O sequestro dos Pais da Igreja


Em um debate recente entre o secular Bill Nye e o cristão Ken Ham[1], este tocou em um ponto importante, de algo que está ocorrendo em nossa volta e que às vezes nem percebemos. Trata-se daquilo que ele chamou de “sequestro da ciência”. Os ateus e humanistas seculares em geral conseguiram, através de um bom marketing e de bombardeios sistemáticos na mídia, transmitir a ideia de que “o ateísmo está do lado da ciência” e que a religião está do lado contrário, como se a ciência e o Cristianismo estivessem travando através dos séculos uma guerra mortal, na qual só um sobrevive – um roteiro hollywoodiano que poderia ser melhor aproveitado por alguém como Steven Spielberg.

É lógico que isso é puro marketing. Todos sabem que os cristãos não estão “lutando” com a ciência, até porque a esmagadora maioria dos grandes cientistas do passado era de profissão cristã e muitos dos melhores cientistas da atualidade também são (o responsável pela mais espetacular descoberta científica do nosso século, o cientista Francis Collins, é um ex-ateu convertido ao Cristianismo evangélico, autor do livro "A Linguagem de Deus"). Não há conflito algum entre ciência e fé.

Mas o ponto em questão não é se há ou se não há um conflito de fato, mas está na guerra simbólica por detrás disso: os ateus conseguiram jogar a ciência para o lado deles, sequestrá-la, e discursar como se fossem os paladinos da verdade científica contra todo discurso religioso “anticientífico”. Eles são o “lado da ciência”, enquanto nós somos o “lado da fé”, neste falso dualismo perspicazmente proposto por eles, o que muito ajudou na promoção do neo-ateísmo.

Pois bem. Há uma outra guerra simbólica acontecendo neste momento, e um outro inocente que está sendo sequestrado. Se Ken Ham corretamente assinalou que os ateus e agnósticos sequestraram a ciência, não é exagero dizer que os papistas fizeram o mesmo com os Pais da Igreja. Eles sequestraram os Pais da Igreja. A mesma jogada de marketing utilizada pelos ateus foi também usada por eles, não para trazer a ciência para o seu lado, mas a patrística.

É verdade que parte disso é culpa nossa. Enquanto os papistas e os ortodoxos se digladiam entre si para ver quem é o “dono” dos Pais da Igreja, muitos evangélicos não estão nem aí com isso, e alguns ainda chegam ao nível épico de insanidade como o pessoal do Sola Scriptura TT, que crê que os Pais da Igreja eram romanistas endiabrados. Estes só servem para atrapalhar. Além de não ajuntar, espalham.

Por outro lado, é também verdade que a maioria dos grandes estudiosos em patrística não é romanista. O autor de um dos livros mais vendidos sobre patrística, Hans Von Campenhausen, autor do ótimo livro "Os Pais da Igreja", é protestante, assim como Michael Haykin (autor do livro "Redescobrindo os Pais da Igreja"), Saulo de Melo (autor do livro "A História da Igreja"), F. F. Bruce (que dispensa comentários) e muitíssimos outros. Eles não apenas não se tornaram romanistas ao estudarem a fundo os escritos dos Pais, como também tiveram sua fé reforçada a tal ponto que decidiram escrever sobre isso!

Há também, naturalmente, uma imensidão de estudiosos ortodoxos sobre patrística. Estes provavelmente sejam a maioria. Eles também não viram qualquer necessidade de se tornarem romanistas ao estudar a patrística. Louis Pasteur certa vez disse que “um pouco de ciência nos afasta de Deus; muito, nos aproxima”. A frase ideal que resume bem este presente cenário é que “um pouco de patrística nos afasta da fé evangélica; muito, nos aproxima”. Só aqui neste blog há 42 artigos sobre patrística, e no blog do Hugo ("Conhecereis a Verdade") e no do Gustavo ("E-Cristianismo") há muito mais[2].

É verdade que os papistas sequestram igualmente muitos outros termos, principalmente o termo Igreja, o qual já tratei apropriadamente aqui, aquie aqui. Mas o que eles fazem com os Pais é muito mais absurdo e estarrecedor, ainda mais considerando a enorme quantidade de Pais que se posicionaram contra inúmeras doutrinas cridas hoje pelos romanistas. Em meu artigo: "Os Pais da Igreja eram católicos romanos?" eu mostrei dezenas de citações dos Pais refutando pelo menos nove doutrinas católicas, mas há muito mais. Não vou citar os textos novamente aqui, mas no lugar disso resumirei em uma tabela[3]:

Doutrina Papista
Pais que negaram explicitamente essa doutrina
Transubstanciação
Teodoreto, Gelásio, Crisóstomo, Vigílio, Inácio, Tertuliano, Agostinho, Orígenes, Clemente de Alexandria, Hipólito
Imaculada conceição
Orígenes, Tertuliano, Crisóstomo, Ambrósio, Cirilo de Jerusalém, Bernardo de Claravaux, Leão I, Gelásio I, Gregório Magno
Livros apócrifos
Melito, Teófilo, Orígenes, Júlio Africano, Eusébio, Jerônimo, Atanásio, Hilário, Epifânio, Cirilo de Jerusalém, Basílio, Gregório Nazianzeno, Rufino, Anfilóquio de Icônio, Gregório Magno, João Damasceno, Concílio de Laodiceia
Preterismo
Eusébio, Jerônimo, Sulpício Severo, Hipólito, Vitorino, Clemente de Alexandria, Cirilo de Jerusalém, Irineu, Justino, Hermas, Efrém, Cipriano, Didaquê
Imortalidade da alma
Justino, Policarpo, Inácio, Arnóbio, Teófilo, Taciano
Primado do bispo romano
Inácio, Eusébio, Tertuliano, Cipriano, Jerônimo, Agostinho, Gregório Magno, Concílio de Niceia, Concílio de Calcedônia, Concílio de Cartago
Justificação pelas obras, e não somente por fé
Agostinho, Clemente de Roma, Basílio, Beda
Tradição extra-bíblica com a mesma autoridade da Escritura
Justino, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Hipólito, Orígenes, Eusébio, Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Basílio, Gregório de Nissa, Ambrósio, Jerônimo, Crisóstomo, Agostinho, João Cassiano, Cirilo d Alexandria
Batismo por aspersão
Cirilo de Jerusalém, Hipólito, Tertuliano, Didaquê, Inúmeras evidências arqueológicas
Culto às imagens
Lactâncio, Irineu, Clemente de Alexandria, Orígenes, Agostinho, Cipriano, Jerônimo, Eusébio, Epifânio
Virgindade perpétua de Maria
Eusébio, Tertuliano, Helvídio, Orígenes, A maioria dos cristãos até o final do século II (segundo Clemente de Alexandria)
Pedro como a pedra de Mateus 16:18
Agostinho, Tertuliano, Orígenes, Cipriano, Afraates, Tiago de Nisbis, Ambrosiáster, Eusébio, Paulo de Constantinopla, Hilário, Atanásio, Basílio, Gregório de Nissa, Ambrósio, Dídimo, Epifânio, Crisóstomo, Jerônimo, João Damasceno, Beda, Cassiodoro, Gregório Magno, Cirilo de Alexandria, Teodoreto
Tormento eterno
Justino, Policarpo, Inácio, Arnóbio, Teófilo, Taciano, Hermas, A maioria dos cristãos até o século IV (segundo Agostinho)

É óbvio que esta lista se estenderia ao infinito se eu estivesse mais disposto no momento a ir buscar mais doutrinas e citações de outros Pais, mas o objetivo aqui não é esgotar o tema, mas somente mostrar que é completamente errado sequestrar os Pais da Igreja para o lado papista da força. Eu tenho arquivado no meu computador sete documentos em Word lotados de citações patrísticas contra uma legião de doutrinas católicas, que só pretendo usar quando for escrever um livro sobre o tema, o que está fora de questão no momento. O fato é que agora, para escrever este artigo, eu nem abri estes documentos, apenas peguei um resumo de outros artigos deste blog. É um “resumo super resumido”.

Analisando doutrina por doutrina, é muito fácil perceber que não há absolutamente nenhuma doutrina romanista que já não tenha sido refutada pelos Pais da Igreja, por um ou por vários deles, porque a doutrina papista não é e nem nunca foi um conjunto fixo de doutrinas preservadas desde os tempos apostólicos, mas sim uma metamorfose ambulante, que muda com mais rapidez que o camaleão troca de pele. Inúmeras doutrinas foram sendo acrescentadas ao longo dos séculos, e outras naturalmente foram sendo retiradas, ou simplesmente ofuscadas – incluindo o principal: Jesus.

É lógico que há doutrinas que você realmente não vai ver um Pai da Igreja se posicionando contra elas, simplesmente porque elas não existiam, e é impossível se posicionar contra algo que não existe. Você pode ver Pais refutando a imortalidade da alma porque a imortalidade da alma era corrente no mundo da época, mas você não verá Pais refutando o “purgatório”, porque o purgatório é uma invenção papista tardia que não existia nem na mais aguçada imaginação de qualquer cristão ou pagão da época. Se daqui cem anos alguém inventar uma doutrina totalmente nova e desconhecida para o meu tempo, eu não posso ser acusado por não tê-la refutado, pois hoje não há nada a ser refutado. Não há como os Pais refutarem uma bobagem que nasceu séculos depois deles.

É por isso que o ônus da prova está com eles (os papistas), e não conosco. São eles que têm que mostrar evidências antigas do purgatório, e não nós que temos que mostrar Pais refutando uma doutrina inexistente, longe até da imaginação deles. Outra coisa que deve ser observada é que, obviamente, o fato de determinado Pai não ter se posicionado contra determinada doutrina não significa que ele concorde com ela. Ele pode simplesmente não ter escrito sobre o tema, ou ter escrito de forma vaga. Como o filósofo cristão William Lane Craig sempre costuma dizer, ausência de evidência não significa evidência de ausência.

Há também um conjunto muito grande de doutrinas que dividiam os Pais da Igreja. Os papistas não gostam de admitir isso, mas a verdade é que os Pais da Igreja eram tão ou mais divergentes entre si quanto os protestantes são nos dias de hoje. No meu livro "Em Defesa da Sola Scriptura" eu listo nada a menos que 26 doutrinas divergentes entre os Pais da Igreja. Isso não é muito mais do que você pode encontrar nas diferentes comunidades evangélicas nos dias de hoje. A única diferença é que hoje existem mais pessoas – 970 milhões – do que havia antigamente, o que também aumenta naturalmente o número de divergências.

A Igreja dos primeiros séculos não era uma ditadura fechada ao livre exame sob a sujeição a uma autoridade máxima com poderes totalitários (o papa infalível), mas um ambiente propício à liberdade, ao livre exame das Escrituras e, consequentemente, a uma atmosfera de diversidade e pluralidade de opiniões. O problema é que os papistas se aproveitam dos Pais que favoreceram certas doutrinas deles e em cima disso querem alardear a todos os quatro cantos da terra que “os Pais da Igreja eram católicos romanos”, ou que a Igreja antiga era uma Igreja “Católica Apostólica Romana”. É um sequestro. Nada a mais.

Eu sempre costumo dizer que a apologética católica não é uma apologética honesta, e isso não em função de certos apologistas católicos do tempo dos macabeus, mas porque a apologética deles em si mesma não pode ser honesta. Isso ocorre por uma razão lógica: não são os próprios “apologistas” que podem pensar por si próprios e chegar às suas próprias conclusões; ao contrário, eles estão obrigados a seguir a vontade e a opinião do papa, querendo eles ou não, gostando eles ou não. Eles não são nem convidados a opinar. Tornam-se papagaios de um pontífice, ao invés de livres pensadores.

O grande problema é que pessoas que não pensam por si mesmas, mas apenas copiam o pensamento de outras e condicionam sua opinião à opinião de outro, não podem ser honestas o suficiente para admitir que estão erradas. Eu e os protestantes em geral não temos este problema, porque somos livres. Nós pensamos, não repetimos pensamentos. Eu não concordo com tudo o que o meu pastor afirma, nem compactuo com todas as crenças da igreja em que congrego, e isso jamais foi razão de litígio entre nós. Por causa dessa liberdade também não há o menor problema em admitir que está errado em um ponto e aderir a outro ponto, se é isso que a nossa consciência atesta em nosso interior.

Eu não tive problemas em admitir que estava errado sobre certas doutrinas que sempre fui ensinado, como a imortalidade da alma e o arrebatamento pré-tribulacional. Bastou uma análise bíblica e histórica aprofundada e honesta comigo mesmo, e tive a humildade de mudar de opinião. Mudar de opinião não é um pecado, é uma expressão da liberdade de pensamento. Quem nunca muda, nunca aprendeu. Podemos seguir nossa consciência ao invés de aprisioná-la e condicioná-la à opinião de um ditador infalível sentado em uma cátedra em Roma.

Os católicos, infelizmente, não podem fazer o mesmo. Se ele chegar a qualquer conclusão diferente através de seu próprio raciocínio lógico, e este raciocínio pessoal contrariar a opinião do papa, ele é obrigado a abdicar daquilo que ele pensou por si mesmo, para que possa voltar a acenar positivamente com a cabeça, no excelente papel de vaquinha de presépio. Vamos tomar um exemplo prático: o limbo. Os católicos, em suma maioria, defendiam o limbo com unhas e dentes nos debates com evangélicos até poucos anos atrás. No famoso site católico “Montfort”, você pode ver uma defesa enérgica da existência do limbo feita por eles, com várias citações de papas e de documentos da Igreja papal ao longo da história. Clique aqui para ver, mas seja rápido, antes que eles tirem do ar.

Pois bem. Para o desespero dos católicos montfortianos, o Vaticano decretou o fim do limbo, notícia esta que saiu no mundo todo. É isso mesmo. “Galera, não existe mais, beleza? Acabou, gente!”. Simplíssimo. E não se fala mais nisso. Dane-se os “dois mil anos de tradição”, os documentos oficiais da Igreja que falavam do limbo, os vários papas que assinalaram a sua existência e a multidão de idiotas úteis que defendiam este lugar nos debates contra os evangélicos. Agora não existe mais, e “nunca existiu”, vejam só! Imagine só se o papa daqui cem anos não recua mais ainda e afirma que o purgatório também não existe. Onde vai parar a multidão de católicos que defendia isso com toda a garra?

Onde fica a cabeça do católico neste momento? Ele defendia a existência do limbo até dois minutos, mas logo depois que o papa muda de opinião ele é obrigado a mudar também. A opinião do católico não importa. Ele não pode se expressar por si mesmo, pensar por si próprio, seguir sua própria consciência. Ele tem que apenas fazer coro com o Vaticano. Então, até um dia antes do papa dizer que o limbo não existia ele estava defendendo a existência do limbo nos debates, mas um dia depois, ao ver a notícia, ele tem que abdicar imediatamente de todos os seus argumentos e jogar o limbo na lata do lixo, de onde nunca devia ter saído. Isso é uma opinião cativa. Isso é servidão. Isso é escravidão, não física, mas de pensamento.

O que isso tem a ver com os Pais da Igreja? Duas coisas. Primeiro, isso mostra que os Pais não seguiam a lógica romanista da opinião cativa. Eles tinham livre opinião. Eles tinham livre-arbítrio. Eles praticavam o livre exame. Fato. Basta ler os escritos de qualquer um deles ou só analisar as inúmeras divergências entre eles próprios, e eu não estou falando dos considerados “hereges”, mas dos próprios Pais mesmo!

Segundo, isso faz com que o católico tenha que defender uma mentira, mesmo sabendo que é uma mentira. Porque se o papa diz que os Pais da Igreja eram todos católicos apostólicos romanos, os apologistas a serviço de Roma nada mais tem a fazer a não ser distorcer todos os seus escritos para se amoldar ao papismo, fingindo desconhecer totalmente os textos patrísticos que fulminam suas próprias heresias, ou distorcendo-os deliberadamente no mundo de faz-de-conta em que eles vivem. O objetivo não é defender a verdade, é defender o papado. É por isso que você nunca verá um católico admitindo o fato óbvio de que Jerônimo rejeitava os apócrifos, mas você verá os evangélicos admitindo abertamente e sem hesitação que Jerônimo cria mesmo na virgindade perpétua de Maria, com a mesma energia com a qual ele condenava os apócrifos.

Nós não estamos presos a um sistema para sequestrarmos os Pais da Igreja. Nem eu e nem qualquer outro evangélico do mundo jamais disse que os Pais da Igreja eram protestantes, luteranos, assembleianos ou qualquer outra denominação que seja. Tampouco eram romanistas, “ortodoxos”, anglicanos ou arianos. Eles eram simplesmente cristãos, com todas as suas divergências, erros e problemas internos. Há dois lados que estão sempre brigando para ver quem tem os Pais em sua posse – os romanistas e os ortodoxos. No meio deste fogo cruzado, há os evangélicos que não tem a arrogância infinita de sequestrar os Pais, mas simplesmente os deixam ser o que eram: cristãos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1]Citei este debate apenas para falar sobre o “sequestro”, mencionado por Ham. Isso obviamente não significa que eu concorde com tudo o que Ham defenda, nem significa que eu discorde de tudo o que Nye defendeu no debate.

[2] Eu citaria também com o maior prazer o site do Ricardo Bueno (http://vozesdospadres.blogspot.com/), mas ele parece ter sido tirado do ar. Se temporariamente ou definitivamente, eu não faço ideia.

[3]Evidentemente, nem todos os que foram citados na tabela são considerados Pais da Igreja. Eu tomei a liberdade de incluir também os escritores cristãos famosos dos primeiros séculos que são considerados apologistas mas não Pais, e também as decisões dos Concílios.

Comentários

  1. Belo texto.

    Ham defende a exegese popular do Gênesis, e tenta derrubar a evolução, e as datacões geológicas, radioativas e cosmológicas. Acredito que ele faça um desserviço a fé, concordo que há em um preconceito naturalista na Academia, mas também há uma falta de argumentos consistentes.

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  2. Se tu pode. Pode fazer um artigo sobre o anti-semitismo católico.

    Isso é uma das coisas que mais me irritam neles.

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    1. Vou pensar no caso. Obrigado pela sugestão!

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  3. Lucas chegou a hora de vc tb escrever um livro sobre patristica.... vc pode começar mostrando como era a igreja primitiva usando a didaque e outras coisas mais que vc tem.... vc pode falar sobre o batismo, ceia, etc,,,,, e depois ir mostrando como as coisas foram mudando e tomando outro rumo.

    Viu os apostolos usavam a septuaginta né ? mesmo ela contendo dos 7 livros apocrifos da ICAR ?

    T+++
    Matheus.

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    1. Muitos dos livros que eu já escrevi já tratam alguma coisa sobre patrística em algum capítulo. Eu ainda pretendo escrever um livro especificamente só de patrística, mas não hoje. Não está nos planos para o primeiro semestre, já tem muitos outros títulos na frente, que na minha opinião são prioridades no momento.

      Sobre a Septuaginta, era possível (embora não certo) que os apóstolos, ou parte deles, a usassem. Isso obviamente não significa que eles considerassem todos os livros da Septuaginta inspirados, pois NENHUM códice da Septuaginta contém todos os apócrifos sem o acréscimo de nenhum outro livro não-canônico nem para os católicos, e TODOS esses códices ACRESCENTAM outros livros que são apócrifos para nós e também para eles. Então se os livros da Septuaginta devem ser considerados inspirados, temos que excluir alguns apócrifos que eles creem serem inspirados, e incluir outros livros que nem eles consideram canônicos. Você pode ver mais sobre isso no tópico: "OS ALEXANDRINOS TINHAM UM CÂNON DIFERENTE?", deste artigo aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/o-canon-biblico-dos-judeus.html

      T++

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  4. Isso eu sei que vc cita muito patristica em seus livros...mas eu digo de um livro sobre historia da igreja apenas mostrando como era o culto primitivo e como as coisas foram mudando...tipo : a didaque ensina o batismo em adultos e por imersão....dai vc mostra tb qdo foi que surgiu o batismo em adultos por aspersão... No 4º século havia imagens na igreja, mas Lactâncio era contra isso....etc...
    Acho que alguns artigos do Rafael Rodrigues possam te ajudar, já que ele tem muitas obras disso tb...mas ele usa as partes puxando sardinha pro lado dele...

    Lucas eu não sei nem o que é CÓDICE ? eu sou extremamente leigo nesse assunto. Vc pode me explicar o que é um códice ? E quem é que acrescentava livros do nada nesse codice ?
    É que eu sempre vejo os catolicos dizendo que Jesus e os apostolos usaram a Septuaginta e que ela tinha os 7 deuterocanonicos....
    .
    T+++
    Matheus...

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    1. Códice é um manuscrito. Existem três códices antigos que contém a Septuaginta: o Alexandrino, o Vaticano e o Sinático. Em todos estes três códices há acréscimos de livros espúrios que os romanistas não consideram inspirados, e em dois deles há a exclusão de livros que os papistas consideram canônicos. Portanto argumentar que os apóstolos usaram algumas vezes a Septuaginta não significa absolutamente nada. Isso obviamente não significa que eles considerassem todos os livros da Septuaginta como inspirados, senão os católicos teriam que tirar e acrescentar certos livros à sua Bíblia. Os ortodoxos, por exemplo, fizeram isso, é por essa razão que eles tem um cânon mais amplo que os romanistas. Então dá até para entender quando um ortodoxo usa um argumento como esse, mas um papista usar este mesmo argumento em seu favor é estúpido. É o mesmo que pedir para ser chamado de idiota.

      T++

      [Leia o link acima que eu passei, ali eu explico isso melhor]

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  5. Então porque a ICAR escolheu justo esses 7 livros a mais ?

    Aliás, como a Bíblia tomou a forma que tomou hoje já que muitos livros desses do códice eram errados ? quem definiu a Bíblia pronta ?
    Esse códice é so de livros do AT né ?
    .
    T+++
    Matheus.

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    1. Ela escolheu esses livros em Trento porque foram os livros adicionados em Hipona e Cartago, à exceção de um livro apócrifo de Hipona e Cartago que condenava a oração pelos mortos e eles decidiram deixá-lo de fora. A Bíblia tomou a forma que tem hoje porque os evangélicos seguem o cânon do AT que aqueles que tinham o direito sobre o AT (os judeus) consideravam inspirados, e os judeus não consideravam nenhum livro apócrifo inspirado. Os judeus obviamente não seguiam a "lógica" católica de que "todo livro que consta na Septuaginta é inspirado", porque se fizessem isso o AT estaria mais cheios de livros do que a própria Bíblia católica. Há alguns livros dos tempos neotestamentários nos códices da Septuaginta também, o Sinático tem o Pastor de Hermas e a Epístola de Barnabé, e o Alexandrino tem primeira e segunda Clemente.

      T++++++++++++++++++++++++++

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  6. São Jeronimo, padre e secretário do Papa, como posso ser seu secretário publicar seus escritos mas não concordar com seus ideais

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    1. Você está cometendo o mesmo equívoco que foi refutado no artigo. Na época de Jerônimo, a Igreja não cria em 90% dos dogmas papistas atuais. Jerônimo, como presbítero romano, obviamente devia concordar com os ideais de seu patrão, o bispo de Roma. A questão é: o bispo de Roma da época de Jerônimo concordaria com os ideias do bispo de Roma da nossa época? É lógico que não.

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  7. Na carta de Clemente aos Corintios há diversas citações sobre a escritura. Todas elas correspondem ao nosso cânon (protestante) ou algumas não tem a ver?

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    1. Sim, Clemente cita a Bíblia quase 70 vezes e não faz nenhuma citação de livro apócrifo.

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