19 de abril de 2013

Deixados para trás?



Cada dia mais eu me impressiono com a riqueza das Escrituras e de como que, não importa o quanto que nós já lemos, ainda há sempre muito mais a conhecer. Não apenas isso, mas também me impressiono em ver como que uma simples análise do contexto derruba interpretações cridas por milhões, e, às vezes, até mais de uma interpretação. O texto de Mateus 24:40, muito usado pelos pré-tribulacionistas, é um destes casos. Ele diz:

“Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro” (Mateus 24:40)

Os pré-tribulacionistas leem esse versículo tendo por base a trilogia “Deixados para Trás”, que se tornou um famoso filme “cristão” que retrata o Apocalipse conforme o ponto de vista dispensacionalista, segundo o qual os que foram “levados” diz respeito aos crentes que serão arrebatados ao Céu e não passarão pela tribulação, ao passo que os que serão “deixados” seriam aqueles ímpios que ficariam sofrendo sete anos de grande tribulação na terra. E essa versão cinematográfica ganha cada vez mais espaço na mente de muitos pastores que ensinam o povo essa interpretação, de que o “levados” diz respeito aos salvos e o “deixados” diz respeito aos ímpios.

Em primeiro lugar, é preciso dizer: a crença pré-tribulacionista não provém dos Reformadores protestantes, nenhum evangélico creu nessa versão escatológica até o século XIX, quando surgiu um cara anglicano chamado John Darby, ensinando por aí que nenhum crente vai passar por tribulação nenhuma. Como obviamente este discurso alegra e motiva aqueles que não querem passar por sofrimento vindouro nenhum nem tribulação nenhuma pela frente, foi ganhando espaço cada vez maior até se tornar maioria nas igrejas pentecostais.

A mesma tática foi usada também para colocar a teologia da prosperidade nas igrejas neopentecostais, teologia essa inventada pelo herege chamado Kenneth Haggin (o mesmo que disse que nós somos Cristo) que ainda desfruta de muito prestígio nessas igrejas, e que ganha muitos adeptos pelo fato de que o povo simples gosta de ouvir mensagens utópicas de “prosperidade, riqueza e abundância” em suas vidas. Assim, podemos ter certeza que uma heresia ganha força quando vem acompanhada de uma mensagem que traz bem estar aos ouvintes, ainda que esta mensagem seja completamente herética à luz da Bíblia Sagrada.

Voltando ao texto de Mateus 24:40, é inegável que, ao olharmos para este texto com a ótica que temos hoje através da trilogia e do recente surgimento do pré-tribulacionismo, parece que uns são levados para o Céu e outros deixados para sofrer aqui na terra. Mas, quando observamos atentamente o contexto, vemos exatamente o contrário. Por incrível que pareça, os que são deixados são os salvos, e os que são levados são os ímpios! Vejamos o contexto:

Mateus 24
37 E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.
38 Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
39 E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.
40 Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro;
41 Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra.

Note que o texto diz exatamente o inverso daquilo que os pré-tribulacionistas ensinam. No texto, os que são “levados” não são os salvos, são os ímpios! Jesus diz que o dilúvio “levou a todos”, isto é, aqueles que haviam sido condenados pelo pecado. E ele diz que, da mesma forma, um seria levado e outro deixado. Portanto, o “levados” se aplica aos ímpios que serão condenados e morrerão. E, da mesma forma que o justo Noé e sua família foram deixados aqui na terra enquanto os ímpios foram levados pelo dilúvio, igualmente os salvos serão deixados aqui para viverem o milênio junto a Cristo, nesta terra.

Em Lucas, vemos novamente pelo contexto que os ímpios não ficarão vivos por mais sete anos sofrendo aqui na terra; ao contrário, serão mortos:

Lucas 17
26 E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem.
27 Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos.
28 Como também 
da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;
29 Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos.
30 
Assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar. 

Ao invés de Jesus dizer que na Sua volta os ímpios serão deixados vivos aqui na terra para sofrerem mais sete anos de grande tribulação enquanto os justos são arrebatados, ele afirma exatamente o contrário: que os ímpios serão consumidos, isto é, serão mortos, deixarão de existir. Assim como foi no dilúvio, que consumiu (tirou a vida) de todos os ímpios, e com Sodoma e Gomorra, onde o fogo devorador consumiu a todos os ímpios que lá viviam. E ele diz que assim também será na volta do Filho do homem. Nada de crentes escapando da tribulação sete anos antes do fim dela e dos ímpios sendo deixados em vida; ao contrário, a linguagem é de aniquilamento dos ímpios.

Interessante também é notarmos a parábola do joio e do trigo, com sua devida interpretação (Mt.13:23-42). Jesus diz que primeiro o joio é jogado fora, e somente depois o trigo é recolhido no celeiro:

Deixem que cresçam juntos até à colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro” (Mateus 13:30)

Notem que primeiro é recolhido o joio (ímpios) para serem queimados, e somente depois é que o trigo (justos) é recolhido no celeiro (Jerusalém celestial). Aí veio aquele cara chamado John Darby e começou a querer mudar tudo o que Cristo disse. Para ele, os justos são recolhidos por primeiro, e são “teletransportados” ao Céu sete anos antes do fim da grande tribulação, enquanto os ímpios são “deixados para trás” aqui na terra. E somente sete anos mais tarde é que os ímpios seriam recolhidos. Ou seja, de acordo com a visão de Jesus, os ímpios são recolhidos antes dos justos, mas, de acordo com o pré-tribulacionismo, os justos é que são recolhidos antes. Como eu creio que Jesus Cristo é alguém muito mais confiável que John Darby, prefiro ficar com as palavras de Cristo.

Por tudo isso, podemos ver que o pré-tribulacionismo, de tão fraco e superficial que é, consegue ser refutado até mesmo nas poucas passagens que seus adeptos usam a seu favor, e que a Bíblia inteira atesta que os cristãos passarão pela grande tribulação, como Jesus disse em todo o capítulo de Mateus 24. Ainda considero o filme “Deixados para Trás” uma obra de ficção científica muito bem elaborada, como poucos no meio cristão, com um bom roteiro e bons atores. Mas repito: como ficção científica, e não como uma história bíblica, como são os filmes de Noé, José, Davi, Moisés, etc. Quem assisti-lo já sabendo da verdade da Palavra de Deus poderá desfrutar de uma boa ficção científica, assim como um “Guerra nas Estrelas”, mas quem assisti-lo pensando estar vendo uma fiel descrição dos relatos apocalípticos irá se deparar com uma grande heresia.


Preterismo também é refutado

Como se não bastasse, esses versos também refutam outra falsa corrente teológica além do pré-tribulacionismo, que é o preterismo. Para os preteristas, também não faz sentido que o “levados” se refira aos ímpios e o “deixados” se refira aos justos. Vejamos a descrição apocalíptica de João:

As nações marcharam por toda a superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada; mas um fogo desceu do céu e as devorou” (Apocalise 20:9)

Aqui temos uma descrição da “cidade amada”, que é Jerusalém (Mt.5:35), sendo cercada por exércitos de nações inimigas. O preterismo afirma que essa descrição de João retrata a batalha entre Jerusalém e Roma, em 70 d.C, quando os romanos cercaram Jerusalém e a derrotaram, destruíram o templo e mataram seus habitantes. Mas note que no Apocalipse o que ocorre é o inverso: Jerusalém, cercada pelos inimigos, os vence, e estes são devorados! De fato, nos é dito que esses inimigos não conseguiram vencer Jerusalém; ao contrário, foram devorados pelo “fogo do Céu”.

Se a tribulação que João descreve realmente se refere à batalha entre Jerusalém e Roma em 70 d.C, então temos um grande problema aqui, tendo em vista que historicamente quem venceu essa guerra foi Roma, mas segundo Apocalipse 20:9 quem vence é Jerusalém! E mais: se os “levados” se refere aos ímpios (como já vimos neste artigo) e estes ímpios são os que cercam a cidade amada, Jerusalém (referindo-se aos romanos), deveríamos esperar que os romanos fossem “levados” mortos desta batalha. Mas historicamente Roma venceu, e quem foi “levado” foram os judeus, não os romanos. Os romanos foram deixados (vivos), e não levados (mortos). Então, ou a descrição bíblica falhou miseravelmente, ou é o preterismo que é um profundo engodo escatológico.

A verdade é que tanto católicos preteristas como protestantes preteristas precisam rever seus conceitos, assim como católicos dispensacionalistas e protestantes dispensacionalistas também. Essas duas vertentes escatológicas são nitidamente falsas à luz da Palavra de Deus. Uma não passa de pura ficção científica ao maior estilo Star Wars, enquanto a outra tenta se passar por uma “corrente histórica” quando deturpa a própria história, não consegue se sustentar diante dos fatos bíblicos. A correta visão apocalíptica é futurista (de que a tribulação ainda está por vir) e pós-tribulacionista (de que o arrebatamento dos salvos é posterior à tribulação, e não antes dela).

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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31 comentários:

  1. Gosto muito desta página, mas discordo do pensamento do autor com relação a este assunto.

    Nos versículos citados de Mateus 24 e Lucas 17 podemos observar que aqueles que foram escolhidos por Deus (Noé e Ló) não sofreram as consequencias dos cataclismas, pois antes que eles viessem (diluvio e fogo do céu) eles tinhas sido levados para fora do sofrimento. Noé estava seguro na arca e Ló tinha sido levado para fora da cidade pelos anjos.

    Deus não permitiu e não permitirá que o seu Povo passe por determinadas tribulações.

    Observamos bem a profecia em Daniel.

    E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro. Daniel 12:1

    A Grande Tribulação é período relatado em Apocalipse de sofrimento nunca antes relatado, porém o povo de Deus, aquele que estão inscritos no livro da vida do cordeiro, não participarão desse momento. Onde estarão? Observem bem os versículos contidos em 1 Tessalonicenses 4:15:17. É o momento descrito do arrebatamento. Jesus ainda não será visível aos olhos da terra, pois estará acima das nuvens.

    E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. Apocalipse 19:14

    Quem veste o linho fino, branco e puro. É a Esposa do Cordeiro (o casamento já ocorreu no céu), é a Igreja de Cristo retornando à Terra em gloria junto a Cristo.

    Com relação a Mateus 13:30, observamos que se trata do julgamento do Trono Branco, onde os ímpios serão lançados no lago de fogo, primeiramente, e o salvos em Cristo (trigo) serão recolhidos em Nova Jerusalém.

    Os próprios versículos citados, demonstram o caráter do arrebatamento dos justos antes da tribulação, pois é um procedimento que Deus já tinha aplicado tanto durante o Dilúvio, quanto como em Sodoma e Gomorra. A mensagem é clara, porém a interpretação tendenciosa denominacional é que distorce o ensinamento e a mensagem pregada no Evangelho.

    Graça e Paz!

    Evaldo Junior

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    1. Olá, Evaldo, a paz de Cristo.

      Obrigado por deixar seu comentário, respeito seu ponto de vista mas permita-me fazer algumas observações:

      1) Não sofrer os cataclismos ou ser "liberto" deles nada tem a ver com ser arrebatado ao Céu para longe desta terra quando tudo acontecer. Noé e sua família permaneceram na terra, Ló e sua família também. Os israelitas também permaneceram na terra quando veio as dez pragas do Egito sobre os egípcios, Deus protegeu o seu povo, mas o seu povo permaneceu na terra.

      O Salmo 34:17 diz:

      “Os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações” (Salmos 34:17)

      O Senhor nos livra de toda tribulação, como diz o verso. Mas LIVRAR DE TODA TRIBULAÇÃO de modo algum significou para o salmista ser arrebatado ao Céu e escapar de tudo isso; ao contrário, ele PASSOU pela tribulação, mas Deus o LIVROU das consequências catastróficas dela. Da mesma forma, aprendemos a orar no Pai Nosso: "LIVRA-NOS DO MAL", mas isso não significa que Deus irá nos TIRAR desta terra para sermos livres; PERMANECEMOS aqui, mas Deus nos protege.

      É exatamente o mesmo de todos estes exemplos que eu passei que ocorre na grande tribulação Deus não "arrebata" o Seu povo antes dela, mas o PROTEGE aqui mesmo na terra. Infelizmente, quando um pré-tribulacionista lê sobre "LIVRAR" da tribulação já pensa imediatamente em ser "arrebatado", mas biblicamente falando ser "livre" da tribulação não tem nada a ver com ser arrebatado ao Céu sem ela chegar, mas sim ser PROTEGIDO dela aqui mesmo na terra. Foi assim com Ló, com Noé, com os israelitas no Egito, com o salmista, com todos na oração do Pai Nosso, etc.

      2)Sobre o texto de 1 Tessalonicenses 4:15:17, há outra distorção do contexto aqui. Vejamos:

      "Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e OS QUE MORRERAM EM CRISTO RESSUSCITARÃO PRIMEIRO. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:15-17)

      Note que, diante do devido CONTEXTO, Paulo diz que OS MORTOS RESSUSCITARÃO PRIMEIRO, e que somente DEPOIS é que os vivos serão arrebatados ao Céu. Mas biblicamente a ressurreição só ocorre em APOCALIPSE 20:4, ou seja, depois DO TÉRMINO DE TODAS AS TRIBULAÇÕES. Logo, o arrebatamento é POSTERIOR e não anterior à tribulação.

      3) Sobre Apocalipse 19:4, respeito a sua opinião mas não passa de MERA CONJECTURA, os anjos também são vestidos de branco e em diversas vezes na Bíblia Sagrada vemos eles em um contexto de guerra ou batalha espiritual, por que o mesmo não poderia acontecer aqui? Além disso, note que Apocalipse 19 já é POSTERIOR À GRANDE TRIBULAÇÃO, e não antes dela. De modo que, se este texto mostra a volta de Jesus com os santos, ele deveria ocorrer MUITO ANTES, lá para o capítulo 3-4 de Apocalipse, e não no 19, quando a tribulação já havia terminado. Este texto favorece muito mais o pós-tribulacionismo do que o pré.

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    2. 4) Sobre as bodas do Cordeiro, note que a Igreja só se encontra com Cristo no Céu em Apocalipse 19:7, isto é, já DEPOIS de todas as tribulações que se passaram aqui na terra. Se o encontro entre Cristo e os santos se desse ANTES da tribulação, teria ocorrido logo no começo do livro, e não no FINAL, quando a tribulação já acabou. Isso é outra forte evidência do pós-tribulacionismo, e não do pré.

      5) Não concordo que Mateus 13:30 se refira ao Juízo, o texto diz claramente sobre o estado AQUI NA TERRA mesmo:

      "DEIXAI CRESCER AMBOS JUNTOS ATÉ A CEIFA; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro" (Mateus 13:30)

      Ambos juntos aonde? No além ou na terra? Na terra, evidentemente. A parábola nos diz que justos e ímpios ficam JUNTOS aqui na TERRA até a ocasião da Ceifa, que NÃO É O JUÍZO, mas o fim dos tempos, como o próprio Jesus explicou:

      "...A colheita é O FIM DESTA ERA, e os encarregados da colheita são anjos" (Mateus 13:39)

      Portanto, a lição da parábola está exatamente conforme o explicado por mim no artigo. Justos e ímpios estão juntos AQUI NESTA TERRA, e no fim dos tempos AQUI DESTA TERRA Deus tirará primeiro os ÍMPIOS, e somente DEPOIS OS JUSTOS. Isso vai frontalmente contra o pré-tribulacionismo que inverte a situação e tira primeiro os justos para depois os ímpios.

      6) Recomendo, por fim, este meu artigo em que eu abordo com mais amplitude este tema:

      http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1084449088

      Um grande abraço e que Deus lhe abençoe.

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    3. O simples objetivo da tribulação que se trata do derramamento do cálice da ira de DEUS já responde quem irá e quem não ser alvo desta calamidade. O cálice da ira é reservado para os ímpios, logo os fiéis serão preservados desta calamidade tal qual Noé foi.

      As passagens descritas, no que se assemelha aos dias de Noé, se trata da condenação da maledicência da humanidade, assim como foi nos dias de Noé, todos os que assim se comportaram sofrerão a ira de DEUS, que está reservado para os desobedientes, os fiéis não sofrerão esta ira tal qual Noé não sofreu.

      "pode ser que sereis escondidos no dia da ira do Senhor". Sf2:3

      "Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus." Jo3:36

      entre tantos outros.

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    4. Caríssimo Marcos, em vista da insistência em repetir sempre os mesmos argumentos e usando as mesmas passagens bíblicas isoladas para tal, decidi criar um artigo onde exponho todas elas e refuto todos os argumentos de uma só vez:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/04/deixados-para-tras-parte-2.html

      Fique com Deus.

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  2. O Arrebatamento da Igreja

    1Ts 4.16,17 “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.”

    O termo “arrebatamento” deriva da palavra raptus em latim, que significa “arrebatado rapidamente e com força”. O termo latino raptus equivale a harpazo em grego, traduzido por “arrebatado” em 4.17. Esse evento, descrito aqui e em 1Co 15, refere-se à ocasião em que a igreja do Senhor será arrebatada da terra para encontrar-se com Ele nos ares. O arrebatamento abrange apenas os salvos em Cristo.

    (1) Instantes antes do arrebatamento, ao descer Cristo do céu para buscar a sua igreja, ocorrerá a ressurreição dos “que morreram em Cristo” (4.16). Não se trata da mesma ressurreição referida em Ap 20.4, a qual somente ocorrerá depois de Cristo voltar à terra, julgar os ímpios e prender Satanás (Ap 19.11—20.3). A ressurreição de Ap 20.4 tem a ver com os mártires da tribulação e possivelmente com os santos do AT (ver Ap 20.6 nota).

    (2) Ao mesmo tempo que ocorre a ressurreição dos mortos em Cristo, os crentes vivos serão transformados; seus corpos se revestirão de imortalidade (1Co 15.51,53). Isso acontecerá num instante, “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15.52).

    (3) Tanto os crentes ressurretos como os que acabaram de ser transformados serão “arrebatados juntamente” (4.17) para encontrar-se com Cristo nos ares, ou seja: na atmosfera entre a terra e o céu.

    (4) Estarão literalmente unidos com Cristo (4.16,17), levados à casa do Pai, no céu (ver Jo 14.2,3 notas), e reunidos aos queridos que tinham morrido (4.13-18).

    (5) Estarão livres de todas as aflições (2Co 5.2,4; Fp 3.21), de toda perseguição e opressão (ver Ap 3.10 nota), de todo domínio do pecado e da morte (1Co 15.51-56); o arrebatamento os livra da “ira futura” (ver 1.10 nota; 5.9), ou seja: da grande tribulação.

    (6) A esperança de que nosso Salvador logo voltará para nos tirar do mundo, a fim de estarmos “sempre com o Senhor” (4.17), é a bem-aventurada esperança de todos os redimidos (Tt 2.13). É fonte principal de consolo para os crentes que sofrem (4.17,18; 5.10).

    (7) Paulo emprega o pronome “nós” em 4.17 por saber que a volta do Senhor poderia acontecer naquele período, e comunica aos tessalonicenses essa mesma esperança. A Bíblia insiste que anelemos e esperemos contínua e confiadamente a volta do nosso Senhor (cf. Rm 13.11; 1Co 15.51,52; Ap 22.12,20).

    (8) Quem está na igreja mas não abandona o pecado e o mal, sendo assim infiel a Cristo, será deixado aqui, no arrebatamento (ver Mt 25.1 nota; Lc 12.45 nota). Os tais ficarão neste mundo e farão parte da igreja apóstata (ver Ap 17.1 nota; ver o estudo O PERÍODO DO ANTICRISTO), sujeitos à ira de Deus.

    (9) Depois do arrebatamento, virá o Dia do Senhor, um tempo de sofrimento e ira sobre os ímpios (5.2-10; ver 5.2 nota). Seguir-se-á a segunda fase da vinda de Cristo, quando, então, Ele virá para julgar os ímpios e reinar sobre a terra (ver Mt 24.42,44 notas).

    http://www.midiagospel.com.br/estudos/doutrinarios/o-arrebatamento-da-igreja.html

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    1. Caríssimo Anônimo, agradeço a sua postagem aqui no blog mas é mais recomendável usar argumentos pessoais do que cópias de outros sites, que tornam o debate mais impessoal e menos dinâmico.

      Sobre o ponto (1), não sei de onde que o autor tirou que essa ressurreição não é a de Apocalipse 20:4. É a onde então? De algum livro apócrifo?

      Infelizmente os pré-tribulacionistas insistem tanto em colocar essa doutrina na Bíblia que passam por cima da própria Bíblia. É ÓBVIO que a ressurreição de Ap.20:4 é a dos que morreram em Cristo, e mesmo que não fosse, os outros mortos (que não participam da ressurreição do v.4) estão no verso 5, que é MIL ANOS MAIS TARDE:

      "E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição" (Apocalipse 20:4-5)

      É só ler a Bíblia para perceber que existem apenas DUAS ressurreições. Uma é a dos mártires no verso 4, a outra é a dos outros salvos em geral e dos não-salvos no verso 5, que ocorre DEPOIS do milênio. Ambas estão situadas APÓS a grande tribulação, no capítulo 20. Paulo disse que o arrebatamento será DEPOIS dessa ressurreição (1Ts.4:15-17), portanto, será DEPOIS da grande tribulação. A não ser que algum pré-tribulacionista busque outra ressurreição em algum livro apócrifo ou diga que aquilo que o Apocalipse chama de PRIMEIRA RESSURREIÇÃO não é a primeira, pois existe supostamente uma outra ressurreição que vem antes da primeira e que ninguém ficou sabendo e nem colocaram na Bíblia, os únicos que sabem dela são os pré-tribulacionistas é claro, deve ser a maior teoria da conspiração bíblica já inventada até hoje, descobriram uma ressurreição que a Bíblia ainda não descobriu e que vem antes da primeira!

      Sobre os pontos (2), (3) e (4) eu concordo plenamente com eles; mas, como já disse, ocorrem DEPOIS e não antes da grande tribulação. Eu nunca neguei o arrebatamento, ele existe e é bíblico, o que é antibíblico e herético é a crença de que ele é PRÉ-tribulacional.

      Sobre o ponto (5), isso já foi comentado com o Evandro, reproduzo minha resposta novamente:

      Não sofrer os cataclismos ou ser "liberto" deles nada tem a ver com ser arrebatado ao Céu para longe desta terra quando tudo acontecer. Noé e sua família permaneceram na terra, Ló e sua família também. Os israelitas também permaneceram na terra quando veio as dez pragas do Egito sobre os egípcios, Deus protegeu o seu povo, mas o seu povo permaneceu na terra.

      O Salmo 34:17 diz:

      “Os justos clamam, o Senhor os ouve e os livra de todas as suas tribulações” (Salmos 34:17)

      O Senhor nos livra de toda tribulação, como diz o verso. Mas LIVRAR DE TODA TRIBULAÇÃO de modo algum significou para o salmista ser arrebatado ao Céu e escapar de tudo isso; ao contrário, ele PASSOU pela tribulação, mas Deus o LIVROU das consequências catastróficas dela. Da mesma forma, aprendemos a orar no Pai Nosso: "LIVRA-NOS DO MAL", mas isso não significa que Deus irá nos TIRAR desta terra para sermos livres; PERMANECEMOS aqui, mas Deus nos protege.

      É exatamente o mesmo de todos estes exemplos que eu passei que ocorre na grande tribulação Deus não "arrebata" o Seu povo antes dela, mas o PROTEGE aqui mesmo na terra. Infelizmente, quando um pré-tribulacionista lê sobre "LIVRAR" da tribulação já pensa imediatamente em ser "arrebatado", mas biblicamente falando ser "livre" da tribulação não tem nada a ver com ser arrebatado ao Céu sem ela chegar, mas sim ser PROTEGIDO dela aqui mesmo na terra. Foi assim com Ló, com Noé, com os israelitas no Egito, com o salmista, com todos na oração do Pai Nosso, etc.

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    2. Sobre o ponto (6), Paulo consolou os tessalonicenses com a esperança da RESSURREIÇÃO e não do arrebatamento, embora ele exista e seja pós-tribulacional. A pergunta que os tessalonicenses estavam fazendo não era se nós (os vivos) vamos ou não estar com Cristo um dia, mas sim se OS MORTOS já estavam mortos para sempre (sem esperança) ou se eles estariam com Cristo algum dia, e Paulo aponta a RESSURREIÇÃO como sendo esse dia quando mortos e vivos estarão para sempre com o Senhor.

      Sobre o ponto (7), concordo com ele e não há nada aí que aponte para um arrebatamento pré-tribulacional.

      Sobre os pontos (8) e (9), essa de sermos deixados para trás é puro MITO DISPENSACIONALISTA, não há lugar nenhum da Bíblia afirmando isso. Ao contrário, vemos Jesus ao longo de todo o capítulo de Mateus 24 e Marcos 13 afirmando que os seus discípulos PASSARIAM POR TODAS AS TRIBULAÇÕES e que o arrebatamento só viria no fim delas, e não no início:

      9 Mas olhai por vós mesmos, porque vos entregarão aos concílios e às sinagogas;
      e sereis açoitados, e sereis apresentados perante presidentes e reis,
      por amor de mim, para lhes servir de testemunho.
      10 Mas importa que o evangelho seja primeiramente pregado entre todas as nações.
      11 Quando, pois, vos conduzirem e vos entregarem,
      não estejais solícitos de antemão pelo que haveis de dizer, nem premediteis;
      mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai,
      porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo.
      12 E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho;
      e levantar-se-ão os filhos contra os pais, e os farão morrer.
      13 E sereis odiados por todos por amor do meu nome;
      mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo.
      14 Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento,
      que foi predito por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda),
      então os que estiverem na Judéia fujam para os montes.
      15 E o que estiver sobre o telhado não desça para casa,
      nem entre a tomar coisa alguma de sua casa;
      16 E o que estiver no campo não volte atrás, para tomar as suas vestes.
      17 Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias!
      18 Orai, pois, para que a vossa fuga não suceda no inverno.
      19 Porque naqueles dias haverá uma aflição tal,
      qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora,
      nem jamais haverá.
      20 E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria;
      mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.
      21 E então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo; ou: Ei-lo ali;não acrediteis.
      22 Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas,
      e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.
      23 Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo.
      24 Ora, naqueles dias, depois daquela aflição,
      o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz.
      25 E as estrelas cairão do céu,
      e as forças que estão nos céus serão abaladas.
      26 E então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.
      27 E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos,
      desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu.
      (Marcos 13:1-27)

      Jesus disse aos seus seguidores que eles seriam entregues aos concílios e às sinagogas (v.9), que eles seria açoitados e perseguidos (vs.9-11), que eles seriam odiados neste tempo e teriam que perseverar até o fim da tribulação (v.13), que teriam que fugir para os montes (v.14), que passariam pela maior aflição que já passou pela terra (v.19), que haveriam eleitos naqueles dias (v.20), que só depois de todas essas coisas veriam a volta de Jesus (v.26), e que só depois disso seriam arrebatados para estar com Cristo (v.27).

      Dezenove séculos mais tarde veio John Darby pregando que os crentes não passarão por nada disso e que serão arrebatados antes mesmo da tribulação chegar, e tem gente que prefere acreditar neste homem do que em Jesus Cristo.

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  3. Sou a favor do "arrebatamento por partes" onde os crentes maduros (as primicias) são arrebatados na metade da "última semana" e o restante dos crentes são deixados na grande tribulação.

    Em (Mt 24:40-41) penso que as pessoas "levadas" ou melhor "tomadas" são os cristãos vencedores, os quais serão arrebatados antes da grande tribulação diretamente para o "Sião Celestial" (Ap 14:1-5). E como posso usar a passagem em Mateus para mostrar isso.

    As pessoas levadas em (Mt 24:39), os impíos, foram "ἦρεν" (levadas do meio dos vivos de forma violenta -- Thayer's Greek Lexicon). Já as pessoas em (Mt 24:40-41) serão "παραλαμβάνεται" (tomadas para alguém -- Thayer's Greek Lexicon), ou seja, arrebatadas. Temos de perceber ainda que no início do versículo (40), existe um "então", o qual marca uma transição entre os impíos e os cristãos. Assim sendo, creio que "os dois" e "as duas" são todos cristãos, e a imagem nos mostra que alguns são arrebatados e outros são deixados, para que venham a ser arrebatados somente no fim da "última semana", e desta vez, para os ares (1Ts 4:15-17).

    Paz de Cristo a todos vós irmãos!

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    1. Olá, Rodrigo, a paz de Cristo.

      Respeito a sua opinião, mas não creio que ela seja exegeticamente plausível, pois tornaria inválida e fútil a analogia feita por Cristo. Você reconhece que no verso 39 o “levados” se refere aos ímpios, mas diz que no verso 40 o “levados” se refere aos crentes. Isso acabaria por destruir a analogia feita por Jesus, especialmente em cima do “levado” e “deixado”:

      Mateus 24
      37 E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.
      38 Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca,
      39 E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.
      40 Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro.

      Note que Jesus diz no verso 37: “ASSIM TAMBÉM SERÁ”; ou seja, DA MESMA FORMA que foi exposto na analogia feita por Ele. Sendo assim, estabelecer que o “levado” se refira aos ímpios na analogia e aos crentes na analogia mas DIFERENTEMENTE ocorrerá no fim dos tempos (i.e, o “levados” e o “deixados” se inverterem de posição) é desfazer a aplicação da analogia, e neste caso seria mais provável que Cristo dissesse que “DIFERENTEMENTE DE COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ...”, e não: “ASSIM COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ”...”.

      O “assim como” e o “da mesma forma” que estão no verso 37 não deixam dúvidas de que o “levados” e o “deixados” tem que se referir às mesmas coisas ou senão toda a analogia iria para o lixo. A analogia perderia o sentido e por este prisma não seria uma analogia mas sim uma antítese, quebrando a lógica do verso 37. Além disso, ainda que as palavras usadas no verso 39 e no verso 40 sejam distintas, elas não deixam de serem sinônimas. Confira na Concordância de Strong:

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    2. 142 αιρω airo
      uma raíz primária; TDNT - 1:185,28; v
      1) levantar, elevar, erguer
      1a) levantar do chão, pegar: pedras
      1b) erguer, elevar, levantar: a mão
      1c) içar: um peixe
      2) tomar sobre si e carregar o que foi levantado, levar
      3) levar embora o que foi levantado, levar
      3a) mover de seu lugar
      3b) cortar ou afastar o que está ligado a algo
      3c) remover
      3d) levar, entusiasmar-se, ficar exaltado
      3e) apropriar-se do que é tomado
      3f) afastar de alguém o que é dele ou que está confiado a ele, levar pela força
      3g) levar e utilizar para alguma finalidade
      3h) tirar de entre os vivos, seja pela morte natural ou pela violência
      3i) motivo para parar

      3880 παραλαμβνω paralambano
      de 3844 e 2983; TDNT - 4:11,495; v
      1) tomar a, levar consigo, associá-lo consigo
      1a) um associado, companheiro
      1b) metáf.
      1b1) aceitar ou reconhecer que alguém é tal como ele professa ser
      1b2) não rejeitar, não recusar obediência
      2) receber algo transmitido
      2a) ofício a ser cumprido ou desempenhádo
      2b) receber com a mente
      2b1) por transmissão oral: dos autores de quem a tradição procede
      2b2) pela narração a outros, pela instrução de mestres (usado para discípulos)

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    3. Tanto αιρω quanto παραλαμβνω podem ser utilizadas no sentido de “tomar/levar” como também em outros sentidos secundários, e tanto uma como a outra podem ser utilizadas no sentido de “tomar para si” ou “levar consigo”. Portanto, embora sejam palavras diferentes, elas não deixam de serem sinônimas. O “então” do verso 40 não está ali para desconfigurar a analogia ou estabelecê-la pelo inverso, mas significa “naquele momento/naquele instante”, isto é, quando vier a grande tribulação de que Cristo falava ao longo de todo aquele capítulo de Mateus 24, havendo a correta ligação analógica entre os que foram “levados” (ímpios) e os “deixados” (justos) naqueles dois acontecimentos aos quais ele fez menção.

      O arrebatamento só pode ser pós-tribulacional porque a ressurreição é pós-tribulacional (Ap.20:4-5), e o arrebatamento é posterior à ressurreição e não antes dela (1Ts.4:15-17). Usar o texto de Paulo aos tessalonicenses como base para um “segundo arrebatamento” dos que foram “deixados para trás” é um tremendo nonsense, visto que Paulo não iria se incluir entre aqueles que seriam “deixados para trás”, mas obviamente entre os salvos. Ele usa a primeira pessoa em 1ª Tessalonicenses 4:15, e se Paulo tinha a segurança de sua própria salvação, como vemos que ele tinha (2Tm.4:8), ele não poderia se incluir em um suposto grupo de pessoas não-salvas e que foram deixadas para trás após o arrebatamento secreto para serem arrebatadas posteriormente.

      Sendo assim, esse arrebatamento só pode se referir ao arrebatamento dos salvos, após a grande tribulação, e não de seres “deixados para trás” após não serem levados por outro arrebatamento sete anos antes.

      Que Deus lhe abençoe.

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    4. Bem, vamos então por partes...

      1 - Penso que o uso das duas palavras distintas não foi mero "acaso". O uso de cada uma delas denota um aspecto distinto de ser "levado". Creio que existe sim uma dificuldade em determinarmos exatamente se as pessoas do (40 e 41) são as mesmas pessoas do (38 e 39). Eu sei, pode parecer tolice dizer que existe mais de um grupo nesses quatro versículos, mas quando levo em consideração o (42), a exortação do Senhor ali parece ser dirigida a cristãos e as pessoas do (40-41) não me pareciam estar praticando nada "errado", antes estavam trabalhando.

      2 - Concordo que a palavra "então" no início do versículo (40) denota "naquele instante". E penso que ela mostra que, no instante em que os impios estiverem "curtindo a vida" então os cristãos passarão pela "primeira parte do arrebatamento", a qual ocorreria na metade dos sete anos, e demarcaria o início da grande tribulação.

      3 - A analogia do Senhor me parece estar presente em (37-39) o "inicio" dela está em "E, como foi nos dias", e o fim dela está em "assim será também". Ou seja, é uma analogia aos impios, e à sua situação naquele tempo. Neste mesmo tempo, os cristãos passarão pelo arrebatamento (40-42).

      4 - No dilúvio "todos foram levados", ou seja, todos morreram. Em (40-41), um é tomado e o outro é deixado. A palavra (40-41), como mostrei antes, não associa este "tomar/levar" à morte, como é o caso da palavra em (39). Você entende que os "levados" são os impios e que os que são "deixados" são os cristãos. Eu entendo que os que são "levados" são os arrebatados como "as primícias" e que os deixados são os cristãos "irresponsáveis". Eu vou reler o seu texto acima, porque estou um pouco confuso quanto ao que ocorreria a estes que são "deixados" na sua opinião, talvez tenha sido falta de atenção da minha parte. Mas, eu creio que em (Mt 13:30) a palavra seja sobre o momento no fim da grande tribulação, assim isso não quebra a lógica do meu entendimento quanto a (Mt 24:40-41). Além do mais, o "joio" são os "falsos crentes", no meu entendimento, enquanto que os "deixados" são cristãos genuínos, porém, imaturos. São duas classes bem distintas de pessoas, o "joio" nem sequer possui a vida eterna. Não defendo a visão de Darby, na verdade nem li muito sobre o entendimento dele, ele ainda está na minha "lista de espera" de estudos bíblicos, eheh.

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    5. 5 - Sobre o arrebatamento, eu entendo que "o filho varão" são os "cristãos maduros" das eras passadas (Ap 12:5, 11; Fp 3:10-11), os quais são ressuscitados, e arrebatados para o "trono de Deus". Paulo falou sobre uma "ressurreição extraordinária" (Fp 3:10-11), a qual ele buscava. Na carta aos hebreus, o autor (creio que Paulo) também mostra sobre uma "ressurreição especial" (Hb 11:35). Os crentes maduros serão arrebatados diretamente ao "Sião Celestial" (Ap 14:1-5), diferente do que ocorre no fim da grande tribulação, quando o arrebatamento é para "os ares" (1Ts 4:15-17; Ap 14:14-16). E creio que existe um grupo de cristãos, uma minoria, que não passará pela grande tribulação (Ap 3:10; Lc 21:36). Acho até que seria lógico, isso, ou seja, os cristãos maduros não precisarão da grande tribulação, para serem "lapidados" pela perseguição.

      6 - No meu entendimento bíblico, todas as pessoas "deixadas", e Paulo se incluiu entre elas pois sabia que ele era cristão também, serão cristãos, portadores da vida eterna. Assim, Paulo sabia que no mínimo, ele estaria entre estes, mas como ele mesmo fala, ele "seguia correndo" em busca da "ressurreição extraordinária". Assim, pelo meu entendimento, não existe nenhum problema lógico no que Paulo falou, ele apenas demonstrou uma certeza e além disso ele exibe a sua busca, a qual, creio eu, deve ser a busca de todo cristão. Se eu fosse Paulo, e tenho ciência de que estou bem distante dele ainda (espero que não seja sempre "ainda", ehehehe), e entendendo a Bíblia como entendo, eu escreveria a passagem em (1Ts 4:15-17) da mesma forma que ele.

      Por fim, sei que neste ponto temos visões bem distintas. Mas creio que o que vale primariamente é tudo o que o Senhor Jesus fez por nós, tudo o que Ele conquistou e nos ofereceu. Creio que mediante a fé, podemos receber todas essa "oferta espiritual", a qual nos transforma interiormente e nos conforma à imagem do Primogênito. Penso que o desfrute da pessoa de Cristo deve ser o mais importante em nossas caminhadas cristãs. Quanto às doutrinas, melhor descansarmos no Senhor! Se "o Dia" chegar e estivermos vivos, e tivermos de passar todos pela grande tribulação, então, amém, que seja da forma como o Senhor desejar, pois todas as coisas cooperam para o nosso bem. Abraço, e que a paz do Senhor esteja contigo!

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    6. Olá, Rodrigo, a paz.

      1) Todo o contexto é aplicado a todos os ouvintes, como uma admoestação e uma advertência a todos. Os versos 40-41 realmente não parecem mostrar nenhuma atitude errada por estarem trabalhando se for analisada de forma isolada, mas pelo contexto podemos entender aquilo que Cristo estava dizendo:

      Mateus 24
      42 Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.
      43 Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.
      44 Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis.
      45 Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo?
      46 Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim.
      47 Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.
      48 Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá;
      49 E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios,
      50 Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe,
      51 E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes.

      Em outras palavras, está IMPLÍCITO na analogia dos versos 40-41 que os que forem "levados" (mortos) foram os que não vigiaram (vs.48-51), ou seja, que se perderam com o tempo e passaram a serem pessoas ímpias, ao passo que os que foram "deixados" (vivos) foram os que se mantiveram em vigilância (vs.45-46). Portanto, embora os versos 40-41 sozinhos não pareçam demonstrar nada de errado que eles estejam fazendo, o contexto deixa claro esse fato.

      2) Nós dois concordamos que o "então" denomina "naquele instante", mas a minha interpretação é de que naquele momento os ímpios serão levados (mortos) e os crentes serão deixados (vivos) para o Reino Milenar. Penso que minha interpretação é mais plausível por causa do contexto, que mostra ímpios sendo levados MORTOS (v.39) e justos sendo deixados vivos NESTA TERRA (v.38), e não arrebatados para algum lugar celestial. Portanto, diante do contexto, creio ser inegável que a minha interpretação é mais plausível, embora respeite a sua visão.

      3) Não creio que a analogia esteja limitada dos versos 37 ao 39. O "então" do verso 40 o liga ao verso 39, não se aplica o "então" onde não há ligação com algum fato relatado anteriormente. A analogia vale para os ímpios mas TAMBÉM se aplica aos cristãos. Os ímpios da analogia são aqueles que zombavam de Noé, ao passo que os justos da analogia são Noé e sua família. Portanto, vejo os versos 40 e 41 como um complemento (e conclusão) dos versos anteriores (37-39), onde a analogia é esclarecida na prática.

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    7. 4) Não creio que os “levados” sejam a “primícia”, primeiramente porque a Bíblia não fala em lugar nenhum de dois arrebatamentos ou de arrebatamento em duas fases, fala apenas e tão somente de um único arrebatamento. Em todo o discurso de Cristo em Mateus 24, ele situa o arrebatamento apenas em um único momento, que é no verso 31, que diz que “ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (v.31). Note que isso ocorre DEPOIS do relato integral da grande tribulação, e em momento algum há alguma citação de um arrebatamento NO INÍCIO deste discurso da tribulação (pré-tribulacional) ou no MEIO dela (midi-tribulacional)

      Portanto, só existe um arrebatamento e esse é PÓS-tribulacional. Você diz que o "joio" são os "falsos crentes", enquanto que os "deixados" são cristãos genuínos, porém, imaturos. Mas o ponto principal deste argumento é precisamente o fato de que Jesus disse que o joio será recolhido ANTES do trigo (Mt.13:30), enquanto que, na sua visão, é o trigo que é recolhido antes do joio, pois para você os cristãos maduros serão arrebatados antes e os crentes imaturos depois. É aí que reside a contradição entre o pensamento pré/midi-tribulacional e a Bíblia.

      5) Eu não vejo nenhuma “ressurreição extraordinária” em Filipenses 3:10-11, vejo apenas uma descrição normal e natural da ressurreição dos mortos:

      “Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos” (Filipenses 3:10-11)

      O texto de Hebreus 11:35 também não mostra nenhuma “ressurreição especial”, ele simplesmente diz:

      “Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior” (Hebreus 11:35)

      A “ressurreição superior” aqui descrita não é o retrato de uma ressurreição DIFERENTE da ressurreição geral dos mortos descrita no NT, mas está ali para ressaltar a diferenciação entre essa ressurreição FUTURA em relação à ressurreição PASSADA que é registrada no início do verso. Ele diz que mulheres receberam de volta seus filhos através da RESSURREIÇÃO, obviamente uma ressurreição corporal ainda em vida, e que outros aceitaram a morte porque esperavam uma OUTRA ressurreição, que não era a ressurreição para ESTA vida, mas a ressurreição para a vida PÓSTUMA, por isso o “SUPERIOR” ali, para destacar a supremacia da ressurreição para a vida eterna em relação à ressurreição para a vida terrena, e não para diferenciar uma ressurreição póstuma de outra ressurreição póstuma.

      Não vejo contradição entre Apocalipse 14:1-5 e 1ª Tessalonicenses 4:15-17 só porque um fala de arrebatamento “nos ares” e outro de pessoas justas no “monte Sião”. Eles não poderiam ter sido arrebatados nos ares e depois passarem ao monte Sião espiritual, ou vice-versa? Por que teria que ser uma coisa ou outra?

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    8. 6) Você disse neste ponto:

      “No meu entendimento bíblico, todas as pessoas "deixadas", e Paulo se incluiu entre elas pois sabia que ele era cristão também, serão cristãos, portadores da vida eterna”

      Se os “levados” e o “deixados” são dois grupos diferentes de CRISTÃOS, seria difícil explicar aquela continuidade do verso que eu mostrei no ponto 1, onde Cristo explica e mostra um contraste entre dois grupos, salvos e ímpios (Mt.24:42-51). Esse adendo explicativo que Jesus faz só faria sentido se realmente o “deixados” e o “levados” que ele acabara de dizer nos versos anteriores se refira a justos e ímpios.

      Se os crentes levados são os cristãos MADUROS, como você disse, então ainda não vejo como que Paulo não iria se colocar entre estes cristãos. Se o apóstolo Paulo, que era o que mais trabalhava (1Co.15:10) e era identificado como sendo o principal cabeça dos cristãos (At.24:5) era um crente IMATURO, então creio que não existirão crentes maduros o suficiente para serem “levados” antes do fim da tribulação, a não ser que neste mundo hajam muitos crentes melhores que o apóstolo Paulo! Porém, se Paulo era realmente um cristão maduro, isso iria contra o pré-tribulacionismo, uma vez sendo que ele se coloca entre os ressurretos de 1Ts.4:15-17, que é DEPOIS e não antes da tribulação apocalíptica.

      Por fim, quero dizer que concordo com você, o mais importante é vivermos o evangelho cristocêntrico, independentemente se o arrebatamento é pré, midi ou pós tribulacional, e anunciando o evangelho a toda criatura, “esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2Pe.3:12).

      Que Deus lhe abençoe e um forte abraço.

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  4. Em João14.1-3, Jesus prometeu levar a sua Igreja para o Céu. Qual seria o motivo? Vejamos Apocalipse 3.10-Guardar a Igreja da Grande Tribulação. Observe a preposição "de", "fora da" é usada em Apocalipse 3.10, e não a preposição "na", "dentro da". Creio que o motivo do arrebatamento esteja em poupar a Igreja do período da Grande Tribulação. Assim como Ló foi tirado de Sodoma, antes do juízo daquela cidade, Jesus tirará o seu povo da Terra antes que venha o terrível Dia de Jeová-Gênesis18. 23,32; 19.12-14; Isaías13.6-11.

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    1. Sobre o texto de Apocalipse 3:10, ele favorece MUITO MAIS o pós-tribulacionismo do que o pré, e isso porque a palavra utilizada por João quando disse que Jesus nos guardará da tribulação é [ek], que significa, de acordo com os léxicos do grego (como o de Strong), "DE DENTRO DE". Em outras palavras, quando ele disse que Deus nos guardará da tribulação ele não estava dizendo nada a mais que isso: que Ele nos guardará de DENTRO da tribulação, ou seja, que estaremos nela, mas que seremos protegidos por Deus em meio àquilo. Se o apóstolo João fosse pré-tribulacionista ele não teria empregado a preposição ek, que significa “de dentro de” ou “fora de um lugar onde estava antes” (dois significados que contrariam o dispensacionalismo, pois prova que os crentes estarão dentro da tribulação ou serão guardados nela), mas sim a preposição πρό, que significa “antes de”. Neste caso, o texto seria entendido como: “te guardarei antes da hora da provação”, o que aí sim traria algum sentido à tese pré-tribulacionista. João tinha essa preposição pronta, a mão, que poderia perfeitamente ter sido utilizada por ele caso ele quisesse, mas, ao contrário, ele deliberadamente decide empregar a preposição ek, que passa um sentido completamente oposto ao oferecido pelos dispensacionalistas, pois prova que a Igreja estará dentro da tribulação, embora protegida por Deus.

      Em segundo lugar, quando Deus decidiu destruir o mundo inteiro com um dilúvio, ele não optou por arrebatar Noé e sua família para depois de a chuva passar colocá-los de volta a salvos em terra firme (como pensam os pré-tribulacionistas quanto à tribulação, em que os salvos seriam arrebatados, ficariam no Céu enquanto o circo pega fogo na terra e voltariam a ela depois para passarem o milênio), mas optou pelo contrário: deixar Noé e sua família o tempo todo neste planeta, embora protegidos por Deus das catástrofes.

      Assim sendo, o fato de a tribulação ser em primeiro lugar para provar os israelitas não implica de modo nenhum que a Igreja tenha de ser tirada da terra. O dilúvio também não era para condenar Noé e sua família, mas eles não foram tirados da terra por isso. As pragas do Egito também não eram para provar os israelitas, mas eles não foram tirados da terra por isso. O mesmo pode-se dizer do fogo que caiu sobre Sodoma e Gomorra, dos sete anos de fome no Egito, e assim por diante.

      Em resumo, o que acontecerá com a Igreja na grande tribulação será exatamente o cumprimento da oração de Jesus: “não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo.17:15). Não seremos “tirados” desta terra, como querem os pré-tribulacionistas, mas seremos guardados do maligno.

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  5. Excelente artigo! Bastante esclarecedor! Tenho umas dúvidas na montagem da sequência dos fatos que eu creio ter entendido através dos seus ótimos artigos. Você poderia ver se há algum erro?! FATO 1: Na vinda de Cristo, todos os ímpios morrem, os mortos em Cristo ressuscitam e ocorre o arrebatamento. FATO 2: Os salvos então, todos eles (não há crentes mortos), reinam os 1000 anos com Cristo na terra, não existindo ímpios vivos nesse período. DÚVIDA 1: Ap 20:4 fala do julgamento dos cristãos que morreram na tribulação, mas pode-se deduzir que é também + ou - neste momento que ocorre o julgamento dos outros cristãos (os que morreram antes da tribulação e os que se mantiveram vivos)? FATO 3: Após os 1000 anos, satanás é solto e os ímpios ressuscitam; ele, então, ajunta esses ímpios recém ressurretos p/ batalhar contra o reino de Cristo. FATO 4: Desce fogo do céu e os devora, matando-os. FATO 5: Após isso, ocorre o julgamento de Ap 20:11 (trono branco). DÚVIDA 2: Como se dá tal julgamento? Isto pq, como os ímpios foram devorados pelo fogo do céu APÓS ressurretos, eles morreram NOVAMENTE. Mas o texto bíblico dá a impressão que os mortos se ajuntam diante de Deus, não sendo portanto um juízo "privado", digamos assim. E como não temos uma alma p/ ser julgada, e sim somos uma alma, seria necessário aos que morreram RESSUSCITAREM NOVAMENTE p/ serem julgados. Não teriam como ser lançados no Lago de Fogo, já estando mortos. Os ímpios então morreriam 3 vezes: 1a, na vinda de Cristo; 2a, com o fogo do céu; 3a e definitiva, após lançados no lago de fogo. Isto, óbvio, é absurdo, pois a própria bíblia só fala de 2a morte e uma ressurreição p/ as pessoas... Ouvi dizer que esse julgamento ocorre logo após a ressurreição, e está de acordo com Hb 9:27. Mas há conflito de eventos: o que ocorre logo após a ressurreição é o cerco ao arraial dos santos, e não o lançamento no lago de fogo. Ouvi tb que o julgamento seria "espiritualizado" mas, como disse antes, não existe isso de os corpos estarem mortos e os "espíritos" ou "almas" sendo julgados. DÚVIDA 3: Vc tem alguma pista de em que estado se encontrará o não salvo que estiver "pagando a sua pena" recebida após o julgamento, antes de ser lançado no Lago de Fogo e cessar de existir? Será num corpo material normal, ou passará por alguma espécie de transformação (já que não será uma "alma" imortal pegando fogo por toda eternidade)? Perdão pelo longo texto! Forte abraço, e parabéns pelos seus sites! Deus lhe abençõe!!

    Att,

    Luiz

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    1. Olá, Luiz. Antes de mais nada, recomendo-lhe a leitura de meu livro (agora completo) sobre o tema, creio que muitas dessas questões são respondidas melhor ali:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/meu-novo-livro-igreja-na-grande.html

      Sobre as dúvidas, vejamos:

      (1) Como eu creio (à luz do contexto de Ap.20:4-5) que só os mártires ressuscitam ali, são somente eles que são julgados naquela ocasião (os demais são julgados em Ap.20:11-12).

      (2) João não segue uma ordem necessariamente cronológica em seu livro, eu creio que o julgamento descrito em Apocalipse 20:11-12 ocorre antes da destruição do verso 9. Ou seja: eles ressuscitam, são imediatamente julgados e em seguida "batalham" com Satanás para sofrerem e serem destruídos. Isso é muito mais lógico à luz de Hebreus 9:27, que diz que o juízo sucede imediatamente a morte. Ou seja: eles morrem, e imediatamente ao ressuscitarem a primeira coisa que ocorre (o primeiro acontecimento temporal) é o juízo.

      Seria um "confronto de eventos" se o Apocalipse fosse sempre cronologicamente rigoroso como os outros livros, mas não é. Em Apocalipse 14:7, por exemplo, João diz: "Temam a Deus e glorifiquem-no, pois CHEGOU A HORA do seu juízo" (Ap.14:7), mas esse juízo só ocorreria no capítulo 20. Da mesma forma, a colheita que prefigura o fim aparece em Apocalipse 14:15, mas o fim mesmo só ocorre em Apocalipse 19 e 20. João simplesmente relatava as coisas que via, e nem todas as visões que ele recebia eram cronologicamente exatas e conectadas entre si.

      Sobre o estado do não-salvo no geena, a Bíblia diz que somente os justos ressuscitam com corpos incorruptíveis (Rm.2:7), portanto os ímpios estarão com corpos "naturais", corruptíveis. Se a incorrupção é um prêmio aos que vencerem, então os ímpios não estarão "incorruptos", com corpos gloriosos/imortais.

      Abraços!

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    2. Muito obrigado pela resposta e pelo tempo dispendido. Esclarecedor como sempre! E o livro também é excelente! Só fiquei com uma pequena dúvida: tanto aqui quanto no livro, você diz que a cidade no milênio é morada apenas para os mártires da tribulação (os outros crentes só ressuscitarão após os 1000 anos, juntamente com os ímpios). Mas e o arrebatamento? Como ocorrerá na vinda de Cristo, logo, antes do milênio, os arrebatados tb viverão nesse período? Se sim, isso não iria de encontro com o que Paulo fala em "de modo algum precederemos os que dormem"? Pois, desse modo, os arrebatados vivendo no milênio estariam precedendo os milhões que morreram em Cristo e ainda não ressuscitaram (os apóstolos inclusive!). Lembro que uma vez por e-mail, você mesmo me disse que o julgamento do trono branco era só para os ímpios. Dentre outros, um dos motivos era o de que este julgamento se refere às obras (o que, todos sabem, não salvam ninguém), e etc.

      Att,

      Luiz

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    3. Olá, Luiz. Eu escrevi sobre isso na página 80 do livro:

      "...ele descerá dos céus sob uma nuvem com os anjos e os mártires ressurretos, arrebatará sua Igreja e descerá com ela à terra, para celebrar as Bodas do Cordeiro e passar o milênio em Jerusalém"

      Ou seja: Cristo ressuscita os mártires e desce com eles até as nuvens, arrebatando os santos vivos que vão ao seu encontro nas nuvens e depois descendo com eles [os mártires ressurretos e os vivos arrebatados] à terra para estabelecer seu Reino milenar. "Os que dormem" em 1Ts.4:15 se refere a esses mártires que ressuscitarão (os vivos arrebatados não precederão a eles), porque, no verso seguinte, Paulo diz que se refere à "primeira ressurreição", os que "ressuscitarão primeiro" (v.16), que é o equivalente à "primeira ressurreição" do Ap.20:4, que João diz que é só dos mártires.

      Quanto ao grande trono branco, há várias possibilidades, mas na minha opinião somente os ímpios são julgados ali, pelos motivos que eu já expliquei em minha outra mensagem (por e-mail). Os justos que ressuscitam na segunda ressurreição devem passar por um julgamento particular que João não descreveu naquele contexto, mas que o autor de Hebreus disse que ocorre logo após a morte (Hb.9:27) e Paulo chamou de "tribunal de Cristo" (2Co.5:10).

      Deus te abençoe!

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    4. Só para acrescentar: há duas possibilidades plausíveis quanto aos que dormem em 1Ts.4:15: pode ser uma referência aos mártires de Ap.20:4, ou pode ser uma referência a todos os justos que já morreram, e neste caso os "mártires" de Ap.20:4 seria uma referência a todos os justos que já morreram e que passariam o milênio aqui na terra. Mas em ambos os casos, de um jeito ou de outro, o grande trono branco seria uma referência aos ímpios, porque no primeiro caso o juízo dos justos que morreram antes da tribulação seria depois da segunda ressurreição e antes do grande trono branco, e no segundo caso seria logo depois da primeira ressurreição. Abraços!

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    5. Mais uma vez só tenho a agradecer a resposta! Prosseguindo na batalha em defesa da fé cristã, que Deus continue lhe abençoando! Abraço!!

      Att,

      Luiz

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  6. Em tempo: em algumas versões, está escrito: 1Ts4:15 "... de modo algum precederemos os que JÁ dormem." Por esta versão, o milênio seria para todos. Talvez o original traga uma conclusão final acerca deste assunto! Forte abraço! Fique com Deus!!

    Att,

    Luiz

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    1. Bem observado. Se é os que já tinham morrido, é mais provável que o milênio seja para todos (a não ser que João estivesse de algum modo complementando Paulo, especificando um grupo especial de martirizados dentre aquilo que Paulo falava em termos gerais como um todo). Abraços!

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  7. Olá Lucas Banzoli

    Boa tarde

    1)Se o pré-tribulacionismo não é correto então como explicar Lucas 21:36 com Apocalipse 7:9 ? Repare que tanto o juízo das sete taças como das trombetas ainda não tinham acontecido.

    2) Em Daniel 9:24 se faz a distinção entre Israel e a Igreja repare que é usada a expressão "santa cidade" que é Jeruslém.

    Um abraço e felicidades

    Luiz

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    1. Oi, Luiz.

      1) "Escapar" (Lc.21:36) ali não é uma referência a "ir pro Céu" ou a "sair da terra", mas sim de preservação espiritual em meio à tribulação terrena. Jesus havia dito claramente aos discípulos que eles seriam perseguidos (v.12), que teriam que fugir (Mt.24:20) e que VERIAM a tribulação acontecendo (v.31), portanto obviamente eles estariam na terra e não no Céu. Este sentido é parecido com o sentido do v.18, que diz que nem um cabelo da vossa cabeça se perderá. Jesus não estava falando da segurança física, pois havia acabado de dizer que os cristãos seriam perseguidos (v.12), presos (v.12), traídos (v.16), odiados (v.17) e mortos (v.16). Ele estava falando da segurança espiritual, daqueles que pela perseverança “ganharão suas almas” (v.19), isto é, serão salvos. Por maior que seja a tribulação, Deus está sempre conosco e está no controle de tudo.

      2) Apocalipse 7:9 é com toda probabilidade simbólico ou uma representação futura dos salvos no Reino de Deus, ou ainda dos salvos na terra que estão espiritualmente com Cristo "nas regiões celestiais" (Ef.2:6).

      3) Eu nunca disse que Igreja=Israel, ou seja, que as duas são a mesma coisa. Eu sou dispensacionalista progressivo e não preterista. Mas o que eu creio (assim como os demais dispensacionalistas progressivos pós-tribulacionistas) é que os israelitas que são salvos passam a ser cristãos e consequentemente são também parte da Igreja, de modo que seria absurdo que a Igreja subisse e os israelitas salvos (que fazem parte da Igreja também) ficassem. Isso obviamente não significa que não exista um estado de Israel como nação política que seja identificado por este termo.

      Abraços.

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  8. Paz irmão Lucas,

    Esta visão pré-tribulacionista eu tenho ouvido deste criança, início dos anos 80, em músicas evangélicas como "O Rei está voltando" e aquela que começava mais ou menos assim: "Muito em breve vai sai uma notícia, que um povo desapareceu...". Confesso que sempre tive um bom sentimento em relação ao que se estava dizendo nestas músicas, pois soam de maneira muito consoladora, o pensar que a Igreja será arrebatada antes da tribulação. No entanto, quando deixei de ser menino e passei a fazer meu livre exame da Bíblia percebi que esta visão estava equivocada principalmente pelo seguintes motivos:

    Esta visão separava a volta do Senhor em dois eventos: um para arrebatar a igreja em secreto e outro para juízo. Mas a minha leitura da Bíblia, a esperança alimentada é somente para um único evento, visto por todos com a promessa de:1) Ressurreição dos mortos 2) Arrebatar a Igreja 3) Julgar o mundo

    E também, se esta segunda vinda de Cristo era um único evento e ocorre claramente após a Grande Tributação, logicamente que a Igreja estaria presente na terra durante este evento.

    Assim, percebi que embora muito bonita a história que se quer desenhar do futuro na visão pré-tribulacionista é fantasiosa demais, muito especulativa e carente de base bíblica.

    Parabéns por derrubar mais uma lenda, embora muitos, mesmo depois de ler seus argumentos continuarão com uma falsa perspectiva do futuro e talvez despreparados para o que estar por vir. Será que decepcionados por não terem sido arrebatados apostatarão da sua fé? Espero sinceramente que não.

    Paz.

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    1. Muito legal seu testemunho, Jacob. Creio que todos nós, de alguma forma, fomos influenciados desde criança pela crença em um arrebatamento pré-tribulacional, e muitos não conseguem se libertar desta crendice popular mais tarde. Eu escrevi um livro sobre isso, caso deseje ler:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/meu-novo-livro-igreja-na-grande.html

      Grande abraço!

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