12 de novembro de 2012

"A mortalidade da alma é uma crença de grupos sectários"



Quantas vezes o prezado leitor já ouviu alguém dizer que “a mortalidade da alma é uma crença pregada por grupos sectários”? Como eles não sabem refutar a crença bíblica na mortalidade da alma sem cair nas mesmas repetições já refutadas há muito tempo, eles apelam para uma falácia já há muito tempo conhecida, que consiste em assemelhar essa doutrina com algum grupo considerado “herético”, para assim conseguir desacreditar nessa doutrina a priori. Geralmente, isso é feito com as testemunhas de Jeová (não poucas vezes com os adventistas), e consiste no seguinte raciocínio lógico:

As Testemunhas de Jeová são uma seita.

As Testemunhas de Jeová creem na mortalidade da alma.

Logo, a mortalidade da alma é uma “crença de grupos sectários”.

Este é o argumento mais ridículo que eu já vi na minha vida, se bem que nem deve ser chamado de “argumento”, é apenas uma técnica de escárnio para ridicularizar os que creem na doutrina bíblica da mortalidade natural da alma humana, assemelhando-a a crenças de grupos sectários para poder assim passar a falsa noção de que quem crê nela é “menos ortodoxo”, e que quem crê que a alma é imortal é “mais ortodoxo”. Nada mais ridículo do que isso.

O argumento é tão desprezível que basta um simples raciocínio lógico semelhante que chegamos exatamente a conclusão oposta por muitas outras vias. Por exemplo:

A Igreja Católica é uma seita.

A Igreja Católica crê na imortalidade da alma.

Logo, a imortalidade da alma é uma crença de grupos heréticos.

Ou então:

Os espíritas são um grupo herético.

Os espíritas creem na imortalidade da alma.

Logo, a imortalidade da alma é uma crença de grupos heréticos.

Ou então:

Os hindus não são cristãos.

Os hindus creem na imortalidade da alma.

Logo, a imortalidade da alma é uma crença de grupos não-cristãos.

Ou então:

Os budistas não são cristãos.

Os budistas creem na imortalidade da alma.

Logo, a imortalidade da alma é uma crença de grupos não cristãos.

Ou então:

Praticamente todos os povos pagãos na história da humanidade (gregos, egípcios, mulçumanos, etc) creram ou creem na imortalidade da alma.

Estas religiões ou povos pagãos são heréticos.

Portanto, a imortalidade da alma é uma heresia.

Note que usando o mesmo raciocínio destas criaturas, podemos chegar a conclusão de que a imortalidade da alma é mil vezes mais herética e sectária do que a mortalidade da alma. Na verdade, a única verdadeira seita que é contra a imortalidade da alma são as TJS, enquanto que todas as outras seitas e grupos heréticos (católicos, hindus, budistas, mulçumanos, etc) são adeptos da imortalidade da alma, porque Satanás se esforçou em implementar a primeira semente do erro na grande maioria dos falsos sistemas religiosos, uma vez que a heresia pagã da imortalidade da alma é a base de todas as demais heresias existentes em muitos destes meios (tais como o culto aos mortos, a idolatria, a mediação de santos mortos, a reencarnação, e por aí vai) que tem na raiz da sua existência a crença em uma alma imortal, pois se a alma não é imortal então nenhuma dessas heresias existiria.

Então, vemos que o argumento deles se volta fortemente contra eles mesmos quando usamos o cérebro para pensar um pouco. A imortalidade da alma sim é uma crença de origem pagã, é a base de todas as outras heresias mais destrutivas que já existiram na história da humanidade, e por isso mesmo foi a primeira mentira inventada por Satanás (Gn.3:4), para servir de coluna e fundamento de todas as demais mentiras. E ela é crida pela esmagadora maioria dos grupos sectários e totalmente não-ortodoxos, à exceção das TJS, pois era necessário que alguma seita não cresse na imortalidade da alma, para que tais indivíduos assemelhassem o mortalismo a algum grupo herético e dessa forma desacreditasse em tal doutrina.

Para terminar e mostrar como a mortalidade da alma vem ganhando cada vez mais adeptos no mundo todo através da revelação das Escrituras Sagradas (que libertam, e não aprisionam) e é a tendência da comunidade evangélica nos próximos anos, recomendo aqui alguns artigos meus que demonstram isso de forma inequívoca, como esse que mostra que o próprio Martinho Lutero não cria na imortalidade da alma:


Há luteranos que até hoje acatam a mesma visão holista de Lutero, inclusive na IECLB. Nas instruções sobre sepultamento da IECLB se percebe a clara ênfase na ressurreição dos mortos. Este é um ponto bem interessante:

"Na fórmula de sepultamento importa evitar falar em 'entregarmos seu corpo...'. Tal linguagem pode fomentar compreensões espíritas, de que o corpo é sepultado enquanto a alma ou o espírito continuariam vivendo e se reencarnando. Sugerimos formulações como 'entregamo-lo/a' o 'entregamos o/a falecido/a'”

E eis como um catecismo dos luteranos, em alemão, também destaca isso:

O Evangelischer Erwachsenenkatechismus(Catecismo Evangélico Para Adultos), da Igreja Luterana, admite abertamente que "a fonte de ensino de que a alma humana é imortal não é a Bíblia, e sim o filósofo grego Platão (427-347 AC), que sustentava enfaticamente que havia uma diferença entre o corpo e a alma”. Prossegue dizendo: “Os teólogos evangélicos dos tempos modernos questionam esta combinação de conceitos grego e bíblico... rejeitam a separação do homem em corpo e alma”. E mais adiante: “Visto que o homem, como um todo, é pecador, portanto, na morte, ele falece completamente, com corpo e alma (morte total). Entre a morte e a ressurreição há uma lacuna; no melhor dos casos, a pessoa continua sua existência na memória de Deus”.

Da mesma forma que muitos luteranos seguem até hoje a crença bíblica da mortalidade natural da alma que foi pregada por Lutero, vemos também uma esmagadora quantidade de apologistas e eruditos cristãos das mais diferentes denominações evangélicas que vem adotando a linha cristã do holismo bíblico e rejeitando a mentira de que “certamente não morrerás” (Gn.3:4). Dentre eles eu destaquei alguns neste artigo que é a terceira parte de uma série de três:


Termino aqui com uma citação do pastor luterano Martin Volkmann, que disse:

“Nós somos almas, e não temos uma alma. Alma é a força da vida ou a própria vida (Salmo 6:4, 23:3, Mateus 6:25, 10:28, Romanos 11:3, 2 Coríntios 1:23). Alma é o mesmo ego que tem força de vontade e busca por algo. Assim, a alma não é uma partícula imortal em seres humanos, mas se uma pessoa morre, morre a pessoa inteira. Essa não é a última palavra. Assim como Deus criou o homem do nada, ele cria nova vida na ressurreição. Como vemos, há duas concepções de vida após a morte. A diferença, segundo certo modo de pensar, é que a parte supostamente imortal não foi afetada pelo pecado em nós, enquanto na outra forma de pensar reconhece-se a natureza radical do pecado e proclama uma nova vida através da obra salvadora de Deus

Depois dessa, eu quero ver quem vai ser o próximo a alegar a infantilidade de que “a mortalidade da alma é uma crença de grupos sectários e não-ortodoxos”, que não passa de uma tática falaciosa para ridicularizar o lado adversário e é usada por “apologistas” imaturos, inexperientes e sem argumentos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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5 comentários:

  1. Pareces ter apreço pela verdade da Bíblia, porque utilizas então a cruz, que é claramente um símbolo pagão incorporado pelos falsos cristãos? Pesquise sobre o termo grego 'stauros': Não há motivos para ele ser traduzido por 'cruz'.

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    1. Vejamos o que diz a Concordância de Strong a este respeito:

      4716 σταυρος stauros
      da raiz de 2476; TDNT - 7:572,1071; n m
      1) cruz.
      1a) instrumento bem conhecido da mais cruel e ignominiosa punição, copiado pelos gregos
      e romanos dos fenícios. À cruz eram cravados entre os romanos, até o tempo de
      Constantino, o grande, os criminosos mais terríveis, particularmente os escravos mais
      desprezíveis, ladrões, autores e cúmplices de insurreições, e ocasionalmente nas
      províncias, por vontade arbitrária de governadores, também homens justos e pacíficos, e
      até mesmo cidadãos romanos.
      1b) crucificação à qual Cristo foi submetido.
      2) “estaca” reta, esp. uma pontiaguda, usada como tal em grades ou cercas.

      Se você tiver um léxico de grego melhor e mais respeitado mundialmente do que esse, e que diga o contrário, fique a vontade para passá-lo aqui.

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  2. E aí, Lucas. Tudo bem? Bom, a minha pergunta é a seguinte: eu gostaria de saber quem te influenciou a crê na Mortalidade da Alma? Caso não tenha sido influenciado por ninguém... queria saber como você chegou a conclusão de que a "Alma é mortal"(na Terra).
    Aguardo o seu comment. Abs!

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    1. Eu não levava o mortalismo a sério até certo dia me deparar com um artigo de um certo Gilson Medeiros, no começo de 2010. O artigo em si não tinha nada de mais, mas uma declaração dele ficou martelada na minha cabeça e não saía dela de jeito nenhum:

      “Se as pessoas que morreram em Cristo já estão no Céu, então qual a necessidade da ressurreição? Por que elas precisariam deixar o Céu, voltar para o corpo sepultado, ressuscitar novamente e retornar para o Céu? Será que é por causa deste ‘dilema doutrinário’, impossível de ser resolvido, que não se vê muita pregação sobre a ressurreição nas igrejas cristãs que creem no estado consciente dos mortos?”

      Eu não me tornei imediatamente mortalista depois disso, mesmo porque essa questão é muito complexa e ampla para alguém mudar do dia pra noite, mas isso ficou na minha cabeça como poucas coisas antes. “Pois é... pra que serve a ressurreição mesmo? Se já estamos no céu... pra que ressuscitar então?”. Pela primeira vez, eu comecei a ter olhos para a doutrina da ressurreição, algo tão pouco pregado na maioria das igrejas que eu próprio não dava valor, precisamente porque ressurreição é uma coisa desnecessária e irrelevante em um sistema imortalista, resumindo-se simplesmente a um “acréscimo de um corpo”, o que chega a ser um insulto se comparado com o ensino bíblico a respeito da mesma.

      Por coincidência ou “cristocidência”, naquele mesmo dia à noite ou na noite seguinte eu estava em meu devocional no capítulo 15 de 1ª Coríntios, que era justamente o capítulo da... ressurreição. E então me deparei ‘pela primeira vez’ com todos aqueles versículos que deixam claro que se não fosse pela ressurreição nem haveria uma vida póstuma a ser desfrutada, tudo se limitaria a esta vida e seríamos os mais infelizes de todos os homens, que estaríamos correndo perigo em nome de Cristo à toa e sem razão, e assim por diante (vs. 18, 19, 32, etc).

      Não que eu já não tivesse lido esses versos algumas dezenas de vezes antes, mas pela primeira vez na vida os entendia, com uma clareza tão grande que parecia ser a primeira. É aquele típico momento em que dizem que “caiu a ficha”, ou que “meus olhos se abriram”. A ressurreição só faz sentido e só pode ser tão importante e fundamental se não existisse vida após a morte sem ela. Em outras palavras, se não há uma “alma imortal”. E justamente em função dessa crença existir hoje, é que se fala tão pouco em ressurreição – em um contraste gritante com os escritores bíblicos, que colocavam uma ênfase assustadora neste ensino.

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    2. O próximo passo foi conferir o que a Bíblia diz a este respeito como um todo. Foram muitas leituras, mas a conclusão foi basicamente a seguinte: discutir sobre isso com base no AT é covardia, e no NT até “dá jogo” por causa de umas meia dúzia de textos isolados que os imortalistas usam sempre, daquele jeito: um é uma parábola, outro é uma vírgula fora do lugar que muda totalmente o sentido da frase, outro é uma simbologia apocalíptica e outros só funcionam quando se ataca a doutrina do sono da alma e não da morta da mesma (por exemplo, o “partir e estar com Cristo”). E ainda há mais provas contra a imortalidade da alma no NT do que no Antigo, embora o Antigo seja mais explícito a este respeito porque os salmistas e outros autores veterotestamentários (como Eclesiastes e alguns proféticos) costumavam refletir muito sobre a morte “em voz alta”, o que no NT não era mais necessário, focando menos no estado atual sem vida dos mortos e mais no estágio seguinte de vida (i.e, a ressurreição), por isso tanta ênfase na ressurreição.

      Dos materiais que me ajudaram a me esclarecer nesta doutrina no início, posso citar aqui principalmente os extraordinários artigos do prof. Azenilto Brito, do qual não tenho palavras para descrever o quão importantes e impactantes foram:

      http://www.c-224.com/A-IMORTALIDADExxz.html

      Por coincidência acabei o conhecendo nesta época no Orkut, mantivemos contato por um tempo e ele me passou a síntese do livro do Dr. Samuelle Bacchiocchi sobre o tema, que não é vendido mais (o Azenilto foi o tradutor deste livro aqui no Brasil). Na internet você ainda encontra dois capítulos completos que também são muito úteis, pois é o estudo mais aprofundado que conheço sobre os significados de alma e espírito nos originais hebraico e grego:

      http://www.verdadeonline.net/textos/cap2-ivimortal.htm

      http://www.verdadeonline.net/textos/cap3-ivimortal.htm

      Bom, bem resumidamente, é isso. Eu só poderia acrescentar a isso que o que mais contribuiu para me fortalecer cada vez mais nessa crença foram os argumentos imortalistas, que, ao longo destes oito anos de pesquisa, são cada vez mais ruins e só provam que o mortalismo está certo mesmo. São sempre os mesmos argumentos rasos e já refutados, e contra-argumentações superficiais e ruins. E o pior: é repetitivo, sempre com os mesmos argumentos em cima dos mesmos textos; eu nem precisaria de oito anos de pesquisa, bastaria uma semana que daria no mesmo, o resto é tudo repetição dos mesmos sofismas; como se não importasse o quanto eles são sempre refutados nos mesmos textos, continuam usando-os mesmo assim.

      Abs!

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