30 de setembro de 2012

Os problemas da infalibilidade papal


OS PROBLEMAS DA INFALIBILIDADE PAPAL
(Norman Geisler)

Problemas Teológicos com a Infalibilidade Papal 

O Problema dos Papas Hereges 

O Papa Honório I (bispado 625-638) foi condenado pelo Sexto Concilio Geral (680-681) por ensinar a heresia monotelita (de que havia somente uma vontade em Cristo); Ludwig Ott admite que o “Papa Leão II (bispado 682-683) confirmou a sua anatematização” (FCD, 150). Nós somos deixados, então, com a incrível situação de um papa infalível ensinando uma doutrina falível (e herege). Se o ofício do ensinamento papal não pode conduzir mal em doutrina e ética, como pode o ensinamento de um papa ser herege?  

Afirmar que o papa não era infalível nesta ocasião, somente contribui para minar a doutrina da infalibilidade: como pode um papa saber quando seus pronunciamentos doutrinários são ou não infalíveis? Sem uma lista infalível, a Igreja Católica não pode proporcionar orientação infalível em doutrina e moral; se o papa pode ser falível em uma doutrina, por que não poderá ser falível em outra? Além disto, o comentário de Ott de que Leão II não condenou Honório I por heresia, “mas por negligência na supressão do erro” (ibid.), é uma defesa ineficaz.  

Primeiro, ainda há sérias questões quanto à maneira como o Papa Honório poderia ser um guia infalível em fé e moral enquanto ensinava heresias; a resposta católica de que ele não estava falando ex cathedraneste ponto é conveniente, mas inadequada. Mesmo se tal distinção existisse, invocá-la somente teria a tendência de minar a autoridade das ocasiões, muito mais numerosas, em que o papa, supostamente, está falando com autoridade, mas não infalibilidade.  

Segundo, isto não explica por que o Sexto Concilio Geral condenou Honório como herege. Terceiro, rejeitar a infalibilidade papal nesta situação, e em situações semelhantes, torna pronunciamentos supostamente infalíveis extremamente raros; por exemplo, seguindo este padrão, um papa falou ex cathedrasomente uma vez nos últimos cem anos (sobre a assunção corpórea de Maria).  

A “infalibilidade” exercida tão raramente tem praticamente nenhum valor, em quase todas as ocasiões. Com o papa quase sempre tendo somente palavras falíveis, os católicos estão propensos a aceitar a sua autoridade em fé e moral quando ele pode estar (e algumas vezes esteve) errado. A orientação infalível que o papado supostamente proporciona é desprezível, na melhor das hipóteses; e, pela admissão da igreja, em um número impressionante de ocasiões, não existe uma orientação supostamente infalível, de maneira nenhuma. 

Além disto, em 1590, o Papa Sixtus V autorizou uma versão da Bíblia que alegava ter completa autoridade por todo o tempo futuro. O seu prefácio declarava: “Pela plenitude do poder apostólico, nós decretamos e declaramos que esta edição, aprovada pela autoridade entregue a nós pelo Senhor, deve ser recebida e sustentada como verdadeira, legítima, autêntica e inquestionável, em todas as discussões públicas e privadas, leituras, pregações e explanações”. Se algum papa infalível afirmou ter um pronunciamento infalível, foi este. No entanto, a versão do Papa Sixtus da Bíblia estava tão equivocada, com milhares de erros, que teve que ser revisada somente dois anos mais tarde (veja Mathison, SSS, 222). Esta é a infalibilidade papal! 

O Problema da Insuficiência de Revelação 

Uma das principais razões dadas pelas autoridades católicas para um magisterium de ensino infalível é o fato de que precisamos de uma orientação infalível para compreender a revelação infalível de Deus, para que ela não seja mal interpretada. Existem, pelo menos, dois problemas aqui. Primeiramente, como uma interpretação infalível pode ser melhor do que a revelação infalível? A revelação divina é uma revelação feita por Deus; afirmar que a revelação infalível de Deus precisa de uma revelação infalível adicional significa dizer que ela não foi apropriadamente revelada, para começar. 

Certamente, existe uma diferença entre a revelação objetiva (revelação) e a revelação subjetiva (compreensão), mas o problema central nesta consideração não está na nossa percepção da verdade de Deus (cf. Rm 1.19,20). Mais crítico para a verdade da revelação de Deus é a recepção; o “homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1 Co 2.14, RA). Ele não pode “entender” estas verdades porque não as recebe na sua vida, mesmo que as compreenda na sua mente. Na realidade, o que ele percebe claramente (Rm 1.19,20) ele não recebe abertamente, mas “detém” ou suprime (v. 18); ele escolhe o ateísmo na sua mente, rejeitando a verdade sobre Deus em seu coração (Sl 14.1).  

Embora exista uma diferença entre a revelação objetiva e a compreensão subjetiva, os seres humanos são “indesculpáveis” por deixarem de compreender a revelação de Deus, seja na natureza ou nas Escrituras. E interessante que a teologia católica propriamente dita sustente que os incrédulos podem e devem compreender a verdade da lei natural independentemente do magisterium de ensino romano. Como tal, por que eles precisariam de um magisterium infalível, para compreender apropriadamente a lei divina?  

Parece singularmente incoerente que os estudiosos católicos afirmem que precisam de outra mente para interpretar corretamente as Escrituras, quando as mentes que Deus lhes deu são suficientes para interpretar todo o restante. Por exemplo, muitos deles são especialistas em interpretar a literatura clássica, envolvendo tanto o significado moral quando o religioso destes textos.  

No entanto, desejam que acreditemos que estas mesmas mentes, altamente educadas e instruídas, sejam inadequadas para obter uma interpretação religiosa e moral confiável das suas próprias Escrituras. A resposta católica de que os protestantes têm seu próprio magistenumde ensino de conhecimento moderno erra o alvo, por diversos motivos. Por um lado, o magisterium católico depende do conhecimento, tanto quanto os protestantes. Se não dependessem, não seriam capazes de traduzir os textos e entendê-los no contexto correto. 

Por outro lado, os protestantes não afirmam que é necessário ter conhecimento infalível para interpretar a Bíblia. Adicionalmente, para os protestantes, o conhecimento necessário para o entendimento bíblico não proporciona uma estrutura teológica para interpretar a Bíblia, como é o caso do magisteriumde ensino da Igreja Romana; na verdade, ele proporciona as ferramentas linguísticas necessárias para interpretar a Bíblia. Finalmente, as habilidades de interpretação escriturai são as mesmas que as de interpretação de qualquer documento: compreender, no texto, o significado expresso pelo autor. 

Novamente, os advogados e juízes católicos que são especialistas na interpretação da Constituição ouvem que suas habilidades são inadequadas para obter uma interpretação confiável das Escrituras que Deus deu a todos os crentes. Não é necessário um especialista para interpretar os ensinamentos cruciais das Escrituras. Por exemplo, o Novo Testamento foi escrito no vernáculo da época, a linguagem de comércio do século I, conhecida como grego koiné, a linguagem comum e diária da pessoa comum. 

Da mesma maneira, a grande maioria das traduções da Bíblia Sagrada para a língua inglesa (incluindo as versões católicas) estão escritas em inglês comum e simples; as verdades essenciais da Palavra de Deus podem ser compreendidas por qualquer pessoa alfabetizada. Na verdade, é um profundo insulto à nossa inteligência, dada por Deus, sugerir que nós podemos ler e entender as notícias diárias, mas precisamos de algum magisterium infalível para entender as Boas Novas de Deus para toda a humanidade.


O Problema da Indecisão com os Pronunciamentos Infalíveis 

Outra dificuldade para a doutrina católica: Se for necessário um magisterium de ensino infalível para superar as interpretações conflitantes das Escrituras, por que as suas declarações supostamente infalíveis também estão sujeitas a interpretações conflitantes? Existem muitas diferenças, acaloradamente debatidas, entre os estudiosos católicos, sobre o significado exato das declarações ex cathedra, incluindo aquelas sobre as Escrituras, tradição, Maria, e justificação.  

Embora possa haver esclarecimentos futuros em algumas questões, o problema permanece, pelo menos, por duas razões: (1) Ele mostra a natureza indecisa dos pronunciamentos supostamente infalíveis; (2) a julgar pela experiência passada, nem mesmo declarações futuras determinarão completamente todas as questões. Os pronunciamentos sobre a infalibilidade das Escrituras são um bom exemplo; pois, apesar de serem declarações infalíveis, existem discordâncias entre alguns estudiosos. Alguns chegam a ter dúvidas sobre o fato de a Bíblia ser realmente infalível em todas as questões, ou somente em questões de salvação. Porém, está bastante claro que a Bíblia Sagrada é perfeita, e que ela é a Palavra de Deus para a humanidade.

Problemas Filosóficos com a Infalibilidade Papal 

O Problema Epistêmico 

A suposta necessidade do catolicismo de um magisteriuminfalível é uma base epistemicamente insuficiente para ir além do nível do conhecimento provável. Os estudiosos católicos admitem (como devem) que não têm evidências infalíveis para um magisteriumde ensino infalível; eles meramente têm o que creem ser bons (e prováveis) argumentos. Sendo este o caso, epistemicamente (ou apologeticamente), não existe nada além de uma base provável para que um católico acredite que um pronunciamento supostamente infalível, feito pela igreja, seja verdadeiro. O resultado: ele não está em posição melhor para ter certeza a respeito de questões de fé e moral do que um protestante que aceita a infalibilidade escritural sobre bons (e prováveis) argumentos.

O Problema de Morte por Qualificação 

Uma vez que todas as qualificações sejam apresentadas, tanto em teoria quanto em prática, a infalibilidade papal é removida da sua glória, e permanece tão expostamente falível quanto qualquer outro ensinamento humano. O papa é supostamente infalível somente quando fala: 

(1) em cumprimento do seu ofício como supremo pastor e professor de todos os cristãos; 

(2) em virtude da sua suprema autoridade apostólica, isto é, como sucessor de Pedro; 

(3) determinando uma doutrina de fé e moral, isto é, expressando revelação divina; 

(4) impondo uma doutrina definitiva a ser seguida por todos (Dulles, “IT” 79-80); 

(5) como o papa verdadeiro (em oposição a papas rivais). 

Além disto, muitos estudiosos católicos creem que o papa fala infalivelmente somente em consenso com todos os bispos (o colegiado), isto é, a sua decisão deve ser ratificada por um concilio ecumênico. Mas não somente todos estes critérios não são proferidos infalivelmente, eles não são todos universalmente aceitos entre os católicos. Além do que, quando alguém tenta aplicar estes critérios à doutrina da infalibilidade papal, ela começa a sofrer uma “morte por mil qualificações”. Por exemplo, se o papa não foi infalível quando excomungou Galigeu, ou quando ensinou heresias, como podemos ter a certeza de quando ele realmente é infalível? Se jamais pudermos ter esta certeza, então de que serve a doutrina da infalibilidade?

Problemas Históricos com a Infalibilidade Papal 

O Problema dos Antipapas 

Outra anomalia do catolicismo romano é o escandaloso espectro de não ter tido mais do que um papa supostamente infalível ao mesmo tempo — um papa e um antipapa: “Existiram cerca de trinta e cinco antipapas na história da igreja” (Mercati, “MLP”, in: MS, 71-80). Como podem existir papas infalíveis e antagônicos, ao mesmo tempo? Qual deles é o verdadeiro papa? Uma vez que não existe uma lista de papas infalíveis, ou uma maneira infalível de determinar quem é o papa infalível, o sistema tem um sério problema lógico que deixa de ser hipotético; esta dificuldade teve, na realidade, diversas manifestações históricas. 

Os apologistas católicos afirmam que jamais houve, na realidade, dois papas, uma vez que somente um pode ser infalível. Esta é, na verdade, uma solução teórica, pois os fiéis não têm como saber, com certeza, qual deles pode dar orientação legítima (e infalível) em fé e moral. Em tempos de múltiplos papas, cada um deles pode excomungar o outro (e algumas vezes o fez).

O Problema de Galileu 

Talvez uma das maiores vergonhas para a “igreja infalível” seja o seu juízo falível sobre Galileu Galilei (1564-1642). Em oposição ao modelo heliocêntrico do sistema solar, proposto por Galileu, Roma escolheu o modelo geocêntrico cientificamente ultrapassado de Ptolomeu. A injusta condenação e banimento de Galileu provocou uma pausa para quaisquer pronunciamentos subsequentes sobre questões científicas (talvez isto explique a relutância de Roma em rejeitar formalmente a macroevolução, permitindo que se creia nela, por temer que possa ser verdade). 

Galileu, usando seu telescópio para examinar os céus, adotou a visão copérnica de que o sol, e não a terra, era o centro do sistema solar. Isto, naturalmente, se opunha à posição teológica sustentada pela igreja, de um sistema centrado na terra. O problema surgiu quando Galileu escreveu sua obra Letters on Sunspots, em 1613, e desviou a atenção das discussões científicas para dificuldades das Escrituras: “as pessoas queriam saber por que Josué ordenou que o sol não se movesse, se ele jamais se moveria, de qualquer maneira (veja Js 10.12,13). Elas se perguntavam como uma terra móvel poderia ser reconciliada com a declaração de que Deus ‘lançou os fundamentos da terra, para que não vacile em tempo algum’ (SI 103.5)” (Marthaler, NCE, 252). 

Em 1616, Roma condenou a teoria de Copérnico. Em 1632, Galileu foi convocado pela Inquisição; em 1633, depois de ser julgado, ele foi declarado “veementemente suspeito de heresia”. Como punição, foi-lhe ordenado que repetisse os sete salmos de penitência uma vez por semana, durante três anos. Depois de cinco meses, o Papa Urbano VIII (bispado 1623-1644) permitiu que Galileu retornasse à sua casa, em Florença, onde permaneceu em confinamento domiciliar até a sua morte, em 1642. 

Em 1979, depois que a igreja tinha sofrido séculos de humilhação pela condenação equivocada de Galileu, o Papa João Paulo II falou à Pontificai Academy of Science (Pontifícia Academia de Ciências); no seu discurso, intitulado “Fé, Ciência e o caso de Galileu”, ele pediu que todo o episódio fosse reexaminado (Brown, FTP, 177). Em 1983, falando de “igreja e ciência”, João Paulo II concordou que “Galileu tinha ‘sofrido por causa de divisões da igreja’”. Isto, naturalmente, não é um claro cancelamento da condenação, nem uma solução para o problema de como um pronunciamento infalível da Igreja Romana poderia ser um erro. 

Nenhuma das “soluções” propostas por Roma são convincentes, tendo todos os sinais de um conserto “depois-do-fato” dos pronunciamentos que resultaram deste episódio. Galileu e seus oponentes ficariam confusos ao descobrir que as sérias acusações feitas contra ele não tinham força ex cathedra. Além disto, em vista do peso, por natureza, tanto da condenação quanto da punição, Galileu ficaria muito mais que surpreso ao ouvir apologistas católicos dizendo que ele não estava sendo condenado por falsos ensinamentos, mas que “a sua ‘prova’ não impressionou nem mesmo a astrônomos do seu tempo — nem impressionariam a astrônomos de hoje”.  

De qualquer forma, a condenação de Galileu pelo papa enfraquece ainda mais esta notoriamente instável doutrina romana. A reivindicação persistente de que o pontífice não estava falando infalivelmente naquela ocasião é um apelo para uma distinção impossível de comprovar, que mina a suposta infalibilidade que se propõe a defender. 

Por: Norman Geisler, em “Teologia Sistemática”, Volume II. 

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29 de setembro de 2012

O Apocalipse e o tormento eterno - Parte 1

Nestas últimas semanas, tenho escrito vários artigos sobre o inferno, mais do que o natural. Como, porém, algumas pessoas me pediram para explicar alguns textos apocalípticos que supostamente pregariam o tormento eterno no lago de fogo, vou fazer algumas considerações sobre estes textos. 

Antes, porém, recomendo a todos a leitura dos meus outros artigos sobre o tema, que também são de fundamental importância para a compreensão dos demais, pois muitas pessoas me escrevem sobre textos bíblicos que já foram explanados e compreendidos. Portanto, recomendo a todos a leitura dos artigos: 



E também o artigo do Dr. Samuele Bacchiocchi sobre o mesmo tema: 


Existem vários outros artigos de minha autoria sobre o tema do inferno e que são relacionados a estes; porém, vou passar apenas a leitura destes três artigos como sendo um “material básico” para aprender sobre a crença bíblica do aniquilacionismo e compreender as refutações completas a todas as [quase meia dúzia de] passagens utilizadas pelos imortalistas para o “tormento eterno” que eles creem. Quem quiser se aprofundar mais no tema, recomendo a leitura de meu livro – “A Lenda da Imortalidade da Alma” – onde eu dedico um capítulo inteiro apenas a comentar sobre o tema do “inferno e os acontecimentos finais”. 

Sobre este presente artigo que visa apenas responder as questões apocalípticas neste meio, basicamente existem duas passagens em Apocalipse que são utilizadas pelos imortalistas. O primeiro é esse: 

“E seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome (Apocalipse 14:9-11) 

Nestes versos, existem três coisas que poderiam nos passar essa ideia. São elas: 

“...e será atormentado com fogo e enxofre” (v.10) 

Este texto diz apenas que serão atormentados, não diz que o tormento será sem fim como em um processo infindável. Eu não creio que Deus irá deixar os ímpios sem punição, mas creio que esse castigo será respectivo e proporcional aos pecados de cada um, e não eterno a todos indiscriminadamente. Foi por isso que o próprio Senhor Jesus disse: 

“Aquele servo que conhece a vontade de seu senhor e não prepara o que ele deseja, nem o realiza, receberá muitos açoites. Mas aquele que não a conhece e pratica coisas merecedoras de castigo, receberá poucos açoites (Lucas 12:47-48) 

Cada um será castigo com o tanto proporcional aos seus pecados. Os justos herdarão a vida eterna por graça através da fé, e não por merecimento. Os ímpios, contudo, que não alcançaram a graça, serão castigos por aquilo que mereceram. É por isso que uns levam “muitos açoites”, enquanto outros levam apenas “poucos açoites”. Note que ninguém é castigo com “infinitos açoites”. Logicamente, o eterno não pode ser considerado “pouco”.  

Sendo assim, o castigo aos pecadores é bíblico. O que não é bíblico é o horror que é pregado por aí de um tormento eterno, de um inferno eterno, de um fogo sem fim. Nas descrições bíblicas de “fogo eterno” já vimos que é “eterno” pelos efeitos, e não pelo processo. O processo, naturalmente, tinha um fim completo de existência (clique aqui para ler mais sobre isso). 

Foi assim com Sodoma e Gomorra (Jd 7), foi assim com os palácios de Jerusalém (Je.17:27), foi assim com os ribeiros de Edom (Is.34:9,10), foi assim com a floresta do Neguebe (Ez.20:47,48). Em todos esses casos, o fogo “eterno” é uma descrição do efeito e não do processo, pois o processo tem um fim repentino. Portanto, sim, os ímpios serão atormentados, mas não: não será eternamente pelo processo, mas pelos efeitos irreversíveis de sua destruição final e completa.

“...e a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre” (v.11) 

Curiosamente, este texto fala da fumaça e não do fogo propriamente dito, e muito menos do tormento daqueles que lá estariam. Como os eruditos bíblicos anglicanos John Scott e David Edwards assinalam: 

“O fogo mesmo é chamado ‘eterno’ e ‘inextinguível’, mas seria muito estranho se aquilo que nele fosse jogado se demonstrasse indestrutível. Esperaríamos o oposto: seria consumido para sempre, não atormentado para sempre. Segue-se que é o fumo (evidência de que o fogo efetuou seu trabalho) que ‘sobe para todo o sempre’ (Ap.14:11)” [1] 

Novamente, vemos que este texto, como os demais, está ressaltando os efeitos da destruição, e não um processo eterno e sem fim de tormento. O que é eterno ou inextinguível não é o tormento dos ímpios, mas sim o fogo que nos casos de Sodoma e Gomorra causou a destruição completa e irreversível  das cidades e seus habitantes, condição esta que permanece para sempre. Apocalipse 14:11 não descreve um processo infinito, mas sim um ato cujos resultados serão permanentes, irreversíveis. 

Compare, por exemplo, Apocalipse 14:11, com Isaías 34:9-10. Ambos os textos tratam-se de condenações divinas e falam de uma “fumaça que sobe para todo sempre”, mas não há uma fumaça subindo literalmente, muito menos pessoas ímpias queimando literalmente para todo o sempre no meio deste fogo. Ambos os casos são apenas um retrato fiel a um aniquilacionismo completo, e não a um tormento sem fim.

“...e não tem repouso nem de dia nem de noite” (v.11) 

Essa frase (“não tem repouso”) tem sido interpretada como uma evidência para o tormento eterno. Porém, uma análise mais cuidadosa do texto desmente essa interpretação. Biblicamente, o “descanso” dos cristãos é o Paraíso celestial, como o próprio autor do Apocalipse, João, nos declara: 

E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas obras, e as suas obras os seguem” (Apocalipse 14:13) 

O autor de Hebreus faz o mesmo em Hebreus 9:10-11. Portanto, biblicamente o “descanso” do cristão é o descanso celestial. Sendo assim, a descrição apocalíptica acerca dos ímpios “não terem descanso” está no mesmo sentido expresso em Apocalipse 14:13 – do descanso das suas obras, a Jerusalém celestial. O ímpios não “terão descanso”, isto é, não descansarão das suas obras (Ap.14:13), precisamente porque as suas obras foram más.  

O texto bíblico está simplesmente refutando a crença na salvação universal (também conhecida como universalismo), que ensina que todos os ímpios terão por fim o descanso eterno do Paraíso, após sofrerem por certo tempo. Eles não terão esse descanso eterno do Paraíso nem de dia nem de noite. O texto, portanto, não está tratando do tormento eterno, mas sim de serem “eternamente banidos da face do senhor e da glória do seu poder” (1Ts.1:9). 

Concluo, portanto, que absolutamente nada em Apocalipse 14:9-11 constitui uma prova conclusiva a favor do tormento eterno dos ímpios.

-Continua na parte 2, não perca!


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O Apocalipse e o tormento eterno - Parte 2



Vamos, então, para o outro texto apocalíptico utilizado pelos imortalistas para sustentar essa doutrina:

“E o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos” (Apocalipse 20:10)

Em primeiro lugar, uma importante observação deve ser feita sobre este versículo, que o difere essencialmente dos demais: nele, não está presente os ímpios como pessoas, mas apenas o diabo, a besta e o falso profeta. Ou seja, no limite máximo este texto até poderia provar o tormento eterno do dibao, mas não o tormento eterno de todos os humanos que foram condenados.

Em segundo lugar, temos que ressaltar aqui a amplitude do termo grego “aion” (aplicado em Apocalipse 20:10), que é traduzido por “eterno” ou “séculos dos séculos”, mas na realidade também significa um período de tempo, idade, geração”[2]. Ou seja: não necessariamente eterno!

Por exemplo, vemos que Davi descreve no Salmo 23:6 que “habitarei na casa do Senhor para sempre. Em linguagem semelhante, Jonas afirma: “Desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim para sempre, contudo fizestes subir da sepultura a minha vida” (Jn.2:6). Contudo, este “para sempre” não poderia ser mais breve: durou apenas três dias!

Também vemos que a lepra que atingiu a Geazi (servo do profeta Eliseu) “se pegará a ti e à tua descendência para sempre (2Rs.5:27). Será que nos dias de hoje existem leprosos sofrendo de tal enfermidade pelo fato de serem descendentes do problemático servo do profeta? Se a lepra alcançaria “a ti... para sempre”, será que após 2900 anos Geazi continua leproso?

Ana relata ao seu marido Elcana: “Depois que o menino for desmamado, eu o levarei e o apresentarei ao Senhor, e ele morará ali para sempre (1Sm.1:22). Contudo, o “para sempre” aqui duraria até o tempo de sua dedicação, ou seja, até o término de vida dele. O Novo Testamento segue a mesma linha do Velho, já que a palavra grega usada, “aionios”, não significa “eterno” no sentido absoluto da palavra, mas sim “perdurado por um tempo”, tendo assim um sentido de tempo indeterminado, e não de eternidade sem fim. Pode ser eterno, mas não necessariamente.

Por isso, torna-se constante o uso do “aion” onde, de fato, existe um fim. O erudito bíblico Henry Feyerabend faz as seguintes ponderações sobre o “aion” e suas durações:

“51 vezes no Novo Testamento, aionios se aplica à eterna alegria dos redimidos, o que, é claro, não possui limitação de tempo. Pelo menos 70 vezes na Bíblia, essa palavra qualifica objetos de uma natureza limitada e temporária; assim, indica apenas uma duração indeterminada. Quando lemos que Deus é ‘eterno’, isso é verdadeiramente eterno, como entendemos o termo. Quando lemos que as montanhas são ‘perpétuas’, significa que duram tanto quanto possível durar uma montanha” [3]

Isso porque a Bíblia fala sobre “colinas eternas” (Gn.49:26), de “outeiros eternos” (Dt.33;15), e de “montes perpétuos” (Hc.3:6). Evidentemente, as colinas, outeiros e montes terrenos tem um fim de suas existências, não são absolutamente eternos. Igualmente, o aspergir do sangue na festa da páscoa era “ordenança eterna” (Êx.12:24), tanto quanto era a herança de Calebe (Js.14:9), a lepra de Geazi (2Rs.5:27), e a duração do serviço de um escravo (Êx.29:9; 40:15; Lv.3:17). Todas essas coisas tinham, naturalmente, um fim temporal.

A Bíblia diz que Arão devia “queimar incenso diante do Senhor, para o servir e para dar a bênção em seu nome, eternamente (1Cr.23:13). Este “eternamente”, contudo, durou menos de 123 anos (período de vida de Arão). Igualmente, o templo construído por Salomão seria uma “eterna habitação” (1Rs.8:12,13) para Deus, que, contudo, durou apenas alguns séculosantes de ser destruído pelos babilônicos.

Davi relata que Deus o escolheu para que eternamente fosse eu rei sobre Israel”(1Cr.28:4). Aqui, o “aion” equivale a um período de quarenta anos(1Rs.2:10,11). Jonas afirma, como já vimos, que “ferrolhos se correram sobre mim, para sempre(Jn.2:6), em tratar-se de linguagem figurada para quando esteve engolido por um grande peixe e estava na barriga dele. Mas será que Jonas esteve eternamente na barriga do peixe? É claro que não. Aqui o “aion” equivale a somente três dias e três noites (Jn.1:17).

O apóstolo Paulo refere-se ao escravo Onésimo que este deveria voltar a servir a seu senhor “a fim de que o possuísseis para sempre (Fm.15,16). Mas esse “para sempre” significava até o fim da vida do escravo!  Da mesma maneira, o “para sempre” empregado no sentido apocalíptico é até serem consumidos os seus corpos, fato este descrito no verso anterior (v.9). Por isso mesmo, a designação de Apocalipse 20:10 com relação ao destino de Satanás deve ser analisado dentro do sentido apocalíptico e, principalmente, dentro de seu devido contexto textual.

Logo no verso anterior, é nos dito que o fogo os consumiu: “E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os consumiu (Ap.20:9). Nisso fica nítido que o período “eterno” aqui mencionado diz respeito até o momento em que seus corpos fossem completamente consumidos pelo efeito da destruição do fogo.

No texto grego, a duração do “aion” deve sempre ser determinado relacionado à natureza da pessoa ou coisa na qual se aplica. Por exemplo, as montanhas e outeiros seriam “eternos” até o momento em que eles perecerão(Hb.1:11) junto com a terra. De igual modo, alguém seria escravo “para sempre” de outro até que ele morresse. Nestes dois últimos exemplos (e em muitos outros) há um fim temporal àquilo que foi designado “eterno-aion”. Em outras palavras, elas são eternas na perspectiva em que se aplica um outro acontecimento.

Elas são eternas “até que”... se dê um outro acontecimento. No caso de Apocalipse, o “eterno-aion” vai “até que”... sejam criados novos céus e nova terra, e “o mar já não existe”(Ap.21:1) – nem o “lago de fogo”! Isso nos mostra claramente que, aqui, o “aion” equivale até ao momento em que os seus corpos (que não são incorruptíveis como os dos justos – Gl.6:8; Rm.2:7) pereçam completamente até ao ponto de virar cinzas (Ml.4:1-3; 2Pe.2:6).

E isso pode realmente acontecer? Embora na nossa língua possa parecer esquisito que exista um “para sempre... até que” ocorra alguma outra coisa, isso não é incomum quando tratamos de língua grega e hebraica: “O palácio será abandonado; a cidade populosa ficará deserta; Ofel e a torre da guarda servirão de cavernas para sempre, até quese derrame sobre nós o Espírito lá do alto: então o deserto se tornará em pomar e o pomar será tido por bosque” (Is.32:14,15).

Aqui vemos o "para sempre" sendo imediatamente sucedido pelo "até que", em contexto imediato. Ora, no português algo que é "para sempre" não pode ser estipulado apenas até quando se der certo fato. Contudo, embora em nossa língua isso não faça qualquer sentido, no hebraico e grego bíblico sim!

Portanto, aion, no grego, pode ter um fim, dependendo do contexto em que está inserido, e vimos que Apocalipse 20:10 está em um contexto hiperbólico. Hipérbole significa uma “figura de retórica no qual o significado da expressão é exagerado”. Quanto tratamos de Bíblia, o livro mais hiperbólico que existe (i.e, mais repleto de hipérboles do início ao fim) é o Apocalipse. Isso está longe de significar que o Apocalipse “não vale nada”, pois ele tem um profundo valor, inclusive em aplicações teológicas.

Porém, nunca podemos nos esquecer do conteúdo essencialmente enigmático, metafórico e hiperbólico do livro. O autor, o apóstolo João, escreve por meio de figuras de linguagem que por vezes aumenta ou exagera aquilo que poderíamos considerar como sendo “o literal”. Portanto, basear a crença no tormento eterno em cima de uma hipérbole apocalíptica que em si mesma não implica necessariamente em algo eterno, que o contexto anterior descreve aniquilamento e não prosseguimento eterno de vida, e onde o autor frequentemente emprega figuras de linguagem, é no mínimo querer ser incoerente com a exegese.

Não foi a toa que Gilson Xavier de Azevedo empregou dez pontos sobre a exegese apocalíptica que devemos prestar atenção[4]. São elas:

1. Procurar a intenção original do autor (João).

2. Estar aberto à possibilidade de um sentido secundário, por ser profético, não percebido por seu autor ou leitores.

3. Não abusar da “analogia da escritura”. Isto é, não usar outros textos bíblicos abusivamente como chave para a interpretação do Apocalipse.

4. Ser sensível ao pano de fundo da composição do livro.

5. Observar os vários tipos de linguagem figurada do apocalipse.

6. Observar quando o próprio João define as suas figuras de linguagem servindo de partida para a compreensão das outras.

7. Ver as visões como um todo e não forçar alegoricamente todos os pormenores.

8. Lembrar-se que as narrativas apocalípticas raras vezes pretendem oferecer uma narrativa detalhada e cronológica do futuro. A preocupação de João é revelar que, apesar das aparências, Deus está no controle da história e da Igreja.

9. Aprender que os quadros acerca do futuro são exatamente isso - quadros, não sendo confundidos com a realidade (exemplo: as trombetas).

10. Levar em consideração que, às vezes, a literatura escatológica somente será esclarecida quando os fatos ocorrerem.

Coloquei em negrito algumas observações do Dr. Xavier (que, por sinal, não é adventista) que nos mostram de forma clara que é um equívoco fundamentar doutrina onde o texto pode estar claramente sendo uma hipérbole, ainda mais se tratando do Apocalipse. Além disso, vimos também que o verso anterior contesta essa interpretação de existência eterna (Ap.20:9), e vimos também que o aion não necessariamente é algo sem fim.

Portanto, somente alguém muito desesperado que, à luz de todas essas evidências, iria mesmo assim querer fundamentar doutrina em cima dessa única passagem bíblica que, por sinal, nem dos homens pecadores está falando, mas apenas do destino do diabo!

O que podemos inferir dos acontecimentos relatados por João no capítulo 20 e em seu contexto é que:

Os ímpios serão ressuscitados no último dia (Ap.20:5).

O diabo irá reunir todos eles na marcha contra o Cordeiro e os Seus santos (Ap.20:7,8).

Irá cair fogo do Céu até consumi-los completamente (Ap.20:9).

Os efeitos dessa destruição duram eternamente (Ap.20:10).

O tormento como um processo dura até que Deus crie novos céus e nova terra (Ap.21:1).

Nessa nova terra não haverá o “inferno” (lago de fogo), porque na nova criação de Deus não mais haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, porque essas são coisas da criação passada (Ap.21:4).

Portanto, se não há morte, não pode haver um processo eterno de pecadores sofrendo morte eterna consciente; se não há tristeza, não há parentes e amigos nossos que estão ardendo literalmente em um lago de fogo e enxofre, o que nos causaria no mínimo tristeza; se não há choro, então o local de choro e ranger de dentes já chegou ao fim; e, se não há dor, então não há pessoas queimando de dor para sempre em um lago de fogo.

Tudo isso são promessas de Deus para a Sua nova criação, em contraste direto com a “antiga ordem” (Ap.21:4), isto é, a ordem presente. A promessa de Deus é que nessa nova criação, diferentemente desta criação atual, não haverá mais nada disso! Mas se existisse inferno eterno, pecadores pecando eternamente, criaturas murmurando e blasfemando contra Deus para todo o sempre, choro e ranger de dentes sem fim, tristeza e angústia da parte daqueles que veem os seus amigos e parentes sendo torturados sem perdão e das próprias pessoas que estão sofrendo horrivelmente... então nada de diferente em relação a essa ordem presente seria feito na prática.

Para sempre haveria um ponto negro no universo: para sempre haveria o mal,  o pecado, os pecadores, o diabo, a blasfêmia, a morte, a dor, o pranto, a tristeza, o sofrimento,  o inferno. A única forma de destruir o mal para estabelecer uma nova ordem que seja totalmente diferente da atual é eliminando os que praticam o mal. Só assim teríamos uma nova ordem repleta de paz e de harmonia. Só assim a natureza teria a gloriosa revelação dos filhos de Deus. Só assim o bem terá uma vitória definitiva e conclusiva sobre o mal. Só assim que o mal e o pecado serão definitivamente e eternamente extintos da criação de Deus.

Portanto, concluo essa refutação dizendo que Apocalipse 20:10 está em um contexto hiperbólico, onde aion não é algo eterno em seu processo, senão em seus efeitos (como repetidamente acontece em todo o Novo Testamento), e que dura até a criação da nova ordem de Deus, com novos céus e nova terra, onde o mar (e o lago de fogo) já não existe, mas apenas os justos brilhando no Reino de Deus.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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-Notas e referências:

[1] John Stott e David L. Edwards, Essentials: A Liberal-Evangelical Dialogue.

[2] Concordância de Strong, 165.

[3] “Um Evangelista Responde as 101 Perguntas Mais Freqüentes”.

[4] Retirado do livro: “Manual de Exegese Bíblica”, de Gilson Xavier de Azevedo.