26 de março de 2017

O livre exame de Barnabé que enterra o magistério infalível

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O livre exame é um dos ensinos protestantes mais atacados pelos papistas, ou talvez o mais atacado. Todo mundo já conhece a lenga-lenga de sempre: nós evangélicos não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”, e a mesma só pode ser interpretada através da interpretação infalível do magistério católico. Ou seja, ninguém é realmente livre para ler e interpretar as Escrituras, o único livre de fato é o papa, e o resto que se lasque, vai ter que concordar com a interpretação do papa querendo ou não, sendo ela boa ou não.

E inacreditavelmente existem apologistas católicos que acham que na era patrística as coisas funcionavam assim (pasme!), quando basta uma breve leitura nos escritos dos Pais para perceber o quão óbvio era que eles interpretavam a Bíblia com total liberdade tal como um evangélico faz nos dias de hoje, sem condicionar essa interpretação a um “magistério infalível” romano. Como citar toda a patrística aqui seria impossível, mencionarei aqui apenas um autor, mas se necessário for publicarei mais outros artigos com outros autores. Trata-se de Barnabé de Alexandria, um cristão do segundo século que escreveu uma carta conhecida pelo nome de “Epístola de Barnabé”. As citações podem ser conferidas neste famoso site católico para ninguém acusar adulteração.

Vejamos, portanto, algumas interpretações de Barnabé, para concluirmos se ele seguia à risca um magistério infalível ou se interpretava as Escrituras livremente. Comecemos com essa interpretação dele dos 318 homens circuncidados por Abraão:

“Com efeito, ele diz: ‘E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens’. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos” (Epístola de Barnabé, 9)

Bom, eu particularmente nunca vi um católico sustentando essa interpretação como legítima, muito menos vi algo do tipo constando no Denzinger, o compêndio oficial dos ensinamentos da Igreja Católica. É, parece que Barnabé estava interpretando a Bíblia livremente...

E tem mais essa interpretação que ele faz sobre as proibições de certos tipos de alimentos importas por Moisés:

“Moisés disse: ‘Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas’. Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: ‘Exporei a esse povo as minhas decisões’. A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz sobre o ‘porco’. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido, volta a se calar. Ele diz: ‘Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo’. Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade. Ele continua: ‘Não comerás moreia, nem polvo, nem molusco’. Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo” (Epístola de Barnabé, 10)

Também nunca vi um católico interpretar desta maneira. Aliás, me parece ousado demais para um católico interpretar deste jeito. Como já disse certo apologista católico, “católico não tem interpretação pessoal da Bíblia; católico segue a interpretação da Igreja”. Mas não há nada que indique que a Igreja assumia a interpretação de Barnabé neste e nos outros pontos. Portanto, Barnabé interpretava a Bíblia livremente, tal como um protestante faz hoje.

Por meio de interpretação pessoal, Barnabé também concluiu que o mundo acabaria em seis mil anos:

“Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: ‘Santificai o sábado do Senhor com mãos puras e coração puro’. Em outro lugar, ele diz: ‘Se meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha misericórdia’. Ele menciona o sábado no princípio da criação: ‘Em seis dias, Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o santificou’. Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: ‘terminou no sétimo dia’. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: ‘Eis que um dia do Senhor será como mil anos’. Portanto, filhos, em ‘seis dias’, que são seis mil anos, o universo será consumado. ‘E ele descansou no sétimo dia’. Isso quer dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no sétimo dia” (Epístola de Barnabé, 15)

Eu procurei no catecismo católico e não achei uma afirmação dessa natureza (que pena). Parece que Barnabé estava fazendo livre interpretação de novo. Se ele vivesse nos dias de hoje, não seria considerado pelos papistas mais do que um “protestante rebelado” e “filho da serpente”, lamentavelmente.

Ou então imagine que isso tenha sido um ensinamento oficial do infalível magistério da Igreja Romana:

“E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira – de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate – e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaac e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor” (Epístola de Barnabé, 8)

Não, acho que não!

Que conclusão podemos tirar da Epístola de Barnabé? Aqui vão algumas dicas:

Primeiro, que Barnabé não precisava de um magistério romano para porcaria nenhuma. Ele não reconhecia a existência de um. Se reconhecia, o ignorava sumariamente e o tratava como se não existisse.

Segundo, que as interpretações dele eram livres e não meramente uma repetição de ensinos oficiais de uma instituição religiosa em particular. Suas interpretações não têm paralelo nem em outros Pais da Igreja, embora os outros Pais também tivessem suas próprias interpretações pessoais de outros trechos da Escritura.

Terceiro, ninguém da época se levantou contra a livre interpretação de Barnabé. Não houve papas, ou bispos romanos, ou cardeais ou quem quer que seja chamando Barnabé de herege ou o excomungando pelo simples fato de ter interpretado a Bíblia livremente. Barnabé seria herege para os padrões atuais e modernos da Igreja Romana, mas a Igreja antiga, que não tinha nada de Romana, o aceitava com naturalidade. O livre exame em si não era um problema. O problema é quando a interpretação debandava para uma heresia. É o mesmo conceito que os protestantes têm, e não o conceito católico onde o próprio livre exame já é condenado per se.

Quarto, se Barnabé não praticava livre exame, mas apenas seguia as interpretações oficiais da Igreja Romana, então por que a Igreja Romana atual não segue nenhuma das análises de Barnabé sobre as questões acima levantadas? Teria ela aderido a estes ensinos e depois mudado de opinião sem ninguém ficar sabendo? E se é assim, como ficaria a infalibilidade da Igreja? Ou a Igreja Romana de antes era totalmente diferente da atual, ou os apologistas católicos mentem sobre existir magistério infalível na época de Barnabé.

Imagine se Barnabé vivesse nos dias de hoje, e escrevesse tudo isso sem constar em parte nenhuma do catecismo, das bulas, das encíclicas, dos concílios e de outros documentos tidos como oficiais. Imagine ele ignorando totalmente a existência de um suposto papa infalível com um suposto magistério infalível interpretando a Bíblia infalivelmente, e em vez disso fizesse livres interpretações pessoais da Escritura, como ele fazia. Como ele seria tratado? Certamente, seria taxado como um “herege rebelado” que se insurge contra a autoridade papal. Se o lema católico de que católico não interpreta por si mesmo está certo, então Barnabé não era católico, mas qualquer coisa bem longe disso.

Vale ressaltar que eu não estou aqui dizendo que as interpretações de Barnabé estavam certas ou erradas. Isso é o de menos. O ponto realmente importante nesta questão era a sua liberdade de interpretar as Escrituras por conta própria, princípio este condenado da forma mais atroz e selvagem pelos nossos amigos papistas. E se algum apologista católico realmente imagina que Barnabé era uma exceção e que os outros Pais da Igreja não praticavam o livre exame, precisa voltar urgentemente ao planeta Terra – ou melhor, precisa começar a estudar um pouco.

Barnabé era apenas o reflexo do consenso de todos os cristãos primitivos, e Pais da Igreja como Clemente de Alexandria e Orígenes foram ainda muito mais longe na criatividade interpretativa. E mesmo que se alegue que certos concílios regionais condenaram certas crenças de Orígenes, isso só reforça o argumento protestante, visto que Orígenes nunca foi condenado pelo ato de interpretar a Bíblia livremente, mas sim por aderir a certos ensinos antibíblicos. Ou seja, a liberdade de interpretar a Bíblia nunca esteve em xeque, em momento nenhum. O problema sempre foi a interpretação errada que culminasse em heresias, que é o mesmo rejeitado por protestantes como o autor deste blog. Uma coisa é poder interpretar a Bíblia, outra coisa é essa interpretação estar certa. Protestantes não creem que qualquer interpretação esteja certa, da mesma forma que a Igreja antiga não cria, mas também não proíbem a livre interpretação, da mesma forma que a Igreja antiga não proibia.

Mesmo assim, acredite: ainda haverá indivíduos que insistirão que todos os Pais da Igreja, inclusive Barnabé, não praticavam livre exame algum, mas em vez disso se limitavam apenas a seguir a interpretação oficial de um extraordinário magistério romano infalível, na pessoa de um extraordinário papa romano infalível – e tudo isso numa época em que papa e magistério sequer existiam. É rir pra não chorar. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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24 de março de 2017

Maria era uma mulher qualquer?

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Antes de ler este artigo, recomendo que leia este outro que trata de questões importantes e intimamente relacionadas a este aqui. É onde eu mostro o que os evangélicos creem sobre Maria e o que não creem à luz da Bíblia, e desmascaro o truque católico que consiste em dizer que nós “odiamos Maria” só porque não cremos nos ridículos e tardios dogmas marianos inventados por Roma:


No presente artigo eu irei desmantelar outra acusação papista, a de que nós afirmamos que Maria era uma “mulher qualquer”. Geralmente essa acusação é fruto de um espantalho criado em debates quando o debatedor protestante não disse nada disso. Por exemplo, quando um evangélico afirma que Maria era um ser humano e não uma deusa, e então o papista enraivecido e espumando pelos dentes esbraveja impropérios contra o crente e o acusa de dizer que Maria era uma “mulher qualquer”.

Mas afinal: Maria era uma mulher qualquer? Minha resposta é: Sim. E não.

Deixe-me explicar. O ponto crucial por detrás dessa acusação não está em Maria, mas no “qualquer”. O “qualquer” é a ênfase da frase. Então é preciso primeiro definir o que é “qualquer”, o que o debatedor entende pelo termo, para não trocar alhos com bugalhos. Quando um protestante alega que Maria era uma “mulher qualquer”, ele não está dizendo que Maria era uma ordinária, uma desprezível ou insignificante, como entende o debatedor católico, distorcendo o termo propositalmente. Ele está meramente sustentando que Maria não era “mais” mulher do que as outras mulheres, isto é, que ela era apenas uma mulher e não uma deusa ou semideusa, como pensam os católicos.

Ou seja, o “qualquer” não está em um sentido pejorativo, não está diminuindo a pessoa de Maria, está apenas ressaltando que ela era tão humana quanto qualquer outra mulher. Na Bíblia, todas as mulheres foram igualmente criadas à imagem e semelhança de Deus como criaturas dEle. Todos os seres humanos têm igual valor diante de Deus, e se alguém nega isso não estará passando longe do pensamento nazista que sustentava que existia tipos de pessoas superiores e outros tipos de pessoas inferiores. Deus ama igualmente a todos os homens, mulheres e quem quer que seja, independentemente de raça, nação, época ou papel que desempenha na vida. Fora disso não é Cristianismo: é idolatria, quando se coloca um ser humano acima de todos os demais, às vezes até dividindo o foco com Deus.

Essa questão foi debatida nas Escrituras algumas vezes. Certa vez uma mulher (qualquer?) no meio da multidão disse a Jesus:

“Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste!” (Lucas 11:27)

O que foi que Jesus respondeu? Se ele fosse católico, saberíamos muito bem como seria a resposta, e exaltaria Maria ainda mais. Mas o que ele realmente respondeu foi:

Mas ele disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guarda” (Lucas 11:28)

Note que Lucas, o evangelista, introduz a resposta de Jesus com um “MAS”, para deixar claro que ele estava contrapondo o que foi afirmado pela mulher. E quando cita a resposta de Jesus, inicia com um “ANTES”, colocando qualquer pessoa que ouve a palavra de Deus como bem-aventurado antes que Maria. Aquela mulher da multidão achava que Maria era especial e mais importante que todas as outras por ter dado à luz a Jesus – este é exatamente o mesmo argumento católico! –, mas Jesus a contradiz e coloca qualquer pessoa que guarda a palavra de Deus acima.

Ou seja: se Maria era bem-aventurada, era por guardar a Palavra de Deus, sendo portanto tão bem-aventurada quanto qualquer outra pessoa que também guarda a Palavra, e não de uma forma privilegiada e superior só por ter sido a sua mãe. Essa é uma mensagem dura, é verdade. É uma afronta aos ouvidos dos católicos mais fanáticos, que exaltam Maria indevidamente com exatamente o mesmo argumento usado pela mulher da multidão a quem Jesus contrariou. Mas é a verdade, custe o que custar: Jesus não coloca Maria em um pedestal por ter sido sua mãe. O “pedestal” é guardar a Palavra de Deus, e nisso todos os que praticam estão juntos.

Outro texto onde este pensamento se torna ainda mais claro está em Marcos 3:32-35, que diz:

"E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, QUALQUER que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe" (Marcos 3:32-35)

Aqui Jesus não apenas privilegia sua família espiritual em detrimento de sua família natural – e incluindo explicitamente a sua mãe nesse conjunto – mas também usa o termo “qualquer”, tão opressivo aos tridentinos. Sim, o que Jesus estava dizendo é que QUALQUER um que fizer a vontade de Deus é o seu irmão, sua irmã e sua mãe. Se Jesus diz que qualquer um pode ser como Maria se fizer a vontade de Deus, então Maria é como qualquer um que fizer a vontade de Deus. Isso é lógica simples e básica. Espiritualmente falando, Maria era uma mulher “qualquer”, igualada a todos os outros que fizessem a vontade de Deus.

Isso não é diminuir Maria, mas elevar todos os outros em igual dignidade. Na cabeça do apologista católico, só se pode honrar Maria se rebaixa todos os outros. Na Bíblia, Maria está no mesmo grupo dos outros que buscam a Deus, não porque ela seja desprezível, mas porque os outros são tão importantes quanto ela em sentido espiritual perante Deus. Enquanto o católico rebaixa todo mundo para elevar Maria de uma forma idólatra, a Bíblia eleva todos, sem exceção, que fazem a vontade de Deus, aos olhos de Deus. Ela não exalta uma para rebaixar os demais; ela exalta os demais igualando todos sob a misericórdia e o amor de Deus.

Mas eu havia dito que a resposta era “sim” e “não”, e até agora só disse a parte do “sim”. Vamos então à parte do “não”: Maria não era uma mulher qualquer, se o termo “qualquer” estiver sendo usado em um sentido pejorativo, ou seja, se estiver falando de uma mulher ordinária, desprezível, insignificante ou sem valor. Ainda que estes não sejam significados intrínsecos ao termo “qualquer”, é essa a imagem que muitos associam quando ouvem essa palavra, ao menos em língua portuguesa. Óbvio que Maria não seria “qualquer” neste sentido. Nenhum protestante afirmaria uma coisa dessas, porque não é a crença evangélica, nem a crença bíblica a respeito de qualquer mulher temente a Deus.

E aqui está o problema: neste sentido pejorativo do “qualquer”, que está na mente do apologista católico que lança a acusação, nem Maria seria uma mulher qualquer, nem mulher cristã alguma seria! É curioso observar que, via de regra, sempre quando um católico tenta retrucar isso pergunta ao protestante: “A sua mãe também é uma mulher qualquer?”. Ou seja, ele acha que Maria não pode ser uma mulher qualquer porque a mãe da outra pessoa também não é uma mulher qualquer. Seguindo essa lógica à risca, nenhuma mulher, ou pelo menos nenhuma mãe, seria uma “mulher qualquer”. Mas se ninguém for “qualquer”, então não tem sentido invocar que Maria não era uma mulher qualquer, porque ninguém seria! A intenção do apologista católico é colocar Maria em um pedestal muito acima de todas as outras, e sua tentativa de contra-argumentação vai exatamente no sentido oposto a essa tentativa, igualando todas as mulheres e não restando nenhuma para ser a “qualquer”, de modo a deixar Maria no topo.

Se o “qualquer” está em um sentido pejorativo, que diminui a pessoa a quem o termo é referido, então a única conclusão a que chegamos é que para o católico todas as mulheres são “mulher qualquer”, exceto Maria. Porque a intenção do católico ao acusar o protestante de dizer que Maria era uma mulher qualquer nunca é de elevar a dignidade de todas as outras mulheres junto com Maria (como a Bíblia faz), mas somente de exaltar a pessoa de Maria em detrimento de todas as outras. Ou seja, ele implicitamente está sustentando a tese de que Maria não é “qualquer”, mas todas as outras (o que deve incluir até as outras mulheres importantes na Bíblia e sua própria mãe, pasme!) são “qualquer”!

Neste caso, o apologista católico em questão não poderia ser diferenciado de um misógino de mais alto grau, alguém que rebaixa o valor de todas as outras mulheres como sendo “mulher qualquer” em um sentido pejorativo e diminutivo, e tudo isso apenas para exaltar unicamente Maria em detrimento de todas as outras. Se isso não for misoginia e idolatria do mais alto grau, eu não sei mais o que é. O contraste continua sendo gritante: o católico diminui sua mãe, sua irmã, sua tia, sua esposa, sua professora, Débora, Ana, Rute, Ester, etc, como sendo apenas um monte de “mulher qualquer” em sentido pejorativo, para conseguir exaltar unicamente Maria. E se ele negar isso e disser que também considera todas as outras como não sendo “mulher qualquer”, então o argumento se perde e se torna inócuo e sem sentido. Se não existe mulher qualquer, então dizer que Maria também não era uma qualquer tem peso zero a fim de exaltá-la acima de todas.

Portanto, o apologista católico está em um beco sem saída: ou ele sustenta abertamente que todas as mulheres são desprezíveis à exceção de Maria, ou abre mão do seu próprio argumento de exaltação a Maria por meio de uma calúnia antiprotestante inventada pela sua cabeça fanática. Sim, Maria era uma “mulher qualquer”, no sentido de ser tão digna, elevada e valorizada por Deus quanto qualquer outra mulher que faça a vontade de Deus; e não, ela não era uma “mulher qualquer” no sentido pejorativo de diminuir o indivíduo, e nesta mesma acepção não existiria alguma mulher que fosse “qualquer”, pelo menos não entre mulheres cristãs tementes a Deus. Todas as mulheres são preciosas aos olhos de Deus e por isso não merecem esse rótulo pejorativo de "qualquer", ainda que os apologistas católicos o imponham a todas elas à exceção de Maria.

De todo modo, mesmo refutado, será muito difícil senão impossível para um fanático aceitar a dignidade de todas as mulheres aos olhos de Deus sem colocar a deusa-mãe muito acima de todas as criaturas vivas, pela mesma razão de que seria praticamente impossível convencer um antigo pagão romano a este respeito em relação a Ísis, a deusa-mãe da mitologia egípcia adorada em todo o mundo greco-romano, que também era conhecida por ser a “Rainha dos Céus” e a "mãe de Deus", que também tinha imagens com seu filho pequeno no colo para as quais as multidões de idólatras se prostravam diariamente, que também recebia preces de todas as gentes e culto em todas as partes. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Ou não. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

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22 de março de 2017

O velório do cânon católico e outros informativos

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(Descanse em paz, cânon católico. Sentiremos sua falta)

O Bruno Lima decidiu sepultar o cânon católico de uma vez por todas, traduzindo e ampliando artigos do William Webster que provam que nem os “doutores” da Igreja Católica medieval aceitavam a canonicidade dos apócrifos, vulgarmente chamados na apologética católica de “deuterocanônicos”. O artigo mostra citações incontestáveis de diversos teólogos, cardeais, bispos e até papas se posicionando em favor do cânon de Jerônimo, o mesmo cânon protestante, sem as adições romanistas de Trento. O que bota por terra de uma vez por todas a falácia de que os apócrifos foram dogmatizados em Hipona e em Cartago desde o final do século IV sem ninguém contestar isso.

Eu já venho dizendo há séculos que os concílios de Hipona e Cartago eram sínodos locais sem nenhuma jurisdição sobre toda a Igreja, ou seja, eram concílios que tinham validade apenas naquelas regiões ao norte da África e por aquela época, e não concílios ecumênicos que refletissem o consenso geral de toda a Igreja ou algo que devesse ser seguido por todos – embora os apologistas católicos por teimosia e desonestidade prefiram passar a ideia de que em Hipona e Cartago “toda a Igreja” admitiu o cânon deles, o qual só foi realmente oficializado em Roma no Concílio de Trento do século XVI, pós-reforma.

Seguem os artigos:


Com mais estas provas, o papista que continuar dizendo que “Lutero mutilou a Bíblia” ou que arrancou livros dela merece um atestado de ignorância e não é mais que um pilantra que sabe a verdade mas mesmo assim precisa mentir para enganar os incautos sem instrução e nem estudo. Lutero não fez nada a mais do que quase todos os teólogos católicos antes dele fizeram, em plena Idade Média. Descanse em paz, cânon católico (#RIP).

Além disso quero avisar algumas coisas rápidas:

1) Contando a partir de hoje, este blog passará a ter artigos novos a cada dois dias, sem falta, e comentários atualizados diariamente.

2) Estes artigos não serão apenas sobre catolicismo. Como vocês já devem ter percebido, grande parte dos comentários que recebo aqui são de outros temas teológicos ou práticos da vida cristã, e não somente sobre catolicismo, até porque essa religião já foi tão desmascarada que não sobrou mais quase nada, até perdeu a graça. Inicialmente eu pretendia escrever no “Cristianismo em Foco”, mas como este aqui é bem mais conhecido, decidi que irei postar aqui mesmo os artigos teológicos ou devocionais que não tenham a ver com o romanismo (e talvez até sobre política, quem sabe). Eu até cheguei a pensar em mudar de título para algo mais amplo, mas como este já está consolidado e já que catolicismo romano continuará sendo a ênfase principal, seguirá sendo “Heresias Católicas”. Mesmo assim, não se preocupem, porque este blog nunca irá sair tanto do rumo, como por exemplo seria se eu fizesse um chamado “As Mentiras do Apocalipse Protestante” onde 90% dos artigos não tem nada a ver com o Apocalipse. Eu não pagaria um mico desses, não chegaria a tanto.

3) Sobre os comentários, tenho recebido ao longo dos anos mensagens de pessoas dizendo que comentaram alguma coisa e o comentário não foi publicado, o qual nem havia chegado à moderação. Creio que este problema ocorra com uma minoria de pessoas; em todo caso, se você postou um comentário que ainda não foi publicado dentro de 24h, reenvie o comentário. E para ver a resposta mais rapidamente, selecione o “Notifique-me”, que fica ali no canto direito inferior:


Assim a minha resposta chega por e-mail, logo após eu ter respondido. Lembrando que eu respondo comentários de todos os tipos, exceto de pessoas que infrinjam as normas, que aparecem sempre no final da página:



4) Saindo do forno:


Quando um site parado e desatualizado há anos que eu nem uso mais (Apologia Cristã) ultrapassa o site principal do sujeito que antes se orgulhava de ter mais acessos do que o meu (O Forno), é hora de parar e pensar. Acho melhor voltar para o forno. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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