30 de dezembro de 2014

As aberrações de Cris Macabeus e a volta do terceiro Tiago

(Autoretrato do sujeito, para não dizerem que eu estou exagerando)


Não se sinta envergonhado caso nunca tenha ouvido falar de Cristiano Macabeus. Você não perdeu nada. Macabeus é do tipo de católico tridentino. Eu explico. O Concílio de Trento (no latim, Tridentum) determinou que o protestantismo tinha que ser perseguido, abolido, destruído e aniquilado, por se tratar de uma terrível seita satânica com um monte de doutrinas heréticas que levarão todos os “rebelados” ao fogo do inferno para todo o sempre. Daí surge o conceito de que fora da Igreja Romana não há salvação – outro pensamento explícito em Trento. Trata-se, é claro, de mais um argumento circular e evasivo (“Roma diz que só na Igreja de Roma há salvação”; “Como eu posso saber se isso é verdade?”; “Ora, porque Roma disse!”), como já expliquei neste artigo.

É claro que nem todos os católicos são do tipo tridentino. A maioria segue o espírito manso do ecumênico Concílio Vaticano II, e até consideram os evangélicos co-irmãos. Mas Macabeus é uma personificação exata e fiel do tipo tridentino de católico retrógrado, aqueles do tipo fanático que berram e uivam nos debates e que tem como única missão no mundo caçar os protestantes e destruir o protestantismo, tão ou mais fortemente que os neo-ateus.

Macabeus é daquele tipo de fanático que ainda não se deu conta que a Inquisição já acabou. Ele adoraria ser um dos carrascos que cortariam a cabeça de um protestante ou que o jogaria em uma fogueira, mas lamentavelmente já não fazem mais isso. A Inquisição saiu do mundo, mas o espírito inquisidor permanece no coração de católicos tridentinos, como Macabeus, que está em uma cruzada contra o protestantismo sem se dar conta de que as Cruzadas já acabaram há oito séculos.

No meu artigo "O ódio e a intolerância dos católicos contra os evangélicos" (que causou a fúria de muitos tridentinos), Macabeus é personagem principal, desfilando sua tolerância e amabilidade com frases do tipo:


(Clique aqui para ampliar a imagem)





E depois ele ainda tem a audácia de dizer isso:


Em seus debates na antiga rede social do Orkut, ele costumava chamar as debatedoras evangélicas (como uma que era bem conhecida, chamada Raquel) de “prostitutas” e “vagabundas”. Depois ainda não entendia por que era sistematicamente expulso de absolutamente todas as comunidades de debates em que participava. Quando ele viu que não conseguiria prosseguir espalhando seu discurso de ódio e de preconceito em uma rede social com moderadores, ele decidiu abrir seu próprio site, onde poderia mostrar seus tridentes e incitar o 4º Reich contra os protestantes sem impedimento algum.

A verdade, cada vez mais clara para quem entende um mínimo sobre comportamento humano, é que Cristiano Macabeus demonstra claros indícios de psicopatia, de esquizofrenia e demência. Ele vive em um mundo paralelo, regado à fantasia, onde os católicos tridentinos são os salvadores do planeta e os protestantes são os dementadores que surgem do quinto reino das trevas para atormentar a Terra Média. Está claro que Macabeus é um católico encerrado numa torre de marfim, desconectado do mundo real do século XXI. 

No início, seu site era um verdadeiro circo, cheio de luzinhas, letreiros, placas, recomendações, desenhos e uma parafernália total que resumia o site dele numa verdadeira Disneylandia. Parecia ter sido programado por uma criança de seis anos, mas isso seria cruel demais para com as crianças de seis anos. Melhor dizer que fazia jus à sua idade mental, de inquisidor tridentino que quer estabelecer no Brasil uma teocracia católica do século XIII. Depois que eu e o Alon fizemos chacota com a aparência ridícula do site dele, em perfeita consonância com a mentalidade do indivíduo, ele tomou vergonha na cara e tirou as luzinhas e desenhinhos, mas ainda prossegue com a velha mentalidade de perseguição, ódio e intolerância contra os “rebelados”.

Certa vez eu disse a ele que ele é um semi-analfabeto. Na verdade foi apenas uma constatação, tente ler um artigo dele que você irá entender. Dou mil reais para quem encontrar uma vírgula no lugar certo em qualquer artigo do site dele. Ele escreve como quem cospe palavras pela boca. Para a minha surpresa, este sujeito tão soberbo demonstrou humildade em admitir que de fato é um semi-analfabeto. É uma pena que essa mesma humildade não entre em cena na hora de admitir que semi-analfabetos deveriam primeiro ir para a escola, concluir o primário e aprender a gramática, para só depois se meter em fazer exegese de textos bíblicos.

Mas o Cris Macabeus não é somente uma figura sombria. Ele tem um lado cômico também. Se você for agora ao site dele, verá que 90% dos artigos recentes dele são para vomitar desinformação contra este tal de Lucas Banzoli, que vos escreve. Sim, ele tem um site sobre o Apocalipse onde só 10% (no máximo) são para falar sobre o Apocalipse. O resto é tudo pessoal. Eu não sei o que ele tem comigo. Por via das dúvidas, eu já quero deixar bem claro: sou hétero.

No início eu ainda dava alguma atenção às provocações deste rapaz, que só busca ibope e quer chamar a atenção à custa de outro. Eu lia as aberrações que ele escreve e até escrevia refutações, como você pode conferir aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui. Mas com o tempo a coisa foi ficando cada vez mais pessoal, de modo que hoje é quase impossível achar um artigo recente dele que não me mencione direta ou indiretamente. Foi ficando tão insuportável, tão desagradável e tão claramente pessoal que eu não li mais nada do que ele escreve. Hoje em dia, para mim o que ele escreve faz tanta diferença quanto o novo disco que vai sair do Justin Bieber.

Decidi escrever este artigo, e desta maneira, exatamente por ser o último. Será a última vez que darei algum ibope a este cidadão carente de atenção, será a minha última refutação pessoal a ele, será a última vez que seu nome será citado neste blog, e por isso mesmo deixei as coisas bem às claras. Vamos analisar o texto mais recente do psicopata e ver que argumentos memoráveis ele tem a nos dar. Trata-se do terceiro Tiago, o terror dos apologistas católicos. Eles não dormem sem pensar no terceiro Tiago, e devem sonhar com ele durante a noite. O terceiro Tiago é simplesmente a refutação cabal de um dos dogmas mais importantes do catolicismo romano, a virgindade perpétua de Maria.

Eu não vou me alongar muito nesta parte, porque já escrevi muito sobre isso. Se alguém quer entender o tema em discussão, é obrigatória a leitura destee desteartigo, em ordem. Primeiro vejam toda a argumentação em torno do grego e da consequente impossibilidade de Tiago ter sido apenas “primo” de Jesus. Depois vejam o outro artigo, onde refuto a tentativa miserável do padre Paulo Ricardo, quando ele tenta usar um único texto bíblico – o mesmo usado por Macabeus – para sustentar a hipótese de que este Tiago era um dos doze apóstolos, e, portanto, não poderia ser um dos irmãos de Jesus, já que os irmãos de Jesus ainda não criam nele na época (Jo.7:5).

Basicamente, o que eu argumento nos outros artigos é o seguinte:

• O original grego tinha palavra específica para irmão, para primo e para parente. Todas elas foram usadas no Novo Testamento.

• Os irmãos de Jesus (incluindo Tiago) são absolutamente sempretratados como irmãos, e nunca como parentes ou primos.

• Portanto, o lógico é que Tiago tenha sido irmão de Jesus, e não primo dele.

• O padre Paulo Ricardo argumentou que este Tiago não podia ser o irmão de Jesus, porque o irmão de Jesus não era um dos doze apóstolos, e a Bíblia diz que Tiago era apóstolo (Gl.1:19).

• Paulo Ricardo está errado porque ele parte da premissa de que só os doze discípulos (e Matias, acrescentado mais tarde) eram apóstolos. Isso é falso. Existiam apóstolos fora do grupo dos doze, como Paulo e Barnabé (At.14:14) e Andrônico e Júnias (Rm.16:7). Tiago, o irmão de Jesus, era somente mais um destes apóstolos que não eram dos doze.

• Portanto, a objeção do padre é falsa e o argumento de que Tiago é mesmo o irmão de Jesus permanece de pé.

É aí que entra Cristiano Macabeus, tentando salvar a pele do padre e resgatar o argumento de que este Tiago tinha que ser dos doze. Vejam até que ponto chega a loucura e o desespero do indivíduo. Ele diz:

 

Para ele, não existiam outros apóstolos além dos doze discípulos ordenados por Jesus. Essa é a coisa mais estúpida que um comentarista bíblico pode dizer. Qualquer um que tenha lido o livro de Atos, por exemplo, uma única vez na vida, já teria sido suficiente para perceber que Barnabé – que não era dos doze – era considerado apóstolo:

“Ouvindo isso, os apóstolos Barnabé e Paulo rasgaram as roupas e correram para o meio da multidão, gritando”(Atos 14:14)

Se o leitor for conferir grego, verá que é usada exatamente a mesma palavra que é comumente empregada para designar os doze. Vejamos o que a Concordância de Strong afirma:


O incrível é que isso está bem claro, explícito, para qualquer um ver. Basta ler a Bíblia uma única vez na vida e bumba – olha Barnabé de apóstolo! Não é possível que Macabeus não tenha percebido esse fato tão óbvio. Ele certamente não leu o Novo Testamento nenhuma vez. Tivesse lido uma e já seria suficiente. É lamentável que um indivíduo tão soberbo e arrogante tropece em coisas tão simples da teologia. Um único versículo bíblico destrói toda a sua lógica.

Mas Atos 14:14 não é a única passagem bíblica que mostra apóstolos além dos doze. Em Romanos 16:7, Paulo diz que Andrônico e Júnias eram apóstolos também:

“Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros na prisão, os quais se distinguiram entre os apóstolos e que foram antes de mim em Cristo”(Romanos 16:7)

Andrônico e Júnias eram do grupo dos doze discípulos? É claro que não. Então já temos dois versículos bíblicos com pelo menos quatro pessoas (Barnabé, Paulo, Andrônico e Júnias) que eram apóstolos sem ser dos doze. Tiago é só mais um que entra nessa lista por Gálatas 1:19, que diz:

“E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor”(Gálatas 1:19)

Temos então cinco apóstolos mencionados na Bíblia sem ser dos doze. É perfeitamente possível que ainda existissem outros que não foram citados, mas se ficarmos somente com os que foram mencionados já temos cinco. Além disso, já temos a comprovação de que Macabeus não lê Atos (14:14), não lê Romanos (16:7) e não lê Gálatas (1:19), além de deturpar grosseiramente o Apocalipse (21:14), que não diz que existiam doze apóstolos, mas apenas que doze deles estavam escritos no fundamento da cidade.

Isso se interpretarmos este texto literalmente, pois é bem possível que o “doze” ali esteja no mesmo sentido alegórico de completude que aparece nas outras vezes em que ocorre no Apocalipse. O engraçado é que Macabeus alegoriza absolutamente tudo no Apocalipse (ele é preterista, entende-se), mas interpreta literalmente esse versículo em particular. Exegese de fundo de quintal. Risível.

Além disso, se Macabeus estiver certo em sua interpretação particular de Apocalipse 21:14 e realmente aquele versículo estiver em sentido literal e com a interpretação patética que ele deu, inserindo um somente no meio do texto onde não existe, e se João realmente estivesse dizendo ali que existiam somente doze apóstolos, então o autor de Atos estaria mentindo quando disse que Barnabé e Paulo eram apóstolos, e Paulo estaria mentindo quando disse que Andrônico e Júnias também eram. Macabeus não liga pra isso; afinal, ele nem sabe que esses textos bíblicos existem. Está óbvio que João não estava limitando o número de apóstolos, senão entraria em contradição direta com os outros textos que já mostrei aqui.

Mas prossigamos com a peça:

 

Para Macabeus, o fato de Tiago ter sido incrédulo durante o ministério terreno de Jesus é a “prova” de que Tiago não era um apóstolo. Mas que raios de conclusão é essa? Usando essa mesma exegese de araque, poderíamos concluir também que Paulo não era apóstolo, porque ele também era incrédulo durante o ministério terreno de Jesus. Mas Atos 14:14 e uma multidão de outros textos bíblicos dizem que Paulo é apóstolo. Macabeus abre uma “exceção” para Paulo, mas nega a mesma caridade a Tiago. Por isso que eu digo: é uma exegese de araque. Não deve ser levada a sério.

O mesmo podemos dizer de Andrônico e Júnias. Não há passagens que mostrem a ordenação deles como apóstolos, mas Paulo disse que eles eram apóstolos. Os critérios que Macabeus usa para ser um apóstolo (que é o registro bíblico do momento da ordenação e o fato de ter seguido Jesus durante seu ministério terreno) são critérios falsos, tomados a partir de uma leitura rasa e superficial de Atos 1:21-22.

Aqueles eram os critérios para a ordenação do décimo segundo apóstolo, o que iria substituir Judas dentro do grupo dos doze. Não tem nada a ver com os apóstolos de fora do grupo dos doze. Paulo era apóstolo, mas não tinha os critérios de Matias. Barnabé era apóstolo, mas não tinha os critérios de Matias. Andrônico era apóstolo, mas não tinha os critérios de Matias. Júnias era apóstolo, mas não tinha os critérios de Matias. E Tiago era apóstolo, mas não tinha os critérios de Matias.

Ora, se esses quatro eram apóstolos mesmo sem ter o critério de Matias, por que Tiago não poderia ser também? Macabeus desconhece o apostolado de Barnabé, Andrônico e Júnias por sua ignorância das Escrituras, e isso o leva a teorias mirabolantes e interpretações cômicas dos textos bíblicos que são vergonhosamente tirados de seu contexto para fundamentar uma mentira grotesca, que contraria diretamente a Bíblia. Mas isso não é tudo. Ele ainda comete outra gafe pseudo-exegética ao dizer:

 

Esse é aquele típico momento: O-M-G! É difícil enumerar aqui tantas pérolas em um pedaço de texto tão curto. Acho que posso começar com a gafe de ter citado o texto do capítulo 15 de 1ª Coríntios com o algarismo romano XVI. Alguém urgentemente tem que avisar o cidadão que XVI em algarismos romanos representa o número 16 (X=10; V=5; I=1), e não o 15. Mas como explicar isso a um sujeito que fugiu da escola quando criança? É isso o que dá quando alguém que não conhece nem o português direito e ainda quer se aventurar a escrever em algarismos romanos.

Essa seria apenas uma nota cômica se não fosse pela trágica interpretação que veio em seguida, de cair o queixo de qualquer ser humano normal. Ele pega o texto que diz: “e depois apareceu a Tiago, e em seguida a todos os apóstolos”, e daí conclui que Tiago era um apóstolo. É pra rir ou é pra chorar? E depois ele ainda quer ser levado a sério. E quer interpretar a Bíblia. Ele seria reprovado até no ENEM na parte de interpretação de textos, mas mesmo assim acha que sabe o bastante para interpretar as Escrituras Sagradas. Nem um aluno de 2ª série de ensino fundamental cairia no ridículo de interpretar que Tiago era um apóstolo por causa deste verso em questão.

Para começar, Macabeus desonestamente trunca o verso, tirando-o criminosamente de seu contexto, para fazer parecer que ele começa no verso 7. Leiamos o texto em seu devido contexto:

“Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1ª Coríntios 15:3-8)

Portanto, para Paulo, Jesus apareceu depois da ressurreição a:

a) Pedro.
b) Os doze discípulos.
c) Mais de quinhentos irmãos.
d) Tiago.
e) Todos os apóstolos.

Ao isolar o verso 7 de seus versículos anteriores, Macabeus, de forma desonesta e vergonhosa, quer fazer parecer que só Tiago foi citado, unindo isso ao fato de Paulo ter citado “todos os apóstolos” logo em seguida, e tentando fazer uma conexão entre um e outro. Mas quando analisamos o texto diante de seu contexto vemos que não há conexão nenhuma. Tiago não foi o primeiro a ser citado, nem caiu de paraquedas no meio do texto. Pelo menos três outros grupos haviam sido citados antes dele, e pelo menos um destes não tinha conexão nenhuma com os doze apóstolos – a não ser que todos os “mais de quinhentos irmãos” fossem apóstolos!

Na verdade, quando analisamos o texto dentro do seu contexto, torna-se até difícil imaginar que o Tiago ali citado fosse mesmo um dos doze. Pense comigo. Jesus aparece primeiro a Pedro. Depois aparece aos doze discípulos (Tiago ali incluído, obviamente). Depois aos quinhentos irmãos e depois a Tiago novamente. E depois volta a aparecer a Tiago de novo, já que Jesus apareceu depois a “todos os apóstolos”. Então, o que o Macabeus quer nos fazer acreditar é que Jesus apareceu a Tiago três vezes!

Somente Pedro recebe a visita do Senhor três vezes, mas isso por uma boa razão: ele havia negado Jesus três vezes e se arrependido amargamente, debruçando-se em lágrimas (Lc.22:62). Pedro necessitava de um reencontro particular com Cristo, para se retratar pessoalmente com o Mestre. Mas o que levaria Jesus a fazer o mesmo com Tiago, se este Tiago não é aquele mesmo irmão de Jesus que antes disso era incrédulo, e que portanto precisava tanto de uma aparição pessoal do Cristo ressurreto quanto Pedro precisava?

Se este Tiago era um dos doze, não haveria nenhuma razão para Jesus abrir exceção a ele, como fez a Pedro. Não há nada nos evangelhos que enfatize um dos dois Tiagos que eram discípulos de Jesus. Não há nenhuma negação pública, nenhum acontecimento, nenhuma coisa que pedisse uma intervenção sobrenatural para um encontro particular entre esse Tiago e Jesus. Bastaria a aparição geral de Cristo, como ocorreu duas vezes na presença de todos os apóstolos. Isso simplesmente não faz lógica na perspectiva de que esse Tiago fosse um dos doze.

Mas é totalmente lógico na perspectiva de que esse Tiago fosse justamente o antes incrédulo irmão de Jesus. Ele precisava de um encontro pessoal que o tirasse da incredulidade e que lhe desse a oportunidade de concertar as coisas com Cristo em particular, assim como Jesus fez com Pedro. E isso também explica por que esse Tiago aparece com tanta notoriedade no Novo Testamento dali em diante. Ele lidera o Concílio de Jerusalém de Atos 15. Este Tiago era tão conhecido e importante que Judas precisou apenas se identificar como o “irmão de Tiago” (Jd.1) em sua epístola, e Pedro ao ser liberto fez questão de pedir que Tiago fosse notificado disso (At.12:17).

Se este Tiago com uma autoridade tão proeminente não era o irmão de Jesus, então quem era? O Tiago irmão de João já tinha morrido há muito tempo (At.12:2), e o outro Tiago discípulo era irrelevante e sem notoriedade entre os doze, tanto é que só aparece nos evangelhos quando é listado junto aos outros doze. Esse importante Tiago, que surge subitamente exercendo grande liderança justamente a partir da ressurreição de Jesus, só poderia ser o terceiro Tiago, o irmão de Jesus, que passou a exercer essa liderança após sua conversão ao se encontrar com o Cristo ressurreto.

Será que tudo isso é mera coincidência? Macabeus crê que sim, porque ele não tem livre-arbítrio e nem capacidade de pensar por si mesmo. Ele é somente um papagaio do papa sem opinião nem personalidade própria. O que o papa disse, está dito. Se o papa diz que esse Tiago não era irmão de Jesus, então não era e pronto. É essa a verdadeira razão que leva Macabeus a plantar bananeira e virar cambalhota no desespero em distorcer textos bíblicos para que se adaptem à vontade do papa, o grande ditador no catolicismo romano.

Eu nem vou comentar sobre Paulo ter sido ou não o último dos apóstolos, porque isso é irrelevante. Já vimos que Tiago se converteu bem antes de Paulo, e que Paulo chamou este terceiro Tiago, o irmão de Jesus que antes era incrédulo (Jo.7:3-5), de “apóstolo”(Gl.1:19). Isso basta. Infelizmente, ainda somos obrigados a conviver com a ignorância de tridentinos que se acham os donos da verdade, mas que não conseguem acertar na exegese de textos simples, assim como não conseguem acertar o número correto de algarismos romanos e o lugar certo onde se coloca uma vírgula. O que eles sabem é mostrar seus tridentes, para ver se conseguem assustar alguém. Não metem mais medo. Somente pena.

A “argumentação” do sujeito que pensa ser mesmo um macabeu só não é mais ridícula do que aquilo que o mesmo indivíduo escreveu em outro artigo sobre o mesmo tema no site dele, onde ele nos dá um argumento bombástico e poderosíssimo que destrói totalmente o protestantismo. Vejam só que argumento extraordinário ele inventou contra os “filhos da serpente”:


Então Jesus é filho único de Maria porque o autor usou o artigo definido para dizer que Jesus é “o” filho de Maria, e não “um” filho de Maria. Certo. Muito boa a sua interpretação de textos. Você deve ter ralado muito para chegar a esta conclusão. Você só se esqueceu que em Mateus 10:2 o escritor bíblico aplica o mesmo artigo definido para dizer que Tiago é o filho de Zebedeu:

"Tiago, o filho de Zebedeu, e João seu irmão" (Mateus 10:2)

No grego:

 

O Macabeus não deve saber, é claro, mas a parte que diz “iakwboV o tou zebedaiou” significa “Tiago, o filho de Zebedeu”. A letra “o” (ho) ali é o artigo definido, exatamente o mesmo que aparece no texto de Marcos, citado por ele. Macabeus, me responda: Tiago era filho único de Zebedeu? Se sim, onde foi parar o coitado do João, seu irmão, que também é descrito como sendo filho de Zebedeu em outro lugar (Mt.26:37)? Tiago é filho único de Zebedeu ou a sua exegese que é uma patifaria?

E tem mais, Macabeus. Não sai daí não. Você também não deve saber, mas João 1:42 diz: “Tu és Simão, o filho de João” (Jo.1:42). Eu sei, eu sei que a tua versão católica da Bíblia omite o artigo definido neste texto, e que o seu conhecimento não vai além do que a tua versão católica diz. Mas abra seus horizontes, Macabeus. Você não deve saber, mas o Novo Testamento foi escrito em grego. E se você fizer um enorme e sacrificial esforço de ir neste site, vai ver que o original grego diz isso:

“KAI ÊGAGEN AUTON PROS TON IÊSOUN EMBLEPSAS m=[DE] tk=DE AUTÔ O IÊSOUS EIPEN SU EI SIMÔN O UIOS a=IÔANNOU b=IÔNA SU KLÊTHÊSÊ KÊPHAS O ERMÊNEUETAI PETROS”

Você também não deve saber, mas a parte que diz: “SIMÔN OUIOS IÔANNOU” (preste atenção, com o artigo definido no meio!) significa: “Simão, o filho de João”. Então eu pergunto: usando a mesma lógica que você aplica em Marcos 6:3, dizendo ser “apenas interpretação de texto”, Simão era filho único de João? Se sim, onde foi parar André, seu irmão? Se não, onde foi parar a sua “exegese” de fundo de quintal? É assim que você doutrina os seus leitores? Você não tem vergonha de mentir tão descaradamente, e de usar um argumento estúpido que sabe que é falso? Pior ainda: você não tem vergonha de continuar usando este argumento espúrio mesmo depois de já ter sido desmascarado e de saber que ele é falso?

Até quando você vai se comprometer a enganar seus leitores e a mentir tão escancaradamente? Por que não decide estudar e resolver de uma vez por todas os seus problemas básicos de interpretação de texto, que são tão bregas que nem uma criança de quarta série erra tão feio? E até quando vai querer passar a ideia de que você tem a “interpretação infalível da Igreja de Cristo” e que os “rebelados” são “um bando de hereges que distorcem a Bíblia”, enquanto você engana descaradamente os seus leitores na maior cara de pau? Por que não tira a máscara de uma vez e tenta ser honesto consigo mesmo e com seus leitores?

E você ainda tem a audácia de dizer: “termino a matéria mostrando a todos vocês o erro ortográfico do Evangelho de São Marcos. Sério, você deveria ter vergonha de si mesmo. Deveria ir se tratar, buscar um bom psicólogo, ou um psiquiatra de uma vez. Você amputa a pobre da exegese, que, indefesa, ainda tem que ouvir que Marcos cometeu um “erro ortográfico”, quando o único erro real que existe é o seu analfabetismo. Talvez, se você não tivesse fugido às aulas de português, saberia que o artigo definido, que provém do pronome demonstrativo, implica apenas na identidade e não na exclusividade do sujeito em questão. Mas agora já é tarde para explicar isso. Você devia ter aprendido isso há uns vinte anos, não agora.

Termino dando um conselho sincero ao nosso amigo tridentino: Macabeus, volte para a escola, ou faça um supletivo, tente no PROUNI, ou no PRONATEC, contrate um professor particular se for preciso, eduque-se. Não se resuma a ser um fracasso, fisicamente vivendo na Idade Contemporânea, mas com uma mentalidade medieval. Ainda há chance. Aceite que vivemos no século XXI. Simplesmente aceite. Dói menos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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28 de dezembro de 2014

Pasme! Católico admite abertamente que Deus tem ESPOSA!

(O judeu Jesus loiro, como os católicos imaginam que seja)

Ah, esses católicos... já houve uma época, há muito muito tempo atrás, que eles sabiam disfarçar melhor e não davam munição infinita ao adversário gratuitamente. Escrevi em 14 de maio de 2013 um artigo intitulado: "Expondo a mariolatria católica: nem disfarçam mais!", onde mostro citações extraídas direto do site oficial da Canção Nova (um dos movimentos mais populares e respeitados na Igreja Católica aqui do Brasil), onde um padre diz explicitamente que Maria é eterna, que ela é o nosso caminho para o Pai (onde foi parar Jesus?), que humilha mais o diabo do que Deus é capaz, dentre outras aberrações do gênero, colocando Maria acima de Deus.

Minha conclusão foi que os católicos já não estão conseguindo disfarçar tão bem quanto faziam antigamente. Sim, para quem não sabe, houve uma época remota em que os católicos não aceitavam ser chamados de idólatras ou mariólatras. “Adoramos só a Deus!”, diziam eles. “Maria é apenas venerada!”, diziam eles. Agora os padres já perderam a prudência e chutaram o balde de uma vez. Está cada vez mais difícil conseguir disfarçar direito.

É claro que o catolicismo sempre foi idólatra. Ele nunca mudou, e nunca vai mudar. Engana-se quem pensa que ainda há remédio. O remédio foi a Reforma Protestante – quem ficou pra trás perdeu o bonde. Mas antes, pelo menos, eles eram mais discretos. Nos púlpitos das missas deles, diziam que Maria é “co-redentora”, mas quando um evangélico dizia isso a um católico em qualquer debate no Orkut eles logo incorporavam o Maluf e diziam: “eu nego!”. Vociferavam, berravam e espumavam pela boca para “jogar na cara do rebelado” que ele é um “caluniador sem vergonha” porque “a Igreja Católica não ensina nada disso”.

Então, nesse ano um tal de Paulo Leitão, católico fanático bem conhecido no mundo dos debates, escreve um livro mariólatra horroroso, da pior qualidade que é possível um ser humano ser capaz de fazer, e um dos capítulos deste livreco traz o título: “Maria, Co-Redentora”. Pois é. Não disfarçam mais. Os tempos mudaram. Tudo aquilo que eles antes negavam que faziam e brigavam quando um “rebelado” os acusava de fazer, hoje eles fazem na cara dura, abertamente, para todos verem. Eu falei que a Igreja Católica não muda, mas errei. Ela muda, sim: pra pior.

Quando eu penso que a situação já chegou ao fundo do poço e que não tem como ficar pior, eis que surge um anônimo escrevendo na caixa de comentários do meu artigo "A mulher de Apocalipse 12 é Maria?", e escrevendo bem, civilizadamente, educado, inteligente, bem diferente da maioria dos católicos que escrevem aqui no blog, e esse mesmo cara versado me diz que Maria é esposa de Deus. Sim, de Deus. Não de José. De Deus. Isso mostra que a febre já tomou conta até dos mais sensatos do lado de lá, imagine só o nível dos mais ignorantes, que são maioria.

Tudo começou quando ele veio com aquele silogismo típico de todo e qualquer bom católico:

a) Jesus é Deus.
b) Maria é mãe de Jesus.
c) Logo, Maria é mãe de Deus.

Eu já destruí esse silogismo neste artigo, onde elenco dez provas de que ele é falso, pois o erro está exatamente em desconsiderar que Maria não é mãe de Deus na eternidade, mas somente do Filho e somente enquanto ele foi homem e viveu entre nós por 33 anos, gerando apenas a humanidade e não sua divindade, que já existia antes de Maria e a despeito de Maria. Como mãe é aquela que gera, e Maria não gerou divindade nenhuma, então ela não é mãe de Deus. Simples.

Mas os católicos que amam fazer confusão para sustentar o dogma Theotokos se vêem em ainda mais apuros quando tem que lidar com silogismos do mesmo tipo, tais como:

a) Jesus é Deus.
b) Maria é mãe de Jesus.
c) Maria é mãe de Deus.
d) A mãe de Maria é avó de Jesus.
c) Então a mãe de Maria é avó de Deus.

Por esta mesma lógica, não apenas Deus tem mãe, mas também tem avó, bisavó, tataravó e assim por diante, até chegarmos a Eva. E do lado de José idem, até chegarmos a Adão. Todos são parentes de Deus em aspecto físico e literal. Ele admitiu que Deus tem também avó, bisavó, tataravó, etc. Mas o pior ainda estava por vir. Por meio de analogia semelhante, eu ainda propus outro silogismo que segue a mesma logística católica, sendo ele:

a) Maria é mãe de Jesus.
b) Jesus é Deus (Filho).
c) Maria é mãe de Deus (Filho).
d) Deus Pai é o pai de Jesus, de quem Maria é mãe.
e) Logo, Maria é esposa de Deus Pai.

É claro que eu pensava que ele não chegaria ao ponto de blasfemar que Deus tem esposa, mas o argumento tem precisamente esta finalidade: obrigá-lo a recuar em sua lógica, porque, se este silogismo for falso, o outro também é, e a conclusão de que Maria é mãe de Deus seria tão falsa quanto a conclusão de que Maria é esposa de Deus, pois ambas tem a mesma estrutura argumentacional.

Mas então, para a minha total surpresa e espanto, eis que ele diz:

“Também é possível dizer que ela é mãe e esposa de Deus, mas essas relações são com pessoas diferentes, pois o que muda de uma pessoa para outra são as relações que mantém com as demais pessoas e com as criaturas”

Isso mesmo. “Ela [Maria] é mãe e esposa de Deus”. Leia de novo: “ela é mãe e esposa de Deus”. Leia quantas vezes for preciso até acreditar que essa aberração foi dita em tom sério. Ele não vê problema nenhum em Deus ter esposa, desde que se leve em conta que “essas relações são com pessoas diferentes”, ou seja, que isso se aplique somente ao Pai e não ao Filho. Então dizer que Maria é esposa de Deus Filho é errado, mas dizer que Maria é esposa de Deus Pai é blz. Uma teologia de dar ânsia a qualquer um.

Agora, não basta dizer apenas que Maria é somente Rainha dos céus, intercessora, medianeira, advogada, adjutriz, fonte de toda a graça, onipotência suplicante no céu, superior a todos os homens e anjos juntos, co-redentora e mãe de Deus. Tem que dizer também que ela é esposa de Deus. Não se esqueça disso. Toda a glória prestada a Maria é pouco, e toda a glória prestada a Jesus só serve se Maria for mencionada junto, carregando o indefeso menino Jesus loiro em seu colo. O que mais falta para eles admitirem abertamente também que ela é uma deusa? Eu dou seis meses. Quem dá mais?

Se você for católico, não se espante quando ouvir um herege ou ateu dizendo que Maria Madalena era esposa de Jesus. Saiba que você defende coisa pior.

Até que ponto isso vai chegar?

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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25 de dezembro de 2014

Quando Jesus disse a Pedro: "em ti edificarei a minha igreja", ele estava se referindo à Igreja Católica Romana!



Lembrei-me hoje do canal no YouTube do saudoso Carlos Alberto Durgam (já falecido), que promovia debates entre evangélicos e católicos pelo Skype há alguns anos, e postava os vídeos no YouTube. Um dos vídeos mais divertidos do canal dele é um que mostra a reação de certas pessoas à frase: “A Igreja Católica é a Igreja fundada por Cristo”:


O vídeo é, obviamente, uma brincadeira, mas tem um fundo de realidade. Isso porque os papistas que vociferam vez após vez dizendo que “a Igreja Católica é a Igreja de Cristo! É a Igreja de Cristo! É a Igreja de Cristo! É a Igreja de Cristoooooo!!!!! (...)” só fazem isso sob a premissa de que a Igreja de Mt.16:18 é uma “instituição”, e que esta “instituição” é a instituição “Romana”. É isso que faz o vídeo ficar mais engraçado, na parte em que ele diz que “quando Jesus disse a Pedro: ‘em ti edificarei a minha igreja’, ele estava se referindo à Igreja Católica Romana!!!”.

Eu nem vou entrar no mérito da questão se a pedra era Pedro ou sua confissão de fé em Cristo, pois já dediquei um capítulo inteiro de meu livro "A História não contada de Pedro" para abordar a questão, refutando os factóides romanistas e provando que, com toda a probabilidade do mundo, a pedra em questão era a confissão de Pedro no verso 16 que remete a “Cristo, o filho do Deus vivo”, em conformidade com inúmeras passagens que declaram o Messias como o fundamento e a rocha onde a Igreja está edificada (você pode ver o mesmo estudo neste artigo). Mas focarei aqui apenas na questão da “Igreja”, do verso 18.

A triste verdade é que toda a argumentação católica parte de pressupostos, e estes pressupostos são tomados como verdade a priori, ao invés de ser a posteriori. Em outras palavras, ao invés dos católicos primeiro provarem que essa Igreja é a Católica Romana e depois usarem este versículo sustentando a tese de que essa igreja foi fundada por Cristo, eles fazem exatamente o contrário: partem do princípio de que a Igreja tem que ser a Romana, e a partir daí usam versículos como Mt.16:18 para “provar” que esta igreja foi fundada por Cristo, que é a coluna e sustentáculo da verdade, etc.

Em termos simples, eles querem provar que a Igreja Romana é a certa porque foi fundada por Cristo, e que Cristo fundou a Igreja Romana porque é a Igreja certa. O argumento é totalmente circular, muito parecido com todas as demais falácias constantemente aplicadas por eles, ao maior estilo: “creia na tradição, e quem prova isso é a tradição”, ou então: “o papa é infalível, porque o papa disse que é infalível”. Eles não percebem que toda a estrutura argumentacional deles está sustentada sob o frágil fundamento na areia, constituído por teses a priori, que eles já tomam como verdade antes mesmo de provarem que é verdade, e em cima dessas verdades previamente definidas formulam seus argumentos circulares que só provam algo para quem não entende nada de lógica ou tem uma grande dificuldade de raciocínio.

Vamos dar um exemplo prático: por que cremos que a Bíblia é verdadeira e autêntica? É porque Paulo escreveu sobre isso em 2ª Timóteo 3:16? Não, isso seria argumentar em círculos. Seria dizer que a Bíblia é verdadeira porque a Bíblia diz que é verdadeira, o que não se diferenciaria em nada do argumento muçulmano de que o Alcorão é sagrado porque ele diz que é sagrado. É necessário provar por evidências externas de que a Bíblia é verdadeira, e só depois disso argumentar alguma coisa pela Bíblia, e é aí que entra 2Tm.3:16 – a posteriori, e não a priori.

É por isso que os apologistas cristãos tem se dedicado ao máximo em mostrar as evidências de que a Bíblia é verdadeira, seja através de provas históricas, ou arqueológicas, ou científicas, ou por diversos outros campos da razão humana. Em meu site Apologia Cristã eu dedico vários artigos de “Veracidade Bíblica” com esta finalidade, que se complementam aos argumentos da ressurreição de Jesus e da autenticidade do Novo Testamento. Também com esta finalidade escrevi o livro "As Provas da Existência de Deus" e estou escrevendo um outro livro com mais de mil páginas refutando o livro “Deus, um Delírio”, de Richard Dawkins (o maior best-seller da história do ateísmo).

Em suma: é preciso primeiro estabelecer firmemente os fundamentos. Primeiro provamos que a Bíblia é verdadeira, por argumentos fora da própria Bíblia. Somente depois que provamos a autenticidade da Bíblia é que usamos a própria Bíblia para estabelecer doutrinas, refutar heresias, e assim por diante. Tragicamente, os católicos não costumam seguir este mesmo princípio de estabelecer fundamentos. Eles não foram educados assim. Eles partem de premissas não provadas e que são tomadas como verdades a priori, e em cima dessas premissas formulam seus argumentos que só poderiam mesmo ser puramente circulares, constituindo falácias clássicas.

É por isso que a coisa mais natural do mundo é vermos debates neste estilo:

Católico – O papa é infalível!

Evangélico – Como você sabe que o papa é infalível?

Católico – Porque o papa disse que é infalível! [isso aconteceu em 18 de julho de 1870, no Concílio Vaticano I, por autoridade do papa Pio IX]

Evangélico – E como você sabe que o que o papa disse é a verdade?

Católico – Porque ele é infalível!

A mesma coisa ocorre na questão da tradição (curvem-se os mortais), ou melhor, Tradição, com “T” maiúsculo mesmo, como eles fazem questão de ressaltar, tamanha a importância e obsessão por aquilo que é, na prática, a única regra de fé de onde eles tiram suas doutrinas antibíblicas:

Católico – Você, seu herege protestante, filho da serpente, me mostre onde a Sola Scriptura está na Bíblia! Agoraaaa!!!! [geralmente é algo mais histérico que isso]

Evangélico – Primeiro: acalme-se. Segundo: de onde você tirou a ideia de que a Sola Scriptura tem que estar na Bíblia?

Católico – Porque vocês, filhos do bêbado do Lutero, dizem que tudo tem que estar na Bíblia!!!

Evangélico – E quando foi que Lutero disse isso? Em qual livro ele disse?

Católico – Em muuuuitos!

Evangélico – Pode me citar um?

Católico – Ele escreveu um monte de vezes sobre isso!

Evangélico – Que bom. Mas eu só pedi um.

Católico – Hmm... é... [consultando o site Veritatis Splendor] hmmm... deixa eu ver... [consultando o site Montfort] hmmmmm..... ^^ (......) você sabe que ele disse isso, seu herege! Essa é a Sola Scriptura, seu rebelado!

Evangélico – De que lugar você tirou a ideia de que a Sola Scriptura é o princípio segundo o qual “tudo tem que estar na Bíblia”?

Católico – Ué... e não é?

Evangélico – Não. Estude mais. Isso é um espantalho criado por vocês, que desfigura ridiculamente o verdadeiro conceito reformado de Sola Scriptura. Vocês atacam aquilo que não conhecem. Primeiro se informe melhor sobre o que é a Sola Scriptura, e só depois ataque histericamente a Sola Scriptura. Não queira passar vergonha atacando o que desconhece.

Católico – O que é Sola Scriptura, então?

Evangélico – Sola Scriptura é o princípio de que, hoje, a única forma confiável que temos de saber o que os apóstolos originalmente ensinaram foi por aquilo que eles escreveram, que foi preservado incorruptivelmente com o passar dos séculos[1]. E os escritos onde eles escreveram, e que se preservaram, é o que chamamos de Escrituras. Como na época não existia mp3 nem vídeo, é somente através daquilo que eles deixaram por escrito que podemos chegar com confiança à mensagem original. A tradição oral se perdeu com o tempo, como em um telefone sem fio, passando por acréscimos e distorções, o que fica totalmente comprovado pelas inúmeras tradições divergentes na Igreja já no final do século I, e início do II. Ninguém sabia quem tinha a tradição certa. Tente saber se era Policarpo ou Aniceto quem estava com a “tradição certa” sobre o dia da páscoa! [veja mais sobre isso em meu livro: "Em Defesa da Sola Scriptura"]

Católico – Mas nós cremos que a tradição foi preservada incorruptivelmente também, e portanto constitui uma outra regra de fé!

Evangélico – Quais evidências você tem disso?

Católico – Evidências? Hmmm... sabemos que a tradição é verdadeira porque a tradição nos diz que a tradição é verdadeira.

Evangélico – Isso é um argumento circular. Seria o mesmo que dizer que você crê no Alcorão porque o Alcorão diz que o Alcorão é verdadeiro. Quais evidências externas você tem de que a tradição oral foi preservada incorruptivelmente?

Católico – A minha igreja diz isso, a Igreja de Cristo!!!

Evangélico – E com que base ela diz isso?

Católico – Ora... na tradição!

É basicamente esse o raciocínio circular que vemos aflorando nos debates, e é essa mesma deturpação que os católicos fazem em cima de Mateus 16:18. Como eu disse no início, não vou nem discutir se a pedra é Pedro ou não. Eu já fiz isso. Mas suponhamos, para o bem do argumento, que fosse Pedro mesmo: o que isso prova? Os católicos lêem a Bíblia com uma lente de aumento romana. Onde está escrito: “edificarei minha Igreja”, eles lêem: “edificarei minha igreja Católica Romana”. Não é nem preciso dizer que os católicos Ortodoxos, que tem muitas doutrinas divergentes com Roma, fazem exatamente a mesma coisa. Eles também têm o mesmo texto, mas onde está escrito: “edificarei minha igreja”, eles lêem: “edificarei minha igreja Ortodoxa”.

Não há diferença no argumento em si, porque a falha é a mesma. Os dois chegam a conclusões diferentes usando a mesma estrutura argumentacional, simplesmente porque partem de pressupostos distintos. Um toma como verdade a priori que a igreja verdadeira é a Romana. O outro toma como verdade a priori que a igreja verdadeira é a Ortodoxa. Nenhum dos dois chega a esta conclusão por este ou qualquer outro texto bíblico. Eles chegam a esta conclusão de antemão, no início, a priori, antes de começar a construir o argumento. Argumentando deste jeito, poderíamos colocar qualquer igreja do mundo em Mt.16:18 – basta usar a imaginação.

O que os evangélicos, em geral, fazem? Eles tomam a igreja deles como uma verdade a priori e as metem para dentro do texto de Mateus 16:18? Não. Se alguma igreja ou pastor faz isso, é um louco, e está delirando mais fortemente do que aqueles que fazem isso para provar uma igreja católica. Eu nunca vi alguém dizer, por exemplo, que Jesus fundou a igreja Bola de Neve em Mateus 16:18, ou qualquer outra denominação protestante. Isso porque os evangélicos não entendem que a Igreja, que Jesus e a Bíblia tanto se referiam, diz respeito a uma instituição religiosa A ou B, de forma que tenhamos que nos digladiar para descobrir qual placa ela é.

Ao contrário: os evangélicos crêem que a Igreja de Cristo é o Seu Corpo, formado por cada cristão que adora a Jesus em espírito e em verdade, independentemente da congregação, denominação ou instituição em que cultue a Deus. Onde estiver um crente que busque a santificação, que mantenha um relacionamento diário com Deus em oração, que devote sua vida a Ele e que seja cheio da presença do Espírito Santo, ali está a Igreja, e ali as portas do inferno não prevalecerão. A Igreja é a reunião de todos os joelhos que não se dobraram diante de Baal, de toda a língua que confessa que Jesus Cristo é seu Senhor e Salvador, de todo o coração que O busca na esperança de encontrá-lo. Essa é a Igreja. Esses são os verdadeiros cristãos.

E este conceito é tomado como verdade a priori? Não. Ele está muito bem claro e explícito em diversas passagens bíblicas. Assim como na questão da pedra, eu não entrarei aqui em detalhes sobre isso porque já escrevi um artigo enorme apenas para tratar especificamente disso, que você pode conferir clicando aqui. O que tem que ficar claro é que católicos e evangélicos trabalham em âmbitos diferentes. O católico já tem uma verdade pré-definida, e insere essa verdade a priori em seus argumentos e nos textos bíblicos. O evangélico, por outro lado, estuda a Bíblia, pensa racionalmente e então chega a uma conclusão, que será usada na análise dos textos. A diferença metodológica é gigantesca.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1] As provas de que o Novo Testamento se preservou incorruptível com o passar dos séculos podem ser conferidas no capítulo 7 do meu livro "As Provas da Existência de Deus" (download gratuito).