16 de fevereiro de 2017

Não, João não escreveu o quarto evangelho

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(O artigo em questão é todo ele pensado e idealizado por Alon Franco, já conhecido por quem segue este blog há algum tempo, e a mim coube apenas redigir o texto com a minha forma argumentativa e desenvolver os argumentos com base nas pesquisas dele)

Por muito tempo, desde o final do século II até o tempo presente, tem-se crido piamente que João é o autor do quarto evangelho, de acordo com a tradição que o aponta como o autor do livro. Muitos, sem qualquer senso crítico ou pesquisa prévia, tomam isso como verdade absoluta pelo simples fato de terem sido ensinados assim a vida inteira, ainda que sem qualquer base objetiva que fundamente essa visão. Neste artigo mostrarei que não apenas a Bíblia se silencia em relação a João ser o autor do quarto evangelho (o que já é conhecido por todos), mas principalmente que ela nos passa indícios objetivos de que João não pode ter sido o autor.

A primeira observação que nos leva a isso vem do fato de o discípulo amado, que se declara como o autor do quarto evangelho (Jo.21:24), ser conhecido do sumo sacerdote, o que lhe permitiu entrar na casa do mesmo, enquanto Pedro ficou de fora:

“Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta” (João 18:15-16)

Para entendermos como isso torna altamente improvável que João fosse o discípulo em questão, temos que entender duas coisas. Primeiro, que o sumo sacerdote não era uma pessoa qualquer. Ele era nada a mais e nada a menos que a maior autoridade de todos os judeus, o sucessor de Arão, aquele ao qual todos os judeus prestavam toda reverência e se submetiam à sua autoridade. Ele era a autoridade máxima do Judaísmo, mais ou menos aquilo que o papa é para o catolicismo romano nos dias de hoje, ou o que o Dalai Lama é para os budistas tibetanos, ou o que o califa era para os muçulmanos, e assim por diante.

Tal como seria difícil um católico nos dias de hoje ser amigo do papa Francisco (mesmo com toda a tecnologia e globalização), ainda mais difícil seria ser amigo do sumo sacerdote numa época em que a única forma de se manter um relacionamento era pessoalmente, e o sumo sacerdote era cercado pelas maiores e mais respeitadas autoridades de Israel. Poucos eram os que tinham o privilégio de serem amigos do sumo sacerdote ou conhecidos a nome por ele, ao ponto do mesmo deixa-lo entrar em sua casa. Mas o discípulo amado conseguiu.

E aqui entra o segundo ponto: João praticamente não tinha chance nenhuma de ser tão próximo do sumo sacerdote como o texto pressupõe ser. Em primeiro lugar, porque ele era apenas um mero adolescente naquela ocasião. A tradição cristã sempre o considerou o discípulo mais jovem de Jesus, e os sites católicos, embora não encontrem um consenso, costumam considerar seu nascimento entre 6 e 15 d.C. Levando em consideração que Jesus nasceu em algum momento entre os anos 7 e 4 a.C, João teria entre 12 (data mais baixa) e 24 anos (data mais alta), de acordo com a própria tradição católica. Tirando a média, ficaria em torno dos 18 anos. Mas é altamente provável que a data real tenha sido ainda menor, o que pode ser comprovado pela leitura do meu artigo sobre a idade dos apóstolos, onde provo que todos os doze apóstolos (exceto Pedro) tinham menos de 21 anos, e que João, o menor deles, provavelmente não passava dos quinze:

A Idade dos Discípulos (clique para ler)

O Alon também escreveu um artigo mais aprofundado a respeito:

A Idade de João no Exílio (clique para ler)

Em uma época em que quase ninguém passava dos 70 anos, e na qual a expectativa de vida era muito abaixo da atual (não há qualquer registro antigo de alguém vivendo mais de noventa anos), um discípulo que morreu em 100 d.C tinha que ser muito jovem em 27-30 d.C, data estimada da morte de Jesus. E se quinze anos é a idade que João tinha quando Jesus morreu, a idade que ele tinha quando foi chamado por ele era doze. Depois disso ele passou a seguir o Mestre por onde ele andava, o qual raramente vinha a Jerusalém, mas situava seu ministério nas regiões mais afastadas de Israel, como na Galileia e em Cafarnaum (veja Mt.4:12-13).

Ou seja: neste período, João não tinha a menor chance de conhecer o sumo sacerdote e se tornar seu amigo, uma vez que João percorria as regiões mais afastadas de Israel junto a Cristo e seus discípulos, e o sumo sacerdote permanecia fixo em Jerusalém. Portanto, se João era mesmo amigo do sumo sacerdote, ele teria que ter construído essa amizade antes de seguir a Cristo, ou seja, quando ele ainda tinha por volta de doze anos! João era tão adolescente que, mesmo depois de seguir Jesus, ainda andava acompanhado pela sua mãe pra lá e pra cá (Mt.20:20), enquanto Pedro já tinha esposa (Mt.8:14). Seria cômico e altissimamente improvável que a maior autoridade de todo Israel, ocupada e cercada pelos mais altos líderes entre os judeus e os romanos, a qual nem o judeu comum tinha acesso, fosse amigo de um menino de doze anos!

A coisa piora ainda mais quando observamos que este garoto de apenas doze anos era somente um mero pescador sem instrução (Mt.4:21), e ainda na Galileia (Mt.4:18), região muito afastada de Jerusalém, onde residia o sumo sacerdote. Sejamos honestos: qual é a chance de a maior autoridade entre todos os judeus ser amigo de um adolescente de aproximadamente doze anos, o qual era apenas um pescador sem instrução cuja atividade era seguir seu pai e seu irmão na pesca, em uma região bastante afastada de onde residia o sumo sacerdote, e em uma época em que não havia telefone, internet, nem carro ou avião? A resposta é óbvia: nenhuma!

Isso, por si só, já deveria ser o suficiente para provar que João não pode ter sido o discípulo amado. Mas as evidências não terminam por aqui, é apenas o começo. No mesmo relato onde é dito que o discípulo amado entrou na casa do sumo sacerdote por ser conhecido dele, é dito algo totalmente diferente com relação a outro discípulo, Pedro:

“Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar. Ela então perguntou a Pedro: ‘Você não é um dos discípulos desse homem?’ Ele respondeu: ‘Não sou’” (João 18:15-17)

Não vou passar toda a continuação do texto aqui, porque já é conhecido por todos: Pedro se amedronta, tem medo de morrer e nega a Jesus três vezes. Mas note o mais interessante: enquanto Pedro estava acovardado e amedrontado, o tal do discípulo amado estava entrando numa boa na casa do seu amigo, o sumo sacerdote! Note que esse discípulo amado não parecia com medo, nem estava acovardado, não tinha receios nem pavor. Ele simplesmente entrou na casa do sumo sacerdote, como quem já lhe fosse familiar. Para a tradição, esse discípulo era João, alguém muito próximo a Pedro.

É difícil acreditar que, de dois discípulos muito próximos a Jesus e próximos entre si, um fosse tão familiar ao sumo sacerdote, estivesse tão destemido e numa boa, enquanto o outro, que em teoria deveria estar em condição semelhante, estava completamente aterrorizado. Se um discípulo de Jesus conseguiu entrar tão facilmente na casa do sumo sacerdote com livre acesso e sem risco de morte, por que Pedro iria se apavorar tanto pela sua própria vida? Lembre-se que, se o discípulo amado for João, já seria conhecido por todos o fato de ele ser discípulo de Jesus da mesma forma que Pedro, de modo que o simples fato de ser discípulo dele não seria um impedimento a entrar na casa, já que João teria conseguido. Então, por que Pedro não entrou?

Há ainda um detalhe que geralmente passa despercebido pela maioria dos teólogos, que está em Atos 5. Logo depois da ascensão de Jesus, os apóstolos passam a pregar no templo de Jerusalém. Então é dito que:

“...o sumo sacerdote e todos os seus companheiros, membros do partido dos saduceus, ficaram cheios de inveja. Por isso, mandaram prender os apóstolos, colocando-os numa prisão pública” (Atos 5:17-18)

Note que todos os doze apóstolos (agora com Matias no lugar de Judas) foram presos. Isso inclui João, o “discípulo amado” segundo a tradição. O que aconteceu depois? O texto diz que o sumo sacerdote e os demais líderes religiosos dos judeus “ficaram furiosos e queriam matá-los” (v.33). Sim, isso mesmo: o “amigão” do discípulo amado, que há apenas um mês atrás o deixava entrar numa boa em sua própria residência (mesmo já sabendo que seguia Jesus), agora já estava querendo matá-lo!

É essa a conclusão que tiramos segundo a tradição: na Páscoa o sumo sacerdote não vê problema nenhum em João ser discípulo de Jesus, o permite entrar em sua casa, não há qualquer ameaça de morte ou transtorno nisso, e de repente, apenas um mês depois, o simples fato de pregar o evangelho já era o suficiente para ele mudar tão radicalmente de opinião ao ponto de querer assassiná-lo, o que só não ocorreu por causa da intervenção de Gamaliel (vs.34-40)! Parece que a amizade entre o sumo sacerdote e o pescador adolescente da Galileia foi pro brejo...

Mais impressionante ainda que isso é quando Jesus disse claramente que TODOS os doze discípulos o abandonariam:

“Disse-lhes Jesus: Vocês todos me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas’” (Marcos 14:27)

E, aqui, o “todos” não é mera hipérbole ou força de expressão, mas algo tão literal que o evangelho sinóptico de Mateus também faz questão de acentuar o “todos”:

“Então Jesus lhes disse: Ainda esta noite todos vocês me abandonarão. Pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas’” (Mateus 26:31)

Jesus foi suficientemente claro: TODOS os doze discípulos o abandonariam! Contudo, segundo a tradição, o discípulo amado que se manteve fiel a Jesus e o seguiu até a casa do sumo sacerdote, e depois até o pé da cruz, foi João, um dos doze que Jesus disse que o abandonariam! Se João se manteve fiel a Jesus até o fim, então a palavra do Mestre de que todos os doze o abandonariam teria caído por terra. Portanto, o discípulo amado não pode ser João.

Para terminar, o mesmo argumento em relação à idade de João pode ser usado novamente quanto ao texto em que o discípulo amado aparece ao pé da cruz, e Jesus lhe entrega sua mãe aos seus cuidados:

“Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: ‘Aí está o seu filho’, e ao discípulo: ‘Aí está a sua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (João 19:26-27)

Vamos retomar o ponto: João, a esta altura, tinha em torno de quinze anos, dificilmente mais do que isso, e impossível que tivesse mais que 20 anos (eu abordo isso detalhadamente neste artigo, e o Alon neste artigo). Jesus só pagou o imposto do templo a ele mesmo e a Pedro (Mt.17:24-27). A razão pela qual ele não pagou pelos outros discípulos é porque tal imposto só era cobrado de quem tinha mais que vinte anos (Êx.30.11-16,38; 25-26). Por implicação lógica, todos os outros discípulos tinham menos de vinte. E João era o mais novo deles, o que implica que provavelmente tinha bem menos que vinte. E, segundo a tradição, foi a esse adolescente que Jesus entregou sua mãe!

Pela tradição judaica, era costume que, na morte do marido, os filhos ou os parentes cuidassem da viúva. Para os católicos, Jesus não quis entregar sua mãe aos seus irmãos, porque estes não existiam. Também não quis entregar aos seus “primos”, que nos evangelhos andavam com ela pra cima e pra baixo (Mc.3:31; Jo.2:12; Mt.12:46; Lc.8:19; Mc.3:31; At.1:14). Também não quis entregar a ninguém com mais experiência ou maturidade. Não: em vez disso, a entregou aos cuidados de um adolescente!

Mas o lado cômico não termina por aí: não bastasse Jesus ter escolhido um garoto para cuidar de uma senhora (sozinho, diga-se de passagem), ainda foi escolher um apóstolo que tinha a incumbência de percorrer o mundo inteiro para pregar o evangelho a toda criatura como um missionário itinerante (Mc.16:15), o qual tinha a promessa de passar por várias e severas perseguições por toda a parte (Mt.24:9), sem sequer ter residência certa (1Co.4:11)! Em vez de escolher um irmão ou primo, ou qualquer pessoa com mais experiência ou maturidade, foi escolher justamente um adolescente que teria que andar pelo mundo todo anunciando o evangelho e que seria perseguido em todo lugar! Você entregaria a sua mãe a alguém nestas condições? Para a tradição, Jesus fez exatamente isso!

Mas a coisa piora quando passamos a Atos e às epístolas, e não vemos João com Maria em parte nenhuma! Embora o texto tenha sido claro o suficiente ao dizer que daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa” (Jo.19:27) – e não que a levou para casa anos mais tarde –, não há qualquer registro, seja bíblico ou histórico, de João levando sua “nova mãe” Maria a algum lugar, ou dela sendo acompanhada por ele. Na única ocasião em que os dois são mencionados juntos, é dito expressamente que Maria estava com os irmãos de Jesus, e não acompanhada por João:

“Quando chegaram, subiram ao aposento onde estavam hospedados. Achavam-se presentes Pedro, João, Tiago e André; Filipe, Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos eles se reuniam sempre em oração, com as mulheres, inclusive Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos de Jesus (Atos 1:13-14)

João é mencionado junto com os outros apóstolos, mas não aparece associado pessoalmente a Maria. Quando ela é mencionada, é associada aos irmãos de Jesus, seus filhos (de acordo com a Bíblia) ou “primos” (de acordo com a tradição romanista). E como se isso não fosse o bastante, João sai para viagens missionárias sem levar Maria, a qual deveria estar sob seus cuidados desde aquele dia na cruz:

“Os apóstolos em Jerusalém, ouvindo que Samaria havia aceitado a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João (Atos 8:14)

Note que João não foi acompanhado de Maria, mas apenas na companhia de Pedro. E ele não voltou de lá com Maria, mas apenas com Pedro:

“Tendo testemunhado e proclamado a palavra do Senhor, Pedro e João voltaram a Jerusalém, pregando o evangelho em muitos povoados samaritanos” (Atos 8:25)

Embora o texto “joanino” seja claro ao dizer que “daquela hora em diante, o discípulo a levou para casa (Jo.19:27), não parece que João ficou em casa (Jerusalém?) com Maria, mas, pelo registros de Atos, ele passou o tempo viajando de cidade em cidade como missionário, tal como os outros apóstolos, todos eles com a incumbência de pregar a todos os povos, em vez de ficar em uma única cidade, dentro de casa, cuidado de alguma pessoa.

E naquela época, sem carro ou avião, essas viagens levavam meses e meses para ir e voltar, não eram como as viagens de hoje, que você pode pegar um avião e voltar no mesmo fim de semana. Ou seja, sendo João um missionário, Maria ficaria meses sem a sua companhia, abandonada em casa enquanto o mesmo viajava, o que não apenas confronta a clareza do texto bíblico (Jo.19:27), mas também o próprio bom senso do Mestre que, sabendo que João levaria uma vida assim, daria sua mãe aos cuidados de alguém que estivesse mais apto a essa função.

Da onde, então, surgiu a lenda de que João foi o autor do quarto evangelho? O primeiro a afirmar isso foi Irineu de Lyon, já no final do século II, o qual não conviveu pessoalmente com apóstolo nenhum. Esse é o mesmo Pai da Igreja que também afirmou, “segundo a tradição”, que Jesus morreu na faixa dos 50 anos, quando qualquer criança que faça catequese ou escolinha dominical nos dias de hoje sabe que ele morreu aos 33. Os Pais que escreveram antes dele não taxavam João como o autor, mas apenas faziam referência ao fato de existirem quatro evangelhos. E, infelizmente, os Pais que vieram depois seguiram o conto de Irineu e o transmitiram adiante, e com o tempo foi ganhando o status de tradição, como se isso fosse algo certo ou concreto.

Muito mais poderia ser dito, mas, por hora, concluirei por aqui. O que foi apresentado já é mais que o suficiente para mostrar o quanto a tradição definitivamente não é confiável, mesmo quando ela aparenta ser bem antiga. Se uma tradição que provém do século II e que foi crida por todo mundo depois disso ainda assim errou de forma tão manifesta, imagine o que não erram as tradições romanistas que provém de muitos séculos mais tarde e sem nenhuma unanimidade, de onde eles fundamentam suas doutrinas e dogmas antibíblicos! É o bom senso e a lógica que nos leva a nos afastar do que é afirmado sem qualquer base bíblica, e ainda mais daquilo que é afirmado contra a autoridade das Escrituras, como é o caso aqui explanado.

Não, não vou dizer ainda quem é esse discípulo amado. O Alon e eu temos um palpite muito bom, e talvez alguns que leram este artigo com um raciocínio mais apurado já devem ter decifrado. Mas eu ainda escreverei um artigo em complemento a este, não mais para provar que não foi João (o que já foi refutado), mas para mostrar as evidências de quem é. E não, não é Lázaro... 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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116 comentários:

  1. Boa noite Lucas.

    O artigo é interessante, traz algo novo e supereendente.

    Agora, pra mim, o argumento de João ser um apóstolo intinerario implica em ele não poder ser quem cuida de Maria e as referências dizer que ele e Pedro foram e voltaram indica que ele não cuidava de Maria e nesse sentido ela não ficou aos seus cuidados. Não podemos deduzir com isso tbm, que Pedro não era casado?

    O que vc me diz?

    Ainda vou ler este artigo com mais calma, apenas dei uma lida rapidamente. Confesso que ele é muito interessante

    Grande abraço irmão!

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    1. Olá, Neilom, a paz. O caso de Pedro é diferente, porque Paulo diz em 1 Coríntios 9:5 que ele e os demais apóstolos levavam a esposa junto em suas viagens:

      "Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Pedro?" (1 Coríntios 9:5)

      Por outro lado, não há nada que indique que João levava Maria junto consigo para onde ele ia (como eu mostrei no artigo), ao contrário, há alusões claras de que ele saiu acompanhado apenas de Pedro, ao menos no episódio de Atos 8. E também não há nenhuma evidência de que Maria tenha morado em Éfeso com João, como alegam os católicos, ao contrário, há inclusive indícios de que ela tenha morrido em Jerusalém e que nunca pisou os pés em Éfeso.

      Abs!

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  2. Olá Lucas
    Muito interessante o artigo, também vou relê-lo com mais calma.
    Mas te pergunto: e as três epístolas e o apocalipse? Trata-se do mesmo João do Evangelho?
    Obrigado Amigo.

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    1. O Apocalipse foi escrito por João mesmo, quanto a isso quase não há discussão, mas as epístolas alguns discutem mais porque João ali se identifica como um "presbítero" e não como "apóstolo", então alguns entendem que existia um João presbítero diferente do apóstolo João. Mas eu não entendo desta forma, porque na Igreja primitiva os apóstolos também eram presbíteros, o próprio Pedro se coloca como presbítero (1Pe.5:1), e naquela época os termos "pastor", "presbítero" e "bispo" eram a mesma coisa, e os apóstolos eram tudo isso (mais tarde foram ganhando sentidos diferentes, de modo que o bispo se tornou maior que o pastor, e o pastor maior que o presbítero, etc). Portanto na minha visão o presbítero João que escreveu as três espístolas era o próprio apóstolo, mas quanto a isso também estou aberto a novas evidências que possam levar a outras conclusões. Abs.

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    2. "O Apocalipse foi escrito por João mesmo, quanto a isso quase não há discussão"

      Com base em quê? E com base em que, além ou antes de Papias, você afirma que os outros autores dos outros evagelhos são quem você diz que são? Não existe evidência de João ser autor do Evangelho, e também não existem evidências dos outros evangelhos serem de quem pensamos: só existem tradições a respeito disso. Veja, por exemplo, que muitas cartas atribuídas a Paulo (inclusive Hebreus), hoje em dia há um consenso acadêmico que não são dele.

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    3. "E com base em que, além ou antes de Papias, VOCÊ AFIRMA que os outros autores dos outros evagelhos são quem você diz que são?"

      E quando foi que eu afirmei isso? A pergunta foi sobre as cartas de João e não sobre os outros evangelhos, não sei de onde você leu isso. É claro a autoria dos outros três evangelhos também é questionável, embora nestes casos não se haja evidência positiva de que eles não sejam os autores, como se há a respeito de João não ser o autor do quarto evangelho.

      "Não existe evidência de João ser autor do Evangelho, e também não existem evidências dos outros evangelhos serem de quem pensamos: só existem tradições a respeito disso"

      E onde neste texto eu neguei isso???

      "Veja, por exemplo, que muitas cartas atribuídas a Paulo (inclusive Hebreus), hoje em dia há um consenso acadêmico que não são dele"

      "Consenso acadêmico"? É sério que eu li isso? Ou você só lê teólogos liberais, ou não faz a mínima ideia do que está falando, leu meia dúzia de livros e já acha que existe um "consenso acadêmico"(?) em torno dessa questão. NINGUÉM nos círculos acadêmicos diria uma coisa dessas, só quem diz isso são leigos desinformados doutrinados por vídeos tendenciosos de youtube de Fábio Sabino e cia, e aí pensam que já sabem tudo de teologia.

      E Hebreus é atribuída a Paulo desde quando? Desde a Igreja primitiva se havia dúvidas a respeito. Ninguém nunca bateu o martelo em torno dessa questão. As outras são de Paulo sim, foram assinadas por ele, e assim a Igreja sempre entendeu desde o início. É um caso totalmente diferente de cartas sem asinatura, cuja autoria é discutível.

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  3. Lucas, aqui é o Alon. Observe a reação do sumo sacerdote - amigo do discípulo amado - diante de João. Está em Atos 4:1-27:

    João e Pedro foram presos


    1 E, ESTANDO eles falando ao povo, sobrevieram os sacerdotes, e o capitão do templo, e os saduceus,

    2 Doendo-se muito de que ensinassem o povo, e anunciassem em Jesus a ressurreição dentre os mortos.

    3 E lançaram mão deles, e os encerraram na prisão até ao dia seguinte, pois já era tarde.

    4 Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil.

    5 E aconteceu, no dia seguinte, reunirem-se em Jerusalém os seus principais, os anciãos, os escribas,

    6 E Anás, o sumo sacerdote, e Caifás, e João, e Alexandre, e todos quantos havia da linhagem do sumo sacerdote.

    Olha o amigo de João aí: O sumo sacerdote

    7 E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?

    8 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Principais do povo, e vós, anciãos de Israel,

    9 Visto que hoje somos interrogados acerca do benefício feito a um homem enfermo, e do modo como foi curado,

    10 Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós.

    11 Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.

    12 E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

    13 Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.

    Parece que ele não conhecia João!

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    1. Perfeito! O verso 13 não deixa chances para dúvidas: o sumo sacerdote não conhecia nem Pedro, nem João. Precisou se informar acerca deles, pelo simples fato de que não os conhecia. Fatality!

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  4. Banzoli seu vacilão, deixou a gente na espectativa de saber quem é o escritor do quarto evangelho huahuahua

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  5. LUCAS DE SUA OPINIAO UMA MULHER CASADA QUE NAO QUER SE SEPARAR DO MARIDO MAIS QUER DAR UM TEMPO MAIS O MARIDO ORA CONSTANTEMENTE A DEUS PARA QUE ELE MUDE O CORAÇAO DA ESPOSA PARA ENTAO RESTAURAR A RELAÇAO NOVAMENTE DE AMBOS DEUS PODE TRANSFORMAR O CORAÇAO DA ESPOSA E FAZE-LA VOLTAR PARA O MARIDO VOCE CONHECE ALGUM TESTEMUNHO.ABS!

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    1. Deus pode fazer sim, e isso acontece muito. Mas creio que isso não é sempre apenas uma questão de oração. É difícil uma das partes (seja a esposa ou o marido) se cansar do casamento do nada, sem motivo algum. Em um relacionamento, isso só costuma acontecer quando alguém falha com a outra pessoa, ou não passa confiança, ou quando não passa carinho e afeto suficiente, ou quando briga muito, é muito cuimento, e por aí vai. E essas coisas, às vezes desvios de caráter e às vezes fruto de desatenção ou inexperiência, acabam levando a um desgaste na relação que no final gera o "tempo" ou o término em si. Portanto o melhor passo, além da oração, é investigar, refletir e tentar compreender onde foi que falhou, e então fazer de tudo para consertar essa brecha, e assim salvar o relacionamento. Abs!

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  6. Banzoli, João não podia estar ao pé da Cruz depois de fugir da confusão no jardim do Getsêmani.

    " Feriram o pastor e as ovelhas dispersam." Lembra disso?

    "Então Jesus lhes revelou: “AINDA ESTA noite, todos vós me abandonareis. Pois assim está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão afugentadas’. Mateus 26:31.

    Todos correram quando Jesus foi preso, com exceção de ninguém:

    Marcos 14:50: "Então, deixando-o, TODOS fugiram."

    Mateus 26:56 "Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, TODOS OS DISCÍPULOS , deixando-o, fugiram."

    Para piorar a situação até os profetas vaticinaram sobre a fuga dos DOZE!

    O único a se meter a valente foi Pedro, e quase vai em cana. Seguiu Jesus até dentro do lugar onde ele estava sendo julgado, e se deu mal. Dali ele se mandou. Imagina como estava a situação para todos eles. Estava feíssima, tanto para Jesus como para os discípulos. Veja quem chega no Getsêmani - não foram apenas os soldados enviados pelas autoridades judaicas, mas também "grande multidão com espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo", Mateus 26:47.

    O que? Enviada por quem? Pelo amigo do discípulo amado?

    Não pode ser João. Não acredito que depois disso Ele ainda teve liberdade para estar exatamente ao pé da Cruz.

    Parece que até o dia da ressurreição eles se mantiveram escondidos com medo dos judeus.

    João 20:19, "Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado..."

    "Se tinham ajuntado", ou, "haviam se ajuntado". Os verbos indicam uma ação que teve início em dias anteriores ao do relato aqui exposto. Eles não se ajuntaram no primeiro dia da semana, mas antes. Eu acredito que se trancaram ali quando fugiram do Getsêmani.

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  7. Agora veja isso. Você também, Neilom

    Depois que os discípulos fugiram ouvimos apenas de Pedro - por Mateus - indo até onde Jesus estava :

    "E os que prenderam a Jesus o conduziram à casa do sumo sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.

    E Pedro o seguiu de longe, até ao pátio do sumo sacerdote e, entrando, assentou-se entre os criados, para ver o fim", Mateus 26:57,58.


    Veja o que acontece depois do Getsêmani nas palavras de João. Aqui o discípulo amado segue Pedro: "Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.

    E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

    Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.

    E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote.

    E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira, levando Pedro para dentro", João 18:12-16.

    A criada e os outros interrogam Pedro e não interrogam o discípulo amado por que?

    A porteira que deixou Pedro entrar a pedido do discípulo amado também questiona Pedro: "E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então (o discípulo já estava lá dentro) o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira. Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou", João 18:16,17.

    Por que ela não questionou o discípulo amado também?

    A criada de novo: "E a criada, vendo-o outra vez, começou a dizer aos que ali estavam: Este é um dos tais", Marcos 24:69.

    Essa aqui é barra pesada: Esse viu Pedro no jardim do Getsêmani: "Não te vi eu no horto com ele?" João 18:26. E o discípulo amado ele não viu né? Nenhum deles interrogou João? Ou não era João?

    Se você ler os quatro relatos da traição vais perceber facilmente que muitos dos que foram ao jardim com os soldados atrás de Jesus estavam ali na casa do sumo sacerdote, eram os "servos dos judeus".

    Não faz sentido nenhum crermos que depois que TODOS OS DISCÍPULOS fugiram João tomou o rumo da casa do sumo sacerdote com Pedro.

    O discipulo amado não é João!










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  8. Mateus(levi)seria esse o discípulo amado???

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    1. Nop. O discípulo amado não era um dos doze.

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    2. Vai demorar muito pra falar quem é?

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    3. Não, dentro de uma semana eu falo.

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    4. Eu entendo que esse discipulo amado fosse Nicodemos, principe dos judeus, um homem sábio e respeitado pelos seus.

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  9. Primeiramente, não é uma pseudo-refutação ao seu artigo.
    Parece interessante, porém que eu saiba, ele apareceu na Santa Ceia:

    "Ora, achava-se reclinado sobre o peito de Jesus um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava”. (João 13, 23 – Bíblia Almeida)

    E apenas os 12 Apóstolos estavam lá (me corrija se eu estiver errado)
    Então seria um deles? Enquanto a outra parte DO seu artigo não vier, eu continuo com João mesmo!
    Paz Lucas!

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    1. Não era um dos doze, essa questão da Ceia será debatida no próximo artigo. Abs!

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    2. Anônimo, vou apenas terminar a parte que postei acima com algumas perguntas: Se os Evangelhos dizem claramente que todos os discípulos fugiram na ocasião do aprisionamento de Jesus no Getsêmani - com exceção de Pedro, que fugiu logo depois ( Observe que Jesus pede aos soldados: "se é a mim que vocês procuram, deixai ESTES ir") como poderíamos localizar João - tradicionalmente conhecido como o discípulo amado - posteriormente ao pé da Cruz diante de soldados romanos e furiosos judeus – um momento tão crucial e perigoso para eles?

      Por que os criados de Caifas e outros ao redor importunaram Pedro - ocasião em que negou Jesus - mas não importunaram João (?), o discípulo amado (?) e conhecido do sumo sacerdote?

      Agora vamos para ceia. Alguém preparou a ceia, e com certeza não foi João e nem mesmo Pedro. Outra coisa: a ceia foi preparada na casa de pessoas que moravam em Jerusalém. E mais uma: Não sei se é de vosso conhecimento, mas todo ano a família do Senhor Jesus subia a Jerusalém para comemorar a festa da páscoa. Veja:

      Lucas 2:41,42 Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.

      Jesus, já adulto, estava em Jerusalém numa ocasião pascal. É o que diz João 2:23, “E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.”

      Os Galileus iam sempre as festas. João 4:45, “Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.”

      Jesus sobe a Jerusalém em outra festa. João 5:1, “DEPOIS disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.”

      Isso significa o que? Significa que toda a família estava em Jerusalém na ocasião imediatamente anterior à crucificação, seus irmãos, mãe e irmãs, que sem dúvida estavam também presentes no momento da crucificação. “E TODOS OS SEUS CONHECIDOS, e as mulheres que juntamente o haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe vendo estas coisas”, Lucas 23:49.

      Essa gente toda ficou na casa de quem antes da crucificação? Na mesma casa onde prepararam a ceia pascal?

      Suas irmãs e irmãos, que certamente sempre se faziam presentes em Jerusalém para as páscoas de todos os anos, não estavam no momento da crucificação por quê? Não sei se vossa pessoa sabe, mas alguns membros da família do “malfeitor” executado eram obrigados a ficar ao pé da cruz - tem gente que pensa que eles ficaram ali porque queriam.

      Outra coisa; para quem Jesus poderia dizer lá do alto da cruz: “Eis aí sua mãe?”

      Eu estou apenas resumindo. E lhe digo com certeza: Não havia apenas os doze naquela casa com Jesus no momento da ceia. É inadmissível conceber a ideia de que o filho mais velho tomasse a ceia separado da família. Além disso, o lugar ao lado do convidado de honra (o convidado era Jesus) deveria ser ocupado pelo dono da casa. Estar debruçado sobre o peito de Jesus significava estar inclinado do seu lado, nada mais. Eles não estavam numa mesa com cadeiras, mas diante de uma mesa baixa, de forma oval. Eles se deitavam e apoiavam-se nos cotovelos - esquerdo ou direito - e comiam com a mão que ficava livre. O resto é tradição.

      O discípulo amado não era João!

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  10. Oi Lucas.
    A assunção (ou dormição) de Maria não deixaria João livre para ser missionário?
    Grato.

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    1. Sim, mas só depois que Maria morresse, o que não parece ter ocorrido tão cedo. Atos, por exemplo, livro que narra os acontecimentos da igreja primitiva até o ano de 62 d.C, só registra a morte do Estêvão e de Tiago. Se Maria tivesse morrido também em algum momento antes de 62 d.C, sendo ela uma figura importante por ter sido a mãe de Jesus, seria provável que sua morte (ou assunção, como querem os católicos) fosse mencionada, mas não foi. E por mais que se argumente que a segunda metade do livro pra frente seja apenas a narrativa das "aventuras do Apóstolo Paulo", a primeira metade do livro faz uma narrativa geral do início da igreja até o final da década de 40 d.C, citando diversos personagens diferentes, e novamente a morte de Maria não é citada, o que implica que deve ter falecido depois disso.

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  11. Você sugere que quem escreveu o evangelho seja José de Arimateia por ser uma autoridade do Sinédrio?

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    1. Escreverei sobre as possibilidades e hipóteses da autoria do quarto evangelho, incluindo a minha preferência pessoal, no próximo artigo (não posso antecipar ainda). Abs.

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    2. ... E Jesus disse para José de Arimatéa: "Eis aí tua mãe" kkkkkkkkkkkkkkkk

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    3. Eu tava apostando ser José de Arimateia, mas depois desse comentário do AL Franco, de fato, não faz nenhum sentido ser ele

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  12. Olá Alon( quanto tempo), um grande abraço irmão.
    Lucas, um grande abraço pra vc tbm.

    Pra mim, toda construção exegética construída em cima de João 18:15-16, não se trata de João e "talvez" se trate de José ou Nicodemos(Jo 19.38,39).Pra mim, o discípulo amado, é João e este o autor do evangelho que sempre se referia a ele, na terceira pessoa(13.23;19.26;21.7,30), que fazia parte dos sete discípulos aos quais pela terceira vez, Jesus se manifestava. Jo 21.1-7. Depois chega o restante de seus discípulos Jo 21.8-14. E por fim, se pra mim, o discípulo amado é João, este prova a autoria deste evangelho 21.20-24.


    Grande Abraço!

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    1. Seu texto parece contraditório, ou pelo menos mal escrito, porque a primeira parte dá a entender que não se trata de João por causa de Jo.18:15-16, e depois diz que se trata de João sim. Eu não entendi o seu ponto. Nenhum dos textos que você citou diz que o discípulo amado era João, Jo.13:23 não diz que era João; Jo.19:26 não diz que era João, Jo.21:7,30 não diz que era João, Jo.21:1-7 não diz que era João, Jo.21:8-14 não diz que era João, Jo.21:20-24 não diz que era João. Você simplesmente citou todos os textos bíblicos que falam do "discípulo amado", sem provar que eles se aplicam a João.

      Em relação ao argumento dos "sete discípulos", que você citou aqui e no comentário abaixo, não diz que todos os sete eram dos doze, na verdade apenas cita seis dos apóstolos e então diz "outros dois discípulos" (sem mencionar nomes), o discípulo amado poderia perfeitamente bem ser um desses outros dois, da mesma forma que poderia ser um dos filhos de Zebedeu como você crê, esse texto por si só não prova coisa alguma. E de fato várias outras pessoas são chamadas de "discípulos" de Jesus mesmo sem fazer parte do grupo dos doze, veja por exemplo: Mateus 27:57; João 19:38; Lucas 23:50; Lucas 24:13, etc. Além de também existirem apóstolos além dos doze, por exemplo: Romanos 16:7; Gálatas 1:19; Atos 14:14; 1 Tessalonicenses 2:6, etc. Eu particularmente não vejo nada que implique que os outros dois discípulos ali mencionados tivessem que ser NECESSARIAMENTE parte dos doze.

      E o argumento de João 18:15-16 nestá muito longe de ser o único contra a autoria joanina do quarto evangelho, basta ler este artigo com atenção e ainda os comentários do Alon abaixo que qualquer um poderá constatar uma série de outros argumentos que vão muito além deste texto aí (que, por si só, já seria o suficiente para descartar João como o autor do livro em questão). O problema é que é difícil tirar da cabeça das pessoas um conceito que elas aprenderam a vida inteira como sendo o certo e o verdadeiro, é assim com qualquer doutrina ou ensino, de modo que mesmo quando mostramos evidências suficientes que em qualquer outra circunstância seria mais do que o bastante para se provar algum ponto, as pessoas insistem em não querer aceitar pelo simples fato de que isso confronta o que elas aprenderam desde sempre.

      Abs!

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    2. Eu confesso que o texto foi mau escrito. De fato quem ler, vai ficar confuso.

      Sobre o texto de João 18:15-16, no meu parecer, não se trata nem de João e nem do discípulo amado, mais de outro discípulo, que talvez possa ser, José ou Nicodemos(Jo 19.38,39). Quanto as referências, de fato elas não provam que se trata de João, mais sim do discípulo amado. Este discípulo, compõe o grupo de sete discípulos a quem Jesus apareceu, e na lista, consta João( os filhos de Zebedeu) e tbm se menciona dois discípulos, que não mencionam os nomes, ao todos foram sete discípulos, a discípulo amado está entre eles, só não sabemos quem se trata.

      De fato, pelas escrituras, não podemos afirmar, que se trata de João. Agora, o que se pode afirmar, é que o evangelho foi escrito pelo discípulo amado. Jo 21.20-24.

      Grande abraço, Lucas e Alon.

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  13. Pra mim, o discípulo amado, fazia parte dos doze.

    Depois disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim:
    Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos.
    Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam.
    E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus.
    Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.
    E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.
    Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.(Jo 21:1-7)

    É importante frisar, o autor enfatizando os filhos de Zebedeu, que nesse caso, um era João.

    Neste texto acima, contém sete discípulos de Jesus, e o discípulo amado estava, não como um oitavo, mas como um dos sete, se não, vejamos;

    "Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar." João 21:7.


    Agora, é claro, que o autor faz referência a dois discípulos, que não sabemos quem é, que consta entre os sete. Pra mim a expressão; "outros dois dos seus discípulos", faz referência a alguns dos doze( onze por que Judas não fazia mais parte).

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    1. Respondi no seu outro comentário (acima). Abs.

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    2. Neilom, tudo na paz de Deus?

      Você quer ver eu transformar um desses sete no discípulo amado, com nome e tudo?

      TOMÉ!

      Veja que o discípulo amado testemunha, ao pé da cruz, o momento que o saldado furou o lado de Jesus: "um dos soldados lhe furou (de Jesus) O LADO com uma lança, e logo saiu sangue e água.E AQUELE QUE VIU, testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais", João 19:34,35.

      Agora veja o que Tomé diz quando lhe anunciaram que Jesus havia ressuscitado: "... Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão NO SEU LADO, de maneira nenhuma o crerei", João 20:25.

      Algumas fontes bemmmmm antigas e outros escritos apócrifos (tem que checar ainda o chamado Evangelho de Tomé), garantem que ele se chamava Judas Tomé, e acrescentam que ele é o mesmo Judas que escreveu sua pequena epístola, que se apresenta como irmão de Tiago, sendo, os dois, consequentemente, irmãos de Jesus. Isso faria sentido com as palavras de Jesus na cruz para o discípulo amado: "Eis aí tua mãe". E em seguida diz: "Desde aquela hora o discípulo a levou para sua casa".

      Coincidentemente, como muito bem explicou o Lucas, Maria é vista, apenas 50 dias depois, na presença dos irmãos do Senhor. Veja Atos 1:13,14.

      Tomé é um forte candidato para ser o discípulo amado, embora eu mesmo tenha em mente uma outra pessoa.

      Abraços

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    3. Neilom e Lucas, agora vou lhes mostrar as razões do porque Tomé não poderia ser o discípulo amado. Várias questões podem ser levantas. Por que o escritor do quarto Evangelho simplesmente não declarou que Tomé era o discípulo amado? Por que o segredo? Como a identificação de Tomé como o discípulo amado teria prejudicado sua comunidade ou a aceitação do quarto Evangelho pelos líderes institucionais emergentes da igreja? Que melhor maneira de dar credibilidade ao seu documento do que dizer que a fonte da testemunha ocular é um dos doze Apóstolos, neste caso, Tomé?

      A "cena final", quando Tomé é confrontado, ocorre no momento que Jesus se apresenta a eles pela segunda vez, e dá sua bênção sobre "aqueles que não viram e creem". Isso é esclarecedor, Neilom e Lucas, porque quando o discípulo amado esteve no sepulcro - aquele que correu com Pedro - podemos claramente ler que ele acreditou IMEDIATAMENTE que Jesus havia ressuscitado (João 20: 8), o que não está de acordo com Tomé, pois o registro demonstra que ele não acreditou quando lhe disseram (20:25). Isso por si só já bastaria para excluir Tomé de ser o discípulo amado.

      Sobre o momento da lança perfurando o lado de Jesus, sabemos que foi visto não somente pelo discípulo amado, mas pelos outros que estavam juntos a ele (Mateus 27: 55-56, Marcos 15: 40-41, Lucas 23: 48-49, João 19:25). Obviamente, os doze Apóstolos ouviram relatos da crucificação daqueles que estavam lá, particularmente Maria Madalena e as outras mulheres. Evidente que podemos supor que Tomé ouviu relatos da crucificação de uma ou mais destas testemunhas. Os discípulos originais estavam escondidos em companhia das testemunhas oculares da crucificação.

      Agora, tem alguns malucos por ai que arriscaram dizer que o discípulo amado poderia ser Maria Madalena - https://jesusmemoirs.wordpress.com/2016/04/14/the-beloved-disciple-as-mary-magdalene/ - Esse é apenas um, mas existem muitos mais. Já outros alegam que foi Lázaro (João João 113; 11:15; 13:23).

      Eu não acredito. Numa das manifestações de Jesus, quando o discípulo amado esteve presente, nós lemos que Pedro estava nu (?) e se jogou na água quando lhe disseram (o próprio discípulo amado) que Jesus se aproximava ( João 21:1-7). Quanto a Lázaro, ele não se atreveria a aparecer no lugar em que Jesus foi executado, pois os judeus queriam matá-lo também, João 12:9-11.

      E mais um detalhe sobre o discípulo amado. Quando Maria Madalena veio do sepulcro, parece que ela chamou dois deles em separado e lhes passou o que havia acontecido: “Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram”, João 20:2.

      Isso parece indicar uma certa autoridade que ele tinha juntamente com Pedro.

      Quem é ele?


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    4. Olá Alon, vou bem graças a Deus.

      Essa de Tomé, é por demais fácil de refutar. É um mistério muito grande,saber a identidade desse "discípulo amado". Agora veja o comentário de um católico(onde estávamos discutindo este tema), sobre a identidade do discípulo amado:

      "para mim a chave para a resposta: o Discípulo Amado, tal como está relatado no evangelho, não existiu. As cenas em que aparece não são históricas, mas idealizadas, como um símbolo do que deveria ser todo o verdadeiro discípulo, todo o seguidor de Jesus.

      Com efeito, logo da primeira vez que aparece, na última ceia, vemo-lo reclinado no peito(kólpos) de Jesus (Jo 13,23). Esta atitude do Discípulo Amado é todo um símbolo. Porque, no Prólogo do evangelho, o autor tinha dito que Jesus Cristo está no seio (kólpos) do Pai (Jo 1,18), como uma forma de exprimir a proximidade e a intimidade do Pai com o Filho. E agora apresenta o Discípulo Amado (no peito(kólpos) de Jesus). Isto é: o Discípulo Amado tem uma proximidade tão estreita e profunda com Jesus, como a que Jesus tinha com o seu Pai. Por isso é o perfeito discípulo....."

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    5. Como vocês, Alon e Lucas, respondem a esse comentário, com a tese de que o "discípulo amado" é uma metáfora?

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    6. Falando por mim: uma metáfora não escreve livros (Jo 21:24), não conversa com as outras pessoas (Jo 21:7), não morre (Jo 21:23), e principalmente, uma metáfora não teria sentido nenhum em contextos como o de João 20:2-4, que diz que uma metáfora(?) correu mais rápido que Pedro:

      "Então correu ao encontro de Simão Pedro e do outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e disse: 'Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram!' Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro" (João 20:2-4)

      Toda metáfora na Bíblia está clara o suficiente para os leitores presumirem isso, e se encontra em contextos espirituais de fácil assimilação e aplicação, tudo bem diferente do "discípulo amado".

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  14. Lucas, aqui vai mais uma para tirar algumas dúvidas. Está relacionado ao assunto da ceia e quantos participaram.

    Jesus diz para dois dos discípulos irem a casa onde ele celebraria a ceia: “E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o. E, onde quer que entrar, dizei ao senhor da casa: O Mestre diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e preparado; preparai-a ali.”

    Resumindo o que Jesus disse: “Vá a casa onde vou preparar a ceia e diga a eles que deixem tudo pronto para hoje a noite.”

    O dono da casa claramente conhecia Jesus e até mesmo esperava ele com seus discípulos. Porém, o dono da casa não era um dos doze (“... E, chegada a tarde, foi com os doze”, v 17), mas estava na mesa com eles (João 13:23). Havia mais pessoas na mesa, não apenas Jesus e os doze. Depois que Jesus anuncia que entre eles há um traidor, veja o que acontece: “E, quando estavam assentados a comer, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há de trair-me. E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: Sou eu? E outro disse: Sou eu? Mas ele, respondendo, disse-lhes: É um dos doze, que põe comigo a mão no prato.”

    Mas? O que significa “Mas?”

    “Mas ele respondendo disse: é um dos doze?” Sério? Ele respondeu alguma dúvida de alguém além dos doze? Parece que Jesus interrompeu um pânico, onde havia ficado um mal entendido entre todos da casa. Sou eu? Sou eu? Sou eu? Traduzido o que Jesus disse: “Não, o traidor está entre os doze!”

    Enquanto a maioria dos evangelhos menciona apenas os Apóstolos presentes na Última Ceia, no Evangelho de Marcos, as frases "os 12" e "discípulos" (Mar 14:12-20) são usadas separadamente, sugerindo que pode ter havido seguidores adicionais.

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    1. Muito bom, Alon! Isso tudo ainda vai dar muito pano pra manga na continuação desse artigo... vai dar o que falar. Abs!

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  15. A Páscoa é um caso de família, e as mulheres também estariam lá, junto com as crianças. As irmãs e irmãos de Jesus igualmente estavam presentes. Em segundo lugar, a comida seria abundante e a mesa superlotada. Páscoa em Jerusalém é sempre um tempo especial. A cidade repleta de pessoas, todos à procura de lugares para comemorar e lembrar a grande libertação do Egito. Jesus não fez isso apenas com os doze!

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  16. Olá Lucas.
    A paz de Cristo.
    O que você acha da capacidade de interpretar sonhos que alguns personagens bíblicos possuíram? É possível, hoje, algum cristão ter essa capacidade? Ou devemos deixar tudo no campo exotérico?
    Abraço.

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    1. Olá, a paz. Sim, é possível sim, mas não como uma "capacidade natural" do ser humano (em um sentido exotérico), mas sim como um dom de Deus. Como diz a profecia de Joel:

      "E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, OS VOSSOS VELHOS TERÃO SONHOS, os vossos jovens terão visões" (Joel 2:28)

      Esses sonhos que o texto diz evidentemente não são sonhos comuns que todo mundo tem, mas sonhos que Deus dá a uma pessoa querendo revelar algo. E levando em conta que Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hb.13:8), não creio que ele daria sonhos a gente do passado remoto, mas deixaria de fazer isso para nós no tempo presente.

      Abs.

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  17. Nessas alturas aquela velha ladainha catolica que diz, "Devemos estar ao pé da cruz com Maria e João, já foi pro espaço!

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  18. Lucas, eu tenho uma dúvida. Pode parecer besteira, mas direto fico pensando nisso...
    Tem uma passagem na bíblia, em Mateus (não lembro o capítulo e versículo), na qual
    os fariseus discutiam sobre divórcio. A dúvida deles era a seguinte: Uma mulher tinha
    um marido, e esse faleceu. Para que ela não ficasse nessa situação era lícito o irmão do
    marido se casar com ela. No segundo casamento, o irmão do ex-marido dela morreu também, e assim, para não "quebrar" o acordo, ela se casava com o próximo irmão (se houvesse). E os fariseus questionaram Jesus perguntando, mais ou menos
    assim: No céu, quem será o marido dela? E Jesus responde que no céu os salvos serão
    como os anjos do céu e que não se darão em casamento. Você que estuda a bíblia deve saber essa passagem. Daí, fico me perguntado: No céu reconheceremos uns aos outros? Ao vermos nossa família e amigos no céu saberemos quem eles foram para nós aqui na Terra? Abs!

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    1. Olá, na verdade quem disse isso foram os saduceus e não os fariseus, mas ali não tem nada a ver com reconhecer ou não reconhecer as pessoas que conhecemos na terra, mas somente que não haverá relações de parentesco como marido e mulher, porque todos nós seremos "irmãos". Mas o afeto, as memórias e a personalidade de cada um será mantida, isso não mudará em nada, e nem Jesus disse que mudaria, ele apenas disse que não haveria casamentos no estado eterno. Contra a tese da "amnésia celestial", que tem se tornado mais popular nos últimos tempos, o Gyordano Montenegro fez o seguinte artigo que eu recomendo muito:

      http://cristianismopuro.blogspot.com.br/2013/08/amnesia-celestial.html

      E eu adiciono aqui um texto bíblico que não foi citado no artigo dele, que é este que deixa claro que no reencontro celestial Paulo reconheceria os coríntios, e portanto ele não teria a "amnésia" que alguns andam pregando:

      "Porque sabemos que aquele que ressuscitou ao Senhor Jesus dentre os mortos, também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará com vocês" (2 Coríntios 4:14)

      E quando os tessalonicenses estavam aflitos em relação à condição de seus parentes e amigos já falecidos, Paulo lhes consolou com a esperança viva da ressurreição no dia da volta de Jesus (1Ts.4:13-18), o que só faria sentido se nesse reencontro um reconhecesse o outro. Se não houvesse reconhecimento, isso não seria um consolo, pois na prática significaria que eles nunca mais teriam contato com as pessoas que amavam em vida.

      Abs!

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  19. Olá Lucas.
    Embora você tenha exposto vários argumentos convincentes contrários a autoria do quarto evangelho ao apóstolo João eu gostaria de usar um argumento católico que talvez seja válido nesse caso: você citou "...Da onde, então, surgiu a lenda de que João foi o autor do quarto evangelho? O primeiro a afirmar isso foi Irineu de Lyon, já no final do século II..." e aí te pergunto: Irineu não estaria correto por ter a seu favor outras fontes (não necessariamente a tradição) que não possuímos hoje?
    Obrigado amigo

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    1. Olá, não necessariamente. Como eu expliquei no texto, Irineu poderia estar simplesmente enganado, ou se baseado em fontes ruins, como quando ele afirmou que Jesus viveu 50 anos:

      “On completing His thirtieth year He suffered, being in fact still a young man, and who had by no means attained to advanced age. Now, that the first stage of early life embraces thirty years, and that this extends onwards to the fortieth year, every one will admit; but from the fortieth and fiftieth year a man begins to decline towards old age, which our Lord possessed while He still fulfilled the office of a Teacher, even as the Gospel and all the elders testify; those who were conversant in Asia with John, the disciple of the Lord, [affirming] that John conveyed to them that information. And he remained among them up to the times of Trajan. Some of them, moreover, saw not only John, but the other apostles also, and heard the very same account from them, and bear testimony as to the [validity of] the statement…But, besides this, those very Jews who then disputed with the Lord Jesus Christ have most clearly indicated the same thing. For when the Lord said to them, “Your father Abraham rejoiced to see My day; and he saw it, and was glad,” they answered Him, “Thou art not yet fifty years old, and hast Thou seen Abraham?” Now, such language is fittingly applied to one who has already passed the age of forty, without having as yet reached his fiftieth year, yet is not far from this latter period. But to one who is only thirty years old it would unquestionably be said, “Thou art not yet forty years old.” For those who wished to convict Him of falsehood would certainly not extend the number of His years far beyond the age which they saw He had attained; but they mentioned a period near His real age, whether they had truly ascertained this out of the entry in the public register, or simply made a conjecture from what they observed that He was above forty years old, and that He certainly was not one of only thirty years of age…He did not then wont much of being fifty years old" (Contra as Heresias, 2.22.5-6)

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    2. Note que Irineu não chegou a essa conclusão por si mesmo, mas disse expressamente que havia sido transmitida por João e por outros apóstolos(!), e, mesmo assim, era uma afirmação categoricamente falsa. Se Irineu pôde ter se enganado desta maneira em relação a isso, o que impede que ele tenha errado em relação à autoria do quarto evangelho também? Isso sem falar que ele pode ter tido um lapso e escrito errado, ou um copista pode ter se equivocado na cópia, ou uma possibilidade de falsificação (que nunca deve ser descartada), e por aí vai.

      Vale ressaltar ainda que Irineu é o primeiro Pai a oferecer uma lista de bispos de Roma semelhante à que os católicos usam hoje (com exceção de que começa com Lino, e não com Pedro), enquanto os Pais que viveram antes dele atestavam que nem sequer existiam bispos na igreja de Roma no começo, mas a comunidade era dirigida por um coletivo de presbíteros, sem uma cabeça central, e Tertuliano, na mesma época de Irineu, dizia que Pedro ordenou Clemente, passando por cima de Lino e Anacleto. Obviamente, alguém se equivocou, e se equivocou muito cedo, mesmo se esforçando em buscar fontes antigas na tradição, pois as fontes são totalmente contraditórias (e, se vale o meu palpite, eu aposto que Irineu falhou de novo). Escrevi sobre isso aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/a-lista-oficial-de-papas-da-igreja.html

      Por essa e outras razões, é arriscado demais jogar todas as fichas na credibilidade de um único Pai da Igreja do século II que não conviveu pessoalmente com apóstolo nenhum, ou em Pais de séculos posteriores que, além de não terem convivido perto dos apóstolos, se limitaram apenas a copiar Irineu. Os Pais da Igreja não eram seres infalíveis blindados contra toda e qualquer forma de erro ou equívoco, eles não escreviam inspirados pelo Espírito Santo tal como os escritores bíblicos, eles cometiam falhas tal como nós nos dias de hoje. Eu não estou dizendo que Irineu inventou essas coisas da cabeça dele ou que mentiu de propósito, apenas acredito que ele cometeu um engano por ter se baseado em fontes não confiáveis, isso pode acontecer com qualquer um.

      Abs.

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    3. Você não respondeu ao argumento de Irineu que você citou, o da fala dos judeus dirigida a Jesus, "você não tem nem cinquenta anos".

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    4. E o que isso prova? Se os judeus tivessem dito: "Você TEM cinquenta anos", aí sim seria pra se preocupar. Mas eles disseram exatamente o contrário: "Você NÃO TEM cinquenta anos", que é justamente o que nós cremos, e o contrário da crença de Irineu. Irineu simplesmente distorceu o que o texto bíblico diz.

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    5. "Irineu poderia estar simplesmente enganado, ou se baseado em fontes ruins, como quando ele afirmou que Jesus viveu 50 anos:"
      Como é que você sabe que Jesus não viveu 50 anos?
      "que é justamente o que nós cremos" Vocês e Irineu crêem que ele não tinha cinquenta anos. A questão é se ele tinha 30 ou 40. Você não acha que esse trecho pelo menos deixa em aberto? E falta você mostrar por que o argumento dele é ruim. Por que você o rejeita?

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    6. É só fazer os cálculos. Lucas diz que Jesus tinha 30 anos quando começou seu ministério (Lc 3:23), e depois disso houve três festas da páscoa, até a páscoa em que Jesus morru (Jo 2:13-23; 5:1; 6:4). Uma vez que a páscoa era uma festa judaica que ocorria uma vez por ano, chegamos a 33.

      Mas há também outras formas históricas de se datar, pelo menos com certa precisão. Por exemplo, Pilatos foi governador entre 26 e 36 d.C. Então Jesus não poderia ter sido julgado depois disso (e se fosse com 50 anos, teria sido julgado muito depois disso).

      Há outras evidências históricas, mas isso basta para mostrar que a tese dos 50 anos seja bem inexata (e consequentemente, a tradição de Irineu também).

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    7. "Jesus tinha cerca de trinta anos de idade quando começou seu ministério. Ele era, como se pensava, filho de José, filho de Eli," (NVI) Por que você crava 30 anos certinhos, se é dito "cerca de"? (Não sei se a tradução é boa, depois eu confiro outras traduções e o original.)

      "Mas há também outras formas históricas de se datar, pelo menos com certa precisão. Por exemplo, Pilatos foi governador entre 26 e 36 d.C. Então Jesus não poderia ter sido julgado depois disso (e se fosse com 50 anos, teria sido julgado muito depois disso)." Mas isso não é uma petição de princípio? O que está em questão não é justamente a idade de Jesus? Se eu coloco o governo de Pilatos entre os 26 e 36, eu já resolvi a questão antes de começar. Por que você coloca o governo de Pilatos entre 26 e 36 d.C.?

      Você ainda não lidou com o argumento de Irineu. Você está evitando-o. Digo, você ainda não o julgou pelos seus próprios méritos, se ele falha sozinho, ou não. Tipo: se utiliza uma premissa falsa, ou é um non sequitur.

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    8. "Por que você crava 30 anos certinhos, se é dito 'cerca de'"?

      E você acha que este "cerca de" de Lucas na verdade é um ERRO DE VINTE ANOS? Sim, pois se Irineu e você estão certos, então este "cerca de 30 anos" na verdade significa 50 (ou pelo menos 47). Neste caso Lucas estaria mais por fora do que arco de barril. Ninguém diz que uma pessoa de 50 anos tem cerca de 30, ou você já viu isso em algum lugar? Se alguém dissesse isso seria simplesmente na brincadeira, ou então por ser bem desinformado. O "cerca de" abre uma margem de no máximo alguns poucos anos a mais ou a menos, mas nunca uma diferença tão grande como 20 anos a mais, que é dois terços do dobro(!).

      "Mas isso não é uma petição de princípio? O que está em questão não é justamente a idade de Jesus? Se eu coloco o governo de Pilatos entre os 26 e 36, eu já resolvi a questão antes de começar"

      Você não sabe o que é uma "petição de princípio". Eu não parto do pressuposto de que Jesus tinha 30 anos (embora ele tivesse), eu CHEGO a essa conclusão a partir de dados históricos, se esses dados históricos estivessem dizendo o contrário então a conclusão seria outra, é lógico. Ou como você pensa que os estudiosos bíblicos e os historiadores chegam às datações? Como você sabe que Tibério nasceu em tal ano, que Nero governou em tal data, que o cerco de Jerusalém foi em tal dia, que a deportação pra Babilônia foi em tal época, etc? Por radiocarbono? Nana-nina-não. Eles estudam os registros históricos da época, e então organizam as coisas cronologicamente. Negue isso e você estará negando TODA a história antiga. Aí o seu problema não é com a idade de Jesus e nem comigo, é com todos os eventos históricos e todos os historiadores do planeta.

      "Você ainda não lidou com o argumento de Irineu. Você está evitando-o. Digo, você ainda não o julgou pelos seus próprios méritos, se ele falha sozinho, ou não. Tipo: se utiliza uma premissa falsa, ou é um non sequitur"

      Ué, isso daí nem é um argumento pra ser refutado, pra se refutar uma coisa tem que se ter um argumento em mãos, e aqui não temos nada. O que um texto que diz que Jesus NÃO TEM cinquenta anos prova que ele tinha cinquenta anos, ou próximo a isso? Por que não poderia ser apenas uma forma de dizer que Jesus ainda era jovem demais para dar uma de "mestre" como ele estava fazendo, numa cultura em que os mais velhos eram os mais respeitados? Isso sem falar que julgar pela aparência física não é uma forma conclusiva de se chegar à idade de alguém, uma pessoa pode parecer mais velho ou mais novo dependendo da circunstância, eu quando estou de cabelo comprido, barba e bigode pareço vários anos mais velho do que quando estou sem nada disso.

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    9. "Por que você crava 30 anos certinhos, se é dito 'cerca de'"?
      E você acha que este "cerca de" de Lucas na verdade é um ERRO DE VINTE ANOS?"
      Repito a pergunta: por que você interpreta "cerca de" como "exatos"? O fato d´eu estar errado (sendo que eu não sei se a inferência a respeito da minha declaração prévia ou de Irineu é correta, tenho de examinar*) não faz você estar certo.
      Em um comentário anterior: "É só fazer os cálculos. Lucas diz que Jesus tinha 30 anos quando começou seu ministério (Lc 3:23)"
      Veja essa tradução: "23 E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli," Ela está errada? Com certeza, a tradução não diz que ele tinha 30 anos quando foi batizado, por causa do "quase".
      "se Irineu e você estão certos, então este "cerca de 30 anos" na verdade significa 50 (ou pelo menos 47). "
      Por que você acha isso? Ele não poderia ter sido batizado com cerca de 30 e seu ministério ter durado muito mais tempo do que se pensa (tendo acabado do mesmo jeito, com a crucificação sob Pôncio Pilatos)? Por que as páscoas tem de ser consecutivas?
      Eu ainda não adotei a opinião de Irineu, não diga isso. Eu não afirmei que ele está com a razão.
      "Ninguém diz que uma pessoa de 50 anos tem cerca de 30, ou você já viu isso em algum lugar?"
      Olha, tem gente que parece vinte anos mais novo. Mas Irineu concorda com você: "For it is altogether unreasonable to suppose that they were mistaken by twenty years, when they wished to prove Him younger than the times of Abraham." E ele não teria 50, estaria nos seus 40. E, de qualquer forma, 30 é a data aproximada do batismo, que pode ou não ter acontecido bem antes desse episódio, ou da crucificação.
      "O "cerca de" abre uma margem de no máximo alguns poucos anos a mais ou a menos,"
      Então por que você interpreta como não abrindo margem alguma?
      "eu CHEGO a essa conclusão a partir de dados históricos, se esses dados históricos estivessem dizendo o contrário então a conclusão seria outra"
      Quais dados históricos ou cruzamento de dados históricos você lança mão? Bem, acho que eu não fui claro. Talvez eu seja agora, talvez não. Existe registro histórico dizendo que, durante o governo de Pilatos, foi Jesus executado COM ESSA IDADE? Ou os registros dizem apenas que ele foi executado durante o governo de Pilatos? Não são perguntas retóricas, eu não sei mesmo.

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    10. "pra se refutar uma coisa tem que se ter um argumento em mãos, e aqui não temos nada"
      Bem, a rigor, é um argumento. Pode ser um argumento fraco, mas logicamente falando, é um argumento. Um conjunto de proposições onde algumas são premissas, outra conclusão. Você ainda não tinha lidado com ele, refutando-o, mostrando que ele é inválido e/ou com alguma premissa falsa.
      "O que um texto que diz que Jesus NÃO TEM cinquenta anos prova que ele tinha cinquenta anos,"
      Quarenta anos, você quer dizer.
      "ou próximo a isso? Por que não poderia ser apenas uma forma de dizer que Jesus ainda era jovem demais para dar uma de "mestre" como ele estava fazendo, numa cultura em que os mais velhos eram os mais respeitados?"
      Mas naquela época não havia mais velhos que cinquenta anos, e os mais respeitados não estavam entre eles? De novo, não é uma pergunta retórica.
      Outra: não haviam mestres de 30, 40 anos? Então por que diriam 50, se não há essa demarcação, se ele poderia estar sendo Mestre com 30 ou 40?
      Você não acha que essa solução que você propôs, à primeira vista, é pelo menos tão plausível quanto a dele? Que a possibilidade de Irineu estar certo quanto a isso permanece?
      "Isso sem falar que julgar pela aparência física não é uma forma conclusiva de se chegar à idade de alguém"
      Irineu concorda com você: "but they mentioned a period near His real age, whether they had truly ascertained this out of the entry in the public register, or simply made a conjecture from what they observed that He was above forty years old,"
      "eu quando estou de cabelo comprido, barba e bigode pareço vários anos mais velho do que quando estou sem nada disso." Vinte anos mais velho?
      * Pensei melhor, e te digo: não confunda data do batismo de Jesus com data de sua crucificação. Um longo intervalo pode ter se passado entre as duas coisas.

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    11. Lucas, você não vai me responder? (O comentário acima, de 02 de abril.)

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    12. Não pretendia, essa é uma discussão improdutiva que vai voltar a cair sempre nos mesmos pontos já abordados. Por isso apenas reitero o que eu já disse em uma breve “resposta” às suas alegações:

      1) O “cerca de” 30 anos pode suportar uma idade um pouco maior ou menor, mas nunca de um erro tão grotesco numa margem tão grande como a que você propõe. Jamais um historiador tão qualificado como Lucas (autor do evangelho) iria errar por uma margem tão grande como dez ou vinte anos ou falar em trinta anos se não tivesse nenhuma noção.

      2) Não há nenhum indicativo de que as páscoas não sejam consecutivas. Marcos retrata os acontecimentos de forma rigorosamente cronológica e em momento nenhum dá espaço a uma lacuna de tempo tão grande em que supostamente os evangelistas não estariam interessados no ministério de Jesus.

      3) Os registros históricos não dizem em que ano exatamente que Jesus foi crucificado no regime de Pilatos, mas o fato de Pilatos ter governado até o ano 36 já limita por razões óbvias o tempo limite do ministério de Cristo, já que Jesus foi crucificado sob Pilatos. E a tese dos 50 anos coloca Jesus sendo crucificado muitos anos depois da morte de Pilatos, o que é inconsistente. Pilatos morreu em 36 d.C, portanto poucos anos depois de ter julgado Jesus. Mas mesmo que tivesse julgado Jesus no último dia de vida, ainda assim seria muito antes dos tais “50 anos”, ou 40, como quiser.

      4) Seu argumento já foi abordado. Um mestre naqueles tempos era mais respeitado na medida em que fosse mais velho. Alguém com 50 anos era considerado um homem com muito mais sabedoria e experiência do que um de 30, ainda que ambos fossem “mestres”. Por isso a indagação dos judeus – “VOCÊ NÃO TEM NEM CINQUENTA ANOS”, quer dizer, “quer dar uma de mestre sendo ainda tão jovem e ainda diz que viu Abraão?”. É uma paráfrase, sim, mas uma paráfrase que espelha bem o sentido da indagação deles. E mesmo se a relativa pouca idade de Cristo não estivesse em jogo, não há nenhum problema em os judeus inferirem que Jesus tinha menos de 50 anos tendo na verdade 30, uma vez que 30 é menos que 50 e que apenas e tão-somente pela aparência física não é possível determinar com precisão se alguém tem 30 ou 40 anos (por exemplo), hoje ainda é mais fácil porque as pessoas costumam ter o rosto “limpo” (cabelo curto, sem barba, sem bigode, bem cuidado, etc) e mesmo assim as vezes erramos feio, imagine então para os padrões da época.

      Lembrando que eu não tenho interesse nesse debate, se você quiser comentar de novo e rebater o que eu digo pode fazer que eu vou liberar o comentário, mas não vou responder porque será mais-do-mesmo, os mesmos argumentos e contra-argumentos para os dois lados, deixemos que os leitores tirem suas próprias conclusões por si mesmos.

      Abs.

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    13. "1) O “cerca de” 30 anos pode suportar uma idade um pouco maior ou menor, mas nunca de um erro tão grotesco numa margem tão grande como a que você propõe. "
      O" cerca de" suporta uma idade um pouco menor ou maior, daí minha pergunta: por que você lê como exatos 30 anos? Bem, nem eu, nem Irineu (se eu o li bem) diz que ele não foi batizado com mais ou menos essa idade, mas sim uns vinte anos depois, e depois de 3 anos mais ou menos morreu! A tese dele é que ele foi batizado por volta dos 30, mas o ministério dele não durou tão pouco (certamente não 1 ano apenas, mas também não 3 anos, 3 anos e meio). De novo: ninguém aqui disse que ele foi batizado por João com 40 ou quase 50 anos.
      "2) Não há nenhum indicativo de que as páscoas não sejam consecutivas."
      Há de que são?
      "Marcos retrata os acontecimentos de forma rigorosamente cronológica"
      Uma coisa é ser cronológico, outra consecutiva. Cronológica significa apenas que os eventos foram narrados na ordem que apareceram, não que foram um logo depois do outro, sem nada entre eles.
      "e em momento nenhum dá espaço a uma lacuna de tempo tão grande"
      Por que "lacuna"? Seriam episódios do mesmo ministério, apenas mais espaçados entre si. E como não dá espaço a muitas coisas não-ditas?!
      "em que supostamente os evangelistas não estariam interessados no ministério de Jesus."
      Em ambos os casos, eles narraram o ministério de Jesus, apenas em um caso teriam narrado menos episódios que outro.
      "3) Os registros históricos não dizem em que ano exatamente que Jesus foi crucificado no regime de Pilatos, mas o fato de Pilatos ter governado até o ano 36 já limita por razões óbvias o tempo limite do ministério de Cristo, já que Jesus foi crucificado sob Pilatos."
      Bem, talvez a data de nascimento de Jesus esteja errada, então (aliás, me parece que ninguém concorda que ele nasceu no ano 1--ou 0?). Você já verificou isso? E também já verificou como foi verificado esse período de 26 a 36 em que Pôncio Pilatos foi prefeito ou procurador?


      (Também poderia ser que Jesus tivesse 30, mas parecesse ter 40, e por isso falaram em 50, e o raciocínio de Irineu está certo, embora a informação esteja errada.)

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    14. Só pra completar o comentário que enviei hoje, 08/05:
      Não adoto a posição em parênteses no final do comentário, a encontrei em um fórum em inglês hoje sobre o assunto, hoje. Achei interessante colocá-la porque talvez seja bom questionar a imagem de Jesus como galã de cinema quando da sua morte.

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  20. Oi Lucas.
    Já que a tradição é tão questionável, ela serve pra quê mesmo?

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    1. Eu sei que a pergunta é mal intencionada, mas eu vou responder assim mesmo. Primeiro, é preciso tirar essa ideia da cabeça de que existe alguma coisa chamada "A TRADIÇÃO". Eu sei que por questão de facilidade e simplicidade eu e todas as outras pessoas costumam dizer assim, mas na realidade, para ser preciso e exato, o que existem são "as tradições", ou seja, muitas tradições diferentes, umas com alguma base, outras sem fundamento nenhum, e outras que não apenas não tem fundamento, como ainda tem provas contrárias a ela. Por isso não adianta jogar tudo no mesmo no mesmo bolo da "tradição", como se fosse tudo uma coisa só, é preciso discutir e debater detalhadamente uma por uma, tradição por tradição, e não "tudo ou nada", como querem os católicos.

      Essa é aliás uma das táticas mais comuns e repudiáveis usadas pelos apologistas católicos, eles selecionam uma parte qualquer que consideram "tradição" (como por exemplo o "cânon bíblico"), e a aí misturam com outra coisa que não tem nada a ver com a anterior (como por exemplo a assunção de Maria), e querem nos obrigar a crer em ambos, já que aceitamos a primeira, como se fosse tudo parte da mesma e única tradição, quando obviamente não é, tratam-se de coisas distintas, tradições diferentes, sem qualquer relação uma com a outra, e até mesmo com conceitos diferentes. A tática do apologista católico é fazer o protestante morder a isca e aceitar toda a tradição romanista como verdadeira por causa de um ou outro ponto em que o protestante concorde, ainda que este ponto não tenha nada a ver com algo propriamente romanista (como é o caso supracitado do cânon). Isso porque ele sabe que, se fossem debatidas uma a uma, tradição por tradição, cairiam todas por terra.

      Então a resposta é bem simples: pra que serve a tradição? Se você está falando das tradições romanistas, ou seja, tradições sem base, sem fundamento e antibíblicas, a resposta é simples e categórica: PRA NADA. Mas sim, existem tradições que foram desenvolvidas tendo por base algo racional ou implícito nas Escrituras, e essas tradições não são ruins, o problema é somente quando se crê em algo não por ser lógico, histórico ou bíblico, mas apenas por ser parte de algo que chamam de "tradição", que é basicamente uma mentira repetida tantas e tantas vezes que todo mundo acaba acreditando nela como "verdade", e depois é quase impossível tirá-la da mente das pessoas, por mais que se prove e se refute cada vírgula do que é apregoado.

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    2. A tradição é algo incoerente por si só, uma impossibilidade somente levada em conta por uma teimosia sem sentido dos católicos. Mas já que perguntou, me responda? Por que uma simples brincadeira como telefone sem fio prova a impossibilidade da tradição se manter e você ainda acredita? Quem é o cara que tem a tradição contada aos seus ouvidos? Eu sei que ele não existe, mas se ela foi escriturada, já não é mais tradição oral, e sim escrita, então porque insistir nessa imprecisão de termos? As próprias escrituras canônicas são formadas em parte por algo que alguém viu e em parte por tradições orais escrituradas, as relevantes que o próprio Deus inspirou homens para que a escrevessem? E a pergunta principal: quem é a maior autoridade quando há um conflito, a Bíblia, a tradição ou o magistério?

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  21. e o autor da epístola aos Hebreus, vc tem alguma opinião de quem seja?

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    1. É Lucas (o autor do evangelho de Lucas e de Atos). Mas isso seria assunto pra um outro artigo...

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    2. Era Lucas judeu ou gentio? Seria estranho Lucas ter escrito Hebreus fosse ele apenas grego.

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  22. Neilom, essa vai para vossa pessoa. O outro, na casa do sumo sacerdote:

    E Simão Pedro e OUTRO discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote. E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então O OUTRO discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira, levando Pedro para dentro, João 18:15,16.

    O OUTRO discipulo e o discípulo amado são os mesmos!

    Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e AO OUTRO discípulo, A QUEM JESUS AMAVA , e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. Então Pedro saiu com O OUTRO discípulo, e foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas O OUTRO discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro, João 20:2-4.

    Então entrou também O OUTRO discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu, João 20:8

    Ele esta no mar da Galileia ( Acho que ele nao foi nomeado porque não fazia parte dos doze. Nem ele e nem os outros dois sem nome ).

    Então aquele discípulo, A QUEM JESUS AMAVA, disse a Pedro: É o Senhor. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar, João 21:7.

    E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele DISCÍPULO A QUEM JESUS AMAVA, e QUE NA CEIA se recostara sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair? João 21:20.

    Agora me diz: Quantos fugiram na ocasião da prisão de Jesus no Jardim do Getsemani? TODOS, diz o texto (Mat 26:56; Mar 14:50).

    Não faz sentido acreditar que o discipulo amado tomou um rumo enquanto "o outro" discipulo foi para a casa do sumo sacerdote. Esse discipulo teve coragem para encarar a cena do julgamento porque era conhecido dos assassinos de Cristo.

    QUEM estava ao pé da cruz e ouviu essas palavras: "EIS AÍ TUA MÃE?"




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    1. Boa tarde Alon!

      É Amigão, EXCELENTE, sua observação. Vc me deu um cheque - mate!

      Uma verdadeira sinuca de bico.

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    2. Agora, a forma como está registrado no verso 15;

      "E Simão Pedro E OUTRO discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote".
      João 18:15

      Dar a entender que se trata de um discípulo qualquer, dando ênfase na amizade com o sacerdote, diferente do verso 8 do cap.20;


      "Então entrou também O OUTRO discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu".
      João 20:8

      É interessante notar, que depois que este discípulo entra em cena, todas as vezes, é enfatizado, que ele é o discípulo amado, já neste episódio, isso não é enfatizado, mais sim, a amizade com o sumo sacerdote.

      Isso é algo que me atentei.


      Abraços!

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    3. Sem querer me intrometer na conversa de vocês (mas já me intrometendo), fui no grego e conferi que não há a suposta diferença que o Neilom faz aí, entre João 18:15 e João 20:8 (onde um diria "outro discípulo", enquanto outro diria "O outro discípulo"). O grego de João 18:15 diz:

      hkolouqei de tw ihsou simwn petroV kai o alloV maqhthV o de maqhthV ekeinoV hn gnwstoV tw arcierei kai suneishlqen tw ihsou eiV thn aulhn tou arcierewV

      Veja aqui:

      http://www.sacrednamebible.com/kjvstrongs/index2.htm

      O "o" é o artigo definido no grego, e está presente em ambos. O problema é que o Neilom seguiu aí uma versão em português, que omitiu o artigo definido neste texto em particular. E com o artigo definido, é difícil sustentar que se estivesse falando de um discípulo qualquer, não mencionado até então, em vez daquele mesmo discípulo que era sempre referenciado como "o outro discípulo" (como nos textos que o Alon mostrou). O resto eu deixo pra ele responder, não quero fazer intervenções, exceto quando a palavra for dirigida a mim.

      Abs.

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    4. Essa foi ótima!

      Não tinha visto, Lucas. Valeu!

      Abraços, Neilom

      Alon


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    5. Olá Lucas e Alon!

      Lucas, vc tem liberdade para fazer intervenções, e com certeza elas são bem vindas, fique a vontade meu irmão.

      Na verdade Lucas, eu usei a mesma versão do artigo e da referência do Alon( me corrige se eu estiver errado) e não me dei o trabalho de ir consultar no grego. Esse era um ponto que me atentei e vc refutou.
      Quanto ao outro ponto, ele tem a ver, que, todas a vezes que é citado este discípulo, é enfatizado, como "discípulo amado", exceto nessa ocasião.

      Eu estive observando outra curiosidade, concernente a Tiago e João, e é interessante notar, que em todos os evangelhos é narrado os nomes dos apóstolos, como tbm de Tiago e de João, e curiosamente, logo no evangelho de João, os nomes dos dois não são citados, mais tão somente mencionados como os filhos de Zebedeu.

      Eu ainda não me dei por convencido de que este evangelho, não seja dá autoria de João, confesso que este tema me prendeu e eu estou a examina-lo a fundo.

      Abraços!

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    6. Olá, Neilom.

      No meu entender, isso acontece porque o autor quarto evangelho tinha um estilo diferente dos outros três, que são conhecidos como os "evangelhos sinópticos" justamente por serem parecidos, enquanto "João" é destoante. E o que corrobora com isso é o fato de que no quarto evangelho não há uma lista com os doze discípulos, como ocorre nos demais. Presumivelmente ele escreveu tempos depois dos demais, de modo que quem lia esse já tinha lido os outros e portanto já conhecia os doze discípulos, e por isso, em vez de citar um a um, preferia dizer "os filhos de Zebedeu" (e há de se notar que certos apóstolos nem sequer são mencionados no quarto evangelho, nem mesmo pela sua relação de parentesco). Mas identificar João como o discípulo amado pelo simples fato de o autor identificá-lo como filho de Zebedeu (da mesma forma que faz com Tiago seu irmão) e não pelo nome, pra mim é uma forçação de barra.

      Recomendo esperar o próximo artigo, onde eu vou elencar alguns pontos que corroboram com a escrita do outro autor e assim complementar a questão, porque então todas as peças do quebra-cabeças vão se encaixar melhor.

      Abs!

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  23. NEILOM E LUCAS, se voces gostam de desafios, entao vejam isso:

    E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados. E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos, 27:52,53.

    Ja passou pela sua cabeca que não houve ressurreicao aqui, mas por causa do terremoto "fenderam-se as rochas (v 51) e por esse motivo tumulos pocaram e alguns corpos de mortos simplesmente apareceram no sentido que ficaram à vista dos que passavam?

    Vocês sabiam que muitos eruditos admitem que o sentido e a tradução correta destes versículos são extraordinariamente difíceis. Na realidade, há motivo para se crer que, quando Jesus morreu, o terremoto acompanhante rachou alguns túmulos perto de Jerusalém e assim expôs os cadáveres aos transeuntes que entravam em Jerusalém?

    Quem entrava em Jerusalém não era gente ressuscitada, mas as pessoas que viram os tumulos e noticiavam aos outros.

    Vocês nao acham bem ridiculo que mortos tenham ressuscitado e ficado dentro do tumulo e só sairem para entrar em Jerusalem depois da ressurreição de Jesus?

    "... saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa..."

    João Batista ressuscitou e entrou na cidade de Jerusalém? Ninguém escreveu sobre este extraordinario evento? E José, esposo de Maria?

    Quem eram estes santos se houve mesmo ressurreição? Eram do velho testamento? Se sim, então foi os que ressuscitaram depois de Davi, pois Pedro disse que Davi ainda estava no túmulo depois desse episódio. ALIAS, se eram santos do VT como foram reconhecidos? Se foram alguns santos mais recentes, conhecidos da Igreja, por que ninguem mais registrou tao estupendo milagre?

    A narrativa não diz que os “corpos” passaram a viver. Apenas diz que ressurgiram ou foram jogados para fora dos sepulcros pelo terremoto. Algo similar aconteceu na cidade de Sonson, na Colômbia, em 1962. El Tiempo (31 de julho de 1962) noticiou: “Duzentos cadáveres no cemitério desta cidade foram lançados fora de seus túmulos pelo violento tremor de terra.” Pessoas que passavam por ali ou através daquele cemitério viram os cadáveres, e, em resultado, muitos de Sonson tinham de ir para lá e enterrar de novo seus parentes falecidos.

    Sem violação da gramática grega, pode-se traduzir Mateus 27:52, 53, dum modo que sugira que houve uma exposição similar de cadáveres em resultado do terremoto que houve por ocasião da morte de Jesus. Assim, a tradução de Johannes Greber (1937) verte estes versículos do seguinte modo: “Túmulos foram abertos, e muitos cadáveres dos enterrados foram jogados em posição vertical. Nesta postura projetavam-se para fora das sepulturas e foram vistos por muitos dos que passavam por ali em caminho de volta para a cidade".

    Estou morrendo de rir!

    ABRE OUTRO TÓPICO, Banzoli

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    1. Oh my God! Eu realmente estou extamente as 10:20 h dessa manhã de 21/02/2017 assombrado enquanto estou sentado ao ler esse comentário sobre essa passagem do NT e fico muito alegre com essas informações, pois faz muito sentido! Isso deve ser so a ponta do Iceberg de um Cristianismo que precisa de muito a ser restaurado!

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    2. "... Isso deve ser so a ponta do Iceberg de um Cristianismo que precisa de muito a ser restaurado!"

      Exatamente isso!

      Por esse motivo e que eu escrevo...

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    3. Arquivo biblico, o que as pessoas não percebem são os detalhes ridículos que a interpretação convencional empresta ao texto: os túmulos se abriram e os santos "foram ressuscitados" imediatamente depois da morte de Jesus. Eles não eram suficientemente estranhos para a população de Jerusalém - deviam ser conhecidos e de renome. Além disso, essa interpretação acrescenta que eles não saíram de seus túmulos até depois da ressurreição do Senhor. O que eles estavam fazendo entre a tarde de sexta-feira e o domingo de manhã cedo? O texto deixa entendido que eles estavam de pé durante três dias - ressuscitados - nas portas agora abertas de seus túmulos esperando para sair e entrar na cidade!!!

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    4. Al Franco,o que me deixa confuso é justamente isso:

      E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.

      O versículo dar a entender que quem entrou na cidade foram os que saíram dos sepulcros.

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    5. SE você optar pela tradução confusa, errada e doida de pedra, é o que ta querendo dizer,mas se voce adotar a tradução exposta la acima, entao tudo muda de forma drástica e esclarecedora.

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  24. Em seu Comentário da Bíblia (escrito entre 1810 e 1826), o erudito Adam Clarke fez referência a isso:

    “Alguns pensaram que estes dois versículos foram introduzidos no texto de Mateus a partir do Evangelho dos Nazarenos, outros pensam que o significado é simples: vários corpos que haviam sido enterrados foram jogados para fora pelo terremoto e expostos, e continuaram na superfície até depois da ressurreição de Cristo, sendo vistos por muitas pessoas na cidade."

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  25. Ola Lucas.
    Não amigo, não estava mal intencionado ao lhe perguntar sobre a tradição, embora admito que posso ter passado essa ideia. Na verdade o que eu gostaria de saber (e você respondeu) era se é possível tirar algo de proveitoso da tradição em geral e não especificamente de lendas romanistas.
    obrigado amigo

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    1. Tudo bem, é que aqui eu recebo com frequência perguntas mal intencionadas de apologistas católicos em tom mais "desafiatório", me desculpe o mal entendido. Mas ainda vou escrever um artigo mais abrangente abordando a questão que você explanou e desenvolvendo a resposta, este é um assunto que dá muito "pano pra manga". Abs!

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    2. Como o prometido, segue abaixo o artigo mais aprofundado:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/02/a-tradicao-e-as-tradicoes-devemos.html

      Abs.

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  26. Boa Noite Lucas
    Estou aguardando um artigo seu sobre o tema "...AL Franco (...)
    NEILOM E LUCAS, se voces gostam de desafios,...Quem eram estes santos se houve mesmo ressurreição? Eram do velho testamento? Se sim, então foi os que ressuscitaram depois de Davi, pois Pedro disse que Davi ainda estava no túmulo depois desse episódio. ALIAS, se eram santos do VT como foram reconhecidos? Se foram alguns santos mais recentes, conhecidos da Igreja, por que ninguem mais registrou tao estupendo milagre?..." É um tema muito intrigante. Talvez mais que autoria do quarto evangelho.
    valeu Lucas

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    1. Eu pessoalmente fiquei bastante impressionado com essa interpretação, já disse a ele por e-mail que eu semprei achei que havia algo estranho nas teses tradicionais em torno deste texto de Mateus, é como se eu já soubesse que as interpretações tradicionais e mais comuns estavam erradas, eu só não havia identificado onde estava esse erro. E agora, com o texto dele, TUDO passa a fazer sentido. É incrível a capacidade que o Alon tem de conseguir desmoronar mitos da tradição. Eu tenho outras evidências que ajudam a reforçar esse entendimento, vou pesquisar mais a fundo sobre isso, juntar todas as peças do quebra-cabeças e então escrever um artigo a respeito. Abs!

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  27. Boa tarde Lucas e Alon.

    O artigo é interessante, e nós força a cavar( examinar as escrituras). Fazendo uma comparação, com a 1° carta universal, atribuída a João, com o evangelho, tbm atribuído a João, parece nos dar pistas, que se tratam do mesmo autor. Vejam essas comparações:

    1Jo 2.8 com Jo 1.5,9; 13.34
    1Jo 2.10 com Jo 11.10;
    1Jo 2.13 com Jo 17.3
    1Jo 2.14 com Jo 17.3
    1Jo 3.1 com Jo 1.12
    1Jo 3.2 com Jo 1.12
    1Jo 3.2 com Jo 17.24
    1Jo 3.8 com Jo 8.44
    1Jo 3.8,9 com Jo 3.3-5
    1Jo 3.11 com Jo 13.34
    1Jo 3.13 com Jo 15.2o
    1Jo 4.9 com Jo 3.16
    1Jo 4.12 com Jo 1.18
    1Jo 5.13 com Jo 20.31
    1Jo 5.14 com Jo 14.14
    1Jo 5.20 com Jo 17.2,3

    Lucas e Alon, eu gostaria de saber de vcs, a quem pertence a autoria dessas três cartas universais.

    Abs.

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    1. Não tive tempo de ir em todos os textos, mas fui em alguns e francamente tem pouca ou nenhuma semelhança, acho possível que você tenha copiado essas referências de algum lugar sem conferí-las, e por isso incorreu neste equívoco. Veja alguns textos que nessa lista citada são supostamente paralelos:

      "Meus irmãos, não se admirem se o mundo os odeia" (1 João 3:13)

      COM:

      "Lembrem-se das palavras que eu lhes disse: nenhum escravo é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês" (João 15:20)

      Mais um nada a ver:

      "Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é" (1 João 3:2)

      COM:

      "Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (João 1:12)

      Aqui a única semelhança é o termo "filho de Deus", se fosse assim então todas as cartas de Paulo seriam de João já que ele também usa bastante essa expressão, que também é citada em outros evangelhos e epístolas.

      Mais uma:

      "Aquele que pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vem pecando desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus" (1 João 3:8-9)

      COM:

      "Em resposta, Jesus declarou: 'Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo'. Perguntou Nicodemos: 'Como alguém pode nascer, sendo velho? É claro que não pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e renascer!' Respondeu Jesus: 'Digo-lhe a verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito'" (João 3:3-5)

      ???

      Outra:

      "Pais, eu lhes escrevo porque vocês conhecem aquele que é desde o princípio. Jovens, eu lhes escrevo porque venceram o Maligno" (1 João 2:13)

      COM:

      "Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3)

      Hãm?

      Isso está parecendo aqueles textos de sites católicos com trocentas citações do NT aos apócrifos, e aí quando você vai conferir citação por citação, nenhuma bate, nem sequer tem a ver com a outra. Eu sei que este caso é diferente porque de fato existem textos parecidos entre ambos, não estou negando isso, mas isso de modo nenhum é um argumento consistente para se afirmar a mesma autoria. Se fosse assim, 2 Pedro e Judas também seriam escritos pela mesma pessoa, já que as duas epístolas são reconhecidas academicamente como as que tem mais semelhanças entre si, tanto no estilo da linguagem, como no conteúdo. Há inclusive passagens tão próximas que acredita-se que um copiou do outro, por exemplo:

      "E aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia" (Judas 1:6)

      COM:

      "Pois Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o juízo" (2 Pedro 2:4)

      Mesmo a carta de Judas sendo tão pequena, com apenas um capítulo, há pelo menos três versículos que são quase que uma repetição de 2 Pedro, e nem por isso nós acreditamos que Pedro escreveu Judas, ou que Judas escreveu Pedro, ou que outra pessoa escreveu os dois. Apenas deduzimos que um conhecia a carta do outro, que admirava seu estilo e as suas colocações, e as tomava como um referencial, gerando semelhanças. É o mesmo que acontece na relação entre o quarto evangelho e a primeira carta de João.

      Abs.

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    2. Ah, e eu esqueci de mencionar outro ponto interessante: a diferença colossal entre a primeira epístola de Pedro e a segunda, que é apontada pelos estudiosos liberais como uma "prova" de que a segunda de Pedro é espúria (escrita muitas décadas mais tarde, e por outros autores). É evidente que essa conclusão é falsa, mas se fôssemos nos pautar APENAS no estilo de linguagem e conteúdo, poderíamos concluir isso, pois a diferença é visível e inegável. Ou seja: enquanto 2 Pedro tem uma enorme semelhança com Judas, tem quase nada a ver com 1 Pedro, não obstante 1 e 2 Pedro tenham sido escritas pelo mesmo autor, e Judas não. Isso já deveria ser o bastante para se refutar aqueles que pensam que, em função da semelhança e/ou diferença na linguagem e/ou conteúdo de cartas, pode-se determinar uma mesma autoria, ou autorias distintas.

      Inclusive se vocês lerem os meus livros, vão ver que uns tem uma linguagem totalmente diferente de outros, primeiro porque a minha escrita foi amadurecendo com o tempo, e segundo porque em alguns livros eu decidi ser mais técnico, com um tom mais formal e acadêmico, e em outros fui mais informal, descontraído, natural, etc. Se alguém de fora quisesse descobrir o autor SOMENTE pela linguagem em si, jamais diria que se trata do mesmo, embora seja. Até o estilo de escrever mudou bastante, é só ir ver meus artigos antigos de 2012 e 2013, e comparar com os deste ano e do ano passado. Todos os estudiosos do grego afirmam que o grego do Apocalipse é absurdamente diferente do grego das epístolas de João, afirmam até mesmo que é um grego tosco e com erros de concordância, e no entanto, eu creio que se trata do mesmo autor que escreveu as epístolas em um tom refinado, e a maioria dos teólogos evangélicos e católicos pensam o mesmo.

      Em síntese, o argumento do estilo de linguagem é pouco relevante para se determinar a autoria, e se fosse assim, deveríamos repensar TODO o Novo Testamento, para não dizer a Bíblia inteira e toda a história antiga. Pessoas podem escrever com diferentes estilos dependendo de cada época da vida, do estado de espírito, de suas inspirações e referenciais, dos assuntos que tem a abordar, do seu público-alvo, e assim por diante. Além disso, muitas cartas na antiguidade eram apenas ditadas, e outra pessoa (um escriba) as colocava por escrito, às vezes influenciando no estilo e na gramática. Tudo isso tem que ser posto em consideração antes de se argumentar por esta linha, como já vi alguns fanáticos papistas sem formação e sem instrução fazendo para tentar "refutar" este artigo.

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    3. Olá Lucas e Alon!

      Muita boa sua argumentação!

      Lucas e Alon, o pior que essa, é uma das argumentações de muitos especialistas, que defende a autoria do Evangelho a João, a forma literária. Como disse, esse tema é interessante. Pretendo aprofundar nele.

      Abraços!

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    4. Neilom, tudo que você pesquisar será de grande ajuda, e pode acreditar que vamos ler com todo respeito e atenção.

      Você é sempre muito bem vindo.

      Alon

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  28. Neilom, eu escrevi a palavra luz apenas numa busca online e encontrei versos similares em todos os livros do NT.

    Alon

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  29. Neilom, se for seguir sua teoria, então posso concluir que quem escreveu o Livro de Joao, foi Paulo!

    João 12:35
    Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai.

    João 12:46
    Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

    1 João 1:5
    E esta é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele trevas nenhumas.

    1 João 2:9
    Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.

    Efésios 5:8
    Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.


    1 Tessalonicenses 5:5
    Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas

    Alon

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    1. Dá até pra brincar um pouco mais com isso, Alon:

      "Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação" (1 Pedro 2:2)

      "Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal" (Hebreus 5:13-14)

      "Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo" (1 Coríntios 3:2)

      Conclusão: 1 Pedro, Hebreus e 1 Coríntios foram escritas pelo mesmo autor! =)

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  30. Algo que não ficou claro, o "discípulo amado" deve ser uma figura proeminente (para ser íntimo de Caifas) ou irmão de Jesus (para encaixar com o "eis ai tua mãe")? Ou, mais estranhamente, ambos?

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    1. Olha, se eu responder isso agora, já mataria a charada e não sobraria "mistério" nenhum para o próximo artigo, por isso eu recomendo esperar pelo artigo de complemento a este, que vai sair provavelmente dentro de três ou quatro dias, porque hoje eu já tenho outro artigo pra postar. Abs.

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  31. Lucas. Se possível me tire a seguinte dúvida:
    Se João não escreveu o evangelho, ele portanto não é o discípulo amado, e também não é aquele que Jesus fala que iria ficar até que ele voltasse. Então o discípulo amado também teve a visita de Jesus, assim como João?
    Deus te abençoe enormemente!

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    1. Mas Jesus não disse que ele iria ficar até que ele voltasse, ele mesmo corrigiu essa má interpretação das palavras de Jesus:

      "Foi por isso que se espalhou entre os irmãos o rumor de que aquele discípulo não iria morrer. Mas Jesus NÃO DISSE que ele não iria morrer; apenas disse: 'Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa?'" (João 21:23)

      Abs!

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    2. Obrigado! Que Deus te abençoe grandemente! Seus textos me tiraram da escuridão!

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  32. Lucas, eu não consegui achar a resposta. Afinal, quem seria o discípulo amado?

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    1. Eu ainda preciso fazer o artigo de continuação. Vai sair neste mês de Maio. Abs!

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    2. Era um dos irmãos (ou uma das irmãs) de Jesus.Apenas pessoas da família poderiam (ou eram forçadas) ficar ao pé da cruz.

      Somente pessoas da família podiam ter acesso ao corpo para ungi-lo.

      Começa por aí...

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  33. estou com preguiça de ler todos os comentário para saber se alguem arriscou algum palpite sobe o autor... para mim, somente dois "camaradas" citados no NT poderiam se "candidatar" a autores do dito evangelho... José de Arimateia (rico e seguidor secreto de Jesus) ou Nicodemos que o sepultou junto com a ajuda de José de Arimateia... fico mais pelo d'Arimateia...

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  34. Eu tenho um ótimo palpite. Posso chutar?

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