23 de junho de 2017

O terceiro João é a chave para se entender o quarto evangelho


Muito se fala no terceiro Tiago, já comprovado biblicamente aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e em mais uns duzentos artigos até hoje irrefutáveis. Mas pouco se fala em um outro personagem quase tão importante quanto: o terceiro João. Todos conhecem os dois Joãos mais famosos, o filho de Zebedeu (a quem é falsamente atribuída a autoria do quarto evangelho) e o João Batista. Mas poucos sabem que existiu ainda um terceiro João, o presbítero. E não, essa não é uma tese nova ou recente: remete desde ao primeiro século, quando Papias (70-163) claramente fala em dois Joãos diferentes entre os cristãos (sem se referir a João Batista como sendo um deles, porque o mesmo já havia morrido muito antes). Os fragmentos de Papias foram preservados por Eusébio de Cesareia (263-339) em sua História Eclesiástica e podem ser conferidos integralmente aqui.

15 de junho de 2017

10 de junho de 2017

Refutando objeções ao terceiro Tiago (Parte Final)


Este artigo é uma continuação e conclusão dos outros dois artigos abordando o fato de João não ser o autor do quarto evangelho e de Tiago ser o discípulo amado. Caso você tenha caído de paraquedas e não tenha acompanhado nada dessa discussão, é indispensável a leitura dos dois artigos para compreender este.

8 de junho de 2017

Mais uma da fábrica de mentiras da apologética católica: Henrique VIII era protestante?


Decidi tirar essas semanas apenas para desmascarar as fraudes da apologética católica no campo histórico, já que no campo bíblico chega a ser covardia e até já perdeu a graça. Mas são tantas mentiras grosseiras pra desmascarar, que sinto que meu objetivo só irá se consumar em anos ou décadas – se tiver sorte. Estive relendo o que os principais sites de apologética católica escreveram sobre a Reforma e, com o conhecimento histórico mais profundo que tenho hoje em relação ao que tinha antes, me assustei de verdade com a quantidade gigantesca e assombrosa de mitos, mentiras e distorções grotescas dos mais variados tipos. O nível da coisa é simplesmente surreal. E olha que para alguém que lida com catolicismo há tantos anos como eu, e ainda me assustar com alguma coisa neste meio, é porque a coisa é feia mesmo.

1 de junho de 2017

O discípulo amado, finalmente desvendado! (Parte 2)


Antes de mais nada, cabe destacar que este artigo é uma continuação ao artigo anterior, que prova que João não pode ter sido o autor do quarto evangelho. Portanto, neste presente artigo eu não irei refutar a autoria joanina (que já foi refutada no artigo passado), mas sim mostrar evidências do provável discípulo amado, uma vez que não é João. Por isso, caso você não tenha lido o artigo anterior, é fundamentalmente importante lê-lo integralmente para poder entender este aqui.

28 de maio de 2017

"Todos de sua casa foram batizados" prova o batismo infantil?


Respeito os pedobatistas, afinal, essa era a posição padrão dos reformadores numa época de influência romanista muito forte e continua sendo a crença de uma minoria de protestantes na atualidade. Mas isso não implica em deixar passar um argumento falacioso que tem sido o mais recorrido por aqueles que tentam provar o batismo infantil na Bíblia. Trata-se da inversão do ônus da prova, o que eu já expliquei quando escrevi um artigo sobre a Sola Scriptura e a tradição oral (veja aqui), mostrando como os romanistas invertem o ônus da prova ao exigir que o protestante prove a Sola Scriptura ao invés de ser ele a provar a autenticidade de cada suposta tradição oral que defende em adição ou subtração ao conteúdo escrito (Bíblia).

20 de maio de 2017

O "Saque de Roma" é o exemplo da desonestidade da apologética católica


Quando eu digo que apologética católica e picaretagem são sinônimos, que apologista católico é por definição alguém com fobia a livros e praticamente sempre um desonesto, e que eles não se importam com a verdade mas apenas com o que pode ser usado por conveniência contra os protestantes, alguns podem pensar que eu estou exagerando. Neste artigo mostrarei com um simples exemplo prático como que tudo aquilo que eu sempre digo ainda é pouco em comparado ao que esses embusteiros são capazes de fazer.

14 de maio de 2017

O anticristo ao longo da história e a invenção preterista


Ao longo da história, por pelo menos mais de um milênio e meio o anticristo foi sempre, sem exceção, identificado como o “homem do pecado” (2Ts 2:3) que virá no fim dos tempos da parte de Satanás para trazer o mal ao mundo e perseguir o povo de Deus. Essa interpretação unânime e consensual em todos os Pais da Igreja e teólogos até pelo menos o século XVI foi desafiada em tempos recentes por preteristas, os quais em grande parte negam a existência de um futuro anticristo específico e o identificam como sendo Nero, o imperador romano que governou de 54 a 68 d.C, antes mesmo da destruição do templo (70 d.C).

11 de maio de 2017

6 de maio de 2017

50 Provas do primado de Billy Graham

(Billy Graham, o papa dos evangélicos, segundo a metodologia de Dave Armstrong)

Atenção: Leia o artigo até o fim antes de julgá-lo pelo título ou pela primeira parte e tirar conclusões precipitadas!

***

Quem disse que os evangélicos não têm um papa? Vocês estão enganados. Depois de muito trabalho de investigação árdua e pesquisa criteriosa, descobri que os protestantes têm sim um papa, e seu nome é Billy Graham. Segue abaixo 50 provas do primado de Billy Graham, o papa evangélico. Os dados são evidentes e convincentes pela virtude de seu peso cumulativo. Tal peso é especialmente claro conforme se segue:

28 de abril de 2017

A Igreja Católica é o "baluarte" do conservadorismo de direita no mundo?


Este artigo é uma continuação ao meu artigo mais recente, que trata da mesma questão em âmbito nacional (clique aqui para ler). A argumentação dos tradicionalistas católicos consiste que a Igreja Romana detém o monopólio das boas virtudes, é a “guardiã” da moral e dos bons costumes, o “baluarte” do conservadorismo de direita no mundo e a única força que pode deter e vencer o comunismo, o ateísmo, o Islã e qualquer outra coisa ruim que você possa imaginar. É o Goku da vida real. Dentro desse conto de fadas católico, a instituição que antes praticava genocídios e terrorismo para se manter no poder à custa do sangue e da vida de pessoas inocentes de outras religiões precisa agora voltar com urgência, porque só assim é que estaremos “seguros”.

22 de abril de 2017

A Igreja Católica é o "baluarte" do conservadorismo de direita no Brasil?

 

Com toda a probabilidade você já deve ter se deparado com uma afirmação dessas por aí, vinda daqueles apologistas católicos super honestos e confiáveis que conhecemos bem. Como a maioria esmagadora apenas copia as mesmas asneiras uns dos outros, até o termo exato “baluarte” é repetido em todas as ocasiões. De vez em quando ela aparece de uma forma levemente distinta, tal como: “A Santa Igreja Católica Apostólica Romana é a guardiã da moral e dos bons costumes”, ou então: “Se não fosse pela Igreja Católica, o mundo já teria sido dominado pelos esquerdistas/comunistas/socialistas/progressistas/marxistas/ateístas/adicione-qualquer-outro-istas”. E apenas para não perder o costume, em quem eles jogam a culpa pela onda de “esquerdização” no Brasil e no mundo? Nos protestantes, é claro!!! O protestantismo é sempre o bode expiatório de tudo o que o catolicismo fez de ruim mas não quer admitir. Então basta jogar a culpa nos protestantes e sair de fininho.

19 de abril de 2017

O Brasil era mais rico e desenvolvido que os EUA? Demolindo mais um mito católico!


Imagine duas terras. Elas foram descobertas em um intervalo de poucos anos. Elas foram colonizadas por volta da mesma época. Elas se tornaram independentes de suas colônias com uma diferença inferior a meio século. Elas possuem dimensões geográficas parecidas e tamanho populacional similar. Mas você consegue perceber que uma delas se tornou a maior superpotência do planeta, um país altamente desenvolvido, que lidera em disparado o PIB mundial, que possui altos índices de desenvolvimento humano, educação de qualidade, saúde de qualidade, muito mais segurança e conforto, um lugar rico e próspero. E do outro lado, aquela outra terra tão similar se tornou o 125º colocado em saúde (atrás de potências mundiais como o Butão e o Iraque), está também entre os piores no ranking mundial de educação, ocupa a fantástica 79ª colocação no IDH e só consegue liderar em número de homicídios no mundo.

18 de abril de 2017

Desconstruindo a utopia da monarquia católica no Brasil


Tem tanta gente louca sobrando neste país que toda hora surge uma loucura nova. A mais nova moda agora é apoiar a volta da monarquia, isso mesmo que você ouviu, eles querem acabar com a república a voltar a colocar um rei (Dom Pedro III?) no Brasil. Era só o que faltava. Como não podia ser diferente, a maioria esmagadora dos que apoiam esse “projeto” para o país consiste em fanáticos católicos sustentando que o Brasil monárquico católico (que tinha a religião católica como oficial e proibia outras formas de culto público) era melhor do que o Brasil republicano do Estado laico (esse mesmo que permite os protestantes malvados influenciarem a sociedade outrora católica).

13 de abril de 2017

A Bíblia foi escrita por católicos e para católicos?

 

Um sofisma romanista dos mais repetidos pelos apologistas católicos no Brasil é a reprodução de uma frase tosca e nonsense proferida pelo padre Paulo Ricardo, que é considerado uma espécie de semideus por alguns católicos deste país. Ele disse em rede nacional aos telespectadores de uma TV católica que “a Bíblia foi feita por católicos e para católicos”.

Se uma frase ridícula como essa tivesse sido dita a pessoas cultas ou com ao menos um pedaço de cérebro na cabeça, ele teria sido alvo de tomates e zombaria por algo tão vergonhosamente falso e facilmente refutável por uma lógica elementar. Mas como isso foi dito por católicos e para católicos, não me surpreende que tenha ganhado tanta atenção. É impressionante o número de papistas que realmente acreditaram que Moisés, Davi, Salomão e outros escritores da Bíblia eram católicos romanos, escrevendo a outros católicos, quando ainda nem existia Cristianismo, quanto menos catolicismo.

Quem aplaude uma idiotice como essa deveria em primeiro lugar saber que 2/3 da Bíblia é Antigo Testamento, e 1/3 é Novo Testamento. Essa frase tosca levaria qualquer um a crer que os profetas do Antigo Testamento eram católicos, serviam a um magistério romano, iam às missas e estavam debaixo da autoridade de um papa. A não ser que para os papistas “Bíblia” signifique “apenas o Novo Testamento”, é isso o que deveríamos concluir. O que deveríamos supor de alguém que afirma algo assim? Que é louco? Que é leviano? Que é desvairado? Não. Que é somente o padre Paulo Ricardo.

Não cabe aqui ressaltarmos mais uma vez o que significa Igreja no conceito bíblico, ou o significado de católico nos primeiros séculos – coisas que já abordamos amplamente neste blog, refutando o mito de que o Novo Testamento foi escrito “por católicos” (romanos) ou “para católicos” (romanos). Vocês podem conferir uma lista aqui:

11 de abril de 2017

Baixe todos os meus livros com um só clique


Quem acompanha os meus blogs há tempos sabe que todos os livros que faço (quinze, até o momento) eu disponibilizo de graça em Word e PDF, e será assim sempre. O problema é que nos primeiros anos, pela falta de algo melhor, eu colocava à disposição no 4Shared e no Mediafire, onde precisava ter uma conta e frequentemente pessoas me informavam que não conseguiam baixar os livros. Depois passei a disponibilizar os livros no Mega, muito melhor e mais sofisticado, mas mesmo assim ainda havia um ou outro que não conseguia baixar. Então depois de pesquisar bastante percebi que é possível baixar em link direto através de uma fórmula mágica secreta, e assim basta dar um clique que o arquivo já começa a ser baixado automaticamente no navegador, sem nenhuma necessidade de perder tempo ou criar conta em algum lugar. Eu montei uma tabela onde você pode baixar o livro que quiser em Word ou PDF:


No
Título do Livro
Word
Pdf
1
A Bíblia e a Escravidão
2
A História não contada de Pedro
3
A Igreja na Grande Tribulação
4
A Lenda da Imortalidade da Alma
5
As Provas da Existência de Deus
6
Calvinismo ou Arminianismo?
7
Chamados para crer e sofrer
8
Cruzadas – O Terrorismo Católico
9
Deus é um Delírio?
10
Em Defesa da Sola Scriptura
11
Exegese de Textos Difíceis da Bíblia
12
O Enigma do Falso Profeta
13
O Mistério do Castelo de Wartburg
14
Os Evangelhos Comentados
15
Os Pais da Igreja contra a Imortalidade da Alma

7 de abril de 2017

Privatizar ou não privatizar, eis a questão

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No cenário político é comum as questões acabarem caindo em reducionismos e redundarem em polarizações, quando muitas vezes temos a tendência de aceitar um extremo ou outro. Neste artigo analisarei apenas uma delas: a privatização. A opinião mais comum na esquerda sempre foi a de ser totalmente contra as privatizações (e na extrema-esquerda há até a intenção de estatizar aquilo que hoje é privado), enquanto a direita cada vez mais caminha para uma direção de “privatiza tudo”, discurso este muito comum ultimamente e que tem ganhado cada vez mais força com as mídias sociais. Para efeitos didáticos, chamarei aqui a primeira turma de “turma N” (privatiza nada), e a segunda de “turma T” (privatiza tudo). Aqui defenderei resumidamente a minha posição centrada no fato de que privatizar é preciso e muitas vezes absolutamente necessário, mas que isso não significa que se deva privatizar tudo.

4 de abril de 2017

A grande provação na grande tribulação

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Muitos de vocês sabem que eu sou pós-tribulacionista e que tenho um livro sobre o tema – "A Igreja na Grande Tribulação", onde argumento, como o título sugere, que a Igreja passará pela grande tribulação. Dias atrás eu estava assistindo a uma pregação do Pr. Paulo Junior sobre escatologia (essa aqui), a qual eu concordei em grande parte e discordei de alguns pontos, e me surpreendeu um argumento que ele deu em favor do pós, baseado em Apocalipse 3:10, que fala da “hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra” (Ap 3:10). Ele observou que o termo “provação” na Bíblia sempre se aplica a crentes, nunca a ímpios.

2 de abril de 2017

Hangout no sábado, artigos do Bruno Lima e posts por e-mail

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HANGOUT NO SÁBADO

Neste sábado (08), se tudo der certo e nada der errado, haverá um hangout sobre catolicismo que a princípio contará com a participação minha, do Bruno Lima e do Elisson Freire. Será às 14h, ao vivo no canal do Elisson, e depois eu pretendo repostá-lo também no meu canal. Elaborei algumas pautas de assuntos a serem tratados, selecionando os principais argumentos mais recorrentes na apologética católica, dos que eu vi nos últimos anos. São eles:

31 de março de 2017

Respostas rápidas a mitos católicos comuns sobre o cânon

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Este artigo é uma extensão à minha resposta na caixa de comentários deste outro artigo, um dos mais antigos do blog. Um leitor expôs ali as considerações de outra pessoa sobre o cânon, a qual alega ser supostamente “imparcial”, mas sua análise não se difere em nada da de qualquer site tendencioso de apologética católica. Uma vez que já existem vários artigos extensos neste blog sobre o assunto, disponíveis nesta tag, irei abordar as questões de forma resumida e de fácil compreensão.

28 de março de 2017

Paulo Leitão refuta completamente o mortalismo de forma totalmente irrefutável (eu me rendo)

(Paulo Leitão enquanto espera a sua alma imortal sair do corpo)

Há poucos dias o grande apologista católico Paulo Leitão, o Porcão, comunista e petista de carteirinha (além de antissemita), postou um vídeo de 16 minutos mega extraordinário de seu programa na poderosa e influente “TV Potiguar”, onde destroça completamente o mortalismo (coitado de mim). Os argumentos foram tão destrutivos e irrefutáveis que eu joguei no lixo os meus três livros sobre o tema que somam mais de 1200 páginas, além de jogar no lixo também o livro do Bacchiocchi e o do Oscar Cullmann, afinal de contas nenhum deles chega perto da exegese brilhante do Porcão. Para quem quiser conferir esses argumentos maravilhosos, assista o vídeo abaixo, mas pule direto para o minuto 0:17, a não ser que você queira ser torturado com uma música católica:

26 de março de 2017

O livre exame de Barnabé que enterra o magistério infalível

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O livre exame é um dos ensinos protestantes mais atacados pelos papistas, ou talvez o mais atacado. Todo mundo já conhece a lenga-lenga de sempre: nós evangélicos não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”, e a mesma só pode ser interpretada através da interpretação infalível do magistério católico. Ou seja, ninguém é realmente livre para ler e interpretar as Escrituras, o único livre de fato é o papa, e o resto que se lasque, vai ter que concordar com a interpretação do papa querendo ou não, sendo ela boa ou não.

24 de março de 2017

Maria era uma mulher qualquer?


Antes de ler este artigo, recomendo que leia este outro que trata de questões importantes e intimamente relacionadas a este aqui. É onde eu mostro o que os evangélicos creem sobre Maria e o que não creem à luz da Bíblia, e desmascaro o truque católico que consiste em dizer que nós “odiamos Maria” só porque não cremos nos ridículos e tardios dogmas marianos inventados por Roma:

22 de março de 2017

O velório do cânon católico e outros informativos

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(Descanse em paz, cânon católico. Sentiremos sua falta)

O Bruno Lima decidiu sepultar o cânon católico de uma vez por todas, traduzindo e ampliando artigos do William Webster que provam que nem os “doutores” da Igreja Católica medieval aceitavam a canonicidade dos apócrifos, vulgarmente chamados na apologética católica de “deuterocanônicos”. O artigo mostra citações incontestáveis de diversos teólogos, cardeais, bispos e até papas se posicionando em favor do cânon de Jerônimo, o mesmo cânon protestante, sem as adições romanistas de Trento. O que bota por terra de uma vez por todas a falácia de que os apócrifos foram dogmatizados em Hipona e em Cartago desde o final do século IV sem ninguém contestar isso.

21 de março de 2017

As Constituições Apostólicas sobre Pedro, diaconisas, celibato e o terceiro Tiago

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Estive lendo as Constituições Apostólicas, um documento cristão datado do século IV d.C., mas que alega ter sido escrito pelos doze apóstolos. Farei aqui algumas breves considerações de ensinos ali expostos que seriam considerados inaceitáveis na Igreja Romana dos dias de hoje. Comecemos com a questão do episcopado de Pedro em Roma, que já foi abordada por mim mais detalhadamente neste artigo. A obra em questão tem um tópico chamado “Quem eram aqueles que os apóstolos enviaram e ordenaram?”, e faz uma lista de várias antigas dioceses cristãs, dentre as quais seleciono as seguintes:

20 de março de 2017

Novo livro - "A Bíblia e a Escravidão"



SINOPSE

O Antigo Testamento apresenta leis de regulamentação da escravidão em Israel que, por vezes, são usadas pelos críticos da Bíblia para denegri-la e associá-la ao que há de pior em termos morais e éticos. Com frequência tem sido argumentado que a escravidão no Novo Mundo é devida, em parte, aos escritos sagrados de Moisés, que foram sancionados por Jesus e pelos apóstolos, e que os cristãos nada fizeram para melhorar a situação do escravo ao longo dos séculos. Este livro visa estudar estes argumentos, se aprofundando na questão da escravidão por um olhar histórico-cultural, comparando a escravidão em Roma e no Brasil com o tipo de escravidão vigente em Israel, e avaliando a postura dos autores neotestamentários, dos Pais da Igreja, dos cristãos medievais e modernos em vista da instituição escravocrata.

14 de março de 2017

7 de março de 2017

Respondendo comentários aleatórios #1

Resultado de imagem para comentarios

Primeiramente, quero pedir desculpas a quem tem o costume assíduo de entrar diariamente no blog (ex: Macabeus, etc) e nestas duas semanas o encontrou inativo, sem novos artigos e comentários. Basicamente, a razão é que eu tenho até depois de amanhã para entregar minha Tese de Dissertação do mestrado, ou senão tenho meu pescoço cortado com requintes de crueldade. Então estou correndo contra o tempo e não tive como ler/liberar/responder comentários e postar artigos novos, mas voltarei a fazer isso nos próximos dias, e pretendo a voltar mais a ativa do que estava antes, na época em que escrevia duas vezes por semana.

21 de fevereiro de 2017

A tradição e as tradições. Devemos confiar nelas?


No artigo mais recente, onde mostro as provas de que João não é o autor do quarto evangelho, o que derruba mais uma lenda da tradição, um leitor me perguntou algo importante: pra que serve a tradição? Eu dei uma resposta resumida, mas decidi escrever este artigo para aprofundar melhor a questão. O primeiro e mais importante de tudo é definir o que é a “tradição”. Apologistas católicos vivem falando da tradição e a exaltando, até mesmo a usando em debates, mas nenhum deles é capaz de dizer o que ela significa realmente, e muito menos delimitar toda a extensão da tradição, isto é, colocar numa folha de papel exatamente todas as doutrinas que são fruto da tradição, quais vieram da Bíblia e quais foram criadas pelo magistério (as três autoridades dos católicos).

16 de fevereiro de 2017

Não, João não escreveu o quarto evangelho

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(O artigo em questão é todo ele pensado e idealizado por Alon Franco, já conhecido por quem segue este blog há algum tempo, e a mim coube apenas redigir o texto com a minha forma argumentativa e desenvolver os argumentos com base nas pesquisas dele)

Por muito tempo, desde o final do século II até o tempo presente, tem-se crido piamente que João é o autor do quarto evangelho, de acordo com a tradição que o aponta como o autor do livro. Muitos, sem qualquer senso crítico ou pesquisa prévia, tomam isso como verdade absoluta pelo simples fato de terem sido ensinados assim a vida inteira, ainda que sem qualquer base objetiva que fundamente essa visão. Neste artigo mostrarei que não apenas a Bíblia se silencia em relação a João ser o autor do quarto evangelho (o que já é conhecido por todos), mas principalmente que ela nos passa indícios objetivos de que João não pode ter sido o autor.

A primeira observação que nos leva a isso vem do fato de o discípulo amado, que se declara como o autor do quarto evangelho (Jo.21:24), ser conhecido do sumo sacerdote, o que lhe permitiu entrar na casa do mesmo, enquanto Pedro ficou de fora:

“Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta” (João 18:15-16)

Para entendermos como isso torna altamente improvável que João fosse o discípulo em questão, temos que entender duas coisas. Primeiro, que o sumo sacerdote não era uma pessoa qualquer. Ele era nada a mais e nada a menos que a maior autoridade de todos os judeus, o sucessor de Arão, aquele ao qual todos os judeus prestavam toda reverência e se submetiam à sua autoridade. Ele era a autoridade máxima do Judaísmo, mais ou menos aquilo que o papa é para o catolicismo romano nos dias de hoje, ou o que o Dalai Lama é para os budistas tibetanos, ou o que o califa era para os muçulmanos, e assim por diante.

Tal como seria difícil um católico nos dias de hoje ser amigo do papa Francisco (mesmo com toda a tecnologia e globalização), ainda mais difícil seria ser amigo do sumo sacerdote numa época em que a única forma de se manter um relacionamento era pessoalmente, e o sumo sacerdote era cercado pelas maiores e mais respeitadas autoridades de Israel. Poucos eram os que tinham o privilégio de serem amigos do sumo sacerdote ou conhecidos a nome por ele, ao ponto do mesmo deixa-lo entrar em sua casa. Mas o discípulo amado conseguiu.

E aqui entra o segundo ponto: João praticamente não tinha chance nenhuma de ser tão próximo do sumo sacerdote como o texto pressupõe ser. Em primeiro lugar, porque ele era apenas um mero adolescente naquela ocasião. A tradição cristã sempre o considerou o discípulo mais jovem de Jesus, e os sites católicos, embora não encontrem um consenso, costumam considerar seu nascimento entre 6 e 15 d.C. Levando em consideração que Jesus nasceu em algum momento entre os anos 7 e 4 a.C, João teria entre 12 (data mais baixa) e 24 anos (data mais alta), de acordo com a própria tradição católica. Tirando a média, ficaria em torno dos 18 anos. Mas é altamente provável que a data real tenha sido ainda menor, o que pode ser comprovado pela leitura do meu artigo sobre a idade dos apóstolos, onde provo que todos os doze apóstolos (exceto Pedro) tinham menos de 21 anos, e que João, o menor deles, provavelmente não passava dos quinze:

A Idade dos Discípulos (clique para ler)

O Alon também escreveu um artigo mais aprofundado a respeito:

A Idade de João no Exílio (clique para ler)

Em uma época em que quase ninguém passava dos 70 anos, e na qual a expectativa de vida era muito abaixo da atual (não há qualquer registro antigo de alguém vivendo mais de noventa anos), um discípulo que morreu em 100 d.C tinha que ser muito jovem em 27-30 d.C, data estimada da morte de Jesus. E se quinze anos é a idade que João tinha quando Jesus morreu, a idade que ele tinha quando foi chamado por ele era doze. Depois disso ele passou a seguir o Mestre por onde ele andava, o qual raramente vinha a Jerusalém, mas situava seu ministério nas regiões mais afastadas de Israel, como na Galileia e em Cafarnaum (veja Mt.4:12-13).

Ou seja: neste período, João não tinha a menor chance de conhecer o sumo sacerdote e se tornar seu amigo, uma vez que João percorria as regiões mais afastadas de Israel junto a Cristo e seus discípulos, e o sumo sacerdote permanecia fixo em Jerusalém. Portanto, se João era mesmo amigo do sumo sacerdote, ele teria que ter construído essa amizade antes de seguir a Cristo, ou seja, quando ele ainda tinha por volta de doze anos! João era tão adolescente que, mesmo depois de seguir Jesus, ainda andava acompanhado pela sua mãe pra lá e pra cá (Mt.20:20), enquanto Pedro já tinha esposa (Mt.8:14). Seria cômico e altissimamente improvável que a maior autoridade de todo Israel, ocupada e cercada pelos mais altos líderes entre os judeus e os romanos, a qual nem o judeu comum tinha acesso, fosse amigo de um menino de doze anos!

A coisa piora ainda mais quando observamos que este garoto de apenas doze anos era somente um mero pescador sem instrução (Mt.4:21), e ainda na Galileia (Mt.4:18), região muito afastada de Jerusalém, onde residia o sumo sacerdote. Sejamos honestos: qual é a chance de a maior autoridade entre todos os judeus ser amigo de um adolescente de aproximadamente doze anos, o qual era apenas um pescador sem instrução cuja atividade era seguir seu pai e seu irmão na pesca, em uma região bastante afastada de onde residia o sumo sacerdote, e em uma época em que não havia telefone, internet, nem carro ou avião? A resposta é óbvia: nenhuma!

Isso, por si só, já deveria ser o suficiente para provar que João não pode ter sido o discípulo amado. Mas as evidências não terminam por aqui, é apenas o começo. No mesmo relato onde é dito que o discípulo amado entrou na casa do sumo sacerdote por ser conhecido dele, é dito algo totalmente diferente com relação a outro discípulo, Pedro:

“Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar. Ela então perguntou a Pedro: ‘Você não é um dos discípulos desse homem?’ Ele respondeu: ‘Não sou’” (João 18:15-17)

Não vou passar toda a continuação do texto aqui, porque já é conhecido por todos: Pedro se amedronta, tem medo de morrer e nega a Jesus três vezes. Mas note o mais interessante: enquanto Pedro estava acovardado e amedrontado, o tal do discípulo amado estava entrando numa boa na casa do seu amigo, o sumo sacerdote! Note que esse discípulo amado não parecia com medo, nem estava acovardado, não tinha receios nem pavor. Ele simplesmente entrou na casa do sumo sacerdote, como quem já lhe fosse familiar. Para a tradição, esse discípulo era João, alguém muito próximo a Pedro.

É difícil acreditar que, de dois discípulos muito próximos a Jesus e próximos entre si, um fosse tão familiar ao sumo sacerdote, estivesse tão destemido e numa boa, enquanto o outro, que em teoria deveria estar em condição semelhante, estava completamente aterrorizado. Se um discípulo de Jesus conseguiu entrar tão facilmente na casa do sumo sacerdote com livre acesso e sem risco de morte, por que Pedro iria se apavorar tanto pela sua própria vida? Lembre-se que, se o discípulo amado for João, já seria conhecido por todos o fato de ele ser discípulo de Jesus da mesma forma que Pedro, de modo que o simples fato de ser discípulo dele não seria um impedimento a entrar na casa, já que João teria conseguido. Então, por que Pedro não entrou?

Há ainda um detalhe que geralmente passa despercebido pela maioria dos teólogos, que está em Atos 5. Logo depois da ascensão de Jesus, os apóstolos passam a pregar no templo de Jerusalém. Então é dito que:

“...o sumo sacerdote e todos os seus companheiros, membros do partido dos saduceus, ficaram cheios de inveja. Por isso, mandaram prender os apóstolos, colocando-os numa prisão pública” (Atos 5:17-18)

Note que todos os doze apóstolos (agora com Matias no lugar de Judas) foram presos. Isso inclui João, o “discípulo amado” segundo a tradição. O que aconteceu depois? O texto diz que o sumo sacerdote e os demais líderes religiosos dos judeus “ficaram furiosos e queriam matá-los” (v.33). Sim, isso mesmo: o “amigão” do discípulo amado, que há apenas um mês atrás o deixava entrar numa boa em sua própria residência (mesmo já sabendo que seguia Jesus), agora já estava querendo matá-lo!

É essa a conclusão que tiramos segundo a tradição: na Páscoa o sumo sacerdote não vê problema nenhum em João ser discípulo de Jesus, o permite entrar em sua casa, não há qualquer ameaça de morte ou transtorno nisso, e de repente, apenas um mês depois, o simples fato de pregar o evangelho já era o suficiente para ele mudar tão radicalmente de opinião ao ponto de querer assassiná-lo, o que só não ocorreu por causa da intervenção de Gamaliel (vs.34-40)! Parece que a amizade entre o sumo sacerdote e o pescador adolescente da Galileia foi pro brejo...

Mais impressionante ainda que isso é quando Jesus disse claramente que TODOS os doze discípulos o abandonariam:

“Disse-lhes Jesus: Vocês todos me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas’” (Marcos 14:27)

E, aqui, o “todos” não é mera hipérbole ou força de expressão, mas algo tão literal que o evangelho sinóptico de Mateus também faz questão de acentuar o “todos”:

“Então Jesus lhes disse: Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’” (Mateus 26:31)

Jesus foi suficientemente claro: TODOS os doze discípulos o abandonariam! Contudo, segundo a tradição, o discípulo amado que se manteve fiel a Jesus e o seguiu até a casa do sumo sacerdote, e depois até o pé da cruz, foi João, um dos doze que Jesus disse que o abandonariam! Se João se manteve fiel a Jesus até o fim, então a palavra do Mestre de que todos os doze o abandonariam teria caído por terra. Portanto, o discípulo amado não pode ser João.

Para terminar, o mesmo argumento em relação à idade de João pode ser usado novamente quanto ao texto em que o discípulo amado aparece ao pé da cruz, e Jesus lhe entrega sua mãe aos seus cuidados:

“Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: ‘Aí está o seu filho’, e ao discípulo: ‘Aí está a sua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (João 19:26-27)

Vamos retomar o ponto: João, a esta altura, tinha em torno de quinze anos, dificilmente mais do que isso, e impossível que tivesse mais que 20 anos (eu abordo isso detalhadamente neste artigo, e o Alon neste artigo). Jesus só pagou o imposto do templo a ele mesmo e a Pedro (Mt.17:24-27). A razão pela qual ele não pagou pelos outros discípulos é porque tal imposto só era cobrado de quem tinha mais que vinte anos (Êx.30.11-16,38; 25-26). Por implicação lógica, todos os outros discípulos tinham menos de vinte. E João era o mais novo deles, o que implica que provavelmente tinha bem menos que vinte. E, segundo a tradição, foi a esse adolescente que Jesus entregou sua mãe!

Pela tradição judaica, era costume que, na morte do marido, os filhos ou os parentes cuidassem da viúva. Para os católicos, Jesus não quis entregar sua mãe aos seus irmãos, porque estes não existiam. Também não quis entregar aos seus “primos”, que nos evangelhos andavam com ela pra cima e pra baixo (Mc.3:31; Jo.2:12; Mt.12:46; Lc.8:19; Mc.3:31; At.1:14). Também não quis entregar a ninguém com mais experiência ou maturidade. Não: em vez disso, a entregou aos cuidados de um adolescente!

Mas o lado cômico não termina por aí: não bastasse Jesus ter escolhido um garoto para cuidar de uma senhora (sozinho, diga-se de passagem), ainda foi escolher um apóstolo que tinha a incumbência de percorrer o mundo inteiro para pregar o evangelho a toda criatura como um missionário itinerante (Mc.16:15), o qual tinha a promessa de passar por várias e severas perseguições por toda a parte (Mt.24:9), sem sequer ter residência certa (1Co.4:11)! Em vez de escolher um irmão ou primo, ou qualquer pessoa com mais experiência ou maturidade, foi escolher justamente um adolescente que teria que andar pelo mundo todo anunciando o evangelho e que seria perseguido em todo lugar! Você entregaria a sua mãe a alguém nestas condições? Para a tradição, Jesus fez exatamente isso!

Mas a coisa piora quando passamos a Atos e às epístolas, e não vemos João com Maria em parte nenhuma! Embora o texto tenha sido claro o suficiente ao dizer que daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (Jo.19:27) – e não que a levou para casa anos mais tarde –, não há qualquer registro, seja bíblico ou histórico, de João levando sua “nova mãe” Maria a algum lugar, ou dela sendo acompanhada por ele. Na única ocasião em que os dois são mencionados juntos, é dito expressamente que Maria estava com os irmãos de Jesus, e não acompanhada por João:

“Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus (Atos 1:13-14)

João é mencionado junto com os outros apóstolos, mas não aparece associado pessoalmente a Maria. Quando ela é mencionada, é associada aos irmãos de Jesus, seus filhos (de acordo com a Bíblia) ou “primos” (de acordo com a tradição romanista). E como se isso não fosse o bastante, João sai para viagens missionárias sem levar Maria, a qual deveria estar sob seus cuidados desde aquele dia na cruz:

“Os apóstolos em Jerusalém, ouvindo que Samaria havia aceitado a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João (Atos 8:14)

Note que João não foi acompanhado de Maria, mas apenas na companhia de Pedro. E ele não voltou de lá com Maria, mas apenas com Pedro:

“Tendo testemunhado e proclamado a palavra do Senhor, Pedro e João voltaram a Jerusalém, pregando o evangelho em muitos povoados samaritanos” (Atos 8:25)

Embora o texto “joanino” seja claro ao dizer que “daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa (Jo.19:27), não parece que João ficou em casa (Jerusalém?) com Maria, mas, pelo registros de Atos, ele passou o tempo viajando de cidade em cidade como missionário, tal como os outros apóstolos, todos eles com a incumbência de pregar a todos os povos, em vez de ficar em uma única cidade, dentro de casa, cuidado de alguma pessoa.

E naquela época, sem carro ou avião, essas viagens levavam meses e meses para ir e voltar, não eram como as viagens de hoje, que você pode pegar um avião e voltar no mesmo fim de semana. Ou seja, sendo João um missionário, Maria ficaria meses sem a sua companhia, abandonada em casa enquanto o mesmo viajava, o que não apenas confronta a clareza do texto bíblico (Jo.19:27), mas também o próprio bom senso do Mestre que, sabendo que João levaria uma vida assim, daria sua mãe aos cuidados de alguém que estivesse mais apto a essa função.

Da onde, então, surgiu a lenda de que João foi o autor do quarto evangelho? O primeiro a afirmar isso foi Irineu de Lyon, já no final do século II, o qual não conviveu pessoalmente com apóstolo nenhum. Esse é o mesmo Pai da Igreja que também afirmou, “segundo a tradição”, que Jesus morreu na faixa dos 50 anos, quando qualquer criança que faça catequese ou escolinha dominical nos dias de hoje sabe que ele morreu aos 33. Os Pais que escreveram antes dele não taxavam João como o autor, mas apenas faziam referência ao fato de existirem quatro evangelhos. E, infelizmente, os Pais que vieram depois seguiram o conto de Irineu e o transmitiram adiante, e com o tempo foi ganhando o status de tradição, como se isso fosse algo certo ou concreto.

Muito mais poderia ser dito, mas, por hora, concluirei por aqui. O que foi apresentado já é mais que o suficiente para mostrar o quanto a tradição definitivamente não é confiável, mesmo quando ela aparenta ser bem antiga. Se uma tradição que provém do século II e que foi crida por todo mundo depois disso ainda assim errou de forma tão manifesta, imagine o que não erram as tradições romanistas que provém de muitos séculos mais tarde e sem nenhuma unanimidade, de onde eles fundamentam suas doutrinas e dogmas antibíblicos! É o bom senso e a lógica que nos leva a nos afastar do que é afirmado sem qualquer base bíblica, e ainda mais daquilo que é afirmado contra a autoridade das Escrituras, como é o caso aqui explanado.

Não, não vou dizer ainda quem é esse discípulo amado. O Alon e eu temos um palpite muito bom, e talvez alguns que leram este artigo com um raciocínio mais apurado já devem ter decifrado. Mas eu ainda escreverei um artigo em complemento a este, não mais para provar que não foi João (o que já foi refutado), mas para mostrar as evidências de quem é. E não, não é Lázaro... 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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