28 de maio de 2017

"Todos de sua casa foram batizados" prova o batismo infantil?


Respeito os pedobatistas, afinal, essa era a posição padrão dos reformadores numa época de influência romanista muito forte e continua sendo a crença de uma minoria de protestantes na atualidade. Mas isso não implica em deixar passar um argumento falacioso que tem sido o mais recorrido por aqueles que tentam provar o batismo infantil na Bíblia. Trata-se da inversão do ônus da prova, o que eu já expliquei quando escrevi um artigo sobre a Sola Scriptura e a tradição oral (veja aqui), mostrando como os romanistas invertem o ônus da prova ao exigir que o protestante prove a Sola Scriptura ao invés de ser ele a provar a autenticidade de cada suposta tradição oral que defende em adição ou subtração ao conteúdo escrito (Bíblia).

Mas aqui o tema não é Sola Scriptura, mas batismo infantil. O argumento mais recorrente que tenho visto são os textos que falam que “toda a sua casa” foi batizada. Mais especificamente, estes dois:

“Uma das que ouviam era uma mulher temente a Deus chamada Lídia, vendedora de tecido de púrpura, da cidade de Tiatira. O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo. Tendo sido batizada, bem como os de sua casa, ela nos convidou, dizendo: ‘Se os senhores me consideram uma crente no Senhor, venham ficar em minha casa’. E nos convenceu” (Atos 16:14-15)

“Então levou-os para fora e perguntou: ‘Senhores, que devo fazer para ser salvo?’ Eles responderam: ‘Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa’. E pregaram a palavra de Deus, a ele e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite o carcereiro lavou as feridas deles; em seguida, ele e todos os seus foram batizados (Atos 16:30-33)

Sabemos que quando a Bíblia fala da “casa”, nesses textos, ela está se referindo aos familiares daquelas pessoas. Ou seja: marido, mulher e filhos. Então os pedobatistas concluem: existe batismo infantil na Bíblia, veja aí, todos da casa foram batizados! Só existe um probleminha básico: os textos NÃO DIZEM que nessas famílias haviam recém-nascidos, bebês ou crianças pequenas, ainda sem terem chegado à idade da consciência. São os pedobatistas que presumem isso e tomam como verdade a priori sem provar nada. Ou seja, é como se a obrigação fosse nossa de provar que não haviam crianças pequenas na família, ao invés de ser deles em provar que havia. Isso é obviamente uma grotesca, gigante e aberrante inversão do ônus da prova.

Se este é um argumento deles, cabe a eles o ônus da prova em mostrar de forma conclusiva que haviam bebês ou crianças pequenas naquelas duas famílias. Não somos nós que estamos usando tais textos para provar alguma coisa contra o batismo infantil; são eles, é um argumento deles, então cabe a eles essa prova – que eles obviamente não têm.

Vamos explicar isso com uma analogia para o pedobatistas entenderem melhor. Suponhamos que eu dissesse que eu e toda a minha família corremos 50 km de bicicleta ontem. Imagine que, diante desta informação, alguém se espantasse e dissesse: “Uau! Eu não sabia que bebês e criancinhas pequenas conseguiam andar 50 km de bicicleta!!!”. Então eu replico: “Meu amigo, onde foi que eu disse que bebês e crianças pequenas andaram 50 km de bicicleta?”. Então ele responde: “Você disse que toda a sua família andou de bicicleta, então isso inclui os bebês também! Você está se contradizendo, seu mentiroso de uma figa!”.

Esse diálogo é, graças a Deus, fictício, pois ninguém em sã consciência na vida real iria entender deste jeito. Mas é exatamente o erro em que incorrem os pedobatistas em seu argumento “bíblico”. Onde está o erro? No caso do exemplo hipotético que eu passei, o erro é presumir que na minha família há bebês ou crianças pequenas, e que portanto elas também teriam andado de bicicleta, já que eu disse “toda a minha família”. No caso dos pedobatistas, o erro é exatamente o mesmo: continua sendo a presunção de que naquelas famílias haviam bebês ou crianças pequenas, e que, portanto, elas também foram batizadas. Para que este argumento fizesse sentido (em qualquer um dos casos), seria necessário o conhecimento prévio de que haviam bebês ou crianças pequenas naquelas famílias. Sem esse conhecimento prévio, todo o argumento não passa de uma especulação barata sem qualquer caráter de objetividade que deva ser levado a sério.

Um pedobatista ainda poderia retrucar: “Mas hoje em dia é comum terem poucos filhos; naquela época as famílias tinham muitos, então é altamente improvável que não incluísse bebês ou crianças pequenas. Primeiro: mesmo que isso fosse verdade, ainda não provaria nada. Aumentar probabilidades ainda é especular. Não serve como prova, no máximo como indícios ou evidências, e de modo bem raso. Mas nem isso chega a ser verdade, porque no mundo romano da época de Cristo a média de filhos de uma família de cidadãos livres era de apenas três (veja aqui), um número próximo da média de filhos aqui no Brasil, por exemplo. Entre os escravos esse número era maior, mas as pessoas de Atos 16 não eram escravas. Entre os judeus também era presumivelmente maior devido aos dados bíblicos, mas essas famílias não eram judias.

E três filhos era a quantidade média que os pais tinham ao longo de toda a vida, não necessariamente em algum período específico dela (dependendo da época, pode-se ter zero, um ou dois, por exemplo, até chegar ao terceiro). E mesmo que já se tivesse três filhos (na média) isso não significa que houvesse bebês ou crianças pequenas entre eles. Meus pais tiveram dois filhos, que já tem 22 e 24 anos. Se tivessem tido um terceiro, estaria um pouco abaixo, digamos, com uns 20 anos. Mas ainda assim, muito longe de ter a idade pequena para não receber o batismo ainda. Some-se a isso o fato de que naquela época a mortalidade infantil era gigantescamente maior do que nos dias de hoje. Isso é apenas um exemplo de como esse argumento pedobatista não prova absolutamente nada. É perfeitamente razoável dizer que uma família toda foi batizada, sem que bebês tenham sido. Não apenas é razoável: é provável.

Mas o argumento pedobatista é tão ruim, mas tão ruim, que mesmo sem termos a necessidade do ônus da prova, ainda assim conseguimos provar que não haviam bebês ou crianças pequenas naquela família. Vejamos:

“Então levou-os para fora e perguntou: ‘Senhores, que devo fazer para ser salvo?’ Eles responderam: ‘Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa’. E pregaram a palavra de Deus, a ele e a todos os de sua casa. Naquela mesma hora da noite o carcereiro lavou as feridas deles; em seguida, ele e todos os seus foram batizados” (Atos 16:30-33)

Observe com atenção duas coisas nesse texto que passam completamente despercebidas nas análises pedobatistas. Em primeiro lugar, o texto diz que “serão salvos, você e os de sua casa”. Esse tempo verbal no futuro mostra que eles não eram salvos ainda, nem ele e nem ninguém de sua casa. Se na casa haviam bebês ou crianças pequenas, como presumem os pedobatistas, isso implicaria que esses bebês ou crianças pequenas ainda não eram salvas, o que contraria o ensino bíblico de que elas, por não terem cometido qualquer pecado pessoal em vida, não estão ainda na posição de “condenadas” para precisarem ser “salvas”.

Se assim fosse, então todos os recém-nascidos que morressem pouco depois de sair do ventre materno e antes de terem tido tempo e oportunidade de serem batizados seriam automaticamente lançados no fogo do inferno – e para todo o sempre, na teologia da esmagadora maioria dos pedobatistas. Isso não apenas é antibíblico, mas monstruoso, imoral e abominável. Portanto, o texto diz respeito a pessoas que precisavam de salvação, o que presume a existência de pecados pessoais e conscientes de alguém que já chegou à idade de consciência.

O segundo detalhe no texto que passa despercebido pelos pedobatistas é a parte que diz que Paulo pregou a palavra de Deus ao carcereiro e a TODOS de sua casa. Para os pedobatistas, os “de sua casa” eram bebês ou criancinhas pequenas, ainda sem a idade de discernir o bem e o mal. Então imagine Paulo evangelizando um bebezinho, ou uma criancinha que ainda é tão pequena que não tem nem a capacidade de entender ainda o plano de salvação – talvez não tenha nem a idade de falar – da mesma forma que evangelizava os adultos da casa. E não adianta alegar que o texto diz isso porque o carcereiro e pessoas adultas de sua família foram evangelizados, porque o texto é bem claro em dizer que Paulo pregou a TODOS, o que incluiria os bebês se houvessem bebês naquela família – que é justamente o argumento pedobatista.

Portanto, não apenas o ônus da prova recai nos pedobatistas (que não tem como provar absolutamente nada do que pretendem com estes textos), mas a situação é ainda mais grave, porque mesmo sem nós termos qualquer necessidade do ônus da prova, ainda assim conseguimos mostrar evidências suficientes de que a “casa” em questão não abrigava bebês ou crianças pequenas. Pode-se continuar defendendo o batismo infantil, mas por favor, não usem mais um argumento tão raso e falacioso como esse, que envergonha a qualquer um com uma capacidade um pouco mais apurada de raciocínio. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,

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51 comentários:

  1. Mas a Bíblia fala que todo o povo de Israel (o que obviamente inclui crianças) foi batizado no Mar Vermelho. 1 Coríntios 10:2.

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    1. O "batismo" que esse texto fala não é um batismo literal, como o batismo cristão nas águas, mas uma figura de linguagem. Veja os comentários bíblicos sobre este texto, como por exemplo esses daqui:

      http://biblehub.com/commentaries/1_corinthians/10-2.htm

      O "Barnes' Notes on the Bible" comenta bem este texto:

      «And were all baptized - In regard to the meaning of the word "baptized," see the note at Matthew 3:6. We are not to suppose that the rite of baptism, as we understand it, was formally administered by Moses, or by any other person, to the Jews, for there is not the least evidence that any such rite was then known, and the very circumstances here referred to forbid such an interpretation. They were baptized "in the cloud" and "in the sea," and this cannot be understood as a religious rite administered by the hand of man. It is to be remembered that the word "baptism" has two senses - the one referring to the application of water as a religious rite, in whatever mode it is done; and the other the sense of "dedicating, consecrating, initiating into," or bringing under obligation to. And it is evidently in this latter sense that the word is used here, as denoting that they were devoted to Moses as a leader, they were brought under his laws, they became bound to obey him, they were placed under his protection and guidance by the miraculous interposition of God. This was done by the fact that their passing through the sea, and under the cloud, in this manner, brought them under the authority and direction of Moses as a leader, and was a public recognition of their being his followers, and being bound to obey his laws»

      Nem poderia ser algo literal como analogia exata, porque se assim fosse, seria legítimo batizar adultos ímpios e descrentes que vivem no pecado sem nenhum arrependimento, já que TODO o povo de Israel foi "batizado" no mar Vermelho, o que inclui os mais ímpios e imorais. Todavia, o arrependimento sincero é um pré-requisito básico para o batismo cristão (cf. Lc 3:3; At 3:24; Mc 1:4).

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    2. Lucas, e o que você acha das evidências arqueológicas, túmulos de crianças cristãs, que apontam para a prática do batismo infantil já no século II?

      holycrossdakotadunes.org/~resources/newsletter/Crossnotes%202010-05.pdf

      Diante disso, não seria mais adequado interpretar 1 Coríntios 10:2 literalmente? Existem mais provas do batismo infantil do que o contrário. Até Tertuliano, que criticou a prática, admitiu a existência dos padrinhos de batismo.

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    3. Toda e qualquer dita evidência histórica em favor do batismo infantil precisa ser balanceada com os seguintes fatos:

      (1) A Didaquê, além de não falar nada sobre batismo infantil, diz que é necessário que o batizando jejue por um ou dois dias, presumindo o batismo de pessoas com consciência apenas.

      (2) Justino, que dedica capítulos inteiros sobre o batismo em sua Apologia, também não faz qualquer alusão a um suposto batismo de bebês ou crianças, e para além disso também menciona a necessidade de oração e jajum antes do batismo, fazendo supor mais uma vez o batismo de adultos.

      (3) Tertuliano, com ou sem padrinhos, era expressamente contra o batismo de crianças.

      (4) Orígenes, que defendia a prática, assumia que o batismo de infantes “é uma coisa que causa frequentes questionamentos entre os irmãos”.

      (5) Numerosos Pais da Igreja favoráveis ao batismo infantil, tais como Atanásio, Basílio, Clemente de Alexandria, Hipólito, Gregório de Nissa, Crisóstomo, Jerônimo e Agostinho, só foram batizados quando adultos, mesmo nascendo de pais cristãos (o que mostra que a prática do batismo infantil ainda não era algo universal na Igreja e foi ganhando peso com o tempo.

      (6) Se a evidência histórica fosse decisiva mesmo, todos os que batizam por aspersão deveriam voltar ao batismo por imersão, já que essa era a prática de batismo ressaltada por todos os Pais, e todavia os católicos (e alguns protestantes) insistem em batizar por aspersão:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/11/o-batismo-por-imersao-na-igreja.html

      (7) Pelo fato de a evidência patrística ser dúbia e inconclusiva, especialmente no que tange aos primeiros dois séculos, é muito mais razoável ficarmos com aquilo que a Bíblia assevera sobre o tema. E, por qualquer razão que seja, ela nada diz sobre um batismo infantil. Mesmo quando ela registra as pessoas que foram batizadas em certa ocasião, faz menção apenas a "homens" e "mulheres", sem citar crianças (cf. At 8:12).

      Abs!

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  2. Lucas, você acha que a doutrina do Pecado Original é uma questão vital para a salvação? Por que o que você disse: "isso implicaria que esses bebês ou crianças pequenas ainda não eram salvas, o que contraria o ensino bíblico de que elas, por não terem cometido qualquer pecado pessoal em vida, não estão ainda na posição de “condenadas” para precisarem ser “salvas”. " implicaria que não houve a transmissão de um pecado hereditário, sendo que essa é a principal justificativa usada para o batismo de crianças (sou luterano e fui batizado ainda bebê, sendo que meu pastor costumava dizer que o batismo de crianças "limpa" o bebê do pecado original).

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    1. O "pecado" em si não é transmitido, como se uma pessoa fosse culpada de pecado pessoal por causa dos pecados de outro indivíduo (no caso, de Adão). O que é transmitido é uma NATUREZA PECAMINOSA, ou seja, a inclinação para o pecado que faz com que as pessoas caiam em pecados e sejam condenadas a partir do momento em que já tem consciência de seus pecados (o que bebês e crianças pequenas não tem), exceto se se arrepende (e neste caso o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado). O batismo infantil nem de longe resolve esse problema do pecado original, porque é bastante óbvio que os bebês que são batizados, quando crescem, tem a mesma inclinação para o pecado e tendência pecaminosa daqueles que não foram batizados quando bebês. O "pecado original" não foi "limpo", se era este o propósito do batismo infantil. E não há sentido dizer que apenas o pecado hereditário em si é que foi limpo mas a tendência pecaminosa não, pois a tendência pecaminosa é um efeito do pecado original, então se alguém fosse realmente limpo da causa também não sofreria os efeitos, da mesma forma que o fedor pode ser uma consequência (efeito) da sujeira no corpo (causa), mas se eu me limpo (ou seja, se me livro da causa) já não vou cheirar mal (ou seja, já não vou sofrer os efeitos causados pela sujeira).

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    2. As Igreja católica e ortodoxa tem outra crença sobre os bebês no futuro: É a doutrina do Crisma ou Confirmação. Confirmação do batismo que foi feita quando era um bebê.

      É como se eles pregassem dois batismos: um quando a pessoa é um bebê e outro quando já é adolescente.

      Cai em contradição com essa tese de pecado original. Se já foram limpas quando bebês, não tem motivo pra reconfirmar. Mostra que o batismo infantil é uma colcha de retalhos e precisa de bandaids pra consertar.

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    3. Exatamente, muito bem colocado. Eles acabam tendo que inventar uma coisa para justificar outra, e assim por diante, criando uma teologia de retalhos, que no final das contas não tem nada a ver com a Bíblia (que já não fala nada de batismo infantil, que dirá de crisma...).

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    4. Seria plausível que a tendência para o pecado se desenvolve a partir do momento que se adquire consciência do mesmo, junto com uma "pressão ambiental"(lembremos que Deus amaldiçoou a Terra pelo pecado de Adão)?

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    5. Sim, embora a pessoa já nasça com o "germe" do pecado, ele só se desenvolve e ganha corpo de fato quando a pessoa começa a ter consciência do mundo. É por isso que bebês e crianças pequenas são "inocentes", "puras", sem a malícia característica dos adultos.

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  3. Um dos argumentos usados no batismo infantil veio de Agostinho de Hipona, que relacionou o batismo com o pecado original, dizendo que nascem pecadoras e precisam da redenção, mas Jesus as descreveu como puras nos evangelhos.

    Outro argumento vem de um substituto da prática da circuncisão. Como os bebês (sexo masculino) entravam na religião judaica ao oitavo dia, precisava de outro rito para a entrada das crianças no cristianismo: pelo batismo

    Esse argumento é ainda mais bizarro, pois pressupõe que Jesus foi circuncidado duas vezes: uma ao oitavo dia e outra aos 30 anos.

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    1. Verdade, e sobre esse argumento da circuncisão eu já refutei neste artigo bem antigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/08/o-batismo-e-circuncisao.html

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  4. Lucas, então qual a origem da prática pedobatista? Já li que a origem é pagã. Você concorda?

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    1. Não conheço fontes que afirmem isso, mas neste artigo fica claro que a Igreja primitiva não praticava o batismo infantil, o qual só foi implantado a partir do terceiro século:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/04/o-batismo-infantil-foi-praticado-pela.html

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    2. Algo interessante de se notar é que os judeus (principalmente os essênios, eu acho) ainda muito antes de Jesus já praticavam banhos rituais (mikveh) tanto para purificação quanto como parte do processo de conversão ao judaísmo, ou seja, não há relação alguma com substituir a circuncisão.

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    3. Sim, tanto é que Jesus foi circuncidado e batizado também.

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  5. qual sua opinião sobre os bandeirantes e sua relação com os jesuítas?

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    1. Não vejo com bons olhos nenhum dos dois grupos, mas nesse embate em particular, os bandeirantes eram os agressores.

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    2. Não eram não. Os jesuítas eram um braço da inquisição e tinham ordens de roma para matar os paulistas. Tudo lugar que cresceu sob a influência do pensamento jesuíta parece, de alguma forma, condenado ao fracasso e subdesenvolvimento... Tipo a America Latina inteira.

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  6. Cara, andei notando uma coisa que me pareceu um padrão. Há, entre os leitores da Bíblia cristãos e não cristãos, uma dificuldade imensa em discernir o que é literal, e corresponde a uma descrição no mundo físico, e o que é figurado, e logicamente correspondente a um ideal ou a algum conceito abstrato. É incrível como as pessoas confundem isso. Não é muito difícil perceber a diferença, talvez o que falte é um esforço maior ou um treino a mais quanto à interpretação textual. Acho que metade das dúvidas que tiram com você é sobre isso. Grande abraço.

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    1. Concordo, esse é um dos problemas. Há tempos atrás fiz um artigo sobre isso:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/07/como-diferenciar-o-literal-do-alegorico.html

      E de modo mais aprofundado, no meu livro sobre o tema, "Exegese de Textos Difíceis da Bíblia":

      http://www.lucasbanzoli.com/2017/04/0.html

      Abs!

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  7. Você resolveu o problema em poucas palvras:

    "os pedobatistas concluem: existe batismo infantil na Bíblia, veja aí, todos da casa foram batizados! Só existe um probleminha básico: os textos NÃO DIZEM que nessas famílias haviam recém-nascidos, bebês ou crianças pequenas, ainda sem terem chegado à idade da consciência. São os pedobatistas que presumem isso e tomam como verdade a priori sem provar nada".

    Que criatura nesse vasto planeta havia pensado nisso?

    Parabens pela sabedoria com que conduziu o artigo.

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  8. Parabéns Lucas! Outro exemplo:Quando eu digo que todos lá em casa votam no político tal e se na minha casa tem crianças eu não me referia a elas e sim aos adultos,pois crianças não votam pelas as leis atuais.

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    1. Sim, esse exemplo também serve apropriadamente, perfeito. Abs!

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    2. Esse anônimo arrebentou!

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  9. Lucas, sobre a tema batismo, gostaria que você tirasse algumas dúvidas: Cristãos batizados quando crianças precisam ser "rebatizados" quando tornam-se adultos porque o batismo anterior "não valeu"? E o caso do ladrão da cruz que nem batizado foi? Um cristão adulto que foi batizado por outra igreja (ICAR, ortodoxa, copta, anglicana) quando torna-se protestante precisa ser "rebatizado"? Pra você existe "rebatismo"? Obrigado amigo.

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    1. O rebatismo de fato não existe. A Bíblia é clara ao dizer que deve existir "um só batismo". Mas alguém que é batizado quando bebê não é batizado de fato, ele só tomou um banho como qualquer outro, sem nenhum efeito espiritual. Ou seja, nestes casos, quando a pessoa cresce e se batiza, ela não está passando por um "rebatismo", mas pelo primeiro e único batismo (já que o anterior não era batismo mesmo). O que é errado é a pessoa se batizar já na idade da consciência e com arrependimento pelos pecados, e mais tarde voltar a praticar o mesmo batismo (o que algumas igrejas admitem, mas é inadmissível).

      O caso do ladrão da cruz é totalmente diferente, pelo simples fato de que ele não teve tempo de se batizar. Tivesse ele sobrevivido por mais alguns dias, e ele certamente teria se batizado. Mas o exemplo mostra que o batismo não é estritamente necessário para a salvação, ao menos nos casos de quem teve a intenção interior de se batizar mas não pôde em função das circunstâncias.

      Sobre o batismo em outras igrejas, isso vai depender do nível dessa igreja, de seu comprometimento com as verdades da fé. No caso da católica romana é evidente que eu recomendaria um novo batismo (que, como já disse, não seria um "rebatismo", mas o primeiro de fato), no caso da anglicana não, pois trata-se de uma igreja protestante com preceitos bíblicos, embora se o batismo tiver sido feito quando bebê teria que se batizar “de novo” independentemente da igreja em que se batizou, já que o próprio batismo em si não foi válido.

      Abs!

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  10. Sabia que Kant era de uma vertente religiosa chamada pietismo, que, creio eu, seria
    como se fosse uma "denominação" do protestantismo!? Muito legal né, os ateus piram hahaha

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    1. Não só ele; quase todos os grandes filósofos, cientistas e intelectuais dos séculos passados foram protestantes ou pelo menos nasceram em países protestantes.

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  11. Acredito que o próximo será sobre o discípulo amado, porque já estamos no final do mês.

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    1. Já escrevi:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2017/06/o-autor-do-quarto-evangelho-finalmente.html

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  12. Paz, Lucas!

    Ótimo artigo, mas se permite interrogar algo não referente ao tema abordado, gostaria de saber o que exatamente o concílio Vaticano II alterou na doutrina da ICAR. Você sabe,sempre usam esse concílio para culpar os protestantes pela secularização da Igreja Católica. Teria algum artigo ou um link que aborde este tema de uma modo mais aprofundado?

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    1. Olá, quem melhor responde isso são os próprios católicos ultra-tradicionalistas. Veja os artigos dessas tags de um conhecido site católico sedevacantista que você irá entender:

      http://www.igrejacatolica.org/category/seita-vaticano-ii-contra-igreja/concilio-vaticano-ii/#.WS_xZjhtmJA

      http://www.igrejacatolica.org/category/seita-vaticano-ii-contra-igreja/#.WS_xaDhtmJA

      http://www.igrejacatolica.org/category/seita-vaticano-ii-contra-igreja/frutos-podres-seita-vaticano-ii/#.WS_xZzhtmJA

      Aqui neste blog eu só postei um artigo abordando um desses aspectos, que é a questão da salvação em outras religiões. Você pode conferir aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/12/afinal-ha-salvacao-fora-da-igreja.html

      Nota-se claramente a mudança de discurso. Mas no site sedevacantista há muito, muito mais provas, aos montões e montões, que mostram que a Igreja Romana de antes deste Concílio (e especialmente a da Idade Média e Moderna) era uma coisa totalmente diferente da atual, embora possa preservar os dogmas e doutrinas mais conhecidos (como os relacionados a Maria, eucaristia, culto aos mortos, etc).

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  13. Eu até entendo quando os argumentos de pedo batismo vem de católicos , pq né, como sempre: católicos.
    Mas não me entra na cabeça quando isso vem de protestantes, que em tese deveriam ser pessoas entendidas de Escrituras.
    Fica tão claro o que o batismo representa na vida da pessoa, e a sua seriedade e profundidade no seu significado e os pro batismo infantil tornam isso, sei lá, tão vazio e meramente ritualístico.
    Ja ouvi até dizerem que filhos de cristãos já nascem sob o novo 'pacto'. O que é no mínimo insano!!!! Como se a pessoa não precisasse se arrepender e decidir seguir o Messias e o confessar de todo coração e racionalmente, coisa que uma criança nao pode fazer, pois não tem capacidade em entender isso plenamente.
    Seu artigo é muito bom e bem sucinto, mas infelizmente eu vejo que muitos evangélicos nesse país não gostam de usar muito de lógica, e nao só nesse quesito de batismo infantil...... tá difícil.

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    1. Pois é, mas acredito que isso acontecia apenas porque na época da Reforma isso era praticamente o consenso, e nem tudo é reformado de uma vez só. Infelizmente as igrejas de linha mais tradicional, por serem mais rigorosas na doutrina, são intransigentes em abrir concessões e a voltar atrás em erros históricos, então acabam defendendo essas coisas até os dias de hoje e, provavelmente, até sempre. Sobre o artigo em si, ele é mais sucinto mesmo porque aborda apenas um texto bíblico, e não o tema como um todo (o que elevaria bastante a extensão de conteúdo). Abs!

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  14. Lucas,poderia por favor me responder uma dúvida sobre a carta aos romanos?
    Uma vez eu vi um post que falava que as obras da lei em romanos (ex:romanos 3:28) se referia apenas as obras cerimonais e não as boas obras, ou seja, Paulo estava dizendo que eram as obras cerimoniais que n salvavam e n a lei como um todo
    Afinal, como saber quais eram as obras da lei que Paulo se refere?
    Obrigada pela resposta, abs!

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    1. Não tem como serem todas referências às obras cerimoniais, porque essas obras nós como cristãos no tempo da graça não temos mais que praticar, e todavia Paulo diz:

      “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos” (Efésios 2:8-10)

      Note que na primeira parte do verso o apóstolo diz que nós somos salvos pela fé e não pelas obras, mas logo no verso seguinte afirma que Deus nos criou para a prática das boas obras. Ora, isso mostra que as obras ali não eram as obras da lei (obras cerimoniais), pois jamais Paulo iria dizer que nós fomos criados para praticar tal tipo de obras. Ele está falando das obras mesmo, obras de caridade, obras de fazer o bem ao próximo, etc. Nós não somos salvos PELAS obras, mas fomos salvos PARA as obras. A graça salva através da fé, e as obras são o objetivo a ser trilhado a partir de então.

      Abs!

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  15. Marcos Trinitariano31 de maio de 2017 18:51

    Lucas quantos livros apocrifos existem na igreja ortodoxa em suas ramificaçoes

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    1. Aqui tem uma lista completa:

      https://pt.wikipedia.org/wiki/Livros_da_Bíblia

      Abs!

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  16. lucas o thomas tronco debateu no vejam so e ele disse que o samuel que apareceu a saul. veja os argumentos dele e quem se saiu melhor no debate.
    https://www.youtube.com/watch?v=aiI19wKCrqU&t=1410s

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    1. Não vi esse debate ainda, mas a tese de que o espírito de Samuel literalmente apareceu naquela ocasião já foi refutada nos seguintes artigos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/12/foi-samuel-quem-apareceu-saul-em-en-dor.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/06/refutando-o-argumento-espirita-de-paulo.html

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    2. Lucas a posição defendida pelo thomas tronco não tem nada a ver com espiritismo. é necessario vc ver o video.tem outros defendendo isso. eles defendem que são casos excepcionais que Deus permite como o fato de Deus dizer na biblia que a pessoa morre uma vez mas existem pessoas que Deus ressuscitou e teve que morrer de novo. E o fato de Deus ter permitido que samuel aparecesse não significa que hj isso pode acontecer e nem que temos que invocar mortos.

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    3. “Casos excepcionais” podem ser admitidos DESDE QUE não incorram em pecado ou qualquer outra coisa que denigra a imagem de um Deus santo e imaculado. Por exemplo, você citou um caso excepcional dos que morreram duas vezes por causa da ressurreição, este é um caso que não incorre em nada contra a imagem de um Deus santo. Caso diferente seria, por exemplo, se a Bíblia abrisse uma exceção para a máxima que diz que “Deus não mente” e apresentasse Deus dizendo uma mentira. Aí não seria uma exceção admissível, porque incorreria em gravidade contra a pureza divina. A mesma coisa se aplica ao caso da necromante, prática totalmente proibida pelo próprio Deus, que não se macularia com isso permitindo feitiçaria “excepcionalmente”, pela mesma razão que não admitiria qualquer outra prática pecaminosa nem mesmo de forma excepcional.

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    4. então Deus contradisse o versículo que está escrito que ao homem está ordenado morrer uma vez só, pois teve pessoas que morreram duas vezes...

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    5. Ninguém aqui está falando da mera "contradição", que pode ser explicada mediante as exceções à regra. O que estamos falando é de IMPUTAR A DEUS UMA FALHA MORAL, que seria propiciar uma sessão de necromancia com uma feiticeira a fim de transmitir uma mensagem divina a alguém. E para isso não existe "exceção", pois Deus não pode condescender com o pecado nem mesmo "excepcionalmente". Se Deus compactuasse com o pecado por um único segundo que fosse, ainda que de forma excepcional e fora da regra, ele já não poderia ser Deus – ao menos não o Deus cristão, que é totalmente santo e completamente sem qualquer mácula ou mancha. Se você ainda não consegue entender isso, me desculpe, mas eu sou ruim em desenhar.

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  17. Lucas, você viu esse vídeo, que é uma resposta ao seu vídeo sobre a inquisição protestante?

    https://youtu.be/ftQt9tyueFc

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    1. Eu vi os primeiros minutos, mas de tão ridículo não suportei assistir até o final, acho que ver um vídeo desses até o fim pode causar até câncer.

      Em resumo: o cara não tem o que dizer, então bota um vídeo do professor Felipe Aquino falando sobre algo que não tem nada a ver com a "Inquisição protestante", e ainda zomba no começo do vídeo dizendo que EU estava afirmando que Lutero era aquilo ali, quando eu estava apenas FAZENDO UMA CITAÇÃO do que um estudioso historiador escreveu sobre o tema, e havia escolhido aquele historiador justamente porque ele era O MESMO que os católicos estavam usando para falar da "Inquisição protestante", e no mesmo livro.

      A apologética católica é um verdadeiro show de horrores, cada vez mais burlesco e pitoresco.

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