31 de outubro de 2015

As relíquias da Igreja Católica


AS RELÍQUIAS DA IGREJA CATÓLICA
(Alon Franco)

Os católicos romanos se gabam de possuir relíquias de todo o gênero, e que as têm de todo o gênero é coisa verdadeira que ninguém pode desmentir. Agora mencionaremos algumas destas relíquias fazendo presente os casos em que elas são multiplicadas. Isso é oficial e foi extraído de documentos católicos: Dizionario delle Reliquie e dei Santi della Chiesa di Roma. Dicionário das Relíquias e dos Santos da Igreja de Roma, Firenze 1888, na Biblioteca Valdense de Roma. E também James Bentley, Restless Bone: the Story of Relics, 1985.


As muitas relíquias da Igreja Romana

O corpo do apóstolo André se encontra em diversos lugares, e a sua cabeça também. Tiago, o irmão do Senhor, tem diversos corpos em outros tantos lugares, e diversas cabeças. A cabeça de João Batista também se encontra em diversos lugares. Um missionário católico que peregrinava por terras distantes dizia ao beijar a cabeça de João Batista que encontrara num mosteiro da localidade onde estava: “Santo Deus maravilhoso, esse já é o quinto crânio de João que beijo nas minhas peregrinações”.


Jesus e as relíquias

Há também diversos umbigos de Jesus, e até o prepúcio de Jesus (ou melhor, os prepúcios de Jesus porque também este se multiplicou). Mas de Jesus haveria também um dente de leite, seus cabelos, as unhas, uma lágrima. Além disso, há diversas relíquias que têm qualquer relação com Jesus: um pedaço de pão que sobrou do milagre da multiplicação dos pães às cinco mil pessoas, o berço, as faixas em que foi envolvido quando era menino, um pedacinho de pão que sobrou da ceia do Senhor e a toalha com a qual enxugou os pés dos apóstolos.

As relíquias da cruz sobre a qual foi crucificado Jesus, que a Igreja Romana afirma possuir aqui e ali nos seus templos de ídolos e que são veneradas especialmente na “Sexta-Feira Santa”, são tão numerosas que se unissem todas formariam dezenas de cruzes.


Mais relíquias... de Jesus

A Igreja Católica Romana diz possuir também os degraus do pretório de Pilatos que Jesus teria subido (formam a “escada santa”), a coroa de espinhos que foi posta pelos soldados na cabeça de Jesus (os espinhos da coroa espalhados por todo o mundo são tão numerosos que os juntando todos resultariam centenas de coroas); a cana que puseram na mão de Jesus depois que foi vestido de púrpura; os pregos com que foi crucificado Jesus (pelo menos vinte e nove centros europeus afirmam possuir um prego sagrado); a lança com que o soldado traspassou o lado de Jesus na cruz (diversos lugares a têm); a esponja com que lhe deram de beber os soldados na cruz, e até o sangue e a água que saíram do seu lado traspassado!


A casa de Maria foi até a Itália

Na Itália existe também a casa de Maria em Nazaré (onde lhe foi anunciado o nascimento de Jesus); os anjos a teriam transportado da terra de Israel para Itália e mais precisamente para Loreto (em 1295) depois de tê-la feito estacionar primeiro na Dalmácia e depois em Recanati! Mas de Maria existe também o seu leite, cabelos seus, o seu véu, o anel de noivado, o pente e diversas imagens milagrosas vindas do céu.


Pedro, Paulo, Estevão e José

Do apóstolo Paulo a Igreja Romana possui o corpo, alguns pelos da sua barba, e muitos e muitos ossos; além da coluna sobre a qual lhe foi cortada a cabeça e o sabre que o decapitou!

Do apóstolo Pedro o corpo está em Roma; noutros lugares está o bastão, uma pantufa, a espada com que cortou a orelha ao servo do sumo sacerdote, a cátedra (ou seja, a cadeira da qual ele pregava), a cruz sobre a qual foi crucificado, as cadeias com que foi acorrentado na Palestina e em Roma (destas cadeias se diz que um dia entrando em contato se soltaram milagrosamente formando uma cadeia única); e também uma pedra, conservada no seu lugar de culto dedicado a “S. Francesca Romana al Foro” sobre a qual teriam ficado gravados os joelhos de Pedro enquanto orava a Deus para punir a soberba de Simão Mago que se elevava no ar!

A Igreja Católica Romana tem também as pedras com que foi apedrejado Estevão, as moedas que recebeu Judas do sinédrio em troca de Jesus, o laço com que Judas se enforcou, e o fôlego que José marido de Maria mandou enquanto rachava lenha (um anjo o teria recolhido numa garrafa!).


A mais espantosa e interessante relíquia

Não bastasse todas essas relíquias, ainda temos mais uma, que por ser de caráter extraordinário não poderia ser deixada de fora. O testemunho é de um padre católico numa viagem a Portugal, que encontrou num mosteiro guardado dentro de um vidro um dedo do Espírito Santo!

Que dizer de todas estas relíquias? Imposturas, apenas imposturas que lhes servem para tirar dos bolsos de muitas pessoas muito dinheiro, e para fazer parecer a Igreja Católica Romana como uma espécie de custódia das “provas” da autenticidade do Cristianismo.

Por: Alon Franco (http://agrandecidade.com)


Meus Comentários:

Há algum tempo atrás eu traduzi um artigo do Keith Thompson chamado "A História Negra da 'Santa' Igreja", em que o autor menciona diversos crimes papais – sem incluir a inquisição – e na parte das relíquias menciona o historiador Eleanor Herman, que escreveu:

“As partes do corpo de santos foram chamadas relíquias de primeira classe. Algumas igrejas italianas se vangloriavam de possuir itens de primeira classe como as gotas de leite das mamas da Virgem Maria, o prepúcio do pênis de Jesus e seu cordão umbilical. Outras igrejas ofereciam relíquias de segunda classe, como coisas que tinham sido intimamente relacionadas com um santo durante sua vida. Uma igreja romana expôs o berço de Jesus na manjedoura, e outra o pedestal de mármore em que Pôncio Pilatos o havia açoitado”[1]

Em sua obra “A Teologia de João Calvino”, Charles Partee destaca algumas das lembranças de Calvino destas relíquias absurdas:

“Em uma rara referência à sua infância, Calvino expressa a indignação de um menino observando as mulheres pobres e ignorantes de sua paróquia, incapazes de distinguir entre figuras de santos, assassinos e demônios, adornando todos iguais com guirlandas”

Já adulto, Calvino observava que entre as coisas surpreendentes sobre as relíquias se destacava o fato de que cada apóstolo tinha mais de quatro corpos e cada santo tinha dois ou três. Igualmente surpreendente anatomicamente era a exibição de três prepúcios de Jesus(!), um na igreja de Charrox, outro em Roma, e um terceiro em Hildesheim. Mais uma vez, embora apenas um homem carregasse a cruz, se todas as peças da cruz que eram vendidas fossem colocadas em um mesmo lugar, podia-se construir um navio. Entre os crédulos, excrementos de cabra eram colocados na conta da Virgem Maria. Calvino dizia que se o corpo da Virgem Maria não estava na terra, nenhum osso poderia ser produzido, mas isso era compensado com seu leite materno. Ele disse ironicamente:

“Os seios da Santíssima Virgem rendiam mais leite do que aquilo que é dado por uma vaca. A não ser que ela tenha amamentado durante a vida inteira, dificilmente ela poderia ter fornecido a quantidade que é exibida”[2]

Tudo isso é comprovado pelas fontes católicas e também pelos historiadores eclesiásticos mais renomados do mundo, como Philip Schaff, J. N. D. Kelly, E. R. Chamberlin, Williston Walker, Eleanor Herman e Kenan B. Osborne, dentre muitos outros.

Essa igreja que se diz “de Cristo” conseguia facilmente enganar os incautos sob a alegação de que ela era o Reino de Deus na terra, e, consequentemente, inerrante. O povo pobre e ignorante, lastimavelmente, confiava cegamente nas abominações perpetuadas por essa igreja, pois pensavam que era a “Igreja de Cristo”, e que o papa fosse o representante de Deus na terra. É de se espantar que até hoje haja gente que cultive essa mesma mentalidade infantil, ingênua e ultrapassada, que pense que a instituição católica-romana é infalível, que foi fundada pelo próprio Cristo e que tem seus bispos escolhidos a dedo pelo Espírito Santo – embora muitos deles fossem assassinos, pedófilos, torturadores, facínoras, estupradores, homossexuais, sádicos e pervertidos, como mostrei neste e neste artigo. Da mesma forma que aquele povo achava que a Igreja era boazinha demais para enganá-los com relíquias falsas, o povo católico de hoje acha que a Igreja é boazinha demais para enganá-los com falsas doutrinas.

Se a Igreja fundada por Cristo e guiada por pastores infalíveis e verdadeiros representantes de Deus na terra é essa coisa que assassinou milhões, que vendia indulgências para o perdão dos pecados, que tem um exército de padres pedófilos, que promovia cruzada das crianças para serem vendidas como escravas e que chegava a vender até o leite das mamas da virgem Maria e o "dedo" do Espírito Santo para lucrar em cima dos incautos de sua própria religião, então estamos fritos.

Sim, as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja Romana. Ela é a própria porta do inferno.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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[1] Eleanor Herman, Mistress of the Vatican, [HarperCollins, 2009], p. 241.
[2] Charles Partee, The Theology of John Calvin, [Westminster John Knox Press, 2008], p. 11.

30 de outubro de 2015

Como a mente de um picareta consegue transformar Babilônia em Jerusalém


Desde que colocaram internet no hospício, os loucos começaram a escrever blogs lunáticos sobre o Apocalipse, onde tudo é fruto de interpretação pessoal – exatamente a mesma coisa que o picareta sem vergonha sempre ataca quando é praticado por evangélicos:

(Clique na imagem para ampliar)

Depois de dizer que era Jerusalém a cidade que reinava sobre os reis da terra na época de João (Ap.17:18), que o “Ave Cesar” era a marca da besta (666), que uma geração dura cem anos e que João escreveu o Apocalipse antes de 70 d.C e depois ficou mais 30 anos preso na ilha, o vagabundo virtual agora soltou a maior pérola de todas: que Pedro escreveu de Roma enviando saudações para Jerusalém!

Sim, para o cretino salvar sua tese lunática de que a Babilônia é Jerusalém, ele afirma:


Além de o retardado não saber que o original foi escrito em grego e não no latim, e de também não saber nada de latim, e de também deturpar as próprias traduções católicas feitas a partir do latim, o asno ainda afirma que Pedro não estava escrevendo da “Babilônia”, mas sim para a Babilônia!

Para saber exatamente o tamanho dessa sandice, veja o que diz o original grego:

ασπαζεται υμας η εν βαβυλωνι συνεκλεκτη και μαρκος ο υιος μου

Agora veja como o verso é traduzido palavra por palavra pelo Novo Testamento Interlinear (de Paulo Sérgio Gomes e Odayr Olivetti):


Ou seja:

ασπαζεται (Saúda-)
υμας (-vos)
η (a)
εν (em)
βαβυλωνι (Babilônia)
συνεκλεκτη (co-eleita)
και (e/também)
μαρκος (Marcos)
ο (o)
υιος (filho)
μου (meu)

Ou seja: a [igreja] que estava em Babilônia mandava saudações, e não que Pedro estava em Roma mandando saudações aos que estavam em Jerusalém! As saudações não estavam sendo enviadas a Jerusalém, mas sim àqueles a quem Pedro escrevia a carta, ou seja, “aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia” (1Pe.1:1). Só um retardado mental e obsceno poderia dizer que Pedro estava escrevendo uma carta aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, e ao chegar ao final da carta decide saudar OS DE JERUSALÉM(???) em vez de saudar àqueles a quem ele escrevia! Vá ser burro assim na China!

Será que o picareta não leu o “saúdo-vos”, que já mostra que a saudação era para “vós”, ou seja, para quem ele escrevia, e não para os de Jerusalém? Por que esses loucos não terminaram o ensino primário antes de começar a escrever em blogs satânicos?

Além disso, para piorar ainda mais a situação, o texto prossegue dizendo “και μαρκος ουιος μου”, ou seja, “e também Marcos, meu filho”. Isto é, ele estava saudando em Babilônia os seus destinatários do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, e além dele Marcos também estava enviando saudações. Mas se o texto deve ser entendido da forma que o vigarista propõe, então ele estaria saudando a Babilônia “e também Marcos”, ou seja, Pedro estaria saudando Jerusalém e Marcos! Como é possível existir um asno desses no mundo?

É nisso que dá uma anta querer desesperadamente pelo seu próprio achismo tornar Jerusalém a Babilônia: ele acaba fazendo isso de qualquer maneira, mesmo que tenha que plantar bananeira, fazer malabarismos de circo de Soleil e distorcer tudo, absolutamente tudo da Bíblia, pensando com isso estar enganando os seus leitores burros, que de tão mentalmente lesados que são acabam realmente acreditando nessa lavagem cerebral feita pelo pilantra.

Dentro de pouco tempo o demente irá criar uma nova tradução católica da Bíblia:

“Saúdo-vos, mas não a vocês a quem eu escrevo, e sim a JERUSALÉM, a Babilônia do Apocalipse, e também a Marcos”

De tanta retardadice antiprotestante já dita por esse jumento, essa merece o Oscar.


Paz a todos vocês que estão em Cristo.


Por Cristo e por Seu Reino,


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28 de outubro de 2015

Desmascarando o "milagre" de Lanciano


Recentemente um católico comentou em meu artigo "Podemos chegar à verdade sem um magistério infalível?" que o ponto que mais fortalece a fé católica dele são os “milagres eucarísticos”, e me pediu para escrever um artigo a respeito. Como a Igreja Romana arroga vários destes “milagres”, irei me concentrar aqui no mais famoso deles, o de Lanciano, que é também supostamente o que tem mais base “científica”. Ademais, os outros “milagres eucarísticos” seguem o mesmo padrão de Lanciano, o que significa que a explicação dada ao “milagre” de Lanciano também se aplica por extensão a todos os demais.


Só Deus poderia realizar o milagre?

Eu obviamente não creio na veracidade do “milagre” de Lanciano, pelas razões que irei expor mais adiante. No entanto, começarei este artigo fazendo uma concessão aos católicos, para o bem do argumento. Mesmo se partíssemos do pressuposto de que o milagre ocorreu mesmo, o que é que isso prova? Para a maioria dos católicos, isso prova que Deus é católico, ou que aprova a fé católica em detrimento de todas as outras. Mas para que esta conclusão seja verdadeira, teríamos que partir de outro pressuposto, que é o de que só Deus pode realizar milagres na terra. Isso é falso, como mostrei em meu artigo intitulado: "Os Milagres na Igreja Católica são de Deus?".

Este artigo deixou alguns católicos furiosos, e, no entanto, não vi absolutamente nenhuma refutação aos argumentos. Isso porque não tem mesmo o que refutar: a Bíblia é muitíssimo clara em dizer que o diabo também tem poder suficiente para agir na terra com coisas que podemos chamar de milagres ou intervenções sobrenaturais. Biblicamente falando, Satanás tem poder para se transformar em anjo de luz (2Co.11:14), para fazer cair fogo do Céu (Jó 1:16; Ap.13:13), para intervir na natureza (Jó 1:19), para transformar vara em serpente (Êx.7:10-12), para transformar o rio em sangue (Êx.7:22), para fazer surgir rãs na terra (Êx.8:7), para curar feridas mortais (Ap.13:3-4), para fazer grandes sinais e prodígios (Mt.24:23-24) e para realizar sinais miraculosos (Ap.16:13-14).

Um dos relatos mais interessantes, para mim, está em Apocalipse 13:13-14, no contexto da grande tribulação, em que João diz:

E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia” (Apocalipse 13:13-14)

Note que o anticristo fazia – pelo poder satânico, obviamente – sinais miraculosos espetaculares, de tal forma que fazia com que fogo caísse do céu à terra, e isso publicamente, para todo mundo ver e testemunhar por si mesmo. Eu (e tenho certeza que você também) considero isso uma “evidência miraculosa” de peso enormemente superior ao “milagre de Lanciano”. Se eu precisasse de um “sinal” extraordinário, com certeza seria esse. A uma primeira vista, isso só pode vir de Deus. Mas a Bíblia diz que veio do diabo. Imagine alguém na grande tribulação, vendo os sinais tão poderosos, inexplicáveis e espetaculares que o anticristo vem fazendo, e então concluísse que a religião do anticristo fosse a verdadeira!

É por isso que é perigoso usar um milagre como argumento para validar alguma fé. É indiscutível: todas as religiões têm seus “milagres”, umas mais, e outras menos. Nas igrejas evangélicas chovem milagres todos os dias, e no entanto nenhum crente está desesperado em provar que sua fé é verdadeira porque tal milagre aconteceu em tal lugar. Eu já vi milagres extraordinários ocorrerem instantaneamente e na minha frente, e no entanto nunca usei esta ou qualquer outra experiência para provar que Deus está do lado da minha igreja e contra a religião de um outro alguém.

Então, como provar que o milagre veio mesmo de Deus? Se a doutrina ali ensinada for verdadeira, então o diabo não pode ter legalidade. É por isso que até mesmo a questão dos milagres me remete à questão da doutrina. Não tem saída. O que prova que uma igreja está na fé é uma doutrina pura em conformidade com a pregação apostólica, e não um sinal miraculoso que até o diabo pode fazer.


O que dizem as evidências científicas?

As análises do Dr. Odoardo Linoli, que examinou aquilo que supostamente é um pedaço de pão transformado em carne e um vinho transformado em sangue, provou que de fato é carne verdadeira e sangue real. Aí está toda a “evidência científica” do católico ingenuamente crédulo, que pensa que basta provar que é carne humana que o “milagre” está provado. Não está. Que existem carne e sangue reais não se discute, o que se discute é se antes havia um pão e um vinho, que foram transformados literalmente na carne e no sangue de Jesus. E simplesmente não há nenhuma evidência séria de que aquele pedaço de carne humana um dia era um pão.

Na verdade, tudo o que temos é isso:

• Um suposto monge de uma igreja italiana do século VIII, que supostamente teria consagrado o pão e o vinho durante o culto.

• Ninguém sabe o nome desse monge.

• Ninguém escreveu nada sobre isso até o século XVII.

• A partir de 1631, temos o primeiro registro escrito do suposto milagre, que teria supostamente ocorrido no século oito. Ou seja: novecentos anos depois do suposto “milagre” é que decidiram escrever sobre o feito. E sem nenhuma evidência.

Então, se o leitor tem o costume de acreditar em Papai Noel, em fada dos dentes, em duendes e em sereias, com certeza estará apto para acreditar no grande milagre de Lanciano também. Tudo o que precisa fazer é acreditar no testemunho oral de alguém que viveu novecentos anos mais tarde, sobre um suposto monge que ninguém sabe quem era, em um ano que ninguém sabe precisar, e para supostas “testemunhas oculares” que ninguém sabe quais foram. É com base nesse tipo de testemunho oral altamente confiável que os católicos creditam fé na tese de que existia mesmo um pão e um vinho antes da “transformação”, em vez de alguém ter colocado carne e sangue para falsificar um “milagre”.

Um católico poderia protestar: “Mas a carne se preservou!”. Sim, e caso ele não saiba, existe algo chamado mumificação natural. O próprio Linoli afirmou que as proteínas que ele encontrou nas amostras são as mesmas que são encontradas em múmias egípcias (preservadas por muito mais tempo que a carne do “milagre” de Lanciano). Há inclusive vários casos de peles de dinossauros com tecidos moles, que os católicos dificilmente admitiriam que se trata de um “milagre”. Para ler mais sobre o fenômeno de preservação natural conhecido como adipocere, leia aqui e aqui.

Por fim, vale destacar que não há nenhuma evidência histórica séria de que a carne e o sangue foram expostos ao ar por séculos, como afirma a lenda, além de que não há provas de que a carne é mesmo do século VIII, tendo todas as chances de se tratar de uma falsificação bem mais recente, tornando a preservação natural bem menos notável.


Perguntas que precisam de respostas

Além de tudo o que vimos aqui, há muitas perguntas que precisam de respostas da parte daqueles que ingenuamente creem no tal “milagre” de Lanciano:

1º Por que não fizeram nenhum esforço para datar a idade da carne e do sangue?

2º Considerando o fato de que em muitos destes supostos “milagres eucarísticos” o católico come literalmente a carne e o sangue de Cristo “transformados” fisicamente, como diferenciar isso do canibalismo, que é precisamente o ato de comer carne humana?

3º Se foi um verdadeiro milagre, por que a carne não continua crua e o sangue não continua líquido? O Dr. Linoli disse que a carne estava apodrecida, como a carne de um cadáver. No entanto, a Igreja Romana garante que na hóstia consagrada está o Cristo ressurreto (vivo). Por que, então, o “milagre” de Lanciano mostra um cadáver, que se deteriora com o passar do tempo? Estaria a Igreja Romana querendo provar que Jesus não ressuscitou?

4º Linoli disse que o tecido não está “vivo”, mas seco. Ele descobriu ainda que o tecido que supostamente era parte do corpo de Jesus estava infestado de fungos e microorganismos. Estaria a verdadeira carne do Cristo ressurreto infestada de fungos? Como isso se diferencia de uma blasfêmia imoral contra Cristo?

5º Se realmente ocorreu um milagre extraordinário numa missa de uma igreja do século VIII, por que ninguém escreveu sobre este feito tão surpreendente durante os 900 anos seguintes? Por que não há absolutamente nenhum registro histórico de teólogos, bispos, padres, doutores da Igreja ou até mesmo leigos em todo este tempo? Como poderia um milagre tão notável ter sido totalmente ignorado até de repente surgir com força no século XVII, coincidentemente depois da Reforma, quando os protestantes passaram a questionar a transubstanciação?

6º Se a intenção de Deus em fazer este milagre era provar ao mundo todo que a fé católica romana é a verdadeira, por que ele quis fazer isso com um monge que ninguém sabe o nome, para um público que ninguém sabe qual foi, e em uma época em que não tinha como gravar o feito para provar a todos que de fato havia pão e vinho reais que mais tarde foram “transformados” em outra coisa? Se a intenção era provar que a ICAR é a “única Igreja de Cristo”, então por que nos dias de hoje não vemos mais hóstias sendo transformadas na “carne de Jesus”? Se Deus queria mesmo provar cientificamente a fé católica para o mundo inteiro ver que a ICAR é a “verdadeira igreja”, não seria melhor ter feito isso com testemunhas oculares que garantissem a fidelidade da mensagem, em vez de nos deixar um vácuo histórico para ser preenchido com ingenuidade e fideísmo?

Eu poderia fazer mais considerações que desmantelam a palhaçada do “milagre de Lanciano”, mas as que já foram feitas são o bastante para qualquer pessoa honesta e racional tirar suas próprias conclusões.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,


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