29 de março de 2016

O que Paulo pregava quando Êutico morreu?


Atos 20:7-9 nos conta a história de um jovem que morreu enquanto Paulo estava pregando. O texto em questão diz:

“E no primeiro dia da semana, ajuntando-se os discípulos para partir o pão, Paulo, que havia de partir no dia seguinte, falava com eles; e prolongou a prática até à meia-noite. E havia muitas luzes no cenáculo onde estavam juntos. E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto” (Atos 20:7-9)

O que geralmente é pregado em cima deste relato é que Paulo posteriormente o ressuscitou. Um dos meus professores do mestrado, no entanto, fez uma pergunta incisiva para a turma: “Vocês lembram o que Paulo pregava quando Êutico morreu?”. A maioria dos alunos tentou voltar ao texto bíblico para ver se tinha ali algum registro, e outros (como eu) ficaram simplesmente esperando o circo pegar fogo. Por fim, ninguém “lembrou” o que Paulo tinha pregado naquela ocasião. E o professor arrematou:

– Vocês não lembram porque não escreveram sobre isso. Se tivessem escrito, alguém lembraria.

Este é o ponto em questão. Embora o professor tivesse usado essa ilustração para mostrar o quanto é importante que um pregador escreva livros em vez de apenas ensinar oralmente, isso tem tudo a ver com a questão da Sola Scriptura vs Tradição Oral. Hoje em dia, um pregador que ensina oralmente ainda pode ter seu ensino registrado e guardado para a posteridade por meio de gravações em áudio ou em vídeo, mesmo que ninguém escreva nada. Mas aqui não estamos falando do século XXI, mas do século I. No século primeiro, só havia a escrita como meio de preservação do que foi ensinado.

O que foi escrito se preservou, e o que não foi nós simplesmente não sabemos – da mesma forma que ninguém se “lembra” do que Paulo pregou nas ocasiões em que seu ensino não foi registrado por escrito. Quando os apologistas católicos vociferam que “Jesus disse muitas coisas que não foram escritas” e que “os apóstolos também pregaram de boca em boca”, eu concordo. É assim mesmo. O que discordamos completamente é que essas coisas que não foram escritas foram preservadas incorruptivelmente ao longo de vinte séculos sem passar por nenhum acréscimo ou modificação.

Para citar alguns exemplos:

• Entre essas “muitas coisas que não foram escritas”, mas que foram pregadas apenas oralmente, os espíritas deduzem que está a reencarnação.

• Os mórmons deduzem que está a ida de Jesus à América.

• Os muçulmanos deduzem que estão profecias sobre Maomé.

• Os católicos ortodoxos deduzem que está o ensino de que alguém condenado ao inferno ainda pode ser salvo depois da morte.

• Os católicos romanos deduzem que está o purgatório, o limbo, a imaculada conceição de Maria, sua assunção ao céu de corpo e alma, as rezas repetidas à exaustão, a oração pelos mortos, o culto às imagens, a infalibilidade e supremacia papal, etc. Muitas dessas coisas que nem os orientais ortodoxos dizem que existem – embora aleguem guardar a mesma “tradição apostólica”.

Inevitavelmente, o que todo charlatão irá querer provar pra você é que o que ele diz não foi escrito, mas foi pregado assim mesmo. Está ali, nas entrelinhas, subliminarmente, oculto, encoberto, escondido, mas está ali sim. Foi pregado, com certeza. E você só precisa ter a mesma imaginação fértil para acreditar que foi mesmo. Basta ser ingênuo e adestrado o suficiente e ter passado por toda a doutrinação e lavagem cerebral conhecida como catequismo. É assim que se convence os tolos de que inumeráveis doutrinas jamais pregadas pelos apóstolos foram ditas por eles – mesmo sem prova, sem documentação, sem registro, sem nada. Apenas uma fé cega e desnorteada.

Sempre que um católico romano quiser fazer com que você engula a lenda da tradição oral, peça a ele quatro coisas:

Quem disse.
Quando disse.
Para quem disse.
O que disse.

E é claro:

Quais as provas cabais de que disseram isso mesmo.

Com as Escrituras isso é muito fácil. Se um protestante quiser usar um versículo da primeira carta de Paulo a Timóteo, por exemplo, ele sabe:

Quem disse: Paulo.
Quando disse: cerca de 64 d.C.
Para quem disse: Timóteo.
O que disse: tudo o que está registrado na carta.

E também:

Quais as provas cabais de que disseram isso mesmo: mais de cinco mil manuscritos gregos antigos e bem preservados.

Agora faça o mesmo teste com a “tradição oral” dos católicos, por exemplo, no que se refere ao culto aos defuntos:

Quem disse: Ninguém sabe.
Quando disse: Não se tem ideia.
Para quem disse: Algum anônimo desconhecido.
O que disse: Alguma coisa incerta.
Quais as provas cabais de que disseram isso mesmo: Nada.

A tradição oral católica é uma tradição-fantasma, sem fundamento, sem embasamento, sem teor científico, apenas baseada no achismo e na sem-vergonhice de apologistas embusteiros e picaretas a serviço de uma Igreja Assassina. É como eu já disse aqui outras vezes:

Eu estou escrevendo uma tese de dissertação no mestrado chamada “A Bíblia e a Escravidão”. O propósito é estudar a temática da escravidão à luz da Bíblia e também à luz da história secular. Quais as fontes que eu poderia usar para o meu trabalho? Obviamente, fontes escritas. Eu posso usar a própria Bíblia, o Códice de Hamurabi e outros registros dos outros povos, assim como eu posso estudar os escritos de pessoas como Abraham Lincoln, John Wesley e William Wilberforce, que foram fundamentais para o fim da escravidão no mundo. Todas fontes escritas, obviamente. No entanto, imagine qual seria a minha nota na dissertação se eu dissesse alguma informação sem prová-la, e como pretexto alegasse que “isso chegou aos meus ouvidos”. Imagine qual seria a cara do meu orientador se eu escrevesse alguma groselha sem nenhum fundamento histórico e me justificasse sob o argumento de que “nem tudo o que aconteceu na história da escravidão foi escrito”. Imagine a vergonha que eu passaria se deixasse de lado o que foi escrito para ficar com aquilo que supostamente foi dito oralmente, mas que eu não tenho a menor condição de provar que foi mesmo. Sem dúvidas, a minha nota seria zero e eu seria expulso da faculdade, pois meu registro não teria nenhuma credibilidade.

Essa é a diferença entre a pesquisa séria, extraída de documentos escritos e de fontes primárias (no caso das doutrinas bíblicas, a Sagrada Escritura) e a fantasia do mágico que tira quantos e quais coelhos quiser da sua cartola, especificamente qualquer coisa que quiser inventar sob o nome de “tradição apostólica”.

Antes de concluir este artigo, gostaria de recomendar o hangout mais recente que trata sobre Papado, Sucessão Apostólica e Sola Scriptura, que será ainda complementado com um próximo que será realizado nas próximas semanas. O hangout conta com a participação minha e do Bruno Lima, do excelente blog Respostas Cristãs, que eu nunca canso de recomendar e que é de leitura obrigatória para qualquer um que quiser se aprofundar mais sobre as doutrinas protestantes:


Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


-Meus livros:

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LucasBanzoli.Com (Um compêndio de todos os artigos já escritos por mim)
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Desvendando a Lenda (Refutando a imortalidade da alma)
Ateísmo Refutado (Evidências da existência de Deus e veracidade da Bíblia)
Fim da Fraude (Refutando as mentiras dos apologistas católicos)

22 de março de 2016

Refutando argumentos idiotas contra a Sola Scriptura




No desespero em juntarem o máximo de conteúdo possível contra a Sola Scriptura para atacarem a Bíblia, os teólogos e apologistas a serviço de Roma inovaram e inventaram os piores argumentos possíveis já vistos pelo homem. Tais argumentos de vez em quando causam algum incômodo a algum leigo que tem pouco ou nenhum conhecimento da doutrina reformada, mas não chegam a fazer cócegas em estudiosos, e são completamente inúteis em um debate inteligente. Mostraremos e refutaremos tais argumentos a partir de agora.


• A autoria dos evangelhos

Um dos argumentos idiotas perpetuados por alguns apologistas inexperientes é o de que não há a autoria de Mateus no Evangelho de Mateus, nem o de João no Evangelho de João, nem o de Marcos no Evangelho de Marcos, e isso de alguma forma significa que a Sola Scriptura é falsa. Este argumento é mais uma vez uma falsificação e um espantalho do real entendimento de Sola Scriptura, que novamente devemos avisar aos teólogos papistas que não é o princípio segundo o qual tudo tem que estar na Bíblia, mas sim o de que todas as doutrinas tem que estar na Bíblia.

A autoria de quem escreveu algum evangelho é uma doutrina? Não. Então isso não afeta em nada o princípio reformado de Sola Scriptura. Para o lixo mais este argumento.

Como nota adicional, devemos observar que a autoria dos evangelhos ou de qualquer outro livro não é de nenhuma importância; o que importa é o conteúdo que está presente no livro. Da mesma forma que não importa se o autor deste livro chama-se Lucas Banzoli ou se é Adamastor Elefôncio da Costa Pinto, mas sim o conteúdo que está neste livro, igualmente o que importa na questão dos evangelhos não é quem escreveu mas sim o que escreveu.

Adicionamos ainda que nem mesmo a tradição é capaz de afirmar a autoria do livro de Hebreus, mas os papistas creem neste livro mesmo assim, o que mostra que nem eles mesmos levam a sério o seu próprio argumento em torno da autoria dos livros, pois se uma autoria que não consta na Bíblia significa que a Bíblia não é suficiente, então uma autoria que não consta na tradição deveria implicar no mesmo. Mas eles ignoram o fato de que a tradição não dá certeza da autoria de Hebreus e mantém o “argumento” de que a Bíblia não dá certeza da autoria de alguns evangelhos. Isso é um argumento claramente tendencioso e arbitrário, e, portanto, mais um que vai para a lata do lixo.


A Sola Scriptura só seria possível a partir da invenção da imprensa

Este é com certeza o argumento mais infame de todos os argumentos mais estúpidos que temos conhecimento. Eles dizem que a imprensa foi criada no século XV e que antes disso poucas pessoas tinha acesso à Bíblia, e de alguma forma concluem que por causa disso a Sola Scriptura é falsa, pois aquelas pessoas não poderiam ler a Bíblia. Mesmo se isso fosse verdade, o que isso prova na questão da natureza das Escrituras? O nível de autoridade da Bíblia depende da data da criação da imprensa? Quem foi o primeiro a dar a sugestão de um argumento tão ridículo como esse?

Além de tornar a natureza e autoridade das Escrituras dependente de uma invenção humana, eles por essa lógica também deveriam anular a própria tradição oral para as pessoas surdas, porque elas não poderiam ouvir a tradição da Igreja Romana. Mas se o fato de uma pessoa ser surda não altera em nada a existência da tradição oral, então o fato de uma pessoa não poder ler a Bíblia por ser analfabeta ou por não ter acesso a ela também não altera em absoutamente nada o nível de autoridade das Escrituras.

Os Pais da Igreja também viveram muito antes da invenção da imprensa, mas vimos nos capítulos 3 e 4 mais de quatrocentas citações patrísticas da adoção do princípio de Sola Scriptura por eles. Isso também prova que a autoridade da Bíblia não depende da invenção da imprensa. Os romanistas distorcem mais uma vez de maneira grosseira o sentido de Sola Scriptura, pois Sola Scriptura não é o princípio segundo o qual todos tem que ter uma Bíblia para ler, mas sim o de que todas as doutrinas tem que estar na Bíblia.

Assim sendo, o ensino oral para aqueles que não têm Bíblia ou que são analfabetos deve ser pregado de acordo com o conteúdo registrado nas Escrituras, e isso não tem nada a ver se essas pessoas podem ler a Bíblia ou não. E da mesma forma que Deus não vai punir todos os índios ao inferno só porque eles não tiveram acesso à tradição nem ao magistério romano, ele não vai punir as pessoas que não puderam ter acesso à Escritura, mas que viveram uma vida com uma conduta moral de acordo com ela.

Sustentar que a Bíblia não podia ser a regra de fé até o século XV porque só depois disso é que os leigos tiveram mais acesso a Bíblia é como sugerir que Jesus não podia ser o Salvador antes do século XVI porque só depois disso é que os índios tiveram acesso à cultura européia e aos valores cristãos. Ou seja: é mais um argumento frouxo que supera o nível da imbecilidade. 

Continua... 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

-Extraído de meu livro "Em Defesa da Sola Scriptura".


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18 de março de 2016

Bruno Lima esmiúça texto do astronauta católico sobre Agostinho


O Bruno Lima decidiu nas últimas semanas bater em bêbado e elaborou uma refutação completa ao artigo do picareta e embusteiro profissional Rafael Rodrigues, o astronauta e monstro moral que já foi detonado neste blog aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e, mais recentemente, aqui e aqui. O artigo em questão é um onde o malandro tenta provar que Agostinho era católico romano, com um texto cheio de mentiras, falsificações, traduções ridículas e distorções grotescas. O animal simplesmente não conhece nada de patrística e se mete a escrever artigos toscos sobre o tema, sempre levando paulada na cara depois.

Segue os artigos onde Bruno Lima salva a honra do bispo de Hipona e coloca o astronauta católico em seu devido lugar:








Se depois desta denúncia Rafael Rodrigues mantiver seu texto mentiroso e fajuto sobre Agostinho no ar, é porque é mais descarado e sem-vergonha do que a gente imagina.

Não, Agostinho nunca foi católico romano. Graças a Deus, ele era capaz de raciocinar por si mesmo e chegar às suas próprias conclusões doutrinárias independentes.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


ADENDO IMPORTANTE:

Neste domingo (dia 20/03/2016) haverá um novo hangout que tratará sobre os temas do papado, sucessão apostólica, tradição e Sola Scriptura. Convoco os leitores a assistir ao vivo no canal do Elisson Freire, disponível aqui, que estará transmitindo quando nós começarmos, em torno das 14h. Quem quiser deixar uma pergunta sobre os temas tratados no hangout para que ela seja respondida ao vivo por nós pode fazê-lo por aqui mesmo na caixa de comentários deste artigo, ou então no próprio link do hangout na hora. Para que ninguém se perca, na hora eu indicarei o link na minha página no facebook. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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