16 de outubro de 2012

Antes de entrar em um debate, fique atento...

Embora em meu site e em meu blog eu nem aceite os comentários vindos de vândalos, pessoas sem educação e sem respeito, infelizmente o mesmo não acontece nos debates que vemos nos fóruns por aí. Nestes dias, estive voltando a debater em alguns tópicos do Orkut em diferentes comunidades e também pelo facebook e tenho notado novamente como é a vida por lá. Como eu sei que não sou o único que sou alvo destes tipos de ataques (mas todos os que entram em debates em qualquer fórum da internet), escrevo estas linhas na tentativa de preparar alguém que deseja ingressar em um destes debates. 

1º Fique atento com as táticas de pressão.O que são táticas de pressão? Em suma, são coisas que não são argumentos em si, mas que servem junto ao argumento para pressionar a outra pessoa contra a parede e deixá-la acuada em um debate, ainda que os seus argumentos sejam fracos. Ao invés de formularem o argumento da seguinte maneira: 

“Caro anônimo, o seu argumento está equivocado por causa de X, Y, e Z (contra-argumentos)” 

Eles formulam o argumento assim: 

“Seu protestante rebelado e cínico, como você ousa negar X, Y e Z? Isso é típico de hereges como você, é por isso que existem 50 mil seitas no protestantismo, vai estudar e deixa de ser um lunático alienado”! 

Percebam algumas coisas interessantes nos dois discursos. O primeiro apresenta o argumento e depois o refuta com outros argumentos, enquanto o segundo não refuta nada, mas apenas apela para táticas de pressão, tais como chamar o outro de herege, lunático, alienado, rebelado, cínico, atacar a pessoa, atacar a profissão de fé dela, apelar para ad hominem, atacar, atacar e atacar... sem refutar argumento nenhum! 

Por mais que esta segunda forma de “argumento” seja ridícula e não faça nenhuma influência em algum debate inteligente, mas apenas entre ignorantes e iletrados, infelizmente acaba tendo certo sucesso contra apologistas iniciantes e inexperientes. Por quê? Porque no primeiro caso a pessoa analisa o argumento e o refuta simplesmente, enquanto no segundo caso alguém inexperiente pode se sentir acuado, atacado e acovardado por causa disso. Então, ele nem sequer acaba conseguindo perceber o fato óbvio de que esta segunda pessoa nem sequer chegou a argumentar alguma coisa, mas mesmo assim não consegue contra-argumentar, não por não ter argumentos, mas por se sentir pressionado.  

Assim, o objetivo dessa segunda pessoa acaba sendo cumprido com êxito: mascarar a sua deficiência argumentativa através destas táticas de pressão, fazendo com que o oponente não perceba que você não sabe nada do assunto e que se sinta acuado, pressionado contra a parede. Essa tática de pressão é muito utilizada por pessoas sem qualquer conhecimento bíblico sólido e repletas de descontrole emocional, desequilibradas, e que pensam que um ataque mais pessoal consegue suprir a falta de argumentação racional.  

2º Fique atento com as agressividades e ofensas.Embora o primeiro exemplo já seja uma ofensa, existem muitas outras formas que são constantemente utilizadas. Outro dia um católico escreveu a mim dizendo: 

“cara vai estudar vc é ridículo vc aprendeu história aonde falastrão o herege não tira frases do contexto refute todos os padres da igreja católica herege” 

Foi isso. O indivíduo não sabe nem escrever direito, muito menos foi alfabetizado corretamente na sua infância (não sabe o que é uma vírgula ou não sabe onde colocá-las no texto), não sabe formular um argumento (fica complicado saber exatamente o que que o revoltou tanto), comete erros ortográficos e gramaticais primários, ataca e ofende sem contra-argumentar e nem ao menos tem a capacidade de formular uma contra-argumentação aos meus argumentos.  Bom, é lógico que eu nem desperdicei meu tempo respondendo a um perdido desses, mas uso isso como exemplo para vermos como que são os debates por aí.  

Eles não têm moderação, ou, quando tem, são de pessoas do círculo de confiança da parte de quem ofende. Dessa forma, tais indivíduos se sentem protegidos. No caso do debate que estou tendo, é em uma comunidade controlada por um católico e têm quatro moderadores, dois católicos ativos e dois supostamente “evangélicos”, um dos quais escreveu em sua página do Orkut que já não entra mais no Orkut e trocou-o pelo Facebook, e o outro que eu nunca vi aparecer por lá.  

Diante disso, dá para perceber o tamanho da desigualdade, e como que os vândalos serão facilmente tolerados em tal comunidade, sem qualquer atitude ou punição para eles, uma vez que não existe parcialidade real ali. Portanto, você não tem a opção de clamar para a moderação e será ingênuo se esperar alguma atitude da parte deles. O melhor a fazer com essa gente é simplesmente ignorá-los. Os trolls são alimentados simplesmente pelo fato de continuarmos conversando com eles. É inútil tentar levar uma conversa inteligente com um troll. Isso é o mesmo que jogar pérolas aos porcos. Tais indivíduos não dão a mínima se estão sendo refutados ou não, eles só querem chamar a atenção.  

E como? Simplesmente quando damos atenção a eles. Ignorá-los é a atitude mais inteligente. Não dê corda a algum destes desonestos. A maioria deles são crianças (literalmente), que escrevem durante o recreio, enquanto outros são crianças na mentalidade, embora possam ser bem crescidos fisicamente. De nada adiantará tentar convencê-los de que eles não têm argumentos, de que são mal educados ou que aquilo não é uma atitude cristã. O troll não vai deixar de ser mal educado simplesmente porque você falou que ele é mal educado. Deixe isso com Deus e não perca o seu tempo com gente deste nível. 

3º Fique atento com os argumentos ad hominem. Embora os dois pontos anteriores já sejam uma forma de ad hominem, existe uma outra forma desta falácia sem usar necessariamente agressividades ou ofensas de modo direto. Isso pode ser feito na forma oposta do “apelo à autoridade” (quando alguém alega ter a verdade porque ela é sustentada por alguma autoridade importante), quando se tenta desmoralizar o próximo dizendo que ele não tem autoridade sobre algo.  

Por exemplo, se eu for contra o aborto pelas razões (argumentos) X, Y e Z, e vir alguém dizendo: “Quem é você para dizer isso? Que autoridade científica você tem para afirmar isso”? Ou seja, ao invés de refutar os argumentos com outros contra-argumentos, a pessoa apenas se foca na pessoa do argumentador em si, tentando desmoralizá-lo. Uma forma semelhante deste argumento é quando alguma pessoa é automaticamente taxada de algo sem ser refutada.  

Por exemplo, há alguns dias estou debatendo sobre aborto e casamento homossexual. Eu apenas expus os meus argumentos pelos quais sou contra o aborto e o casamento homossexual, e, embora não tenha ofendido ninguém, houve várias pessoas que não refutaram absolutamente nada daquilo que eu escrevi, mas foram em massa dizendo que eu sou um machista e homofóbico (machista por ser contra o aborto e homofóbico por ser contra o casamento homossexual).  

A saída, nestes casos, além de apontar a falácia destes argumentos, é ressaltar que você não está sozinho nessa. No meu caso, bastou dizer que, se eu sou machista por ser contra o aborto, então o Código Penal Brasileiro também é machista, pois afirma categoricamente que o aborto é um crime contra a vida humana. Da mesma forma, se eu sou homofóbico por pregar contra o casamento gay, então a Constituição Brasileira também é homofóbica, já que ela é contra o casamento de pessoas do mesmo sexo. Ou seja, enquanto eu estou amplamente amparado pelo Código Penal Brasileiro e pela Constituição Brasileira, eles estão amparados somente em seus próprios achismos.  

Além disso, de acordo com pesquisas recentes, 82% da população é contrária á legalização do aborto. Isso significa que, se eu sou “machista” por ser contra o aborto, então 82% da população brasileira também é. Notem que estes argumentos ad hominem utilizados podem com facilidade voltar contra os seus próprios proponentes, pois não são realmente argumentos, mas falácias ridículas e absurdamente fáceis de serem desmembradas por qualquer um que tenha uma capacidade lógica de raciocínio. 

4º Consiga o máximo de apoio possível.Evite entrar em debates onde você acaba mesmo é entrando dentro de um coliseu para ser massacrado pelos adversários. Evite debater sozinho contra dezenas de pessoas. Não porque essas pessoas sejam mais inteligentes que você ou que tenham os melhores argumentos, mas porque é comum que, nestes casos, haja um comum complô contra você, que no final irá acabar apenas nadando, nadando, e não chegando a lugar algum. Lembro-me de anos atrás quando eu ainda era iniciante no ramo de teologia e debatia sozinho contra seis ou mais católicos simultaneamente (o mesmo no caso dos ateus).  

Embora isso às vezes possa ser divertido, não irá gerar resultados. O convencimento só vem quando alguém pode confirmar e solidificar as suas colocações. Você pode usar os melhores argumentos irrefutáveis do mundo, mas se todo mundo junto decidir ir contra você e ridicularizar os seus argumentos (ainda que não os refutem), os que observam irão preferir adotar a medida adotada pela maioria do que pelos melhores argumentos. Além disso, você irá perder pelo cansaço, pois algum deles sempre irá querer falar mais alto, gritar por último.  

Será uma questão de honra para eles não serem calados por apenas um único debatedor. Sendo assim, ou você vai perder o dia todo debatendo na internet, ou vai ter que vê-los ganhando pelo cansaço. É por isso que o mais recomendável seja que você debata em fóruns imparciais, devidamente moderados, com pessoas respaldando ambas as posições (e não de apenas um lado da moeda), e onde existam pessoas que defendam o ponto de vista defendido por você, e não onde você esteja completamente sozinho.  

5º Fique atento com as táticas de escárnio.As táticas de escárnio são muito conhecidas de todos nós. Elas acontecem quando alguém tenta ridicularizar você ou o seu argumento, sem, contudo, refutá-lo. Geralmente não vem de modo tão direto, mas muitas vezes de maneira indireta. Às vezes, ela pode vir em terceira pessoa, como quando, por exemplo, alguém diz a você: “Como você pode crer em X? Você não sabe que Y defende isso”? Sumariando e expondo o argumento, é como se fosse: 

1. Eustáquio (nome fictício) defende a tese X.
2. Há algo de errado em Eustáquio.
3. Portanto, X é falso. 

Neste caso, a pessoa de Eustáquio cometeu algum erro no passado (ou talvez até seja um herege realmente), e já que ele defende a tese X, então a tese X está automaticamente errada, como se não precisasse formular contra-argumentos a fim de refutá-la. Uma forma semelhante desta falácia é quando o “Eustáquio” do exemplo não é uma pessoa, mas uma igreja, uma religião, uma instituição, etc. Por exemplo: 

1. A igreja (ou religião) X ensina Y.
2. Essa igreja X é herética.
3. Logo, Y é falso. 

Nem mesmo no caso do catolicismo eu admito usar esta falácia. Há coisas que os católicos acertam em sua teologia, tais como crer na trindade, na divindade de Cristo, na salvação de Cristo, etc. Portanto, dizer que porque uma seita prega X então X é falso, não é um argumento verdadeiro. Será necessário sustentar uma base argumentacional sólida pela qual podemos saber que X é realmente falso. As táticas de escárnio, neste sentido, consistem no fato dos outros debatedores o ridicularizarem pelo fato de você crer em alguma coisa que é defendida por alguma pessoa não muito bem vista na sociedade ou por alguma igreja não muito bem aceita.  

O mesmo pode ser feito com você mesmo. Argumentos do tipo: “refutar você é como chutar um cachorro morto”; “você está mais perdido do que cego em tiroteio”; “ele é ridículo, como alguém pode acreditar nesse babaca?”. São apenas deboches das mais variadas espécies que são táticas de escárnio utilizadas para escarnecer do debatedor X, para que este se sinta pressionado e possa não se sentir a vontade para continuar debatendo. Sendo assim, quem faz uso dessas táticas acaba se achando “vencedor” pelo fato de que a outra pessoa deixou o debate, ainda que não tenha lançado mão de nenhum argumento para isso. 

De fato, existem muitas outras falácias e formas sofistas de argumentar que são tão utilizadas por aí. Explanei apenas essas cinco por enquanto, mas tenho certeza que todos vocês podem identificar muitas outras semelhantes a estas. Fugir delas já é um primeiro passo importante para chegar mais próximo da Verdade. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo. 

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com) 

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