sacerdotes, como um pré-requisito imprescindível para se encontrar o perdão de Deus. Isso seria realmente absurdo caso o perdão dos pecados (algo indispensável para a salvação) dependesse da aprovação de um sacerdote.

Ao contrário, vemos Jesus dizendo claramente: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mt.11:28). Se confessarmos os nossos pecados diante de Deus, “ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo.1:1:9). Ao invés de João dizer que se alguém pecar tem o sacerdote para fazer a confissão, ele diz que “se alguém pecar temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1Jo.2:1).

Tudo isso atesta fortemente contra os apologistas católicos como o prof. Alessandro Lima, que por pura desinformação e ignorância das Escrituras afirmou que é um grande erro crer que o pecado pode ser confessado diretamente a Deus. Não foi este o desejo do Nosso Senhor”[1]. São lideranças como essa, com enorme desconhecimento bíblico primário, que os católicos leigos seguem na obediência à doutrina da confissão auricular.

Em segundo lugar, a interpretação que eles fazem das passagens selecionadas por eles na tentativa de colocar o conceito deles de confissão auricular na Bíblia são absurdamente contrárias ao bom senso e à boa exegese. A mais usada está em Tiago 5:16, que diz:

“Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5:16)

Qualquer principiante em exegese consegue perceber claramente que o texto não está falando nada sobre confessar o pecado ao sacerdote em específico, mas sim sobre confessar “uns aos outros”, ou seja, entre nós mesmos. Tiago não disse: “confessem seus pecados ao sacerdote”, mas sim: “confessem seus pecados uns aos outros”. Se o termo “uns aos outros” deve ser entendido como sendo “somente ao sacerdote”, então deveríamos entender também que João queria que amássemos somente os sacerdotes quando disse: “amem uns aos outros” (1Jo.4:7).

Enquanto os pecados pessoais (secretos) devem ser confessados exclusivamente a Deus e ninguém mais precisa saber deles, os pecados que cometemos contra outras pessoas exigem que peçamos perdão também para a própria pessoa, e os pecados que afetam coletivamente um grupo (como quando um tesoureiro rouba o dinheiro das ofertas) exigem que se peça perdão a todo este grupo que esteve envolvido. Esta é a fórmula bíblica na questão do pecado:

"Se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano” (Mateus 18:15-17)

Mesmo quando alguém cometia um pecado público, que envolvia toda a comunidade, quem exercia juízo e punição sobre ele não era o sacerdote em especial, mas o voto da maioria da própria comunidade:

“Se alguém tem causado tristeza, não o tem causado apenas a mim, mas também, em parte, para eu não ser demasiadamente severo, a todos vocês. A punição que lhe foi imposta pela maioria é suficiente. Agora, pelo contrário, vocês devem perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja dominado por excessiva tristeza” (2ª Coríntios 2:5-7)

E é digno de nota o fato de que Paulo diz que também perdoava aquele a quem “vocês” (no plural, se referindo às pessoas a quem ele escrevia a carta) perdoaram:

Se vocês perdoam a alguém, eu também perdôo; e aquilo que perdoei, se é que havia alguma coisa para perdoar, perdoei na presença de Cristo, por amor a vocês, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós; pois não ignoramos as suas intenções” (2ª Coríntios 2:10-11)

Ele não disse: “se o sacerdote perdoou, eu também perdôo”, mas sim: “se vocês perdoaram, eu também perdôo”. Há uma diferença enorme entre uma coisa em outra. O resumo do que a Bíblia ensina sobre isso é o seguinte:

• Pecados secretos e pessoais só precisam ser confessados para Deus.

• Pecados que envolvem alguma outra pessoa devem ser confessados a Deus e também a esta pessoa (ex: alguém que adulterou tem que confessar seu pecado à sua esposa).

• Pecados que envolvem toda uma comunidade devem ser confessados diante de toda a comunidade, e o perdão e punição dependem do voto da maioria quanto a ele, e não do sacerdote em especial.

Terceiro, o texto mais comumente usado por eles na intenção de provar que seus sacerdotes podem perdoar pecados está flagrantemente adulterado em suas traduções equivocadas. Embora a maioria das versões coloque o perdão no futuro, o texto literalmente coloca o tempo verbal no passado, conforme a tradução presente no Novo Testamento Interlinear:

"E isto tendo dito (depois de dizer isto), soprou em (eles) e diz-lhes: Recebei Espírito Santo ([o] Espírito Santo). Se de alguns (de quem quer que) perdoeis (perdoais) os pecados, perdoados foram a eles (perdoados lhes hão sido); se de alguns (de quem quer que) retenhais (retendes), retidos foram (hão sido retidos)” (João 20:22-23)

O teólogo Charles B. Williams, erudito no grego bíblico, nos informa que “o verbo no texto original está no particípio perfeito passivo, referindo-se a um estado de já ter sido proibido ou permitido[2]. Assim sendo, podemos inferir que, ao receberem o Espírito Santo, os discípulos poderiam afirmar que os pecados de alguém foram perdoados, porque realmente já foram perdoados, e que os pecados de alguém não foram perdoados, porque de fato não foram.

Como vemos, não é o fato dos discípulos proclamarem que alguém está perdoado que torna alguém perdoado; ao contrário, é o fato de alguém já ter sido perdoado que faz com que os discípulos, sob a orientação e revelação do Espírito Santo, possam declarar que a pessoa já está perdoada. Da mesma forma, se não perdoarem, é porque a pessoa não foi perdoada por Deus. A ênfase é que a ação do perdão está no passado ou em andamento, mas não no futuro, conforme a teologia católica. O texto não está nem de longe dizendo que o perdão dos pecados está condicionado ao fato de um padre querer perdoar ou não, e muito menos com o pagamento de penitência, de 10 rezas do Pai Nosso e de 55 “Ave-Marias” para o recebimento do perdão!

O poder que Jesus soprou especificamente sobre os seus discípulos era para reconhecer a legitimidade do perdão diante de Deus ou o não-perdão. O tempo verbal no grego deixa implícito que a pessoa não iria receber o perdão no futuro, depois de já ter pagado os 10 Pais-Nosso e as 55 Ave-Marias, mas sim no passado, isto é, se ela já se arrependeu verdadeiramente diante de Deus, em um arrependimento e quebrantamento de coração diante Daquele que é o único que pode efetivamente perdoar os pecados, pois só Ele conhece o coração do homem para saber se o arrependimento foi sincero ou não.

Quarto, Jesus nunca pediu indulgências a alguém quando perdoou pecados. O que ele sempre dizia era: “vá, e não peques mais” (Jo.8:11), e não: “vá, reze 25 Ave-Marias e o rosário, e então estará perdoada”! Após declarar perdoados os pecados do paralítico (Mc.2:5), ele não disse nada sobre penitências que deveriam ser pagas dali em diante, para realmente receber este perdão divino. A única condição para o perdão era o arrependimento simples e genuíno, nunca o pagamento de indulgências.

Quinto, a oração com fé já é suficiente para Deus perdoar os pecados. Tiago disse:

“E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados (Tiago 5:15)

Aqui claramente quem cura e perdoa é Deus, e a única condição exposta para isso é a oração de fé. Jesus também disse:

“E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal" (Marcos 5:34)

O que “salvou” a mulher não foi o pagamento de penitência após a confissão, mas sim a sua fé.

Sexto, os discípulos só tiveram o poder de declarar alguém já perdoado (ou não-perdoado) por Deus depois de receberem o sopro do Espírito Santo (Jo.20:22). Mas a Igreja Romana afirma que até mesmo um sacerdote que esteja pessoalmente envolvido em pecado mortal pode ainda perdoar pecados no confessionário:

"A Igreja pede que um sacerdote que absolva um penitente esteja em estado de graça. Isto não quer dizer, entretanto, que um sacerdote em estado de pecado mortal não possua o poder de perdoar pecados ou que, quando exercido, não seja eficaz para o penitente"[3]

Isso significa que até mesmo um padre pedófilo pode continuar perdoando os pecados da criança de quem molestou, assim como os pecados das outras pessoas! Ele pode ser adúltero, estuprador, assassino ou um pervertido sexual que pode continuar perdoando pecados de forma legítima, e de fato nenhum leigo poderá saber se o sacerdote para quem está confessando está envolvido nestes pecados ou não! Mas, biblicamente, os discípulos só puderam reconhecer o perdão dos pecados depois de possuírem o Espírito Santo (Jo.20:22), algo que pedófilos e adúlteros não possuem – Judas, por exemplo, não poderia perdoar, mesmo se quisesse.

Pensemos, portanto, no dilema que a confissão auricular do catolicismo nos leva. Um padre em pecado mortal não poderia legitimamente perdoar os pecados de ninguém, pois não possui o Espírito Santo, já que o Espírito Santo só habita em pessoas santificadas diante de Deus. Assim sendo, milhares de fieis que se confessam diante de padres pedófilos na verdade não tem seus pecados legitimamente perdoados, já que o padre em questão não está em posição legítima diante de Deus para perdoar os pecados. Mas nenhum católico sabe exatamente qual padre é pedófilo e qual não é, nem se está em pecado mortal em uma vida dupla ou se está em santidade.

O resultado disso é que o católico nunca poderia saber realmente quando foi perdoado ou não, se o perdão dos pecados depende da figura do sacerdote para quem se confessou. Pior ainda, durante todo o tempo em que se confessou a um padre pedófilo não foi perdoado e não teria nem como ser perdoado, já que ele não pode pedir perdão direto a Deus, mas tem que passar pelo sacerdote pedófilo! A conclusão é terrível: o católico não poderia ser perdoado!

Em contrapartida, os cristãos não precisam se preocupar com isso, já que confessam seus pecados diante de Jesus Cristo, o nosso verdadeiro e único advogado no Céu (1Jo.2:1), aquele que viveu de forma imaculada na terra (Hb.4:15), que morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação (Rm.4:25), e que intercede por nós junto ao Pai (Rm.8:34). Assim, nós não precisamos nos preocupar com a figura de um homem pecador, nem se o nosso pastor está vivendo em santidade ou em pecado, pois sabemos que Aquele para quem nos confessamos é “Santo, Santo, Santo, e toda a terra está cheia da sua glória” (Is.6:3).

Podemos simplesmente nos arrepender de coração santo e sincero diante de Deus, dispostos a mudar de vida, e então descansar no Senhor, em confiança, sabendo que o preço pago por Jesus naquela cruz “nos purifica de todo o pecado” (1Jo.1:7). É Ele quem nos ouvirá, quem nos perdoará e quem nos santificará no curso de nossa caminhada cristã, pois nós “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb.4:15).

Sétimo, a confissão auricular era absolutamente desconhecida pelos Pais da Igreja, e só foi inventada como dogma no Concílio de Latrão, em 1215, durante o pontificado do papa Inocêncio III. As tentativas dos apologistas católicos em distorcerem as declarações patrísticas em favor da confissão auricular nos primeiros séculos é tão risível que até o ex-padre católico Chiniquy teve que explicar:

“Sei que os defensores da confissão auricular apresentam aos seus incautos ouvintes várias passagens dos escritos dos Santos Pais, onde se diz que os pecadores iam diante de um sacerdote ou de um bispo para confessar seus pecados: mas é um modo desonesto de apresentar o fato – pois é evidente para todos os que conhecem um pouco da história da Igreja daqueles tempos que aquilo se refere apenas às confissões públicas das transgressões públicas por meio do ofício da penitenciaria... que era assim: Em cada grande cidade, um sacerdote ou um ministro era especialmente encarregado de presidir os encontros da igreja, em que os membros que tivessem cometido pecados públicos eram obrigados a vir e confessar publicamente diante da assembléia, para ser restaurado em seus privilégios como membro da igreja... isso estava perfeitamente de acordo com o que Paulo recomendou no tocante ao indivíduo envolvido no caso de incesto em Corinto; aquele pecador, que envergonhou o nome dos cristãos, após confessar e expor seus pecados diante da igreja, obteve o perdão, não de um sacerdote, para quem tivesse contado todos os detalhes do relacionamento incestuoso, mas de toda a igreja reunida... Há tanta diferença entre tais confissões públicas e as confissões auriculares quanto entre o Céu e Inferno, entre Deus e seu grande adversário, Satanás”[4]

Ele também observa que nas Confissões de Agostinho “é inútil procurar no livro uma única palavra sobre a confissão auricular. Aquele livro é um testemunho indiscutível de que tanto Agostinho quanto sua santa mãe, Mônica, que é mencionada freqüentemente, viveram e morreram sem nunca terem ido a um confessionário. Aquele livro pode ser chamado de a mais esmagadora evidência para provar que 'o dogma da confissão auricular' é uma impostura moderna”[5].

Agostinho (354-430) contestou a ideia de que o homem fosse capaz de fazer alguma coisa para se curar espiritualmente, ou perdoar os pecados de seus irmãos:

"O que devo fazer com os homens para que devam ouvir minhas confissões, como se pudessem curar minhas enfermidades? A raça humana é muito curiosa para conhecer a vida das outras pessoas, mas muito preguiçosa para corrigi-la”[6]

João Crisóstomo (347-407) é ainda mais explícito ao dizer para não confessarmos os nossos pecados aos homens, mas somente para Deus:

“Não pedimos que confesse seus pecados a qualquer um de seus semelhantes, mas apenas a Deus... Você não precisa de testemunhas para sua confissão. Reconheça secretamente seus pecados e permita que somente Deus ouça a confissão[7]

Comentando o Salmo 37, Basílio (329-379) também afirma:

Não venho diante do mundo para fazer uma confissão com minha boca. No entanto, fecho os olhos, e confesso meus pecados do fundo do meu coração. Diante de ti, ó Deus, derramo meus lamentos, e apenas tu és a testemunha. Meus gemidos estão dentro da minha alma. Não há necessidade de muitas palavras para confessar: pesar e arrependimento são a melhor confissão. Sim, as lamentações da alma, que te agradam ouvir, são a melhor confissão”[8]

Finalmente, a confissão auricular do catolicismo resulta em vergonha e medo por parte daqueles que se veem obrigados a se confessar diante de um homem pecados que não confessaria nem ao seu melhor amigo. Rebecca A. Sexton fala sobre isso nas seguintes palavras:

“Essa falsa doutrina provoca culpa, vergonha, medo, desgraça, imoralidade sexual e hipocrisia naqueles que precisam participar dela. O medo e culpa ocorrem porque uma jovem não pode expor diante de qualquer homem coisas que não ousaria revelar às suas melhores amigas. Vergonha e desgraça ocorrem se ela confessar esses pecados secretos. O abuso de mulheres solitárias, mal orientadas e espiritualmente fracas por seus confessores é reconhecido pela Igreja Católica (...) Em muitos outros incidentes na vil história da confissão auricular, os sacerdotes usaram o confessionário para seduzir e destruir mulheres jovens e maduras, casadas e solteiras. O confessionário tem sido usado para encontrar os indivíduos mais fracos que então passam a ser controlados e/ou molestados por confessor”[9]

Não, Deus não deseja que passemos por medo e vergonha na exposição de nossas vidas diante de um desconhecido que se coloca no lugar de Cristo. Ele deseja que nos confessemos diante do próprio Senhor Jesus, a quem podemos chegar com confiança, diante de seu trono de graça, e não diante de um confessionário para um homem pecador:

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4:14-16)

É como disse João Crisóstomo (347-407):

“O que devíamos mais admirar não é que Deus perdoa nossos pecados, mas que não os expõe para ninguém, nem deseja que façamos isso. O que requer de nós é que confessemos nossas transgressões a ele somente para obtermos o perdão”[10]

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

Extraído de meu livro: “Mil Perguntas Cristãs Respondidas” (livro em construção)


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[1] Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=Jh9Q6i7IVuc#>
[2] The New Testament: A Translation.
[3] Peace of Soul (Paz da Alma), Bispo Fulton J. Sheen, 136; 1949; McGraw Hill, Nova York.
[4] O Sacerdote, a Mulher e o Confessionário, Chiniquy, pág. 116.
[5] ibid.
[6] Confissões, 3.
[7] De Paenitentia, volume IV.
[8] Comentários ao Salmo 37.
[9] Disponível em: <http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/08/os-horrores-da-confissao-auricular.html>
[10] Catethesis ad Illuminandos, Volume 2, pág. 210.

Os horrores da confissão auricular


OS HORRORES DA CONFISSÃO AURICULAR
(Rebecca A. Sexton)

Os fiéis católicos aprendem que devem confessar seus pecados mortais pelo menos uma vez por ano a um sacerdote humano, pois isso é essencial para a obtenção do perdão de Deus. Examinamos a doutrina da Confissão Auricular à luz dos escritos do catolicismo romano e da Bíblia Sagrada.


DEFINIÇÃO DOS TIPOS DE PECADOS

O Catolicismo ensina que existem dois tipos de pecado: mortal e venial:

"Escolher deliberadamente, isto é, sabendo e querendo, uma coisa gravemente contrária à lei divina e ao fim último do homem é cometer pecado mortal. Este destrói em nós a caridade, sem a qual é impossível a bem-aventurança eterna. Caso não haja arrependimento, o pecado mortal acarreta a morte eterna. O pecado venial constituiu uma desordem moral reparável pela caridade, que ele deixa subsistir em nós. A repetição dos pecados, mesmo veniais, produz os vícios, entre os quais avultam os pecados capitais” [Catecismo da Igreja Católica, Edições Loyola, itens 1874-1876]

"Para que um pecado seja mortal requerem-se três condições ao mesmo tempo: 'É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente" [Ibidem, item 1857]

Para um pecado ser venial, duas coisas são necessárias:

"Comete-se pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento" [Ibidem, item 1862]

Essa diferença é importante para o católico quando ele entra no confessionário, uma cabine escura com um lugar para se ajoelhar diante de uma janela fechada e contemplar seus pecados até que o sacerdote abra a janela e ouça o penitente relatar seus pecados secretos mais sujos, vis, profundos e tenebrosos da carne e do coração (e tudo isto em nome de Deus!). O penitente é instruído a confessar todos os seus pecados o melhor que puder lembrar, especialmente os pecados mortais, visto que, como diz o Catecismo no item 1874, "...o pecado mortal acarreta a morte eterna".

No Catecismo de Butler, lemos na página 62:

"... que todos os penitentes se examinem a respeito dos pecados capitais e confessem todos, sem exceção, sob pena de condenação eterna"


OS SACERDOTES PODEM ENCORAJAR O PECADO

A Igreja Católica Romana ensina que seus sacerdotes, como ministros de Deus e em seu nome (não importa quão ímpios ou pecadores possam pessoalmente ser), exercem o poder de outorgar o perdão aos pecados que lhes forem confessados. Todo católico deve prestar contas a um sacerdote de todo pensamento ou obras más, e acusar a si mesmo diante de um sacerdote de todo pecado que puder lembrar. O que acontece quando uma pessoa "sabidamente" se esquece de um pecado mortal na confissão?

"A pessoa que tenha sabidamente omitido um pecado mortal na confissão deve confessar que fez uma confissão incompleta, revelar o pecado que omitiu, mencionar os sacramentos que recebeu desde então, e confessar todos os outros pecados mortais que cometeu desde sua última boa confissão" (The New Saint Joseph Baltimore Catechism, pág. 151)

Após confessar seus pecados, o fiel católico é instruído a "responder de forma correta a qualquer pergunta que o sacerdote fizer" [pág. 157]. Em The True Spouse of Christ [A Verdadeira Esposa de Cristo], de São Ligório, lemos na página 352:

"Obedeça (o confessor) cegamente, isto é, sem questionar as razões. Seja cuidadoso, então, em nunca questionar as instruções de seu confessor... Em resumo, mantenha diante de seus olhos esta grande regra, que obedecendo seu confessor você obedece a Deus. Esforce-se então a obedecê-lo, sem medos. Entenda que se você não for obediente, será impossível que as coisas sigam bem para você, mas se obedecer, estará seguro. Mas, você diz, e se eu for condenado em conseqüência da obediência ao meu confessor, quem me resgatará do Inferno? Isso é totalmente impossível”

Essa falsa doutrina provoca culpa, vergonha, medo, desgraça, imoralidade sexual e hipocrisia naqueles que precisam participar dela. O medo e culpa ocorrem porque uma jovem não pode expor diante de qualquer homem coisas que não ousaria revelar às suas melhores amigas. Vergonha e desgraça ocorrem se ela confessar esses pecados secretos. O abuso de mulheres solitárias, mal orientadas e espiritualmente fracas por seus confessores é reconhecido pela Igreja Católica: Quando, portanto, há necessidade de uma Confissão Geral no caso de uma mulher, o confessor é, logicamente, obrigado a ouvi-la. No entanto, é necessária grande cautela nos casos de:

1. Curiosidade no tocante aos métodos de um novo confessor.

2. Enfatuação, que faz o penitente procurar oportunidade para longas conversas com o confessor.

3. O excesso de zelo faz pessoa passar mais tempo no confessionário que outros penitentes do mesmo sexo.

4. Intenções maliciosas, ou de jovens confusas e confessores inexperientes, ou mesmo levar ambos a tentações pela invenção de pecados contra terceiros, etc. [The Casuist, pág. 111, 211].

Em muitos outros incidentes na vil história da Confissão Auricular, os sacerdotes usaram o confessionário para seduzir e destruir mulheres jovens e maduras, casadas e solteiras. O confessionário tem sido usado para encontrar os indivíduos mais fracos que então passam a ser controlados e/ou molestados por confessor.

"O ex-arcebispo Robert Sanchez disse que casos de abuso sexual contra crianças na Arquidiocese de Santa Fé [mais de 140 processos judiciais foram movidos contra a arquidiocese] foram mantidos em segredo porque ele não sabia que aquilo era um crime" (Proclaiming The Gospel, outubro a dezembro de 1996, pág. 6)

Quem melhor para saber quais indivíduos são os mais frágeis e mais fáceis de se tornarem presas do que o homem que ouve seus pecados secretos? Um sacerdote pode cometer um pecado com uma de suas penitentes e depois perdoar aquele pecado! Veja apenas esta citação de São Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, Parte III, vol 4, págs. 274 e 276:

"...pode acontecer a um sacerdote compartilhar em um pecado cometido por seus atendidos, por exemplo, conhecimento [carnal] de uma mulher que é atendida por ele... Se, entretanto, ele for absolvê-la, isso seria válido”

Você pode estar perguntando a si mesmo: "O sacerdote não quebra seu voto de castidade (esse voto significa abstenção das relações sexuais)?" A resposta de acordo com a Igreja Católica:

"Um sacerdote não quebra seu 'voto de castidade' pecando contra o Sexto Mandamento" (Explanation of Catholic Morals [Explicação da Moral Católica], Stapleton, pág. 149)

Até mesmo um sacerdote que esteja pessoalmente envolvido em pecado mortal pode ainda perdoar pecados no confessionário!

"A Igreja pede que um sacerdote que absolva um penitente esteja em estado de graça. Isto não quer dizer, entretanto, que um sacerdote em estado de pecado mortal não possua o poder de perdoar pecados ou que, quando exercido, não seja eficaz para o penitente" [Peace of Soul (Paz da Alma), Bispo Fulton J. Sheen, 136; 1949; McGraw Hill, Nova York]

Permita-me deixar isto bem claro. A Igreja Católica está dizendo que um sacerdote, por exemplo, culpado de pedofilia, pode não apenas perdoar os pecados de quem molestou, como também pode perdoar outros também! Enquanto em estado de pecado mortal, pode ainda rezar uma missa válida, apesar de a Igreja proibir o leigo de receber os sacramentos quando estiver em estado de pecado mortal. O sacerdote provavelmente não fez uma boa confissão ao seu confessor — ou então seu confessor é de tão baixas convicções morais que não sentiu a necessidade de proteger aquelas crianças avisando seus pais ou tomando alguma atitude para remover aquele sacerdote da sua posição de autoridade.

Os testemunhos de pessoas que foram corrompidas ou desajustadas por causa desse auto-intitulado "sacramento" chegam a milhões, e ainda assim eles sustentam:

"Não há nenhum perigo de engano para as pessoas" [Catholic Dictionary [Dicionário Católico], Addis and Arnold, pág. 738]

A citação acima é enganosa ao católico mediano, mas os sacerdotes sabem que ela é falsa! A citação seguinte comprova:

"Apesar disso, o sacerdote, que é na verdade o médico de almas, pode se tornar o destruidor delas, se não for adequado ao trabalho no confessionário. Ele causaria inumeráveis pecados, produzindo falsas consciências, obrigando as pessoas a fazerem restituição quando não deveriam, recusando uma absolvição que deveria ser dada, ou concedendo-a quando deveria ser negada. Verdadeiramente, as Escrituras dizem: 'Se um cego guiar outro cego cairão ambos no abismo'" [The Priest, His Dignity and Obligations (O Sacerdote, Sua Dignidade e Suas Obrigações), Eudes, pág. 147]


MÁ INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

Em toda a Bíblia, a remissão de pecados e a salvação estão conectadas com a fé em Cristo, nunca com a absolvição sacerdotal. De forma a dar suporte ao seu tribunal na Terra, a Igreja Católica Romana propositadamente interpreta de maneira errônea Mateus 16:19: "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus". Veja também Mateus 18:18: "Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu".

O verbo que Jesus usou tanto em Mateus 16:19 quanto em Mateus 18.18 é tão preciso que ninguém que esteja familiarizado com a linguagem original poderia acreditar que qualquer igreja, ou alguém dentro da igreja Católica, poderia decidir quais pecados deveriam ser perdoados ou quais deveriam ter o perdão recusado. O verbo no texto original está no particípio perfeito passivo, referindo-se a um estado de já ter sido proibido ou permitido. [The New Testament: A Translation (O Novo Testamento: Uma Tradução), de Charles B. Williams].

Assim, a Igreja Católica, que certamente teve tradutores competentes nos últimos 1.200 anos, distorce as Escrituras para justificar a prática sem base bíblica da Confissão Auricular!

Em João 20:23, lemos: "Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos”.

Em primeiro lugar, as "chaves do reino" referem-se à autoridade para proclamar os termos da salvação em Cristo. Esse é um privilégio e responsabilidade de todos os cristãos. A autoridade para ligar e desligar é primeiramente a comissão de proclamar o evangelho, que liberta todos que nele crêem e confirma a condenação daqueles que o rejeitam. A Igreja Católica Romana distorce esse texto de modo a justificar a prática da confissão auricular a um sacerdote. Entretanto, o contexto bíblico indica claramente que as palavras de Mateus 16:19, 18:18 e João 20:23 foram ditas não apenas para os apóstolos, mas também aos que estavam com eles. Os ministros cristãos devem pregar o arrependimento, mas nada se diz sobre ouvir confissões e conceder a absolvição (o perdão dos pecados).


A CONFISSÃO DEVE SER FEITA AO PRÓPRIO DEUS

"Agora, pois, fazei confissão ao SENHOR Deus de vossos pais ..." [Esdras 10:11].

"... quem pode perdoar pecados, senão Deus?" [Marcos 2:7].

"... Se confessarmos os nossos pecados [a Deus, não a um sacerdote], ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça." [1 João 1:9].

"Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo." [1 João 2:1].

"Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: Confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado." [Salmos 32:5].

O Senhor mesmo diz: "E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades." [Hebreus 10:17]

Em Mateus 18:15-18, temos o modelo para lidar com o pecado na igreja:

"Se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele ; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu."

Isso está longe da confissão auricular na Igreja Católica. Quando o homem em Corinto cometeu fornicação, a igreja inteira soube e julgou; aquilo não era um "pecado secreto" [1 Coríntios 5]. O homem voltou em lágrimas ao arrependimento [2 Coríntios 2.5-11]. Somos instruídos a "confessai as vossas culpas uns aos outros." [Tiago 5:16] No Velho Testamento, o rei Davi pecou ao possuir a mulher de outro homem e depois tentou esconder seu pecado enviando o marido dela para a frente de batalha para que morresse. No entanto, Deus mandou Natã para dizer estas palavras ao rei:

"Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perante o sol." [2 Samuel 12:12]


DESTRUINDO AS MULHERES JOVENS E INOCENTES

No entanto, os sacerdotes de Roma preferem esconder a revelar a verdade:

"Para aquele que ousar revelar um pecado confidenciado em um tribunal de penitência decretamos que seja não apenas deposto do ofício sacerdotal como também relegado a um monastério de obediência rígida para fazer penitência pelo resto da vida" [Quarto Concílio de Latrão, Canon XXI, conforme registrado em Disciplinary Decrees of the General Councils (Decretos Disciplinares dos Concílios Gerais), Schroeder, pág. 259].

Satanás é sutil quando tenta instilar medo e culpa em uma criança em lugar de confiança e amor. Não seria melhor ensinar nossos filhos? "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." [João 3:16]?

Tendo sido uma jovem católica que foi toda semana ao confessionário, posso dizer por experiência própria que o sacerdote nunca recebeu de mim uma verdadeira confissão, mesmo que eu acreditasse que tivesse feito uma "boa confissão". O católico não confessa seus pecados de idolatria (adoração às imagens) e de blasfêmia (atribuir a Maria os atributos que pertencem a Deus somente e a adoração a uma bolacha como Deus).

Quando eu era jovem, jovem demais para ter quaisquer pensamentos "impuros", o medo de ir a uma cabine escura para confessar qualquer coisa me produzia um pânico tal que eu não podia me lembrar de todos os meus pecados. Tentava listá-los na minha mente, mas quando a janela abria, ficava aterrorizada e esquecia todas as coisas que estava preparada para dizer. Começava então a inventar pecados que não tinha cometido e esquecia aqueles que tinha cometido. Novamente, a Igreja Católica estava atenta a esse medo que instilou nos jovens, e em seus resultados, como escreveu o conde Van Hoensbroech nas páginas 34 a 39 de seu livro, Fourteen Years a Jesuit [Quatorze Anos Como Jesuíta]:

"O dano feito à religião e à moral por essa confissão precoce (aos sete anos de idade) é óbvio a qualquer um que não esteja cego pelas concepções dogmáticas e hieráticas do Ultramontanismo... Se a criança for de natureza delicada e tímida, a confissão se torna um tormento, uma fonte de dúvidas e problemas; se for de uma natureza mais rude, o mecanismo de confissão tende a destruir a tão pequena e delicada consciência que ela possui."

Quando estava amadurecendo e me transformando em uma jovem mulher, sempre que o sacerdote perguntava se eu tinha pensamentos impuros, eu ruborizava ao pensar em revelar àquele homem qualquer coisa tão pessoal que nem Deus me perguntaria para me rebaixar de tal maneira, de modo que mentia e fingia que meus únicos pensamentos impuros eram ficar zangada com minha santa mãe, e fingia que era pura demais até mesmo para entender a pergunta. Mas eu entendia.

Quando adulta, eu me recusava a me rebaixar. Lembre-se que eu não era uma "protestante"... era uma católica devota que estava em uma boa situação diante do sacerdote. Eu lecionava para as crianças e era bem respeitada. Minha rejeição à confissão ao sacerdote não era um incidente isolado, pois muitas de minhas colegas eram exatamente tão rebeldes quanto eu nesse assunto. A hipocrisia é um resultado muito típico de forçar alguém a expor seus mais secretos pecados sexuais. Um ex-sacerdote católico, Chiniquy, pergunta com toda a razão:

"Como pode aquele homem, cujo coração e cuja memória acabaram de se tornar o reservatório de todas as mais grotescas impurezas que o mundo já conheceu, ajudar outros a serem castos e puros?" [The Priest, The Woman, and The Confessional (O Sacerdote, a Mulher e o Confessionário), Chiniquy, pág. 80.].

A invenção da confissão auricular preenche a mente dos devotos com um medo e uma ansiedade que é impossível ter paz total, como Chiniquy reconheceu:

"Mas não há paz possível, enquanto o penitente não tiver certeza que lembrou, contou e confessou cada pensamento, palavra e ato pecaminoso do passado. Portanto, é impossível! É moralmente e fisicamente impossível para uma alma encontrar paz por meio da confissão auricular. Se a lei que diz a todo pecador 'você está obrigado, sob pena de condenação eterna, de lembrar-se de todos os maus pensamentos e confessá-los tão bem quanto puder lembrar', não fosse tão evidentemente uma invenção satânica, deveria ser posta entre as mais infames idéias que já surgiram do cérebro do homem caído. Afinal quem pode se lembrar e contar os pensamentos de uma semana, de um dia, mesmo de uma hora desta vida em pecados?... Apesar de se dizer ao penitente que deve confessar seus pensamentos apenas de acordo com sua melhor lembrança, ele nunca, nunca saberá se fez seus melhores esforços para se lembrar de tudo: temerá constantemente que não tenha feito seu melhor para contá-los e confessá-los corretamente?" [Chiniquy, op. cit., pág. 101]

Conversei com uma moça católica, Sharon (ainda católica, mas não praticante) e ela me falou a respeito do medo e da agonia que o confessionário lhe trouxe. Quando era muito jovem, sua família estava se arrumando para ir à igreja e tinha combinado em receber a Eucaristia "em família". Os pais fizeram as crianças jejuar antes de ir à Igreja (naquele tempo você não poderia comer nada após a meia-noite para tomar a Eucaristia). Sharon estava com tanta fome que comeu um pedaço de pão às escondidas e foi para a comunhão assim mesmo. Ela tinha certeza que seu pecado garantia o Inferno e acreditava de coração que se não confessasse, certamente passaria a eternidade lá. Na hora de confessar, temendo o sacerdote, que conhecia sua família e poderia contar o ocorrido, deixou de confessar aquele pecado. Por muito tempo, viveu com medo da desgraça eterna, um pensamento aterrorizador para um adulto, quanto mais para uma criança.

Mike, um ex-católico de vinte anos de idade, me disse que nunca confessava tudo ao sacerdote. Achava que "não era da conta dele", uma atitude típica. Meu próprio irmão teve uma experiência muito constrangedora com a confissão durante a adolescência. Aos dezessete anos, foi ao sacerdote para confessar que havia "tocado os seios de uma moça". O sacerdote recusou-se a absolvê-lo e os dois ficaram discutindo na frente da igreja. Meu irmão disse ao sacerdote "O senhor não tem autoridade para dizer que os meus pecados não podem ser perdoados". [Meu irmão, sua mulher e seus três filhos são salvos agora e conhecem o verdadeiro perdão dos pecados!].

De todos os católicos e ex-católicos para quem perguntei, nenhum foi totalmente honesto com o sacerdote. No entanto, em particular, muitas daquelas pessoas apelavam para Deus e confessavam a ele com total honestidade e lágrimas sinceras! O jugo de escravidão que a confissão auricular causa é tão pesado, degradante e humilhante que está muito longe das palavras de nosso Senhor Jesus Cristo em Mateus 11:28-30:

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." [Mateus 11:28-30].

Chiniquy, na página 117 de seu livro referido observa:

"É um fato público, e nenhum estudioso católico romano nega, que a confissão auricular tornou-se um dogma e uma prática obrigatória da Igreja apenas do Concílio de Latrão, no ano 1215, durante o pontificado de Inocêncio III. Nem um único vestígio da confissão auricular, como dogma, pode ser encontrado antes desse ano."

Chiniquy também comenta:

"Sei que os defensores da confissão auricular apresentam aos seus incautos ouvintes várias passagens dos escritos dos Santos Pais, onde se diz que os pecadores iam diante de um sacerdote ou de um bispo para confessar seus pecados: mas é um modo desonesto de apresentar o fato — pois é evidente para todos os que conhecem um pouco da história da Igreja daqueles tempos que aquilo se refere apenas às confissões públicas das transgressões públicas por meio do ofício da penitenciaria... que era assim: Em cada grande cidade, um sacerdote ou um ministro era especialmente encarregado de presidir os encontros da igreja, em que os membros que tivessem cometido pecados públicos eram obrigados a vir e confessar publicamente diante da assembléia, para ser restaurado em seus privilégios como membro da igreja... isso estava perfeitamente de acordo com o que Paulo recomendou no tocante ao indivíduo envolvido no caso de incesto em Corinto; aquele pecador, que envergonhou o nome dos cristãos, após confessar e expor seus pecados diante da igreja, obteve o perdão, não de um sacerdote, para quem tivesse contado todos os detalhes do relacionamento incestuoso, mas de toda a igreja reunida... Há tanta diferença entre tais confissões públicas e as confissões auriculares quanto entre o Céu e Inferno, entre Deus e seu grande adversário, Satanás." [Chiniquy, op. cit., pág. 116]

No que se refere às Confissões de Agostinho: "...é inútil procurar no livro uma única palavra sobre a confissão auricular. Aquele livro é um testemunho indiscutível de que tanto Agostinho quanto sua santa mãe, Mônica, que é mencionada freqüentemente, viveram e morreram sem nunca terem ido a um confessionário. Aquele livro pode ser chamado de a mais esmagadora evidência para provar que 'o dogma da confissão auricular' é uma impostura moderna." [Chiniquy, op. cit., pág. 114.].

No décimo livro de suas Confissões, no Capítulo 3, Agostinho protestou contra a idéia de que o homem poderia fazer alguma coisa para curar a lepra espiritual, ou perdoar os pecados de seus irmãos:

"O que devo fazer com os homens para que devam ouvir minhas confissões, como se pudessem curar minhas enfermidades? A raça humana é muito curiosa para conhecer a vida das outras pessoas, mas muito preguiçosa para corrigi-la." [Chiniquy, op. cit., pág. 114).

João Crisóstomo, em sua homília De Paenitentia, volume IV, Coluna 901, também levantou sua voz contra a confissão auricular:

"Não pedimos que confesse seus pecados a qualquer um de seus semelhantes, mas apenas a Deus... Você não precisa de testemunhas para sua confissão. Reconheça secretamente seus pecados e permita que Deus somente ouça a confissão." [Chiniquy, op. cit., pág. 114]

São Basílio, em seu comentário acerca do Salmo 37 diz:

"Não venho diante do mundo para fazer uma confissão com minha boca. No entanto, fecho os olhos, e confesso meus pecados do fundo do meu coração. Diante de ti, ó Deus, derramo meus lamentos, e tu apenas és a testemunha. Meus gemidos estão dentro da minha alma. Não há necessidade de muitas palavras para confessar: pesar e arrependimento são a melhor confissão. Sim, as lamentações da alma, que te agradam ouvir, são a melhor confissão” [Chiniquy, op. cit. pág. 115.]

Em uma pequena obra de Crisóstomo intitulada Catethesis ad Illuminandos, Volume 2, pág. 210, lemos:

"O que devíamos mais admirar não é que Deus perdoa nossos pecados, mas que não os expõe para ninguém, nem deseja que façamos isso. O que requer de nós é que confessemos nossas transgressões a ele somente para obtermos o perdão."



DESTRUIÇÃO SATÂNICA POR MEIO DO CONFESSIONÁRIO

A prática da confissão auricular tornou-se um dos mais degradantes "sacramentos" que o homem poderia imaginar! Com livros tais como The Mirror of the Clergy (O Espelho do Clero), página 357, a porta foi aberta para Satanás operar seus estragos:

"É necessário que o confessor saiba de tudo para poder exercer o julgamento. Que ele então, com sabedoria e sutileza, interrogue os penitentes sobre os pecados que possam ignorar ou omitir, por causa da vergonha!"

E Satanás semeou destruição no catolicismo, pois as abominações diárias se tornaram um problema tal que, por volta do ano 1560, Pio IV publicou uma bula pela qual todas as meninas e todas as mulheres casadas que tinham sido seduzidas a pecar por seus confessores, foram ordenadas a denunciá-los:

"...e certo número de altos oficiais da Santa Inquisição foram autorizados a ouvir os depoimentos dos penitentes. A experiência foi coisa foi feita inicialmente em Sevilha, uma das principais cidades da Espanha. Assim que o édito foi publicado, o número de mulheres que se sentiram obrigadas pela consciência de ir e depor contra seus padres confessores foi tão grande que, apesar dos trinta escrivães, e tantos inquisidores para ouvir os depoimentos, eles foram incapazes de realizar o trabalho no tempo previsto. O prazo foi esticado em mais trinta dias, mas os inquisidores estavam tão sobrecarregados com a quantidade de depoimentos que o prazo foi prorrogado por mais outro período igual de tempo. Novamente, porém, verificou-se que seria insuficiente. Ao final, descobriu-se que o número de sacerdotes que tinha destruído a pureza de suas penitentes era tão grande que era impossível punir a todos. O inquérito foi cancelado e os confessores culpados continuaram impunes. Várias tentativas de mesma natureza foram feitas por outros papas, mas com o mesmo fracasso." [Chiniquy, op. cit. pág. 43, ênfase acrescentada).

Isso não soa como o problema de hoje, especialmente com sacerdotes que abusam sexualmente de meninos?! Essas bulas são testemunho irrefutável de que a confissão auricular é uma das mais poderosas invenções do Diabo para corromper o coração, contaminar o corpo e condenar a alma!


QUAL É A ORIGEM DA CONFISSÃO AURICULAR?

A prática da confissão auricular não se baseia em princípios bíblicos, mas sim no paganismo. Chiniquy vê a similaridade da confissão auricular à luz do Romanismo:

"Aqueles que querem mais informações sobre esse assunto devem ler os poemas de Juvenal, de Propércio e de Tibelo. Examinem atentamente todos os historiadores da Roma antiga, e então verão a perfeita semelhança que existe entre os sacerdotes do papa e os sacerdotes de Baco, em referência aos votos de celibato, aos segredos da confissão auricular, a celebração dos assim chamados 'mistérios sagrados' e toda a corrupção moral dos dois sistemas religiosos. De fato, quando alguém lê os poemas de Juvenal, pensa que está diante dos livros de Den, Liguori, Lebreyne, Kenric." [Chiniquy, op. cit., pág. 140].


A CONFISSÃO DE UMA JOVEM MULHER

Chiniquy, quando era um jovem sacerdote, defrontou o problema da corrupção na confissão auricular. No princípio do seu sacerdócio, teve uma experiência que o mudaria para sempre. Uma linda jovem entrou no confessionário e com lágrimas escorrendo pelas faces e uma voz abafada pelos soluços, começou a falar. Seu testemunho foi o seguinte:

"Querido padre... sou uma grande pecadora. Temo que esteja perdida! Se ainda houver alguma esperança para mim, por amor de Deus, não me rejeite! Antes de começar minha confissão, peço que não polua meus ouvidos com o tipo de perguntas que os confessores freqüentemente fazem às mulheres penitentes; já fui destruída por essas perguntas. Deus sabe que antes de eu completar dezessete anos, os anjos nos céus não eram mais puros do que eu; mas o capelão do Convento para o qual meus pais me enviaram para estudar, apesar de já estar entrando na velhice, me fez no confessionário uma pergunta que eu inicialmente não entendi, mas, infelizmente, ele fez as mesmas perguntas a uma de minhas colegas de classe, que gracejou delas e as explicou para mim; porque as entendia muito bem. A primeira conversa impura da minha vida mergulhou meus pensamentos em um mar de iniqüidade, até então desconhecido para mim; tentações do caráter mais humilhante me assaltaram por uma semana, dia e noite; depois disso, pecados que eu apagaria com meu sangue, se fosse possível, inundaram minha alma como uma enchente. No entanto, as alegrias do pecador são curtas. Impactada com terror dos julgamentos de Deus, depois de algumas semanas da mais deplorável vida, decidi abandonar meus pecados e me reconciliar com Deus. Coberta de vergonha e tremendo da cabeça aos pés, fui me confessar com meu velho confessor, a quem respeitava como um santo e amava como um pai. Com lágrimas sinceras de arrependimento, confessei-lhe a maior parte dos meus pecados, apesar de ter omitido um deles, de vergonha, e respeito pelo meu guia espiritual. Entretanto, não escondi que suas estranhas perguntas na minha última confissão foram, com a corrupção natural do meu coração, a principal causa da minha destruição. Ele falou comigo de forma muito gentil, me encorajou a lutar contra as más inclinações e, principalmente, me deu muitos conselhos gentis e bons. Mas, quando pensei que ele tivesse acabado de falar, ao me preparar para deixar o confessionário, ele me fez duas novas perguntas de um caráter tão poluído que temo que nem o sangue de Cristo nem todo o fogo do Inferno seriam capazes de apagá-las da minha memória. Essas perguntas provocaram minha ruína; fixaram-se na minha mente como duas setas mortais; estão dia e noite na minha imaginação; enchem minhas artérias e veias com veneno mortal. É verdade que, primeiramente, elas me encheram com horror e desgosto; mas ai de mim! Em breve estava tão acostumada a elas que pareciam estar incorporadas em mim, como se tivessem se tornado uma segunda natureza. Esses pensamentos tornaram-se uma nova fonte de inumeráveis pensamentos, desejos e ações pecaminosos. Um mês mais tarde, fomos obrigadas pelas regras do convento a ir confessar; mas dessa vez, estava tão completamente perdida, que não mais me ruborizava com a idéia de confessar meus pecados vergonhosos a um homem; muito pelo contrário. Sentia um prazer real, diabólico ao pensar que teria uma longa conversa com meu confessor sobre esses assuntos, e que ele me faria mais algumas de suas estranhas perguntas. De fato, quando contei tudo sem vergonha, ele começou a me interrogar, e Deus sabe quão corrompidas coisas saíram da sua boca para dentro do meu pobre coração pecador! Cada uma de suas perguntas abalava meus nervos, e me enchia com as mais vergonhosas sensações. Depois de uma hora de um tête-à-tête criminal com meu velho confessor (porque aquilo não era nada mais que um tête-à-tête criminal), percebi que ele era tão depravado quanto eu mesma. Com algumas palavras de duplo sentido, ele me fez uma proposta criminosa, que aceitei com palavras de duplo sentido também; e por mais de um ano, vivemos juntos na mais pecaminosa intimidade. Apesar de ele ser muito mais velho, eu o amei de uma forma desvairada. Quando o meu curso no convento acabou, meus pais me chamaram de volta para casa. Fiquei realmente contente de mudar de residência, porque estava começando a me cansar da minha vida criminosa. Tinha esperanças de que, sob a direção de outro confessor, deveria me reconciliar com Deus e começar uma vida cristã. Infelizmente, meu novo confessor, que era muito jovem, começou também seus interrogatórios. Ele logo se apaixonou por mim, e o amei da forma mais criminosa. Fiz com ele coisas que espero que o senhor nunca me peça para descrever, porque são monstruosas demais para serem repetidas, mesmo no confessionário, por uma mulher a um homem. Não digo isso para tirar de meus ombros a responsabilidade das minhas iniqüidades com meu jovem confessor, porque acho que fui mais pecadora do que ele. É minha firme convicção que ele era um bom e santo sacerdote antes de me conhecer, mas as perguntas que me fez, e as respostas que lhe dei derreteram seu coração — sei disso — exatamente como o chumbo derretido derrete o gelo onde é derramado. Sei que essa não é uma confissão detalhada como nossa santa Igreja requer que eu faça, mas achei necessário para lhe apresentar a curta história de vida da maior e mais miserável pecadora que já pediu sua ajuda para se livrar do peso de seus pecados. Essa é a forma como tenho vivido nos últimos anos. No último sábado, porém, Deus, em sua infinita misericórdia, olhou para mim. Ele o inspirou para nos falar sobre o Filho Pródigo como o modelo da verdadeira conversão, e como a mais maravilhosa prova da infinita compaixão do Salvador pelo pecador. Tenho chorado continuamente desde aquele dia feliz, em que me lancei nos braços do amoroso e misericordioso Pai Celestial. Mesmo agora, mal consigo falar, porque meu arrependimento pelas iniqüidades passadas e minha alegria de poder banhar os pés do Salvador com minhas lágrimas é tão grande que a minha voz está embargada. É claro que me afastei definitivamente do meu último confessor. Quero pedir que o senhor me aceite como sua penitente. Por favor, não me rejeite, pelo amor do Salvador! Não tenha medo de ter ao seu lado este monstro de iniqüidades. Mas, antes de tudo, quero pedir dois favores. O primeiro é que nunca tente saber meu nome; o segundo é que nunca me fará quaisquer daquelas perguntas pelas quais muitas penitentes são perdidas e muitos sacerdotes destruídos para sempre. Duas vezes me perdi por causa dessas perguntas. Vamos aos nossos confessores para que derramem as águas purificadoras dos céus sobre os nossos pecados; mas, em vez disso, com suas perguntas indecentes, acabam lançando querosene nas chamas ardentes que já estão queimando nos nossos corações pecaminosos."

Chiniquy não podia atender ao pedido dela de não ouvir a confissão inteira e absolvê-la de seus pecados, pois estaria indo contra a doutrina Romana. Ela deixou o confessionário em lágrimas: "Ai, meu Deus, então estou perdida, perdida para sempre!". A jovem desmaiou e Chiniquy a levou para a casa de seus pais. Ela teve um sonho:

"Oh, não! Aquilo não foi um sonho, foi realidade. Meu Jesus veio a mim; ele estava sangrando; a coroa de espinhos estava na sua cabeça, a cruz pesada feria seus ombros. Ele me disse, com uma voz tão suave que nenhuma língua humana poderia imitar: 'Tenho visto tuas lágrimas e ouvido teus clamores; sei do teu amor por mim; teus pecados estão perdoados; coragem, em poucos dias estarás comigo!'"

No mês seguinte ela estava claramente perto de morrer. Chiniquy continuou ao seu lado instando-a a se confessar, mas em vez de ver uma jovem torturada pela culpa, viu uma calma e uma paz nela quando dizia: "Ele me amou tanto que morreu pelos meus pecados!". Enquanto ela meditava nessas palavras, lágrimas escorriam pelo seu rosto. Chiniquy, sentindo que a morte dela estava próxima, caiu de joelhos e implorou que deixasse a vergonha de lado e obedecesse à igreja de Roma e confessasse todos os pecados, mas ela, com um ar de dignidade, dizia:

"É verdade que após o pecado de Adão e Eva, Deus mesmo fez vestes de peles, e os vestiu para que não vissem a nudez um do outro? Como nossos confessores se atrevem a tirar de nós essas vestes santas e divinas de modéstia e de auto-respeito?"

Chiniquy presenciou a jovem morrer com "a paz de excede a todo o entendimento" [Filipenses 4:7]. As últimas palavras dela foram verdadeiras palavras de sabedoria:

"Agradeço e o abençôo, querido padre, pelo seu sermão sobre o filho pródigo, que pregou no mês passado. O senhor me trouxe aos pés do querido Salvador; lá encontrei uma paz e uma alegria que excede a qualquer coisa que o coração humano possa sentir; coloquei-me nos braços do Pai Celestial, e sei que ele aceitou e perdoou sua filha pródiga! Vejo os anjos com suas harpas douradas ao redor do trono do Cordeiro! O senhor não ouve a harmonia celestial das músicas? Eu vou — vou me juntar a eles na casa do meu Pai. Não estarei perdida!"

O testemunho dela na hora da morte tocou Chiniquy, que somente mais tarde compreendeu a paz que a jovem experimentou. É a mesma paz que encontrei pessoalmente em Jesus Cristo. A paz de saber que seu sangue "nos purifica de todo o pecado". [1 João 1.7].

Miquéias 7:19 diz: "Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniqüidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar."

A confissão auricular produz tormento e medo.

1 João 4:18 diz: "No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor."

Como conheci nosso Senhor e Salvador e compreendi quão verdadeiro é seu perdão não vivi mais com medo e em tormentos. Não escondo mais meus pecados, mas me arrependo e me desvio deles, conhecendo completamente que meu Senhor e Salvador Jesus Cristo pagou por cada um, não apenas os meus, mas de cada pessoa que já tenha vivido ou que venha a viver na Terra. Nenhum homem o nenhuma instituição humana pode arrancar esse poder de nosso Deus [Romanos 8:38-39]. Não há mais do que se envergonhar, porque, como dizem as Escrituras:

"Porém tu, SENHOR, és um escudo para mim, a minha grande glória, e o que exalta a minha cabeça." [Salmos 3:3].

Autora: Rebecca A. Sexton (Former Catholics For Christ)


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