22 de maio de 2013

As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja



Este é um estudo aprofundado que decidi escrever sobre o jargão mais utilizado pelos católicos – o de que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” (Mt.16:18). O estudo se divide em cinco partes:

(1.1) – Introdução

            (1.2) – Como a segunda parte de Mateus 16:18 é comumente utilizada pelos católicos.


(2.1) – O que é a Igreja?

            (2.2) – O significado bíblico de Igreja-ekklesia.

            (2.3) – O significado etimológico de Igreja-ekklesia.


(3.1) – Mas e se fosse uma instituição?

            (3.2) – Características temporais da Igreja atribuídas igualmente aos ortodoxos.

            (3.3) – Divergências entre católicos romanos e ortodoxos.


(4.1) – Mas e se essa instituição fosse a Romana?

            (4.2) – Divergências entre católicos tradicionais e carismáticos.

            (4.3) – Divergências entre católicos sedevacantistas e os demais católicos.

            (4.4) – As várias facetas da Igreja Católica.


(5.1) – Considerações Finais.

            (5.2) – O real significado e implicação de “as portas do inferno não prevalecerem contra a Igreja”.

            (5.3) – Dez pontos que provam que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja.


I - Introdução

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mateus 16:18)

Este versículo tem sido utilizado há séculos por apologistas católicos na defesa da fé romana. Sempre quando escrevo um artigo daqueles que nenhum católico consegue refutar, aparece na caixa de comentários coisas do tipo: “A Igreja Católica não pode ser refutada porque as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Por vezes, este “argumento” ganha uma cara diferente, mas não menos falaciosa, tal como:

 A Igreja Católica jamais poderia ter apostatado, porque as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja.

 O protestantismo foi criado pelo diabo, mas as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja.

 A Igreja Católica é a única Igreja de Cristo porque tem dois mil anos e as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja.

 Mesmo diante de todos os cismas e heresias, as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja.

Em todas as afirmações acima vemos declarações falsas estando respaldadas não por argumentos, mas unicamente por Mateus 16:18. Então, vemos que essa segunda parte de Mateus 16:18 serve como uma espécie de carta-curinga que é usada para salvar qualquer católico em qualquer situação desesperadora, geralmente em contextos assim:

Evangélico refuta biblicamente uma doutrina católica.

Católico não tem contra-argumentação bíblica para isso.

Então, Mateus 16:18 entra em cena alegando que as portas do inferno não vão prevalecer contra a igreja dele (como se a exposição bíblica fosse uma “ameaça do inferno” contra a sua igreja).

Em outros momentos este argumento também aparece em outros contextos, tais como:

Evangélico prova biblicamente e/ou historicamente que determinada doutrina (ou dogma) da Igreja Romana é uma adição posterior inexistente nas Escrituras e nos primeiros Pais da Igreja, ou seja, um desvio da doutrina apostólica.

Católico não tem como provar por estes mesmos meios que a afirmação evangélica não procede.

Então, usa Mateus 16:18 e diz que, se essa doutrina (ou dogma) é realmente uma adição posterior ao evangelho (i.e, uma falsa doutrina inventada por Roma), então os cristãos ficaram crendo nela por mais de um milênio até a Reforma, e as portas do inferno teriam prevalecido sobre a Igreja.

Por fim, há vezes também em que este “argumento” ganha uma cara mais ofensiva de quem realmente já está bem desesperado, e diz coisas do tipo:

 Seu servo satânico, você nunca vai derrubar o catolicismo porque as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja...” (pode parecer engraçado, mas eu realmente já recebi cartas assim!).

Portanto, para derrubar todos esses sofismas de uma só vez, nada melhor que explicar definitivamente o que significa que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Antes, é necessário dizer que a primeira parte do versículo, em que Cristo diz que “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, já foi explicada detalhadamente inúmeras vezes por mim, de modo a não deixar dúvidas sobre este assunto:








Por isso, o que será elucidado neste artigo se refere à segunda parte do verso. Boa leitura a todos.


II – O que é a Igreja?

Para entendermos o que Cristo quis dizer ao afirmar que as portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja, primeiramente temos que saber o que é Igreja a luz da Bíblia, ou senão todo o significado do texto se perde. Os católicos, ao lerem este texto, interpretam automaticamente duas coisas que distorcem o significado textual da passagem e a manipulam de forma tendenciosa a formar o argumento a favor deles, que implica em que:

 Essa Igreja é uma instituição religiosa física.

 E essa instituição religiosa é a Igreja Católica Romana.

Sem interpretarem que essa Igreja em questão é uma instituição religiosa em particular e que essa instituição não pode ser outra senão a Igreja Romana, toda a argumentação católica vira simplesmente lixo. Eles precisam, necessariamente, colocarem a instituição deles ali na declaração de Cristo, ou então toda essa argumentação é em vão. O que ocorre, porém, é que o verdadeiro significado de Igreja, à luz das Escrituras, não é de uma instituição religiosa, mas da reunião de todos os verdadeiros cristãos em qualquer parte do mundo. Isso eu expliquei extensivamente neste artigo:


Junto a este artigo, escrevi outros explicando novamente o significado de Igreja à luz da Bíblia, cuja leitura é essencial para entender o que ela significa:





Um resumo bem resumido de tudo o que podemos compreender através da leitura destes e de outros artigos, é que:

-A Igreja não é uma instituição religiosa, mas o Corpo de Cristo:

O Corpo de Cristo, que é a Igreja, não é uma instituição ou denominação A ou B. O Corpo de Cristo somos nós mesmos, como o apóstolo Paulo faz questão de relembrar:

“Pois o que eu sofro no meu corpo pela Igreja, que é o Corpo de Cristo, está ajudando a completar os sofrimentos de Cristo em favor dela” (Colossenses 1:24)

“Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular” (1 Coríntios 1:12) 

Notem que Paulo afirma que a Igreja é o Corpo de Cristo, e, em outra ocasião, declara que este Corpo de Cristo, que é a Igreja-ekklesia, não é uma instituição religiosa centralizada em Roma ou em qualquer outro lugar, mas somos nós mesmos, isto é, os verdadeiros cristãos que adoram a Deus “em espírito e em verdade” (Jo.4:23), pois “são estes os adoradores que o Pai procura” (Jo.4:23). Se Cristo quisesse dizer que a Igreja de Cristo seria uma instituição religiosa com sede em Roma, então teria dito que seria Roma quem tomaria o lugar de Jerusalém. Quando a mulher samaritana estava conversando com Jesus em João 4 e afirmou que seria em Samaria que o povo de Deus deveria adorá-lo, Cristo respondeu:

“Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Jesus declarou: Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém” (João 4:20-21)

A antiga aliança, feita entre Deus e os judeus, estava chegando ao fim. Os judeus iriam crucificar Jesus, e a Igreja tomaria o lugar da comunidade judaica na Nova Aliança que se aproximava. Ele “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo.1:11). Então, Cristo Jesus afirma que estava próximo o tempo de chegar essa Nova Aliança, onde a ekklesia não seria nem em Jerusalém nem tampouco em Samaria. Qualquer católico romano poderia olhar para este texto e então sugerir: “Claro, será em Roma! Cristo estava profetizando sobre a Igreja Romana”

Porém, o que o nosso Senhor respondeu foi: 

“No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:23-24) 

Cristo não falou que a Igreja-ekklesia da Nova Aliança estaria centralizada em Roma ou em qualquer outro lugar, como Jerusalém era no Antigo Pacto. Ao contrário: afirmou que a Igreja seria aqueles que o adorassem – em qualquer lugar que fosse – em espírito e em verdade.  Qualquer crente em Cristo Jesus, que guarda os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Ap.12:17), adorando-o em espírito e em verdade, é um membro do Corpo de Cristo (=Igreja), independentemente da congregação, denominação ou instituição religiosa em que congrega, o que nada mais é senão placas, que não conduzem ninguém à salvação. 

Portanto, ao invés de a Igreja ser uma instituição religiosa com sede em Roma e liderada por um papa com poderes de infalibilidade (como pregam os católicos), a Igreja é o Corpo de Cristo que é formado por todos aqueles que o adoram com sinceridade de coração e em espírito e em verdade. Sendo assim, as alegações católicas são facilmente refutadas com um tiro só. Tais como: 

“A Igreja reconheceu o cânon”

“A Igreja é a coluna e sustentáculo da verdade”

“As portas do inferno não prevaleceriam contra a Igreja”

Tudo isso é verdade. Porém, tais argumentos só dão certo para os católicos quando eles distorcem o significado de Igreja-ekklesia a seu bel-prazer. Quando tomamos o significado real legítimo daquilo que a Igreja significa, vemos que Jesus Cristo não estava dizendo que uma instituição religiosa com sede em Roma seria a coluna e sustentáculo da verdade cujas portas do inferno jamais prevaleceriam.

Ele estava dizendo, antes, que os cristãos verdadeiros que o adoram em espírito e em verdade e que guardam os seus mandamentos seriam colunas que sustentariam a verdade bíblica e cristã, seriam a luz do mundo, guias para cegos, um farol que indicaria o Caminho a ser seguido, que é Cristo, a verdade absoluta (Jo.14:6). Da mesma forma, ele estava dizendo que, contra estes cristãos verdadeiros e legítimos, as portas do inferno não iriam prevalecer. Você estará protegido das “portas do inferno”, não porque faça parte de uma instituição religiosa A ou B que resida em Roma ou no Iraque, mas sim porque “guarda os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap.12:17).

Se você adora a Deus de todo o coração e guarda os Seus mandamentos perseverando neles até o fim, as portas do inferno não prevalecerão contra você. Mas, se você ignora a Palavra de Deus e prefere seguir as ordenanças papais antes que ao testemunho de Cristo, você poderá fazer parte de qualquer instituição religiosa que seja, que isso não mudará nada em sua vida e não o livrará da condenação. Pois o que o salvará no último dia não será a instituição religiosa que você fez parte, mas o quanto que você amou a Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e com todo o teu entendimento, e ao seu próximo como a si mesmo.

Tudo isso também é confirmado pelos próprios dicionários do grego, como o léxico da Concordância de Strong, que corrobora com a afirmação de que a Igreja, ao invés de ser uma instituição religiosa, é a reunião de cristãos em diferentes lugares:

-Léxico da Concordância de Strong:
1577 εκκλησια ekklesia
de um composto de 1537 e um derivado de 2564; TDNT - 3:501,394; n f
1) reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público,
Assembleia.
1a) assembleia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar.
1b) assembleia dos israelitas.
1c) qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente.
1d) num sentido cristão:
1d1) assembleia de Cristãos reunidos para adorar em um encontro religioso.
1d2) grupo de cristãos, ou daqueles que, na esperança da salvação eterna em Jesus Cristo, observam seus próprios ritos religiosos, mantêm seus próprios encontros espirituais, e administram seus próprios assuntos, de acordo com os regulamentos prescritos para o corpo por amor à ordem.
1d3) aqueles que em qualquer lugar, numa cidade, vila, etc, constituem um grupo e estão unidos em um só corpo.
1d4) totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo.

Ou seja, nunca o significado de “ekklesia” (Igreja) significa alguma instituição religiosa em particular, nem alguma denominação religiosa em específico. Ela significa, antes, a reunião de todos os crentes que adoram a Deus em espírito e em verdade, dos verdadeiros seguidores e adoradores de Jesus. A Igreja de Cristo é e sempre foi uma só, e corresponde a um povo único na terra, lavado e remido pelo sangue de Jesus Cristo, e essa Igreja reúne-se em vários salões denominacionais, com vários nomes, que os que ainda estão na ignorância pensam que cada um deles é uma Igreja a parte. 

A palavra grega traduzida por igreja, ekklesia, significa, como vimos, “assembleia”, e não instituição. Mas assembleia de quem? De uma instituição religiosa? Também não, mas dos chamados (klesia) para fora (ek) do sistema de valores mundanos. Não deixamos o mundo em si, mas somos chamados a deixarmos os valores corrompidos que o mundo apresenta, para sermos povo e propriedade exclusiva do Senhor:

“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz(1ª Pedro 2:9)

Assim sendo, a Igreja-ekklesia nunca se tratou de uma instituição, denominação ou organização religiosa, mas sim da reunião de todos aqueles que já foram purificados no sangue de Jesus Cristo e selados pelo Espírito Santo. Nós somos a Igreja (Corpo) de Cristo, nós que somos o novo templo do Espírito Santo, a morada de Deus:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (1ª Coríntios 3:16)

Deus já não habita em templos feitos por mãos humanas, exatamente porque a Igreja na Nova Aliança são os próprios cristãos, e não alguma instituição:

O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 17:24)

“Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 7:48)

Portanto, vemos que a Igreja não é uma instituição ou denominação religiosa em particular, como a Igreja Romana, a Ortodoxa, a Assembleia de Deus, as TJS, a Adventista, a Batista ou qualquer outra igreja que seja, mas sim os próprios crentes em Cristo Jesus, que são o Seu Corpo (=Igreja), que são o templo do Espírito Santo, que tomam o lugar do antigo Templo de Jerusalém, independentemente de que congregação, denominação ou instituição religiosa que esteja. Para ser parte do Corpo de Cristo, o pré-requisito é guardar os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo (Ap.12:17), andando em santificação (Hb.12:14), cultuando exclusivamente a Deus (Lc.4:8), louvando apenas a Ele (Is.42:8) e sendo devoto unicamente dEle (2Co.11:3), tendo um único Senhor, Jesus Cristo (1Co.8:6).

Assim vemos que:

A Igreja não é uma instituição religiosa porque o conceito de ekklesia não condiz com este ensino, mas diz respeito aos chamados (klesia) para fora (ek), à totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo”, e não a uma instituição em particular.

A Igreja não é uma instituição religiosa centralizada em Roma porque o que tomaria o lugar do templo de Jerusalém na Nova Aliança não seria uma instituição no Vaticano em Roma, não é a catedral romana que substitui o templo de Jerusalém, mas sim os próprios cristãos espalhados em qualquer lugar do mundo que adoram a Deus em espírito e em verdade (Jo.4:24).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque Deus não habita mais em templos feitos por mãos de homens (At.7:48; 17:24).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque o local onde Deus habita através do Espírito Santo na Nova Aliança não é mais em um templo ou organização religiosa qualquer, mas no coração dos próprios cristãos que estão selados com o Espírito de Deus (1Co.3:16).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque biblicamente a Igreja é o Corpo de Cristo (Cl.1:24), e este Corpo não é uma instituição, mas os próprios cristãos (1Co.1:12).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque não se limita a alguma instituição ou denominação, mas a qualquer um que guarde os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo (Ap.12:17).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Rm.10:13), porque todo aquele que crê em Cristo não perecerá (Jo.3:16), e porque fora das instituições religiosas (seja ela qual for) existem multidões de cristãos que creem em Cristo e o adoram em espírito e em verdade (Jo.4:24).

A Igreja não é uma instituição religiosa porque muito antes de o evangelho chegar a Roma a Igreja de Cristo já existia, através dos cristãos, pois não se limita a Roma ou ao fator institucional.

A Igreja não é uma instituição religiosa porque há várias correntes religiosas que alegam ser essa instituição com dois mil anos de idade, que dizem ter sucessão apostólica e que guardam a tradição, como a Igreja Ortodoxa Siríaca de Antioquia, que, assim como a Romana, alega ser descendente de Pedro por sucessão, pois Pedro teria sido bispo de Antioquia antes de Roma. A Igreja Ortodoxa Grega alega ser mais antiga que a Romana e também tem uma lista de sucessão apostólica e de tradições conservadas desde os apóstolos, mas prega várias doutrinas contrárias à Igreja Romana.

10º A Igreja não é uma instituição religiosa porque instituições religiosas são fundadas por homens (a Igreja de Roma diz ter sido fundada por Pedro e Paulo – dois homens!), mas a Igreja (i.e, Corpo) de Cristo foi criada por Deus, e seus membros são chamados cristãos.


III – Mas e se fosse uma instituição?

Já acabamos de conferir biblicamente que o conceito de Igreja (ekklesia) exclui o de ser uma instituição religiosa, e, por conseguinte, a declaração que diz que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” não pode se referir à Igreja Católica Romana em particular, mas deve ser uma referência a todos os verdadeiros cristãos espalhados pelo mundo, independentemente de denominação, congregação ou instituição religiosa em que estejam inseridos. Mas vamos fazer de conta, por um segundo, que a Igreja fosse realmente uma instituição religiosa. Para essa finalidade, inventarei agora um léxico do grego para sustentar a tese católica de que a Igreja-ekklesia é uma instituição religiosa:

-Léxico dos sonhos dos católicos:
666 εκκλησια ekklesia
1) uma instituição religiosa criada por Cristo em Mateus 16:18.
1a) uma instituição religiosa que salva os que nela estão, e todos que não pertencem a ela irão para o inferno.
1b) uma instituição com sucessão apostólica até os dias de hoje.
1c) uma instituição religiosa que guarda a tradição apostólica.
1d) uma instituição religiosa que tem dois mil anos.
1e) uma instituição religiosa que possui um líder máximo (papa ou patriarca) que não é Cristo, e que manda em todos os demais bispos sujeitos a ele em todo o mundo.

Apenas para ressaltar mais uma vez: é óbvio que a Igreja não é nada disso, esse léxico do grego não existe, foi inventado agora para incluir tudo aquilo que os católicos pensam que é a Igreja, ainda que a Bíblia e as verdadeiras concordâncias do grego digam exatamente o contrário de tudo isso que foi colocado acima. Ou seja, estamos trabalhando agora dentro do pensamento católico acerca daquilo que eles acreditam que seja a Igreja, e não dentro do significado que ela realmente tem nas Escrituras.

Será que, com todos os significados expostos acima, que expressam exatamente o parecer católico sobre o que é a Igreja, poderíamos ter a certeza absoluta de que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica Apostólica Romana?

A resposta é... não!

Isso porque:

A Igreja Católica Romana não é a única que diz guardar a tradição apostólica.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz possuir dois mil anos desde a sua fundação.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz possuir sucessão apostólica.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz ser descendente de Pedro.

A Igreja Católica Romana não é a única que alega possuir uma liderança máxima na terra que pastoreia a Igreja.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz que a Igreja de Cristo é uma instituição religiosa.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz que foi fundada por Jesus Cristo.

A Igreja Católica Romana não é a única que se diz “una”.

A Igreja Católica Romana não é a única que diz guardar a ortodoxia cristã desde os tempos apostólicos.

10º A Igreja Católica Romana não é a única que diz ser a Igreja dos Pais da Igreja.

Portanto, ainda que o significado bíblico e etimológico de Igreja-ekklesia fosse de uma instituição religiosa de dois mil anos e com todas as características que a Igreja Romana arroga para si mesma, isso nunca implicaria que a Igreja Romana é a única Igreja de Cristo. A Igreja Ortodoxa crê exatamente nestas mesmas coisas e ainda diz:

A Igreja Ortodoxa foi fundada por Cristosobre a fé de seus doze Apóstolos, a Igreja Ortodoxa nasceu no ano 33 da era cristã, dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo apareceu aos Apóstolos reunidos no Cenáculo como línguas de fogo. A Igreja Cristã Ortodoxa nasceu com Cristo e seus Apóstolos e não com Fócio no ano 858, nem com Miguel Cerulário, em 1054, como equivocada e erroneamente alguns propagam. A Igreja Ortodoxa surgiu na Palestina com Jesus Cristo, expandiu-se com os Apóstolos e edificou-se sobre o sangue dos mártires. Não teve a sua origem na Grécia ou noutra região ou país que não seja a Palestina (1)

Muito interessante também é a crença da Igreja Ortodoxa, segundo a qual a Igreja deles é a que foi perseguida todos estes anos e que prevaleceu sobre as portas do inferno:

“Ela não morre, porque vive e descansa em Cristo e tem a promessa divina de que existirá até o fim dos séculos. Em vão os seus inimigos e todos os corifeus da impiedade tentaram destruí-la, negá-la, persegui-la. À semelhança de seu Divino Mestre e fundador Nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja Ortodoxa, desde o seu nascimento, tem padecido e sofrido terríveis perseguições debaixo do jugo do Império romano, passando pelo muçulmano e turco, até nossos dias. O sangue de uma infinidade de mártires tem selado e provado ao mundo a sublimidade do seu amor, a perfeição e a veracidade da sua doutrina divina. Apesar de todas as campanhas, sempre subsistiu e triunfou. Vive e viverá eternamente em Cristo e, confiante, seguirá com Suas palavras: ‘Eu estarei convosco até a consumação dos séculos, e as portas do inferno não prevalecerão contra Ela’ (Mat. 16,18)” (2)

Ou seja: exatamente os mesmosargumentos que são utilizados pelos católicos romanos para a veracidade da igreja deles são também utilizados igualmente pelos católicos ortodoxos para a veracidade da igreja deles também! Como não podem ambos ser verdadeiros ao mesmo tempo sustentando tantas crenças divergentes entre si, só podemos concluir que o fato de uma igreja ser bem antiga e dizer possuir sucessão apostólica, tradição apostólica e de alegar ter sido fundada por Jesus Cristo não significa que essa igreja é realmente a Igreja do Nosso Senhor!

Na verdade, isso só demonstra que estes critérios jamais podem ser racionalmente utilizados na identificação da “igreja verdadeira”, ou senão teríamos, pelo menos, duas “igrejas verdadeiras” pregando doutrinas diferentes e ambas alegando possuir todos os pré-requisitos necessários para ser a instituição religiosa na qual os apóstolos faziam parte! Os católicos romanos não podem provar que a Igreja Ortodoxa não possui todos aqueles requisitos, no máximo podem se apoiar em sua crença na primazia de Pedro e na sua crença de Pedro ter sido bispo de Roma. Isso, porém, também está longe de ser um argumento confiável, uma vez que a Igreja Ortodoxa Siríaca alega exatamente a mesma coisa: de que é descendente de Pedro por sucessão!

Pedro, segundo a tradição, teria sido bispo de Antioquia antes de chegar a Roma, e, no entanto, essa Igreja Ortodoxa não reconhece o Concílio de Calcedônia (451 d.C) nem a união hipostática entre natureza humana e natureza divina no Cristo, que é crida firmemente pela Igreja Romana. Se ambas são fundadas por Cristo, descendentes de Pedro por sucessão, e guardam a mesma tradição apostólica, deveríamos esperar que fossem unânimes a este respeito, mas pelo menos uma delas não preservou a verdadeira fé.

Diante deste quadro, Gyordano Montenegro afirmou:

“Portanto, depreende-se, por consequência lógica, que, já que existem divergências doutrinárias entre a Igreja de Roma e as Igrejas Ortodoxas, ao menos uma delas deve ser reformada em seu corpo doutrinário. Entenda-se ‘reformada’ como ‘renovada’, isto é, ao menos uma dessas Igrejas deve, por consequência lógica, remover de sua doutrina aquilo que foi adicionado ao longo da História, retornando à crença mais primitiva. É evidente que o devoto católico romano crê que é a Igreja Ortodoxa quem deve se renovar; esquece-se, porém, que o devoto ortodoxo grego pensa o oposto” (3)

Mas não para por aqui. Existem outras inúmeras doutrinas divergentes entre ambas as igrejas que dizem “guardar a tradição e remeter aos apóstolos por sucessão”, que dizem ser “a única Igreja fundada por Cristo e que as portas do inferno não prevalecerão”. A lista abaixo é fornecida por um site da Igreja Ortodoxa e por um da Igreja Romana, e mostra inúmeras doutrinas contraditórias entre ambas:


-Diferenças entre Igreja Romana e Ortodoxa:

diferença fundamental é a questão da infalibilidade papal e a pretensa supremacia universal da jurisdição de Roma, que a Igreja Ortodoxa não admite, pois ferem frontalmente a Sagrada Escritura e a Santa Tradição.

Existem, ainda, outras distinções, abaixo relacionadas em dois grupos básicos:

a) diferenças gerais; 
b) diferenças especiais.

Para termos uma ideia dessas diferenças, vejamos o seguinte esquema, de cuja leitura se infere uma possibilidade de superação, quando pairar acima das paixões o espírito de fraternidade que anima o trabalho dos verdadeiros cristãos.

Diferenças Gerais:

São dogmáticas, litúrgicas e disciplinares.

 A Igreja Ortodoxa só admite sete Concílios, enquanto a Romana adota vinte.

 A Igreja Ortodoxa discorda da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho; unicamente do Pai é que admite.

 A Sagrada Escritura e a Santa Tradição representam o mesmo valor como fonte de Revelação, segundo a Igreja Ortodoxa. A Romana, no entanto, considera a Tradição mais importante que a Sagrada Escritura.

 A consagração do pão e do vinho, durante a missa, no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, efetua-se pelo Prefácio, Palavra do Senhor e Epíclese, e não pelas expressões proferidas por Cristo na Última Ceia, como ensina a Igreja Romana.

 Em nenhuma circunstância, a Igreja Ortodoxa admite a infalibilidade do Bispo de Roma. Considera a infalibilidade uma prerrogativa de toda a Igreja e não de uma só pessoa.

 A Igreja Ortodoxa entende que as decisões de um Concílio Ecumênico são superiores às decisões do Papa de Roma ou de quaisquer hierarcas eclesiásticos.

 A Igreja Ortodoxa não concorda com a supremacia universal do direito do Bispo de Roma sobre toda a Igreja Cristã, pois considera todos os bispos iguais. Somente reconhece uma primazia de honra ou uma supremacia de fato (primus inter pares).

 A Virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida em estado de pecado original. A Igreja Romana, por definição do papa Pio IX, no ano de 1854, proclamou como "dogma" de fé a Imaculada Concepção.

 A Igreja Ortodoxa rejeita a agregação do "Filioque," aprovado pela Igreja de Roma, no Símbolo Niceno-Constantinopolitano.

 A Igreja Ortodoxa nega a existência do limbo e do purgatório.

 A Igreja Ortodoxa não admite a existência de um Juízo Particular para apreciar o destino das almas, logo após a morte, mas um só Juízo Universal.

 O Sacramento da Santa Unção pode ser ministrado várias vezes aos fiéis em caso de enfermidade corporal ou espiritual, e não somente nos momentos de agonia ou perigo de morte, como é praticado na Igreja Romana.

 Na Igreja Ortodoxa, o ministro habitual do Sacramento do Crisma é o Padre; na Igreja Romana, o Bispo, e só extraordinariamente, o Padre.

 A Igreja Ortodoxa não admite a existência de indulgências.

 No Sacramento do Matrimônio, o Ministro é o Padre e não os contraentes.

 Em casos excepcionais, ou por graves razões, a Igreja Ortodoxa acolhe a solução do divórcio admitindo um segundo ou terceiro casamento penitencial.

 São distintas as concepções teológicas sobre religião, Igreja, Encarnação, Graça, imagens, escatologia, Sacramentos, culto dos Santos, infalibilidade, Estado religioso...

Diferenças especiais:

Além disso, subsistem algumas diferenças disciplinares ou litúrgicas que não transferem dogma à doutrina. São, nomeadamente, as seguintes:

 Nos templos da Igreja Ortodoxa só se permitem ícones.

 Os sacerdotes ortodoxos podem optar livremente entre o celibato e o casamento.

 O batismo é por imersão.

 No Sacrifício Eucarístico, na Igreja Ortodoxa, usa-se pão com levedura; na Romana, sem levedura.

 Os calendários ortodoxo e romano são diferentes, especialmente, quanto à Páscoa da Ressurreição.

 A comunhão dos fiéis é efetuada com pão e vinho; na Romana, somente com pão.

 Na Igreja Ortodoxa, não existem as devoções ao Sagrado Coração de Jesus, Corpus Christi, Via Crucis, Rosário, Cristo-Rei, Imaculado Coração de Maria e outras comemorações análogas.

 O processo da canonização de um santo é diferente na Igreja Ortodoxa; nele, a maior parte do povo participa no reconhecimento do seu estado de santidade.

 Existem, três ordens menores na Igreja Ortodoxa: leitor, acólito e sub-diácono; na Romana: ostiário, leitor e acólito.

 O Santo Mirão e a Comunhão na Igreja Ortodoxa efetuam-se imediatamente após o Batismo.

 Na fórmula da absolvição dos pecados no Sacramento da Confissão, o sacerdote ortodoxo absolve não em seu próprio nome, mas em nome de Deus - "Deus te absolve de teus pecados"; na Romana, o sacerdote absolve em seu próprio nome, como representante de Deus - "Ego absolvo a peccatis tuis...."

 A Ortodoxia não admite o poder temporal da Igreja; na Romana, é um dogma de fé tal doutrina.



Sobre a Igreja Ortodoxa, aquele mesmo site romanista afirma:

“Esses auto-proclamados ‘ortodoxos’, não estão em comunhão com a Igreja de Cristo. Não são católicos, mas cismáticos. Eles se chamam ‘ortodoxos’ exatamente por se julgarem possuidores da verdadeira doutrina. Daí que, para eles, é a Igreja Ortodoxa que é a verdadeira Igreja Católica. Nós é que somos cismáticos para eles. A Igreja una, santa, católica e apostólica seria a deles. Os ortodoxos é que, na visão deles, são os legítimos católicos... Assim como eles se acham os verdadeiros católicos, precisamos ter em conta que nós, católicos, é que somos os legítimos ortodoxos, dado que nós é que possuímos a verdadeira doutrina. A verdadeira ortodoxia está com o Papa, não com os que se chamam a si mesmos, erroneamente, de ‘ortodoxos’ (4)

Para os católicos romanos os ortodoxos não são católicos, são cismáticos. Agora vejamos a versão deles...

“Ao contrário do que alguns historiadores afirmam, o cisma é realmente ‘do Ocidente’, visto que foi a Igreja Romana quem se separou da comunhão de Fé das Igrejas Irmãs (...) De fato, a Igreja de Roma, graças a fatores essencialmente políticos, de ambição do poder temporal, desenvolveu a partir da Idade Média, a doutrina da primazia do Papa (título, aliás, dado aos Patriarcas de Roma e de Alexandria) como último e, depois, como único recurso em matéria de Fé. Ora, isto era, é e será, completamente estranho à Tradição da Igreja dos Apóstolos, dos Mártires, dos Santos e dos Sete Concílios Ecumênicos”(5)

E dizem também:

“Toda esta divergência de pontos de vista entre Roma, considerando-se única detentora da verdade e da autoridade, e as restantes Igrejas Irmãs, que desejavam manter-se fiéis ao espírito da Tradição herdada dos Apóstolos, acabou por resultar nos trágicos acontecimentos de 1054 e 1204 - no dia 16 de julho de 1054, os legados do Papa de Roma entraram na Catedral de Santa (em Constantinopla, capital do Império), um pouco antes de começar a Sagrada Liturgia, e depositaram em cima do altar uma bula que excomungava o Patriarca de Constantinopla e todos os seus fiéis. Esta separação oficial, decidida pela Igreja Romana, teria sua confirmação em 1204, quando os cruzados, que se intitulavam cristãos, assaltaram Constantinopla, saquearam e pilharam, fizeram entrar as prostitutas que traziam consigo para dentro do santuário de Santa, sentaram uma delas no trono do Patriarca, destruíram a iconostase e o altar, que eram de prata. E o mesmo aconteceu em todas as igrejas de Constantinopla (6)  

Portanto, vemos que, mesmo se a Igreja de Cristo fosse uma instituição religiosa que guardasse a tradição oral e mantivesse sucessão apostólica, que se diz fundada por Cristo e com dois mil anos de existência, isso de jeito nenhum nos levaria a crer que a Igreja Romana é essa igreja. Portanto, até aqui vemos que o argumento católico é duplamente falho:

Em primeiro lugar, porque a Igreja de Cristo não é uma instituição religiosa, como querem os papistas (o que por si só já é mais que suficiente para excluir a tese de que a Igreja de Roma é essa Igreja).

E, em segundo lugar, porque, ainda que fosse uma instituição e mesmo que essa instituição tivesse todas as características históricas que os romanistas dizem ter, isso de maneira nenhuma nos levaria a crer que a Igreja Romana é essa tal “Igreja de Cristo”.

Para chegarmos a essa “conclusão” católica, teríamos que passar por mais manipulações e entorpecimentos mentais que são impregnados por eles, e é isso o que analisaremos a seguir.


IV – Mas se essa instituição fosse a Romana?

Chegamos agora ao ponto que os católicos (romanos) gostariam que chegássemos, ainda que para que chegássemos até aqui teríamos que já ter adulterado a Bíblia, os léxicos do grego, o significado escrituristico e etimológico de “Igreja” e passado por cima das igrejas ortodoxas sem qualquer critério, e vamos supor, com muita imaginação, que essa Igreja de Cristo é realmente uma instituição religiosa, e que essa instituição religiosa não pode de jeito nenhum se referir a alguma outra igreja que não seja a Igreja Católica Romana!

Fim de papo?

Não exatamente...

Acontece que, conquanto a imagem que eles queiram passar seja de uma igreja “santa” e “una”, de “santa” essa igreja não tem nada e de “una” muito menos. Isso porque no império católico reina uma palavra que eles adoram aplicar aos protestantes, mas morrem de medo quando a aplicam a eles mesmos: e ela se chama divisão. A imagem abaixo retrata muito bem isso:


Só em relação aos católicos carismáticos, já podemos constatar as seguintes diferenças: 

Católicos tradicionais
Católicos carismáticos
O batismo com o Espírito Santo não é um acontecimento desassociado do batismo nas águas
Existe um batismo nas águas e outro no Espírito, que ocorrem em momentos diferentes na vida do cristão
O dom de línguas refere-se a línguas idiomáticas humanas
O dom de línguas refere-se a “línguas dos anjos”, ininteligível
O dom de línguas não existe nos dias de hoje, mas serviu para aquela época apostólica
O dom de línguas continua existindo até hoje
Não existe “cair no Espírito”
Existe “cair no Espírito”
Não existem retiros de cura interior e libertação
Existem retiros de cura interior e libertação
Posição escatológica preterista
A maioria adota o futurismo
Não existe salvação fora da Igreja Católica Romana
Existe salvação fora da Igreja Católica (inclusive entre os evangélicos, que são considerados “irmãos”)
Não admite nenhuma influência vinda do protestantismo
Foi fortemente influenciada por livros e pastores protestantes no início do próprio movimento carismático

Ainda devemos afirmar que a Renovação Carismática Católica teve origem no protestantismo neopentecostal, como podemos constatar facilmente em suas origens:

“A renovação carismática, inicialmente conhecida como movimento católico pentecostal, ou católicos pentecostais, depois por católicos renovados e hoje como católicos carismáticos surgiu em 1967, quando Steve Clarck, da Universidade de Duquesne, em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante o Congresso Nacional de "Cursilhos de Cristandade", mencionou o livro “A Cruz e o Punhal”, do pastor protestante John Sherril, sobre o trabalho do pastor David Wilkerson com os drogados de Nova York, dizendo que o inquietava e que todos deveriam lê-lo.

Em 1966, católicos da Universidade de Duquesne reuniam-se para oração e conversas sobre a fé. Eram católicos dedicados a atividades apostólicas, mas, ainda assim, insatisfeitos com a sua experiência religiosa. Em razão disso, decidiram começar a orar para que o Espírito Santo se manifestasse neles. Querendo vivenciar a experiência com o Espírito, foram ao encontro de William Lewis, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana, que por sua vez os levou até Betty de Showaker, que fazia em sua casa uma reunião de oração pentecostal.

Em 13 de janeiro de 1967, Ralph Keiner, sua esposa Pat, Patrick Bourgeois e Willian Storey vão à casa de Flo Dodge, paroquiana epicscopal de William Lewis, para assistir a reunião. Em 20 de janeiro assistem mais uma reunião e suplicam que se ore para que eles recebam o “Batismo no Espírito Santo”. Ralph recebe o dom de línguas (fenômeno chamado no meio acadêmico de glossolalia). Na semana seguinte, a fevereiro de 1967, Ralph impõe as mãos para que os quatro recebam o batismo no Espírito.

Em janeiro de 1967, Bert Ghezzi comunica a universitários de Notre Dame, South Bend, Indiana, o que teria ocorrido em Pittsburg. Em fevereiro, antes do retiro de Duquesne, Ralph Keifer vai a Notre Dame e conta suas experiências. Em quatro de março, um grupo de estudantes se reúne na casa de Kevin e Doroth Ranaghan. Um professor de Pittsburg partilha a experiência de Duquesne, e em 5 de março de 1967 o grupo pede a imposição de mãos para receber o Espírito Santo.

Após a Semana Santa, realizou-se um retiro em Notre Dame para discernir o que seu Deus supostamente estaria querendo com essas manifestações. Participam professores, alunos e sacerdotes. 40 pessoas de Notre Dame e 40 da Universidade de Michgan, entre os quais Steve Clark e Ralph Martin, que em 1976 iriam para a Universidade de Michigan, em Ann Arbor” (7)

Vamos ver, então, como é que surgiu esse tal movimento:

Os católicos eram chamados de “pentecostais” ou “renovados” (qualquer semelhança com “pentecostalismo” ou “reformados” não passa de mera coincidência, é claro).

2º Tiveram inspiração em um livro protestante, escrito por um pastor protestante e inspirado na história de outro pastor protestante!

3º Foram ao encontro de um sacerdote da Igreja Anglicana.

4º Se envolveram em reuniões de orações com pentecostais.

5º Receberam o “batismo no Espírito Santo” exatamente como é crido pelos evangélicos pentecostais e totalmente contra o ensinamento transmitido pelos católicos tradicionais.

Em resumo, na história deste movimento estão envolvidos pastores, igrejas pentecostais, pentecostalismo, oração em línguas, livros evangélicos, igreja anglicana, batismo do modo pentecostal/protestante... apenas uma coisa me surpreende nisso tudo: não há nenhum sinal de ligação com a Igreja Católica Romana tradicional, mas apenas com aqueles que os próprios católicos tradicionais chamam de “hereges” e “líderes de seitas”!

Como se tudo isso não bastasse, ainda existem os católicos sedevacantistas, que afirmam que a Santa Sé está vaga desde a morte do papa Pio XII, em 1958, ou de João XXIII em 1963. Eles rejeitam fortemente o Concílio Vaticano II e acreditam que Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco não são católicos verdadeiros e nem papas legítimos, e que sustentam a “heresia do modernismo”, negando solenemente dogmas católicos definidos. O termo “sedevacantismo” é derivado da frase em latim sede vacante, que significa literalmente: “a cadeira vaga”, onde a cadeira em questão é a de um bispo. Para estes católicos, a Igreja Católica Romana não tem atualmente nenhum papa para governar a Igreja!

Vejamos como os seus proponentes tem uma visão maravilhosa do papa Bento XVI:

“Para um herege modernista como Ratzinger, infame inimigo de Cristo e da Igreja Católica, isso é fácil, porque contradição é a especialidade de gente da laia dele e de sua corriola(8

É realmente de se emocionar o amor ao papa que eles preservam em seus corações, eu como protestante não cheguei a dizer algo assim sobre Bento XVI!

Há até debates na internet que vocês podem acompanhar de católico vs católico, eu particularmente recomendo estes links onde um defensor do sedevacantismo refuta completamente um católico e prova que existiram papas hereges na história do papado e afirma que aqueles que não são sedevacantistas defendem uma igreja hereticista:







Também é de chorar de emoção ao vermos a liberdade de expressão de culto e tolerância religiosa que estes sedevacantistas possuem. Veja só se você não chora de emoção ao ler palavras tão amáveis como essas que são ditas por um sedevacantista:  

“A Igreja Católica ensina que quando o país é católico, majoritariamente católico, ele deve reprimir os falsos cultos para que estes não prejudiquem o restante da nação. Assim, a constituição deste país católico proíbe os acatólicos de construírem igrejas e de pregarem a sua falsa fé em público. Eles podem rezar em casa ou em ambientes particulares, dependendo do caso, desde que estes últimos não tenham aparência exterior de templo. Nesta sociedade católica como foram muitas no mundo inteiro até bem pouco tempo o acatólico em questão não pode desempenhar um papel de, por exemplo, político ou professor universitário, porque como ele é portador de uma mensagem diabólica poderá desviar, pela sua influência, almas para o inferno. Ele não pode, em princípio, promulgar um jornal de sua seita, ter um programa de televisão, etc. Durante a revolução francesa os papas bateram muito fortemente neste ponto, condenando a nova constituição daquele país que dizia que ninguém poderia ser discriminado por conta de sua religião. É o mesmíssimo ensinamento do Vaticano II, já condenado pela Igreja (9)

Se estes caras estivessem no poder estariam implantando um 4º Reich exterminando protestantes, judeus, muçulmanos, espíritas e qualquer um que não for católico, querem voltar à opressão e à inquisição medieval!

Existe até mesmo a “Velha Igreja Católica“ (Old Catholic Church), que é um cisma formado após a promulgação do dogma da infalibilidade papal (1870). Por conseguinte, os “velhos católicos” (vétero-católicos) também não acreditam oficialmente na assunção de Maria, definida como dogma em 1950 através da infalibilidade papal. Para quem acha que isso é pouco, vejamos uma pequena lista de “igrejas católicas” existentes dentro daquela que se chama “una”:

-Católica Apostólica Brasileira
-Católica Apostólica Carismática
-Católica Apostólica Cristã
-Católica Apostólica Ortodoxa
-Católica Armênia
-Católica Bizantino
-Católica Brasileira
-Católica Carismática do Brasil
-Católica do Brasil
-Católica Maronita
-Católica Melquita
-Católica Não Apostólica
-Católica Novo Mandamento
-Católica Ortodóxica Armênica
-Católica Ortodóxica Grega
-Católica Ortodóxica Russa
-Católica Pentecostal
-Católica Renovação Carismática
-Católica Renovada
-Católica Síria
-Católica Tradicionalista
-Católica Ucraniana
-Católico Congregação Mariano
-Católico Congregado Mariano
-Católico Conservador
-Católica Latina
-Católica da Tradição Litúrgica Alexandrina
-Igreja Católica Copta (1741)
-Igreja Católica Etíope (1846)
-Tradição Litúrgica de Antioquia
-Igreja Maronita (união oficial reafirmado em 1182)
-Rito litúrgico siríaco
-Igreja Católica Siro-Malancar (1930)
-Igreja Católica Siríaca (1781)
-Igreja Católica Arménia (1742)
-Igreja Católica Caldeia (1692)
-Igreja Católica Siro-Malabar (1599)
-Igreja Greco-Católica Melquita (1726)
-Igreja Católica Bizantina Grega (1829)
-Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595)
-Igreja Católica Bizantina Rutena (1646)
-Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646)
-Igreja Católica Búlgara (1861)
-Igreja Greco-Católica Croata (1611)
-Igreja Greco-Católica Macedónica (1918)
-Igreja Católica Bizantina Húngara (1646)
-Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma (1697)
-Igreja Católica Ítalo-Albanesa
-Igreja Católica Bizantina Russa (1905)
-Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628)
-Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596)
-Igreja Católica Apostólica Carismática
-Igreja Católica Apostólica Cristã
-Igreja Católica Apostólica de Jerusalém
-Igreja Católica Apostólica Ecumênica Contemporânea
-Igreja Católica Apostólica Livre do Brasil
-Igreja Católica Apostólica Missionária de Evangelização
-Igreja Católica Apostólica Nacional
-Igreja Católica Apostólica Nordestina
-Igreja Católica Apostólica Tributária
-Igreja Católica da Primeira Ordem
-Igreja Católica Ecumênica Renovada
-Igreja Católica Ecumênica
-Igreja Católica Liberal (ICL)
-Igreja dos Velhos Católicos
-Igreja Episcopal Latina do Brasil
-Santa Igreja Velha Católica
-Igreja Católica Ecumênica do Brasil
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa - Patriarcado do Brasil
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Americana
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Ocidental
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Unida - Eparquia Mundial
-Igreja Ortodoxa Católica Apostólica Militante
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa Militante
-Igreja Católica Apostólica Ortodoxa do Brasil
-Igreja Católica Ortodoxa Grega do Antigo Calendário
-Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil
-Igreja Católica Independente
-Rede Nacional de Missões Católica 


Imagine uma pessoa que estava quase se tornando católica, pensando que só uma igreja é de Cristo e o resto é tudo do diabo, e que se errar de igreja já está lascado... para qual dessas igrejas católicas que ele deveria ir, que é a “única Igreja de Cristo”? Se ela vai para a RCC, é condenada pelos tradicionais que a chamam de “seita protestante”. Se vai para a tradicional, é condenada pelos sedevacantistas, que dizem que os papas atuais são um bando de “hereges e inimigos da igreja”. Se se torna um sedevacantista, é condenado pelos adeptos da “Velha Igreja Católica”, que ensinam que a ruptura não ocorreu em 1958, mas em 1870. E todas essas são condenadas pelas igrejas ortodoxas orientais, que ensinam doutrinas bem divergentes em relação a todas elas.

Existem igrejas católicas ecumênicas, carismáticas, tradicionais, renovadas, liberais, sedevacantistas, e para todos os gostos... e tudo isso se autodenominando de a “única Igreja de Cristo”, a “Igreja Católica Apostólica Romana”! Os católicos da Velha Igreja creem que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja Romana até 1870, depois disso não prevalecem contra eles. Os católicos sedevacantistas creem que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja Romana até 1958, depois disso vieram papas hereges e eles são a força de resistência “verdadeiramente católica”.

Os católicos carismáticos creem que as portas do inferno não prevalecerem contra a Igreja significa que é totalmente correto e liberado o sincretismo com o neopentecostalismo protestante em contraste com o ensino tradicional da Igreja. Os católicos tradicionais creem que as portas do inferno prevaleceram contra todas essas outras vertentes católicas, mas não contra eles, é claro. Os católicos ortodoxos, como já vimos anteriormente, creem que as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja deles, não tendo nada a ver com a Igreja de Roma, que já se desviou há muito tempo, em 1054 d.C.  

E por aí vai.

É muito fácil um católico qualquer acusar um evangélico com este jargão católico de que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja”. Isso qualquer analfabeto é capaz de fazer. Difícil mesmo, e quase impossível, é provar que a “Igreja” é uma instituição religiosa, contrariando toda a Bíblia e o sentido etimológico de ekklesia, que essa instituição religiosa é a Igreja Romana e não alguma Igreja Ortodoxa, e contrariar inúmeros e incontáveis católicos que creem bem diferente daquilo que o católico que fez essa declaração (seja ele qual for) tem em mente sobre o que é o catolicismo verdadeiro e sobre a aplicação desta mesma frase no seu próprio contexto.

No fim das contas, o esforço católico revela-se completamente inútil quando tentam trazer racionalidade a algo que não passa de um jargão popular, mas muito pouco pensado, utilizado por muita gente que crê fielmente que “as portas do inferno não prevalecerem contra a Igreja” implica na “morte do protestantismo” e não na morte deles mesmos.


V – Considerações Finais

Após desmitificarmos por completo o conceito popular católico em cima da segunda parte de Mateus 16:18, cabe aqui fazermos algumas considerações finais em cima deste texto. Na maior parte deste artigo, vimos o que ele não significa. Vimos que ele não significa que alguma igreja institucional fosse guardar a pureza do evangelho por todos os séculos, vimos, aliás, que o termo “Igreja” sequer se aplica a alguma instituição religiosa em particular. Vimos também que, mesmo se significasse, isso de modo algum implicaria na Igreja Romana, e, ainda que assim fosse, isso mesmo assim estaria muito longe de solucionar a questão, uma vez sendo que existem diversas ramificações dentro da Igreja Católica que se chama “una”.

Agora, vejamos o que significa. Se por “Igreja” entende-se os verdadeiros e legítimos cristãos espalhados em todo o mundo, devemos entender que as portas do inferno não prevaleceriam contra esses cristãos sinceros. Isso certamente não significa que nenhum cristão possa perder a salvação. Creio, como a maioria dos evangélicos (e, neste ponto, até mesmo como os próprios católicos e ortodoxos) que uma vez salvo não implica que está salvo para sempre, pois a salvação pode ser perdida (Hb.6:4-6) e exige perseverança nossa até o fim (Mt.24:13). Se a graça fosse irresistível, Paulo não iria insistir para que não a recebêssemos em vão (2Co.6:1).

Sendo assim, Mateus 16:18 não diz que cada cristão não pode jamais perder a salvação; ou seja, que as portas do inferno acabem prevalecendo contra ele. Temos, então, que olhar mais adiante, com um olhar mais amplo, mais abrangente. O que significa que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja? Que, no fim de tudo, a Igreja terá prevalecido sobre o inferno. Tal como em uma guerra um exército possui altos e baixos, vence e perde batalhas, mas no final sai vitorioso, da mesma forma a Igreja poderá se gloriar por ter derrotado Satanás. Ainda que a Igreja tenha sofrido muitas baixas e até perdido “batalhas” ao longo da História, vencerá a guerra, terá prevalecido sobre as portas do inferno.

As portas do inferno não prevalecerem contra a Igreja não significa que em todas as eras da humanidade ninguém pudesse cair em apostasia, mas significa que, no fim de tudo, a Igreja terá prevalecido, vencido a guerra, ainda que tenha tido muitas baixas ao longo da História. Assim como um time de futebol pode se considerar vencedor se ganhar uma final de campeonato com um gol nos acréscimos do segundo tempo, mesmo depois de sair perdendo a partida por 3 a 0 na primeira etapa, da mesma forma a Igreja prevalecerá sobre as trevas, ainda que tenha passado por tempos de escuridão no passado.

Em nenhum momento a Bíblia assegura que a Igreja estaria isenta de apostasia dentro dela, basta ver que em 95 d.C, quando João escrevia o Apocalipse, já haviam muitas igrejas desviadas da fé, a tal ponto que Deus disse que iria vomitar de sua boca (Ap.3:16). Paulo escreveu aos gálatas ainda por volta de 55-60 d.C, e lhes diz a mesma coisa, que estavam se apartando da fé já naquela época (Gl.3:4; 4:11). Se isso pôde ter acontecido dentro de um período de tempo tão pequeno (algumas décadas), o que não poderia ter passado ao longo de séculos nos quais a Igreja Romana esteve absoluta no poder?

Mesmo com esse desvio doutrinário que observamos e com a Reforma sendo apenas no século XVI, podemos dizer que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja?

Sim, podemos.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, Deus não teria preservado um remanescente de cristãos fieis mesmo antes da Reforma Protestante e durante todo o período de trevas do catolicismo, como os batistas, que existiam desde os primeiros séculos (confira aqui e aqui), os morávios, que existiam desde o século XIV (mais de duzentos anos antes da Reforma – confira aqui), os valdenses, que existiam desde 1170 d.C (quase quatrocentos anos antes da Reforma – confira aqui), dentre vários outros grupos em separado da Roma apóstata. Grandes reformadores remetem-se a bem antes da Reforma de Lutero, como John Wycliffe (1328 d.C) e Jan Huss (1369 d.C), que foi queimado vivo na fogueira por criticar o poder terreno da Igreja em prol da justiça social.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, não existiria a Reforma.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, a santa inquisição não teria deixado um único cristão fiel vivo para guardar a fé.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, estaríamos até hoje sem a Bíblia em língua vernácula, uma vez que era proibida a tradução desta na língua popular do povo – a própria Bíblia era proibida aos leigos (confira aqui).

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, estaríamos até hoje comprando indulgências para obter salvação.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, estaríamos até hoje pagando penitência para livrar uma alma do purgatório.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, heresias como o culto aos mortos, purgatório, primado papal, transubstanciação e mariolatria seriam aceitos por toda a Cristandade.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, estaríamos vivendo a Idade das Trevas até hoje.

 Se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, os cristãos seriam “condenados por possuírem as Escrituras e devem ser inteiramente destruídos, devendo ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, nas casas, nos mais humildes lugares de esconderijo e mesmo nos retiros subterrâneos, e qualquer que os abrigar será severamente punido” (Concílio de Tolosa, Papa Gregório IX, 1229, Cânon 14:12), até os dias de hoje.

 E, se as portas do inferno tivessem prevalecido contra a Igreja, não existiriam blogs como o Heresias Católicas e o Apologia Cristã, que revelam a verdade ao povo, livrando estes das trevas do catolicismo romano para transmitir-lhes a luz do evangelho da glória de Cristo. Estaríamos até hoje presos a um sistema opressor que esconde e manipula a verdade a fim de manter o maior número de pessoas na mais pura ignorância, trevas e idolatria do poder papal.

Sim, a para a glória do Deus vivo, as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja de Cristo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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-Notas e referências:


[2] ibid.




[6] ibid.



[9] ibid.

27 comentários:

  1. Muito bom..Parabéns !!!
    Viu sabe aquele versículo de Canticos que diz : ´´ quem é essa que avança como aurora, temivel como um exército em ordem de batalha´´.
    .
    Os catolicos usam esse trecho pra dizer que é Maria. De quem o autor de canticos está falando, onde eu descubro isso.
    ,
    Obrigado..
    Matheus.

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    1. Matheus, os católicos deliram para colocarem Maria em algum lugar da Bíblia, toda hora não perdem tempo para encaixarem Maria em alguma "profecia messiânica", uma vez sendo que ela desaparece da Bíblia após os evangelhos, aparecendo apenas no início de Atos dos Apóstolos, para depois não ser sequer mencionada em todas as epístolas apostólicas até o fim da Bíblia!

      Este livro (Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão) nem sequer é um livro profético, no sentido de não ter nenhuma profecia messiânica nele, assim como ocorre em outros livros, como Ester, Rute, entre outros (o que não anula a importância de tais livros). Se estes livros não possuem qualquer profecia do Messias, como é que vai possuir profecias de Maria? Não faz sentido. Além disso, o próprio CONTEXTO destrói com tal alegação católica em cima deste verso registrado em 6:10, pois logo no verso 9 está dizendo que essa mulher em questão era "a ÚNICA de sua mãe" (v.9).

      Ora, os católicos afirmam em alto e bom som que Maria tinha irmãs, eles PRECISAM dessa tese para poderem encaixar o dogma da virgindade perpétua na Bíblia, alegando que os irmãos de Jesus são "primos", e portanto Maria precisa de irmãs! Se Maria tinha irmãs, então ela não era a filha única da sua mãe, como diz o verso 9 daquela passagem de Cânticos. E, portanto, não pode ser a mulher a quem Salomão se refere em Cantares, pela mesma lógica católica!

      Se lermos TODO o livro e não isolarmos uma parte dele, vemos que aquela mulher não era uma "incógnita", ao contrário. Do início ao fim do livro estava muito bem claro que o Cântico era do rei Salomão com uma de suas esposas, um poema de amor entre os dois, e este verso 10, assim como o 9 e os demais versos, nada mais são senão ELOGIOS que Salomão faz à sua amada.

      Portanto, não há nada de Maria em Cântico dos Cânticos, só há na imaginação fértil daqueles que já estão desesperados em colocarem Maria em tudo o que é canto na Bíblia, já que as Escrituras são bem reservadas em fazerem menção à ela.

      Abraços.

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  2. Lucas, simplesmente brilhante. Sua paciência em ser detalhista fazendo com que você escreva exaustivamente é que esclarece ao leitor os detalhes do erro doutrinário.

    Meus parabéns mais uma vez. Excelente artigo!

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  3. Parabéns pelos ótimos esclarecimentos!

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  4. Lucas você não tem noção do quanto seu site tem me ajudado, entro todos os dias nele, você consegue responder muitas duvidas que eu tinha. Muito Obrigado mesmo de coração. Deus lhe abençoe.

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    1. Olá, a paz de Cristo. Fico feliz por estar gostando do blog, glória a Deus por isso, que Deus lhe abençoe!

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  5. Lucas queria só dar um parecer a mais ^^
    Além de dar um um pequeno acréscimo, lhe dizer que concordo com tudo o que foi dito.
    Então vamos lá:
    "e as portas do inferno(HADES)não prevalecerão contra ela"
    HADES=Mundo inferior, dos mortos.
    "e as portas do "Mundo dos mortos(Morte ou sepultura)" não prevalecerão contra ela"
    Então quem crê em Cristo, não morrerá! E Ele o ressuscitará no Último Dia.
    Também não fala como os católicos que adoram dizer que ninguém vai derrubar a igreja deles, porque o Inferno que, pra eles o maior lugar do mal, como se existisse um lugar de tormento onde o diabo está lá e manda os demônios pra Terra pra atormentar o ser humano, o que é totalmente anti-bíblico, falando que todo ser humano que tenta contra a "Igrejinha santinha" deles, é alguém a mando do inferno, como não entendem o significado de alma, espírito, acreditam em tudo que os papas falam, não buscam, então vão contra tudo e contra todos e como disse Paul Washer: "Terrível coisa para uma pessoa é ouvir uma mentira religiosa, dada por uma autoridade religiosa. Então quando alguém vem mais tarde e tenta pregar o verdadeiro evangelho para esta pessoa, ela não vai querer escutar, porque uma mentira religiosa tem muito poder".
    Um abraço, que Deus abençoe muito você, que o Espírito Santo lhe dê muitos dons.
    Como você diz: Por Cristo e por Seu Reino, Rafael Paris ^^

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    1. Olá, Rafael, perfeita as suas colocações, que Deus lhe abençoe, abraços!

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    2. Não importa o poder da mentira, a função do escravo de Cristo é pregar as boas novas, e o espirito santo convencerá aqueles que Deus os tem chamado.

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  6. Alguns interpretes, dizem que Jesus ao ressuscitar levou os santos do seio de Abraão que ficava no Hades, (porém separados por um abismo intransponível), para o terceiro céu e que de Jesus para cá, nenhum santo, desceria ao hades, com isso, dizem eles, que Jesus ao proferir as palavras; Edificarei a minha Igreja e as portas do hades não prevalecerão contra ela, Jesus está dizendo que a sua Igreja não desceria mais ao hades.

    Abraços Lucas.

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  7. Lembrando Lucas, que essa interpretação é de teólogos portestantes.

    Abraços.

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    1. Olá, Neilom, a paz. Eu sinceramente não conheço (até o momento) nem um único teólogo protestante que cria nessa interpretação que você passou. O que eu já vi foi uma distorção de uma outra passagem, a de Efésios 4:8, que alguns imortalistas dizem que Cristo estava conduzindo as pessoas do Hades para o Paraíso, o que é refutado PELOS PRÓPRIOS IMORTALISTAS, como Norman Geisler e Thomas Howe, que refutaram essa tese no "Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e Contradições da Bíblia". Eu abordei essa tese imortalista da passagem dos mortos do Hades para o Paraíso à luz das regras da exegese e hermenêutica bíblica aqui:

      http://desvendandoalenda.blogspot.com.br/2013/11/o-que-significa-levar-cativo-o-cativeiro.html

      Neste artigo eu não apenas refuto as conjecturas imortalistas em torno de textos obscuros como esse, como também cito nomes renomados dentre os próprios imortalistas que desacreditam nessa teoria, além do Geisler e do Howe citei também John Piper. Ou seja: nem os próprios imortalistas creem nessa tese. É por demais especulacionista, e pouco bíblica.

      Deus te abençoe!

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  8. Maria nao tinha irmãs. Católico nenhum diria isto. Era filha única de Ana e Joaquim. Lígia.

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    1. Ué, mas não são vocês que estão sempre dizendo que os irmãos de Jesus eram primos dele, filhos da irmã de Maria que também se chamava Maria? kkkkkkk

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    2. Os primos de Jesus seriam filhos da prima de Maria. Uma vez que o nome é o mesmo: primos, só muda o grau, primos de 1º grau, segundo, e por aí vai. Mas cá entre nós acho que não havia necessidade de colocar isso na Bíblia ( que eram primos de segundo grau ), isso tem como ser inferido. A paz de Cristo

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    3. Essa baboseira ridícula de que os irmãos de Jesus eram primos (e agora inventaram que eram primos "de segundo grau" hahaha) já foi completamente esmagada aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/09/os-irmaos-de-jesus-eram-primos.html

      Volte sempre.

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  9. Para ver Maria, como a Mãe de Deus e Nossa mãe é necessário HUMILDADE, pois se Ela gerou em seu ventre Nosso Salvador, obviamente Deus escolheria a perfeita, cheia de graça entre as criaturas. Nenhum homem pode colocar Maria aos seu pés. Maria não está acima de Deus, pois ela é a criatura perfeita de Deus, mas Ela está sobre nós homens, e será através dela que teremos a vida eterna, quando finalmente ela esmagará a cabeça da serpente, como diz em apocalipse.Ao seu ver então, qual seria esta mulher? se não a mãe do Salvador, a mão do nosso Senhor? Se tens a sagradas escritura nas mãos, foi graças a igreja de Cristo. A reforma protestante foi em 1520, retirando 7 livros de extrema importância para a nossa conversão. Convertam-se enquanto há tempo. A PAZ DE CRISTO ESTEJA CONVOSCO.

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    1. HSUAHSUAHSUAHSUAHSUHASUH nunca ri tanto com tanta asneira junta, você tinha que pedir vaga no Zorra Total!

      "...será através dela [Maria] que teremos a vida eterna"

      "...quando finalmente ela esmagará a cabeça da serpente, como diz EM APOCALIPSE"

      E o pior de tudo é que não existe nenhum método científico de "desler" uma coisa. Agora já era!

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    2. Meu Deus ... Queria desler isso 2 . Impressionate a ignorância desse povo que nunca se interessa pela verdade.

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    3. Se Maria fosse melhor do que nós, onde ficaria o texto de romanos 3:9-10;pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma,pois já demostramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado.
      Como está escrito: não há um justo se quer.
      É bem verdade que Maria foi uma agraciada por Deus e concerteza a maior honra que uma mulher poderia ter de conceber Jesus.(não é nada pessoal, até pq como cristão devemos amar uns aos outros e respeitar uns aos outros. Como disse Paulo só há um mediador entre Deus e os homens Cristo jesus.

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  10. Será através de (Maria )" que teremos a vida eterna" essa é de doer!!!!

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  11. Na minha opinião lucas,esse é seu melhor artigo! Poucas vezes eu li um texto tão exclarecedor como esse sobre o assunto,não deixa passar uma possibilidade sequer de interpretação. O que prova de modo incontestável que a igreja de cristo passa bem longe de ser a igreja católica.
    O que me deixa triste é o fato de que mesmo com essa prova,ainda aparece um católico pra dizer as asneiras de sempre. Parece que nem lêem o artigo,e se lêem,não tem o intendimento pra refletir sobre ele. Só a misericórdia de Deus nessas vidas.

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  12. Portas do inferno sempre prevaleceram contra as instituições religiosas!!!
    "para que todos sejam um, Pai, como Tu estás em mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste." (João 17:21)

    A vontade de Deus o Pai e de seu Filho Jesus, é que todos os cristãos sejam um, isso sujere unidade ou união mas na realidade não é o que vemos por aí.

    "E, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;" (Mc 3:24 e Sl 133:1)

    Divisão significa duas visões, no Brasil cada religião cristã tem uma visão diferente da outra, por isso a tendência do reino religioso é deixar de existir por falta de união.

    “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2:42)
    "Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco." (II Cor. 13:11)

    O povo de Deus não está perseverando, não vivem em paz, não tem um mesmo parecer ignorando assim o ensinamento dos apóstolos portanto desagradando o criador.

    "Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei." (Jo 2:19 e Mt 25:2)

    O próprio Jesus é contrário ao modelo de sistema religioso institucional, com essa declaração ele mesmo constituiu cada cristão um templo ao ressuscitar no terceiro dia.

    "Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (I Cor. 6:19)

    Não existe necessidade de prédios físicos, agora Deus o Pai e Jesus o Senhor habita dentro de cada um que o receber como Senhor e salvador.

    "Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:" (Atos 7:48)

    Veja que a vida do Deus altíssimo pelo seu Espírito não habita em construções feitas por mãos humanas porque Jesus aboliu esse modelo de adoração.

    "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (João 4:24)

    Adorar em espírito significa exaltar, louvar, glorificar, engrandecer, ter temor reverencial ao Espírito de Deus que habita no cristão através da maneira de viver, falar, comportar-se, tratar o próximo como Jesus tratou, amando, bendizendo, orando, tendo compaixão, misericórdia, sendo pacificador, curando e desejando o bem sempre.

    "E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu:" Ap. 2:8

    A palavra igreja no novo concerto significa pessoas convertidas a Cristo em um determinado lugar, e não religiões institucionalizadas com cargos hierárquicos e fins comerciais ou lucrativos, Jesus nunca cobrou 1 centavo sequer para anunciar a palavra do Pai celestial o Mestre não teve religião e não deixou nenhuma para ser seguida, deixou-se a si mesmo para ser seguido como exemplo de amor.

    "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito." (Jo 14:26)

    Maior e melhor professor: O Espírito de Deus.

    “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis." (I Jo 2:27)

    É a unção de Deus na vida do cristão que o ensina tudo através da sagrada escritura.

    "Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai."
    Mt. 10:8

    As lideranças do sistema de religiões principalmente as cristãs têm mantido suas mentes e a de seus seguidores igualmente engessadas e cativas ou escravas de ensinamentos que são preceitos de homens enquanto que o Filho de Deus veio para libertar os filhos do altíssimo da rotina religiosa e do endeusamento dessas instituições que se tornam fanatismo e idolatria em suas vidas.

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