28 de janeiro de 2015

Lista de artigos-resposta sobre a imortalidade da alma e outros informativos

(Azenilto Brito e Oscar Cullmann)

Frequentemente pessoas me escrevem nos comentários dos meus blogs ou por e-mail perguntando-me sobre certas passagens bíblicas específicas que os imortalistas costumam usar na defesa da tese falida e fracassada da imortalidade da alma. “Lucas, você tem algum artigo sobre o rico e o Lázaro?”; “Lucas, o que você me diz sobre o ladrão da cruz?”; “Lucas, e o ‘partir e estar com Cristo’?”, etc. Eu sempre respondo a cada um com um artigo específico para cada uma destas e das outras passagens semelhantes, mas reconheço que essas dúvidas ocorrem por desorganização minha, pois embora tenha um blog inteiramente direcionado ao tema ("Desvendando a Lenda") os artigos estão espalhados pelo blog e dificilmente alguém consegue achar exatamente o que está procurando.

Por isso organizei uma tabela com uma lista de artigos-resposta sobre o tema, para que o leitor tenha um acesso mais fácil à explicação de cada passagem em questão. Eu não vou passar aqui os argumentos de “ataque”, mas somente os de “defesa”. Alguém que queira ver uma lista de “ataque” pode consultar minhas 206 provas contra a imortalidade da alma, ou simplesmente ler meu livro sobre o tema, o que é bem mais recomendável. O que listarei abaixo são somente os artigos explicativos, sobre aqueles textos que são usados por eles:

TEXTO
RESPOSTA
Parábola do rico e Lázaro
O ladrão da cruz e o “hoje”
Partir e estar com Cristo
Moisés vivo no monte da transfiguração
As “almas” debaixo do altar
Não temam aqueles que não podem matar o corpo, mas não a alma
Os “espíritos” em prisão
Significado de Sheol/Hades
Levar cativo o cativeiro
Um espírito não tem carne e osso
No corpo ou fora do corpo
“Samuel” aparecendo a Saul em En-Dor
Deus de vivos, não de mortos
A existência de dois juízos (particular e geral)
O bicho que não morre
O fogo eterno
O “castigo eterno” de Mateus 25:46
Apocalipse e o tormento eterno
O lago de fogo

Eu também recomendo entusiasticamente os artigos de Azenilto Brito sobre a imortalidade da alma. Eles são ótimos, é material de primeira linha, que me ajudou muito na compreensão do tema no início de 2010, sem a clareza e a lucidez das argumentações do Azenilto eu posso assegurar que boa parte do meu livro não existiria. Não é bajulação, é fato: Azenilto escreve de uma forma inteligente que nos leva a raciocinar melhor, o que contribuiu muito no meu próprio modus operandi de argumentação, até mesmo em várias passagens que não foram mencionadas pelo Azenilto.

Eu gostaria de terminar esta parte do artigo recomendando o excepcional livro de Samuelle Bachiocchi (“Imortalidade ou Ressurreição?”), mas lastimavelmente não encontrei nenhum lugar na internet que ainda venda o livro online. Mesmo assim, ainda é possível ler online o capítulo 2 e o capítulo 3 do livro dele, que é mais empolgante precisamente pelo fato de Bacchiocchi dar mais atenção aos significados de “alma” e “espírito”, em um estudo muitíssimo aprofundado sobre o tema, enquanto eu no meu livro dou mais ênfase aos textos bíblicos que dizem o que ocorre entre a morte e a ressurreição. De certa forma, a leitura do livro dele e do meu se completam.

Por fim, há também o livro do Dr. Oscar Cullmann, um renomado teólogo luterano que também abandonou a posição de imortalidade da alma ao estudar o tema de forma mais profunda e abrangente, e escreveu o livreto “Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos?”, que pode ser lido clicando aqui. É um livro pequeno, com poucas páginas, nada que exija muito tempo do leitor. Em se tratando de apologética, é uma preciosidade rara, com uma refinada abordagem filosófica.

Agora mudando totalmente de assunto: o blog “Preterismo em Crise” teve seu título e endereço alterado para “Estudando Escatologia” (http://estudandoescatologia.blogspot.com.br). Se você tentar entrar pelo endereço antigo (preterismoemcrise.blogspot.com) vai aparecer uma mensagem de que o blog não existe. A razão pela qual eu decidi fazer isso é porque pretendo abordar também outros temas escatológicos que vão além do preterismo, pois o preterismo não é o único erro escatológico a ser combatido, embora seja o erro mais grave e estúpido. Desta forma eu posso escrever ali qualquer assunto escatológico mesmo que fuja do tema “preterismo”, o que evitaria passar o vexame de, por exemplo, criar um site chamado “As Mentiras do Apocalipse Protestante” onde só 10% dos artigos dali são para falar do Apocalipse. É preciso ser sensato, lúcido e ter bom senso, o que me levou a esta mudança.

Informo ainda que os templates dos blogs "O Cristianismo em Foco" e "Estudando Escatologia" foram aperfeiçoados (o do último, pelo menos, estava realmente ridículo, quase tão horroroso quanto os blogs macabeus da net). Eu ainda pretendo melhorar alguma coisa neles, e aceito sugestões. 


(Template novo do blog "O Cristianismo em Foco")


(Template novo do blog "Estudando Escatologia")

Criei ainda mais um blog, desta vez para tratar especificamente de ateísmo e dialogar com os neo-ateus (dizem que eles são mais chatos que os católicos fanáticos, mas eu duvido). O título ficou sendo "Ateísmo Refutado" e o endereço é: ateismorefutado.blogspot.com. Além dos artigos que já postei ali, pretendo ainda postar parte por parte do meu livro mais recente (ainda em construção), que é uma refutação à “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins, assim que o livro for concluído.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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25 de janeiro de 2015

Pede à mãe que o filho atende?


Imagine que você tenha um amigo que precise ouvir uma mensagem importante que você tem a lhe dizer. O que você faz? Telefona diretamente para ele? Não. Você liga para a mãe dele, e pede para que ela lhe dê o recado. É claro que é assim que você age em seu cotidiano. Pelo menos se você for católico, deveria agir assim. Quem não age assim e prefere ter a petulância de ligar direto para o amigo para quem você quer transmitir a mensagem são aqueles “protestantes”, os “filhos da serpente”, que seguem o “rebelado Lutero”. As pessoas inteligentes, logicamente, ligam para a mãe, para que ela dê o recado ao filho. Não ligam para o filho. Nem ouse fazer algo assim!

Mas imagine que o seu telefone não esteja funcionando, e que você more a apenas algumas ruas deste seu amigo, e decida ir a pé até a casa dele para lhe dar esta importante notícia. Você chega ao portão da casa dele, bate palmas, e um homem atende: é o seu amigo. Você então lhe diz: “Chame a sua mãe para mim”. “Para que?”, questiona ele. “Para que ela dê uma mensagem a você”, você responde. Este seu amigo fica perplexo, sem entender nada. No início ele pensa que você está apenas brincando, fazendo uma piada, mas depois começa a perceber que você está falando sério, e entende que você está tendo sérios problemas psiquiátricos.

Enquanto ele liga para um psiquiatra, a mãe dele chega e te atende.

Você – Dê esse recado ao seu filho, por favor.

Ela – Ele está aqui. Por que você não fala com ele?

Você – Eu não quero falar direto com ele. Eu quero falar com você, para que você passe essa mensagem a ele.

Ela – Mas por quê? Você brigou com ele? Ele te fez algum mal?

Você – Não, senhora [sem trocadinhos]. Eu gosto muito dele, na verdade eu até o adoro, mas não gosto de falar direto com ele, não. Eu acho mais eficiente falar com você, para que então você transmita esta mensagem a ele. Pode ser assim?

Ela – Tem certeza que você está passando bem?

Você – Espere um momento. Se eu me prostrar diante de você, rezar dez vezes o terço e vinte e sete vezes o rosário, pagar minhas promessas, subir de joelhos as escadarias do senhor do Bonfim, levar uma imagem sua em procissão e te servir para sempre, será que assim você pode transmitir essa mensagem a ele?

Ela – É, você não está bem. Quer que eu chame um médico?

Neste exato momento chega um homem com uma camisa de força, o seu amigo volta e lhe diz:

Ele – Meu amigo, você tem livre acesso a mim. Entendeu? Livre acesso (Ef.3:12)! Você pode se sentir seguro e confiante em falar diretamente comigo (Hb.4:16). Não precisa de intermediários (Jo.14:6). Não existe outro mediador (1Tm.2:5)! Eu sofri exatamente para lhe dar essa oportunidade, de ser um comigo (Jo.17:21). Você é meu amigo (Jo.15:15)! Entende o que é isso? Um amigo! Eu sou o único caminho (Jo.14:6)! Entendeu? O único! Se você está cansado ou sobrecarregado, venha a mim, e eu lhe darei descanso (Mt.11:28)! Aquele que tem sede, venha a mim e beba da água da vida (Ap.22:17)! Aquele que me buscar, me encontrará (Jr.29:13)! Todo aquele que me pede, de mim recebe; todo aquele que bate a minha porta, eu abro (Mt.7:8)! Você pode chegar a mim com confiança, que alcançará misericórdia e graça (Hb.4:16)! Tudo o que você pedir em meu nome, eu lhe darei (Jo.14:13)!

Você – Não, não, obrigado. Chame a sua mãe.

***

Toda a doutrina católica sumariada no jargão tosco de “pede à mãe que o filho atende” é baseada em duas premissas fundamentais. A primeira delas é a sugestão implícita de que, se pedir ao filho, o filho não atende. Tem que pedir à mãe para que o filho atenda. Algo ilógico, irracional, estúpido e completamente antibíblico, que só pode ser aceito por uma fé cega em homens. A segunda premissa implícita é a de Jesus visto como um filho indefeso e subordinado à Maria. Os católicos, mesmo que algumas vezes subconscientemente, tem uma mentalidade na qual Jesus é visto como um eterno e indefeso bebê segurado pelos braços de Maria.

No catolicismo, a submissão é de Jesus à Maria, e não o contrário. Jesus é o filho submisso de Maria, que é quem realmente “manda” na casa. É por isso que eles insistem que devemos pedir à mãe, porque eles vêem Jesus no Céu como um bebezinho preso em uma manjedoura, totalmente carente e dependente da mãe. Eles não vêem Jesus como ele realmente é, com todo o poder e glória que ele tem. Eles têm a imagem da terra, e não a imagem do Céu. Paulo, contudo, já se antecipava em dizer:

“De modo que, de agora em diante, a ninguém mais consideramos do ponto de vista humano. Ainda que antes tenhamos considerado a Cristo dessa forma, agora já não o consideramos assim (2ª Coríntios 5:16)

O Jesus do catolicismo não cresceu. Nunca saiu da manjedoura. Ainda precisa de Maria para tudo, ainda é uma criança indefesa, ainda é dependente dos seus pais, ainda é submisso à Maria, ainda precisa que as outras pessoas falem com ela primeiro, para depois o comunicado chegar aos seus ouvidos. No catolicismo romano, Maria ainda cuida do menino Jesus. Ele já ressuscitou em glória há dois mil anos, mas os católicos ainda têm a imagem do homem terreno, não do celestial. O Jesus do catolicismo ainda não morreu, e muito menos ressuscitou. Ele simplesmente não saiu da manjedoura.

***

Há outras duas falhas cruciais no pensamento católico. A primeira delas é ignorar que nós temos livre acesso a Jesus, e que, portanto, não temos e nem precisamos de outros mediadores entre nós e Cristo:

Efésios 3:11-12 “De acordo com o seu eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor, por intermédio de quem temos livre acesso a Deus em confiança, pela fé nele

João 14:6 – “Respondeu Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’”

Hebreus 4:14-16 – “Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”

1ª Timóteo 2:5 – “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Cristo Jesus”

João 14:13 – “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei”

Mateus 11:28 – “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso”

O segundo grande problema do pensamento católico é desconsiderar o que a Bíblia nos diz sobre o estado atual dos mortos. Imagine que você liga para a mãe do seu amigo querendo falar com o seu amigo, mas ela não atende. Então você decide ter a brilhante ideia de ligar direto para o seu amigo para falar com ele diretamente. Ele atende, e diz que a sua mãe não estava em casa no momento, só ele. O que você faria? Esperaria até ela chegar ou pediria diretamente a ele?

É exatamente isso o que a Bíblia nos diz sobre o estado atual dos mortos. Eles não ressuscitaram ainda para que possam estar na presença de Deus. Os mortos não são “mortos-vivos”, vagando em algum lugar do Universo em forma incorpórea ao maior estilo fantasminha camarada. Ao contrário: os mortos estão somente... mortos. Sem vida. Sem existência. Sem consciência. Voltando à analogia, eles ainda não estão na casa. Jesus disse que “na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes um lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver (Jo.14:2-3). É somente na volta de Jesus, concomitantemente ao momento da ressurreição, que ocuparemos estas moradas. Não antes. O que a Bíblia nos diz sobre o estado atual dos mortos é tão claro e evidente que dispensa maiores comentários:

Eclesiastes 9:5-6 – “Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol”

Eclesiastes 9:10 – “Tudo que tua mão encontra para fazer, faze-o com todas as tuas faculdades, pois que na região dos mortos, para onde vais, não há mais trabalho, nem ciência, nem inteligência, nem sabedoria

Salmos 146:4 – “Sai-lhe o espírito, volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos

Salmos 115:17 – “Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio”

Salmos 6:5 – “Pois na morte não há lembrança de ti; no Sheol quem te louvará?”

Isaías 38:19 – “Os vivos, e somente os vivos, te louvam, como hoje estou fazendo”

Atos 2:34 – “Pois Davi não subiu ao céu, mas ele mesmo declarou: ‘O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita’”

Lucas 14:13-14 – “Mas, quando der um banquete, convide os pobres, os aleijados, os mancos, e os cegos. Feliz será você, porque estes não têm como retribuir. A sua recompensa virá na ressurreição dos justos

1ª Coríntios 15:29-32 – “Se não há ressurreição, que farão aqueles que se batizam pelos mortos? Se absolutamente os mortos não ressuscitam, por que se batizam por eles? Também nós, por que estamos nos expondo a perigos o tempo todo? Todos os dias enfrento a morte, irmãos; isso digo pelo orgulho que tenho de vocês em Cristo Jesus, nosso Senhor. Se foi por meras razões humanas que lutei com feras em Éfeso, que ganhei com isso? Se os mortos não ressuscitam, 'comamos e bebamos, porque amanhã morreremos'"

(Junte isso às mais de 59 passagens bíblicas que falam explicitamente da morte da alma, às 206 provas bíblicas contra a imortalidade da alma, aos 152 versículos bíblicos em favor do aniquilacionismo e a todo o arsenal presente nas mais de 800 páginas do meu livro "A Lenda da Imortalidade da Alma" e seu complemento "A Verdade sobre o Inferno")

Se já é sandice o simples fato de falar com a mãe de alguém para enviar uma mensagem que poderia ser perfeitamente bem entregue diretamente a este alguém ao invés de ter de passar pela mãe, imagine se a mãe não está em casa, mas somente o filho. Acho que você teria uma outra boa razão para entregar esta mensagem ao filho. Diretamente. Com confiança. Sem medo, porque “o amor expulsa o medo” (1Jo.4:18), e “Deus é amor” (1Jo.4:16). Isso pode parecer chocante para algum romanista mariólatra, mas saiba que Deus te ama mais do que Maria ou qualquer outra pessoa da face da terra possa te amar.

Maria é uma santa que jamais aceitaria toda a adoração e glorificação que hoje é feita a ela. Quando o anjo a exaltou, a própria Maria se humilhou: “meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva” (Lc.1:47-48). Maria reconheceu que necessitava de um Salvador assim como todos os demais seres humanos pecadores, e se humilhou diante dEle. Hoje, os católicos fazem o inverso: a engrandecem e a glorificam a tal ponto que Jesus é dispensado e posto de lado para que Maria seja colocada como prioridade no recebimento das orações.

Jesus não é mais um bebê em uma manjedoura. Jesus é o Senhor e Salvador da própria Maria. Jesus é aquele a quem a própria Maria, assim como todos os demais santos e servos do Deus vivo, deve submissão, honra e adoração. Não é Maria quem está batendo hoje às portas de cada coração procurando alguém que a receba. É Jesus quem diz: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap.3:20). Maria descansa o sono da morte com todos os demais santos, esperando aquele glorioso dia da ressurreição, onde junto conosco entrará naquela casa, naquelas moradas que nos esperam. Enquanto isso, peça ao filho, que o filho atende.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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22 de janeiro de 2015

Paulo Leitão falsificando textos tirados de seu focinho para provar que Pedro foi papa

(Foto do leitão)


Houve uma época em que o problema dos papistas era a distorção de textos, que é quando se tem uma referência certa, porém se interpreta o texto de forma leviana e descontextualizada. Hoje, nem textos eles tem mais. Como os que eles usavam antigamente já foram sistematicamente derrubados pela interpretação criteriosa e séria, eles se viram obrigados a inventar textos novos, que só existem na cabeça deles. Ontem o Alon, vasculhando o facebook de um Leitão, descobriu uma citação que veio totalmente sem referência, atribuída supostamente a Eusébio de Cesareia. O texto em questão dizia:

"Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade" (Eusébio, Bispo de Cesareia 263-340 d.C)

Ele postou este texto na caixa de comentários deste artigo, perguntando de onde que vem esta referência. Note que o texto não tem, de fato, referência nenhuma. Dizer que a referência é “Eusébio, bispo de Cesareia” é o mesmo que citar a frase “a inveja nunca é plena, mata a alma e a envenena” e colocar como referência: “Bíblia Sagrada”. Como não há a referência de qual livro, capítulo ou versículo em que a tal citação se encontra, o leitor é deixado à esmo, tendo que crer na validade desta citação simplesmente por... fé. E pior: fé no Paulo Leitão! É para você ver o nível da apologética católica.

É claro que o Paulo Leitão tirou essa citação de algum lugar: do focinho dele.

Então entrou um católico daquele do tipo fanático, que vocifera e cospe saliva da boca nos debates, tentando defender a honra do seu ídolo Leitão (como se ele tivesse alguma a ser defendida) e citou como referência:

(Eusébio Bispo de Cesareia – Crônicas de Eusébio 263-340 d.C – Página 261, parágrafo 2)

Essa referência é tão ridícula e pouco confiável que teria sido melhor se ele mantivesse a citação apenas pela fé dos leitores, pelo menos desta forma teria alguma chance dela ser verdadeira. Com essa referência podemos ter certeza de que a citação é mesmo falsa. Em primeiro lugar, as crônicas são de Jerônimo e não de Eusébio:


O original de Eusébio se perdeu, e o que sabemos vem da tradução latina de Jerônimo e de uma tradução armênia. O problema é que Eusébio era um historiador do terceiro século, e Jerônimo, que não era nenhum historiador, viveu entre o quarto e quinto século, muito tempo depois de Eusébio. Se você for conferir no link acima, que é uma transcrição desta obra, verá que a dita referência não existe, exceto em uma nota de rodapé que diz:


“(5) In the PL, not in the Ms. there follows: Peter the Apostle founded the Church at Antioch, and there securing his (episcopal) throne, he sat (reigning as bishop) for 25 years”

Ou seja: a citação existe em um manuscrito mas nem em outro, implicando que se trata de uma interpolação posterior feita ao texto de Eusébio, e não de algo dito pelo próprio Eusébio. Essa interpolação posterior pode ter sido feita pelo próprio Jerônimo ou por copistas latinos de séculos posteriores. Há dificuldades em encontrar o texto autêntico da Crônica de Jerônimo em latim, porque há muitos manuscritos antigos, adições e interpolações, o que provoca a existência de muitas variantes. Na edição crítica moderna baseada no texto da Patrologia Latina, sem as muitas interpolações e adições que esta edição tem esta adição não consta[1].

Um teólogo da Universidade de Oxford, o erudito Edward Burton (1794–1836), especialista no estudo da patrística, era do grupo dos que creem que foi o próprio Jerônimo quem acrescentou esta parte. Em seu livro "A description of the antiquities and other curiosities of Rome", ele escreve:

“Lemos na Crônica de Eusébio, no ano 43, que Pedro, depois de fundar a Igreja de Antioquia, foi para Roma, onde pregou o Evangelho por vinte e cinco anos e foi bispo daquela cidade. Mas esta parte da Crônica não existe no grego, nem no Armênio, e supõe-se ter sido uma das adições feitas por Jerônimo. Eusébio não diz o mesmo em qualquer outra parte dos seus escritos, embora ele mencione São Pedro, indo para Roma no reinado de Cláudio: mas Jerônimo diz-nos que ele veio no segundo ano deste imperador, e manteve a Sé vinte e cinco anos. Por outro lado, Orígenes, que é citado pelo próprio Eusébio, diz que Pedro foi para Roma no final da sua vida: e Lactâncio coloca isto no reinado de Nero, e acrescenta que ele sofreu o martírio não muito tempo depois. Portanto o testemunho dos Padres se não desmente expressamente a sua longa permanência em Roma, está pelo menos dividido. Eusébio, de fato, diz na sua história, como já observamos, que Pedro foi para Roma no reinado de Cláudio: mas essa passagem, se lida com atenção, parece implicar que ele não ficou lá por muito tempo. Os Atos dos Apóstolos também tornam impossível que ele tenha residido lá durante os dezoito primeiros anos após a Ressurreição, enquanto o segundo ano de Cláudio (que é o tempo mencionado por Jerônimo da sua ida para Roma ) calha com o nono ano depois da Ressurreição, ou AD 42. A história contida nos Atos pode talvez lhe permitir ter ido a Roma algum tempo no reinado de Cláudio, mas a sua visita deve ter sido curta: se seguirmos Eusébio, ela deve ter sido antes dos eventos registrados no capítulo 18 dos Atos”

Independentemente de quando e por quem este acréscimo foi feito, o que importa é que ele não foi feito por Eusébio, nem por qualquer um do século III d.C.

Se a citação fosse mesmo de Eusébio, seria imprescindível que ele a tivesse colocado em sua enorme e principal obra sobre a história da Igreja: a “História Eclesiástica”, que é uma obra gigantesca, dividida em dez livros, onde Eusébio registra toda a história da Igreja até então. Mas nem essa citação, nem qualquer coisa parecida com os tais “vinte e cinco anos” consta em qualquer um dos livros da História Eclesiástica de Eusébio!

Imaginem Eusébio dizendo nas “Crônicas” que Pedro ficou 25 anos em Roma, e depois escrevendo isso aqui na História Eclesiástica:

“Pedro, segundo parece, pregou no Ponto, na Galácia e na Bitínia, na Capadócia e na Ásia, aos judeus da diáspora; por fim chegou a Roma e foi crucificado com a cabeça para baixo, como ele mesmo pediu para sofrer” (História Eclesiástica, Livro III, 1:2)

Eusébio diz que os lugares onde Pedro mais pregou foi na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia, e para piorar de vez a situação ele diz ainda que Pedro só chegou a Roma no fim da sua vida, para ser martirizado. Na cabeça do católico fanático, foi este mesmo Eusébio que disse que Pedro ficou 25 anos em Roma!

Não satisfeito com isso, o romanista ainda esbraveja citando outra fonte, mais confiável, da mesma citação. Ele diz:

“Aconselho aos dois ‘entendidos’ lerem História Eclesiástica: ‘Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade’”

É impossível não rir com esse comediante católico. Ele primeiro diz que a citação está nas Crônicas de Eusébio, mas é um acréscimo posterior espúrio. Depois então ele diz que a citação está na “História Eclesiástica”, mas não cita nem o livro, nem o capítulo e nem o verso onde se encontra. E o mais engraçado é que ele ainda diz:

Aconselho aos dois ‘entendidos’ lerem História Eclesiástica...”

Primeiramente, ele não precisa aconselhar nada, pois já li os dez livros da História Eclesiástica de Eusébio muitos anos antes dele recomendar isso. Em segundo lugar, se ele aconselha a leitura deste livro, presume-se que ele o leu, senão não estaria aconselhando. Mas, se ele realmente leu os dez livros em questão, surge a pergunta que não quer calar: por que raios não citou a referência? Será que é muito difícil para alguém que supostamente leu a obra possa citar o capítulo em questão, ou pelo menos dar a ideia de em qual dos dez livros que está?

A verdade, pura e simples, é que ele nunca leu nada. Ele não passa de um vagabundo qualquer que copiou essa citação dos vários sites católicos na internet que atribuem essa citação falsamente à “História Eclesiástica” de Eusébio, curiosamente também sem citar referência nenhuma, como por exemplo:





Na verdade há dezenas de sites católicos dizendo a mesma coisa: que esta citação está na História Eclesiástica de Eusébio. Basta fazer uma pesquisa rápida no Google. Curiosidade: nenhum destes sites católicos cita qualquer referência mais precisa, como o livro, capítulo ou verso em questão, onde a tal “citação” se encontra. Curiosidade número 2: o comentarista católico que comentou aqui no blog, passando a mesma citação, também citou a mesma passagem, e – vejam só que coincidência – também sem nenhuma referência exata, somente dizendo que está lá na “História Eclesiástica”. Acho que ninguém precisa ser um grande detetive para entender que o comentarista católico nunca leu droga nenhuma de livro: ele apenas copiou descaradamente as citações falsas presentes nos blogs católicos que ele buscou no Google. Uma lástima.

É claro que a citação em questão está sem referência porque ela não existe em parte nenhuma da História Eclesiástica de Eusébio. Eu acabei de subir na minha conta do 4Shared os dez volumes da História Eclesiástica para que qualquer pessoa possa fazer o download dos livros:


Após fazer o download rápido, basta ir no “localizar” e digitar qualquer parte ou palavra presente na tal citação, e verá que a citação não existe. Ela é completamente inventada, ou tirada mais uma vez do focinho do Paulo Leitão.


Mas o debatedor católico furioso e desesperado em provar o papado de Pedro em Roma por 25 anos não desiste, e começa a disparar textos isolados que já foram comentados amplamente em meu livro "A História não contada de Pedro". Ele cita:

“Santo Ireneu (130 - 202), bispo de Lião referiu: ‘Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo’. E ainda ‘Os bem-aventurados Apóstolos [no plural] portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos [no plural], Clemente recebeu o episcopado.’ E acrescentou: ‘Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja’”

Se estes textos significam que Pedro era papa e que esteve em Roma por 25 anos, então Paulo também foi papa e esteve em Roma por 25 anos. Ou será que o doente não viu ali os nomes: Pedro e Paulo?

Ele finge não entender que Inácio está se referindo a uma sucessão temporal, e não a uma sucessão episcopal. Isso fica muito claro e evidente na História Eclesiástica de Eusébio, que diz:

“Depois do martírio de Paulo e de Pedro, Lino foi designado como primeiro bispo de Roma. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta” (História Eclesiástica, Livro III, 2:1)

Eusébio deixa claro que Lino, e não Pedro, é que foi o primeiro bispo de Roma. Pedro, portanto, nunca foi “papa”. E esse episcopado do primeiro bispo de Roma (Lino) se deu, temporalmente, após a época do martírio de Paulo e de Pedro. Seria como dizer:

“Depois que Dom Pedro II foi exilado, Deodoro da Fonseca foi designado como primeiro presidente do Brasil”

Isso explica as citações que dizem, por exemplo, que Clemente foi o terceiro bispo de Roma “depois dos apóstolos”. Eusébio e Inácio sempre colocavam no plural, referindo-se a Paulo e a Pedro, porque estavam tratando de uma sucessão temporal, e não que Paulo e Pedro fossem dois papas reinando em Roma. Significa apenas que, depois da época do martírio dos dois apóstolos, Clemente é o terceiro bispo de Roma, porque Lino é o primeiro e Anacleto é o segundo. Note como Eusébio deixa claro que a sucessão episcopal começa com Lino, e não com Pedro:

“Paulo também atesta que Clemente - instituído terceiro bispo da Igreja de Roma - foi seu colaborador e companheiro de luta” (História Eclesiástica, Livro III, 4:9)

Ensinando para os católicos:

Lino
Anacleto
Clemente

Se Pedro tivesse sido o primeiro bispo de Roma, então Eusébio estaria tendo sérios problemas mentais: ele não estaria conseguindo contar até três! Clemente seria o quarto, e não o terceiro, se Pedro tivesse sido o primeiro! Será que Eusébio não sabia contar até três? Ou será que o episcopado de Pedro em Roma é uma demência que contraria não apenas a Bíblia, mas também a história?

Ele também cita um texto de Clemente, que diz:

“Em torno desses homens [no plural], que se comportaram piamente, reuniu-se uma grande multidão de eleitos, os quais, depois de terem sofrido por inveja muitos ultrajes e tormentos, tornaram-se entre nós belíssimo exemplo” [Clemente Romano - Ano 96 DC]

É a mesma coisa que vale para o texto de Inácio, que já vimos anteriormente. Clemente também fala de “Paulo e Pedro”, e não somente de Pedro, como se tivesse falando de papado. É também interessante notar que quase sempre as referências antigas, de Eusébio principalmente, eram a “Paulo e Pedro”, colocando Paulo à frente de Pedro. Isso seria realmente estranho caso Pedro fosse o único papa de Roma. Paulo não apenas estaria caindo de paraquedas nestas citações, como ainda estaria caindo na frente do suposto “primeiro” papa!

O debatedor romanista cita, por fim, um texto de Doroteu, que vem sem referências e mais uma vez fazendo acepção ao aspecto temporal já mencionado anteriormente, e por fim cita um texto de Optato de Milevo, também sem referências, e já no século IV. Este é o nível da atual apologética católica, onde citações sem referências são a regra e onde a fé no Paulo Leitão é suficiente para crer na veracidade dos textos. Eles trocaram a sola fide em Jesus pela sola fide no focinho do Leitão. Este é um problema sério, amigos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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