24 de maio de 2016

As provas incontestáveis do terceiro Tiago


O TERCEIRO TIAGO
(Alon Franco)

Nota 1: Eu estive de viagem nos últimos dias e por isso não pude publicar novos artigos nem aprovar os novos comentários. Agora os comentários postados na última semana já foram publicados, e artigos novos serão postados três vezes por semana.

Nota 2: Vários artigos já foram publicados sobre o terceiro Tiago (os anteriores você pode conferir aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), mas esta é a versão mais completa e atualizada, que o Alon Franco publicou originalmente em seu blog A Grande Cidade. O terceiro Tiago é simplesmente a kriptonita da crença na virgindade perpétua de Maria, a prova de que a mãe de Jesus teve pelo menos mais um filho, chamado Tiago, o qual se distingue dos outros dois apóstolos de Jesus com o mesmo nome. Apreciem.


Aqueles que estão engajados no combate à doutrina católica sabem o esforço que seus apologistas fazem para manter de pé o dogma da virgindade perpétua da mãe de Jesus mesmo diante de tantas evidências contrárias aos seus argumentos. O terceiro Tiago é mais uma das evidências contra este dogma. E lhe garanto caro amigo leitor, não é uma simples ou mesmo pequena evidência, mas um testemunho fortíssimo e amplo que se manifesta para derrubar definitivamente toda artimanha contra a dogmática católica que sem temor algum sequestrou de Maria os seus próprios filhos.

Marcos 6:3 nos diz que Jesus tinha quatro irmãos e algumas irmãs, obviamente filhos e filhas de Maria e José. Os nomes das irmãs não foram preservados, mas o dos irmãos sim. Eram eles: Tiago, José, Simão e Judas.

O nome dos irmãos de nosso Senhor tem causado dúvidas porque, naquela época, o de muitos era igual, destacando-se o dos parentes. Por não levar em consideração esse importante detalhe, o Catolicismo Romano interpreta que dois dentre os citados acima foram contados entre os doze: Tiago e Judas.

Nos tempos de Jesus usava-se um único nome e, em vista dos homônimos, mais um apelido, o acréscimo do nome do pai, da cidade de nascimento ou até o nome em dois idiomas. Assim, vemos Simão ser chamado por Simão Pedro, Simão Barjonas e Cefas. Um José foi conhecido como José de “de Arimatéia”, outro ficou conhecido como  José, chamado Barsabás (Atos 1:21), ainda outro como José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (Atos 4:36) e o José irmão de Jesus (Mateus 13:55). Havia Maria Madalena (da vila de  Magdala) e também havia  Maria, mãe de Jesus, Maria, irmã de Lázaro (João 11:19) e Maria, mãe de João Marcos (Atos 12:12).

O Novo Testamento mostra várias pessoas com o nome de Simão, além de Simão, filho de Jonas: Simão curtidor (Atos 9:43), Simão o Zelote (Mateus 10:4), Simão cireneu, pai de Alexandre e de Rufo (Marcos 15:21), Simão, o leproso (Mateus 26:6) e Simão, irmão de Jesus (Mateus 13:55). Também havia mais de um Tiago – pelo menos três: um identificado por  “filho de Alfeu” [Cleofas] (At 1.13,14); outro por “filho de Zebedeu” (Mt 4.21; Mc 1.19) e um outro por  “o irmão do Senhor” (Gálatas 1:19).

Vamos ver a lista dos doze discípulos apresentada por Mateus: Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;     Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu, Mateus 10:2-4. Esse Tadeu é mais conhecido como Judas Tadeu.

Tiago, filho de Alfeu, registra Mateus. Porém, o mesmo Mateus, em 13:55, diz que o Tiago ali citado pertence a família de Jesus: Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?”.

A  expressão “seus irmãos” ocorre nove vezes nos relatos dos Evangelhos e uma vez em Atos. Em todos os casos (exceto em João 7:3,5,10), os irmãos são mencionados em conexão imediata com sua mãe, Maria. Nenhuma indicação linguística está presente no texto para inferir que “seus irmãos” deve ser entendido em qualquer sentido menos literal  que “sua mãe”. Da mesma forma, os judeus contemporâneos de Jesus interpretaram  os termos “irmãos” e “irmãs” em seu sentido comum.

Além disso, se os “irmãos e irmãs” na frase significam “primos”, como exige o Catolicismo, então estes “primos” eram os sobrinhos e sobrinhas de Maria. Mas, por que as pessoas da cidade de Nazaré conectaram os sobrinhos e sobrinhas de Maria com José? Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?”.

Não faz sentido algum alterar os termos irmãos e irmãs para primos e primas. Nada poderia ficar mais ridículo do que isso: Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus primos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas primas?”.

Isso denuncia a mentira!

Por outro lado, deve-se questionar os apologistas do catolicismo sobre as “primas” de Jesus. Se eles garantem que os homens são primos, filhos de uma certa irmã da mãe de Jesus com o mesmo nome, devem também concordar que as citadas como irmãs  do Senhor  não são filhas de Maria e José. Quem sabe  elas tem como pai e mãe um  outro casal, parentes de Maria, mãe de Jesus? Ou será que eles ousariam dizer que elas também são filhas de Maria de Cleofas?

Por que as pessoas da cidade mencionaram  sobrinhos e sobrinhas   omitindo outros parentes da família? O cenário assume que essas pessoas  fazem alusão  à imediata família de Jesus.  José, Maria e seus filhos foram reconhecidos como uma típica família de Nazaré. Aqui, eles simplesmente perguntaram  se Ele não era um membro desta família ao  mencionar  o nome de quase todos os integrantes. Essa é a justa interpretação do texto.

No entanto, a Igreja Católica ensina que o Tiago e Judas que aparecem entre os doze discípulos são os mesmos Tiago e Judas citados em Mateus 13:55. Seriam eles filhos de certa Maria, esposa de um estranho e suspeito homem de nome Cleofas. O catolicismo ensina que esta Maria é irmã da mãe do Senhor. Assim, eles não poderiam ser irmãos de Jesus, mas sim primos dele. Um site católico afirma:

Maria de Cleofas, segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, irmã de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cleófas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa. Segundo o que nos dizem os três primeiros evangelhos, sabemos que entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”

Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu – Mateus 27:56 

Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu – Marcos 15:40

Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé – Lucas 24:10

Essa mulher é quase certamente a mesma Maria que é chamada Maria, mulher de Cleofas:

João 19:25 – Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.


Atente para um detalhe na citação do site católico quando tenta identificar Maria de Cleofas. Ele diz que “… entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galileia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”.

De fato, a mulher citada como mãe de Tiago e José em alguns textos,  também  citada como mãe de Tiago em outros textos (Mar 16:1 e Lucas 24:10), e em outro como mãe de José (Mar 15:47) é a mesma Maria. Ela, porém, é natural da Galileia e não de Emaús como se crê que é a mulher de Cleofas. Eis aí o problema principal: As mulheres que seguiram Jesus desde a Galileia eram da Galileia. Maria de Cleofas residia em Emaús. A única Maria da Galileia que tinha filhos chamados Tiago e José era Maria, mãe de Jesus. Porém, isso é assunto para outro artigo, que por sinal já está em andamento.


Irmãos incrédulos

Havia incrédulos na família de Jesus – estes não eram seus primos.  O Senhor denuncia que eles estavam dentro da sua própria casa:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. Marcos 6:4

O texto revela que os opositores de Jesus estão ligados a ele por laços familiares muito fortes quando declara que ele não tinha honra na sua própria casa.

O registro em Marcos entrou na pátria de Jesus e passou por todos os seus parentes – primos, sobrinhos, tios e etc.,  e foi parar dentro de sua casa. Quem eram os incrédulos ali, Maria e José? Se José havia morrido, então era Maria! Possivelmente não. João esclarece quando confirma: “nem seus irmãos criam nele”, João 7:5.

Essa é uma situação bem conhecida; os vizinhos tudo bem… primos até que dá para entender, o mesmo acontece com os estranhos, mas parece que João está surpreso com outro tipo de incrédulo quando dispara, “nem mesmo os irmãos (?). A sentença destaca  o absurdo, pois declarava a incredulidade de membros da própria família que não reconheciam Jesus como o Messias enviado. O contexto encontra-se em João 7:1-5

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”.

João não daria ênfase à incredulidade se tivesse registrando que nem mesmo seus primos criam nele. Porém, pelo fato de serem mais próximos, então o alarde foi exposto para demonstrar o absurdo da descrença. Os incrédulos eram sem dúvida, irmãos de Jesus. Note a evidência irrefutável: Por que NEM MESMO seus irmãos criam nele”

Não há dúvida que a descrença  envolvia todos os quatro: Tiago, José, Simão e Judas. Não fosse assim a  Escritura deixaria registrado que os  incrédulos eram apenas  dois deles se o Tiago e o Judas citados em Mateus 13:55, dentro da família do carpinteiro, fossem os mesmos Tiago e Judas contados entre os doze discípulos. Os escritores dos fatos teriam por obrigação e compromisso com a verdade fazer separação destes dois com os outros dois  descrentes, os quais supostamente seriam José e Simão, mas não fizeram.

Sem dar consideração alguma, o contexto de João 7:1-5 esclarece que Jesus tinha irmãos incrédulos deixando subentendido que todos eles estão envolvidos no diálogo com o Senhor. Diálogo este  que revela a impossibilidade de se crer que algum deles fosse  seu discípulo. Primos com certeza não eram, pois fica extremamente estranho que filhos de outro casal  pudessem ter essa autoridade dentro de um domicilio que não fosse o deles: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes”. Os judeus queriam assassinar o Senhor Jesus e eles empurravam o próprio irmão para o matadouro.

Portanto, podemos excluir o Tiago e o Judas discípulos de estarem entre os citados irmãos descrentes de Jesus por vários motivos, sendo que dois dos mais importantes encontra-se em duas referências nas Escrituras: na pequena epístola de Judas e em João capítulo seis. A segunda referência está apenas alguns versículos antes do encontro entre Jesus e seus irmãos incrédulos. A primeira está na pequena epístola de Judas. Esse Judas que se declara irmão de Tiago diz claramente que não estava entre os doze:

Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências, Judas 17,18.

Quanto a João seis, podemos ver dois milagres de Jesus: A multiplicação dos pães e a ocasião em que ele anda sobre as águas. O resultado desses acontecimentos na vida dos discípulos foi muito marcante. Depois do milagre da multiplicação dos pães, e depois de deixar doze cestos cheios para os apóstolos, eles confessam: … Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo, v 14.

Simão Pedro fecha o capítulo da seguinte forma: … nós [os doze] temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente, vv 68,69.

Portanto, é inadmissível aceitar que algum desses discípulos crentes do dialogo final no capítulo seis pudessem estar presentes entre os irmãos incrédulos de Jesus apenas sete versículos depois. No entanto, o cenário de incrédulos no inicio do capítulo sete de João exige um Tiago e, coincidência ou não, tem um Tiago citado entre os familiares de Jesus como foi confirmado em Mateus 13:55. O evangelista registra que ele está entre outros três – são seus [de Jesus] irmãos,  Tiago, José, Simão e Judas.

Repetindo: João e Marcos confirmam que havia incrédulos na família do Senhor – que seriam exatamente seus irmãos: Nem mesmo seus irmãos criam nele”, diz João. E Marcos declara que nem na sua casa Jesus tinha honra (Marcos 6:4). Marcos  não diria isso se os opositores de Jesus não fossem irmãos de sangue. Por isso a declaração envolve, exatamente, pessoas nascidas da mesma mãe quando diz que ele não tinha honra na sua própria casa.

Além disso, descobrimos um registro de Paulo mostrando que Jesus aparece ressuscitado para certo Tiago (1ª Coríntios 15:7). Notável é, que após essa aparição de Jesus para esse cidadão que tem o nome de Tiago nós encontramos os chamados, irmãos de Jesus, outrora incrédulos, orando no cenáculo com Maria e os outros discípulos em Atos 1;13,14: E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas Tadeu. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos.


Mais evidências

É preciso  enfatizar que em todos os contextos sobre as aparições de Jesus depois da sua morte encontramos evidências de que as manifestações foram necessárias para desfazer dúvidas com relação a sua ressurreição. Não foi diferente com esse Tiago como veremos mais adiante. É evidente que Jesus apareceu redivivo para ele com o intuito de testificar da sua ressurreição. Além do mais, há outra prova irrefutável que revela que o Tiago de Alfeu, que é um dos doze, não é o mesmo Tiago conhecido como irmão do Senhor – este Tiago discípulo nunca foi chamado para fazer parte do grupo íntimo de Jesus.

Se a dogmática católica afirma que os Tiagos são um só, tendo sido ele um dos doze, e tendo ele permanecido por longo tempo muito próximo da “virgem” Maria, por que jamais foi escolhido para o grupo íntimo do Senhor, mas o Tiago ali citado nas ocasiões especiais foi  o irmão de João? Pedro, Tiago e João foram os únicos que viram a ressurreição da filha de Jairo (Mat. 9:23-26) e a transfiguração de Jesus (Marc. 9:2), e que estiveram com Jesus no Getsêmani  (Marc. 14:33).

Imagine você caro amigo leitor: o primo de Jesus, como deseja o catolicismo, que seria bispo em Jerusalém, o qual sempre foi visto acompanhando a virgem Maria não conseguiu um lugar de destaque no grupo particular de Jesus. É inacreditável que nem a influência da figura mariana fosse capaz de chamar a atenção do filho para que este pudesse fazer deste Tiago – parente tão próximo da família – um quarto participante do seu grupo intimo. Na verdade, o  Tiago citado como irmão do Senhor em Mateus 13:55 nunca entrou no grupo particular de Jesus por dois motivos: era incrédulo quanto ao ministério do irmão e não fazia parte dos doze apesar de ser um judeu que acreditava no Deus de Israel.


Jesus apareceu para qual Tiago?

Jesus apareceu a certo Tiago – se nos baseamos na tese católica devemos concordar que esse Tiago era um dos doze.  No entanto, por que Jesus deveria aparecer para esse sumido, quieto, silencioso e inofensivo Tiago em particular depois dele ter presenciado duas aparições do Senhor Jesus ressuscitado junto com os discípulos? Por que um encontro entre Jesus e o filho de Alfeu separado dos outros?

Insisto, pois é muito séria a situação: Por que deveria este “inexpressivo” Tiago exigir de Jesus uma atenção especial ao ponto de ele se manifestar ao discípulo uma terceira vez, e em particular? Jesus já havia aparecido para o filho de Alfeu duas vezes em duas ocasiões, no mesmo lugar: quando este estava trancado junto com os outros  dentro de uma casa em Jerusalém com medo dos judeus.

Vamos saber o que realmente aconteceu…

Leia atentamente I Coríntios 15:3-7:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Paulo registra cinco aparições de Jesus. Apesar de não estar explícito no contexto, quando ele cita “aos doze”, ele pode estar fazendo alusão a segunda das três vezes em que a Bíblia registra as aparições tradicionais de Jesus aos discípulos. De qualquer forma, em uma das vezes, a primeira, Tomé não se fazia presente.

Um comentário aqui sobre o numeral doze é necessário. Se Paulo, depois de tantos anos, registra o fato contando com Matias, temos doze discípulos realmente. Alguns estudiosos do texto bíblico concordam que Paulo apenas tentou manter o colegiado adicionando doze como simbolismo para preservar a instituição apostólica, o que não deixa de ser uma excelente explicação. Outros acreditam que Paulo ou algum copista posterior cometeu um erro.

Porém, há um problema para essa teoria dos doze, e ela se encontra em João 20:24 onde o apóstolo também registra doze no contexto da ressurreição. Ele diz que depois de uma das aparições de Jesus aos  discípulos “Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles…”. Com eles quem, OS OUTROS ONZE originais? Isso é assunto para outro artigo, onde vamos descobrir exatamente quando Judas cometeu suicídio. E garanto que vai surpreender a muitos.

O que devemos considerar é que, os relatos de Paulo sobre o Jesus ressuscitado se manifestando aos discípulos coincidem com alguns relatos dos evangelistas. Devemos lembrar que na primeira aparição citada, o Tiago de Alfeu estava presente, pois ele era um dos discípulos. E posteriormente,  quando o Senhor se revela a Tomé o mesmo Tiago obviamente também estava entre eles. O problema é que apesar do texto deixar explícito que Jesus já havia se manifestado para este Tiago, acontece algo que parece inexplicável e é um problema enorme para a apologética católica romana: Paulo simplesmente registra que o Senhor “… apareceu a Tiago” verso 7.

Numa das vezes – a primeira – que o Senhor se revela ressuscitado aos discípulos a Escritura esclarece que “estando as portas cerradas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:19). O verso 24 diz que o único ausente era Tomé, o que nos permite inferir que o Tiago de Alfeu foi um dos que viu o Senhor e se alegrou  junto com os outros quando  este “mostrou-lhes as suas mãos e o lado”, João 20:20.

Oito dias depois da primeira aparição o relato bíblico atesta que Jesus voltou a vê-los; nessa ocasião Tomé se encontrava no grupo e “chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”, v 26.

Um detalhe curioso pode chamar a atenção nessas narrativas: Parece que os discípulos não deixaram o lugar em que estavam entre uma aparição e outra. Eles estavam escondidos com medo dos judeus atrás  de portas cerradas:

Leia novamente os dois textos já citados: Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco, João 20:20.

Jesus lhes aparece outra vez uma semana depois e pelo que consta no relato eles não mudaram de local:

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco, v 24.

A aparição para Tiago não pode estar nesses dois registros de forma alguma e, possivelmente não está também entre eles, em algum ponto no  espaço de oito dias. Parece que Paulo localiza a manifestação para “todos os Apóstolos” quando  Jesus foi visto pela última vez,  ao ar livre, imediatamente antes de sua ascensão, aparecendo para Tiago pouco antes dessa ocasião. Faça sua própria análise: “[Jesus] apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Afinal de contas, quando Jesus apareceu redivivo para Tiago? É fato que o Senhor se manifesta para ele em ocasião distinta daquelas que aparece para os Apóstolos. Ele se mostra ressuscitado a primeira vez sem Tomé. O detalhe importante no verso acima é que Paulo diz que Jesus aparece para Cefas (Pedro?) antes de aparecer aos discípulos. No entanto, Pedro jamais viu o Senhor ressurreto antes dele se manifestar aos discípulos pela primeira vez.

Lucas diz que quando Pedro foi ao sepulcro, depois de ser avisado pelas mulheres, apenas viu as vestes de Jesus (Lucas 24:12). No verso 24, na conversa com Jesus após a ressurreição, um dos discípulos de Emaús deixa claro que Pedro não viu Jesus nessa ocasião: E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. Isso aconteceu antes da primeira aparição do Senhor aos discípulos, aquela sem Tomé. E entre a primeira e a segunda manifestação de Jesus aos discípulos, Jesus também não apareceu a Pedro em particular.

Jesus lhes aparece mais uma vez estando alguns deles no mar da Galileia (João 21:1-14). O verso catorze esclarece que aquela já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos. Somente aqui nessa ocasião é que ele tem um diálogo com Pedro (vv.15-19).

Quando foi que Jesus apareceu a Pedro em particular? Quem é esse Cefas que Paulo menciona? É certo que Paulo não está registrando em sequência todas as aparições do Senhor aos discípulos.  Ele fala em doze discípulos estando presentes na primeira depois que cita ter Jesus aparecido a Cefas e, para todos os Apóstolos, logo depois de dizer que Jesus apareceu para Tiago. Veja: Jesus apareceu a Cefas e depois aos doze, depois a mais de quinhentos irmãos, depois a Tiago e depois a todos os Apóstolos.

A interpretação tradicional exige que o versículo seja redigido da seguinte forma: Jesus apareceu a Pedro, depois apareceu aos discípulos pela primeira vez estando eles trancados numa casa, depois apareceu a mais de quinhentos irmãos, depois apareceu a Tiago e depois aparece novamente aos discípulos no mesmo lugar anterior. Tradição é difícil de se quebrar, principalmente quando reforçada por histórias e filmes que resumem as aparições de Jesus aos discípulos em duas: quando estes estavam trancafiados numa residência em Jerusalém.

Vale notar que Paulo omite essa aparição citada acima por João em 21:1-14 que ocorreu no mar da Galileia – os discípulos estavam apenas em sete, não mais que isso. E vale lembrar que as duas primeiras manifestações do Senhor ressuscitado ocorreram em Jerusalém, não na Galileia, onde ele aparece aos discípulos mais vezes.  Nas duas primeiras vezes em que ele aparece aos discípulos, notamos que algumas mulheres e dois deles correram ao sepulcro e voltaram para casa. Isso indica que eles não podiam estar na Galileia, mas sim em Jerusalém.

O que isso tudo implica? Implica em problemas enormes para a dogmática católica resolver, pois é também possível estabelecer que apenas depois das manifestações do Jesus ressurreto em Jerusalém para os discípulos é que o Senhor aparece para Tiago. Isso é muito significativo – mostra ainda mais a impossibilidade de o Tiago citado ser o mesmo Tiago discípulo. Se este último já havia visto o Senhor Jesus por, pelo menos, duas vezes, ter se alegrado com os outros vendo suas marcas, que necessidade haveria de Jesus se revelar a ele uma terceira vez?

Veja Paulo novamente na última parte do versículo: Jesus apareceu… a Tiago e depois a todos os Apóstolos.

Essa última pode ter sido aos discípulos numa montanha na Galileia quando Jesus lhes aparece e comanda que eles batizem em seu nome e também façam discípulos em todos os povos (a chamada Grande Comissão – Mateus 28:18-20). Não devemos esquecer que em Atos temos um registro geral das aparições do Senhor aos discípulos, acrescentando que após a sua morte ele ainda fica com os seus por quarenta dias antes de ascender aos céus.

“… FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes, Atos 1:1-4.

Um detalhe no contexto revela que Jesus esteve com eles, e foi visto por eles, durante quase dois meses antes de ir para o Pai. Os evangelhos não registram que Jesus lhes aparece apenas três vezes, mas diz sobre certa ocasião que já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos, João 21:14.

Isso é revelador, pois indica que ele foi visto mais vezes ao dizer que ele esteve com os discípulos por quarenta dias. Significa que ele lhes apareceu mais vezes do que se registra nas Escrituras. E entre todas as aparições, Paulo destaca aquela em que Jesus se manifesta a Tiago simplesmente porque este não é o discípulo, mas sim irmão de Jesus.

Podemos concluir sem dúvidas que as circunstâncias da narrativa indicam fortemente que o Tiago que esteve em companhia de Jesus por quase dois meses – tempo que deve ser contado da primeira manifestação dele ressuscitado até a última  não é o mesmo Tiago conhecido como seu irmão. Este só o viu ressuscitado depois, sendo impossível ter estado entre aqueles aos quais Jesus  se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias.

O que Lucas diz – aquele Lucas que procurou estar certo das coisas antes de escrever – é que da primeira manifestação de Jesus até a última temos um total de quarenta dias. E Paulo esclarece que um Tiago só viu Jesus ressuscitado semanas depois de ele aparecer para os discípulos:  foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos.

O incrédulo irmão de Jesus não podia estar presente desde a primeira aparição, entre aqueles que o viram por um espaço de quarenta dias. Ele não era um dos doze, por isso o Senhor se manifesta a ele fora da presença dos outros discípulos.

Nos relatos de Paulo e João há um cuidado em esclarecer que Jesus aparece aos discípulos. Veja novamente Paulo quando  diz que Jesus apareceu a Cefas, e depois aos doze”, I Coríntios 15: 3-5. João também descreve os discípulos quando fala de uma das aparições em João 20:20: Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana… chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. Depois disso Paulo diz que Jesus apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram”.

E, por fim, Paulo afirma que Jesus Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos", v 7.

O detalhe importantíssimo é que, tanto Paulo como João deixaram registradas as aparições de Jesus citando os discípulos, mas apenas Paulo relata o encontro entre Jesus e Tiago sem dizer que os outros estavam juntos. O ponto principal no contexto é que podemos observar sem complicações e tradições que Jesus e Tiago não estavam no mesmo local em que ocorreram as outras aparições do Senhor aos discípulos.  Primeiro Jesus aparece para Cefas e depois  aos discípulos, depois para mais de quinhentos irmãos, depois para Tiago e depois para todos os apóstolos.

Insisto: não há possibilidade alguma do fato ter ocorrido no  local original onde se encontravam os outros Apóstolos às portas trancadas, pois além deles não serem mencionados, há outras evidências citadas que não nos permite aceitar a proposta católica romana.

Jesus apareceu para este Tiago em outro lugar pelo simples fato de tratar-se do seu irmão incrédulo e não do Tiago filho de Alfeu, discípulo contado entre os doze. Jesus se manifesta para o filho de sua mãe, tendo como pai, José. Percebe-se claramente que o relato acompanha uma sequencia exigida por necessidade de comprovação da ressurreição. Alguém estava precisando de uma comprovação maior, e seu nome era Tiago, mas não o filho de Alfeu contado entre os doze.

Adiciono aqui um comentário bem oportuno:

«Na verdade, quando analisamos o texto dentro do seu contexto, torna-se até difícil imaginar que o Tiago ali citado fosse mesmo um dos doze. Pense comigo. Jesus aparece primeiro a Pedro. Depois aparece aos doze discípulos (Tiago ali incluído, obviamente). Depois aos quinhentos irmãos e depois a Tiago novamente. E depois volta a aparecer a Tiago de novo, já que Jesus apareceu depois a “todos os apóstolos”. Então, o que o Macabeus quer nos fazer acreditar é que Jesus apareceu a Tiago três vezes!

Somente Pedro recebe a visita do Senhor três vezes, mas isso por uma boa razão: ele havia negado Jesus três vezes e se arrependido amargamente, debruçando-se em lágrimas (Lc. 22:62). Pedro necessitava de um reencontro particular com Cristo, para se retratar pessoalmente com o Mestre. Mas o que levaria Jesus a fazer o mesmo com Tiago, se este Tiago não é aquele mesmo irmão de Jesus que antes disso era incrédulo, e que, portanto precisava tanto de uma aparição pessoal do Cristo ressurreto quanto Pedro precisava?

Se este Tiago era um dos doze, não haveria nenhuma razão para Jesus abrir exceção a ele, como fez a Pedro. Não há nada nos evangelhos que enfatize um dos dois Tiagos que eram discípulos de Jesus. Não há nenhuma negação pública, nenhum acontecimento, nenhuma coisa que pedisse uma intervenção sobrenatural para um encontro particular entre esse Tiago e Jesus. Bastaria a aparição geral de Cristo, como ocorreu duas vezes na presença de todos os apóstolos. Isso simplesmente não faz lógica na perspectiva de que esse Tiago fosse um dos doze.

Mas é totalmente lógico na perspectiva de que esse Tiago fosse justamente o antes incrédulo irmão de Jesus. Ele precisava de um encontro pessoal que o tirasse da incredulidade e que lhe desse a oportunidade de concertar as coisas com Cristo em particular, assim como Jesus fez com Pedro. E isso também explica por que esse Tiago aparece com tanta notoriedade no Novo Testamento dali em diante. Ele lidera o Concílio de Jerusalém de Atos 15. Este Tiago era tão conhecido e importante que Judas precisou apenas se identificar como o “irmão de Tiago” (Jd.1) em sua epístola, e Pedro ao ser liberto fez questão de pedir que Tiago fosse notificado disso (At.12:17).

Se este Tiago com uma autoridade tão proeminente não era o irmão de Jesus, então quem era? O Tiago irmão de João já tinha morrido há muito tempo (At.12:2), e o outro Tiago discípulo era irrelevante e sem notoriedade entre os doze, tanto é que só aparece nos evangelhos quando é listado junto aos outros doze. Esse importante Tiago, que surge subitamente exercendo grande liderança justamente a partir da ressurreição de Jesus, só poderia ser o terceiro Tiago, o irmão de Jesus, que passou a exercer essa liderança após sua conversão ao se encontrar com o Cristo ressurreto» (1).



“Sua mãe está lá fora com Tiago”

Parece que a situação de Jesus com seus familiares não estava favorável a ele. Havia algumas diferenças, e de tão absurdas eram essas diferenças,  que Marcos nos deixa um registro onde podemos ver seus irmãos e sua mãe saindo para prendê-lo, pois acreditavam que Jesus estava fora de si. Veja a passagem, que além de revelar o descaso de sua família, também mostra mais uma vez os discípulos separados dos irmãos dele.

Marcos diz que Jesus subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele.  E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios:  A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, e a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão; e a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote, e a Judas Iscariotes, o que o entregou”.

O versículo imediato revela que todos eles entraram numa casa: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão, Marcos 3:13-20.

O verso 21 nos diz que sua família foi atrás dele: E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

O grego aqui para “os seus”, é “par autou”, que significa “os pertencentes a ele”, ou seja: membros da sua família. O verso 31 finalmente nos revela quem eram esses da família: Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar.

Claramente podemos ver os irmãos do Senhor do lado de fora da casa, enquanto lá dentro com Jesus estavam seus doze discípulos e, é claro, entre eles se encontravam, Tiago, filho de Alfeu e Judas.

Mais um texto que fala por si só, também não havendo necessidade de mais comentários se não fosse por um fato curioso. Observem o que acontece nos versos seguintes:

E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora.  E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?  E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.  Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe, vv 32-35

Por que Jesus evitou sua família retrucando que verdadeiramente sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem vontade de Deus? Não seria por que, além dos judeus, seus familiares não estavam fazendo a vontade de Deus?

O próprio Deus é quem sabe…


Falando para os irmãos e para os discípulos

No diálogo entre Jesus e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas em João 7:6,7, encontramos  algo surpreendente:

Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está prontoO mundo não vos pode odiarmas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”.

Note que temos aqui mais uma pista nos revelando que Jesus não dialogava com nenhum discípulo quando estava diante dos seus irmãos. Veja novamente o que Jesus diz a eles … O mundo não vos pode odiar”.

Agora veja o que Jesus diz aos discípulos oito capítulos depois:

...o mundo vos odeia” (João 15:19)

Portanto, o que temos aqui é o seguinte: O que Jesus diz aos seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas, que eram incrédulos nessa ocasião, é: “O mundo não vos pode odiar”. No entanto, para os discípulos, e dentre eles outro Tiago e outro Judas, ele diz, “o mundo vos odeia”.

Evidente que Tiago, irmão do Senhor e o Tiago discípulo não eram os mesmos. Jesus apareceu redivivo para seu irmão Tiago, um dos incrédulos de João 7, que atraído pela ocasião começou a mostrar sua fé se juntando aos onze discípulos em oração. Vemos isso em Atos 1:13, 14. Ali é dito claramente que os que estavam no cenáculo eram: Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Essa tradução reconhece esse Judas como filho de um Tiago e não como irmão dele. No entanto, outra tradução baseada em melhores manuscritos o chama apenas de Judas Tiago e algumas outras o denomina de Judas Tadeu. O certo é que ele não tem parentesco algum com o Tiago filho de Alfeu.

Observem que no verso treze nós já vemos listados os nomes de onze apóstolos. Entre eles podem ser vistos Tiago de Alfeu e Judas. O problema, que não é dos menores, está no texto imediato, que registra: “Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”.

Simplesmente irrefutável essa situação onde presenciamos de forma explícita os irmãos de Jesus sendo citados separados dos discípulos. O nome deles? Sim, aqui estão: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mateus 13:55).

Os detalhes importantes são: “Sua”, quando identifica a mãe e, “Seus”, quando identificam os irmãos – isso significa que todos estão entrelaçados como família de sangue.

Observe que temos listado quatro nomes aqui: Tiago, José, Simão, e Judas. Antes dos nomes se lê claramente: “Sua mãe e seus irmãos…”. Vemos a mesma formação textual em João 2:12, “sua mãe, seus irmãos”, quando nos voltamos um pouco mais no ministério de Jesus:  “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãose seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

Atente para estes detalhes: Mateus mostra “… sua mãe… seus irmãos…”, onde são listados os nomes destes.

João apresenta “… sua mãe, seus irmãos…”. Aqui está sem nomes.

Pelo fato dos nomes estarem registrados em apenas duas passagens dos Evangelhos – Mateus e Marcos – não significa que nas referências sem nomes – trazendo apenas os termos seus irmãos” – não sejam as mesmas pessoas. Muito pelo contrário; por  serem as mesmas pessoas citadas nominalmente em um contexto  não houve necessidade de que os evangelistas repetissem seus nomes nas outras ocasiões.

Podemos encontrar relatos semelhantes no Velho Testamento com José e seus irmãos e com Davi e seus irmãos. Algumas poucas passagens trazem os nomes dos irmãos de Davi e José, mas a maioria das outras referências aos mesmos, apenas dizem: seus irmãos.

Portanto, o que temos, por exemplo,  em João 2:12 e Atos 1:13,14 poderia ser , de forma extremamente  escancarada,  o seguinte: Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas], e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago.  Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ]”.

Aí está o terceiro Tiago, caminhando ao lado dos outros discípulos. Agora, sendo mudado de  forma tão extraordinária ao ponto de, mais tarde, se referir ao seu irmão como nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória (Tiago 2:1). Ele era filho de José com Maria, provavelmente  mais velho que os outros três irmãos, porém, mais novo que Jesus, que foi o primogênito:

E José… não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito…”,
Mateus 1:25, que para desespero de muitos a tradução da NTLH e a NVI vertem o verso como seguem,

“Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”.

“Porém não teve relações com ela até que a criança nasceu. E José pôs no menino o nome de Jesus”.

O uso da palavra “conhecer” é um eufemismo comum para  relação sexual. O “até que”  deve significar  que José e Maria se abstiveram de relações sexuais antes do nascimento de Jesus. Aqui, neste contexto, o “até que” não implica que  eles jamais  tiveram relações sexuais, mas  confirma o fato de que, onde a frase seguida de um negativo ocorre, indica que a ação negada teve lugar mais tarde. O coito subsequente foi  inevitável, pois   acompanhava  necessariamente o curso natural da relação entre  marido e mulher.


Conclusão

Portanto, depois do que foi aqui explanado, podemos firmemente concluir que o Jesus ressuscitado apareceu mesmo foi para um de seus irmãos incrédulos, Tiago, mas não o discípulo e filho de Alfeu e  sim seu irmão legítimo,  filho de sua mãe, o qual o salmista já profetizava como alguém que estaria nas fileiras daqueles que por algum tempo duvidariam do ministério do Senhor: “Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe”, Salmos 69:8.

As duas sentenças foram registradas para não deixar nenhuma dúvida: Meus irmãos… FILHOS da MINHA mãe…”. O texto não faz alusão a Davi. O Salmo 69 e um salmo messiânico. Um dos vários que incluem palavras proféticas sobre o filho de Deus. Preste atenção em outro verso do mesmo salmo: Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre, v 22.

Os textos falam por si só não havendo necessidade de interpretação.

Deus seja louvado! 

Por: Alon Franco (A Grande Cidade)


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