3 de junho de 2013

Os judeus e o cânon veterotestamentário


Os sete livros apócrifos adicionados pelos católicos em suas Bíblias são do Antigo Testamento. O Antigo Testamento, por sua vez, foi confiado aos judeus, e não aos cristãos. Aos cristãos foi confiado o Novo Testamento (Nova Aliança), ao passo que aos judeus lhes foram confiados os oráculos de Deus no Antigo Testamento (Antiga Aliança). Foi exatamente isso o que Paulo escreveu aos romanos, dizendo:

“Que vantagem, pois, tem o judeu? Ou qual é a utilidade da circuncisão? Muita, de toda a maneira. Principalmente porque, na verdade, lhes foram confiados os oráculos de Deus. Que importa se alguns deles foram infiéis? A sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! Seja Deus verdadeiro, e todo homem mentiroso. Como está escrito: ‘De modo que são justas as tuas palavras e prevaleces quando julgas’” (Romanos 5:1-4) 

Paulo afirma que os oráculos de Deus foram confiados aos judeus, e nem mesmo o fato de eles terem crucificado o Senhor Jesus muda isso, pois ele mesmo afirma: Que importa se alguns deles foram infiéis? A sua infidelidade anulará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma! (v.3). Em outras palavras, o fato de que eles foram infiéis ao crucificarem o Senhor Jesus não muda “de maneira nenhuma” (v.4) a realidade de que os oráculos de Deus foram confiados a eles, não aos cristãos! Portanto, se temos que definir um cânon bíblico do Antigo Testamento, devemos consultar os judeus, e não a Igreja cristã.

O Antigo Testamento, sob a vigência da Antiga Aliança dada aos judeus, já existia muito antes da fundação da Igreja cristã, em 33 d.C.  Ele começou a ser escrito pelo judeu Moisés, que escreveu os primeiros cinco livros da Bíblia, chamados por Pentateuco, e foi seguido por outros escritores judeus que narraram a história do povo israelita desde a fuga do Egito, passando pelos juízes e pelos reis, até o exílio babilônico. A Igreja cristã sequer existia nessa época, portanto não pode ser a responsável para exercer autoridade sobre o Antigo Testamento. Querendo ou não, os judeus foram o povo eleito escolhido por Deus para os quais Ele confiou seus oráculos divinos da Antiga Aliança, no Velho Testamento, e são os judeus que tem a autoridade sobre ele.

Alegar que eles perderam essa autoridade por terem crucificado o Senhor Jesus Cristo apenas significa que a partir de então a Nova Aliança (Novo Testamento) estaria sob autoridade dos cristãos, e não mais do povo judaico, e não que eles tenham deixado de ter autoridade sobre o Antigo Testamento, o que Paulo é categórico em declarar que isso não aconteceria “de maneira nenhuma” (Rm.5:4), pois a fidelidade de Deus entregando os Seus oráculos veterotestamentários aos judeus permanece a mesma, ainda que os homens israelitas tenham sido infiéis.

Sendo assim, o que devemos pesquisar a partir de agora é: qual o cânon veterotestamentário aceito pela comunidade judaica da época de Cristo? O cânon aceito hoje pelos evangélicos ou o aceito hoje pelos católicos? Para isso contamos com o testemunho de um judeu muito conhecido do primeiro século d.C, que é Flávio Josefo (37 – 100), que escreveu sobre isso nas seguintes palavras:

“Não há pois entre nós milhares de livros em desacordo e em mútua contradição, mas há sim, apenas vinte e dois livros que contêm a relação de todo o tempo e que com justiça são considerados divinos. Destes, cinco são de Moisés, e compreendem as leis e a tradição da criação do homem até a morte de Moisés. Este período abarca quase três mil anos. Desde a morte de Moisés até a de Artaxerxes, rei dos persas depois de Xerxes, os profetas posteriores a Moisés escreveram os fatos de suas épocas em treze livros. Os outros quatro contêm hinos em honra a Deus e regras de vida para os homens. Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja (Flávio Josefo, Contra Apião, 1:41) 

Os judeus tinham o mesmo cânon aceito hoje pelos evangélicos, mas com uma agrupação diferente, que dava o número de vinte dois, ou às vezes vinte e quatro:

A LEI
(Torah)
OS PROFETAS
(Nebhiim)
OS ESCRITOS
(Kethubhim)
Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio
(Profetas Anteriores)
Josué
Juízes
Samuel
Reis

(Profetas Posteriores)
Isaías
Jeremias
Ezequiel
Os Doze Menores
(Livros Poéticos)
Salmos
Provérbios

(Cinco Rolos)
Cântico dos Cânticos
Rute
Lamentações
Ester
Eclesiastes

(Livros Históricos)
Daniel
Esdras-Neemias
Crônicas

Josefo afirma que existiam apenas vinte e dois livros aceitos como canônicos entre o povo judeu. Deve-se ressaltar que o número 22 deve-se ao fato de que os hebreus contavam os doze profetas menores como sendo um livro só, assim como os dois primeiros livros dos Reis que são contados como um só livro, bem como os dois de Samuel e os dois de Crônicas, e o livro de Neemias incluso dentro do livro de Esdras, dando um total de 24 livros, com todos os aceitos pelos evangélicos e sem nenhum apócrifo católico na lista. Outros contavam o livro das Lamentações de Jeremias como sendo um só livro com Jeremias, e 1ª e 2ª Samuel como fazendo parte do livro de Reis, dando assim um total de 22 livros, exatamente como contado por Josefo.

Sendo assim, podemos perceber claramente que os judeus tinham o mesmo cânon bíblico veterotestamentário que os evangélicos possuem, ou seja, com os mesmos livros. Eles não incluíam os apócrifos que eram contados à parte, porque não eram considerados inspirados por Deus. Esse outro gráfico nos mostra os livros veterotestamentários aceitos pelos evangélicos, pelos católicos e pelos judeus. Note que o cânon judaico está em conformidade com o cânon protestante, enquanto que no cânon católico está sobrando sete livros:

 

Temos, então, o testemunho do mais conhecido judeu do primeiro século afirmando que eles aceitavam vinte e dois livros como canônicos, rejeitando a adição dos livros apócrifos. Não apenas isso, mas ele também acrescenta que “desde Artaxerxes até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou”. O período de mais de quatrocentos anos, conhecido como “período intertestamentário”, em que os livros apócrifos católicos estão situados, e que vai desde Artaxerxes até a época de Cristo, não foi considerado digno de crédito entre os judeus, e a razão para isso era simples: a sucessão dos profetas havia acabado!

Sendo assim, embora eles reconhecessem a existência de tais livros apócrifos e os lessem, não os colocavam no mesmo grupo dos livros considerados canônicos e inspirados, porque não os reconheciam como proféticos nem tampouco dignos de crédito. E, para terminar, Josefo diz ainda que desde aquela época “ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja”, o que mostra que os próprios judeus reconheciam apenas aqueles vinte e dois livros como inspirados, sem jamais terem aceito algum outro a mais ou a menos no cânon. Portanto, o cânon veterotestamentário aceito pelos judeus é o mesmo aceito pelos evangélicos, rejeitando os apócrifos.


 Mas e o Concílio de Jâmnia?

Alguns católicos, na tentativa de contestar esse argumento, afirmam que o cânon veterotestamentário judaico só foi criado no Concílio de Jâmnia, que ocorreu em 90 d.C, ou seja, bem depois da morte de Jesus Cristo, e já na era da Igreja. Afirmam eles que foi somente neste Concílio que os livros de Ester e Cantares, por exemplo, foram aceitos entre os judeus. Mesmo se isso fosse verdade, isso em nada afetaria o argumento, que presume que:

 Os oráculos de Deus no AT foram confiados aos judeus, e os do NT aos cristãos.

 Os judeus rejeitam a canonicidade dos livros apócrifos.

 Portanto, os livros apócrifos devem ser rejeitados.

Se os judeus decidiram definir o cânon de 22 livros em Jâmnia, ou antes, ou mesmo depois, isso pouco importa – o que importa é que sabemos que eles adotam o mesmo cânon evangélico, rejeitando as adições espúrias dos livros apócrifos. O fato de eles terem supostamente determinado os limites do cânon veterotestamentário muitos anos após a morte de Cristo não tira o mérito deste cânon judaico, pois, como vimos, o próprio apostolo Paulo, logo após afirmar que os oráculos de Deus na Antiga Aliança foram confiados aos judeus, diz que nem mesmo o fato de eles terem sido infiéis anula essa verdade (Rm.5:1-4).

Ou seja: não muda em nada o fato de que eles permanecem como sendo os detentores dos oráculos divinos veterotestamentários, assim como a Igreja detém os oráculos de Deus na Nova Aliança (Rm.11:17). Portanto, assim como um judeu não pode querer determinar o cânon do Novo Testamento, pois o reconhecimento do cânon neotestamentário foi dado por Deus à Igreja, um cristão não pode contestar a legitimidade do cânon do Antigo Testamento aceito pelos judeus, pois foi a eles que Deus lhes confiou Seus oráculos, Sua lei, Seus escritos e Seus profetas na Antiga Aliança.

Ainda assim, temos que observar que o Concílio de Jâmnia não criou cânon nenhum, ele apenas reconheceu e confirmou o cânon já existente. Não houve qualquer alteração no cânon judaico antes e depois do Concílio de Jâmnia. Ele nem sequer discutiu a inclusão de livros no cânon, mas sim a continuação de alguns livros que lá estavam, como é o caso de Ester, Cantares, Provérbios e Ezequiel. No fim das contas, o mesmo cânon que já vigorava antes prosseguiu em vigência, e não foi feita qualquer alteração, os que estavam dentro continuaram dentro e os apócrifos continuaram das portas para fora da comunidade judaica!

O próprio Josefo, como já conferimos, aceitava o cânon judeu de 22 livros, e escreveu sobre ele décadas antes de Jâmnia. O Concílio de Jâmnia perdurou de 90 d.C até 118 d.C. Impossível que Josefo, que morreu em 100 d.C, tivesse escrito a Apião sobre a decisão deste Concílio. Mesmo assim, ele escreve sobre o cânon judaico de 22 livros, o mesmo que continuou valendo após Jâmnia. Desta forma, vemos que os hebreus já consideravam os 22 livros do AT inspirados sem a inclusão dos apócrifos desde muito antes de Jâmnia. E isso demonstra claramente que já existia a noção de um limite para os livros canônicos do Antigo Testamento já na época de Cristo. Foi por isso que Jesus disse:

Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar (Mateus 23:35)

Jesus diz que recairia sobre os fariseus todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel até o de Zacarias, “filho de Baraquias” (Zc.1:1). Note que Jesus não disse: “o sangue de Abel o de Zacarias” (como se estivesse citando dois exemplos ocasionais), mas sim: “desde o sangue de Abel até o de Zacarias”. Isso significa que ele estava expondo dois extremos: o martírio de Abel, logo no início da Bíblia e da história do AT, até Zacarias, cobrindo todo o tempo decorrido desde o início da composição do AT até 400 a.C, época em que o AT foi fechado. Embora Zacarias não tenha sido o último dos profetas, ele é o último dos profetas martirizado, uma vez que não se há menção na Bíblia ou na tradição rabínica de algum profeta martirizado entre Esdras e Malaquias (livros que sucedem Zacarias em ordem cronológica, conforme podemos observar no gráfico abaixo):

Ordem Cronológica
Nome do Livro
Data
Gênesis
40000 - 1689
Êxodo
1571 - 1490
Levítico
1490
Números
1490 – 1451
Deuteronômio
1451
Josué
1451 – 1426
Juízes
1426 – 1406
Rute
1312 – 1171
1ª e 2ª Samuel
1015 - 588
10º
1ª e 2ª Reis
607 – 534
11º
Daniel
520
12º
Ageu
520 – 487
13º 
Ester
520 – 495
14º
Zacarias
520 – 487
15º
Esdras
536 – 456
16º
Neemias
446 – 434
17º
Malaquias
397

Portanto, Jesus fez menção do primeiro martírio de algum justo no AT (de Abel, registrado em Gênesis), até o último registro histórico de algum profeta martirizado dentro do período que abrange a história do AT, que foi Zacarias, que de acordo com a tradição rabínica havia sido martirizado entre o santuário e o altar. E como que isso nos ajuda a delimitar o cânon do AT? Simplesmente porque os livros apócrifos foram escritos depois de Malaquias, muitos deles retratando acontecimentos que ocorreram neste período intertestamentário, entre Malaquias e Mateus. Tobias, por exemplo, relata acontecimentos que teriam ocorrido de 250 a 200 a.C; Judite foi escrito provavelmente em meados do séc. II a.C, durante a resistência dos Macabeus ou logo após; o livro de Macabeus retrata a revolta que ocorreu em 167 a.C.

Portanto, se Jesus considerasse esses livros – posteriores a Zacarias – inspirados, certamente teria feito menção a algum martírio que ocorreu nestes livros, deixando claro que a revelação divina no AT não acabou no século 400 a.C, mas abrange os próprios livros apócrifos. Ele, porém, não fez isso. Ao contrário, deixou absolutamente de mencionar qualquer martírio ocorrido em algum livro apócrifo, e não por não terem ocorrido martírio nenhum neste período (como é o caso de Esdras, Neemias e Malaquias que são posteriores a Zacarias), porque nos apócrifos há verdadeira riqueza em martírios.

No capítulo 7 de 2ª Macabeus, por exemplo, narra-se o martírio dos sete irmãos Macabeus, por causa da recusa deles à ingestão de carne de porco, da mesma forma que Eleazar. Cristo, porém, ao invés de dizer que cobraria dos fariseus todo o sangue derramado na terra, desde Adão até Eleazar, diz de Adão até Zacarias, mostrando claramente que a história dos martírios que perfaz o período do AT termina em 400 a.C, não se prolonga além disso. Se Jesus considerasse os apócrifos católicos como inspirados ou parte do cânon, não teria delimitado os martírios no AT apenas até a época de Zacarias, mas teria certamente incluído os Macabeus também, coisa que ele deixou de fora.

Outro personagem bíblico que também nos mostra que a história do AT se limitava até o século 400 a.C e não mais que isso é Estêvão. Em seu longo discurso em Atos 7, ele conta a história dos israelitas no AT desde Abraão, o pai dos hebreus (v.2), passando por Isaque (v.8), Jacó (v.8), os doze patriarcas (v.9), José (v.9), os quatrocentos anos de escravidão no Egito (v.19), Moisés (v.20), a libertação do povo israelita (v.35), as dez pragas e a abertura do Mar Vermelho (v.36), os quarenta anos no deserto (v.36), o bezerro de ouro (v.41), a entrada na terra prometida por meio de Josué (v.45), o tempo dos juízes até o reinado de Davi (v.45), o reinado de Salomão (v.47), e os profetas (v.52). Mas absolutamente nada é dito sobre qualquer registro em um livro apócrifo.

A revolta dos Macabeus, por exemplo, que foi um evento extremamente importante daqueles dias, foi completamente ignorada por Estêvão. Por quê? Porque ele estava contando a história do povo israelita presente no AT, e os Macabeus, assim como os demais livros apócrifos, não faziam parte do verdadeiro cânon, razão pela qual nada foi dito sobre eles. A revelação divina ao povo israelita no AT realmente parece ter um fim no século 400 a.C, e não séculos mais tarde. Por isso mesmo, após a narração desses acontecimentos do AT abrangendo todo o período desde Abraão até 400 a.C, sem incluir nenhum apócrifo, ele pula direto para a vinda do Justo (v.52), Jesus Cristo. Ou seja: passa-se direto à Nova Aliança, ao Novo Testamento.

Por isso, os livros apócrifos não eram considerados registros bíblicos, mas meramente registros históricos, que eram algumas vezes citados no NT, assim como outros apócrifos que nem ao menos são aceitos pelos próprios católicos, como é o caso do apócrifo de Enoque que é citado em Judas 14, do livro da Assunção de Moisés que é citado em Judas 9, da comédia grega Thais (escrita pelo poeta grego Meandro) que é citada por Paulo em 1ª Coríntios 15:33, da obra Cretica, de Epimênides (600 a.C), que é citada por Paulo em Atos 17:28, da obra Fenômenos, escrita pelo poeta grego Arato (315 – 240 a.C), ou de Cleanto (331 – 233 a.C) em seu Hino a Zeus, que tem citações de suas obras mencionadas pelo mesmo apóstolo em Atos 17:28.

Portanto, o simples fato de os apócrifos serem citados algumas vezes no NT não prova que eles sejam inspirados ou que façam parte do cânon bíblico. Isso explica o porquê que nunca algum livro apócrifo é chamado por algum apóstolo ou por Jesus Cristo como “Escritura”, e o porquê que jamais alguma citação de um livro apócrifo é antecedida da menção ao “assim diz o Senhor” ou do “está escrito”, que aparece 90 vezes em todo o NT, mas nunca como referência a algum apócrifo. A única passagem que alguns católicos sustentem que chamaram algum apócrifo de “Escritura” no NT está naquilo que Jesus disse em Mateus 4:4:

“Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4)

Segundo eles, Jesus estava fazendo menção a Sabedoria 16:26, que diz:

“Para que os filhos que vós amais, Senhor, aprendessem que não são os frutos da terra que alimentam o homem, mas é vossa palavra que conserva em vida aqueles que creem em vós” (Sabedoria 16:26)

Estes textos podem ser parecidos, mas a referência direta e exata a que Jesus se refere não é a de Sabedoria 16:26 que fala dos “frutos da terra” que “conservam vida naqueles que creem”, mas a Deuteronômio 8:3, que de modo claro, exato e direto reescreve exatamente as mesmas palavras utilizadas por Jesus em Mateus 4:4:

“Humilhou-te com a fome; deu-te por sustento o maná, que não conhecias nem tinham conhecido os teus pais, para ensinar-te não só de pão vive o homem, mas de tudo o que sai da boca do Senhor (Deuteronômio 4:4)

Portanto, asseguradamente os apócrifos católicos nunca foram considerados Escritura por Cristo ou por qualquer apóstolo, nunca estão inseridos no discurso de alguém que delimita a extensão dos acontecimentos do AT (como Jesus fez em Mateus 23:35 e Estêvão fez em Atos 7) e nunca foram aceitos como canônicos pelos judeus (como nos mostra Flávio Josefo), e tudo isso muito antes do Concílio de Jâmnia, o que encerra a questão.

Paz a todos vocês que estão e Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


-Meus livros:

-Veja uma lista completa de livros meus clicando aqui.

- Acesse o meu canal no YouTube clicando aqui.


-Não deixe de acessar meus outros sites:
Apologia Cristã (Artigos de apologética cristã sobre doutrina e moral)
O Cristianismo em Foco (Reflexões cristãs e estudos bíblicos)
Estudando Escatologia (Estudos sobre o Apocalipse)
Desvendando a Lenda (Refutando a Imortalidade da Alma)
Ateísmo Refutado (Evidências da existência de Deus e veracidade da Bíblia)

9 comentários:

  1. Caro Lucas Benzoli,

    Gosto muito do seu blog, admiro a maneira como você aborda os temas. Embora tenhamos crenças diferentes, na maioria nós concordamos.

    Gostaria de pedir uma ajuda, pois sempre ouço alguns argumentos os quais ainda não sei as melhores maneiras de responder. Irei cita-los aki.

    (1) A Igreja Católica que reuniu os livros do novo testamento, será que Deus usou uma igreja errada pra fazer a Bíblia?

    (2) Que o Livro de Sabedoria foi escrito por Salomão (embora eu tenha minhas dúvidas sobre esta afirmação).

    (3) Que existem judeus que Creem no novo testamento, outros creem apenas no antigo testamento, tem aqueles que creem na septuaginta (com os 15 livros apócrifos). Sendo assim não teriamos como saber quais deles estão certos em definir o cannon do antigo testamento. (Gostaria mais claramente de ajuda em saber se existem diversos tipos de judaísmo que creem em cannons diferentes ou se isso é apenas uma falsa informação do catolicismo). Se existem diversos tipos, como responder a esta questão?

    Agradeço a paciência! ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, a paz de Cristo.

      (1) Não foi a Igreja Católica quem reuniu os livros do NT, foi a Igreja Cristã dos primeiros séculos, que nada tinha de católica romana. Que os Pais da Igreja não eram católicos romanos você pode conferir em pelo menos vinte e oito artigos aqui no blog:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/search/label/Pais%20da%20Igreja

      (2)O livro de Sabedoria é normalmente atribuído a Salomão pelos católicos, porém os estudiosos afirmam que foi escrito por um judeu de Alexandria, que escreveu o livro nos últimos decênios do séc I a.C, atribuindo a obra a Salomão. A discrepância notável entre Sabedoria e Eclesiastes (este sim escrito realmente por Salomão) e as claras marcas de influência helenista na Sabedoria mostram claramente que não foi realmente Salomão quem escreveu este livro, mas que ele foi escrito no período intertestamentário assim como os demais apócrifos.

      (3) Eu pretendo escrever um artigo precisamente para tratar sobre este tema do Cânon Alexandrino nos próximos dias, mas já adiantando alguma coisa, nunca existiu um cânon alexandrino em discordância com o cânon palestino, os alexandrinos não fizeram cânon nenhum, eles apenas fizeram uma lista de livros para a leitura, isto é, para a edificação, e não uma lista de livros canônicos. Portanto não havia discordância entre os judeus sobre o cânon. Mas sobre isso eu tratarei com mais profundidade no artigo que irei fazer esses dias.

      Um abraço!

      Excluir
    2. Muito obrigado, graças a suas informações, agora poderei me deter em estudar mais ^^ Muito claro e objetivo nas respostas, meus parabéns. Que Deus te abençoe e que possa trazer muito mais esclarecimentos para nós leigos rs... ^^ Tenho outras questões, mas tentarei propor nos posts coerentes.

      Excluir
  2. Lucas,

    Sobre o trecho de Romanos 5:1-4, já vi católicos associando a autoridade dos oráculos judeus no antigo testamento com a clero no Vaticano, supostamente este exerceria o mesmo papel que aquele. E eles parafrasearam Paulo dizendo que "não importava se alguns dos sacerdotes são corruptos ou cometem qualquer outro crime, as suas infidelidades não comprometem a fidelidade de Deus". Por que os dois não são equivalentes? Quais são os erros dessa argumentação?

    Abraços e Fique com Deus!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Matheus, a paz. O erro está em crer que a Igreja seja uma instituição ou denominação religiosa em particular, o que eu já mostrei diversas vezes que não é verdadeiro. Há um artigo no site onde eu abordo isso com bastante amplitude, sobre o significado de Igreja à luz da Bíblia, que em nada tem a ver com o conceito católico a este respeito:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/05/as-portas-do-inferno-nao-prevalecerao.html

      Portanto, se a Igreja fosse uma INSTITUIÇÃO religiosa particular, X ou Y, seja ela católica romana, ortodoxa ou presbiteriana, aí sim poderíamos pensar neste argumento, mas como o conceito de ekklesia exclui a interpretação de que seja uma instituição, mas se refere a um CORPO de pessoas que creem em Cristo e observam os mandamentos de Deus, então logicamente só faz parte deste Corpo aquele que é obediente a Ele, e não "sacerdotes são corruptos ou cometem qualquer outro crime".

      Vale ressaltar que eu nunca disse que a Igreja Católica não é a Igreja de Cristo PORQUE tem padres pedófilos ou corruptos, pois isso tem em qualquer igreja. A razão pela qual a Igreja Católica não é a Igreja de Cristo é pelo aspecto DOUTRINÁRIO, que envolve TODA a instituição romana e não apenas uma parte dela, como alguns padres em exceção.

      Abraços!

      Excluir
    2. Lucas, é interessante observar que a Bíblia responde muito mais do que imaginamos. Observe você que surpreendentemente Jesus delimitou os livros do Velho Testamento em 24 livros quando citou Mateus 23:35,

      “Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar”.

      O primeiro mártir, Abel, todos sabem que está em Gênesis, porém, o último mártir não foi Zacarias, mas sim Urias (não o de Davi). Por que Jesus citou Zacarias? Porque seu martírio está registrado no último livro da Bíblia que Jesus usava, e que por sinal é a mesma sequência que está hoje na Bíblia dos hebreus, ou seja, o último Livro do V Testamento que Jesus citou é II Crônicas, ali é que se encontra o martírio de Zacarias.

      Jesus estava responsabilizando os judeus por todos os mártires do Velho Pacto. Portanto, nessa coleção temos 24 livros, isto porque muitos deles foram contados juntos, como I e II Samuel, que era um livro só. Mas o pior disso tudo é que esses 24 livros, se desdobrados, jamais perfazem o total de 46 livros contidos na Bíblia católica, mas sim contam 39 livros como nas nossas bíblias protestantes.

      Abraços

      Excluir
    3. Muito boa as suas considerações, Alon, obrigado por postar. Um abraço!

      Excluir
  3. Menino que texto hein? kkkkkk exatamente isso que tava procurando. Valeu

    ResponderExcluir

Seu comentário será publicado após passar pela moderação. Ofensas, deboches, divulgação de páginas católicas (links) e manifestações de fanatismo não serão aceitos. Todos os tipos de perguntas educadas são bem-vindas e serão respondidas cordialmente. Caso o seu comentário ainda não tenha sido liberado dentro de 24h, é possível que ele não tenha chegado à moderação, e neste caso reenvie o comment.