28 de novembro de 2012

Jesus Cristo veio 100% em carne ou era apenas "parecido" com os humanos?



Um assunto muito polêmico é quando tratamos sobre a natureza que Cristo teve na terra. Como todos sabem, eu adoto a posição de que o Nosso Senhor era plenamente humano igual a nós “em todos os aspectos” (Hb.2:17), ou seja, que ele foi realmente homem, que veio realmente em carne, que tinha factualmente a mesma natureza nossa, de carne e osso, plenamente, 100%. Se alguém pensa diferente de mim e acredita que Jesus não abriu mão dos atributos divinos e continuou sendo onipotente, onisciente e onipresente na terra, como uma espécie de “Super-Homem-Todo-Poderoso” que era alguém totalmente diferente de nós (pois detinha atributos que o distanciavam inteiramente de meros mortais como nós), eu discordo dessa pessoa, mas não a chamo de “herege” só por conta disso.

Mas ontem eu li algo que realmente me deixou chocado. Espantado. Apavorado. Tais proponentes chegaram a tal ponto que já estão (pasme) negando que Jesus veio em carne! É claro que eles não dizem isso claramente, abertamente, pois sabem que seriam taxados de hereges (como de fato são). Por isso, lhes é mais conveniente tentar usar uma outra linguagem com uma “carinha bíblica”, que vem com uma roupagem diferente, mas que de fato apenas se alinha com a teoria gnóstica que nega que Jesus veio em carne.

Então, a linguagem “cristã” que eles usam para dar uma miragem de “argumentação” às suas crenças gnósticas consiste no seguinte: Jesus não era homem como nós, ele era apenas “semelhante” (no sentido de “parecido”) com os humanos, mas não era humano de fato, só “semelhante aos homens”. Tá aí o Novo Gnosticismo, renascendo em pleno século XXI, tão herético e blasfemo quanto aquele que tanto incomodou os apóstolos, que por diversas vezes tiveram que reiterar que Jesus veio factualmente em carne:

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade”(João 1:14)

“Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carneprocede de Deus; mas todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo”(1ª João 4:2-3)

“De fato, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal é o enganador e o anticristo”(2ª João 1:7)

“Não há dúvida de que é grande o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado em corpo, justificado no Espírito, visto pelos anjos, pregado entre as nações, crido no mundo, recebido na glória” (1ª Timóteo 3:16)

Por que os apóstolos eram tão insistentes em dizer que Jesus veio em carne, se Cristo teoricamente não era humano como nós, mas apenas “parecido” com os humanos? A verdade é que eles realmente criam que Jesus não era apenas “semelhante” ou “parecido” com os homens, mas que erarealmente um homem! Se eles cressem que Cristo era apenas “parecido externamente” com os homens, então eles teriam corroborado com a doutrina gnóstica do docetismo que ensinava essa heresia, e não a refutado vigorosamente! Tais apóstatas do século XXI se igualam em tudo aos gnósticos da época do apóstolo João, que ensinavam deste jeito:

“Essa doutrina [gnóstica] era nada mais que um enxerto das filosofias pagãs nas doutrinas cristológicas. Negava o Cristianismo histórico (segundo ela, o Senhor Jesus não teve um corpo, isto é, não veio em carne, e seu corpo seria mera aparência, que chamavam de corpo docético). Seu período áureo foi entre 135-160 d.C., mas o gnosticismo já dava trabalho às igrejas na época dos apóstolos. O evangelista João enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo 1.14); e "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (1 Jo 4.3). É bom lembrar que os escritos joaninos são do final do primeiro século, escritos na cidade de Éfeso, então capital da Ásia menor, de onde surgiu o gnosticismo” (Fonte: Sola Scriptura TT)

Como vemos, os gnósticos hereges ensinavam que Jesus era homem apenas em aparência externa, mas não interiormente e factualmente. Misteriosamente, o indivíduo com o qual eu debati pregou exatamente essa mesma história ao dizer:

“Além do mais, existe a diferenciação entre morphe (expressão externa do ser interno) e schema (aparência externa, que pode ser vista). Jesus tornou Deus conhecido aos homens por suas ações, mas foi identificado como um ser humano perfeito (sem pecado) e completo (em todos os aspectos físicos). Logo, as ações de Jesus refletiam quem ele era internamente (morphe), porém, os homens o viam (schema) exatamente como sendo um de nós”

Perceberam o que o herege disse aqui? Tentando mascarar a clareza da sua negação à completa humanidade de Cristo na terra e a negação de que Jesus tenha vindo em carne, ele utiliza um linguajar mais sofisticado fingindo até conhecer o grego, quando na verdade ele apenas repete em um só coro a crença gnóstica de que Jesus parecia um homem em aparência externa, mas não era homem “internamente” (factualmente), apenas os homens o “viam” (externamente) como sendo um de nós. É patentemente óbvio como o indivíduo possui uma crença notavelmente gnóstica, que foi exaustivamente refutada pelos apóstolos e pelos Pais da Igreja. A crença de que Jesus parecia homem externamente, mas não o era realmente (100%), internamente, verdadeiramente.

O cidadão realmente não aprendeu essa heresia lendo a Bíblia, mas a retirou direto dos livros gnósticos. De fato, o pensamento e o parecer gnóstico herético é fundamentalmente o mesmoque estes “novos gnósticos” empregam. É claro que estes não falam abertamente que “Jesus não veio em carne” ou que tinha um “corpo docético” (para parecer que não são antibíblicos), mas a essência do seu pensamento e da sua argumentação é a mesma e conduz aos mesmos pontos e a conclusões iguais. A base consiste em negar a perfeita humanidade de Cristo na terra. Ou seja, em termos claros e sem rodeios, consiste em negar que Jesus tenha vindo em carne.

Mas o leitor ainda pode questionar: e sobre a Bíblia dizer que Jesus veio a “semelhança dos homens”? Será que isso nega que Jesus realmente foi um homem? Clara e objetivamente: Não! Isso não nega que Jesus foi homem! Essa heresia do neo gnosticismo já se alastrou na Igreja a tal ponto que os apologistas evangélicos Norman Geisler e Thomas Howe tiveram que expor uma refutação a ela em seu “Manual de Dúvidas, Enigmas e Contradições da Bíblia”, refutando os hereges no que diz respeito a esse conceito. Vejamos o que eles escreveram em seu livro:

PerguntaJesus veio realmente num corpo humano de carne, ou apenas em sua semelhança?

Problema ­– Paulo afirma que Jesus veio "em semelhança de carne pecaminosa", mas não declara que ele é feito de carne humana, ainda que a Bíblia cite repetidamente o fato de Jesus ter sido encarnado em carne humana, ou seja, de ser verdadeiramente humano, não apenas semelhante a um humano.

SoluçãoJesus não foi apenas semelhante aos homens - ele foi um homem. Ele não veio só em semelhança à carne humana, mas veio com um corpo de carne realmente humana. Nesse ponto as Escrituras são claras. João declarou: "E o Verbo [Cristo] se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1:14). Posteriormente ele advertiu que todo aquele que não confessa "que Jesus Cristo veio em carne" não é de Deus (1 Jo 4:2-3; cí 2 Jo 7). De igual forma, Paulo insistiu que "Deus se manifestou em carne" (1 Tm 3:16, SBTB). Noutra parte, nesse mesmo livro, Paulo usa a expressão "semelhança" no sentido de "ser realmente como", não como apenas tendo a "aparência de ser como" (Rm 1:23; 5:14; 6:5). Assim, bem pode ser que Paulo não estivesse fazendo diferenciação entre "semelhança" e "tal como".

Como Geisler diz, Paulo usava o termo grego para “semelhança” no mesmo sentido de “ser realmente como”. E isso mutila com as pretensões dos novos gnósticos do século XXI, que insistem em dizer que por “semelhante” implica necessariamente em “parecido”, negando, assim, que Jesus Cristo foi realmente um homem. O que vemos é que Paulo muitas vezes aplicava no termo “semelhante” como algo que é “realmente como” outro. Por exemplo, ele diz:

“E trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1:23)

As “imagens” aqui não eram feitas segundo algo apenas “parecido” com os homens, mas era realmente imagens de homens. Em Romanos 5:14, o apóstolo diz:

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” (Romanos 5:14)

O versículo acima seria perfeitamente cabível e plausível se dissesse que a morte reinou até sobre aqueles que não tinham pecado igual Adão. Aqui Paulo empregou a palavra "semelhante" no mesmo sentido de "igual", isto é, com a mesma aplicação prática. Em Romanos 6:5, o mesmo apóstolo compara a ressurreição de Cristo com a nossa própria ressurreição como sendo “semelhante”:

“Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:5)

Evidentemente, nós iremos ressuscitar igualmente como Cristo ressuscitou, isto é, ressuscitaremos assim como Cristo, da mesma forma que. A nossa ressurreição não será apenas “parecida” com a de Cristo, pois nós também seremos vivificados e ressurgiremos para a glória em um corpo glorioso e ressurreto. Em resumo, nestes três casos, assim como em outros textos da Escritura, vemos que a substituição do “semelhante” por um “igual”, “assim como” ou “da mesma forma que” (que passam o sentido de igualdade e não de algo parecido) é plenamente, perfeitamente e absolutamente plausível. Então, por que raios que o mesmo caso não possa ser verdadeiro com relação às declarações sobre Jesus ter vindo à “semelhança do homem”, significando que ele era realmente um homem, e não apenas parecido com um?

Essa questão os neo-gnósticos não respondem, pois preferem se acovardar diante das suas próprias heresias modalistas. Uma das alegações dos hereges para tentar sustentar e salvaguardar essa doutrina blasfema é dizer que, se Jesus era humano igual a nós, então ele poderia pecar (i.e, estaria inclinado ao pecado). Para eles, era impossível que Jesus pecasse, não tinha nem a mínima chance de acontecer, a carne de Cristo era diferente da nossa, pois a nossa tem a tendência ao pecado e a de Cristo não tinha. Primeiramente, é bom deixar logo claro uma coisa aqui: eu creio 100% e absolutamente que Jesus nunca pecou, como a Bíblia declara taxativamente (Hb.4:15).

Porém, o fato de ele nunca ter pecado não foi porque era impossível pecar ou por ter uma carne diferente da nossa, mas porque ele foi suficientemente capaz para resistir e vencer as tentações da carne. Aqui está o ponto-chave de toda essa discussão: dizer que Jesus não tinha uma carne igual a nossa e que a carne dele (diferentemente da nossa) não estava suscetível a um desejo pecaminoso significa o mesmo que dizer que Jesus jamais foi tentado. E a Bíblia afirma categoricamente que Cristo foi tentado várias vezes:

Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mateus 4:1)

Mesmo quando a tentação do deserto chegou ao fim, não é nos dito que o diabo deixou de tentar Jesus, mas que ele esperou até outra ocasião oportuna, deixando legível que Cristo seria tentado mais vezes:

“Tendo terminado todas essas tentações, o diabo o deixou até ocasião oportuna (Lucas 4:13)

Convenhamos: se fosse impossível que Jesus fosse caísse em tentação, então por que o diabo iria querer tentar Jesus, se não haveria a mínima chance para ele? Se ele sabia que Jesus era naquele momento onipresente, onisciente e onipotente, que não tinha aberto mão de coisa nenhuma da divindade, que era todo-poderoso e inteiramente incapaz de ser suscetível a qualquer tentação, então ele jamais teria tentado Jesus, seria inútil, ilógico e sem qualquer razão de ser. O diabo só tentou Jesus porque sabia que ele tinha chance.

Logicamente Jesus venceu a tentação e o diabo perdeu feio: em todas as vezes. Mas, como disse acima, isso não ocorreu por ser impossível de ocorrer em decorrência do fato de ele ter uma carne humana “diferente” da nossa, mas sim porque foi o mais competente, se consagrou mais, se preparou, foi batizado, foi ao deserto, jejuou quarenta dias e resistiu firmemente a todas as tentações. Dizer que era impossível Jesus ter pecado significa tirar os méritos de Cristo em ter vencido as tentações.

Pense em qualquer conquista que você já teve. O que foi que tornou essa grande conquista algo realmente grande e de enorme relevância a você? Certamente o fato de que existia uma possibilidade de essa grande coisa jamais ter acontecido e você ter perdido, mas por causa da sua luta e perseverança você alcançou, e por isso se satisfaz com isso. Mas se o que você ganhou tivesse sido de “mão beijada”, se fosse algo que seria impossível de não acontecer, se fosse algo que já estivesse fadado a ser assim e ponto final, então não haveria méritos, não haveria “vitória” nisso. A vitória só existe quando há a possibilidade de derrota.

Quando a possibilidade de derrota não existe, não existe vitória, existe apenas uma neutralidade, algo que (sendo bom ou mal) iria acontecer de qualquer jeito mesmo. Resumindo, tudo aquilo que aconteceu na tentação de Jesus no deserto nos revela um homem comprometido com Deus – o Filho de Deus – que, mesmo sendo tão humano quanto qualquer um de nós naquela situação, mostrou que é capaz e possível resistir e vencer a todas as tentações do maligno, como humano, como alguém igual a nós.

Eu posso hoje resistir às tentações da minha carne olhando para o exemplo daquele homem que um dia venceu por mim no deserto e na cruz do Calvário, e me passou o exemplo de que é possível rejeitar os prazeres da carne como o Jesus homem resistiu e venceu. Mas se ele tinha uma carne diferente da minha – como defendem os neo-gnósticos – e era impossível de cair em tentação, então todo este quadro se reverte. Além de não haver nenhum mérito em vencer algo que não tem mínima possibilidade de fracasso e que era impossível não ter sucesso, nós estaríamos até hoje esperando alguém que finalmente se fizesse humano igual a nós, e nos mostrasse que é possível vencermos o pecado mesmo nessa nossa natureza carnal.

Pois se Jesus teve uma carne diferente da nossa e não tinha possibilidade de queda e nem inclinação nenhuma no aspecto da carne humana, então ele era totalmente diferente de mim, a tal ponto que eu não posso buscar inspiração em alguém se este alguém tinha alguma coisa que o diferenciava em termos absolutos de qualquer um de nós, que seria uma carne diferente. Pense da seguinte forma: imagine que você está em um estádio de futebol, tendo como objetivo marcar um gol no meio de campo e acertando a bola no ângulo direito do goleiro.

Milhões de pessoas teriam tentado acertar milhões de vezes, mas nunca conseguíram. Por isso, acharam impossível acertar a bola no ângulo do meio de campo, e começaram a reclamar com o organizador do projeto, dizendo: “Isso é impossível! Você nos colocou desafios que é impossível de se superar”! Então o dono, sabendo que isso não era verdade e que não tinha metido aqueles humanos em um joguinho sem saída, mas querendo provar que era possível vencer, decide provar que isso é possível enviando o seu próprio filho para acertar aquela cobrança e marcar o gol. As pessoas esperaram entusiasmadas para ver se este filho do dono iria conseguir mesmo cumprir todo aquele desafio como sendo humano igual a eles. Então, o filho vai lá, bate na bola, e... gol! No ângulo!

As pessoas comemoram entusiasmadas! Sim, é possível vencer o desafio! Mas pera aí. Pouco depois, descobriram que havia algo de errado nisso tudo. Depois de investigarem cuidadosamente, descobriram que este tal filho do dono apenas parecia um humano, mas não era de fato um humano – era como se fosse um robô pré-programado para acertar a bola no ângulo de tal forma que era impossível não obter êxito naquele desafio. Os humanos, então, se desanimaram e continuaram crendo que era impossível vencer aquele desafio, uma vez sendo que, na única vez que alguém teria conseguido, não era realmente um humano, mas alguém ilimitado, com uma natureza diferente na qual seria realmente impossível não realizar o feito. E todos voltaram para a estaca zero novamente.

Gostaram dessa historinha? Pois é, eu inventei agora mesmo (poderia ter pensado mais para escrever algo mais profundo, mas por hora está bom). Qualquer ser pensante poderá analisar a história acima com o quadro que estamos expondo no momento. Todos nós temos sim um desafio nessa vida, que se chama vencer o pecado. E todos nós temos uma carne pecaminosa (i.e, uma carne voltada ou inclinada para o pecado). Isso não significa que todos nós vamos pecar sempre ou que é impossível não pecar e conseguir vencer as tentações (se fosse assim, não seríamos culpados de pecar em algo que seria impossível não pecar!). Sendo assim, é possível humanamente falando conseguir resistir às tentações do diabo.

Mas falta alguém provar isso. Então Deus, vendo que o mundo todo não estava conseguindo, decidiu enviar o Seu único Filho, chamado Jesus Cristo, como homem, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, um filho de carpinteiro, nascido em Belém da Judeia, circuncidado ao oitavo dia de vida, alguém feito tão humano como qualquer um de nós. E ele preparou, moldou e aperfeiçoou o Filho, até diante dos sofrimentos desta vida como nos diz o escritor de Hebreus (Hb.5:8), para poder fazê-lo forte a fim de resistir e vencer a todas as tentações e entrar sem pecado na glória celestial.

Então Jesus se preparou. Se batizou. Quando sabia que seria tentado, não ficou jogando vídeo game por pensar que seria impossível não cair, mas foi sozinho a um deserto árido e distante, e ainda por cima de jejum, e por quarenta dias e quarenta noites inteiras! Aí Jesus foi tentado, mas venceu, não por ter uma natureza humana supostamente diferente da nossa, mas porque se preparou mais, jejuou mais, se consagrou mais, orou mais, se santificou mais!

Está aí o segredo e os méritos da vitória de Cristo, que desta forma mostrou a nós ser possível que, por meio da oração, louvor, jejum e consagração, possamos vencer as nossas tentações também, com a ajuda do nosso Conselheiro, daquele que já venceu. O diabo sabia que Jesus poderia cair, por isso o tentou. Jesus também sabia que poderia cair, por isso se preparou tanto (em jejum, consagração e oração) para aquele momento. E foi exatamente por Jesus ter vencido mesmo possuindo a mesma carne de nós humanos, que o autor de Hebreus pôde olhar para tudo isso e dizer o seguinte:

“Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hebreus 4:14-16)

Ele pôde olhar para aquele tão sublime exemplo de Cristo Jesus e dizer: “Olha, Jesus também foi tão humano quanto eu e você, ele também passou pelos mesmos tipos de tentação, mesmo sem ter pecado. E é exatamente pelo fato de ele ter sofrido tentação que ele sabe como é ser tentado e como é difícil matar a carne. Por isso não fique deste jeito que você está. Se levante, aproxime-se do trono da graça com toda a confiança, e receba a misericórdia de Deus que ele derrama sobre nós pela Sua graça”. Aleluia!

Ele diz claramente que Jesus passou por “todo tipo de tentação” (Hb.4:15), ou seja, a carne dele não era diferente da nossa carne, não era uma carne isenta de ser tentada, não era “blindada” a prova de tentações, não era algo que não podia ser abalada de forma nenhuma. E ele diz também que Jesus se “compadece das nossas fraquezas”. Por que? Só porque ele é Deus? Não, mas porque ele foi humano igualzinho eu e você e sabecomo é ser tentado, sabe como não é fácil resistir as tentações, sabe como é ser um humano, como é estar dentro do mesmo tipo de carne que os humanos possuem, sujeito aos mesmos tipos de tentação! Em tudo isso vemos claramente que a única diferença entre Jesus e nós é que ele não pecou (teve uma vitória total) e nós pecamos muitas vezes, e não uma diferença de natureza entre um e o outro.

Em outras palavras, há uma igualdade de natureza (ambos são humanos da mesma forma e possuem a mesma carne enquanto vivendo na terra), o que difere são os feitos de um em relação aos outros (um conseguiu vencer como humano, os outros humanos não conseguíram). Seria o mesmo que eu dissesse: “Pelé era humano como nós, mas foi o único jogador a marcar 1281 gols na história”. Pelé foi o maior jogador de futebol de todos os tempos, e foi o que mais marcou gols na história do futebol, mesmo sendo humano como nós. O que o difere dos demais não é ele não ter sido humano como nós, mas sim de ele ter sido mais eficiente do que os outros humanos.

Da mesma forma, podemos dizer com relação a Jesus: “Cristo era humano como nós e sofreu as mesmas tentações, mas foi o único que nunca pecou na vida”[1]. Isso não aconteceu por Jesus ter uma natureza diferente da nossa, mas porque foi o mais eficiente, preparado e capacitado para realizar a obra de Seu Pai sem qualquer mácula, mancha ou defeito, como o Cordeiro imaculado de Deus, como o Deus que se fez carne e habitou entre nós. E é exatamente o fato de ele ter vencido como humano igual a nós, que nos mostra que nós podemos vencer o pecado nos dias de hoje – mesmo sendo humanos. Isso só aconteceria caso ele tivesse a mesma natureza, ou senão não valeria de exemplo praticável para nós.

E ele só poderia se compadecer das nossas fraquezas se tivesse possuído um corpo humano igual ao nosso – se fosse diferente, ele jamais teria sofrido as tentações humanas que todos nós sofremos em nossa carne para saber como é, e não teria sofrido “todo tipo de tentação”(Hb.4:15), nem teria sido igual a nós “em todos os aspectos” (Hb.2:17), pois o mais importante e essencial, que se refere à própria natureza adquirida como homem, teria sido marcantemente diferente da nossa naquilo que mais importa nessa vida que é vencer as tentações e se santificar.

Portanto, Jesus não teria sido humano como nós. Ele não teria vindo em carne como nós. Ele no máximo teria vindo numa carne diferente, “blindada”, e interiormente com “super poderes” divinos que o diferenciaria de qualquer outra criatura humana que já pisou aqui nessa terra. Mas não. Ele quis ser igual eu. Igual você. Quis ser como nós. Com prontidão se ofereceu para sofrer tentações, para sofrer angústia, para passar frio, noites em jejum, sendo zombado, apedrejado, crucificado e morto pelos judeus. E isso como um homem. Verdadeiramente um homem. Verdadeiramente ele veio em carne. Verdadeiramente ele é o Filho de Deus!

Dizer que Jesus não abriu mão de nenhum atributo nem da sua própria natureza é o mesmo que dizer que o Jesus homem possuía tudo aquilo que possuía antes interiormente. Que dentro de si, num prisma imaterial ou espiritual, ele continuava detendo todos os aspectos da divindade que antes possuía. Significa, assim, limitar o tamanho da profunda sujeição e humilhação que Jesus sofreu ao deixar o Céu e se tornar um homem, como Paulo diz em Filipenses 2:5-8, dizendo que Cristo Jesus não se apegou ao ser igual a Deus, mas decidiu esvaziar-se, humilhar-se, e se tornar um ser humano. Possuir divindade, onipotência, onipresença e onisciência dentro de si não é uma “humilhação”. Quem dera eu fosse “humilhado” deste jeito, com onipotência, onisciência e onipresença tudo junto!

E a linguagem de “esvaziar-se” não se aplica a alguém que continua detendo dentro de si tudo aquilo que detinha antes. Esvaziar significa “retirar o conteúdo; tornar vazio”. Jesus se esvaziou, tornou-se vazio, de tudo aquilo que ele detinha antes como Deus em sua natureza celestial, o que obviamente deve incluir os atributos acima citados (não apenas a glória, que também é um atributo da divindade). E é isso que os neo-gnósticos jamais vão poder compreender: a dimensão do sacrifício de alguém que antes possuía tudo e que abriu mão de tudo isso por amor a mim e a você. Enquanto ainda tiverem essa visão falida e deturpada de que Cristo não era realmente humano como nós mas apenas “parecido”, e enquanto continuarem crendo que ele não abriu mão de nada além do Céu quando se fez homem, não vão jamais poder compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade do amor de Cristo, que excede todo entendimento.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


-Nota:

[1] Essa analogia é puramente exemplificativa e eu não estou dizendo que "Jesus é igual Pelé" ou igualando um com o outro, uma vez que é possível que algum indivíduo distorça as minhas palavras tirando-as do seu contexto exemplificativo.



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21 de novembro de 2012

Refutando as demências do pimpolho Fakenando Nascimento



Quanto mais a gente vai crescendo na fé e na apologética e os nossos sites e artigos vão ficando cada vez mais conhecidos diante de nossos amigos e inimigos, abalando os alicerces das falsas doutrinas e armações criadas por Satanás, mais ele se irrita e incita os filhos das trevas a levantarem calúnias e babaquices contra quem prega a verdade. O que me impressiona não é isso – pois isso ocorre desde sempre – mas sim a falta de criatividade do diabo, que levanta sempre as mesmas pessoas, sempre os mesmos filhos dele, aqueles que já estão mais acostumados com as mentiras, as calúnias, as injúrias, as insanidades, as difamações.

Desta vez, foi a vez do Fernando Nascimento finalmente se pronunciar sobre o meu artigo que desmente o embuste criado por ele – “Adulterações católicas nos escritos de Cipriano” – depois que um católico desesperado saiu pedindo a ajuda dele e de todos os demais católicos em uma determinada comunidade de debates, porque não sabia como refutar o artigo. Então, surgiram um monte de pessoas postando cada uma coisas diferentes, e aí o Fernando Nascimento (que não tem e nunca teve o menor conhecimento de patrística) juntou tudo o que foi dito e postou um texto falando que é de autoria dele.

Posteriormente, outros sites católicos controlados pela mesma gentalha saíram soltando rojões, colocando logo na página principal dos sites heréticos deles notícias em banners enormes dizendo que “O Lucas Banzoli foi Refutado”, fizeram a maior festa, parece que ganharam uma Copa do Mundo. Mas como alegria de pobre dura pouco, decidi (embora sem necessidade em vista do conteúdo medíocre da “refutação” dele) escrever uma contra-argumentação, apenas para que os irmãos na fé não pensem que algo foi refutado de fato.

Como as insanidades e babaquices são inúmeras (o que é tipico de Fernando Nascimento), vou me reservar apenas aos pontos principais e dividir este artigo em vários blocos. Vou começar com as calúnias pessoais contra mim, depois passarei para as acusações sobre Cipriano, depois para Inácio, depois para Gregório Magno, e depois com uma conclusão. Então, as babaquices daquele sujeito voltarão para onde estavam antes – no lixo.


PARTE 1 – REFUTANDO CALÚNIAS PESSOAIS CONTRA MIM

1.1 – Eu sou um adolescente que se acha teólogo. Em primeiro lugar, nunca disse que sou “teólogo”. Não precisa ser teólogo para refutar as alucinações esquizofrênicas do Fernando Nascimento, qualquer abobado consegue isso. Da mesma forma, não é necessário mais do que uma escolinha dominical para colocar as heresias católicas pra debaixo do chinelo, de tão ridículas que são. Em segundo, o Fernando realmente não é um “adolescente” – é um bebezão, uma criança feliz, um pimpolho. Ele prova isso cada vez mais pelo nível intelectual dele. Deve ter entrado tarde na distribuição de cérebros no Céu.

1.2 – Eu sou um “fake” no Orkut. Essa acusação é a mais engraçada, é digna de pimpolhos como o Fernando. Primeiro, que o meu nome realmente é “Lucas Banzoli”, não é fake, é nome real. Qualquer um pode encontrar meus dados na internet, como quando eu passei em terceiro lugar na PUC/PR em Jornalismo (clique aqui), ou na Universidade Federal do Paraná (clique aqui). O meu nome (Lucas Banzoli) eu faço questão de não omitir em lugar nenhum onde eu passo. Não tenho fakes nem me chamo de “nomes diferentes”. Sou “Lucas Banzoli” na conta do Orkut, do Facebook, no Site, no Blog, no Clube de Xadrez, até em jogos online não tenho um “nickname” diferente, sou Lucas Banzoli mesmo. As minhas fotos estão todas visíveis tanto para amigos como também para não amigos.

Já esta criança que me acusa, de tão cínico e falso que é, e de tantos fakes que tem, ficou conhecido na internet como “Fakenando Nascimento”, dada a devida quantidade de fakes e perfis falsos criados por ele, além de que em seu perfil não há uma única foto dele. Por sinal, ele tem na página principal dele uma foto de um indivíduo sentado numa cadeira de costas, virado para a tela de um computador. Todos pensavam que era uma foto verdadeira deste impostor, até descobrirem que ele havia copiado esta foto que estava no Google!

Ou seja: o sujeito não tem nem a vergonha na cara de mostrar o rosto, se omite do público com fakes e plagia fotos encontradas em qualquer lugar da internet pra fazer de conta que é dele! E com todo este verdadeiro festival de dissimilações e falsidades típicas de Fakenando Nascimento, o cidadão ainda vem na maior cara de pau caluniar a mim, que sempre fui honesto, nunca tive fakes, nunca usei outros nomes nem outras contas, nunca fui pescar uma foto no Google pra fingir que é minha. É dose ter que ficar debatendo com um indivíduo tão baixo, que só sabe jogar sujo do início ao fim, assim como o pai dele, que é o “pai da mentira” (Jo.8:44).

1.3 – Ele não é o dono do “Cai a Farsa”. Não é o dono mas é o responsável pela grande maioria dos embustes, falsidades, distorções e adulterações presentes naquele site herético e anticristão, incluindo sobre Cipriano de Cartago, que é o que está sendo colocado em jogo aqui. Então, na prática dá no mesmo. Não adianta tentar se esquivar da acusação alegando que “não é o dono”, se é o responsável direto e autor das mentiras que foram e são refutadas aqui. Essa não é uma atitude decente: é uma atitude de fujão, de traficante que quando vê que a polícia está chegando diz que “não é o líder do tráfico”.

1.4 – Eu corri dele no debate. Eu acho que de todas as demências presentes na medíocre tentativa de refutação deste sujeito, a mais pífia, mais absurda, mais caluniosa, mais covarde e mais ridícula de todas foi essa daqui, sem dúvida. Tudo começou quando eu debatia com ele em uma comunidade inteiramente católica, da qual todos os moderadores eram católicos e ele era um dos moderadores. Por mais que eu evite debater com sem vergonhas, dessa vez eu abri uma exceção, pois ele havia postado um texto ridículo com umas cinco linhas, achando que tinha “refutado” um livro meu com mais de 1 milhão de caracteres, sobre “A Lenda da Imortalidade da Alma”.

O texto dele me impressionou por ser tão ridículo, tão pobre, tão superficial, tão medonho e tão fraquinho que eu não pensei duas vezes: entrei naquela comunidade para me defender e refutei todas as babaquices dele em menos de cinco minutos. Não foi pouca a minha surpresa em descobrir, pouco tempo depois, que ele havia deletado tudo aquilo que eu havia postado! Como eu havia gravado no computador, postei de novo, e ele deletava de novo sem dar explicações, a cada vez que eu postava a minha refutação que simplesmente humilhava o medíocre texto dele contra o meu.

O pior é que os outros católicos entravam lá e achavam que era eu que havia “corrido” dele do debate (e essa é a posição que o canalha mantém até hoje), sem saber as falcatruas e malandragens que estavam por trás disso tudo, as canalhices que este cidadão havia feito contra mim para poder se passar por “vencedor”, pois ele sabia que, caso não deletasse as minhas refutações, seria ele quem se passaria pelo ridículo. E já que ele não tinha capacidade mental para refutar uma vírgula, preferia deletar do que dar satisfação, e ainda ser falso na frente dos católicos afirmando que eu havia “corrido” dele.

Bem de noite, quando ele já estava off, eu postei tudo aquilo de novo e revelei aos católicos a verdade por trás do debate. Logo pela manhã, como era de se esperar, ele havia deletado todos os textos novamente. Os próprios católicos da comunidade presenciaram toda manipulação, sendo eles  provas vivas do quanto perverso e dissimulado é esse Fakenando. Estes mesmos católicos, que comprovaram toda a manobra desonesta, perceberam claramente que eu não "corri" do debate de forma alguma. Poucos dias depois eu reafirmei tudo isso em meu site, e fiz uma “Carta aberta ao Fernando Nascimento”. Qualquer um que acessar essa página verá que data do dia 14/12/2010, ou seja, há quase dois anos atrás, bem na época em que tudo isso aconteceu.

De lá para cá eu inclusive já passei o link da carta aberta na cara dele, mas ele nem sequer deu satisfação; aliás, eu desafio qualquer católico a mostrar qualquer resposta deste covarde neste espaço de dois anos. Não tem. Não irá achar nada. Este indivíduo se acovardou durante dois anos inteiros, pois sabia das suas próprias falsidades malignas, e agora, dois anos depois, ele volta ao assunto dizendo que fui eu quem fugi, porque um católico estava pressionando ele a dar satisfações do caso!

Daí já dá para perceber o quanto que este cidadão não é apenas um covarde que não tem capacidade argumentativa e tem que apelar para o delete de posts contrários, mas também é um canalha, pois tem atitudes dignas de um traste. Não merecia nem uma resposta minha, merecia mesmo é ir pra cadeia, que é o lugar de bandidos. Se pelo menos fosse honesto para admitir que realmente agiu daquela forma naquela época, eu o perdoaria de todo coração e com toda a sinceridade, mas ao dizer que eu fugi do debate apenas confirma que de lá para cá ele não mudou absolutamente nada: apenas continua sendo o mesmo covarde de sempre.


PARTE 2 – REFUTANDO AS DEMÊNCIAS SOBRE CIPRIANO

2.1 – A tradução protestante da epístola 59 de Cipriano está errada. Duas coisas auto-contraditórias o Fakenando Nascimento afirma aqui: a primeira, é que a citação dele está no Hartel e não na New Advent. Até aí, nada de mais. Só que aí vem a segunda: que a tradução da New Advent foi adulterada pelos protestantes! Ele diz que a citação da Epístola 59 de Cipriano existe, mas está na Epístola 54 da New Advent, que teria sido alvo de uma “tradução adulterada” por um protestante. Será mesmo? Primeiro, que o site New Advent é inteiramente católico. Logo na página inicial deles, lemos coisas do tipo:

“Get this entire Catholic website on CD-ROM”

E também:

“Catholic leather books”


Agora é somente usar o cérebro para raciocinar um pouco (embora isso seja uma árdua tarefa para Fakenando Nascimento): por que um site católico iria adulterar um famoso texto contra os próprios católicos!? Está evidente a malandragem do Fakenando Nascimento. Ele está tentando nos convencer que os protestantes se infiltraram dentro de um site católico e adulteraram uma famosa citação usada pelos católicos contra os católicos, e isso na cara deles! Uau! Que fantástica imaginação! Seria o mesmo que um árabe entrar na Casa Branca disfarçado, virar presidente dos Estados Unidos e ninguém perceber nada! Ele quer mesmo que acreditemos que os protestantes adulteraram uma citação de um site católico!

E por que ele quer que algum babaca acredite em tamanha idiotice? Simplesmente porque o texto com a tradução do New Advent não diz que os romanos não podem errar na fé (o que passaria a falsa ideia de infalibilidade), mas sim que “a infidelidade não poderia ter acesso”, lembrando dos romanos a quem Paulo tinha pregado em seu tempo.  Que isso não significa uma infalibilidade da forma que é crida hoje pelos católicos, isso fica evidente pelo próprio fato de que Cipriano chamou posteriormente o bispo Estêvão, de Roma, de “amigos de hereges e inimigos dos cristãos”:

“Dá gloria a Deus quem, sendo amigo de hereges e inimigo dos cristãos, acha que os sacerdotes de Deus que suportam a verdade de Cristo e a unidade da Igreja, devem ser excomungados?” (Epístola 74)

O Fakenando Nascimento, de tão desesperado que estava em procurar alguma resposta satisfatória a essa passagem tão clara e tão explícita onde Cipriano chama o papa Estêvão de herege e anticristão, afirmou:

O desacordo de Cipriano com Estêvão era porque pensava estar Estêvão errado...

Pera aí. Um minutinho: não era Cipriano quem havia afirmado que “os romanos NÃO PODEM ERRAR na fé”? Ora, se ele cria que os romanos não podem errar, então como é que o próprio Fakenando afirmou em seu texto que Cipriano pensava que Estêvão (o bispo de Roma) estava ERRADO?! Há algo de errado nas afirmações deste indivíduo. Uma hora ele diz que Cipriano achava que os romanos não podiam errar, já em outro momento ele declara que Cipriano achava que o bispo de Roma estava errado.

Se os romanos não podem errar (e a sua decisão está nas mãos de seu bispo principal, o “papa” deles), então o seu bispo Estêvão estaria isento da possibilidade de erros, e, sendo assim, Cipriano nem sequer cogitaria a hipótese de Roma estar caindo em erro, como ele faz claramente. O fato aqui que o pimpolho ainda não percebeu é que a questão em pauta não tem nada a ver se Cipriano estava ou não com a razão[1], mas sim com o fato de que ele disse claramente que o bispo romano havia errado, que era um herege e um anticristão.

E isso já é mais do que suficiente para percebermos que Cipriano não interpretava as suas palavras mostradas acima da forma que os católicos malandrosamente interpretam, distorcendo a real intenção de Cipriano, com uma tradução manipulada e uma interpretação ainda mais defeituosa. Cipriano não estava dizendo que o papa romano é infalível, senão ele não iria chamá-lo do que chamou depois, mas iria simplesmente acatar as decisões de Roma. Sendo assim, fica evidente que a tentativa católica de conciliar ambas as coisas é um fracasso. Notem que não fui eu quem disse que a tradução estava errada, foi o próprio site católico da New Advent que mostrou isso.

Da mesma forma, não fui eu quem disse que os católicos estão interpretando errado as palavras de Cipriano, é o próprio Cipriano quem diz isso claramente na sua Epístola 74 chamando o “papa” de herege! Portanto, os católicos terão que enterrar as suas próprias fontes e mutilar as palavras do próprio Cipriano para conseguirem enfiar goela abaixo de seus fieis aquilo que eles pretendem. Afinal, se Cipriano errou na sua Epístola 74 ao chamar o bispo Estêvão de inimigo dos cristãos, então o que impede ele de ter igualmente errado em sua Epístola 59, ainda que a interpretação correta fosse a interpretação católica? 

Notem que os próprios romanistas mutilam os seus próprios critérios para conseguirem convencer os incautos de que estão com a razão. Se Cipriano escreve uma coisa que parece favorecê-los de alguma forma, eles se agarram nisso contra os protestantes; porém, se o próprio Cipriano desmente e refuta claramente isso depois, aí não vale mais, só o que vale é o que foi dito na Epístola 59 com a tradução adulterada, o que foi dito na Epístola 74 não vale não! Nota-se claramente a falta de critério, de bom senso e de inteligência para o Fakenando Nascimento formular os seus “argumentos” sem cair em flagrante contradição. O mais sensato da parte dele seria admitir que os seus argumentos são inteiramente idiotas e tomar vergonha na cara para parar de fazer uso dos escritos de um bispo da África que detonou o próprio papa!

2.2 – A Bíblia confirma que os romanos não podem errar na fé. Sabendo que o seu estúpido argumento sobre Cipriano é ridículo e só engana idiotas, o Fakenando Nascimento tentou passar “ares de argumentação” ao tentar dar uma base bíblica para aquilo que foi abordado por ele. A passagem citada por ele foi a de Romanos 1:8, onde Paulo diz que “em todo o mundo é anunciada a vossa fé”. Por incrível que pareça, este indivíduo, de tantos remédios que deve ter tomado até chegar nessa conclusão, “descobriu” que Paulo estava dizendo que os romanos não podem errar na fé, que o papa de Roma é infalível, que o bispo romano é o “bispo dos bispos” e que este versículo por si só confirma aquilo que teria sido dito por Cipriano!

Eu não sei se com uma “interpretação” dessas é pra rir ou pra chorar. No mínimo eu diria que o remédio é forte mesmo. Como é possível um ser humano chegar a tal conclusão depois da análise de Romanos 1:8? Tudo o que Paulo está fazendo ali é elogiar os romanos, dizendo que a fé deles estava sendo anunciada em todo o mundo, o que é uma ótima notícia, significa que até aquele momento eles não haviam apostatado, estavam bem firmes na fé, estavam servindo de exemplo para os demais cristãos. Mas que isso implica em infalibilidade, aí é querer se passar pelo ridículo. Qualquer leitor honesto e sensato perceberá que Paulo elogiou muito mais os tessalonicenses do que os romanos. Vejamos apenas o início da carta de Paulo aos tessalonicenses:

“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações, lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai, sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus; porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós. E vós fostes feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo. De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na macedônia e Acaia. Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma; porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir o Deus vivo e verdadeiro, e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (1ª Tessalonicenses 1:2-10)

Paulo exalta as obras, a fé, o trabalho, o amor, a paciência e a esperança dos tessalonicenses em Jesus Cristo; respalda a eleição deles, diz que eles foram colocados como exemplos para todos os demais cristãos na Macedônia e na Acaia, e depois acrescenta que não apenas para cristãos da Macedônia e da Acaia, mas “também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou” (v.8). Ou seja, Paulo diz aos tessalonicenses exatamente o mesmo que ele disse aos romanos: que a fé deles está sendo anunciada em todos os lugares. Será que ele estava dizendo que os tessalonicenses eram “infalíveis”?

Será que a igreja de Tessalônica virou uma Sé Apostólica superior a todas as demais, com primazia jurisdicional sobre todas as outras? Lógico que não! Fica óbvio que a expressão que Paulo aplica tanto aos romanos como também da mesma forma aos tessalonicenses, ao dizer que a fé deles era anunciada ou espalhada por todos os lugares do mundo, não implica de modo algum em primazia, em superioridade, em infalibilidade ou em qualquer outra aberração que os católicos queiram afirmar.

Quem faz uso de Romanos 1:8 numa tentativa desesperada de encontrar base bíblica para a primazia de Roma alegada pelos católicos se demonstra no mínimo um grande ignorante de exegese, hermenêutica e coerência. Além disso, Paulo também diz aos tessalonicenses muitas outras coisas que ele não disse aos romanos, como isso:

“Pois quem é a nossa esperança, alegria ou coroa em que nos gloriamos perante o Senhor Jesus na sua vinda? Não são vocês? De fato, vocês são a nossa glória e a nossa alegria(1ª Tessalonicenses 2:19-20)

Paulo disse que os tessalonicenses eram a sua glória, a sua alegria e a sua coroa! Isso ele não disse nunca para os romanos! Se os romanistas fazem a maior festa e o maior barulho com a simples passagem de Romanos 1:8, imagine só se Paulo tivesse dito a eles que os romanos eram a sua alegria, glória e coroa! Eles iriam enfartar! O fato é que apenas bobocas fazem uso de Romanos 1:8 como um argumento sério para provar seja lá que tese católica que seja.

Tal pessoa dá um completo atestado de energúmeno espiritual, pois Paulo elogiou muito mais os tessalonicenses do que os romanos, e mesmo assim ninguém (nem os católicos) crê que os tessalonicenses possuem infalibilidade ex cathedra ou que tenha primazia sobre as demais igrejas. E para derrubar definitivamente este outro argumento idiota, vou provar pela própria carta de Paulo aos romanos que o apóstolo deixava bem explícito que os romanos podiam apostatar da fé (ou seja, não eram infalíveis):

“Se alguns dos ramos foram cortados, e se tu, oliveira selvagem, foste enxertada em seu lugar e agora recebes seiva da raiz da oliveira, não te envaideças nem menosprezes os ramos. Pois, se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, talvez: Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertada. Está certo. Eles, porém, foram cortados devido à incredulidade, e você permanece pela fé. Não se orgulhe, mas tema. Pois se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você. Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com aqueles que caíram, bondade para contigo, desde que permaneça na bondade dele. De outra forma, você também será cortado (Romanos 11:17-22)

Aqui vemos que Paulo, escrevendo à comunidade de Roma, deixava suficientemente claro que não eram eles quem sustentava a raiz, mas a raiz a eles. Por isso mesmo, eles deveriam temer, pois o Deus que não poupou os “ramos naturais” (israelitas) também não iria poupá-los! Dito em termos simples, a relação de Deus para com Israel, que constantemente envolvia desvios morais e doutrinários da igreja da antiga aliança, não é diferente da relação de Deus com a igreja sob a nova aliança. Se eles não permanecessem na verdade de Deus, simplesmente seriam cortados, assim como foi com os israelitas que apostataram.

Paulo em momento nenhum indica que os romanos iriam permanecer firmes para sempre, que nunca iriam se desviar, que eram infalíveis ou que a doutrina deles seria incorruptível. Muito pelo contrário! O que Paulo claramente aponta aos romanos não é a “infalibilidade” e nem a “incorruptibilidade” alegada pelos católicos, mas sim uma clara advertência a eles temerem serem cortados, assim como ocorreu com a igreja (Israel) sob a antiga aliança! Os católicos vivem como se fossem eles mesmos quem sustentam a raiz, como se a Igreja deles fosse infalível e inerrante, e que todos aqueles que deixam a Igreja deles está apostatando, pois não está seguindo mais a verdade.

Em outras palavras, eles não admitem a possibilidade de eles mesmos apostatarem; por isso, preferem dizer que todos aqueles que largaram a igreja deles é que apostataram! O próprio caráter de suposta “infalibilidade” doutrinária ao bispo romano em formulação de dogmas e doutrinas da fé é uma arrogância e prepotência que tem por única finalidade inferir que a igreja deles simplesmente nunca pode se desviar do caminho ou errar o alvo; afinal, o magistério da igreja deles é “infalível”, não é mesmo? Ora, infalível significa “incapaz de erro”.

Os católicos, puramente por orgulho próprio e arrogância, consideram a sua Igreja “incapaz de erro”, incapaz de ser “cortada” ou de apostatar. Não consideram aquilo que Paulo diz: “Aquele que está de pé, cuide para que não caia”! – 1Co.10,12. O que o apóstolo alerta já no primeiro século é precisamente o oposto dessa teoria mirabolante dos católicos da “infalibilidade”: Eles deveriam é temer serem cortados, pois o Deus que não poupou os ramos naturais também não lhes pouparia!

Afinal, diferentemente de como os católicos pregam, não são eles quem sustenta a raiz. Não são eles os “donos da verdade”, eles não estão isentos de apostasia, e por isso mesmo o recado de Paulo para eles temerem. Do início ao fim, vemos que a severa mensagem de Paulo à igreja de Roma no século I se resume, não a uma declaração enfática de infalibilidade àquela comunidade, ao magistério daquela igreja ou ao bispo de lá, mas sim uma advertência severa de que eles também não seriam poupados, e que deveriam temer. Quanta diferença disso para a infalibilidade proposta pelos romanos para eles mesmos!

No livro “Considerações sobre o ‘Ordo Missae’ de Paulo VI”, o doutor católico romano Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira admite a possibilidade de um papa ser herege, o que contundentemente nega que “os romanos não podem errar na fé”. Ele diz:

“É-nos importante contudo observar que esse caso, mais talvez do que outros análogos que a História registra, deu ocasião a que Papas, Concílios, Santos Bispos e teólogos manifestassem sua convicção de que não repugna teologicamente a hipótese de queda do Papa em heresia. Assim sendo, apresentamos a seguir tanto documentos que admitem diretamente a possibilidade de um Pontífice herege, quanto outros que só a admitem de modo indireto. Neste segundo caso estão, por exemplo, os documentos que revelam ter-se suspeitado positivamente da ortodoxia do Papa. Como é evidente, tal suspeita seria vã e absurda para quem julgasse impossível a defecção do Romano Pontífice na fé. Incluem-se também neste segundo caso as acusações de favorecimento de heresia, quando pelos termos em que estão formuladas, ou por outras circunstâncias, tornam provável que na realidade se tenha pelo menos suspeitado positivamente que o Papa fosse herege” [2]

Diante disso, ele começa a expor uma série de provas históricas na patrística de que os Pais da Igreja (muitos da mesma época de Cipriano) não criam que “os romanos não podem errar na fé”, mas consideravam que o papa de Roma poderia cair em heresia. Vejamos alguns exemplos que estão no livro acima mencionado.

2.3 – Honório, o papa herege. O III Concílio de Constantinopla, VI Ecumênico, declara que analisou epístolas dogmáticas do Patriarca Sérgio, bem como uma carta escrita por Honório I, bispo de Roma, ao mesmo Patriarca. E prossegue: “Tendo verificado estarem elas em inteiro desacordo com os dogmas apostólicos e as definições dos santos concílios e de todos os Padres dignos de aprovação, e pelo contrário seguirem as falsas doutrinas dos hereges, nós as rejeitamos de modo absoluto e as execramos como nocivas às almas”[3]. Depois de anatematizar os principais heresiarcas monotelitas, o Concílio condena Honório: “Julgamos que, juntamente com esses, foi lançado fora da Santa e Católica Igreja de Deus, e anatematizado, também Honório, outrora papa de Roma, pois verificamos, por seus escritos enviados a Sérgio, que em tudo seguiu o pensamento deste último e confirmou seus princípios ímpios”[4].

Condenando Honório como favorecedor de heresia, o bispo de Roma São Leão II escreveu: Anatematizamos também os inventores do novo erro: Teodoro, bispo de Pharan, Ciro de Alexandria, Sérgio, Pirro (...) e também Honório, que não ilustrou esta igreja apostólica com a doutrina da tradição apostólica, mas permitiu, por uma traição sacrílega, que fosse maculada a fé imaculada[5]. Em carta aos bispos da Espanha, o mesmo São Leão II declara que Honório foi condenado porque “não extinguiu, como convinha à sua autoridade apostólica, a chama incipiente da heresia, mas a fomentou por sua negligência”[6].

E em carta a Ervígio, rei da Espanha, São Leão II repetiu que, com os heresiarcas citados, foi condenado “Honório de Roma, que consentiu em que fosse maculada a fé imaculada da tradição apostólica, que recebera de seus predecessores”[7]. Ainda sobre o caso do papa Honório, R. Bäumer escreve:

“A seguir, essa condenação (de Honório) pelo VI Concílio Ecumênico foi renovada pelos Sínodos in Trullo de 692 (Mansi, 11, 938), pelo sétimo Concílio geral (Mansi, 13, 377) e pelo oitavo (Mansi, 16, 181). Leão II, que aceitou a decisão do sexto Concílio geral, atenuou a falta de Honório (...). O relato da condenação de Honório entrou mesmo no Liber Diurnus. Cada papa que acabava de ser eleito devia condenar os autores da nova heresia, juntamente com Honório, que favoreceu os erros deles. O próprio Liber Pontificalis e o breviário romano mencionavam a condenação, no segundo noturno da festa do Papa São Leão II”[8]

Como vemos, qualquer que seja o juízo que se faça sobre o caso de Honório I, temos aqui uma declaração pontifícia que admite a eventualidade de um papa cair em heresia. Portanto, sim, os romanos podem errar na fé!

2.4 – O caso de Pascoal II. Durante o Pontificado de Pascoal II (1099-1118), a questão das investiduras abalou uma vez mais a Cristandade. O imperador Henrique V, tendo aprisionado o papa, dele extorquiu concessões e promessas inconciliáveis com a doutrina católica. Recuperando a liberdade, Pascoal II hesitou por muito tempo em desfazer os atos que praticara mediante coação. Embora advertido repetidas vezes por santos, cardeais e bispos, sua retratação e a esperada excomunhão do imperador eram sempre por ele postergadas. Começou então a erguer-se em toda a Igreja um murmúrio contra o bispo de Roma, qualificando-o de suspeito de heresia e conjurando-o atrás sob pena de perder o pontificado.

Citamos aqui alguns fatos e documentos da luta que santos, cardeais e bispos moveram contra Pascoal II. Ver-se-á, assim, que a teologia da época admitia a hipótese de um papa herege e julgava que este, em razão de tal delito, perderia o pontificado. São Bruno, bispo de Segni e Abade de Monte cassino, estava a testa do movimento contrario a Pascoal II na Itália. A Pascoal II, ele escreveu: 

“Eu vos estimo como a meu pai e senhor (...) devo amar-vos; porém devo amar mais ainda Aquele que criou a vós e a mim (...) Eu não louvo o pacto (assinado pelo papa), tão horrendo, tão violento, feito com tanta traição, e tão contrário a toda piedade e religião. (...) Temos os Cânones; temos as constituições dos Santos Padres, desde os tempos dos Apóstolos ate vós. (...) Os Apóstolos condenam e expulsam da comunhão dos fieis todos aqueles que obtém cargos na Igreja através do poder secular [9]

O papa deu-se bem conta de que São Bruno não afastava a hipótese de declará-lo destituído, pois resolveu depor o santo do influente cargo de Abade de Montecassino, sob a seguinte alegação: “A não ser que eu o afaste da direção do Mosteiro, ele com os seus argumentos tirará de mim o governo da Igreja”[10]. E quando, afinal, o papa se retratou, diante de um Sínodo reunido em Roma para examinar a questão, São Bruno de Segni exclamou: “Deus seja louvado! Pois eis que o próprio Papa condena esse pretenso privilegio (sobre a investiduras pelo poder temporal), que e herético[11].

Com essa frase, São Bruno pela primeira vez dava a entender publicamente o quanto suspeitava da ortodoxia de Pascoal II.  São Bruno de Segni não foi o único Santo da época que admitiu a possibilidade de heresia em Pascoal II. Em 1112, o Arcebispo Guido de Vienne, futuro Papa Calisto II, convocou um Sínodo provincial, a que compareceram, entre outros bispos, Santo Hugo de Grenoble e São Godofredo de Amiens. Com a aprovação desses dois bispos, o Sínodo revogou os decretos arrancados pelo imperador ao papa e enviou a este ultimo uma carta onde lemos:

Se, como absolutamente não cremos, escolherdes uma outra via, e vos negardes a confirmar as decisões de nossa paternidade, valha-nos Deus, pois assim nos estareis afastando de vossa obediência[12]

Essas palavras contém uma ameaça de ruptura com Pascoal II, só explicável pelo fato de que no espírito dos bispos reunidos em Vienne se conjugavam três noções: em primeiro lugar, estavam eles convencidos de que constituirá heresia negar a doutrina da Igreja sobre as investiduras; em segundo lugar, suspeitavam que o papa houvesse abraçado essa heresia; e, em terceiro lugar, consideravam que um papa eventualmente herege perderia o cargo, não mais devendo, portanto, ser obedecido. Essa interpretação é confirmada, de modo a eliminar qualquer dúvida, pelas cartas escritas na ocasião por Ivo de Chartres, as quais a seguir aludiremos. Eis suas palavras:

“Não queremos privar as chaves principais da Igreja (isto e, o papa) de seu poder, qualquer que seja a pessoa colocada na Sé de Pedro, a menos que se afaste manifestamente da verdade evangélica [13]

Portanto, a atitude tomada por Ivo de Chartres confirma a de São Godofredo de Amiens e de Hugo de Grenoble, de que existe a possibilidade real de um papa cair em heresia.

2.5 – De Graciano a nossos dias. No Decretum de Graciano figura o seguinte cânon, atribuído a São Bonifacio mártir: “Nenhum mortal terá a presunção de arguir o papa de culpa, pois, incumbido de julgar a todos, por ninguém deve ser ele julgado, a menos que se afaste da fé[14].

Trecho de sermão do papa Inocêncio III:

A fé é para mim a tal ponto necessária que, tendo a Deus como meu único juiz quanto aos demais pecados, no entanto somente pelo pecado que cometesse em matéria de fé, poderia eu ser julgado pela Igreja”[15]

Compreende-se, pois, quanta razão tem V. Mondello para escrever:

“Não poucos na Idade Média admitiam que o papa herege poderia ser julgado pelo Concílio; podemos até dizer que era doutrina comuníssima naquele tempo, mesmo entre os próprios defensores do papa”[16]

Para mostrar que a tradição fornece razões de peso a favor do fato de que um bispo de Roma pode cair em heresia, cremos que não é aqui necessário estender nossas indagações aos séculos posteriores. Do que já foi dito, podemos perceber claramente que:

O bispo de Roma pode cair em heresia, e, de fato, muitas vezes na história caiu, sendo acusado e condenado pelos concílios da época e, inclusive, por outros bispos de Roma de épocas posteriores!

Se o papa pode cair em heresia, então ele não é infalível em matéria de fé. Do que serve uma “infalibilidade” se ela não serve para impedir o papa de cair em heresia, que é o maior erro na fé?

Vemos, portanto, que o papa não é infalível em matéria de fé, que ele pode cair em heresia, e que os romanos, sim, podem incorrer em erro!

Estes três pontos apontados acima são conclusões lógicas a partir daquilo que foi demonstrado anteriormente no livro do doutor católico Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, mostrando acima muitos casos de papas que caíram em heresia ou que apoiaram heresias – alguns dos quais foram inclusive condenados pelos concílios da época! Diante disso, será que Cipriano estaria contrariando todo o pensamento tradicional da Igreja e apontado que o bispo de Roma, ou os romanos, não podem falhar na fé? É claro que não.

Já vimos que ele chamou de herege o seu contemporâneo bispo de Roma, Estêvão, e que, diferentemente das presunções de Fakenando Nascimento, o caso aqui não tem relação sobre quem tinha razão naquele caso, mas sim que Cipriano abria claramente a possibilidade de que o bispo romano fosse um herege (e de fato o considerou assim), o que demonstra inequivocamente que não era do parecer de Cipriano uma suposta infalibilidade alegada pelos romanistas para eles mesmos, e que a passagem encontrada no Hartel é mal traduzida e mal interpretada (como também já vimos).

O fato de que vários Pais da Igreja, Santos, Bispos, Cardeais e Doutores da Igreja Católica de tempos posteriores seguirem a mesma linha e condenarem papas por heresia, apenas confirma que até aquele tempo não havia na Igreja sequer uma alusão da ideia da infalibilidade papal, que surgiu tardiamente no século XIX, no Concílio Vaticano I. Se o próprio clero católico romano não tinha ideia de infalibilidade durante séculos bem posteriores a Cipriano e quando a própria Roma já outorgava para si superioridade sobre todas as outras dioceses cristãs, quanto menos na época de Cipriano!

2.5 – Sobre a Epístola 48 de Cipriano. Como ficou provado no meu artigo sobre Cipriano, a citação católica de que “Roma é a matriz e o trono da Igreja Católica” é falsa, não passa de uma frase forjada e tirada de seu devido contexto. Dentro de seu devido contexto, a citação correta é a seguinte:

"Porque nós, que fornecemos todas as pessoas que navegam daqui com um plano para que possam navegar sem qualquer ofensa, sabemos que os exortamos a reconhecer e manter a raiz e matriz da Igreja Católica” (Epístola 44 de Cipriano)
        
Note que o texto não está falando de “trono” e muito menos da Igreja de “Roma”, está falando da Igreja “Católica” (Universal) em sentido amplo (geral). Portanto, não é evidência nenhuma para uma primazia jurisdicional do bispo romano que Cipriano chamou de herege e anticristão. O Fakenando Nascimento, ao se deparar com as suas próprias adulterações, curiosamente não cita mais o texto do Hartel, mas da New Advent mesmo, e faz alusão à epístola 51 de Cipriano, que não diz que Roma é a matriz e trono da Igreja Católica, apenas faz uso das palavras “trono” e “Roma” num contexto totalmente diferente, separadas por períodos longos e completamente intercalada.

O texto na verdade, utilizado por ele, não passa de uma interpolação nos escritos dos Pais. Ele não se encontra na Epístola 48 que eles dizem estar, se encontra em outro lugar em um contexto bem diferente daquele que foi exposto por eles. Curiosamente, na citação deles se omite completamente o contexto, mostra apenas uma frase curta e interpolada que nem existe nos originais, porque eles sabem que está forjada. Eu não pedi para este indivíduo achar as palavras “Roma” e “trono” em algum lugar em alguma epístola de Cipriano (isso qualquer abobado consegue fazer procurando no Google), eu pedi para mostrar o contexto da citação que é omitido, e provar que não se trata de um texto interpolado, o que ele não foi capaz de fazer, por causa da sua pequenez de raciocínio e mentalidade.

O pimpolho Fakenando apenas conseguiu provar que a citação realmente não existe, é totalmente forjada, adulterada, interpolada, fruto da junção de coisas ditas por Cipriano em epístolas diferentes e fora do contexto. Tanto é que ele citou a Epístola 51 mas não passou a citação, pois sabia que ela é bem diferente daquela que está presente nos sites destes farsantes. E nessa Epístola 51 de Cipriano não está escrito que “Roma é a matriz e trono da Igreja Católica” (o que passaria a falsa noção de primazia do bispo romano), mas sim que Cornélio foi feito bispo de Roma (o que não implica em qualquer primazia sobre os demais bispos das demais dioceses cristãs) para ocupar o trono de Pedro. Não há nada, absolutamente nada, que diga que Roma é a matriz e trono de toda a Igreja Católica!

Alguém poderia ainda alegar que o fato de Cipriano alegar que o bispo de Roma é sucessor de Pedro significa que ele cria em primazia do bispo romano. Duas coisas devem ser consideradas aqui. Primeiro, que eles criam que praticamente todas as dioceses cristãs foram fundadas por apóstolos. A Igreja de Antioquia, por exemplo, também teria sido fundada por Pedro, o que não implica de modo algum em alguma primazia dessa igreja local sobre todas as demais. Portanto, para o lixo este argumento. Segundo, que Cipriano cria que todos os bispos eram sucessores de Pedro, não apenas o bispo de Roma. Podemos ver isto na introdução de sua Epístola 33:

“Nosso Senhor, cujos preceitos e admoestações nós devemos observar, descrevendo a honra de um bispo e a ordem de sua Igreja, fala no Evangelho dizendo a Pedro: ‘Eu te digo, Tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei minha Igreja; e os portões do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus, o que for que você ligar na terra será ligado no céu e o que for que você desligar na terra será desligado no céu’. Por isto, através das mudanças dos tempos e sucessões, a ordenação de bispos e o plano da Igreja continuam fluindo, de forma que a Igreja é fundada sobre os bispos, e cada ato da Igreja é controlado por estes mesmos governantes[17]

Note que, para Cipriano, a Igreja não está fundada sobre o bispo de Roma somente, ou sobre Pedro unicamente, mas “sobre os bispos”. Não sobre um bispo em específico, muito menos sobre o bispo de Roma! São os bispos que governam a Igreja e fazem com que a sucessão dos bispos continue existindo. Para Cipriano, Pedro é um representante de todo o episcopado, e não de apenas um bispo em especial. E este episcopado é representado por cada bispo de cada igreja (não somente pelo bispo romano), como ele esclarece em “Da Unidade da Igreja”:

“E esta unidade nós devemos firmemente manter e declarar, especialmente aqueles de nós que somos bispos que presidem na Igreja, para que nós também possamos provar que o próprio episcopado é uno e indiviso. Que ninguém engane a irmandade com uma falsidade, que ninguém corrompa a verdade da fé com prevaricações perfidiosas. O episcopado é uno, cada parte do qual é mantido por cada um para o todo [18]

Na epístola 66, Cipriano também traz estas palavras: 

“Pedro fala ali, sobre quem a Igreja foi construída, ensinando e mostrando em nome da Igreja, que apesar de uma multidão rebelde e arrogante daqueles que não ouvem e obedecem podem se separar, a Igreja não se afasta de Cristo; e eles são a Igreja que é o povo unido ao sacerdote e o rebanho unido ao pastor. De onde você deve saber que o bispo está na Igreja e a Igreja no Bispo; e se alguém não estiver com o bispo, ele não está na igreja, e que se bajulam em vão aqueles que se esgueiram, não tendo paz com os sacerdotes de Deus, pensando estar comunicando secretamente com alguns; enquanto que a Igreja, que é Católica e una, não é cortada ou dividida, mas é de fato conectada e ligada pelo cimento dos sacerdotes que coerem uns com os outros[19] 

Pedro aqui representa os bispos, e não o bispo de Roma exclusivamente. É a submissão ao bispo local o critério para a filiação à Igreja, e não ao bispo de Roma. O «cimento dos sacerdotes»é a coerência e união entre os bispos locais, e não um governo central localizado em Roma e governado por um único bispo. Tudo isso mutila e fulmina com as pobres interpretações de nosso pimpolho Fakenando Nascimento, que adultera, interpola e falsifica descaradamente os escritos de Cipriano, e para se explicar cita epístolas diferentes em contextos completamente distintos, que ainda por cima não ensinam absolutamente nada daquilo que ele pretende passar para os seus ingênuos leitores!

2.6 – Sobre Cipriano e a primazia do bispo romano. Já ficou mais do que provado que os textos utilizados pelos católicos a favor da tese do primado de Pedro são forjados, adulterados, manipulados, interpolados ou meramente inventados, não poucas vezes fruto de má interpretação (intencional ou não) e de um vício patético em ignorar o contexto. Agora, vamos mostrar mais provas de que Cipriano, assim como a Igreja de sua época, não cria na primazia do bispo romano, e iremos fazer isso não através de frases soltas supostamente ditas por um ou outro Pai da Igreja, mas pelos próprios concílios da época. Nada melhor, então, do que analisarmos aquele que foi presidido pelo próprio Cipriano, o Concílio de Cartago (255 d.C). Ele diz:

“Pois nenhum de nós coloca-se como um bispo de bispos, nem por terror tirânico alguém força seu colega à obediência obrigatória; visto que cada bispo, de acordo com a permissão de sua liberdade e poder, tem seu próprio direito de julgamento, e não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro. Mas esperemos todos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único que tem o poder de nos designar no governo de Sua Igreja, e de nos julgar em nossa conduta nela” (Sétimo Concílio de Cartago, presidido por Cipriano)

Note que não há a menor ideia da primazia de um bispo, seja ele quem for, sobre todos os demais. Cipriano diz explicitamente que não existia um bispo dos bispos, que cada bispo tem sua própria autoridade e que não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro. Isso é um verdadeiro golpe de morte na teologia romana que afirma que o bispo romano tinha mais autoridade que os demais bispos locais e podia julgá-los! E, por fim, ao invés de apontar um suposto Sumo Pontífice em Roma que liderasse sobre todos os demais, ele afirma que é o Senhor Jesus Cristo o único que tem o poder de governar a Igreja com autoridade superior a todos.

Por essa o Fakenando Nascimento não esperava: Cipriano diz que Jesus é o único (vou repetir pra ser chato mesmo: o único!) que tem o governo da Igreja, que tem autoridade superior. Nisso fica mais do que óbvio que Cipriano não tinha a menor ideia de um bispo dos bispos reinando universalmente em Roma sobre todos os demais bispos locais. Se fosse este o caso, Cipriano teria escrito que existe sim um bispo dos bispos (o de Roma), e que Jesus não é o único que tem autoridade superior (ele teria apontado o bispo romano também, não seria tão insubordinado ao ponto de “esquecer” tamanha liderança!).

Isso explica o porquê que, quando o bispo de Roma quis interferir na questão do rebatismo dos hereges, Cipriano não acatou a posição de Estêvão (o que aconteceria se Estêvão fosse um bispo superior e universal), mas recusou o que foi dito por Estêvão, o rebateu, e o chamou de herege, de inimigo dos cristãos! É óbvio, portanto, que nem Cipriano nem qualquer outro bispo fazia ideia que o bispo de Roma tinha autoridade universal sobre todos os demais bispos, podendo mandar em todos eles. Curiosamente, na mesma cidade de Cartago se reuniu, dois séculos mais tarde, um novo Concílio, que reiterou que não havia autoridade da Sé Romana sobre as demais igrejas locais:

“Igualmente decidimos que os Presbíteros, Diáconos e outros Clérigos inferiores, nas causas que surgirem, se não quiserem se conformar com a sentença dos bispos locais, recorram aos bispos vizinhos, e com eles terminem qualquer questão... E que, se ainda não se julgarem satisfeitos e quiserem apelar, não apelem senão para os Concílios Africanos, ou para os Primazes das próprias Províncias: - e que, se alguém apelar para a Sé Transmarina (de Roma) não seja mais recebido na comunhão(Concílio de Cartago, ano 418)

Não somente Roma não é vista como uma autoridade superior a todas as demais igrejas, como também é nos declarado que aqueles que apelassem para Roma deveriam ser excomungados da Igreja! Os bispos vizinhos (locais) e os Concílios Africanos tinham a mesma autoridade de Roma, não havia uma autoridade superior da Sé Romana sobre as demais dioceses! É por isso que o tão famoso Concílio de Nicéia (325 d.C) declara em um de seus cânones de forma clara e explícita que a autoridade de Roma se limitava à própria Roma:

“O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força” (Concílio de Nicéia, Cânon VI)

Note que cada bispo de cada igreja local (incluindo Roma) tinha autoridade delimitada a certos territórios, nenhum tinha autoridade universal. O bispo de Alexandria tinha jurisdição até maior que a do bispo romano, visto que presidia sobre o Egito, sobre a Líbia e sobre Pentápolis, enquanto o bispo romano somente a Roma. E o Concílio afirma na sequencia que a mesma regra valia também para todas as demais igrejas. Nisso fica claro que a autoridade romana não era diferente das demais nem tampouco se estendia acima delas; ao contrário, era uma jurisdição delimitada como a de todas as demais igrejas. Cada um tinha autoridade somente sobre aquilo que estava “sob a sua jurisdição”, nenhum tinha uma autoridade que se estendia à jurisdição das demais igrejas.

Se o Concílio diz claramente que era o bispo de Alexandria que tinha a jurisdição sobre o Egito, a Líbia e Pentápolis, e que cada um só podia presidir sob a sua própria jurisdição, então estas províncias eram controladas eclesiasticamente pelo bispo de Alexandria, e não pelo bispo de Roma. Logo, a jurisdição romana não era universal. Era local e territorial – em Roma – assim como os demais bispos das demais igrejas cristãs locais, como a de Alexandria e a de Antioquia. Se um católico quiser continuar sofisticamente negando a clareza dos concílios da Igreja antiga para continuar mantendo de pé o engodo da falsa tese da primazia da Igreja Romana, terá que assinar o seu atestado de ignorância histórica – coisa que o Sr. Fakenando já fez há muito tempo.


PARTE 3 – REFUTANDO AS DEMÊNCIAS SOBRE INÁCIO

3.1 – Sobre a Epístola de Inácio aos Magnésios. Por incrível que pareça, a mente brilhante deste sujeito chamado Fernando Nascimento conseguiu ler este texto de Inácio e achar que está falando que a Igreja foi fundada em Roma!

“Devemos, portanto, provar a nós mesmos que merecemos o nome que recebemos (=cristãos). Quem é chamado por outro nome além deste não é de Deus, pois não recebeu a profecia que nos fala a respeito disso: ‘O povo será chamado por um novo nome, pelo qual o Senhor os chamará, e serão um povo santo’. Isto se cumpriu primeiramente na Síria, pois ‘os discípulos eram chamados de cristãos em Antioquia’, quando Paulo e Pedro estabeleciam as fundações da Igreja. Abandonai, pois, a maldade, o passado, as influências viciadas e sereis transformados no novo instrumento da graça. Permanecei em Cristo e o estranho não obterá o domínio sobre vós” (Inácio aos Magnésios, Versão Longa, Cap.10)

Francamente!

Fica complicado debater com um indivíduo que sofre de tantos delírios e alucinações. Onde foi que ele viu aí em cima Inácio dizendo que a Igreja foi fundada em Roma? Só mesmo nos maiores malabarismos católicos eles conseguem chegar a essa “conclusão”. O que eu consigo ler no texto é Inácio dizendo que isso aconteceu primeiramente na Síria. E quando? Isso a própria Bíblia confirma no livro de Atos:

E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26)

Isso ocorre em Atos, no capítulo 11, em 43 d.C. Nessa época Pedro nem sonhava em estar em Roma! Vejamos uma pequena cronologia desta época na vida de Pedro à luz das Escrituras e da história cristã:

[37 – 40 d.C] 

1. Segundo a própria tradição católica, Pedro passa a ocupar o episcopado da igreja de Antioquia (HE, Livro III, 36:2). Os Pais da Igreja e os concílios cristãos nos ensinam que um episcopado era irrevogável; portanto, ele não poderia ter se transferido e se tornado bispo de uma outra diocese, o que é repudiado pelo Concílio de Niceia sob a pena de excomunhão (Cânon XVI de Nicéia).

2. Pedro é citado estando em muitas cidades, tais como Jerusalém (At.8:1), Samaria (At.8:25), Lida (At.9:32), Cesaréia (At.10:1), Jope (At.10:5) e Antioquia (Gl.2:11); porém absolutamente nada é nos dito sobre a estadia dele em Roma, até o momento de Lucas concluir o livro de Atos, já em plena década de 60 da primeira era cristã, quando Pedro supostamente estaria no episcopado de Roma invisivelmente há 18 anos!

3. Os apóstolos não foram dispersos junto aos demais no episódio de Atos 8:1. Portanto, Pedro não foi para Roma, mas continuava em Jerusalém.

4. Quando Pedro e João foram enviados para a Samaria (At.8:14), eles voltaram pregando o evangelho em “muitos povoados samaritanos” (At.8:25), sem passar por Roma.

5. Pedro não ocupava a “cátedra de Roma”, mas, ao contrário, “viajava por toda parte” (At.9:32)! 

[44 – 45 d.C] 

6. Por um bom tempo, os cristãos que foram dispersos não anunciavam o evangelho a ninguém, senão “apenas aos judeus” (At.11:19). Como os romanos não eram judeus, fica difícil conciliar a ideia de que rapidamente Pedro se instalou por lá, procurando algum judeu para pregar o evangelho!

7. Pedro não foi ocupar a catedral de Roma, pois ele é narrado em Jerusalém sendo preso por Herodes com a intenção de mata-lo, sendo liberto por intervenção divina (At.12:2-17).

8. Pouco tempo depois, Herodes é morto (At.12:23), sendo tal fato narrado por Flávio Josefo como tendo ocorrido no quarto ano do reinado do imperador romano Cláudio. Sabemos historicamente que este imperador romano começou a reinar em 41 d.C. Sendo que a morte de Herodes (que ocorreu na sequencia da libertação milagrosa de Pedro, em Jerusalém) ocorreu no quarto ano deste imperador, então se deu em 45 d.C. Logo, em 45 d.C Pedro permanecia em Jerusalém, e não em Roma.

9. Pouco tempo depois, Paulo se encontra com Pedro em Antioquia, tendo que repreendê-lo face a face por sua “atitude condenável” (Gl.2:11). Isso se deu após o seu encontro com ele em 44 d.C em Jerusalém (Gl.2:1), o que nos mostra que depois de 44 d.C Pedro continuava sendo bispo em Antioquia, e não sumido para ir ocupar a catedral de Roma! Antioquia fica no Oriente: muito, muito longe de Roma!

Aqui passei apenas uma pequena cronologia de Pedro até o ano de 45 d.C, o que já é posterior ao período de Atos 11 (quando os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos). Segundo a lógica do Sr. Fakenando, Pedro já estaria em Roma junto com Paulo fundado a Igreja nesta época. Já pela Bíblia, Pedro se encontrava muito longe de Roma. No próprio capítulo 11 de Atos (portanto, naquele mesmo contexto), Pedro é retratado estando em Jerusalém, e não em Roma(At.11:2), voltando da viagem que ele tinha feito a Jope, e não a Roma (At.11:5).

Sendo assim, fica óbvio que Pedro não tinha nessa época atravessado do Oriente para o Ocidente e se instalado em Roma para governar aquela igreja local. Ele ainda estava em Jerusalém, e suas viagens eram feitas “nos derredores” da Judeia, em Samaria e em outros locais próximos, no Oriente. Nessa época o evangelho não tinha sido levado por Pedro a Roma! E quanto a Paulo, que Inácio colocou naquele mesmo contexto? Este aí ele próprio responde dizendo que nunca havia ido a Roma! Vejamos ele próprio dizendo:

“Quero que vocês saibam, irmãos, que muitas vezes planejei visitá-los, mas fui impedido de fazê-lo até agora. Meu propósito é colher algum fruto entre vocês, assim como tenho colhido entre os demais gentios”(Romanos 1:13)

Paulo escreveu aos romanos por volta de 55-57 d.C, e vemos nitidamente que nela Paulo diz que até aquele momento havia sido impedido de visitar os romanos. Portanto, o quadro que temos é o seguinte:

Até 43 d.C Pedro nunca havia ido a Roma; aliás, nunca havia sequer saído para o Ocidente, se encontrava em Jerusalém e suas viagens se limitavam a cidades próximas, no Oriente. Lucas não o registra em Roma em todo o livro de Atos, e todas as provas bíblicas que temos situam Pedro muito longe de Roma nesta época.

E Paulo também não esteve em Roma até 43 d.C, porque em 55-57 d.C ele escreve aos romanos dizendo que nunca havia ido até lá.

Sendo assim, a interpretação do Fakenando Nascimento, de que Inácio estivesse se referindo à fundação da Igreja de Roma é simplesmente ridícula, e carece inteiramente de fundamentos. Notem que Inácio diz claramente que os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos na Síria, quando Paulo e Pedro estabeleciam as fundações da Igreja, ou seja, na mesma época em que Pedro e Paulo fundavam a Igreja. E todas as evidências bíblicas provam que nesta época (43 d.C) nem Pedro nem Paulo haviam chegado a Roma.

Portanto, a afirmação de que Inácio estava se referindo a Pedro e Paulo fundando a Igreja em Roma é simplesmente ridícula, absurda, fruto de um desconhecimento bíblico primário e digna de pimpolhos fanáticos. A Igreja de Roma não havia sido “fundada” por Paulo e Pedro em 43 d.C, quando os discípulos começaram a ser chamados cristãos. Sendo assim, a referência de Inácio realmente não se aplica aos romanos, mas a alguma outra igreja. Pelo contexto, vemos que ele está se referindo à igreja da Síria (“isto se cumpriu primeiramente na Síria... pois os discípulos eram chamados de cristãos em Antioquia). E assim caem por terra os sofismas e delírios deste pimpolho Fakenando que só sabe escrever bobagens.

3.2 – Sobre a Epístola de Inácio aos Romanos. Fakenando Nascimento apela a uma parte da epístola de Inácio aos romanos para sustentar a sua caduca tese da primazia jurisdicional do bispo romano. Ele isola a passagem de seu contexto ao afirmar que Roma “preside na caridade”. É interessante que essa passagem não nos diz absolutamente nada sobre uma suposta primazia jurisdicional ou autoritativa sobre as demais igrejas locais da Cristandade, diz que preside “no amor” (ou na “caridade”), não era uma primazia jurisdicional, autoritativa, ou com infalibilidade, Inácio estava apenas ressaltando o amor dos romanos, o texto não tem absolutamente nada a ver com uma primazia jurisdicional. Quem enxerga isso no texto no mínimo sofre de sérios problemas interpretativos, precisa ir se consultar urgentemente.

Se eu dissesse que Madre Tereza presidia na caridade, isso obviamente não significa que ela tinha alguma autoridade administrativa sobre alguma igreja, que exercesse um primado jurisdicional em algum lugar ou que tivesse infalibilidade ex cathedra. Significa apenas e tão somente que eu estaria ressaltando o elevado caráter de caridade dela. Da mesma forma, foi somente isso que Inácio fez, elogiando aos romanos. A citação não tem qualquer ligação com um primado jurisdicional, apenas os “apologistas” pimpolhos católicos que, pela falta de argumentos, tem que apelar para deturpações como essa, para enganar os incautos que seguem as asneiras deles sem qualquer senso crítico ou ceticismo.

Ademais, é interessante também o fato de que este pimpolho não citou a passagem completa, apenas tirou essa parte do seu contexto. Por quê? Simplesmente porque este texto, dentro de seu devido contexto, é um golpe de morte na tese da primazia universal do bispo de Roma. Ele sabia disso, por isso não mostrou Inácio dizendo neste mesmo contexto que Roma presidia sobre Roma, e não universalmente!

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que recebeu a misericórdia, por meio da magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à Igreja amada e iluminada pela bondade daquele que quis todas as coisas que existem, segundo fé e amor dela por Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada feliz, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside no amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai; eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai”(Inácio aos Romanos, Saudações)

Inácio diz que aquela igreja, a quem ele escrevia, presidia. Se você perguntar aos romanistas, eles dirão que Roma presidia universalmente, pois defendem a tese do primado universal do bispo de Roma. Porém, Inácio esmaga essa teoria ao dizer que Roma presidia na região dos romanos. Em outras palavras, a jurisdição de Roma se limitava ao próprio território romano, e não se estendia ao mundo inteiro, como pretendem os romanistas atuais. Inácio destrói com a tese romana com uma simples frase!

Ademais, ao invés de dizer que Roma presidia universalmente em autoridade eclesiástica, ele afirma que ela presidia “no amor”. Convenhamos: será que Inácio iria perder a oportunidade de ressaltar a suposta primazia universal autoritativa dos romanos caso eles realmente a detivessem? É claro que não! Porém, Inácio nada diz sobre primazia jurisdicional. Ele realmente não tinha a menor ideia de uma jurisdição universal, mas cria que Roma se limitava a presidir sobre Roma!

Além disso, uma lida em todos os escritos de Inácio nos mostra claramente que ele não tinha a menor noção de um “bispo dos bispos” que exercesse jurisdição universal sobre todos os demais. É por isso que ele, repetidas vezes, deixa tão claro que a nossa submissão deve ser aos diáconos, aos presbíteros e aos bispos locais, mas nunca menciona um Sumo Pontífice, o que seria de se esperar caso a Igreja da época fosse a Igreja Romana e o bispo de Roma fosse um “papa infalível” com autoridade sobre todos os demais.

Vejamos alguns exemplos:

-Inácio aos Magnésios (Versão Curta):

“Por isto vos peço que estejais dispostos a fazer todas as coisas na concórdia de Deus, sob a presidência do bispo, que ocupa o lugar de Deus, dos presbíteros, que representam o colégio dos apóstolos, e dos diáconos, que são muito caros para mim, aos quais foi confiado o serviço de Jesus Cristo, que antes dos séculos estava junto do Pai e por fim se manifestou” (Inácio aos Magnésios, 6:1)

“Assim como o Senhor nada fez, nem por si mesmo nem por meio de seus apóstolos, sem o Pai, com o qual ele é um, também vós não façais nada sem o bispo e os presbíteros (Inácio aos Magnésios, 7:1)

“Procurai manter-vos firmes nos ensinamentos do Senhor e dos apóstolos, para que prospere tudo o que fizerdes na carne e no espírito, na fé e no amor, no Filho, no Pai e no Espírito, no princípio e no fim, unidos ao vosso digníssimo bispo e à preciosa coroa espiritual formada pelos vossos presbíteros e diáconos segundo Deus” (Inácio aos Magnésios, 13:1)

-Inácio aos Tralianos:

“Quando vos submeteis ao bispo como a Jesus Cristo, demonstrais a mim que não viveis segundo os homens, mas segundo Jesus Cristo, que morreu por nós, a fim de que, crendo em sua morte, possais escapar da morte. É necessário, portanto, como já o fazeis, nada realizar sem o bispo, mas também submeter-vos ao presbítero, como aos apóstolos de Jesus Cristo, nossa esperança, no qual nos encontraremos em toda a nossa conduta. É preciso, também, que os diáconos, ministros dos mistérios de Jesus Cristo, agradem a todos e de todos os modos. Com efeito, não é de comida e bebida que eles são ministros, e sim servidores da Igreja de Deus. É preciso, portanto, que eles evitem qualquer tipo de repreensão, como se evita o fogo”(Inácio aos Tralianos, 2:1)

“Da mesma forma, todos respeitem os diáconos como a Jesus Cristo, e também ao bispo, que é a imagem do Pai, e os presbíteros como à assembleia dos apóstolos. Sem eles, não se pode falar de Igreja. Tenho certeza que pensais do mesmo modo a respeito disso. Com efeito, recebi e tenho comigo um exemplar de vosso amor ao vosso bispo: a postura dele é grande ensinamento e sua mansidão é uma força. Penso que até os ateus o respeitam” (Inácio aos Tralianos, 3:1)

“Cuidado, portanto, com essas pessoas. Fazei-o sem vos encher de orgulho, permanecendo inseparáveis de Jesus Cristo Deus, do bispo e dos preceitos dos apóstolos. Aquele que está dentro do santuário é puro, mas aquele que está fora do santuário não é puro; ou seja, aquele que age sem o bispo, sem o presbítero e os diáconos, esse não tem consciência pura” (Inácio aos Tralianos, 7:1)

“O amor dos esmirniotas e dos efésios vos saúda. Em vossas orações, lembrai-vos da Igreja da Síria, da qual não sou digno de ser parte, pois sou o último dentre eles. Passai bem em Jesus Cristo, submissos ao bispo como ao mandamento, e igualmente ao presbitério. Todos, individualmente, amai-vos uns aos outros, de coração não dividido” (Inácio aos Tralianos, 13:1)

-Inácio a Policarpo:

“Atendei ao bispo, para que Deus vos atenda. Ofereço minha vida para os que se submetem ao bispo, aos presbíteros e aos diáconos. Possa eu, com eles, ter parte em Deus. Trabalhai uns com os outros e, unidos, combatei, lutai, sofrei, dormi, despertai, como administradores, assessores e servidores de Deus” (Inácio a Policarpo, 6:1)

-Inácio aos Efésios:

“Possa eu encontrar sempre a minha alegria em vós, caso eu seja digno disso. É preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo, que vos glorificou, a fim de que, reunidos na mesma obediência, submetidos ao bispo e ao presbítero, sejais santificados em todas as coisas” (Inácio aos Efésios, 2:2)

“Vós, amados, sede atentamente sujeitos ao bispo, e aos presbíteros e aos diáconos. Porque aquele que lhes é sujeito, é obediente a Cristo que os ordenou; mas aquele que lhes é desobediente, é desobediente a Cristo Jesus”(Inácio aos Efésios, 5:3)

“Não cedais, irmãos, na fé em Jesus Cristo, e em Seu amor, em Seu sofrimento, e em Sua ressurreição. Sigamos todos juntos em comunhão, e individualmente, pela graça, em uma só fé em Deus o Pai, e em Jesus Cristo Seu unigênito Filho, e ‘o primogênito de toda a criação’, mas da semente de Davi conforme a carne, mantendo-nos sob a orientação do Consolador, em obediência aobispo e ao presbitério com mente não dividida, partindo um e o mesmo pão” (Inácio aos Efésios, 20:1)

-Inácio aos Filadelfienses:

“Ele [Jesus] é minha alegria eterna e duradoura, sobretudo se os seus fiéis permanecerem unidos com o bispo, com os presbíteros e os diáconos que estão com ele, estabelecidos conforme o pensamento de Jesus Cristo, o qual, segundo sua própria vontade, os fortificou e confirmou com o seu Espírito Santo”(Inácio aos Filadelfienses, Saudações)

“Alguns quiseram me enganar segundo a carne, mas não se engana o espírito que vem de Deus. De fato, ele sabe de onde vem e para onde vai, e revela os segredos. Estando no meio de vós, gritei, disse em alta voz, uma voz de Deus: ‘Permanecei unidos ao bispo, ao presbitério e aos diáconos!’” (Inácio aos Filadelfienses, 7:1)

-Inácio aos Erminiotas:

“Segui todos ao bispo, como Jesus Cristo segue ao Pai, e ao presbitério como aos apóstolos; respeitai os diáconos como à lei de Deus(Inácio aos Erminiotas, 8:1)

Note que em todas as vezes Inácio menciona somente a submissão a três autoridades (cargos eclesiásticos) existentes dentro da Igreja, sendo eles o de bispo (marcados em verde), de presbíteros (em vermelho) e de diáconos (em marrom). Ele absolutamente nunca mencionou um Sumo Pontífice, o que obviamente seria uma autoridade eclesiástica e tanto que os cristãos deveriam prestar submissão, se realmente existisse um!

O fato de Inácio sempre em suas epístolas se reservar a mostrar submissão apenas aos três grupos, formados por diáconos (no plural), presbíteros (no plural) e ao bispo (no singular, por se tratar do bispo de cada igreja local) e sempre ignorar a suposta figura de um “bispo dos bispos”, “bispo universal” ou “Sumo Pontífice” que a Igreja Romana alega para o seu próprio bispo, nos demonstra claramente que Inácio não tinha qualquer noção de uma primazia jurisdicional universal de um bispo sobre todos os outros bispos, de um bispo maior, de um Sumo Pontífice. Isso é criação tardia da Igreja de Roma para si mesma.

Nunca foi crida por Inácio, que jamais fez menção a tal cargo ou função na Igreja, o que seria da maior importância caso realmente existisse! Na verdade, a coisa fica ainda mais misteriosa quando vemos que quando Inácio escreveu aos romanos, ele nem sequer fez menção do bispo dali! Convenhamos: se o bispo de Roma fosse não apenas um bispo como os demais, mas o bispo dos bispos, o Sumo Pontífice da Cristandade, será que Inácio iria passar despercebido dessa tão grande autoridade na Igreja?

É claro que não! O fato de Inácio nem sequer citar o bispo de Roma é somente uma consequência do fato de que tal bispo não era nem nunca foi superior a todos os demais bispos. Por fim, vale ressaltar que na única vez em que Inácio fez menção a um “bispo de todos”, isto é, de um Sumo Pontífice, não foi para falar do bispo romano, mas de Jesus Cristo:

“Convém que não abuseis da idade do vosso bispo, mas, pelo poder de Deus Pai, lhe tributeis toda reverência. De fato, eu soube que vossos santos presbíteros não abusaram de sua evidente condição juvenil, mas, como gente sensata em Deus, se submetem a ele, não a ele, mas ao Pai do bispo de todos, Jesus Cristo (Inácio aos Magnésios, Versão Curta, 3:1)

Para concluir e exterminar de vez com as teses do pimpolho sobre Inácio, que disse que ele “engrandeceu” a Igreja de Roma, passo aqui o que o mesmo disse aos efésios, dizendo coisas ainda muito superiores a eles do que ele fez aos romanos:

“Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja que foi grandemente abençoada com a plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos para existir sempre, para uma glória que não passa, inabalavelmente unida, escolhida na paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus Cristo, nosso Deus. À Igreja digna de ser chamada feliz, que está em Éfeso, na Ásia, as melhores saudações em Jesus Cristo e numa alegria irrepreensível. Acolhi em Deus vosso amadíssimo nome, que adquiristes por justo título natural, segundo a fé e o amor em Cristo Jesus, nosso Salvador. Imitadores que sois de Deus, reanimados pelo sangue de Deus, realizastes até o fim a obra que convém à vossa natureza” (Inácio aos Efésios, 1:1)

Inácio diz que a Igreja de Éfeso era grandemente abençoada por Deus, que foi predestinada eternamente, que tinha uma glória eterna, que era unida, apaixonada por Deus, digna, amada, enfim, encheu a bola dos efésios. E depois disse que ele encontrava neles (nos efésios) a sua alegria, que eles eram glorificados e santificados:

“Possa eu encontrar sempre a minha alegria em vós, caso eu seja digno disso. É preciso glorificar de todos os modos a Jesus Cristo, que vos glorificou, a fim de que, reunidos na mesma obediência, submetidos ao bispo e ao presbítero, sejais santificados em todas as coisas”(Inácio aos Efésios, 2:2)

Fora isso, ele declara também que era “vítima expiatória” dos efésios, que se oferecia em sacrifício por eles, que eles eram uma igreja formosa pelos séculos, e que desejava ressuscitar para se encontrar com os cristãos de Éfeso:

“Sou vossa vítima expiatória, e me ofereço em sacrifício por vós, efésios, Igreja famosa pelos séculos” (Inácio aos Efésios, 8:1)

“Fora dele, nada tenha valor para vós. Eu carrego as correntes por causa dele. São as pérolas espirituais com as quais eu gostaria que me fosse dado ressuscitar, graças à vossa oração. Desta desejo sempre participar para me encontrar na herança dos cristãos de Éfeso, que estão sempre unidos aos apóstolos pela força de Jesus Cristo” (Inácio aos Efésios, 11:2)

Depois de tudo isso, ainda me impressiona ver “apologistas” amadores e infantis, tais como o pimpolho Fakenando, que lê Inácio elogiando aos romanos e já vem pensando que ele considerava o bispo de Roma, que nem sequer é lembrado por ele em sua carta aos romanos, como superior a todos os outros bispos e a Igreja de Roma em autoridade sobre todas as demais igrejas! Isso é o que leva o desespero da “apologia” católica: quer encontrar coisas onde nada existe e acaba passando um vexame desses. Usa Inácio como suposto “apoio” a tese do primado do bispo romano, sem saber que Inácio é uma bomba nas próprias teses romanas!


PARTE 4 – REFUTANDO AS DEMÊNCIAS SOBRE GREGÓRIO MAGNO

4.1 – Sobre o papa universal. O pobre do pimpolho Fakenando Nascimento, sem saber como refutar as declarações de Gregório Magno (bispo de Roma) onde ele recusa explicitamente o título de “bispo universal”, passou um link do Veritatis onde supostamente o meu texto estaria “refutado”. Pobre do Fernando, não sabe que o meu texto é posterior ao do Veritatis, que é uma refutação ao dele, que tem muito mais citações e que o indivíduo nem sequer passou o link correto na matéria dele, o correto, mais recente e mais completo sobre Gregório Magno e o primado universal é esse aqui:


Lá tem uma extensa argumentação e refutação aos “argumentos” que o Veritatis e o Rafael Rodrigues (outro pimpolho) propuseram. Nem vale a pena desperdiçar mais do meu tempo com isso. Mas pra não dizer que não passou batido, vamos a alguns textos que eu coloquei naquele artigo:

“Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do Anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. E pelo orgulho ele é levado ao erro, pois como perverso deseja aparecer acima de todos os homens. Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes (Papa Gregório Magno, a Maurícius Augustus)

“Que dirás tu João a Cristo que é cabeça da Igreja universal no prestar de contas no dia do juízo final? Tu que te esforças de te antepor a todos os teus irmãos bispos da Igreja universal e que com um título soberbo queres pôr debaixo dos teus pés o seu nome em comparação do teu? Que vais tu fazendo com isso, senão repetir com Satanás: Subirei ao céu e exaltarei o meu trono acima dos astros do céu de Deus? Vossa fraternidade quando despreza (os outros bispos) e faz todos os esforços possíveis para os subjugar, não faz senão repetir quanto já disse o velho inimigo: Me exaltarei acima das nuvens mais excelsas (...) Possa pois tua Santidade reconhecer quanto é grande o teu orgulho pretendendo um título que nenhum outro homem verdadeiramente pio jamais se arrogou(Papa Gregório Magno, Epistolarum V, Ep. 18, PL 77, pag. 739-740)

“Pois se um só, como ele supõe, é o bispo universal, isso implica que vocês não são bispos” (Epístola LXVIII)

“Vossa Bem-aventurança também foi cuidadoso em declarar que não faz agora uso de títulos orgulhosos, que brotam de uma raiz de vaidade, ao escrever a certas pessoas, e se dirige a mim dizendo, «Como tu o ordenaste». Esta palavra, ordenar, lhe rogo que a afaste dos meus ouvidos, já que sei quem sou eu e quem sois vós. Pois em posição sois meus irmãos, em caráter meus pais. Eu não ordenei, então, mas estava desejoso de indicar o que me parecia ser benéfico. Contudo, não acho que Vossa Bem-aventurança tenha estado disposto a recordar perfeitamente esta mesmíssima coisa que trago à sua memória. Pois eu disse que nem a mim nem a mais ninguém devia escrever alguma coisa do gênero; e eis que no prefácio da epístola que me dirigiu a mim que me recuso a aceitá-lo, considerou apropriado fazer uso de um apelido orgulhoso, chamando-me Papa Universal. Mas rogo à sua dulcíssima Santidade que não volte a fazer tal coisa, já que o que é concedido a outro para lá do que a razão exige é subtraído de você mesmo. Pois, quanto a mim, não busco ser prosperado por palavras, mas pela minha conduta. Nem considero uma honra aquilo pelo qual sei que meus irmãos perdem a honra deles. Pois a minha honra é a honra da Igreja universal; a minha honra é o sólido vigor dos meus irmãos. Então sou verdadeiramente honrado quando não é negada a eles a honra devida a todos e cada um. Pois se Vossa Santidade me chama a mim Papa Universal, nega que seja você o que me chama a mim universalmente. Mas longe esteja isto de nós. Fora com as palavras que inflam a vaidade e ferem a caridade (Papa Gregório Magno, Epístola 8.30, a Eulógio, bispo de Alexandria)

O mais risível de tudo isso foi a tentativa de “refutação” dele. Ele disse que essas declarações foram feitas na época em que ele ainda era um “monge acanhado”, e não na época de papa, como se o que ele tivesse dito antes de virar papa não tivesse valor algum! Seria o mesmo que eu fosse contra o sistema presidencialista a minha vida inteira, aí depois que me torno presidente começo a apoiar! Dá pra ver que o argumento é por demais ridículo em si mesmo: primeiro, que chama o próprio Gregório Magno de bipolar e inconsistente, que uma hora afirma uma coisa e outra hora afirma outra.

Segundo, que ignora completamente as evidências de antes dele virar “papa”, só valendo as que vieram depois, o que também é inconsistente. Será que o bispo romano só se tornou o “bispo universal” depois que Gregório se tornou papa? Os romanistas não conseguem responder isso. A verdade é que, ainda que as declarações de Gregório tenham sido feitas na época em que ele ainda era um monge, mesmo assim continua negando enfaticamente o primado universal do bispo romano, que, segundo os católicos, já existia desde muito antes de Gregório Magno virar papa!

E, em terceiro, que Gregório, após se tornar bispo de Roma, continuou negando que fosse um bispo universal ou “bispo dos bispos”, como podemos ver claramente na sua Epístola ao Bispo de Alexandria, Eulógio (Epístola 8:30), quando Gregório já era “papa”, e mesmo assim continuou rejeitando estes títulos dizendo se tratarem de «títulos de soberba», «títulos orgulhosos», «raízes de vaidade», dizendo que «nem a mim nem a mais ninguém devia escrever alguma coisa do gênero», insistindo que «me recuso a aceitá-lo», chamando aquilo de «apelido orgulhoso», enfim, ele detonou com a tese católica do papado universal do bispo romano, e isso já depois de ter virado “papa”!

Apenas desinformados e iletrados como o Fakenando Nascimento, que nada entende de patrística e muito menos de refutações decentes, que mantém argumentos ridículos e deprimentes como esse, que, ao invés de explicar alguma coisa satisfatoriamente, apenas atenua o problema e o tamanho da bomba que os católicos têm pela frente!


PARTE 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O resumo do que vemos aqui é o seguinte:

O pimpolho Fakenando Nascimento, além de desonesto, ainda adultera documentos, interpola frases, as tira de seu contexto, forja citações falsas e acrescenta em outras.

Irresponsavelmente acusou um site católico (New Advent) de traduzir errado um texto de Cipriano na Epístola 59 do Hartel, com uma ridícula especulação de que um protestante se infiltrou naquele site e traduziu errado contra os próprios católicos em um site católico!

Não foi capaz de mostrar a tal citação da epístola 48 de Cipriano, teve que ir buscar uma na Epístola 51 (da mesma New Advent) que dizia “Roma” e “trono”, mas num contexto completamente diferente daquele que tinha sido adulterado por ele em uma epístola distinta, sem mostrar o contexto que, quando analisado, além de não corroborar em nada com as teses católicas ainda as contraria vigorosamente.

Se enrolou todo e não conseguiu explicar como que Cipriano chamou o papa de herege e inimigo dos cristãos, se ele supostamente cria que “os romanos não podem errar na fé”. Aliás, se meteu em uma enrascada ainda maior quando alegou que Cipriano achava que o bispo Estêvão de Roma estava errado, quando, segundo o próprio Fakenando, Cipriano achava que o bispo de Roma não podia errar!

Mostra uma total ignorância e desconhecimento da patrística ao passar batido com uma quantidade insuperável de textos em documentos históricos que comprovam que os Pais da Igreja, os bispos, os santos e os cardeais não criam que o bispo de Roma não podia errar em matéria de fé. Por sinal, Honório (bispo de Roma) foi considerado herético, da mesma forma que Pascoal II, e diversos líderes da Igreja na época e nomes proeminentes, tais como São Bruno (bispo de Segni), Guido de Vienne (arcebispo), Santo Ivo de Chartres, São Bonifácio e até o próprio papa Inocêncio III confirmaram que o bispo de Roma pode se afastar da fé e ser considerado herético.

Faz uma “interpretação” caduca e risível do texto de Romanos 1:8 pra ninguém botar defeito. Defende a primazia da Sé Romana a partir deste texto, quando Paulo escreveu exatamente o mesmo aos tessalonicenses (além de muitas outras coisas que ele jamais disse aos romanos) e nem por isso a Igreja de Tessalônica exercia primazia sobre todas as demais igrejas locais. Na verdade, esse “argumento” dele é tão ridículo que eu nem deveria desperdiçar meu tempo comentando ele, é jogar pérolas aos porcos.

Faz uma “interpretação” ainda mais estapafúrdia dos textos de Inácio, que nunca disse que Roma exercia primazia sobre as demais dioceses cristãs da época, que jamais sequer mencionou o bispo de Roma em seus escritos, que escreve aos efésios coisas muito maiores e mais profundas do que aos romanos e que, por fim, diz que a presidência dos romanos se limitava ao próprio território romano, e não universalmente, como inutilmente eles defendem. Além disso, faz uma interpretação caquética de um texto de Inácio aos Magnésios, dizendo tratar-se de Roma quando o texto faz clara menção à Síria, e de uma época (43 d.C) que nem Paulo nem Pedro sequer haviam pisado em Roma para fundar qualquer igreja ali!

Ignora o fato de que Inácio jamais fez menção à submissão a um papa universal, a um Sumo Pontífice, a um bispo dos bispos, mas sempre ele mencionava a submissão tão somente aos diáconos, presbíteros e ao bispo local de tal igreja. Ele jamais fez menção à submissão a um suposto bispo superior (papa) em Roma. Seria o mesmo que um católico nos dias de hoje escrevesse sobre as autoridades eclesiásticas na Igreja Católica e sempre se esquecesse do mais importante e do mais alto grau da hierarquia: o papa! Católico citando Inácio é pedir pra levar chumbo!

Elabora uma “explicação” que, de todas as que eu já vi na vida, é a mais medonha, a mais caquética e a mais engraçada sobre Gregório Magno. Embora eu já tenha visto católicos com “explicações” bem das mais criativas, nunca tinha visto descerem a tamanho nível, ao ponto de afirmar que o que Gregório disse antes de virar papa não vale, só vale o que ele disse depois, além de se mostrar um completo ignorante, pois a maioria daquelas citações onde Gregório detona com a suposta primazia universal é de depois que ele já era o bispo de Roma!

10º Por fim, o sujeito mostra mais uma vez que é um completo disparate em termos de conhecimento histórico-eclesiástico e da patrística, demonstra que é um total ignorante dos próprios concílios que ele diz ser da Igreja dele, que afirmam categoricamente que a autoridade da Igreja de Roma se limitava à própria Roma e não se estendia às demais, que não era uma autoridade universal mas somente local, enquanto outras igrejas locais (como Alexandria) conseguia expandir a sua autoridade até a limites maiores que a própria Igreja de Roma!

Enfim, não vale a pena continuar refutando as demais idiotices deste cidadão, é jogar pérolas aos porcos, é chutar cachorro morto, é dar ibope para hereges, que nem sequer mereceriam serem comentados aqui no meu blog. Apenas comentei sobre estes pontos porque alguns irmãos na fé me informaram sobre a tentativa de “refutação” dele, e, para que estes irmãos não ficassem com a mente duvidosa, pensando que aqueles textos dele eram mesmos verdadeiros ou que os argumentos evangélicos haviam sido realmente refutados, decidi redigir essa breve refutação, ainda que pudesse esmigalhar com cada linha que este indivíduo com sérios problemas comportamentais escreveu.

Creio que o que já foi dito já é o suficiente. Já basta para ver o nível da desonestidade do outro lado, já basta para ver qual é o lado verdadeiro da moeda, já basta para ver se os Pais da Igreja, como Cipriano, Inácio e Gregório Magno realmente criam que “os romanos não podem errar na fé”. Depois disso, eu recomendaria ao Fakenando Nascimento, o nosso caríssimo pimpolho, que se escondesse em alguma caverna, e nunca mais ousasse comentar algum texto meu até que tenha um mínimo conhecimento patrístico, exegético, hermenêutico, e em devidas condições psicológicas, ou senão da próxima vez nem vai valer a pena eu perder meu tempo para colocar no chão um indivíduo no qual a própria natureza já resolve.


PARTE 6 – AGRADECIMENTOS FINAIS

Sim, por mais que este texto tenha sido forte – o que não seria de se esperar diferente, tendo em vista a quantidade de desonestidades, falsificações e calúnias contra mim e contra a verdade evangélica – eu tenho sim agradecimentos a fazer, e não é para os evangélicos não, é para os católicos mesmo. Vamos lá:

6.1 – Ao Macabeus. Tenho que confessar que fiquei “emocionado” com o senhor ter colocado um banner enorme na página inicial do seu site com o título de “Lucas Banzoli foi Refutado”, como se vocês tivessem ganhado um campeonato com isso. Deve ter sido uma emoção para você ter visto o Fakenando fazer aquilo que você nunca conseguiu fazer – refutar – ainda que este sonho tenha sido como uma noite de verão, e que tal ilusão tenha durado por tão pouco tempo (até essa minha refutação).

Mesmo assim, eu agradeço a sua iniciativa em ter aumentado e alavancado o número de acessos e de visitas ao meu blog, muito obrigado mesmo, você não faz ideia de como eu fico agradecido em ver o número de acessos aumentar significativamente nestes dias, e do pessoal católico poder ter acesso a este blog que coloca no chão todas as mentiras e falsidades desta corrupta Igreja Romana, e deste modo podem por sua vez abrir os olhos para a luz do evangelho da glória de Cristo. Meus parabéns, Macabeus. Meu muito obrigado a você e a todos os seus seguidores incrédulos. Na minha opinião você não precisa mudar o banner, deixa lá mesmo pra sempre. Até porque, depois que o pessoal ler a minha refutação ao Fakenando, os “argumentos” dele não passarão de uma grande piada.

6.2 – A MSR. MSR é a abreviação de uma falida e decadente comunidade católica no falido e decadente Orkut. De tão intolerante e preconceituosa que é contra os protestantes, ela foi deletada pelo Orkut, mas o seu dono a recriou alguns dias depois. Hoje conta com míseros 170 participantes (mas de participantes ativos não passa de meia dúzia), sendo um de seus moderadores o pimpolho que estamos tratando aqui (portanto, já deu pra ver o nível dessa comunidade). Foi lá que um católico desesperado foi buscar ajuda aos argumentos do meu blog, e lá que outros vários católicos puderam ter acesso ao blog.

Meu agradecimento a vocês e o meu desejo de sucesso nessa nova caminhada, talvez um dia vocês cheguem a ter, vejamos, uma dúzia de membros ativos, será? Puxa vida, estou atemorizado com o tamanho impacto que essa comunidade faz no nosso país com 200 milhões de habitantes. Realmente, com uma comunidade católica tão significativa assim, bota medo em qualquer protestante. Mesmo assim, meus agradecimentos, e a qualquer hora que um outro católico desesperado não saber refutar os meus argumentos e for clamar por ajuda ali, faça sem remediar. Isso irá dar mais trabalho ao Fakenando Nascimento e também me renderá boas risadas ao ver este pessoal todo se debruçando na tentativa de refutar o Lucas Banzoli (risos).

6.3 – Ao pimpolho. E, como não poderia ser diferente, é claro, o meu grande, enorme e carinhoso abraço nessa pessoa tão honesta, tão verdadeira, tão nobre, tão.. tão... (fiquei sem palavras agora), tão fantástica que é o nosso caro pimpolho, Fakenando Nascimento. Se não fosse este sujeito ter acreditado na ilusão de que teria capacidade suficiente de refutar algum texto meu, jamais ele estaria pagando este mico neste momento e jamais eu teria que mostrar ao pessoal do blog tão inumerável quantidade de argumentos que destrói com os pilares da Igreja Romana.

Este rapaz, além de inteligente (sim, é inteligente e esperto, pois juntou os argumentos dos outros católicos e depois disse que eram dele), ainda é muito criativo, veja só que coisa: já existe o tal site católico do “Cai a Farsa”, e este sujeito, querendo criar um blog também mas sem saber qual nome dar a ele, decidiu colocar o nome de “Fim da Farsa”. Uau, com tamanha criatividade em mente fica até complicado debater com mentes brilhantes. Talvez o próximo blog dele possa se chamar “Acabou a Farsa”, ou “Terminou a Farsa”, ou “Cessou-se a Farsa”, mas acho que com uma mente tão brilhante e criativa como a dele eu nem preciso dar novas ideias.

Fica aqui, então, a minha refutação e os meus agradecimentos ao nosso nobre e caro Fakenando Nascimento. Levei algum tempo para respondê-lo, não por ser uma tarefa difícil refutar argumentos tão infantis e amadores, criados por “apologistas” blogueiros desinformados e iletrados, mas sim porque também tenho mais coisas a fazer além de ficar refutando bobagens de um ser humano desequilibrado e sem uma mínima capacidade interpretativa.

E que fique bem claro: da próxima vez que tentar me refutar vai levar mais chumbo.

E cai a farsa mais uma vez!

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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-Notas e referências:

[1] E mesmo que fosse este o caso, o pimpolho mostra novamente que é um desinformado ignorante, pois o Concílio de Niceia afirmou categoricamente que os hereges deveriam ser rebatizados, para o desgosto do Fakenando Nascimento que afirma que a Igreja acatou a decisão do bispo de Roma Estêvão e não de Cipriano. Eis o que consta em tal Concílio aceito até hoje pelos próprios católicos:

“Os Paulianistas devem ser rebatizados. Se alguns são clérigos e isentos de culpa devem ser ordenados. Se não parecem isentos de culpa, devem ser depostos. As diaconisas que se desviaram devem ser colocadas entre os leigos, uma vez que não compartilham da ordenação. Decreta-se que os Paulianistas que vieram se acolher na Igreja Católica sejam, de qualquer modo, rebatizados. Se alguns deles, que no passado foram listados em seu Clero, forem considerados sem culpa e sem reprovação, devem ser rebatizados e ordenados pelo bispo da Igreja Católica. Mas se o exame descobrir que são indignos, devem ser depostos. Semelhantemente, a mesma medida deve ser tomada no caso de suas diaconisas, e, de modo geral, daqueles que foram listados em seu Clero. Chamamos diaconisas aquelas que tomaram o hábito mas que devem ser colocadas apenas entre os leigos, uma vez que não recebem imposição das mãos” (Cânon XIX do Concílio de Nicéia)

Agora falta também explicar o porquê que a Igreja da época acatou a posição de Cipriano e não a do bispo de Roma, se era supostamente o bispo romano que teria a autoridade superior sobre todos os bispos, que seria o “papa universal”, o “bispo dos bispos”, o “Sumo Pontífice”, etc, etc, etc. Tudo isso parece no mínimo inútil, pois se o bispo romano tivesse toda essa autoridade que os romanistas afirmam ter, então a Igreja da época teria aceito a posição dele (que era contra o rebatismo) e não a de um mero bispo de Cartago, cidade no norte da África que não tinha primazia sobre nada e ninguém!

[2] Considerações sobre o ‘Ordo Missae’ de Paulo VI”, Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira.

[3] Denz.-Sch, 550.

[4] Denz.-Sch, 552

[5] Denz.-Sch, 563

[6] Denz.-Sch, 561.

[7] Denz.-Sch, 561.

[8] H. Baeumer, verbete ― Honorius I, in ―Lexikon fuer theologie und Kirche, 1961 ― citado por Hans Kueng, ― Structure , pp. 304-305.

[9] Carta de São Bruno de Segni a Pascoal II, escrita em 1111 - P.L., tom. 163, col. 463. Ver também: Baronius, ― Annales, ad ann. 1111, n.º 30, p. 228; Hefele-Leclercq, tom. V, part. I, p. 530.

[10] Citado por Baronius, Annales., ad ann. 1111, n.o 32, p. 228. Ver também: Hefele-Leclercq, tom. V, part. I, p. 530; Rohrbacher, Hist. Univ. de lfEgl. Cath, tome XV, p. 130.

[11] Citado por Hefele-Leclercq, tom. V, part. I, p. 555.

[12] Citado por Bouix, ― Tract. de Papa, tom. II, p. 650 - Ver também: Hefele-Leclercq, tom. V, part. I, p. 536; Rohrbacher, ― Hist. Univ. de l’Egl. Cath., tome XV, p. 61.

[13] P.L., tom. 162, col. 240.

[14] Pars I, dist. 40, cap. 6, cânon ― Si Papa ― Decretum de Graciano foi composto na primeira metade do século XII, provavelmente por volta de 1140.

[15] Dublanchy, verbete “Infaillibilite du Pape”, no Dict. de Theol. Cath, cols. 1714-1715.

[16] V. Mondello, ― La dottrina del Gaetano, p. 25.

[17] Epístola 33 de Cipriano, parágrafo 1.

[18] Da Unidade da Igreja, Cap. 5.

[19] Epístola 66 de Cipriano, parágrafo 8.