18 de fevereiro de 2016

Historiadores e teólogos católicos reconhecem: não havia primado papal nos primeiros séculos (Parte 1)


Introdução

Qualquer historiador sério, de qualquer religião que seja, reconhece o fato óbvio de que não havia primado do bispo romano (papado) nos primeiros séculos da história da Igreja. Isso é tão universalmente reconhecido que não é nem questão de história, mas de honestidade intelectual. Como os apologistas católicos em geral não sabem ler, ou não tem amor à prática, desconhecem o fato de que nem os historiadores e teólogos católicos reconhecidos dão crédito à lenda papista de que o bispo de Roma já exercesse supremacia universal desde o início. Este artigo aqui é um presente para eles e um incentivo para que eles comecem a ler os seus próprios historiadores para parar de falar asneira na internet a fim de convencer os trouxas das suas sandices.

A ideia do artigo foi do Bruno Lima, que criou recentemente um blog que eu irei divulgar quando o mesmo estiver pronto. Ele é um grande estudioso da história da Igreja e trouxe um caminhão de citações católicas para serem inclusas neste artigo. Em função do grande número de citações, dividirei este artigo em muitas partes, ao final das quais incluirei as minhas também. Apreciem com moderação.


Desenvolvimento

1º Richard McBrien (sacerdote e teólogo católico e professor da Universidade de Notre Dame)

“Fontes primitivas, incluindo Eusébio, reivindicam que Lino ocupou o cargo por cerca de 12 anos, mas elas não são claras sobre as datas exatas ou o seu exato papel pastoral e autoridade. Deve ser lembrado que ao contrário da piedosa crença católica, a estrutura episcopal monárquica de governo da igreja (também conhecida como o episcopado monárquico, em que cada diocese era liderada por um único bispo) ainda não existia em Roma neste tempo (McBrien, Richard P. Lives of the Popes: The Pontiffs from St. Peter to Benedict XVI. Harper, San Francisco, 2005 updated ed., p. 34)

"Pedro era uma figura de importância central entre os discípulos do Senhor (...) No entanto, os termos primazia e jurisdição é provavelmente melhor evitar ao descrever o papel de Pedro no Novo Testamento. Eles são pós-bíblicos, de fato, canônicos, termos" (McBrien, Richard P. catolicismo. Harper, San Francisco, 1994. P. 753)


2º Eamon Duffy (proeminente historiador católico)

“Para começar, na verdade, não havia 'papa', nem bispo como tal, pois a igreja em Roma foi lenta a desenvolver o cargo de presbítero ou bispo chefe... Clemente não fez nenhuma reivindicação de escrever como bispo... Não há nenhuma maneira de definir uma data em que o cargo de bispo dirigente surgiu em Roma... mas o processo estava certamente completo pelo tempo de Aniceto, em meados dos anos 150” (Duffy, Eamon. Saints & Sinners: A History of the Popes, 2nd ed. Yale University Press, London, 2001, pp. 9, 10,13)

“Estas histórias foram aceitas como história real por algumas das maiores mentes da Igreja primitiva – Orígenes, Ambrósio, Agostinho. Mas elas são o romance piedoso, não história, e o fato é que não temos relatos confiáveis nem do final da vida de Pedro nem a forma ou local de sua morte. Nem Pedro nem Paulo fundaram a Igreja de Roma, pois havia cristãos na cidade antes de qualquer um dos Apóstolos por os pés lá. Também não podemos supor, como Irineu fez, que os Apóstolos estabeleceram uma sucessão de bispos para continuar seu trabalho na cidade, pois todas as indicações são de que não havia um bispo único em Roma por quase um século depois da morte dos Apóstolos. Na verdade, para onde quer que olhemos, os contornos sólidos de uma sucessão de Pedro em Roma parecem obscuros e frágeis" (Eamon Duffy, Santos e Pecadores: A História dos Papas [New Haven e Londres: Yale University Press, 1997]. p 2)

"Por outro lado [a um bispo romano que anteriormente tinha sido martirizado], na próxima perseguição sob Diocleciano em 303, Papa Marcelino (296-304?) teria cedido à pressão. Ele entregou cópias das escrituras e ofereceu sacrifício aos deuses. Ele morreu um ano depois em desgraça, e a igreja romana passou a esquecê-lo” (Eamon Duffy, Santos e Pecadores: A História dos Papas [New Haven e Londres: Yale University Press, 1997]. p 14)

“Sem o apoio do império, o papado se tornou a posse das grandes famílias romanas, uma passagem para o domínio local para o qual os homens estavam dispostos a estupro, assassinato e roubo. Um terço dos papas eleitos entre 872 e 1012 morreu em circunstâncias suspeitas - John VIII (872-82) espancado até a morte por sua própria facção, Estevão VI (896-7) estrangulado, Leão V (903) assassinado por seu sucessor Sérgio III (904-11), João X (914-28) sufocado, Estevão VIII (939-42) horrivelmente mutilado, um destino compartilhado pelo antipapa grego João XVI (997-8) que, infelizmente para ele, não morreu com a remoção de seus olhos, nariz, lábios, língua e mãos. A maioria desses homens foi manobrada ao poder por uma sucessão de famílias poderosas - os Theophylacts, os Crescentii, os Tusculani. João X, um dos poucos papas desse período que tomou posição contra a dominação aristocrática, foi deposto e assassinado no Castelo Santo Ângelo pelos Theophylacts, que o havia nomeado em primeiro lugar (...) Dos vinte e cinco papas entre 955 e 1057, treze foram nomeados pela aristocracia local, enquanto os outros doze foram nomeados (e nada menos do que cinco demitido) pelos imperadores alemães. O antigo axioma de que ninguém pode julgar o papa ainda estava nos livros canônicos, mas na prática há muito tempo foram anulados. Os próprios papas estavam profundamente envolvidos na guerra dinástica da nobreza romana, e eleição à cátedra de Pedro, como já vimos, era frequentemente uma mercadoria para venda ou troca (Eamon Duffy, Santos e Pecadores: Uma história dos Papas [New Haven e Londres: Yale University Press, 1997] pp 82-83, 87)

“Os Padres Conciliares receberam a leitura do documento de Leão com entusiasmo, declarando que «Pedro tinha falado através de Leão». Isto não era mais do que o que Leão cria acerca de todas as declarações papais (...) Os bispos em Calcedônia, porém, não faziam tal suposição. Eles reconheciam a especial dignidade e a honra da sede apostólica, mas não supunham por isto que qualquer coisa que dissesse o seu bispo devia ser verdade, e parecem ter crido que nesta particular ocasião Pedro tinha falado por meio de Leão. Eles adotaram a solução dele ao problema, portanto, não meramente porque era sua, mas porque a julgaram verdadeira. Para sublinhar isto, no cânon 28 do Concílio reafirmaram o ensino do Concílio de Constantinopla, de que Constantinopla tinha precedência depois de Roma, «porque é a Nova Roma»” (Eamon Duffy, Saints and Sinners: A History of the Popes. New Haven: Yale University Press, 1997, p. 35)


3º Karl Joseph Hefele (a maior autoridade católica em história conciliar)

Não posso entender como é possível, depois de ler as atas precedentes, imaginar-se sequer por um instante que os bispos deste Concílio considerassem os direitos em discussão como de origem divina, e que o ocupante da Sede de Roma fosse, jure divino, supremo sobre todos os pontífices. É bem possível, claro está, afirmar, como alguns fizeram, que as atas tais como as temos foram mutiladas, mas o argumento implica não só muitas dificuldades mas também não poucos absurdos; e não obstante não posso senão pensar que até esta hipótese extrema é preferível a qualquer tentativa de reconciliar as atas como as temos agora com a aceitação por parte dos membros do concílio da doutrina de uma supremacia papal jure divino tal como é agora sustentada pela Igreja Latina” (Hist Conc 3:428, citada em NPNF2, 14:295)


4º Yves Congar (reconhecido cardeal e teólogo católico)

“Às vezes aconteceu que alguns Padres entendiam a passagem de uma maneira que não está de acordo com o ensinamento da Igreja mais tarde. Um exemplo: a interpretação da confissão de Pedro em Mateus 16: 16-19. Exceto em Roma, esta passagem não foi aplicada pelos Padres para o primado papal; eles trabalhavam fora de uma exegese ao nível do seu próprio pensamento eclesiológico, mais antropológica e espiritual do que jurídica” (Yves Congar, Tradição e tradições [New York: Macmillan, 1966], p 398)


5º Klaus Schatz (teólogo e sacerdote católico)

Citações do livro do Klaus Schatz, um teólogo Jesuíta. Seguem algumas citações traduzidas:

"A questão de saber se havia alguma noção de um ofício permanente para além da vida de Pedro, se coloca em termos puramente históricos, provavelmente deve ser respondida negativamente. Isto é, se perguntarmos se o Jesus histórico, ao comissionar Pedro, esperava que ele tivesse sucessores, ou se o autor do Evangelho de Mateus, escrito após a morte de Pedro, estava ciente de que Pedro e sua comissão sobrevivia nos líderes da comunidade Romana que lhe sucedeu, a resposta em ambos os casos é provavelmente 'não'" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, pp.1-2)

"Se perguntássemos se a Igreja primitiva estava ciente, após a morte de Pedro, de que a sua autoridade tinha passado para o próximo bispo de Roma, ou em outras palavras, que o chefe da comunidade em Roma era agora o sucessor de Pedro, a Pedra da Igreja, portanto, o sujeito da promessa em Mateus 16:18-19., a questão, colocada nesses termos, deve certamente ser dada uma resposta negativa" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 2)

"No entanto, as reivindicações concretas de uma primazia sobre toda a Igreja não podem ser inferidas a partir desta convicção. Se alguém tivesse perguntado a um cristão no ano de 100, 200 ou mesmo 300, se o bispo de Roma era a cabeça de todos os cristãos, ou se houve um bispo supremo sobre todos os outros bispos e que teria a última palavra em questões que afetam toda a Igreja, ele ou ela certamente teria dito não" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 3)

"No entanto, ele [Clemente de Roma] não é apontado como o autor da carta; em vez disso, o verdadeiro remetente é a comunidade romana. Nós provavelmente não podemos dizer com certeza que havia um bispo de Roma na época, parece provável que a igreja romana era governada por um grupo de presbíteros, de quem muito rapidamente surgiu um oficiante ou ‘primeiro entre iguais’, cujo nome foi lembrado e que posteriormente foi descrito como ‘bispo’, após meados do século II" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 4)

[Em 1 Clemente]

"Mas seria ir longe demais deduzir que a igreja romana tinha autoridade formal ou precedência sobre outras igrejas, como foi feito com muita pressa por católicos romanos no passado. Em primeiro lugar, mesmo se essa admoestação reivindicasse a autoridade de Deus e a assistência do Espírito Santo, permaneceria dentro do contexto da universal e fraterna solidariedade das Igrejas cristãs, embora seja falado a uma igreja irmã que havia se desviado" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 5)

[A "Carta aos Romanos" de Inácio de Antioquia]

"No entanto, este tipo de interpretação jurídico-constitucional dificilmente corresponde às ideias dos contemporâneos de Inácio" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 6)

[A questão da Páscoa e o batismo herético]

"É dentro desse contexto que podemos descobrir, a partir do final do segundo século, as primeiras tentativas por parte da Igreja romana de assumir a responsabilidade por toda a Igreja. Podemos observar, por um lado, que essas primeiras iniciativas encontraram resistência e terminaram em fracasso. Roma não conseguiu manter a sua posição contra a opinião contrária e práxis de uma parcela significativa da Igreja. As duas controvérsias mais importantes desse tipo foram as disputas sobre a festa da Páscoa e o batismo herético. Cada uma marca uma etapa no sentido da autoridade de Roma e ao mesmo tempo revela a resistência inicial de outras Igrejas às reivindicações romanas" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 11)

“No decurso desta controvérsia Estevão deve ter reivindicado ser o sucessor de Pedro no sentido de Mateus 16:18. Este é o primeiro exemplo conhecido em que Mateus 16:18 foi aplicado ao bispo de Roma" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 13)

"A carta de Firmiliano é uma controvérsia sustentada contra Estevão e os seus argumentos a favor da validade do batismo herético. O décimo sétimo capítulo contém as expressões ‘quem alega que tem a sucessão de Pedro, sobre quem foi estabelecido os fundamentos da Igreja’ e ‘quem afirma que por sucessão, tem a Sé de Pedro’, ambos dirigidos contra o bispo de Roma. Essas alegações são rejeitadas, mas não formalmente, porque, em princípio, nenhum bispo individualmente, nem mesmo o bispo de Roma pode fazer tal afirmação. Em vez disso, o recurso para Mateus 16:18 é dito ser injustificado neste caso porque Estevão, reconhecendo o batismo dos hereges, está ‘introduzindo muitas outras rochas’, isto é, ele está traindo a unidade da Igreja e, portanto, agindo contrariamente ao sentido de Mateus 16:18 (e, portanto, da sucessão de Pedro)" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, pp. 13-14)

[Cipriano e Estevão]

"Em vez disso, escreve para Estevão que ele não deseja impor sua própria posição sobre ninguém, porque cada bispo é independente no governo de sua Igreja e é responsável perante Deus" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 14)

[Sobre os elogios de Cipriano a Roma de Cornélio e a controvérsia envolvendo os dois bispos espanhóis]

"A questão aqui era o reconhecimento de uma autoridade superior pertencente aos sucessores de Pedro, que não podiam ser adequadamente descritas em termos jurídicos. Em princípio, o bispo romano não tinha mais autoridade do que qualquer outro bispo, mas na hierarquia de autoridades, sua decisão tomou o lugar mais importante. Por outro lado, Cipriano considerava cada bispo como sucessor de Pedro, titular das chaves do reino dos céus e possuidor do poder de ligar e desligar. Para ele, Pedro encarna a unidade original da Igreja e do escritório episcopal, mas, em princípio, esses também estavam presentes em cada bispo. Para Cipriano, a responsabilidade por toda a Igreja e a solidariedade de todos os bispos também poderia, se necessário, voltar-se contra Roma. Há um exemplo marcante desta relação no mesmo período envolvendo dois bispos espanhóis, Basilides e Marcial. Durante a perseguição não tinham sacrificado aos ídolos, mas como muitos outros cristãos, haviam subornado funcionários para obter ‘certificados de sacrifício’ (libelli). Como resultado, eles haviam perdido credibilidade em suas congregações e tinham sido expulsos. No entanto (na opinião de Cipriano por deturpar os fatos), eles conseguiram obter o reconhecimento de Estevão de Roma. Cipriano reagiu imediatamente chamando um Sínodo Africano para avisar as duas comunidades que rejeitassem a decisão de Estevão e se recusassem a readmitir os dois bispos. Infelizmente, não sabemos como o assunto foi resolvido" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, pp. 20-21)

[Sobre o Sínodo de Sardica que o Papa Júlio II pediu e os imperadores convocaram]

"O concílio entrou em colapso no início. Primeiro os orientais, bispos anti-atanasianos não deveriam ser autorizados a participar, mas sua demanda foi rejeitada. Eles insistiram particularmente na autonomia do Oriente e do Ocidente, afirmando que o Ocidente não deve interferir em disputas orientais e vice-versa" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 24)

"Os resultados históricos imediatos de Sardica devem ser distinguidos dos efeitos a longo prazo. As suas decisões não foram imediatamente realizadas, mesmo no Ocidente e muito menos no Oriente. Os Cânones de Sardica, falsamente chamados de ‘Nicéia’ em Roma a partir do início do século V em diante, foram as células iniciais que iriam lentamente germinam totalmente durante quase mil anos para florescer por volta de 1200 sob Inocêncio III: eram os germes da exclusiva competência jurídica de Roma em causas maiores, ou seja, em tudo que tem a ver com os bispados ou bispos (remoção, transferência para outra diocese, renúncia, e assim por diante). É verdade que mais tarde, quando o desenvolvimento do primado tinha ido muito além Sardica e os ‘decretos de Pseudo- Isidoro’ no século IX havia introduzido um grande número de direitos de interferência pela Sé Apostólica. Alegou-se que Sardica estabeleceu um conceito de primazia que se inclinou mais para suplementar e foi mais estruturado dentro do sistema sinodal. Após o século XI, foi praticamente esquecido. Seu raciocínio distorcido em comparação com as teorias posteriores de primazia, a sua afirmação de que estava criando um novo direito (ao invés de reconhecer um direito existente fundamentado na ordem de Cristo), e, finalmente, o fato de que nunca ouvimos falar de um único recurso com base em seus princípios - todos esses fatores fizeram Sardica parece uma testemunha inadequada à tradição" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, pp. 25-26)

[Apelos a Roma pela deposição de Bispos]

"Estritamente falando, Roma ainda não está estabelecida como um verdadeiro tribunal de recurso, porque não é o bispo romano que faz uma nova decisão sobre o caso. Roma apenas tem a autoridade de revisão para fazer com que o recurso (a um sínodo diferente) seja realizado" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 25)

"O curso posterior da controvérsia ariana parece apresentar o quadro de um conflito em que Roma não prevaleceu; na verdade, parece que Roma nem sequer fez uma tentativa enérgica e deliberada para contrariar o crescente desvio de Nicéia" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 26)

[A opinião de Basílio sobre Dâmaso]

"Roma frequentemente não dispunha de competência e informação adequada sobre os difíceis problemas do Oriente, nem tinha qualquer capacidade real de levar a cabo as suas decisões. O pai da Igreja Basílio tinha algo a dizer sobre isso: ele descobriu que Roma também prontamente deu cartas de comunhão com os bispos, mesmo que estivessem separados uns dos outros. Ele queixou-se especialmente sobre bispo Dâmaso, chamando-o de orgulhoso e arrogante, emitindo juízos do alto de seu cavalo sem realmente compreender as complicadas relações no Oriente: ‘que ajuda está lá para nós a partir de arrogância ocidental?’" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, pp. 26-27)

"Permaneceu verdadeiro, no entanto, que a igreja romana não exerceu nenhuma liderança no Leste em tempos normais, e também que sérias divisões eclesiásticas e conflitos não poderiam de modo algum ser rapidamente resolvido por recurso a Roma" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 27)

[O recurso de Crisóstomo a Roma]

"Não era realmente esperado que o bispo romano aplicasse medidas autoritárias já que ele não estava em posição de tomar tais ações no Oriente, especialmente contra o poder imperial; em vez disso, a esperança era de que ele desse auxílio sob a forma de expressões morais de solidariedade e mediante a emissão de avisos, escrevendo para outros bispos e solicitando novos concílios. Aconteceu também que as cartas foram enviadas a todas as importantes Sés no Ocidente, ao mesmo tempo; por isso, quando o patriarca João Crisóstomo foi banido de Constantinopla em 404, ele escreveu aos bispos de Roma, Milão e Aquileia" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 28)

"É verdade que Roma foi mais modesta nas suas relações com o Oriente. Aqui mesmo Leão Magno não fez nenhuma reivindicação de ser capaz de fazer leis; no Oriente, o papa era apenas o custos canonum - o guardião dos cânones conciliares" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 30)

"No caso do Norte de África, é interessante notar a atitude de uma Igreja autoconfiante e organizacionalmente intacta para com Roma. O dito do bispo Agostinho de Hipona (396-430), Roma locuta, Causa finita (‘Roma falou, o assunto está encerrado’) tem sido citado repetidamente. No entanto, a citação é na verdade uma reformulação ousada das palavras desse Padre da Igreja tomadas completamente fora do contexto (...) Tanto o contexto desta declaração como a sua continuidade com o resto do pensamento de Agostinho não permitem outra interpretação senão de que o veredicto de Roma apenas não é decisivo; pelo contrário, ele acaba com todas as dúvidas depois de tudo o que o precedeu. Isto acontece porque não resta nenhuma outra autoridade eclesiástica de alguma consequência para a qual os pelagianos possam recorrer e, em particular, a própria autoridade da qual eles podiam mais facilmente esperar uma decisão favorável, ou seja, Roma, pronunciou-se claramente contra eles" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 34)

"A Igreja Africana estava ainda mais determinada a defender a sua autonomia jurisdicional. Os Concílios de Cartago em 419 e 424 proibiram quaisquer apelos a Roma... Os norte-africanos reagiram, proporcionando um tribunal de apelo, mesmo para presbíteros ordinários do veredicto do seu próprio bispo ao concílio Norte Africano de Cartago. Isso parecia satisfazer as exigências de justiça. Por sua vez eles tomaram uma posição firme contra a intervenção romana..." (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 35)

"Portanto, os bispos Norte Africanos proibiram quaisquer apelos 'ultramarinos'. Em contraste com Sardica, aplicaram esta proibição até mesmo aos bispos. Esta decisão particular foi precedida por um caso semelhante envolvendo um bispo que havia rompido com a sua congregação, mas foi protegido por Roma; em que até Agostinho de Hipona ameaçou demitir-se. A partir de agora, o único tribunal de recurso devia ser o concílio Norte Africano de Cartago. Este caso será levantado várias vezes, no futuro, como um exemplo de resistência por parte do episcopado de uma Igreja nacional contra o centralismo romano" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 36)

[A influência de Leão em Calcedônia]

"A questão de saber se ‘Pedro falou por meio de Leão’ significava para a maioria dos padres conciliares que a carta de Leão tinha autoridade formal ou meramente material é, nessa ou de outra forma, um modo simplista de colocar. Certamente não se pode ler uma autoridade formal incondicional, e definitivamente não é uma ‘infalibilidade’ de documentos papais de ensino. A carta de Leão não era de nenhuma forma aceita sem discussão de seu conteúdo e criou sérias dificuldades para alguns padres individuais. Isso, na verdade, não era contrário às instruções de Leão, que apelou ao acordo com base na discussão e compromisso entre os padres. É verdade que ele não considerava a rejeição de sua carta uma possível solução, mas isso foi porque estava convencido de que estava claramente ensinando a fé tradicional" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 44)

[O cânon 28 de Calcedônia]

"A oposição de Roma para o cânone foi um completo fracasso, como foi a sua objeção três séculos mais tarde pela separação da Grécia e da Ilíria. Aqui ficou surpreendentemente claro que Roma não poderia impor sua maneira em questões de organização da Igreja no Oriente, pelo menos não quando os interesses comuns da Igreja bizantina eram contra ela. Apesar da resistência romana, Constantinopla tornou-se a segunda Sé somente porque os patriarcas de Antioquia e especialmente Alexandria foram enfraquecidas pela dominância do monofisismo em suas regiões. É verdade que, em tempos de tensão, Roma repetia continuamente seu protesto contra o posto eclesial de Constantinopla (pela última vez no século XI sob Leão IX), e recordava a ordem imutável e eterna de Roma, Alexandria e Antioquia. Mas isso não mudou a realidade, e quando as boas relações com Constantinopla estavam no lugar ou tinha sido restauradas, Roma abandonou seus protestos e pelo menos manteve silêncio sobre Constantinopla e sua posição no ranking" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 48)

[O papa Vigílio]

"O resultado foi um cisma no Ocidente, onde o papa foi acusado de ter renunciado Calcedônia. Um sínodo de bispos norte-Africano excomungou o papa, e as províncias eclesiásticas de Milão e Aquileia quebraram comunhão com Roma. Milão voltou à comunhão só depois de cinqüenta anos; para Aquileia a separação durou cento e cinquenta anos, até 700. Os bispos da Gália também levantaram objeções. A Igreja espanhola não se separou de Roma, mas em todo início da Idade Média recusou-se a reconhecer esse concílio. A autoridade do papado no Ocidente havia sofrido um duro golpe com relação ao dogma também" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 53)

[O papa Honório]

"... Pois é um fato indiscutível que deve ser mantido contra todas as tentativas de diluí-lo que o concílio e os papas subsequentes condenaram claramente Honório como um herege. Em outras palavras, eles estavam absolutamente convencidos de que um papa poderia cair em heresia" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 55)

[Sobre a jurisdição do Papa]

"Em vez disso, em 733 ele removeu Ilíria e Grécia, bem como a Itália menor e Sicília, que ainda estavam sob jurisdição Bizantina, do Patriarcado romano e os colocou sob o patriarcado de Constantinopla. Essa ação não pode ser revertida, apesar de todos os esforços papais desde esse momento até o IV Concílio de Constantinopla (869-870), nem mesmo quando a paz foi restaurada de outra forma à Igreja. Mesmo os líderes orientais da Igreja que eram partidários de Roma não pensaram em aderir às reivindicações romanas nesta matéria" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 56)

[Sobre o incidente de Photius]

"No entanto, os eventos notáveis que se seguiram mostraram quão pouca aceitação interna essas declarações encontraram dentro da Igreja bizantina. Bispos reclamaram ao imperador que ele [Photius] estava permitindo que a Igreja de Constantinopla fosse submetida à Igreja romana como uma serva da sua senhora" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 58)

[No Concílio de Constança]

"Isso é facilmente entendido também do fato de que João XXIII devia a sua autoridade ao próprio princípio que os padres do Concílio de Constança apelaram, ou seja, a emergência do poder concílio sobre o papa" (Klaus Schatz, Papal Primacy: From Its Origins to the Present. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, 1996, p. 107)


Considerações Preliminares

Ainda falta muito para concluirmos este estudo, e dezenas de outros historiadores católicos romanos ainda serão mencionados, mas do que já vimos até aqui, fica a pergunta: os apologistas católicos que defendem o primado do bispo romano desde o início da Igreja são desonestos ou apenas ignorantes? Em outras palavras, eles conhecem o que os próprios historiadores católicos afirmam, mas mesmo assim preferem enganar seus leitores burros com mentiras, ou simplesmente desconhecem e mantém suas besteiras por ignorância?

Embora a desonestidade dos apologistas católicos seja notória e indiscutível, neste caso específico eu estou inclinado à segunda opção. Eles são tão bárbaros, rudes, ignorantes e mal instruídos que não leem nem seus próprios teólogos de renome, se contentando com um “professor” Felipe Aquino, um padreco Gargamel ou um Paulo Porcão da vida, que os enganam na maior caradura. Não leem literatura séria, não possuem senso crítico e se acomodam com a superficialidade para manter de pé uma doutrina falsa e falida. Isso ficará cada vez mais evidente na medida em que avançarmos para os outros historiadores católicos citados na série.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Textos por: Bruno Lima.

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29 comentários:

  1. Esse artigo vai derrubar o pau da goiaba.

    Que artigo excelente, meu nobre amigo Lucas. Ansioso para ler o próximo.

    Excelente trabalho! Deus o abençoe, mais e mais.

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  2. Tu pode faze um artigo de como os pastores ingleses acabaram com a escravidão?

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    1. Eu estou fazendo uma dissertação sobre o tema que ficará pronto até o semestre que vem, aí posto aqui a parte referente a isso. Abs.

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  3. Não existe coisa mais linda do que pessoas de um determinado partido que conseguem ser imparciais! Essas citações são uma verdadeira bomba atômica nos textos desonestos sobre a história da igreja, infelizmente as baratas continuam na ativa mesmo após uma explosão dessas! Lucas, só não entendo como que esses historiadores que sabem tantas verdades e que falam abertamente sobre elas, ainda permanecem católicos romanos?

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    1. É porque eles creem no "desenvolvimento da doutrina". Ou seja, o "certo" não é o que os apóstolos viviam e ensinavam, mas o que se tornou ao longo dos séculos... embora biblicamente isso tenha um outro nome, "apostasia".

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  4. Haha, isso é simplesmente GENIAL! Aí os mais desonestos vão vir com o argumento de "o que importa não é o que um padre ou teólogo fala, mas o que a igreja diz.". Institucionais favorirtistas não vão ter cabeça nem estômago pra ler essa série, hehe. Quero ver (caso tenham cogitado esses homens) quando vocês citarem católicos como Ignaz Von Dollinger e Peter de Rosa; ainda tem aquela de Yves Congar afirmando que o Oriente nunca reconheceu a jurisdição regular de Roma hahaha.

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  5. Olá, irmão!
    Muito bom este texto considero este o melhor site de cristão aqui no Brasil.
    Hoje, antes de ler este belo texto, conversei com um amigo católico e tentei explicar a ele que no princípio a igreja de Cristo era chamada de católica não como um nome propriamente dito, mas, como uma característica de uma igreja que estava de portas abertas para todos os povos ou de uma maneira tal referindo-se à totalidade das igrejas cristãs no mundo ou universo. Daí Igreja Católica. Porque aonde estiver a igreja católica (O Todo do Corpo de Cristo) Cristo estará também.
    Pois bem. Ele não acreditou e me veio com uma estória totalmente estapafúrdia de que no livro Mística Cidade de Deus, a mãe do Senhor teria revelado que no o Espírito Santo no pentecostes inspirou os apóstolos do Senhor a escrever o credo e que exatamente neste credo estava revelado o nome da Igreja. Não preciso nem dizer qual era este nome, não é?!
    É incrível como em todas as situação eles não só deturpam as sagrada doutrina que encontramos apenas na Bíblia, mas, não conseguem um segundo só ficar sem exaltar a mãe do Senhor.
    Termino dizendo: É CRISTO QUE SALVA, CURA, INTERCEDE EXCLUSIVAMENTE COM O ESPÍRITO SANTO NO CÉU, NOS LIBERTA, ADVOGA POR NOS RESSUSCITARÁ E NOS BUSCARÁ.

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    1. Pois é, Gilberto. Atualmente os católicos já estão dizendo abertamente que MARIA SALVA e que é CO-REDENTORA. Há não mais de 5 anos atrás eles negavam com todas as forças quando um protestante dizia que os católicos criam nisso e diziam que era "calúnia". Quanto mais o tempo passa, mais idólatra a seita vai ficando. É triste...

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    2. Mentira. Desafio encontrar algum católico que diga que Maria é Salvadora como Cristo. Co-redentora sim a igreja ensina claramente.
      O problema aqui é que existem 2 salvações, que é a salvação objetiva que Cristo nos proporcionou com seu sacrifício, e a salvação subjetiva onde cabe ao homem fazer sua parte para ser salvo.
      Se vc prega a palavra pra alguém e ele se converte, vc pode ser considerado como salvador (subjetivo) daquela pessoa, levando-a até Cristo. Essa é a salvação que a Igreja diz que Maria, os santos, anjos e todos os homens podem proporcionar uns aos outros.

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    3. Hahahahahahaha morri de rir com esse comentário.

      Há apenas 5 anos atrás, eu me lembro claramente de um evangélico postando numa comunidade católica acusando os católicos de crerem na CO-REDENÇÃO de Maria. Os católicos na época atacaram ferozmente o protestante, disseram que era um mentiroso, caluniador, exatamente da mesma forma que você faz agora ao ouvir que "Maria salva". Hoje, até você já aceita que Maria é "co-redentora" mesmo. O nível só piora, cada vez mais...

      Por falar nisso: você pode me passar a parte em que o catecismo católico afirma claramente que Maria é co-redentora, por favor? Estou esperando ansiosamente.

      Quanto a católico dizer que Maria salva, abaixo está o print de um famoso apologista católico no Brasil, dono de uns dois mil e quinhentos sites e grupos católicos na internet. Aposto que você também deve conhecê-lo:

      http://oi68.tinypic.com/11t0k80.jpg

      E agora, José?

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  6. Excelente artigo Lucas, mais uma vez, meus parabens!

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  7. Excelente Lucas, tenho estudado muito a igreja primitiva e seus artigos tem me auxiliado bastante. Porém um "amigo" católico da internet recentemente me mostrou um monte de citações dos pais da igreja, e gostaria de saber se são verdadeiras pois fiquei chocado com tais citações sobre a primazia de Pedro e Roma, veja algumas delas:

    Pois é uma questão de necessidade que cada Igreja DEVE CONCORDAR COM ESTA IGREJA(Roma), EM VIRTUDE DA SUA AUTORIDADE PREEMINENTE, isto é, os fiéis em toda parte... ...(Santo Irineu Against Heresies - Livro 3,2).

    De minha parte, eu não deveria acreditar no Evangelho exceto quando movido pela autoridade da Igreja Católica. (Santo Agostinho, Contra a Carta dos Maniqueistas 5, 6)

    "Fora da Igreja Católica pode encontrar-se tudo, menos a salvação. Pode-se ter honra, pode haver Sacramentos, pode cantar-se o 'Aleluia', pode responder-se o 'Amém', pode defender-se o Evangelho, pode ter-se fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo e, inclusive, até pregá-la. Mas nunca, se não for na Igreja Católica, pode encontrar-se a salvação." (Santo Agostinho, Sermão ao povo de Cesaréia - 6)

    Uma vez que, além disso, você está perto da Itália, você tem Roma, de onde vem mesmo em nossas próprias mãos A PRÓPRIA AUTORIDADE. (Tertuliano, Prescription against heretics Cap. 36)

    Nosso Senhor descrevendo a honra de UM BISPO e a ordem de Sua Igreja, fala no Evangelho, diz a Pedro: ‘Eu ti digo que tu és Pedro... Daí, através das mudanças dos tempos e das sucessões, a ORDENAÇÃO de bispos e do plano dos fluxos partir da Igreja, de modo que A IGREJA SE FUNDA SOBRE OS BISPOS, e CADA AÇÃO DA IGREJA é controlada por ESTES MESMOS GOVERNANTES... A IGREJA ESTÁ ESTABELECIDA NO BISPO E NO CLERO... (Cipriano, Carta 26,1)

    ...e blasfemos para A CÁTEDRA DE PEDRO e à IGREJA PRINCIPAL, em que A UNIDADE SACERDOTAL tem a sua fonte; eles nem pensaram que estes são romanos... (Cipriano, Carta 54, 14)

    ...para mostrar a unidade estabeleceu UMA CÁTEDRA, e com a autoridade determinou que a origem desta unidade empezasse POR UM. É verdade, que o mesmo que Pedro, eram os outros Apóstolos, adornados com a mesma proporção de honra, e poder, mas o princípio é derivado da unidade. (Cipriano, Treatise 1,4).

    Os que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com O BISPO,... há um o altar, assim como também UM É O BISPO...(Inácio de Antioquia, Carta aos Filadelfos 3)

    Estevão que era o vigésimo segundo sucessor do bem-aventurado Pedro na Sé de Roma....” (Jerônimo, Contra os Luciferiano 23)

    ...mas um dentre os doze é escolhido para que estando uma cabeça nomeada, não pudesse haver ocasião para cisma. ... (Jerônimo, Contra Joviniano I, 26)

    ....considerei que devia consultar A CÁTEDRA DE PEDRO cuja fé foi elogiada pela boca do Apóstolo [Rm 1, 8], pedindo agora a comida da minha alma, onde na recebi a veste de Cristo no passado... Minhas palavras são ao SUCESSOR DO PESCADOR, ao discípulo da Cruz. Não sigo nenhum líder, mas Cristo, então ESTOU EM COMUNHÃO COM VOSSA BEM-AVENTURANÇA, ISTO É, COM A CÁTEDRA DE PEDRO. Nesta rocha, eu sei que a Igreja é construída. Todo aquele que comer o Cordeiro fora dessa casa é profano. (Jerônimo, Epístola 15 – Ao papa Dâmaso)

    O que ele chama “sua” fé? Aquela pela qual a Igreja romana exerce seu poder ou aquela que está contida nos volumes de Orígenes? Se ele responde: A FÉ ROMANA, ENTÃO SOMOS CATÓLICOS, nós que nada traduzimos do erro de Orígenes.” (Jerônimo, Contra Rufino I, 4)

    O que te fez a cátedra da Igreja Romana, em que Pedro se sentou, na qual hoje se senta Anastácio?” (Agostinho, Réplica a cartas de Petiliano, Livro II, 51,18)

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    1. A maior parte destes textos já foram explicados ou desmascarados em artigos próprios, onde você pode encontrar a refutação:

      1) Sobre Agostinho não crer no evangelho se não fosse pela Igreja:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/01/agostinho-eu-nao-creria-no-evangelho-se.html

      2) Sobre Tertuliano e outros Pais da Igreja citados:

      http://apologiacrista.com/provas-contra-o-papado-na-historia

      3) Sobre os textos de Cipriano na obra “A Unidade da Igreja”:

      http://www.e-cristianismo.com.br/historia-do-cristianismo/pais-apologistas/cipriano-de-cartago-e-a-catedra-de-pedro.html

      4) Sobre Inácio de Antioquia (que ele distorceu descaradamente, pois nem estava falando do bispo romano!):

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/inacio-de-antioquia-reconhecia-um.html

      5) Sobre os textos que falam da sucessão apostólica:

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/os-pais-da-igreja-sobre-sucessao.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/os-pais-da-igreja-sobre-sucessao_17.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/os-pais-da-igreja-sobre-sucessao_18.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/02/os-pais-da-igreja-sobre-sucessao_70.html

      6) Sobre o significado de “Igreja Católica” nos Pais da Igreja:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/o-significado-de-catolica-nos-pais-da.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/11/os-pais-da-igreja-eram-catolicos-romanos.html

      São muitos artigos, mas vale a pena ler cada um deles. Recomendo em especial a leitura de dois livros meus, “A História não contada de Pedro” e “Em Defesa da Sola Scriptura”, cada um deles pode ser baixado nesses links:

      https://mega.nz/#!CsoG2BKQ!CFdtSKiZL_xtE5qi5tVHuw8L0h2Nz69co2bG8oLhxqw

      https://mega.nz/#!3xhxVDLY!nwh9f7fHO6cE8TAQYzmWQNDfVTNz9-IDoijRxUaYvf0

      Abs.

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    2. Em que site posso consultar essas citações Lucas? Li alguns dos seus links, porém fico com dúvidas por exemplo porque todos os pais da Igreja são unânimes em dizer que Roma era detentora da autoridade e igreja principal? E porque muitos pais da igreja listam uma sucessão de bispos romanos que remonta desde Pedro? Onde foi parar essa sucessão apostólica? Outra dúvida que os sites evangélicos se contradizem em dizer a partir de que momento essa igreja católica romana de hoje surgiu? Alguns sites dizem que foi no século 4 outros que vi falam no século 6. Quem foi primeiro Papa por exemplo?

      Desculpa muitas perguntas, mas estou me aprofundando nestes estudos da igreja primitiva, na escola dominical que participo foi proposto este tipo de estudo porém lá só falamos até agora basicamente das perseguições aos cristã, não foi aprofundado as questões de doutrinas. Tento ser imparcial por isso leio alguns sites católicos para comparar os argumentos com sites evangélicos como este seu. Abs!

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    3. Mas se não ler os links indicados fica difícil, eu passo os links justamente porque as citações já foram explicadas mais detalhadamente em cada um destes links e assim é melhor do que qualquer coisa resumida que eu poderia dizer aqui. De qualquer forma, apresentando a questão resumidamente:

      1) Neste site católico você encontra todas ou quase todas as citações, e inclusive pode conferir as que existem e as que foram inventadas:

      http://www.newadvent.org/fathers/

      2) Ninguém discorda que Roma era a "igreja principal", o que nós (protestantes) e os ortodoxos discordamos é que isso significa uma JURISDIÇÃO UNIVERSAL, que nem de longe competia a Roma, que era apenas a "primeira entre iguais". O próprio cânone do Concílio de Niceia deixa claro que a jurisdição de Roma era tão local e situada quanto a das outras dioceses cristãs da época:

      “O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força” (Cânon VI)

      Para ver a argumentação dos ortodoxos sobre todos esses mesmos textos aí, confira este artigo que o Elisson e eu traduzimos:

      http://www.resistenciaapologetica.com/2015/06/ortodoxos-refutam-o-papado-com.html

      3) Não era só Roma que (supostamente) tinha sucessão apostólica, Jerusalém também tinha, Antioquia também tinha, Alexandria também tinha, etc, etc, etc, todas as igrejas fundadas por apóstolos também tinham, não só a igreja de Roma. Mesmo assim, os primeiros Pais da Igreja que afirmaram que Pedro foi o primeiro bispo de Roma e que Lino o sucedeu são do século IV para o século V, simplesmente NÃO EXISTE fonte mais antiga sobre isso, o que nos leva a duvidar bastante, ainda mais quando as evidências anteriores mostram o contrário, como você pode ver neste artigo:

      http://apologiacrista.com/pedro-nunca-foi-bispo-de-roma

      E neste:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/10/a-lista-oficial-de-papas-da-igreja.html

      Em resumo, a evidência primitiva (séculos I e II) é que Roma foi fundada por uma comunidade de presbíteros e não tinha um bispo até meados do século II. A partir do século III foi se criando a ideia de que Lino foi o primeiro bispo de Roma, e no século IV e V Pedro passou a ser considerado o primeiro, e assim Roma finalmente teve sua "sucessão apostólica"...

      4) A Igreja Católica Romana de hoje é uma seita que surgiu após o racha do Oriente em 1054 d.C. Escrevi sobre isso aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/um-pequeno-resumo-da-historia-da-igreja_8.html

      5) O primeiro a ser chamado de "papa" na Igreja foi Heraclas. Ele era bispo de Alexandria no século III.

      6) Recomendo ler estes dois artigos, que são os mais completos sobre a questão:

      http://apologiacrista.com/provas-contra-o-papado-na-historia

      http://www.resistenciaapologetica.com/2015/06/ortodoxos-refutam-o-papado-com.html

      Abs.

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    4. No link que vc passou não achei que ficou muito claro a questão da sucessão apostólica. Porque todas essas igrejas que vc citou haveria de ter sucessão apostólica? Se houve sucessão não seria lógico que Cristo deixou uma instituição sendo governada pelos apóstolos, e que continuou com os sucessores deles? Se não, porque houve sucessores? E quando foi que essa sucessão apostólica acabou? Pois se os católicos romanos surgiram no século 11 e nós protestantes a partir do século 16, então essa sucessão foi interrompida em algum momento. Quem foi a igreja de Cristo e os autênticos cristãos depois do século 3 em diante?
      Consegui outras citações que que parecem ser antes do século IV e V:

      ...a igreja de Roma, onde Clemente foi ordenado por Pedro. Exatamente da mesma maneira todas as outras igrejas que tiveram lhes mostram em que tem as raízes apostólicas, tendo recebido o episcopado pela mão dos apóstolos. TERTULIANO (Prescrição contra os hereges 32, 1).

      ...mas Lino, que ele menciona na Segunda Epístola a Timóteo 2 Timóteo 4:21 como seu companheiro em Roma, foi o SUCESSOR DE PEDRO NO EPISCOPADO da Igreja ali, como já foi demonstrado. Clemente, que em Roma, foi nomeado terceiro bispo da igreja... (Eusebio de Cesareia – HE, Livro 3,4-10).

      ...e que a verdade do Evangelho foi preservada até os tempos de Victor, que era o décimo terceiro bispo de Roma A PARTIR DE PEDRO... (Eusébio, História Eclesiástica Livro V,28).

      Eis por que se devem escutar os presbíteros que estão na Igreja, e que SÃO OS SUCESSORES DOS APÓSTOLOS, como o demonstramos, e que com a SUCESSÃO NO EPISCOPADO RECEBERAM O CARISMA seguro da verdade segundo o beneplácito do Pai. Quanto a todos os outros que SEPARAREM-SE DA SUCESSÃO PRINCIPAL E EM QUALQUER LUGAR QUE SE REÚNAM, DEVEM SER VISTOS COM DESCONFIANÇA, como hereges e de má fé, como cismáticos cheios de orgulho e de suficiência, ou ainda, como hipócritas que fazem isso à procura de lucro e de vanglória (Santo Irineu, Contra as Heresias IV, 26,2).

      ...confirmada pela antigüidade; a sucessão dos bispos desde a própria sé do Apóstolo Pedro, a quem o Senhor confiou, depois da ressurreição, o apascentamento de suas ovelhas até o episcopado de hoje; e, por fim, o próprio apelativo de ‘católica’, que não sem razão apenas a Igreja alcançou... (Santo Agostinho, C. ep. Man. 4,5).

      ...e que a princípio eram crentes na doutrina DA IGREJA CATÓLICA, NA IGREJA DE ROMA, sob o EPISCOPADO do bem-aventurado Eleutério... (Tertuliano, Prescription against heretics - Capítulo 30)

      Veja por exemplo que o Irineu diz que que mas separar dessa sucessão principal deve ser visto com desconfiança. Mas onde foi parar esses sucessores. E pelo que eu sei, episcopado é um cargo de Bispo, certo?
      Abs!

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    5. Como me perguntaram ontem a mesma coisa, repetirei aqui o que o Bruno Lima e eu respondemos sobre a questão da sucessão apostólica:

      -Ele:

      Não só os apóstolos que foram comissionados diretamente por Cristo, mas a evidência do N.T sugere que os primeiros líderes das Igrejas não eram ordenados diretamente pelos apóstolos, mas emergiam naturalmente por causa de dons distribuídos pelo Espírito Santo. Até mesmo teólogos católicos como Francis Sullivan e Hans Kung reconhecem isso.

      A Igreja de Antioquia por exemplo foi governada por profetas e mestres no início (Atos 13). A Igreja de Roma já existia antes de qualquer apóstolo ter pisado lá, é provável então que seus líderes iniciais não foram apontados por apóstolos ou alguem apontado por um apóstolo. A didaque, um documento cristão do sec. I, ensina que se uma comunidade está sem líderes, a própria pode escolher seus líderes sem mencionar qualquer ordenação por outros lideres já ordenados.

      Portanto, a evidência mais antiga sugere que a necessidade de que alguém precisa ser ordenado por outro alguém para que possa ensinar e fundar uma Igreja não fazia parte do ensino apostólico e da prática inicial da Igreja Cristã.

      -Eu:

      Vale ressaltar que o próprio apóstolo Paulo, em vez de ensinar que basta ter sucessão apostólica que a pureza da fé estará garantida, disse justamente o contrário: que após ele muitos lobos em pele de cordeiro se instalariam na Igreja, e desvirtuariam toda a doutrina:

      "Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E DENTRE VOCÊS MESMOS se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos" (Atos 20:29,30)

      Se dentre OS PRÓPRIOS discípulos ordenados por Paulo haveriam falsos profetas que levariam a igreja à apostasia, então é óbvio que não bastava ter sucessão apostólica e pronto. Quando Pedro estava próximo da morte e queria ver a doutrina sendo preservada, não disse: "Estou estabelecendo Lino no meu lugar, ouçam ele e tudo estará certo". Não. Ao contrário: ele ESCREVEU, deixou registrado por escrito a doutrina, para que DESTA FORMA o ensino fosse mantido incorruptível:

      "Considero importante, enquanto estiver no tabernáculo deste corpo, despertar a memória de vocês, porque sei que em breve deixarei este tabernáculo, como o nosso Senhor Jesus Cristo já me revelou. Eu me empenharei para que, também depois da minha partida, vocês sejam sempre capazes de lembrar-se destas coisas" (2 Pedro 1:13-15)

      Ordenar é meramente um reconhecimento externo do que a pessoa JÁ É. Paulo já era apóstolo mesmo sem sequer conhecer os outros apóstolos pessoalmente (ele só fez isso 14 anos depois de sua conversão). Da mesma forma, muitos são pastores, presbíteros, bispos, etc, mesmo sem serem ordenados oficialmente. A ordenação é um reconhecimento póstumo do ofício que a pessoa já exerce de fato. É uma forma de que toda a congregação reconheça aquele sujeito como sendo um pastor de ovelhas. Não significa, de modo algum, que sem essa ordenação ou sucessão a igreja estará perdida.

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    6. Deve-se acrescentar ainda que aquela que era considerada a segunda maior igreja em honra, a "Nova Roma", isto é, a igreja de Constantinopla, NÃO TINHA NENHUMA SUCESSÃO APOSTÓLICA, pois sequer existia ainda no século I. E mesmo assim isso em momento nenhum impediu que os Pais da Igreja da época levassem essa igreja em alta estima, acima de muitas outras que tinham a tal sucessão. Porque o que realmente importa não é a sucessão apostólica, mas a APOSTOLICIDADE DA DOUTRINA, ou seja, a sua preservação. De nada adianta ter sucessão de bispos e cair na apostasia, Paulo disse que isso aconteceria e aconteceu mesmo.

      Por fim, sobre Irineu, leia os links que eu te enviei, eu não os enviei à toa. Um deles fala sobre a posição de Irineu neste assunto, é claro que no século II a igreja de Roma não tinha apostatado ainda, mas nem isso significa que Irineu considerava o bispo de Roma infalível, tanto é que ele ficou contra ele quando o mesmo se posicionou de forma errada contra os bispos das outras igrejas na questão da divergência pascoal. Leia os links enviados, insisto.

      Abs.

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    7. No caso de Paulo ele era apóstolo porque foi instituído pelo próprio Cristo assim como os 12. Mas pelo meu entendimento a partir dos apóstolos só poderia haver outros bispos se tivessem sido ordenados e recebido autoridade pelas mãos deles.
      Na bíblia não da pra ver que as pessoas se tornavam sucessores dos apóstolos por vontade própria ou por escolha do povo. Na verdade parecem receber um carisma pela imposição das mãos de quem já tinha sido ordenado antes 1TIM 5,22; 1TIM 4,14; 2TIM 1,6; ATOS 6,1-7.

      Nessas citações que consegui da igreja primitiva deu pra entender que não se pode “surgir” do nada como um bispo, presbítero ou diácono:

      Novaciano não é a Igreja; nem pode ser considerada como um bispo, que, SUCEDENDO A NINGUÉM, e desprezando a TRADIÇÃO evangélica e apostólica, SURGIU A PARTIR DE SI MESMO. Porque AQUELE QUE NÃO FOI ORDENADO NA IGREJA não pode...(Epistola 75,3)

      Deixe-los a produzir os registros originais de suas igrejas; que nos mostrem a ordem de seus bispos em sucessão desde o começo, de modo que seu primeiro bispo tenha como autor e antecessor um dos apóstolos... (TERTULIANO - Prescrição contra os hereges 32, 1)

      É a autoridade da Igreja, e a honra que adquiriu a santidade através da sessão conjunta da Ordem, que estabeleceu a diferença entre a ORDEM E OS LEIGOS. (Tertuliano, Exortação sobre à Castidade. 7).

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    8. Bom, eu sei de todas divergências entre evangélicos e católicos, mas sempre tento ser o mais imparcial possível. Por exemplo o fato de Pedro ter sido principal entre os apóstolos é inegável. Não tem como ler o novo testamento e não perceber que Pedro era algo mais do que os outros. Agora se ele foi bispo universal da igreja não sei, porém a própria bíblia da essa ideia de liderança dele, pois é nítido que Pedro se distinguia dos demais. Por exemplo Cristo pede somente a ele que apascente o rebanho. Depois Cristo diz que orou para impedir que o diabo “peneirasse” Pedro como se tivesse querendo impedi-lo de algo. Depois ainda os apóstolos receberam “poder das chaves” MT 18,18 só depois de Pedro, que foi o único que recebeu de maneira nominal e singularmente “tal poder” MT 16,19. Isso parece torna-lo preeminente em alguma coisa entre os 12. Entre outros detalhes como o fato dele ser sempre citado em primeiro nas listas apostólicas.
      Então se claramente Pedro se distinguia dos outros apóstolos, e até recebeu esse novo nome, foi por algum motivo. Isso seria algo sensato pensar que Cristo pode ter estabelecido um líder para toda igreja, pois se tratando de unidade deve haver uma “cabeça” no governo realmente. Inclusive nessas citações que consegui da igreja primitiva fala sobre isso:
      ...mas um dentre os doze é escolhido para que estando uma cabeça nomeada, não pudesse haver ocasião para cisma. (Jerônimo, Contra Joviniano I, 26)

      Quanto ao fato de que um foi posteriormente eleito para ser posto sobre o resto, isso foi feito como um remédio para cisma;... (Jerônimo, Epístola 146 - A Evangelo)

      ...para mostrar a unidade estabeleceu UMA CÁTEDRA, e com a autoridade determinou que a origem desta unidade empezasse POR UM. É verdade, que o mesmo que Pedro, eram os outros Apóstolos, adornados com a mesma proporção de honra, e poder, MAS O PRINCÍPIO É DERIVADO DA UNIDADE. (Cipriano, Treatise 1,4).

      Se antes os doutores da lei e fariseus tinham recebido de Deus autoridade para interpretar a lei e ensinar o povo MT 23,2-3, então parece sensato e racional que Cristo poderia ter deixado um governo a partir dos apóstolos para interpretar a boa nova e ensinar ao povo, já que o entendimento errado da bíblia pode levar-nos a perdição por existir coisas difíceis de entender 2PD 3,16.

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    9. Se tem uma causa que me dá mais nojo do que a mentira é um hipócrita, falso e dissimulado, que se finge descaradamente de protestante sem a menor cara de pau, achando que está conseguindo enganar alguém aqui com esse discurso fajuto enquanto se esconde atrás do anonimato. Deixa de ser vagabundo, você não é nem nunca foi evangélico na vida, você não passa de um copiador de textos isolados usados pelos católicos na internet e que percebendo que os católicos só levam surra neste blog decidiu mudar de estratégia e se passar por “protestante”. De gente assim eu só tenho é nojo e pena.

      Agora entendo por que você não entrou em NENHUM dos links que eu sugeri, e não leu NENHUMA das dezenas de matérias que eu perdi o maior tempo procurando e te mostrando. É porque você nunca teve o interesse de ler esses artigos, como qualquer ser honesto e decente teria caso estivesse honestamente procurando a verdade. Em vez disso, seu único objetivo é inescrupuloso: ignora todas as refutações, ignora todos os artigos, ignora todos os links, e só sabe REPETIR E REPETIR E REPETIR as mesmas falácias e engodos romanistas de sempre. Agora desceu a um nível mais sujo e descarado ainda, defendendo expressamente o primado de Pedro. É tanta safadeza e sem-vergonhice que eu me pergunto a cada dia se tem como os católicos descerem mais. Não, não tem.

      Já que você é bom em repetir as mesmas lorotas sem refutar porcaria nenhuma, eu vou repetir a mesma refutação:

      Não só os apóstolos que foram comissionados diretamente por Cristo, mas a evidência do N.T sugere que os primeiros líderes das Igrejas não eram ordenados diretamente pelos apóstolos, mas emergiam naturalmente por causa de dons distribuídos pelo Espírito Santo. Até mesmo teólogos católicos como Francis Sullivan e Hans Kung reconhecem isso.

      A Igreja de Antioquia por exemplo foi governada por profetas e mestres no início (Atos 13). A Igreja de Roma já existia antes de qualquer apóstolo ter pisado lá, é provável então que seus líderes iniciais não foram apontados por apóstolos ou alguem apontado por um apóstolo. A didaque, um documento cristão do sec. I, ensina que se uma comunidade está sem líderes, a própria pode escolher seus líderes sem mencionar qualquer ordenação por outros lideres já ordenados.

      Portanto, a evidência mais antiga sugere que a necessidade de que alguém precisa ser ordenado por outro alguém para que possa ensinar e fundar uma Igreja não fazia parte do ensino apostólico e da prática inicial da Igreja Cristã.

      Vale ressaltar que o próprio apóstolo Paulo, em vez de ensinar que basta ter sucessão apostólica que a pureza da fé estará garantida, disse justamente o contrário: que após ele muitos lobos em pele de cordeiro se instalariam na Igreja, e desvirtuariam toda a doutrina:

      "Sei que, depois da minha partida, lobos ferozes penetrarão no meio de vocês e não pouparão o rebanho. E DENTRE VOCÊS MESMOS se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos" (Atos 20:29,30)

      Se dentre OS PRÓPRIOS discípulos ordenados por Paulo haveriam falsos profetas que levariam a igreja à apostasia, então é óbvio que não bastava ter sucessão apostólica e pronto. Quando Pedro estava próximo da morte e queria ver a doutrina sendo preservada, não disse: "Estou estabelecendo Lino no meu lugar, ouçam ele e tudo estará certo". Não. Ao contrário: ele ESCREVEU, deixou registrado por escrito a doutrina, para que DESTA FORMA o ensino fosse mantido incorruptível:

      "Considero importante, enquanto estiver no tabernáculo deste corpo, despertar a memória de vocês, porque sei que em breve deixarei este tabernáculo, como o nosso Senhor Jesus Cristo já me revelou. Eu me empenharei para que, também depois da minha partida, vocês sejam sempre capazes de lembrar-se destas coisas" (2 Pedro 1:13-15)

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    10. Ordenar é meramente um reconhecimento externo do que a pessoa JÁ É. Paulo já era apóstolo mesmo sem sequer conhecer os outros apóstolos pessoalmente (ele só fez isso 14 anos depois de sua conversão). Da mesma forma, muitos são pastores, presbíteros, bispos, etc, mesmo sem serem ordenados oficialmente. A ordenação é um reconhecimento póstumo do ofício que a pessoa já exerce de fato. É uma forma de que toda a congregação reconheça aquele sujeito como sendo um pastor de ovelhas. Não significa, de modo algum, que sem essa ordenação ou sucessão a igreja estará perdida.

      Deve-se acrescentar ainda que aquela que era considerada a segunda maior igreja em honra, a "Nova Roma", isto é, a igreja de Constantinopla, NÃO TINHA NENHUMA SUCESSÃO APOSTÓLICA, pois sequer existia ainda no século I. E mesmo assim isso em momento nenhum impediu que os Pais da Igreja da época levassem essa igreja em alta estima, acima de muitas outras que tinham a tal sucessão. Porque o que realmente importa não é a sucessão apostólica, mas a APOSTOLICIDADE DA DOUTRINA, ou seja, a sua preservação. De nada adianta ter sucessão de bispos e cair na apostasia, Paulo disse que isso aconteceria e aconteceu mesmo.

      Basta ler João Crisóstomo que já dizia:

      “Cada crente, individualmente, não deve edificar uma igreja, obter um Professor, cooperar (com ele), fazendo com que o seu maior objetivo seja que todos possam se tornar cristãos?” (http://www.newadvent.org/fathers/210118.htm)

      Sua distorção grotesca em cima de Tertuliano é de dar náuseas. Se a sua interpretação ridícula dos escritos dele fosse verdadeira, Tertuliano NUNCA teria aderido ao montanismo e depois aberto sua própria igreja, sem sucessão apostólica. Não adianta vir aqui com copia e cola de artigos católicos, aqui todo mundo já está vacinado contra essas idiotices.

      Sobre o primado de Pedro, eu nem deveria me rebaixar para responder uma coisa dessas a um hipócrita que se finge de protestante copiando asneiras de blogs católicos quando eu já tenho UM LIVRO INTEIRO de mais de 400 páginas derrubando tudo isso, que é claro que você nunca leu, e nem vai ler, já que não lê nem os artigos que eu cito. Basta dizer que:

      a) Jesus nunca disse para Pedro pastorear os pastores. Disse para pastorear AS OVELHAS, apenas. Pedro não era pastor de pastores (bispo de bispos, como o papa é hoje), mas apenas mais um pastor de ovelhas, que é o papel que o apóstolo Paulo disse que cabe a TODOS os bispos e presbíteros da Igreja:

      “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, PARA PASTOREAREM A IGREJA DE DEUS, que ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20:28)

      E o próprio Pedro se colocou em pé de igualdade com os demais presbíteros da igreja e disse que todos eles pastoreiam as ovelhas também:

      “Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço NA QUALIDADE DE PRESBÍTERO COMO ELES e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: PASTOREIEM O REBANHO DE DEUS que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir” (1 Pedro 5:1-2)

      Jesus orou por Pedro para que a fé dele não caísse por alguma razão especial? Óbvio que sim, jumento, mas quem te disse que essa ocasião especial era um suposto e fantasmagórico “primado de Pedro” na cátedra de Roma? Kkkkkkk Qualquer teólogo minimamente sério sabe que Cristo orou por Pedro nesta ocasião específica justamente porque ele estava próximo de negá-lo por três vezes, e portanto não queria que Pedro esmorecesse na fé.

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    11. Jesus deu as chaves a Pedro em Mateus 16:18? Sim, e deu a todos os discípulos em Mateus 18:18.

      Pedro aparece por primeiro na lista de discípulos? Se isso significasse primado, então TIAGO seria o primaz da Igreja, já que ele aparece ANTES DE PEDRO em um contexto que fala justamente de colunas (((AUTORIDADE))) na Igreja:

      “Reconhecendo a graça que me fora concedida, TIAGO, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos” (Gálatas 2:9)

      Pedro não era a única coluna da Igreja e nem sequer a primeira!

      Cara, sério, vá estudar e deixa de ser burro, seus argumentuzinhos idiotas são facilmente refutados por qualquer criança protestante que tenha feito escolinha dominical. É de dar náuseas ver que existe alguém suficientemente burro para crer no primado de Pedro com base em “argumentos” dessa natureza. Vá ler Atos 15 para ver quem liderou o Concílio de Jerusalém, vá ler Atos 24:5 para ver quem era o cabeça dos cristãos, vá ler 2ª Coríntios 11:5 para ver se Paulo via algum apóstolo acima dele, vá ler 1ª Coríntios 15:10 para ver se tinha alguém que fazia mais do que Paulo, sério, vá estudar e deixa de tomar meu tempo com tonterias copiadas da internet.

      Seu exemplo com os fariseus foi FANTÁSTICO, e ele prova tudo. Os fariseus diziam guardar a tradição da mesma forma que vocês católicos dizem guardar a tradição. Eles achavam estar assentados na “cátedra de Moisés” da mesma forma que vocês pensam estar na “cátedra de Pedro”. E eram tão arrogantes e orgulhosos quanto vocês na sua pretensa “ortodoxia” da fé. E, no entanto, Jesus DETONOU a tradição deles, por estar em oposição às Escrituras:

      Mateus 5:13 - E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?

      Mateus 15:6 - Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.

      Marcos 7:3 - Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa.

      Marcos 7:6,7 - Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, Mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

      Marcos 7:8 - Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens.

      Marcos 7:9 - Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!

      Colossenses 2:6 - Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.

      E pensar que você toma os fariseus – os mesmos que VIOLAVAM AS ESCRITURAS e que CRUCIFICARAM A CRISTO – como a autoridade final em matéria de interpretação do Antigo Testamento da Bíblia! Pqp!!!!! É muita burrice, eu não me aguento. Vá ser burro assim lá na China.

      Os mesmos fariseus que você traça analogia com o catolicismo romano foram chamados de RAÇA DE VÍBORAS, serpentes, SEPULCROS CAIADOS, filhos do demônio, por nosso Senhor Jesus Cristo. E mesmo assim, são eles o exemplo-master de interpretação da Bíblia, é a eles que devemos condicionar a interpretação da época, não é mesmo?. Se isso é o que você tem de melhor (mentira, dissimulação, falsidade, safadeza e argumentos ridículos de débil mental) é melhor se matar. Ainda bem que você não é protestante de verdade, não existe crente que seja tão burro e retardado deste jeito. Não volte mais a postar no meu blog, aqui não abro espaço pra picaretas safados como você.

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  8. Lucas, quando se gosta de uma garota, e tem-se interesse de namorar com ela, mas vocês não tem assunto, o que conversar com ela, como se portar, etc?

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    1. Mano, eu até gostaria de ajudar, mas realmente não sou a pessoa mais adequada sobre esses assuntos... :/

      Basicamente, eu só tenho a dizer o óbvio: seja você mesmo. Se for a menina certa, você não precisará fazer um papel ou uma caricatura de si mesmo para conseguir chamar a atenção dela. É o próprio Deus que a conduzirá a você, e vice-versa.

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  9. jÁ NÃO ERA SEM TEMPO ,ESTE ASSUNTO É ALGO COMO LAMPADA SOBRE TELHADO NÃO COMO ESCONDER DE NINGUÉM ,E COMO ESTE MUITOS OUTROS ASSUNTOS DOUTRINÁRIOS ÃO DE VIR A TONA ,TODA PLANTA QUE MEU PAI CELESTIAL NÃO PLANTOU ,SERA ARRANCADA PELA RAIZ.

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