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Os protestantes são “subjetivistas” e “relativistas” por rejeitarem o "magistério infalível"?

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Essa é uma das acusações mais frequentes da apologética católica, e se você já participou de debates já deve estar acostumado com ela. Basicamente, o argumento funciona da seguinte maneira: (1) só podemos chegar à verdade de forma objetiva se houver uma autoridade infalível dizendo isso; (2) os protestantes não têm uma autoridade infalível (um papa), portanto, são subjetivistas; (3) os católicos têm o papa e seu magistério infalível, então podem chegar à verdade de maneira objetiva. Baseando-se nesses pressupostos que analisarei melhor adiante, eles elaboram questões perniciosas, tais como: (a) Como você pode saber que a sua interpretação é a certa? (b) Isso é “apenas a sua opinião”, por acaso você é um papa infalível? (c) A Bíblia é um livro “obscuro” demais, portanto só o papa e seu magistério podem interpretar!

O livre exame de Barnabé que enterra o magistério infalível

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O livre exame é um dos ensinos protestantes mais atacados pelos papistas, ou talvez o mais atacado. Todo mundo já conhece a lenga-lenga de sempre: nós evangélicos não podemos interpretar a Bíblia porque nossa interpretação é “pessoal” e “subjetiva”, e a mesma só pode ser interpretada através da interpretação infalível do magistério católico. Ou seja, ninguém é realmente livre para ler e interpretar as Escrituras, o único livre de fato é o papa, e o resto que se lasque, vai ter que concordar com a interpretação do papa querendo ou não, sendo ela boa ou não.

Só um interpreta: o papa

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Na caixa de comentários do artigo "A Bíblia é filha da Igreja?" , um perfil fake de nome “Sola Ecclesia” começou uma discussão primeiro comigo e depois com o Bruno Lima, terminando por concluir algo bastante curioso: “É loucura dizer que não deve haver uma única autoridade interpretativa, ou um só interpreta , ou ninguém falará a mesma língua” Apesar do Bruno já ter lhe dado uma excelente resposta em cima deste mesmo comentário, vou aqui explanar mais um pouco de como essa objeção romanista é mesmo infantil. Em primeiro lugar, se é mesmo apenas um quem pode interpretar – aqui evidentemente fazendo menção ao papa romano – então a conclusão que qualquer estudioso sério e honesto chega é que a Igreja primitiva era tudo, menos católica-romana, já que nem de longe era apenas o papa que interpretava. Mesmo se levássemos em conta a lenda de que Pedro foi o primeiro papa, os problemas na Igreja primitiva não se resolviam na base do “pergunta pro Pedro”, mas na ba...

Jerônimo e Agostinho debatendo sobre doutrina e interpretação bíblica

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Muitos católicos apontam as discussões teológicas entre evangélicos como uma “prova” de que somos divididos, porque, se fôssemos unidos, não discutiríamos coisa alguma relacionada à doutrina. Se este critério for levado a sério, então a própria igreja primitiva era “dividida”, visto que claramente os primeiros cristãos e os Pais da Igreja criam em muitas doutrinas diferentes um do outro e inclusive incorriam em erros doutrinários graves, como eu mostrei neste artigo . Aqui pretendo apenas exemplificar este ponto através da troca de cartas entre Jerônimo e Agostinho, mais especificamente na Carta 112 de Jerônimo, sem entrar no âmbito da discussão sobre quem na minha opinião estava certo e quem estava errado. Os dois exerceram cargos importantes na igreja, foram os maiores de sua época, são considerados santos pela Igreja Católica Romana e Ortodoxa, e são muito respeitados nas igrejas evangélicas também. Ou seja: não estamos falando aqui de um herege discutindo com outro herege,...