25 de junho de 2013

O aramaico e Mateus 16:18


PEDRO NUNCA FOI PAPA, de Aníbal Pereira dos Reis (ex-padre), Edições Cristãs, 2ª edição, 2003, São Paulo, págs. 81 a 88.

NEM O ARAMAICO SALVOU MINHA FÉ NO PRIMADO JURISDICIONAL DE PEDRO

Cristalizara-se em minha estrutura espiritual a fé no pontífice romano, o suposto sucessor de Pedro no primado jurisdicional da Igreja.

Contestada à luz da Palavra de Deus, esborcinara-se em seus alicerces. E caía eu em terror pânico.

Desalentado, procurei um monge no Mosteiro de São Bento, em São Paulo.

Ao contrário do meu afobado bispo, o monge, redondo como uma pipa e rosado como uma maçã, demonstrou-se paciente. Ouviu-me com desvelada atenção.

Franzia a testa recoberta de suor, carregava os sobrolhos, meneava a cabeça, esboçava sorrisos... Transparecia os seus sentimentos diversos provocados pela minha exposição.

Aconselhou-me a rezar o “rosário de Nossa Senhora”. – “Nossa Senhora é o martelo das heresias” – preambulou. Inútil porque há meses evaporara-se minha devoção à Senhora.

– Temos que nos submeter às determinações da Santa Igreja. Embora nossa razão rejeite algum dogma, nossa submissão deve ser incondicional. Se isto é branco e a Santa Igreja diz que é preto, devo-lhe acatar a decisão e renunciar à lógica –, com gesto doutoral de um Aristarco dogmático, sentenciou o beneditino.

Entrecortava suas considerações, a dar-lhes o sabor dos alfarrábios medievais, com frases latinas.

Membra Ecclesiae sunt omnes ET soli baptizati, qui profitentur doctrinam Ecclesiae aut auctoritati Ecclesiae se subiciunt. (São membros da Igreja – e com exclusividade – todos os batizados, os que professam a doutrina da igreja e se submetem à sua autoridade).

– Ora, – interpunha a “menor” do seu argumento. – Ora, a Igreja essencialmente, basicamente, está sobre Pedro. Ecclesiae essencialiter est supra Petrum, secundum promissionem Christi: Tu es Petrus et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam.

Causava-me certo prazer ouvir o seu latim sonoro e bem pronunciado.

Dentro de sua linha de pensamento amoldado à dialética romanista viciada no Scriptura ex machina, o beneditino se esforçava por despertar em mim aquele temor reverencial próprio da sujeição completa e subserviente ao papa.

Christi dixit: Si ecclesiam non audierit, sit sicut ethnicus et publicanus (Cristo disse: se não ouvir a Igreja, seja considerado gentio e publicano).

Às minhas objeções propunha, em tom catedralesco, sofismas. Invencível, destruía-os eu com a Palavra de Deus. E o monge, arrepiado de horror sacer, se esgueirava entre apelos à lembrança dos velhos tempos de fidelidade ao papa.

Os minutos das duas horas de diálogo se evaporaram.

Em suas exortações, ao final da entrevista, recomendando-me voltar, sublinhou um argumento.

– O argumento – dizia ele – capaz de desfazer todas as restrições à primazia de Pedro por ser a pedra da Igreja. Cristo não falava grego. Sua língua era o aramaico. Nesta língua, contudo, não há nenhuma diferença entre os vocábulos PEDRO e PEDRA, pois Kephas ou Cefas é tanto um como outro. O texto original de Mateus é em aramaico. Jesus, no caso, teria dito: “Tu és Kephas e sobre esta Kephas edificarei a Minha Igreja”.

Citou-me o paciente apologista pontifício o exemplo da língua francesa em que PIERRE é Pedro e pedra. Lembrou-me também não haver qualquer diferença entre esses dois vocábulos nos idiomas persa, árabe e siríaco.

Encerrava-se o diálogo com o tilintar das campainhas. A regra convocava o meu companheiro ao cântico das “vésperas”.

Ao chegar em casa coloquei na radiola uma gravação dos monges beneditinos de Erzabtei St. Martin. A melodia do solene canto-gregoriano inundou-me a alma... A fé no primado de Pedro, porém, permanecia morta.

Mentalmente repetia a perícope mateana (16.13-19), frizando o v. 18 onde substituía os vocábulos Pedro e pedra por Kephas: “Tu és Kephas e sobre esta Kephas edificarei a Minha Igreja”.

Queria à força da repetição gravar em minha inteligência o valor deste argumento a ver se lograva despertar ou ressuscitar meu acatamento à primazia de Pedro, de quem se considera sucessor legítimo o pontífice do Vaticano.

Por julgar oportuna a recomendação do monge beneditino, resolvi pesquisar a legitimidade do argumento: “Na língua siro-caldaica, que então falavam os judeus, não há diferença de gênero entre o nome próprio PEDRO e o nome comum PEDRA, isto é, KEPHAS”.

O texto grego de Mateus, por nós conhecido, é uma tradução desse original aramaico feita depois pelo seu próprio autor, Mateus, ou por qualquer anônimo.

Ao lume desta informação, querem os corifeus papais pôr a salvo a supremacia de Pedro, a pedra, e explicar a ausência do “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja”, nos outros sinóticos. Se só Mateus registra essa palavra de Cristo é por haver somente ele escrito em aramaico ou siro-caldaico, idioma que não sugere nenhuma diferença de significado no vocábulo Kephas.

Se não perscrutasse o arrazoado do beneditino, pensava eu, poderia, no futuro, surgir alguma dúvida. E, estando na refrega, apesar do estrondoso ruir do dogma pontifício em minha fé, resolvi enfrentar a proposição do discípulo de S. Bento.

No seminário católico estuda-se uma matéria chamada Sagrada Escritura. Na extensão de suas teses, dos seus capítulos, estuda-se tudo sobre a Bíblia. Menos a Bíblia.

Recorri, pois, aos seus compêndios.

I

A Pontifícia Comissão Bíblica, em 19 de junho de 1911, estabeleceu que o texto original de Mateus não foi escrito em grego.

Contra essa propositura da Pontifícia Comissão Bíblica levantam-se muitos e ponderáveis embargos:

1) – A Comissão Bíblica, porém, não define se foi escrito em hebraico ou em aramaico. Reconhece, aliás, que não o faz a Tradição (a outra Fonte de Revelação, além da Bíblia, como ensina a teologia romana). A Tradição não determina se Mateus escreveu em hebraico ou se em aramaico, a língua popular nos tempos de Cristo.

2) – Os fragmentos existentes desse suposto original aramaico de Mateus, cognominado “Evangelho segundo os Hebreus”, divergem extraordinariamente do texto grego de Mateus.

3) – Naquela época não havia necessidade de Mateus escrever em aramaico, pois o idioma grego, por ser conhecidíssimo também dos judeus, se prestava perfeitamente para Mateus escrever o Evangelho, embora endereçado aos judeus. Por que haveria de ser Mateus a exceção? Aliás, em virtude do conhecimento geral do grego, também entre os judeus, os outros documentos neotestamentários a eles destinados foram escritos em grego, como a Epístola de Tiago às Doze Tribos de Israel, as duas Epístolas de Pedro (conforme admitem também os exegetas católicos) e a Epístola aos Hebreus.

4) – Torna-se impossível uma versão em aramaico diante da identidade de textos comuns aos três Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas).

5) – Entre essas muitas coincidências ocorrem divergências inexplicáveis se o tradutor do suposto texto aramaico para o grego conhecia os dois outros sinóticos. E se a estes ignorava, como se explicam as expressões frequentemente idênticas entre os três?

6) – Quando os autores dos Evangelhos citam o VT valem-se do texto hebraico. Mas Jesus Cristo, em suas mensagens quase sempre cita a Septuaginta, a versão grega do VT. Isto, note-se, também ocorre no Evangelho segundo Mateus, o que nos leva a rejeitar o original aramaico de Mateus e, consequentemente, a admitir o original grego. Se essas citações são extraídas da Septuaginta, logicamente, em grego escreveu Mateus o seu original.

Mais ainda. Se o atual texto grego fosse realmente a tradução do aramaico, por que haveria o tradutor de se valer do texto grego da Septuaginta para as citações feitas por Jesus? Valer-se-ia do texto hebraico, evidentemente.

7) – O texto mateano, aceito como canônico, inclusive pelas exegese e teologia romanas, é o grego. Insustentável, portanto, essa assertiva do original aramaico, a cuja existência se erguem intransponíveis óbices.

II

Um suspeito original aramaico de Mateus poderia adotar, em consequência da pobreza dessa língua semítica, o vocábulo Kephas para designar indistinta e indiferentemente, PETROS e PETRA, vocábulos empregados na versão grega.

Se procedente, a alegação do monge beneditino, com suporte na definição da Pontifícia Comissão Bíblica, sem quaisquer suspeitas, contra o hipotético documento aramaico, o texto grego de Mateus, universalmente aceito como inspirado e canônico, teríamos KEPHAS para se referir indistintamente a PETROS e PETRA.

Como resultado, portanto, enunciar-se-ia o v. 18 de Mateus 16: Tu és KEPHAS e sobre esta KEPHAS.  

Os seguintes embargos, porém, desarticulariam essa hipótese:

1) – A identidade morfológica do aramaico entre os vocábulos Pedro e Pedra na homonímia de Kephas não impede a distinção semasiológica, isto é, a diferença de significado entre dois termos usus loquendi da língua grega. Se Jesus, pois, não tivesse em mente sustentar esta diversidade, o texto grego de Mateus teria registrado: “Tu és PEDRO e sobre este PEDRO edificarei a Minha Igreja” ou “Tu és PEDRA e sobre esta PEDRA edificarei a Minha Igreja”. Se o texto grego de Mateus sustenta a diferença é em consequência de uma razão: existe a diversidade de significação entre os dois vocábulos: PETRA e PETROS.

2) – A distinção é tão patente no texto grego de Mateus e em todo o NT que PETRUS sempre é atribuído a Simão Barjonas e o vocábulo PETRA é sempre atribuído a Jesus Cristo.

Qual a causa desse comportamento semântico se fosse sem importância a diferença de significados?

Respeite-se, portanto, o texto grego de Mateus, já que ele, neste assunto especialmente, se harmoniza com todo o NT.

3) – Recorre-se sempre ao original grego do NT quando se quer dirimir dúvidas de exegese.

Com efeito, o Mateus grego, recebido, aliás, pela Igreja Primitiva e sempre aceito como INSPIRADO e CANÔNICO em todas as áreas cristãs e também pelos redutos católicos, inclusive o romano, é que há de interpretar o sentido do HIPOTÉTICO texto aramaico e não este que há de servir de luz na compreensão ou interpretação daquele. Do aramaico, por sinal, inexistente.

4) – Pobre exegese católica que apela para a pobreza do aramaico! Não será a pobreza de vocabulário do aramaico (nem do siríaco, nem do árabe, nem do persa e nem do francês, neste caso) que vá obscurecer ou anular o ensino bíblico evidente e irrefutável de que PETRA é Cristo.

5) – Desde os primórdios, desde sempre, os cristãos e os católicos, inclusive os romanos, reconhecem como INSPIRADO e INCONTESTAVELMENTE CANÔNICO o documento grego de Mateus, onde é translúcida a distinção entre PETROS e PETRA: SU EI PETROS, KAI EPI TAUTE PETRA...

Jamais deram os cristãos e os católicos foros de canonicidade a um discutível “Evangelho segundo os Hebreus” de língua aramaica ou a qualquer versão em francês, árabe, persa ou siríaco.

6) – À Bíblia, clava invencível, recorri outra vez. Ela, a Palavra de Deus – “luz para o meu caminho” (Salmo 119.105) – deu-me a sentença final. Definitiva. Inapelável. Absolutamente irrefragável!

Ela me ofereceu a interpretação bíblica, divina, do vocábulo Kephas.

Que me importam as interpretações dos monges beneditinos, dos corifeus modernistas, dos cognominados “pais da Igreja”, dos tradutores-traidores incrédulos, dos teólogos vaticanos?

A interpretação divina do nome Kephas foi-me favorecida por João, “o discípulo a quem Jesus amava”.

João escreveu indubitável e incontestavelmente o seu Evangelho em grego.

Jamais papa algum, exegeta algum, “exeingeta” algum, teólogo algum, disse haver também João escrito o quarto Evangelho em aramaico e depois o traduzido para o grego.

A interpretação de João é extraordinária e veio arrasar de uma vez por todas o sofisma construído sobre um discutível documento aramaico de Mateus.

João, divinamente inspirado, dá a causa porque o texto grego mateano substitui o KEPHAS da primeira posição de Mateus 16.18 pelo grego PETROS.

Admitindo-se, à falta daqueles embargos anteriores, admitindo-se haver Jesus Cristo pronunciado em aramaico aquela sentença registrada no v. 18, João, DIVINAMENTE INSPIRADO, interpreta decisiva e definitivamente o pensamento de Cristo.

Graças a Deus por nos haver outorgado a Bíblia como única e indefectível Fonte de Sua Revelação, deixando-nos – nós os que temos a ventura de nela crer como Palavra de Deus – deixando-nos imunes de interpretações outras, tendenciosas, interesseiras e urdidas com o objetivo de levar de roldão no erro os pobres inadvertidos e incautos.

Porque João, em seu Evangelho, cujo original, INCONTROVERSO, foi escrito, indiscutivelmente, em grego, para onde podemos deslocar essa questão filológica, pois a pena de João reconhecidamente foi inspirada pelo Espírito do Senhor, oferece-nos a interpretação do vocábulo KEPHAS em consonância, em acordo, em harmonia, em sintonia com aquela distinção de significados de PETRA e PETROS, PETRA e PETRUS verificadas nos textos grego e latino do Evangelho segundo Mateus.

João, em 1.42, dá o significado do nome aramaico KEPHAS: SU KLETHESE KEPHAS (O ERMENEUETAI PETROS) que Jerônimo na Vulgata traduziu: “Tu vocaberis Cephas (quod interpretatur Petrus)”. E o nosso idioma traduz: “Serás chamado KEPHAS, que significa Pedro”. “Tu serás chamado KEPHAS (que quer dizer Pedro)”.

O ERMENEUETAI PETROS. Magnífico!!!

João, o discípulo amado, com aluminosa inspiração do Alto, definitivamente decide a questão.

KEPHAS quer dizer Pedro!!!

Eis os escombros do sofisma oriundo da homonímia de Kephas na pobre língua aramaica!

Aliás, se a legítima interpretação de KEPHAS fosse Pedra, jamais perderia João essa oportunidade para informar, como quer a capciosa exegese romana, significar PETRA o nome próprio KEPHAS.

Ao constatar a distinção estabelecida por inspiração do Espírito de Deus, tornou-se-me evidente que Mateus, ao empregar a palavra PETRA na frase: “...e sobre esta PEDRA...” indicou a exatidão, precisou o significado e o valor desse termo PETRA, distinguindo-o, por conseguinte, do nome próprio PETROS.

O texto de João é inspirado. É canônico. Reconhecem-no os próprios hierarcas romanos. Reconhecem haver sido o seu original escrito na língua grega. Ao lume desses reconhecimentos da religião à qual, como padre, servia, por conseguinte, nenhuma dúvida poder-me-ia sobrevir quanto a esses valiosos pormenores.

Com a definição do quarto Evangelho falece-me o direito de substituir PETROS por PETRA, embora fantasie de legítimo um argumento baseado na pobreza do aramaico, a mais pobre e menos desenvolvida de todas as línguas semíticas.

Além disso, a própria semântica da nossa língua portuguesa reconhece aplicações insubstituíveis em palavras sinônimas, como é o caso de PEDRA e ROCHA. Seria cômico um enfatuado bispo romano chegar numa joalheria e pedir uma ROCHA de ametista para incrustar no seu episcopal anel de ouro. Imagine-se uma jovem a pedir ao seu noivo uma aliança de ROCHAS de brilhante.

Prevendo em Sua infinita presciência a deturpação de Sua Palavra por parte dos sofistas hierarcas, o Senhor inspirou o Seu servo a nos legar a Sua interpretação do vocábulo KEPHAS a fim de nos salvaguardar da hierofantolatria.

Voltei a procurar o beneditino redondo e rosado. Ao perceber-me irredutível, o seu tranquilo acolhimento transformou-se em pressa.

Garantiu-me suas rezas, depois de, preocupado com o relógio, ouvir-me. Sem recomendar-me outro retorno, atarantado, escondeu-se atrás da enorme e pesada porta de seu mosteiro, símbolo da sua escravidão ao papa.  

Por: Aníbal Pereira dos Reis (ex-padre).


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5 de junho de 2013

Justino pregava a Sola Scriptura?


Pessoas que gostam de causar polêmica alegaram que Justino de Roma (100 – 165 d.C) jamais ensinou a Sola Scriptura e que eu falsifiquei textos para defender isso. Além disso afirmaram que Justino cria diferente dos evangélicos em algumas questões doutrinárias e usaram trechos de suas obras em que ele citava autores pagãos como suposta “prova” de que ele não era adepto do princípio bíblico e cristão da Sola Scriptura. Para terminar, soltou a pérola de que Justino não podia crer na Sola Scriptura porque não havia uma lista oficial de livros canônicos da Bíblia. Se essas acusações são verdadeiras ou não, é o que veremos a partir de agora.


JUSTINO CRIA NA SOLA SCRIPTURA?

Antes de mostrarmos se Justino cria ou não na Sola Scriptura, é necessário explicarmos aos católicos o que é a Sola Scriptura, uma vez que incansavelmente vejo deturpações do significado do termo sendo colocado na boca deles. Primeiramente, vamos àquilo que Sola Scriptura não significa:

1º Sola Scriptura não significa que tudo tem que estar na Bíblia.

          Não está na Bíblia que Barack Obama seria presidente dos EUA ou que o São Paulo seria Tricampeão mundial em 2005, e mesmo assim eu creio nisso. O que tem que estar na Bíblia não é “tudo”, como erroneamente alegam alguns católicos, mas sim as doutrinas que eram ensinadas pelos apóstolos e por Jesus Cristo. Não cremos que “tudo está na Bíblia”, mas cremos que nenhum escritor bíblico “escondeu” alguma verdade doutrinária importante que não tenha sido escrita por nenhum deles nos 66 livros da Sagrada Escritura.

2º Sola Scriptura não significa que devemos rejeitar todas as tradições.

          Até mesmo igrejas protestantes têm suas tradições, com suas vestimentas, seus hinários, suas liturgias, seus costumes. As tradições que são rejeitadas pelos evangélicos são aquelas tradições que inventam doutrinas que não se encontram nas Escrituras nem podem ser demonstradas a partir delas, como é o caso de muitos dogmas católicos, que são sustentados puramente por aquilo que não foi escrito.

Agora, vamos mostrar aos católicos aquilo que Sola Scriptura significa:

1º Sola Scriptura significa que temos na Bíblia tudo o que é necessário para a nossa salvação.

2º Sola Scriptura significa que a Bíblia é totalmente suficiente em matéria de fé e prática.

3º Sola Scriptura significa que toda e qualquer tradição doutrinária que não tenha base bíblica deve ser rejeitada.

4º Sola Scriptura significa que todo ensinamento moral ou doutrinário da fé cristã deve ser embasado nas Escrituras.

Agora que já sabemos o que Sola Scriptura significa e aquilo que não significa, os católicos poderão deixar de argumentar no vazio, refutando um espantalho. E, se prestarem um pouquinho mais de atenção às obras do próprio Justino, veremos que ele tinha exatamente a mesma concepção que os evangélicos têm daquilo que realmente entendemos por Sola Scriptura:


1º Justino cria que aquilo que não era dito pelas Escrituras era duvidoso e suspeito.

2º Justino tentava provar pelas Escrituras tudo o que ele apresentava.

-Texto:

“Se, senhores, não fossem ditas pelas Escrituras que já citei, que Sua forma era sem glória, que por Sua morte o rico sofreria a morte, que pelas Suas pisaduras nós devemos ser curados, e que ele foi levado como uma ovelha ao matadouro, e se eu não tivesse explicado que haveria dois adventos daquele que foi ferido por vocês, quando vocês conhecerão Aquele a quem transpassaram e suas tribos se lamentarão, então considere o que eu disse como duvidoso e suspeitoMas foi por meio dos conteúdos das Escrituras, estimada santa e profética entre vós, que eu tento provar tudo o que eu tenho apresentado, na esperança de que algum de vocês possa ser encontrado para ser parte do remanescente, que foi deixado pela graça do Senhor dos Exércitos, para a salvação eterna” (Diálogo com Trifão, Cap.32)

Como vemos na citação acima, Justino costumava dizer que, se aquilo que ele disse não tem base Escriturística, que fosse considerado suspeito, obscuro, duvidoso. Mas que, ao contrário, era pelo conteúdo das Escrituras que ele tentava provar tudo (e não alguma parte) daquilo que ele apresentava! Os católicos infelizmente não podem subscrever as palavras de Justino, pois:

 Eles creem em doutrinas fora da Bíblia como dogmas de fé, e não como coisas “duvidosas e suspeitas”.

 Eles não tentam provar pelas Escrituras tudo o que eles creem, pois admitem que boa parte daquilo que creem não se encontra na Bíblia, mas na chamada “tradição oral”.

Portanto, vemos Justino contradizendo os pilares católicos da tradição oral não-bíblica e reiterando os princípios cristãos da Sola Scriptura.


3º Justino cria que não podemos deixar de nos referir constantemente às Escrituras.

-Texto:

“É uma coisa ridícula... que quem funda o seu discurso nas Escrituras proféticas deva abandoná-las e abster-se de referir constantemente as mesmas Escrituras, por pensar que ele próprio pode prover algo melhor do que a Escritura” (Diálogo com Trifão, Cap.85)

Deixar de se referir constantemente às Escrituras é o mais habitual de um católico que está acostumado a fundamentar suas doutrinas pela tradição, por pensar que “pode prover algo melhor do que a Escritura”.


4º Justino demonstrava aquilo que dizia pelas Escrituras.

-Textos:

“Ele disse que via uma escada, e a Escritura declara que Deus se erguia sobre ela. Mas que este não era o Pai, o demonstramos pelas Escrituras... E que a rocha simbolicamente proclamava Cristo, o demonstramos também por muitas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.86)

Você está familiarizado com eles, Trifão? Elas estão contidas em suas Escrituras, ou melhor, não a sua, mas nossa. Para nós acreditamos nelas, mas, apesar de você lê-las, não captura o espírito que está nelas” (Diálogo com Trifão, Cap.29)

“Porque Cristo é Rei e Sacerdote, é Deus e Senhor, tanto dos anjos como dos homens, é capitão, é a pedra, e nasceu como filho, e pela primeira vez foi sujeito ao sofrimento, e em seguida retornou para o céu e, novamente, vindo com glória,  Ele é anunciado como tendo o reino eterno: assim que eu provo de todas as Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.34)

Revertendo as Escrituras, eu devo me esforçar para convencê-lo que aquele que se diz que apareceu a Abraão e Jacó, e Moisés, e que é chamado de Deus, é diferente daquele que fez todas as coisas, numericamente” (Diálogo com Trifão, Cap.56)

”Eu poderia ter provado a vocês a partir das Escrituras que um desses três é Deus, e é chamado de Anjo” (Diálogo com Trifão, Cap.56

“Esteja bem certo, então, Trifão, que está estabelecido no conhecimento e fé nas Escrituras, das falsificações que aquele que é chamado diabo realizou entre os gregos” (Diálogo com Trifão, Cap.69)

“E por esse motivo que estou, através do medo, muito sincero no desejo de conversar com os homens de acordo com as Escrituras, mas não com os que tem amor ao dinheiro, ou de glória, ou de prazer” (Diálogo com Trifão, Cap.82)

É digno de nota que sempre Justino insistia em dizer que em todos os termos doutrinários era necessário provar nas Escrituras aquilo que ele estava dizendo. Note que ele nunca aduz a “procurar na tradição”, mas somente nas Escrituras (=Sola Scriptura), que desde sempre foram o pilar e o fundamento da nossa fé. Se existissem doutrinas ocultas na Escritura Sagrada, então Justino não iria insistir tanto em dizer que aquilo que ele mesmo dizia deveria ser provado pela Escritura. Afinal, para que tamanha necessidade e obrigação de “provar algo nas Escrituras” se, como os católicos insistem em dizer, há um monte de doutrinas que simplesmente não se encontram na Bíblia? Neste caso, seria inútil tal necessidade de ter que provar todas as doutrinas por “muitas Escrituras”, pois os próprios católicos não fazem isso!


5º Justino cria que era necessário provar as doutrinas pelas Escrituras.

-Textos:

 “Mas que isso não era o Pai, temos de provar nas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.86)

“E que a pedra proclamava simbolicamente Cristo, temos também que provar por muitas Escrituras” (Diálogo com Trifão, Cap.86)

Note o termo: temos que provar”, que remete a uma necessariedade. Para que tal necessidade, se os católicos estão mais do que convictos de que não há tal necessidade, tendo em vista a suposta “insuficiência” das Escrituras e que muitas doutrinas não estão nela? Se o pensamento católico está com a razão, qual seria a verdadeira finalidade em ser absolutamente necessário provar por muitas Escrituras acerca do tema doutrinário que está sendo tratado? Por que Justino simplesmente não fez como os católicos, dizendo que não tem que estar na Bíblia coisa nenhuma e que não existe tal necessidade de alguma doutrina específica estar na Bíblia?

Note que o que está sendo tratado aqui não é se aquele assunto em questão está ou não está na Bíblia, mas sim do por que é necessário “ter que provar” pelas Escrituras, se nem todas as doutrinas precisam mesmo estar nelas. Neste caso, ainda que houvesse uma passagem bíblica sobre isso, Justino poderia fazer como os católicos e simplesmente dizer que:

“E que a pedra proclamava simbolicamente Cristo, vamos mostrar nas Escrituras, embora não haveria necessariedade disso, pois também temos a tradição oral...

Mas, ao contrário, ele diz que tinha que provar por muitas Escrituras! Ou seja: provar uma doutrina pela Escritura era absolutamente necessário!


6º Justino cria na suficiência das Escrituras.

-Textos:

 “Agora, então, tornar-nos a prova de que este homem que você diz que foi crucificado e subiu aos céus é o Cristo de Deus. Para você ter suficientemente provado por meio das Escrituras já citadas por você, que é declarado nas Escrituras que Cristo devia sofrer e entrar novamente na glória, e receber o reino eterno de todas as nações, e que cada reino esteja subordinado a Ele: agora mostram-nos que este homem é ele” (Diálogo com Trifão, Cap.39)

“Mas você me parece não ter ouvido as Escrituras o que eu disse que tinha apagado. Para tal como foram citadas são mais do que suficiente para provar os pontos em disputa, além daqueles que são mantidas por nós, e ainda serão apresentados” (Diálogo com Trifão, Cap.73)

As Escrituras são mais do que o suficientes para provar os pontos em disputa! Se isso não é uma prova da suficiência das Escrituras – que é um princípio da Sola Scriptura – então eu não sei mais o que pode ser!


7º Justino cria na inerrância das Escrituras.

-Texto:

”Eu estou inteiramente convencido de que nenhuma Escritura contradiz outra, e você deve se esforçar para convencer aqueles que imaginam que as Escrituras são contraditórias, em vez de ser da mesma opinião que eu (Diálogo com Trifão, Cap.65)

Curiosamente já vi muitos católicos alegando que a Bíblia não é infalível nem inerrante, alguns dizem até que não é a Palavra de Deus! Justino, porém, era incisivo em dizer que na Bíblia não há contradições, exatamente como fazem os evangélicos.


8º Justino cria no livre exame da Bíblia.

-Texto:

“Eu tenho o propósito de citar para vocês as Escrituras, não porque eu esteja ansioso em fazer apenas uma exposição artística de palavras, pois eu não possuo tal faculdade, mas porque tenho de Deus a graça a mim concedida para a compreensão de suas Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.58)

Note que Justino diz a Trifão que cita as Escrituras a ele porque tinha de Deus a graça de compreender as Escrituras, mesmo ele não sendo o papa e nem um bispo romano. De fato, nada na biografia de Justino, que pode ser lida aqui ou aqui, indica que ele chegou a exercer qualquer cargo de liderança eclesiástica na Igreja. Ele não era papa, não era bispo, não era cardeal, não era presbítero, não nasceu em Roma. Não era parte do “Magistério”, segundo a própria concepção católica. E, mesmo assim, dizia que Deus lhe havia concedido a graça de não apenas examinar e citar as Escrituras, mas de compreendê-las!


9º Justino cria que a segurança doutrinária provém do apego às Escrituras.

-Texto:

“Eu comentei com o senhor, que está muito ansioso para ser seguro em todos os aspectos, uma vez que você se apega as Escrituras (Diálogo com Trifão, Cap.80)

Nós não somos inseguros se tivermos apenas a Escritura para nos guiar, porque se apegar às Escrituras significa estar seguro em todos os aspectos. Se é em todos os aspectos, então evidentemente que o aspecto doutrinário não está excluso deste quadro. Ao lermos Justino temos bem em mente a noção de que podemos ser seguros em todos os aspectos ao nos apegarmos às Escrituras, e não apenas em “alguns” aspectos, como se o aspecto doutrinário fosse deixado de lado e estivesse carente do apoio de uma tradição oral extra-bíblica.


10º Justino rejeita as doutrinas humanas e pede para crer somente se as Escrituras forem citadas com frequência.

-Texto:

“Se eu me comprometo a provar isso por doutrinas ou argumentos humanos, você não deve concordar comigo, mas sim se eu citar com frequência as Escrituras e pedir-lhe para compreendê-las (Diálogo com Trifão, Cap.68)

Fica claro que a aceitação da doutrina, na visão de Justino, estava condicionada à fundamentação desta à luz das Escrituras, e não a qualquer outro argumento humano que possa ser oferecido. A vista de tudo isso, só podemos concluir que Justino cria tão ou mais fortemente na Sola Scriptura quanto qualquer Reformador do século XVI.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vista de tudo isso, é incontestável que Justino cria na Sola Scriptura da mesma forma que foi proposta pelos Reformadores e era crida pelos primeiros cristãos. Se tais declarações estivessem na boca de um Lutero ou Calvino, seriam imediatamente repreendidas por um católico romano, mas como veio de um homem do século II, venerado pela própria Igreja Católica, a conversa muda, e eles tentam de todas as formas omitir e distorcer informações, apelar a ataques pessoais, acusações e verdadeiros malabarismos mentais para negar tudo aquilo que Justino disse de forma tão clara e explícita.

 Mas e os autores pagãos que Justino citou? Isso significa que ele não cria na Sola Scriptura?

É lógico que não. Na própria Bíblia há muitas citações de autores fora da Bíblia, como é o caso do apócrifo de Enoque que é citado em Judas 14, do livro da Assunção de Moisés que é citado em Judas 9, da comédia grega Thais (escrita pelo poeta grego Meandro) que é citada por Paulo em 1ª Coríntios 15:33, da obra Cretica, de Epimênides (600 a.C), que é citada por Paulo em Atos 17:28, da obra Fenômenos, escrita pelo poeta grego Arato (315 – 240 a.C), ou de Cleanto (331 – 233 a.C) em seu Hino a Zeus, que tem citações de suas obras mencionadas pelo mesmo apóstolo em Atos 17:28.

Isso obviamente não significa que Paulo, Judas ou os demais escritores bíblicos criam na inspiração ou como fonte doutrinária tais escritos, significa apenas que aquela citação específica de onde foi tirado constitui uma verdade. Eu mesmo, que creio na Sola Scriptura, frequentemente cito outros autores fora da Bíblia na corroboração de um determinado ponto de vista ou interpretação de um texto bíblico, e isso de modo algum significa que eu deixei de crer na Sola Scriptura por conta disso. Os próprios Reformadores, como Lutero e Calvino, citavam outros autores, e isso não os impediu de crer na Sola Scriptura. Por que apenas com Justino teria que ser diferente?

 Mas Justino tinha divergências com algumas crenças cridas pelos evangélicos. E agora?

Isso não infere em absolutamente nada na crença ou descrença dele na Sola Scriptura. Evangélicos também divergem de outros evangélicos em alguns aspectos e mesmo assim ambos creem na Sola Scriptura, e católicos divergem de católicos em alguns aspectos e ambos negam a Sola Scriptura. Portanto, o fato de Justino crer ou não crer exatamente conforme os evangélicos ensinam com respeito a cada ponto da fé cristã em nada influencia na sua crença ou descrença na Sola Scriptura.

E, por sinal, muitas dessas “doutrinas divergentes” são pura invenções deles, e não doutrinas realmente contrárias ao pensamento majoritário entre os evangélicos. A questão da eucaristia que foi citada é um claro exemplo disso. Os Pais costumavam frequentemente dizer que o pão era o corpo de Cristo e o vinho o Seu sangue, sem de modo algum deixarem de crer que isso estava sendo dito de maneira figurada e simbólica. Isso pode ser observado facilmente nos escritos de vários Pais da Igreja, que o leitor pode acompanhar clicando aqui e aqui.

 Mas como Justino podia crer na Sola Scriptura se na época dele não existia uma lista oficial de livros considerados canônicos pela Igreja?

Este argumento é risível. Também não existia uma “lista oficial de tradições não-escritas e fora da Bíblia que constituem doutrina” correndo à solta em pleno século II d.C, e mesmo assim os católicos creem que os Pais da Igreja do século I e II observavam as mesmas tradições aceitas hoje pelos católicos! Na época de Eusébio, por exemplo, a Igreja de Roma dizia uma coisa, e as demais diziam outra (HE, Livro III, 3:5). Eles não se acertavam nem mesmo em saber quem foi o escritor da carta aos Hebreus, e mesmo assim creem que todas as tradições da Igreja Romana foram preservadas inalteráveis através dos séculos! Em pleno século II d.C havia discordâncias entre a tradição recebida por Policarpo e as do bispo de Roma, Anacleto, que eram divergentes (HE, Livro V, Cap.24). Discussão semelhante ocorreu entre o bispo e Roma, Vítor, e Irineu de Lyon.

Se a Bíblia não podia ser a única regra de fé por não existir uma lista oficial de livros canônicos, a tradição muito menos, pois desde cedo já causava divergências causadas por tradições diferentes entre si. É por isso que até hoje a Igreja Ortodoxa e a Igreja Romana mantém várias doutrinas contrárias entre si, mesmo que ambas afirmem “guardar a tradição”. Além disso, ainda que não existisse uma lista oficial, as Escrituras em si já existiam. Josefo listou o cânon do AT que era aceito entre os judeus (Contra Apião, 1:41), que por sua vez também foi adotado pelos cristãos (veja aqui aqui).

Policarpo, ainda no século I, faz menção às epístolas de Paulo e as chama de Escritura (aos Filipenses, 12:1), o mesmo que faz também Clemente de Roma e Inácio de Antioquia por esta mesma época. O próprio Pedro citou as epístolas de Paulo como sendo Escritura (2Pe.3:16), e Paulo fez o mesmo com o evangelho de Lucas (1Tm.5:18, citando Lc.10:7). Todas as epístolas do NT já eram lidas por toda a Igreja no século II, de modo que, ainda que um ou outro livro do NT fosse considerado de inspiração duvidosa, isso não muda em absolutamente nada o fato de que a Sagrada Escritura já existia na época em sua integridade de livros conhecidos e já era considerada a regra de fé dos primeiros cristãos. Tanto é que Irineu de Lyon, que viveu na mesma época do próprio Justino, pôde dizer que a Escritura é o pilar e o fundamento da fé cristã:

"De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, para que sejam o fundamento e pilar de nossa fé" (Contra as Heresias, Livro III, 1:1)

Para esse católico, porém, Irineu deveria ter dito isso:

“De nada mais temos aprendido o plano de nossa salvação, senão daqueles através de quem o evangelho nos chegou, o qual eles pregaram inicialmente em público, e, em tempos mais recentes, pela vontade de Deus, nos foi legado por eles nas Escrituras, que só serão o pilar e o fundamento da nossa fé depois que alguém fizer uma lista oficial completa de livros aceitos no cânon

Este é o nível da apologética católica...

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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