23 de maio de 2014

Agostinho e a Sola Scriptura


Chegamos agora ao mais eloquente pregador da Sola Scriptura na Igreja primitiva: santo Agostinho. Ninguém foi tão prolífero em citações sobre a autoridade suprema da Bíblia quanto ele. Em nenhum lugar ele coloca uma tradição extra-bíblica em pé de igualdade com as Escrituras, mas sempre faz questão de ressaltar, assim como os reformadores fizeram, que a Bíblia é a autoridade suprema da fé. Ele disse:

“Aqui, alguém talvez pergunte se nossos autores sacros, cujos escritos, inspirados por Deus, constituem para nós um cânon da mais salutar autoridade, se eles devem ser chamados somente sábios ou ainda eloquentes”[1]

A Escritura era “da mais alta autoridade”, o que indica que não havia, na concepção de Agostinho, uma autoridade de nível superior à Bíblia, como a tradição e o magistério são na concepção romana. Essa realidade da superioridade das Escrituras sobre todas as outras coisas foi ressaltada outras várias vezes por ele, que também disse:

“E o que é mais, o que não aprendeu em nenhuma outra parte, somente encontrará na admirável superioridade da profundidade das Escrituras”[2]

Essa autoridade suprema das Escrituras foi a primeira constatação que ele teve logo ao se converter à fé cristã. Ele testemunha sobre isso em suas “Confissões”, dizendo:

"Persuadiste-me de que não eram de repreender os que se apoiam na autoridade desses livros que Tu deste a tantos povos, mas antes os que neles não crêem (...) Porque nessa divina origem e nessa autoridade me pareceu que devia eu crer (...) Por isso, sendo eu fraco e incapaz de encontrar a verdade só com as forças da minha razão, compreendi que devia apoiar-me na autoridade das Escrituras; e que Tu não poderias dar para todos os povos semelhante autoridade se não quisesses que por ela te pudéssemos buscar e encontrar"[3]

A autoridade suprema das Escrituras foi ressaltada de forma ainda mais enfática em sua obra sobre o Sermão do Monte, quando ele disse:

“Quem é que se submete a divina Escritura, senão aquele que a lê ou ouve piamente, submetendo a ela como a autoridade suprema?[4]

Ele também dizia que as Escrituras canônicas eram o ápice da autoridade:

“Não faltam obras eclesiásticas – sem contar as Escrituras canônicas, salutarmente colocadas no ápice da autoridade – por cuja leitura um homem bem dotado pode penetrar, além de seu conteúdo, no estilo das mesmas”[5]

E da mais sublime autoridade:

“Ou quem além de ti, nosso Deus, fez para nós aquele firmamento de autoridade sobre nós em Sua Escritura divina? Como é dito, pois o Céu vai ser dobrado como um pergaminho; e agora está estendido sobre nós como uma pele. Pois sua divina Escritura é da mais sublime autoridade, uma vez que aqueles mortais a quem Ele dispensou isso a nós foram submetidos à mortalidade”[6]

Fora desta autoridade suprema, que é a Sagrada Escritura, não há nenhuma outra autoridade. A fé cristã não era formada por uma autoridade principal e uma menor que também pudesse fundamentar doutrinas à parte da Bíblia. A Escritura era vista como a única autoridade para os cristãos, o que fica claro quando lemos a resposta de Agostinho a uma carta enviada por Jerônimo:

“Em sua exposição da Epístola de Paulo aos Gálatas eu descobri uma coisa que me preocupou muito. Pois se declarações falsas em si mesmas foram admitidas na Sagrada Escritura, que autoridade restará para nós?[7]

Agostinho estava debatendo com Jerônimo sobre a passagem de Gálatas 2:11-14, onde Paulo repreende Pedro na face. Jerônimo havia dito que Paulo tinha sido dissimulado naquela ocasião, dando razão a Pedro, porque Paulo teria feito coisa semelhante em outras ocasiões. Agostinho rejeitou essa interpretação sob a alegação de que, se Paulo não tinha razão de repreender Pedro e de escrever isso aos gálatas, a Escritura estaria errada, e haveria uma declaração falsa em si mesma na Bíblia.

Para Agostinho, se a passagem é falsa, a autoridade da Bíblia é questionada. E, se a autoridade da Bíblia é questionada, que autoridade restará para nós? Esta é a pergunta que coloca em xeque as doutrinas católicas sobre a tradição. A pergunta retórica deixa um “não” como resposta implícita. Em outras palavras, além da Escritura, não há nenhuma outra autoridade. Se Agostinho cresse em uma tradição apostólica que também fosse regra de fé e fundamentasse doutrinas, ele obviamente teria indicado que além da Bíblia havia a autoridade da tradição. Assim sendo, restaria a tradição como autoridade.

Contudo, ele deixa claro que, além da Escritura, não há nenhuma outra autoridade para eles. Se a Escritura é questionada, não lhes resta mais autoridade a seguir. Isso é colocar a Bíblia como a única regra de fé da forma mais clara possível. A Escritura era vista como autoridade únicae suprema, e não como autoridade secundária e inferior, que divide lugar com outras autoridades na fé, como ocorre no catolicismo romano.

É por isso que Agostinho se referia às Escrituras como sendo a autoridade na fé, e não como uma autoridade, que dividisse lugar com outras regras de fé:

“Isso é mais pertinente ao assunto que eu tenho em mãos, ou seja, a confirmação da universal e inquestionável verdade das Escrituras divinas, que foram entregues para nós, para a nossa edificação na fé, não por desconhecidos homens, mas pelos apóstolos, e por esse motivo foram recebidas como a autoridade canônica[8]

Tal conceito é ainda reforçado em sua controvérsia com os donatistas, quando ele diz que a única coisa que deveria ser levada em consideração eram os livros canônicos divinos:

Deixemos que sejam removidas de nosso meio as coisas que citamos uns contra os outros, não com apoio nos livros canônicos divinos, mas de outras fontes quaisquer. Talvez alguém possa perguntar: Por que desejais remover essas coisas do vosso meio? Porque não queremos a santa igreja aprovada por documentos humanos, mas sim pelos oráculos divinos”[9]

A mensagem era clara: apenas aquilo que tinha o apoio das Escrituras era que devia ser considerado. Qualquer outra fonte, para Agostinho, era rejeitada. Se Agostinho tivesse dito isso a um católico romano nos dias atuais, o romanista teria que abrir mão de pelo menos metade das doutrinas que crê, que não possuem base bíblica nenhuma. Qualquer discussão, naquela época, era resolvida exclusivamente com base na Bíblia, ao invés de em fontes externas.

O mesmo princípio foi aplicado por Agostinho em outras ocasiões:

“Julguemos, pois, esta questão fundamentando-se nas Sagradas Escrituras da nossa religião, e não conforme a crendice popular”[10]

“Não ouçamos: Isto eu digo, isto vós dizeis; mas, assim diz o Senhor. Certamente são os livros do Senhor, em cuja autoridade ambos concordamos e nos quais ambos cremos”[11]

Este mesmo critério também foi usado contra Maximino, onde o debate teve por base exclusivamente as Escrituras:

“Nem eu para prejudicar-te devo argüir com o Concílio de Niceia, nem tu a mim deves argüir com o Concílio de Rímini, como se tivesse de decidir a questão antecipadamente. Nem estou sujeito à autoridade deste, nem estás sujeito à autoridade daquele. Pelas autoridades das Escrituras, não pelas pessoais de cada um desses dois Concílios, mas pelas que são comuns a um e ao outro, dispute coisa com coisa, causa com causa, razão com razão[12]

Alguém poderia pensar que Agostinho considerava os concílios como uma “segunda autoridade” de fé, paralela às Escrituras, por ele ter dito que aceita o Concílio de Niceia. Contudo, um exame mais detido nos escritos de Agostinho nos mostra que ele só aceitava o que era dito nos concílios se os concílios estivessem de acordo com a Bíblia, que era vista como a única autoridade de fé.

Em outras palavras, os concílios, para Agostinho, não tinham autoridade intrínseca e por essa mesma razão estavam sujeitos a revisões e erros, pois dependiam da única autoridade da Bíblia. Isso se opõe à visão romana e se alinha perfeitamente ao pensamento da Reforma. As igrejas protestantes também tinham seus próprios concílios, mas ainda assim criam na Sola Scriptura, porque sabiam que um concílio não tinha validade em si mesmo, mas sua aceitação dependia do grau de aproximação com as Escrituras.

O objetivo dos concílios, portanto, não era de formar uma outra autoridade ou regra de fé paralela à Bíblia, mas de sumariar os pontos de fé extraídos daquilo que a Bíblia ensina. Que Agostinho aceitava a visão reformada acerca do valor dos concílios em contraste com a visão romanista dos mesmos, isso fica claro quando vemos ele se referir a Cipriano e a um concílio:

“Cipriano emitiu opiniões que não são encontradas nas Escrituras canônicas, mas em seus próprios escritos, e em um Concílio”[13]

Agostinho se opôs ao parecer de Cipriano, mesmo este estando apoiado em um concílio, e a razão para isso é que aquele ensino não era encontrado nas Escrituras. O silêncio das Escrituras falava mais alto do que o som dos concílios. Ele via os escritos dos Pais da Igreja desta mesma forma:

“Em primeiro lugar, esta classe de escritos [dos Pais] deve ser considerado de menor autoridade, distinguindo-se da Escritura canônica. Pois tais escritos não são lidos por nós como um testemunho do qual seria ilegal manifestar qualquer opinião diferente, pois pode ser que as opiniões deles sejam diferentes daqueles que a verdade exige a nossa concordância [as Escrituras]”[14]

Ele distingue a autoridade dos Pais com a autoridade das Escrituras. Para ele, a Escritura era infalível e era ilegal se opor a algo que estivesse nela. Os escritos dos Pais, contudo, estavam sujeitos a erro, e só podiam ser considerados na medida em que estivessem em harmonia com as Escrituras. Portanto, a autoridade dos Pais depende da autoridade única e suprema da Bíblia. Era assim que ele respondia a quem se apoiava exclusivamente nas palavras de Cipriano:

“Você está encantado com a autoridade desse bispo e ilustre mártir Cipriano, que nós realmente respeitamos, como eu disse, mas como bastante distinto da autoridade da Escritura canônica[15]

Este conceito ele mantinha até mesmo quando o bispo em questão era Ambrósio, o seu tutor na fé durante muitos anos:

“Por mais respeitado que Ambrósio seja, e por mais santo que sabemos que ele é, ele não pode ser comparado com a autoridade da Escritura canônica”[16]

Assim sendo, se o ensino de algum Pai da Igreja ou de algum concílio não estava em harmonia com as Escrituras, era rejeitado, porque os concílios e os Pais não tinham autoridade intrínseca, mas só eram verdadeiros enquanto estivessem de acordo com a Bíblia. Eles não eram uma autoridade complementar à Bíblia, e sim uma autoridade dependente da Bíblia. Eles não serviam para fundamentar doutrinas fora das Escrituras, como se estivessem no mesmo grau de autoridade que a Bíblia. Agostinho chegou a dizer para rejeitar qualquer coisa que bispos católicos dissessem, se eles estivessem contra as Escrituras:

“Nem ouse alguém concordar com bispos católicos, se por acaso eles errarem em alguma coisa, resultando que sua opinião seja contra as Escrituras canônicas”[17]

Isso foi exatamente o que Lutero fez, quando viu que os bispos católicos já haviam se desviado da verdade bíblica há muito tempo, caindo em apostasia e diminuindo a autoridade da Bíblia diante da tradição. Agostinho repetiu essa posição ao dizer:

“Mas quem pode deixar de estar ciente de que a Sagrada Escritura canônica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, está confinada dentro de seus próprios limites, e que ela está tão absolutamente em uma posição superior a todas as cartas posteriores dos bispos, e que sobre ela não podemos ter nenhum tipo de dúvida ou disputa se o que está nela contida é certo e verdadeiro, mas todas as cartas de bispos que foram escritas ou que estão sendo escritas são susceptíveis de serem refutadas, se há alguma coisa nelas contidas que se desvia da verdade[18]

Há um limite bíblico que ninguém pode passar, e que se restringe ao Antigo e Novo Testamento. Qualquer coisa que um bispo, por mais importante que seja, afirme sem o apoio das Escrituras, deve ser rejeitado, pois a verdade do que os bispos afirmam depende do quanto eles estão sendo fieis (ou não) às Escrituras. O conceito de que a Escritura possui sacralidade intrínseca, que a difere de modo único e singular de qualquer outra obra e de qualquer outra fonte, também está presente na carta de Agostinho a Fausto:

“Nos inúmeros livros que foram escritos ultimamente podemos às vezes encontrar a mesma verdade como está na Escritura, mas não é a mesma autoridade. A Escritura tem uma sacralidade peculiar a si mesma. Em outros livros, o leitor pode formar sua própria opinião, e, talvez, de não concordar com o escritor, por ter uma opinião diferente da dele, e pode pronunciar em favor do que ele escreve, ou contra o que ele não lhe agrada. Mas, em conseqüência da peculiaridade distintiva das Sagradas Escrituras, somos obrigados a receber como verdadeira qualquer coisa que tenha sido dita por um profeta, ou apóstolo, ou evangelista”[19]

Agostinho insistia em dizer que é somente pela confirmação nas Escrituras que os pontos de fé podem ser considerados:

“Essas coisas que eu propus pertencem a nossa crença, e podem ser confirmadas por você nessa nossa profissão de fé, sem prejuízo da autoridade da fé cristã. Porque eu não posso mostrar de modo algum que eu acertadamente acredito, a não ser que eu confirme aquela crença pela autoridade das Escrituras[20]

Para ele, a única maneira de mostrar que ele acertadamente acredita é confirmando a crença pela autoridade das Escrituras. Sem a confirmação Escriturística, não há nada certo ou confiável. Este princípio ele aplicava até para si mesmo:

“Pois os raciocínios de qualquer homens que seja, mesmo que seja católico e de alta reputação, não é para ser tratado por nós da mesma forma que a Escritura canônica é tratada. Estamos em liberdade, sem fazer qualquer ofensa ao respeito que estes homens merecem, para condenar e rejeitar qualquer coisa em seus escritos, se por acaso vemos que eles têm tido opiniões divergentes daquela que os outros ou nós mesmos temos, com a ajuda divina, descoberto ser a verdade. Eu lido assim com os escritos de outros, e eu gostaria que meus inteligentes leitores lidassem assim com os meus[21]

A Fausto, ele disse que “a autoridade estabelecida da Escritura deve superar todas as outras[22]. E ele concluiu dizendo: “Eu fecho com uma palavra de conselho para vocês que estão inseridos naqueles chocantes e condenáveis erros: que reconheçam a autoridade suprema da Escritura[23].

A afirmação mais clara da Bíblia como a autoridade suprema e como sendo a regra da qual toda a doutrina tem que ser submetida está em sua famosa obra “Cidade de Deus”, onde ele diz:

“Este mediador, tendo falado o que Ele julgou suficiente primeiramente pelos profetas, em seguida por Seus próprios lábios, e depois pelos apóstolos, também produziu a Escritura canônica, que tem autoridade suprema, e à qual nos submetemos assentimento em todos os assuntos[24]

Eles submetiam assentimento às Escrituras em todos os assuntos relacionados à fé, pois a Bíblia era considerada a autoridade suprema. Isso é tudo o que os reformados sustentaram na Reforma Protestante e tudo aquilo que os católicos romanos mais combatem hoje. Eles não submetem todos os seus pontos de fé à Bíblia, pois sustentam dogmas e doutrinas não-bíblicos, sustentados em uma tradição inventada por eles. O contraste entre Agostinho e o catolicismo romano é perturbador.

Ninguém que não fosse evangélico poderia assinar embaixo essas palavras ditas por Agostinho:

“Que mais eu vos ensino além do que leio no apóstolo? Pois a Escritura Sagrada fixa a regra para a nossa doutrina, a menos que ousemos ser mais sábios do que devemos (...) Portanto, não devo ensinar-vos qualquer outra coisa, a não ser expor-vos as palavras do Mestre”[25]

Agostinho não ensinava nada além do que lianos apóstolos. Ele não menciona uma “tradição oral”. Seus ensinos não ultrapassavam o que era lido nas Escrituras. A Bíblia, para Agostinho, era uma regra fixa para a doutrina, regra essa que ninguém poderia ousar ultrapassar. Ele não ensinava nada além das doutrinas ditas por Jesus e registradas nas Escrituras. Essa “regra fixa da doutrina” nada mais é senão o mesmo que os reformados consideravam como “única regra de fé”.

As Escrituras funcionavam para Agostinho da mesma forma que funcionavam para os reformadores: ela é uma regra fixa, da qual nenhuma doutrina pode ultrapassar. Portanto, ela pode ser considerada a única regra de fé, tanto por Agostinho, como pelos reformadores. Qualquer um que vá contra isso está tentando “ser mais sábio do que deve ser”, o que é claramente repudiado por ele. Isso é basicamente o mesmo daquilo que Agostinho disse em outro lugar:

“Se alguém pregar, seja com referência a Cristo ou à sua igreja, ou a qualquer outro assunto que se refira à nossa fé e vida, não direi se nós, mas sim o que Paulo acrescenta: se um anjo vindo do Céu pregar qualquer coisa além do que recebestes pela Escritura sobre a Lei e os Evangelhos, que seja anátema[26]

Era “anátema” (amaldiçoado) qualquer um que recebesse doutrinas que não estivessem na Bíblia. Quantos concílios, papas e bispos romanos já não teriam sido anatemizados por Agostinho se este estivesse vivo hoje para presenciar!

Agostinho também bateu firme na tecla de que a Bíblia é suficiente para a salvação. Foram muitas as vezes em que ele repetiu este conceito, contrário ao que é crido hoje pela Igreja Romana. Ele disse, por exemplo, que na Escritura são abertamente encontrados todos os ensinos que envolvem a fé:

“Entre as coisas que são ditas abertamente na Escritura devem ser encontrados todos os ensinos que envolvem a fé, os hábitos de vida, a esperança e a caridade que temos discutido”[27]

Para ele, a Escritura não silencia em vista de nossa salvação:

“Assim, em vista de nossa salvação, a Sagrada Escritura não silenciou sobre este tipo de fornicação da alma”[28]

As coisas que são lidas na Escritura estão ali precisamente para a nossa salvação:

“Todas as coisas que são lidas nas Sagradas Escrituras, a fim de nossa instrução e salvação, cabe-nos ouvir com séria atenção”[29]

Ele afirma ainda que “nos ensinos que estão claramente baseados na Escritura encontra-se tudoo que diz respeito à fé e à conduta de vida”[30]. A ideia de que a Bíblia é doutrinariamente incompleta ou insuficiente para a salvação era completamente estranha à Agostinho. Ele dizia que a Escritura torna o homem “perfeitamente preparado para o Seu serviço pelos conselhos rentáveis ​​de Sua palavraescrita”[31].

Ele também declara que a salvação em Cristo está testemunhada pelas Escrituras e elenca uma série de coisas presentes na Bíblia que não deixa nada de sobra:

“Essa mesma nação também foi posteriormente dispersa pelas nações, a fim de testemunhar pelas Escrituras que a eterna salvação em Cristo tinha sido declarada. Pois não apenas as profecias estão contidas na Palavra, nem apenas os preceitos para a conduta correta da vida, que ensinam a moral e piedade, e estão contidas nos sagrados escritos, mas também ritos, sacerdócio, tabernáculo ou templo, altares, sacrifícios, cerimônias e tudo aquilo que pertence a esse serviço que é devido a Deus”[32]

Ao examinar as Escrituras, ele encontrava tudo aquilo que era necessário para a sua salvação:

“Essas e coisas semelhantes que eu deveria ou ter dito a eles ou considerado comigo mesmo, pois até então, suplicando a Deus com todas as minhas entranhas, por assim dizer, e examinando as Escrituras tão atentamente quanto possível, eu deveria talvez ter sido capaz, ou de dizer tais coisas ou pensá-las, tanto quanto era necessário para a minha salvação[33]

Além disso, ele também diz não haver grande dificuldade em chegar pelas Escrituras às coisas necessárias à salvação:

“Pois tal é a profundidade das Escrituras cristãs, que mesmo se eu fosse tentar estudá-las e nada mais fizesse desde a infância até a velhice, com o máximo de tempo livre, e com o mais incansável zelo e talentos maiores do que eu tenho, eu ainda estaria diariamente progredindo em descobrir seus tesouros. Não que exista grande dificuldade em chegar nelas para saber as coisas necessárias à salvação, mas quando alguém aceita essas verdades com a fé que é indispensável para uma vida de piedade e retidão, então muitas coisas que estão veladas sob múltiplas sombras de mistério restam a serem investigadas por aqueles que estão avançando no estudo”[34]

Ele não negava o fato de que existem certas passagens bíblicas obscuras e de difícil interpretação, mas dizia que nunca surgiu um ponto obscuro em que, por causa dele, alguém poderia perder a salvação:

“Pois sempre que surge uma pergunta sobre um assunto extraordinariamente obscuro, no qual nenhum auxílio pode ser prestado por claras e certas provas da Sagrada Escritura, a presunção do homem deve conter-se; nem deve tentar qualquer coisa definitiva, inclinando-se para os lados. Mesmo assim, na Sagrada Escritura, que é a mais clara autoridade, nunca surgiu um ponto em que algum homem poderia ser ignorante ao ponto de pôr em risco a salvação que foi prometida a ele[35]

Em outras palavras, a Bíblia é suficientemente clara em todos os pontos necessários para a salvação. Os pontos de difícil interpretação não influenciam na perda da salvação, mas são detalhes que podem ser solucionados através das passagens mais claras sobre o mesmo assunto. Agostinho seguia à risca o lema da Reforma, de que “a Bíblia interpreta a Bíblia”:

“O Espírito Santo dispôs a Escritura Sagrada de uma forma tão magnificente e proveitosa que, por meio das claras passagens, ele sacia a fome, e por meio das passagens obscuras ele evita a aversão. Porque dificilmente alguma coisa provém das passagens obscuras, mas o que é afirmado em outra parte é mais claro[36]

Para ele, as passagens mais claras da Escritura devem servir de intérprete para as passagens mais obscuras:

“Agora, apesar de eu mesmo não ser capaz de refutar os argumentos desses homens, eu ainda vejo o quanto é necessário aderir estreitamente para com as claras afirmações das Escrituras, a fim de que as passagens obscuras possam ser explicadas com a ajuda dessas”[37]

Este foi exatamente o mesmo método aplicado pelos reformados na interpretação da Bíblia. Rejeitando a autoridade de um suposto magistério infalível em Roma – completamente desconhecido por todos os Pais da Igreja – os reformadores insistiram que a Bíblia serve de intérprete para a própria Bíblia, sendo que as passagens mais claras lançam luz às mais obscuras. Isso não é novidade da Reforma, mas é puramente o que já era ensinado por Agostinho, que também mostrava desconhecer a autoridade de um magistério interpretando a Bíblia.

Agostinho também dizia que os sinais comunicados por Deus se encontravam nas Escrituras, naquilo que nos foi legado por escrito:

“É sobre esse tipo de sinais e no que se refere aos homens que determinei examinar e estudar aqui. E por que os sinais nos foram comunicados por Deus, e que se encontram nas santas Escrituras, foram-nos comunicados pelos homens que as escreveram”[38]

Ele sustentava que “caminha-se com muito mais confiança ao seguir as divinas Escrituras”[39], e que “o homem temente a Deus procura diligentemente a vontade divina nas santas Escrituras”[40]. Quando alguém errava, ele mostrava e refutava o erro tendo por base as Escrituras:

“Essa heresia tornou-nos mais vigilantes e diligentes para descobrirmos nas santas Escrituras o que escapou a Ticônio, menos atento, em menos preocupado em saber que a fé é um dom daquele que reparte a cada um segundo a sua medida”[41]

O orador, segundo Agostinho, tinha que ser sempre fiel às palavras da Escritura, e provar o que dizia com citações Escriturísticas:

“É, pois, de toda a necessidade para o orador – que tem o dever de falar com sabedoria, ainda que não consiga fazê-lo com eloquência – ser fiel às palavras das Escrituras (...) Assim, quem era menor por seu próprio vocabulário crescerá pelo testemunho das magníficas palavras das Escrituras. Ele agradará, certamente, ao provar com citações Escriturísticas, já que pode desagradar com suas palavras pessoais”[42]

A verdade era investigada de acordo com as Escrituras:

“Devemos investigar o que é a verdade neste assunto de acordo com as Escrituras”[43]

Qualquer que fosse a teoria apresentada para a origem da alma, tinha que ser confirmada por passagens bíblicas que não admitissem nenhuma outra interpretação. Não há qualquer mínima sugestão de que a tradição bastasse para provar o mesmo:

“Tenho escrito estas coisas a fim de mostrar que quem está disposto a manter e reivindicar qualquer uma destas quatro teorias da origem da alma deve apresentar, a partir das Escrituras recebidas como autoridade eclesiástica, passagens que não admitem qualquer outra interpretação[44]

Quando uma analogia não tinha base bíblica, ele dizia:

“Essa analogia não parece harmonizar para mim suficientemente com a autoridade das declarações das nossas Escrituras”[45]

Para ele, a verdadeira noção de Igreja deveria ser buscada nas Escrituras – exatamente como fizemos no capítulo 2 deste livro:

“Mas também orando por eles, que Deus abra o entendimento deles, e que eles possam compreender as Escrituras. Pois nos livros sagrados, onde o Senhor Jesus é manifesto e onde também a Igreja dele é declarada, eles demonstram extraordinária cegueira, pois não sabem nada sobre o próprio Cristo salvar, o que é revelado nas Escrituras, e com vaidade e falsidade humana formam suas noções da Igreja dele, em vez de aprender o que isso é na autoridade dos livros sagrados[46]

Quando Agostinho analisava um assunto relacionado à fé, ele fazia questão de considerar o assunto a partir daquilo que era possível de se reunir nas Sagradas Escrituras:

“Certamente é muito mais difícil de acreditar que os santos anjos estão agora incertos de sua eterna bem-aventurança, de acordo com o que temos sido capazes de reunir e considerar a partir das Sagradas Escrituras”[47]

Daí vem a sua afirmação no mesmo livro:

“O que afirmamos, vamos provar pelas Escrituras”[48]

E também:

“Nós mesmos também temos falado dessas coisas nos livros anteriores, e temos escrito o que lemos na Sagrada Escritura, e o que podemos razoavelmente deduzir a partir dela”[49]

Outra afirmação mais clara sobre a Bíblia como a fonte de fé dos primeiros cristãos é quando ele diz:

“A Sagrada Escritura que chamamos canônica, Antigo e Novo Testamento, é a fonte da fé pela qual o justo vive”[50]

Ele não diz que a Escritura é uma das fontes, como se existissem outras que dividissem lugar com a Bíblia, mas sim afonte, com artigo definido, no singular. Era a Bíblia, toda a Bíblia e somente a Bíblia a fonte de fé pelo qual o justo vive. Este princípio reformado nada mais era senão um coro com as palavras de Agostinho.

Até quando ele escrevia sobre a trindade, que os romanistas afirmam ter sido “baseada na tradição”, ele dizia que tinha que provar pela Bíblia:

“Antes, porém, temos de demonstrar, de acordo com a autoridade da Sagrada Escritura, que a fé é assim”[51]

Ele ainda dizia que a trindade era “suficientemente demonstrada de acordo com a fé da Sagrada Escritura”[52]. Aquilo que ele não conseguia encontrar nas Escrituras, ele mantinha a prudência e se calava:

“Deus ameaça visitar a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gerações, porque em sua misericórdia, não se estende a Sua ira contra os pecados dos progenitores mais do que isso, para aqueles que não obtêm a graça da regeneração possa ser esmagado sob um fardo pesado demais, se eles forem obrigados a suportar a culpa que tem como origem todos os pecados de todos os seus progenitores desde o início da raça humana, e para pagar a pena que lhes é devida. Ou, se há qualquer outra solução para esta grande questão, não pode ser encontrada na Escritura por uma pesquisa mais diligente e uma interpretação mais cuidadosa, então eu não ouso afirmar precipitadamente[53]

Todas as coisas apresentadas por Agostinho, o manso poderia encontrar nas Escrituras:

“Os mansos, a quem Deus ensina Seus caminhos, vai encontrar todas essas coisas nas Escrituras, e vai acreditar naquilo que vê”[54]

Agostinho também previu que, depois da ascensão de Jesus, a fé estaria preservada em um único lugar: na Bíblia. Ele disse:

“Deveis notar e reter particularmente em vossa memória que Deus quis lançar um firme fundamento nas Escrituras contra erros traiçoeiros, um fundamento contra o qual ninguém, que de algum modo fosse considerado cristão, ousasse falar. Porquanto, quando ele se ofereceu ao povo para que o tocasse, isso não o satisfez, exceto se ele também confirmasse o coração dos crentes com base nas Escrituras, pois ele anteviu que o tempo chegaria em que não haveria coisa alguma a tocar, porém teria alguma coisa a ler[55]

Para os papistas, a fé estaria preservada no que é lido e no que foi pregado oralmente e transmitido adiante. Mas Agostinho ignora por completo qualquer tradição oral supostamente existente e aponta um único lugar como sendo aquele fundamento que permaneceria mesmo depois que já não pudéssemos tocar no Mestre: a Bíblia. Não podemos tocá-Lo mais, mas temos alguma coisa a ler. Temos um “firme fundamento nas Escrituras”. É esta a nossa regra de fé.

A Escritura, para Agostinho, era o “o livro de Deus, carta que nosso Pai celeste nos envia da pátria”[56]. Como ele também expressou em outra ocasião, “a Escritura é a voz do Cristo”[57]. Esta Escritura, por sua vez, não estava confinada a um magistério romano, mas podia ser livremente examinada por todos, como ele disse:

“Portanto, eu tenho nesta carta, que chegou a você, mostrado por passagens da Sagrada Escritura, que você pode examinar por si mesmo, que nossas boas obras e piedosas orações não poderiam existir em nós, a menos que tenhamos recebido tudo a partir dele”[58]

A Escritura podia ser interpretada por todos os que a lessem:

“Daí provém que a divina Escritura, a qual socorre a tão grandes males da vontade humana, tendo sido originada de uma só língua que lhe permitia propagar-se oportunamente pelo orbe da terra, foi divulgada por toda a parte, em diversidade de línguas, conforme os intérpretes. Os que a leem não desejam encontrar nela mais do que o pensamento e a vontade dos que a escreveram e desse modo chegar a conhecer a vontade de Deus, segundo a qual creem que esses homens compuseram”[59]

Ao invés de dizer que “os que leem” devem buscar a interpretação do infalível magistério romano, ele diz que os que leem devem tentar interpretar a Bíblia em conformidade com o sentido expresso pelos homens que a compuseram. Por isso, “quem escruta os divinos oráculos deve esforçar-se por chegar ao pensamento do autor, por cujo intermédio o Espírito Santo redigiu a Escritura”[60].

O princípio seguido e incentivado por Agostinho não era o de ler a Bíblia e consultar a interpretação oficial do papa, mas sim aquele mesmo princípio reformado, onde o leitor deve particularmente orar a Deus para que possa entender as Escrituras:

“Agora, quem é que se submete a divina Escritura, se não aquele que a lê ou ouve piamente, submetendo a ela como de autoridade suprema; de modo que o que ele entende ele não rejeita por causa disso, sentindo que ela seja contrária aos seus pecados, mas ama sendo repreendido por ela, e se alegra de que seus males não são poupados até que sejam curados; e por isso que, mesmo em relação ao que lhe parece obscuro ou absurdo, ele, portanto, não levanta contradições ou controversas, mas ora para que ele possa entender, entretanto lembrando que a boa vontade e reverência há de se manifestar no sentido de uma tão grande autoridade?”[61]

É também importante ressaltar que Agostinho redigiu uma obra inteira destinada às regras de interpretação da Bíblia, conhecida como “A Doutrina Cristã”, dividida em vários volumes. Surpreendentemente, nela não há sequer uma única linha dizendo que a interpretação correta da Bíblia está confiada exclusivamente a um magistério romano. Ao contrário: ele mostra ao leitor como ele deve interpretar particularmente a Bíblia, seguindo as regras e instruções de exegese que ele observou em sua obra:

“Quanto aos princípios que devem ser seguidos na interpretação das Sagradas Escrituras, são demonstrados no livro que eu escrevi, e em todas as introduções aos livros divinos que eu tenho na minha edição prefixado para cada um; basta remeter ao prudente leitor”[62]

Seria realmente de um esquecimento incrível ou de uma soberba enorme se Agostinho tivesse propositalmente ou ocasionalmente deixado de mencionar aquilo que deveria ser o mais importante sobre a interpretação da Bíblia em uma obra sobre a interpretação da Bíblia: que a Bíblia só pode ser corretamente interpretada pelo magistério romano. A razão pela qual Agostinho nunca cita um magistério particular em Roma como autoridade infalível na interpretação das Escrituras, mas transmite regras gerais de exegese para que qualquer leitor possa ler e interpretar a Bíblia, é porque a Igreja primitiva só era Romana na ilusão de mentes presas ao erro, ao sofisma e à mentira.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

-Extraído de meu livro: “Em Defesa da Sola Scriptura”.


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Desvendando a Lenda (Refutando a Imortalidade da Alma)
Ateísmo Refutado (Evidências da existência de Deus e veracidade da Bíblia)





[1]A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 9.
[2]A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 63.
[3]Confissões, Livro VI, 5:2-3.
[4]Do Sermão do Monte, Livro I, 11.
[5]A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 4.
[6]Confissões, Livro XIII, 15.
[7]Letter 40, 3.
[8]Letter 82, 2.
[9]De unitate ecclesiae, 3.
[10]O cuidado devido aos mortos, 2.
[11]De unitate ecclesiae, 3.
[12]Contra Maximino e Ário, II, XIV, 3.
[13]Letter 93, 10.
[14]Letter 93, 10.
[15]Letter 93, 10.
[16]Da graça de Cristo e do pecado original, Livro I, 47.
[17]De unitate ecclesiae, 10.
[18]Do Batismo, Contra os Donatistas, Livro II, 3.
[19] Contra Fausto, Livro XI, 5.
[20] Acts or Disputation Against Fortunatus, 20.
[21]Letter 148, 4.
[22]Contra Fausto, Livro XIII, 5.
[23]Contra Fausto, Livro XXXIII, 9.
[24]A Cidade de Deus, Livro XI, 3.
[25]De Bono Viduitatis, 2.
[26]Contra Litteras Petiliani, Livro III, 6.
[27] On Christian Doctrine (Nova York: Liberal Arts Press, 1958), II:9.
[28]A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 31.
[29]Homília 2 sobre a Primeira Epístola de João, 1.
[30]Agostinho, citado em ARMSTRONG, John H. Sola Scriptura, p. 96.
[31]Letter 21, 6.
[32]A Cidade de Deus, Livro VII, 32.
[33] Of Two Souls, 8.
[34] Letter 137, 1.
[35] On Merit and the Forgiveness of Sins, and the Baptism of Infants, Livro II, 59.
[36]Agostinho, citado em Pieper, Christian Dogmatics, p. 324.
[37] On Merit and the Forgiveness of Sins, and the Baptism of Infants, Livro III, 7.
[38]A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 3.
[39]A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 39.
[40]A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 1.
[41]A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 46.
[42]A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 8.
[43]Letter 34, 5.
[44]Letter 143, 11.
[45]Letter 167, 3.
[46]Letter 185, 1.
[47]A Cidade de Deus, Livro XI, 13.
[48]A Cidade de Deus, Livro XIV, Capítulo 7.
[49]A Cidade de Deus, Livro XV, 1.
[50]A Cidade de Deus, Livro XIX, 18.
[51]Sobre a Trindade, Livro I, 2.
[52]Sobre a Trindade, Livro XII, 5.
[53]Manual de Fé, Esperança e Amor, 47.
[54]Contra Fausto, Livro XII, 30.
[55]In Epistolam Johannis Tractus, 2.
[56]In, Ps 26,II,1.
[57]Os Christi Envangelium est; Sermão 851,1.
[58]Letter 214, 4.
[59]A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 6.
[60]A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 38.
[61]Do Sermão do Monte, Livro I, 11.
[62]Letter 75, 6.

10 comentários:

  1. Ola Lucas, No sei livro 'as provas da existência de Deus' você fala sobre as 122 constantes antrópicas, mas só que você cita apenas apenas 13 constantes, você poderia manda um link de algum site que tenha as 122 constantes antrópicas? (pode ser inglês também).

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    1. Olá, Emerson. O número de 122 constantes antrópicas que você leu no livro está dentro de uma citação de Norman Geisler e Frank Turek do livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu", como eu mostro na página 20 do meu livro (em impresso, correspondente à página 17 da versão em e-book). Embora eles tenham citado o número 122 no livro deles, eles não passam todas as 122 constantes, apenas mencionam o número, mas eles passam outras constantes no livro e argumentam mais extensivamente em torno delas. Se você quiser eu posso enviar por anexo (envie-me um e-mail para lucas_banzoli@yahoo.com.br), vale a pena ler o livro todo.

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    2. Eu tô lendo :) só que eu tô na parte das 122 constantes kkkk, blz vô manda para o email, você tbm pode citar um livro bom de apologia Cristã?

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    3. Já enviei alguns livros por email , confira lá se o email chegou. Eu enviei cinco livros, começa por esses que depois eu envio outros se precisar :)

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  2. Lucas uma crítica construtiva.

    Você está a confundir autoridade «final e suprema» com «única» autoridade. As Escrituras são a autoridade FINAL e SUPREMA mas não a ÚNICA autoridade. Caso contrário você não tinha autoridade para ensinar o que quer que fosse, nem para escrever este livro.

    A Igreja, os concílios, a tradição também têm autoridade de alguma forma, só que esta autoridade está sujeita à autoridade SUPREMA das Escrituras.

    As Escrituras também não são a única regra de fé, mas sim a única regra de fé infalível. Uma confissão de fé feita pela Igreja também é uma regra de fé, cuja autoridade é tanto maior quanto estiver em conformidade com a regra de fé infalível que são as Escrituras como Palavra de Deus.

    As Escrituras, sim, são a única fonte da verdade revelada. :)

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    1. Foi esse mesmo o sentido que eu quis transmitir, de única autoridade suprema. Veja o que eu escrevi numa parte do artigo:

      "...Eles [os concílios] não eram uma autoridade complementar à Bíblia, e sim uma autoridade dependente da Bíblia. Eles não serviam para fundamentar doutrinas fora das Escrituras, como se estivessem no mesmo grau de autoridade que a Bíblia"

      Ou seja, a autoridade do concílio é dependente da sua aproximação com as Escrituras, e não "por si mesmo", como se qualquer coisa que um concílio dissesse fosse verdadeira pela única razão de que o concílio disse. Foi esse o sentido que eu quis transmitir, o mesmo que você expôs.

      Grande abraço.

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  3. Olá, Lucas. Um romanista me mandou essa citação de Agostinho:

    “Mas com relação àquelas observâncias que seguimos cuidadosamente e que o mundo todo mantém, e que não vêm da Escritura, mas da Tradição, é-nos concedido compreender que foi ordenado e recomendado que a guardássemos seja pelos próprios apóstolos, seja pelos Concílios plenários, a autoridade que é tão vital para a Igreja.” (Carta de Agostinho para Januário 54,1,1, 400 D.C)

    O que você tem a dizer?

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    1. Apologista católico é malandro mesmo, os caras cortam a frase descaradamente para não mostrar o que é essa coisa que "não vem da Escritura", pra fazer de conta que Agostinho estivesse falando dos dogmas papistas inventados no segundo milênio...

      É só prosseguir a leitura do texto em questão para ver do que se trata:

      "As to those other things which we hold on the authority, not of Scripture, but of tradition, and which are observed throughout the whole world, it may be understood that they are held as approved and instituted either by the apostles themselves, or by plenary Councils, whose authority in the Church is most useful, e.g. the annual commemoration, by special solemnities, of the Lord's passion, resurrection, and ascension, and of the descent of the Holy Spirit from heaven, and whatever else is in like manner observed by the whole Church wherever it has been established"

      Agostinho está falando de alguma doutrina aqui, que não consta na Bíblia? Claro que não. Ele está falando das COMEMORAÇÕES ANUAIS, ou seja, das SOLENIDADES (festas) que eram celebradas em cada lugar. Isso invalida tanto a Sola Scriptura quanto uma igreja protestante que faça uma festa de ano novo na virada do ano...

      Para ver o conceito de "tradição" nos escritos dos Pais, leia este meu estudo, e se possível o livro todo de onde ele foi extraído:

      http://apologiacrista.com/tradicao-apostolica

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    2. Obrigado pela resposta, Lucas. Quando o romanista mandou isso pra mim, fiquei um pouco mexido, confesso. Ele falou também que Agostinho não defende a Sola Scriptura, mas a Escritura como uma das autoridades, e disse que você (Lucas Banzoli) que estava tirando as várias citações agostinianas de contexto; e me mandou ler Agostinho.

      Infelizmente, como não tenho nenhum livro de Agostinho a não ser as Confissões (que vou começar a ler), não tenho acesso às obras que você usou neste artigo e não pude responder (não leio em inglês, nem em pdf). Espero que as Confissões possam me ajudar nesse quesito. Muito obrigado pela atenção, Banzoli. Deus te abençoe. :D

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    3. Esse clichê do "vá estudar" sem argumentar nada é a coisa mais típica de gente burra que não tem argumentos, até a comunista Luciana Genro diz "vá estudar" para quem ataca o comunismo, mesmo ela sabendo que quem ESTUDA DE VERDADE descobre o óbvio, que ela está errada. O católico típico faz a mesma coisa: manda o protestante estudar a patrística, nós vamos lá e estudamos a patrística (coisa que ele mesmo não fez) e comprovamos que o apologista católico é realmente um mentiroso sem vergonha.

      É por isso que não existe nenhum estudo romanista aprofundado sobre a tradição e as Escrituras nos Pais da Igreja, apenas um montão de textos isolados e recortados que sequer chegam a ser considerados um "estudo", e muito menos constituem um argumento. E quando alguém consulta cada um destes textos, um por um (como eu fiz no livro), descobre que nenhum deles dá qualquer base à tradição romanista.

      Recomendo que além de ler Agostinho dê atenção principalmente aos primeiros Pais da Igreja, os que conviveram mais perto dos apóstolos: Irineu, Policarpo, Clemente, Justino, Taciano, Teófilo, Barnabé, Papias e a Didaquê. Depois de ler estes primeiros Pais vá avançando na história para os Pais subsequentes.

      Abs.

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