Os zumbis contra o livre exame


Ontem um amigo me perguntou: “O que é o livre exame?”.

Boa pergunta. Estamos sempre defendendo o livre-exame, mas poucas vezes definindo o que ele é. Isso é ainda mais particularmente importante uma vez que vemos inúmeros militantes católicos pipocando na internet com textos risíveis que distorcem grosseiramente o significado real do “livre exame” protestante, aquele tão defendido pelos reformadores. Para os autoproclamados apologistas católicos de plantão, o “livre exame” significa isso:

• O direito de cada protestante interpretar a Bíblia do jeito que quiser e achar que está certo.

• Algo que torna cada protestante seu próprio “papa”, ou seja, alguém que tem as “interpretações infalíveis” para cada questão.

• O princípio pelo qual todo protestante se considera “inspirado pelo Espírito Santo” para fazer milhares de interpretações diferentes de um mesmo texto bíblico.

É lógico que tudo isso são espantalhos, ou seja, caricaturas feitas pelos papistas com o único intuito de deformar e distorcer o sentido real de livre exame, tornando-o mais conveniente para as suas próprias refutações, além de mais distante de um senso comum de aceitação lógica. O livre exame evangélico, no entanto, não se assemelha a nenhum destes três aspectos amplamente divulgados pelo debatedor romanista. Como podemos, então, definir o livre exame, em seu sentido original e puro? Embora haja diferentes definições, a minha definição é a seguinte:

• Livre exame é o princípio pelo qual nós (cristãos) somos livres para examinar os textos bíblicos, comparando as mais diversas opiniões e interpretações de exegetas, teólogos e sacerdotes ao longo da história, e concluir por nós mesmos qual visão é a mais consistente, seguindo a nossa consciência individual.

Talvez essa definição tenha ficado um pouco confusa. Vamos trabalhar, então, com analogias que tornem este sentido mais claro. Pensemos na política. Eu amo política. Só não escrevo artigos sobre política atualmente porque existem milhares e milhares de escritores de todas as mais diferentes correntes políticas, cada qual defendendo seu próprio ponto de vista, razão pela qual eu dou prioridade à teologia, que carece de mais comentaristas e explanações. No entanto, imagine se alguém considerasse a política como algo “simples”, do tipo: basta concordar com Karl Marx e segui-lo em tudo o que ele escreveu.

Imagine que essas pessoas glorifiquem Marx e o coloquem como o Supra-Sumo da política, e por fim o dotem de “infalibilidade” política, dizendo que ele não pode errar em nada que seja de matéria política. O que aconteceria? Simplesmente que ninguém mais teria liberdade para pensar por si mesmo, ou para questionar Marx em algum ponto. Ele seria obrigado a concordar com Marx em tudo, até mesmo em seus mínimos detalhes. O que Marx disse está dito, e você é forçado a concordar com ele em tudo, limitando-se ao papel de papagaio de Marx. Certamente o que resultaria disso seria que, em pouco tempo, haveria milhões de pessoas dizendo que as outras devem “perecer no holocausto revolucionário”[1], como Marx dizia.

Para não dizerem que eu estou puxando o saco da direita, pensemos naquele que é hoje considerado o maior ícone da direita no Brasil: Olavo de Carvalho. Imagine se todos os direitistas deste país fossem obrigados a concordar com Olavo em tudo. Imagine se eles considerassem suas falas, vídeos, artigos e livros como “infalíveis”, e tivessem que engolir cada palavra dita pelo filósofo ao invés de comparar as mais diversas opiniões em cada aspecto e só reter para si aquilo que achar melhor. Certamente em pouco tempo haveria milhões de pessoas crendo que a Pepsi usa células de fetos abortados[2] e que não há provas contra o geocentrismo[3] – duas coisas já afirmadas por Olavo.

O ponto em questão é que o mais natural, lógico e racional obtido através do bom senso não é de que haja uma pessoa humana infalível aqui na terra e que toda a verdade esteja com ela, mas sim que cada pessoa é livre para analisar e avaliar as mais diferentes correntes políticas e os mais diversos pensadores políticos e que, ao comparar o que cada um disse, possa filtrar para si o que há de melhor. Ele vai ler diversos teóricos, filósofos e políticos até formar a sua opinião pessoal. E o detalhe é que essa opinião pessoal será nada a menos do que aquilo que a consciência individual do indivíduo lhe diz ser a verdade. Ele não se restringe a seguir a consciência de outro; ao contrário, ele segue a sua própria consciência, aquilo que lhe parece mais convincente e verdadeiro. Sua consciência não lhe é roubada.

Incontestavelmente, todos nós seguimos nossa consciência individual em nosso cotidiano – até mesmo os católicos mais fanáticos. Se fazemos parte de um júri, nós observamos atentamente os argumentos de ambos os lados – do advogado e do promotor de justiça – e seguimos nossa consciência individual para decidir qual dos dois lados foi mais convincente, cuja condenação (ou absolvição) parece ser a mais razoável. Um juiz de futebol tem que seguir sua consciência para decidir, em uma fração de segundos, se um lance foi falta ou não, de acordo com as regras do esporte.

Nós também seguimos nossa consciência para decidir o que seremos na vida. Se você é bom em matemática, é muito provável que você não preste vestibular em letras, porque sua consciência individual lhe diz que você teria mais chances de se dar bem no futuro se seguisse aquilo que sabe fazer melhor. E quando estamos fazendo o vestibular, ao invés de colar a resposta do aluno ao lado, nós seguimos o que a nossa consciência individual nos diz que é a resposta certa (e se a nossa consciência não disser nada, chutamos!).

Também apelamos à nossa consciência e a usamos nas coisas mais simples do dia a dia: se sabemos que pode chover, trazemos um guarda-chuva antes de sair à rua; se temos um compromisso importante pela manhã, colocamos um despertador ao invés de contar com a sorte; se vemos alguém vestido com camisa do Corinthians ou do Flamengo indo em direção ao nosso carro enquanto o farol está fechado, pisamos firme no acelerador. Você usa e segue o que a sua consciência lhe diz em cada segundo da sua vida. Você a usa na política, a usa em julgamentos, a usa em avaliações, a sua em situações corriqueiras. Você nunca age na contramão da sua consciência para servir a consciência de outro.

Bem, nem todos.

Existem, para além dos seres humanos normais, os zumbis. O que são zumbis? Zumbis são mortos-vivos, seres privados de vontade própria, sem personalidade. Os zumbis não seguem sua própria consciência individual, a qual lhes é arrancada e programada para apenas seguir certos comandos, os quais elas com toda probabilidade do mundo não seguiriam caso pudessem seguir sua própria consciência. Muitos dos pretensos “apologistas” católicos são mortos-vivos, sem livre-arbítrio e com consciência cativa: são como zumbis. Eles podem até permitir que você siga a sua consciência nas mais diversas situações do cotidiano, mas ai de você se fizer a mesma coisa com a interpretação bíblica! Para eles, quando chega na parte bíblica, você tem que cauterizar sua própria consciência e deixar que um outro ser – no caso, um “papa infalível” – pense em seu lugar.

O pior não é que tais zumbis admitam que tenham a consciência cauterizada e pré-programada para não pensar por si próprios nem tomar suas próprias conclusões: o pior é ver que estes mesmos zumbis ainda querem obrigar a nós, protestantes, a sermos zumbis como eles, e a nos dobrar diante da interpretação de uma única pessoa, o papa (ou seu magistério). O protestante é um ser livre para analisar todas as posições políticas e depois formar sua própria concepção política, e da mesma forma é um ser livre para analisar a opinião de todos os teólogos e vertentes religiosas (inclusive papais) e depois seguir sua própria consciência que lhe diz qual é a mais convincente. O papista, por outro lado, é alguém que até segue sua consciência em questões políticas, mas em questões religiosas cega a si próprio e segue a um papa.

Uma das características dos zumbis, na concepção popular e folclórica, é que o zumbi não se contenta somente em ser um zumbi: ele quer morder as pessoas normais e torná-las zumbis como eles. Da mesma forma, o apologista a serviço de Roma não se contenta em destruir e negar sua própria consciência – ele também quer negar o livre exame aos protestantes, coagindo-os a também se curvar à interpretação de uma pessoa só.

É lógico que cada uma destas visões tem sua consequencia. A consequencia do livre exame protestante é a mudança. Isso meramente significa que, ao percebermos que estamos errados em qualquer coisa na vida, simplesmente fazemos aquilo que é o mais óbvio que devemos fazer: mudar. Caminhar para a direção certa. Corrigir o erro anterior. Essa liberdade existe dentro do protestantismo. No início da fé eu cria em coisas antibíblicas que não creio mais hoje – como arrebatamento pré-tribulacional, imortalidade da alma, tormento eterno, maldição hereditária, teologia da prosperidade e confissão positiva – e mudei após uma análise da Bíblia e dos argumentos prós e contra em cada um dos temas. O protestantismo te dá essa liberdade: se você percebe que está errado em alguma coisa, basta consertar os erros, e você permanece evangélico. Você pode estudar posições contrárias e favoráveis, e se necessário pode também mudar, se aperfeiçoar, corrigir seus erros e seguir sua própria consciência. Ou seja: pode ser honesto consigo mesmo.

Mas se eu fosse católico e estudasse a Bíblia, conferindo as posições contrárias e favoráveis, e minha consciência mostrasse que a posição da Igreja em certa questão está errada, eu teria simplesmente que me calar, obstruir minha própria consciência e fazer de conta que todos aqueles erros são verdades, e que não há problema algum nisso. Eu seria reduzido à mera posição de papagaio de papa, de vaquinha de presépio, de um simples soldado sob as ordens de um ditador. Alguém sem liberdade, sem personalidade, sem individualidade, sem consciência individual. Ou seja: um zumbi. Não poderia ser honesto comigo mesmo, a não ser que deixasse que outra pessoa pensasse em meu lugar – e neste caso teria que contar com muita sorte para que este alguém fosse mesmo infalível, porque senão...

Em meu artigo "O livre exame católico", eu havia escrito:

“Neste e em outros aspectos, o católico tem uma consciência que lhe aponta uma interpretação como sendo a verdadeira, mas se vê forçado a negar e suprimir sua própria consciência para levá-la cativa à interpretação de outro. Se a instituição romana não diz, deve ficar calado e suprimir sua própria consciência. Deve decidir ficar preso ao invés de procurar a Verdade. E se a consciência dele lhe diz coisa diferente do catecismo, deve suprimi-la ainda mais!”

Contra isso, um católico chamado Gledson Meireles escreveu um artigo de refutação em seu blog, onde complica ainda mais as coisas, dizendo:

“Quando isso acontece, o melhor é orar, ter humildade, pedir mais fé e humildade, estudar, fazer o exame das Escrituras, questionar, estudar mais, etc., e submeter-se à verdade, que não é originada em nós, e não vem pela força do homem, mas de Deus”[4]

Você percebeu?

Enquanto nós (evangélicos) dizemos para mudar quando percebemos que estamos errados em algum ponto, o católico insiste que devamos permanecer no erro, mesmo sabendo que estamos errados (em nossa consciência individual). Então, para ele, se nos vemos nesta encruzilhada é melhor fazer de tudo – orar, ter humildade, pedir mais fé, estudar mais (como se o indivíduo em questão ainda não fizesse nada disso!) – menos abandonar a “posição oficial da Igreja”!

E para provar que o apologista católico é mesmo um zumbi, Gledson prossegue dizendo:

“Não, caro Lucas. Se a instituição não diz, talvez a contribuição daquele estudioso pode suscitar um pronunciamento, aprovando ou não aquilo que foi dito. Até então, todos estão livres para apresentar suas opiniões. Uma vez definido algo, todos devem acatar. Obviamente, não de forma mecânica e contra consciência, mas responsável e conscientemente”[5]

Eu fiz questão de sublinhar o “até então”. Para eles, nós somos “livres” para seguir nossa consciência até que surja o posicionamento oficial de uma outra pessoa (o papa) dizendo o que nós devemos crer e no que não devemos crer. Depois disso, temos apenas que nos curvar à opinião do papa, mesmo sabendo que ela está errada, assim como Gelileu teve que “aceitar” que sua teoria era falsa quando sabia que era verdadeira. No protestantismo, você é livre do início ao fim. No catolicismo, você é livre até que o papa fale alguma coisa sobre o tema. Depois disso, você vira um zumbi, cuja única alternativa que tem é a submissão ao papa, e dane-se a sua consciência individual!

É como o inquisidor Macabeus já dizia em um de seus vídeos hilários:

“Jamais o católico seguirá suas opiniões próprias sobre religião. Católico segue a igreja [romana]”

Em outras palavras, ainda que a consciência individual do católico lhe diga que ele está errado em um certo ponto, ele não pode mudar e corrigir seu erro, ao contrário: tem que continuar acreditando mesmo naquilo que sua consciência lhe diz que é errado, porque o que vale é a opinião do papa e não a dele! Você sabe que algo não está certo, mas tem que fazer de conta que está certo. Isso é o catolicismo. É daí que surgem todas as heresias: quando você consegue manipular alguém ao ponto de fazê-lo crer que a Igreja está certa mesmo quando ele pensa que a Igreja está errada. Quando você consegue violar a liberdade de consciência do outro, a lavagem cerebral está concluída e ele virou mais um zumbi em defesa da “causa”. É daí que surgem monstros morais como Macabeus, Edmilson e tantos outros “militantes”.

Tudo o que os falsos profetas querem é que você creia neles, ao invés de seguir a razão. Todo o objetivo da lavagem cerebral é um só: fazer com que você abdique ao direito de pensar e deixe que eles pensem em seu lugar. Fazer com que você pense que está certo mesmo quando acha que está errado. Fazer com que você se veja como um verme pobre, miserável e totalmente carente e desprovido de qualquer capacidade de interpretação bíblica e de análise de argumentos, ao mesmo tempo em que ele se diz o conhecedor de toda a verdade, o cara, o infalível, o intérprete universal, o bispo dos bispos e o Cabeça de toda a Igreja. Quando ele consegue te convencer disso, ele rouba a sua consciência individual e o torna presa fácil de qualquer falsa doutrina ou heresia que invente.

Isso é o que levou as pessoas a aceitarem cegamente a inquisição, as cruzadas, a venda de indulgências e de relíquias sagradas na Idade Média, porque achavam que a Igreja estivesse certa em qualquer coisa que fizesse, e que eles não eram nada para contestá-la. Você coloca na cabeça delas que elas são nada e você é tudo, e pronto: consegue tudo o que quiser delas. A transformação de pessoas em zumbis segue sempre o mesmo processo. O protestantismo não está absolutamente isento disso, mas conta com a grande e crucial diferença do livre exame, segundo o qual as pessoas podem pensar por si mesmas, analisarem os argumentos de ambos os lados e mudar de opinião quando verem que estão erradas, seguindo sua própria consciência. Isso limita e restringe a atividade dos falsos profetas, porque eles nunca terão um controle absoluto sobre você.

Pense da seguinte forma: o que seria da sua vida se você tivesse que, em todas as coisas, seguir em tudo a opinião de uma única pessoa? O que seria se você tivesse que seguir Marx ou Olavo, como já foi mencionado? O que seria da sua vida se você dependesse sempre de uma única autoridade infalível na política, na medicina, na música, na física, na biologia, na química, na matemática, na literatura, na história e em todas as outras áreas do saber humano? O que seria de você se você não tivesse a capacidade de livre exame em seu cotidiano, em sua vida, em suas escolhas?

Um evangélico pode ler Marx, ler Olavo, ler Trótski, ler Smith, ler teóricos de esquerda, de centro e de direita, e formar sua própria opinião política. Ele não está condicionado à opinião de uma única pessoa. Ele pode inclusive gostar muito de um teórico em especial, sem concordar em tudo com ele. Da mesma forma, o evangélico pode ler a Bíblia e analisar as opiniões e interpretações do pastor, do padre, do patriarca ortodoxo, do papa romano, de vários teólogos e eruditos e formar sua própria opinião sobre um tema religioso a partir daquilo que lhe pareceu mais convincente e razoável, sem ter que se tornar fantoche de ninguém e muito menos bloquear sua própria consciência para seguir a consciência de outro. Na verdade, o evangélico faz para com a religião exatamente a mesma coisa que o católico faz para com todas as outras áreas do saber, menos para com a religião.

Isso sim é o livre exame, o qual os zumbis sempre estarão atacando, porque é a única coisa que podem fazer.

Paz a todos vocês que estão em Cristo. 

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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[1] Marx People’s Paper. April 16, 1853; citado também no Journal of the History of Ideas, Vol. 12, n.1, 1981.
[5] ibid.

Comentários

  1. A paz de Cristo, caro Lucas.

    Realmente, as falácias, espantalhos e embustes são muitos para desvirtuar os princípios da Reforma Protestante. Em um grupo de debate (Catolicismo X Protestantismo) iniciei com uma postagem refutando as falácias em torno do Livre-Exame, e um papista me respondeu da seguinte forma:

    "Outra contradição do “livre exame” é o fato de existirem tantas “igrejas” protestantes, todas se dizendo inspiradas pelo mesmo ‘espírito santo’, e cada uma pregando uma doutrina diversa da outra. Se todos têm o “livre exame”, como condenar o exame católico? Como julgar, sem ser através de uma Igreja infalível se a interpretação de alguém está certa ou não? A inspiração não vem para todos? No fundo, os protestantes se acham, ainda que implicitamente, infalíveis em seu exame. Enquanto os católicos são falíveis individualmente e a Igreja é infalível, os protestantes, individualmente, se outorgam a “infalibilidade” que condenam nos católicos.

    É imensurável a quantidade de espantalhos que eles criam desde Sola Scriptura a outros princípios reformados. Por isso, é importante a definição única e correta de todos os princípios reformados.

    Att. Rafael

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    1. É realmente lamentável a quantidade de espantalhos católicos. Até mesmo dentro desta declaração que você citou, de que "todo evangélico crê que é infalível". A verdade é precisamente o contrário. É exatamente pelo fato de nós NÃO nos considerarmos arrogantemente como "infalíveis" (como eles fazem para com o papa) que podemos ter a HONESTIDADE em seguir nossa própria consciência, INCLUSIVE para mudar de opinião em algum tema que vemos que estamos errados. Eles não podem fazer isso, precisamente por se auto-intitularem "infalíveis", então como reconhecer que alguém INFALÍVEL estava FALHO? Não pode. É por isso que o papista, no final das contas, acaba se transformando em um zumbi sem livre-arbítrio, enquanto o protestante é um humilde buscador da verdade, reconhecendo a possibilidade de erro.

      O segundo espantalho aí presente é o de que nós precisamos de uma autoridade infalível para crer em alguma coisa. Isso é totalmente ridículo. Nonsense total. Nós não temos uma autoridade infalível na política e nem na ciência, mas nem por isso os católicos deixam de ter posições políticas ou científicas! Ademais, se nós precisamos de uma autoridade infalível para crer na Bíblia, então também precisaríamos de uma autoridade infalível que nos levasse a crer na existência de uma autoridade infalível; afinal, nada do que nós crêssemos seria possível sem que uma autoridade infalível nos levasse a isso. Isso nos conduziria a uma falácia ad infinitum que jamais resolveria nada. Afirmar que o papa é infalível porque o papa diz que é infalível é um argumento circular e uma petição de princípio. Em outras palavras: baboseira total.

      Grande abraço!

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  2. Lucas. Os trindetinos católicos agora dizem que existiu uma tal de inquizição protestante, gostaria que vc fala-se sobre isso aqui em seu blog. Explicando se isso existiu.

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    1. Olá, Julia. O Elisson Freire já refutou toda essa asneira de "inquisição protestante" no site dele, confira:

      http://firmefundamento.comunidades.net/index.php?pagina=1628742622_09

      Eu ainda estou à espera de UM ÚNICO documento antigo de Lutero, Calvino, Zwinglio ou qualquer outro reformador protestante se referindo ao termo "INQUISIÇÃO" como sendo algo PROTESTANTE, que justifique a existência desta tal "inquisição protestante". Infelizmente, acho que vou morrer só com as afirmações dos "ilustres" pseudo-historiadores tridentinos que vivem desta fantasia para desviar o foco da VERDADEIRA inquisição, que todo mundo sabe qual é.

      O pior é que eles são tão ruins de marketing que nem essa estorinha de "inquisição protestante" pegou.... hsuahsuash

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    2. Lucas, sei que o Elisson Frei já refutou essa asneira, mas seria ótimo ver um artigo próprio seu falando disso.

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    3. Olha só o que esses católicos estão falando!
      http://ocatequista.com.br/archives/15215

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    4. Vou ver e se precisar escreverei um artigo sobre isso.

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  3. Inquisição, homilia, catequese, hóstia, sacramentos, tradição, confissão auricular e muitos outros mais, são sinônimos de CATOLICISMO E NÃO de PROTESTANTISMO!

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  4. Observa o termo e sinta o que ele trás: INQUISIÇÃO

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  5. Lucas, a paz de Cristo.

    Como você responderia a esse argumento:

    á bíblia veio da tradição oral, mas os protestantes negam isso. Para vocês terem ideia, na época da constituição do cânon bíblico, circulavam mais de 100 evangelhos, Quem garante a vocês que os 4 evangelhos são os verdadeiros? Resposta simples, a igreja católica. A bíblia não caiu do céu, como os protestantes acham, ela levou quase 400 anos para ser constituída, a primeira bíblia, chamada de Vulgata Latina, é do ano 397 aproximadamente. Se vocês tem uma bíblia na mão, agradeçam a igreja católica, se vocês aceitam os livros que estão na bíblia, vocês aceitam a autoridade da igreja católica.

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    1. Olá, a paz.

      Há dezenas de artigos que tratam sobre os temas desta pergunta, segue abaixo alguns deles:

      http://lucasbanzoli.no.comunidades.net/index.php?pagina=1083930598

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/03/a-origem-das-doutrinas-da-reforma.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/05/as-portas-do-inferno-nao-prevalecerao.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/11/cinco-perguntas-ridiculas-que-qualquer.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/refutando-argumentos-catolicos-contra.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/11/refutando-falacias-catolicas-sobre.html

      Em especial, recomendo-lhe meu livro "Em Defesa da Sola Scriptura", onde todos esses argumentos são abordados com mais profundidade:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/06/novo-livro-em-defesa-da-sola-scriptura.html

      Respondendo resumidamente as questões que já foram tratadas melhor nestes artigos e no livro:

      1) A tradição oral se perdeu com o passar do tempo, passando por centenas de acréscimos e modificações espúrios, o que explica o fato de a tradição no oriente ser tão diferente da tradição do ocidente, e das tradições da igreja romana e ortodoxa não serem compatíveis entre si. Há somente uma fonte antiga onde o conteúdo apostólico original está preservado: Bíblia.

      2) Ridícula essa dos 100 evangelhos. Seria cômico, se não fosse trágico! Esses "100 evangelhos" eram evangelhos GNÓSTICOS, considerados espúrios desde sempre pelos cristãos da época. Eles NUNCA estiveram no mesmo patamar de autoridade ou canonicidade dos evangelhos aceitos hoje.

      3) Não foi a igreja católica romana que aprovou o cânon, mas a igreja cristã da época, que não tinha ABSOLUTAMENTE NADA DE ROMANA. E o fato de uma igreja aprovar um cânon NÃO SIGNIFICA que essa igreja esteja acima do cânon, da mesma forma que o fato de cardeais elegerem um papa não significa que o cargo de cardeal seja maior que o de papa.

      4) A Vulgata foi a primeira Bíblia? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

      5) Se nós temos uma Bíblia na mão, temos que agradecer a REFORMA PROTESTANTE, que difundiu a leitura da Bíblia no mundo inteiro e traduziu para a língua do povo, para que as pessoas comuns pudessem ler as Escrituras, enquanto nos países católicos quem tentasse fazer isso era PUNIDO COM MORTE NA FOGUEIRA, igual aconteceu com Huss e Wycliffe. Era deste jeito que a Igreja Romana tratava a Bíblia:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/como-igreja-catolica-tratava-biblia.html

      Abraços!

      Excluir
  6. A Paz de Cristo.
    Lucas, teria como você fazer um estudo exegético completo sobre a famosa passagem de 2º Cor. 3:6, que diz "a letra mata, o Espírito vivifica", que é constantemente usada tanto por católicos quanto por protestantes para dizer que "a Bíblia NÃO interpreta a Bíblia"?

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    Respostas
    1. Olá, Felipe.

      As teses de que a "letra" ali se refira ao entendimento literal, às pessoas letradas ou à própria Bíblia são completamente absurdas. Elas contrariam todo o sentido das Escrituras, e o contexto não favorece nenhuma destas interpretações. À luz do contexto entendo que Paulo estivesse falando da antiga aliança:

      "Ele nos capacitou para sermos ministros de uma NOVA ALIANÇA, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica" (2 Coríntios 3:6)

      Aqui ele diz que nós somos ministros de uma NOVA ALIANÇA, que não é mais da letra e sim do Espírito Santo. No verso seguinte ele diz:

      "O ministério que trouxe a morte foi gravado com letras em pedras; mas esse ministério veio com tal glória que os israelitas não podiam fixar os olhos na face de Moisés por causa do resplendor do seu rosto, ainda que desvanecente" (2 Coríntios 3:7)

      Aqui ele contrasta o antigo ministério (antiga aliança) com o novo ministério (nova aliança). Os versos seguintes continuam traçando o contraste entre ambos:

      "Não será o ministério do Espírito ainda muito mais glorioso? Se era glorioso o ministério que trouxe condenação, quanto mais glorioso será o ministério que produz justiça!" (2 Coríntios 3:8-9)

      E assim continua. Todo o contexto é um contraste entre antiga e nova aliança, e modo que a "letra" do verso 6 é nada a mais que a letra da lei, ou seja, a letra da antiga aliança, do antigo ministério. Então o nosso objetivo seria o de buscar em que sentido que a lei mosaica [antiga aliança] "mata". O verso 7 já é uma explicação a isso, pois Paulo diz que este antigo ministério (antiga aliança) "trouxe a morte". Então a letra [antiga aliança] mata porque ela traz a morte. Em que sentido ela traz a morte? Isso Paulo responde em Romanos 7:

      "Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: "Não cobiçarás". Mas o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, produziu em mim todo tipo de desejo cobiçoso. Pois, sem a lei, o pecado está morto. Antes, eu vivia sem a lei, mas quando o mandamento veio, o pecado reviveu, e eu morri. Descobri que o próprio mandamento, destinado a produzir vida, na verdade produziu morte. Pois o pecado, aproveitando a oportunidade dada pelo mandamento, enganou-me e por meio do mandamento me matou" (Romanos 7:7-11)

      Ou seja: a lei trouxe a morte, pois foi por meio dela que nós soubemos o que é o pecado (que traz a morte). Paulo diz que "sem lei o pecado está morto" (v.8), ou seja, não existe transgressão da lei se não existe a lei. Por isso quando veio a lei "o pecado reviveu, e eu morri" (v.9). A lei, então, "produziu a morte" (v.10). Qual é a solução para isso? Paulo responde no verso 25:

      "Miserável homem eu que sou! Quem me libertará do corpo sujeito a esta morte? Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! De modo que, com a mente, eu próprio sou escravo da lei de Deus; mas, com a carne, da lei do pecado" (Romanos 7:24-25)

      Ou seja: é somente Jesus que nos liberta da escravidão ao pecado, que veio com a lei, e que "mata" (gera a morte). Em 2Co.3:6 Paulo fala do "Espírito", aqui ele fala de Jesus, creio que o sentido é o mesmo, o de que Deus nos torna livres da escravidão ao pecado. Se trocasse "Espírito" por "Jesus" em 2Co.3:6 ou "Jesus" por "Espírito" neste texto o sentido se preservaria em ambos os casos.

      Que a Bíblia interpreta a própria Bíblia, isso era UNANIMIDADE entre os Pais da Igreja primitiva. Você pode ver várias citações sobre isso em meu livro sobre a Sola Scriptura:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/06/novo-livro-em-defesa-da-sola-scriptura.html

      Abraços!

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  7. A Paz de Cristo.
    Teria como você escrever um artigo refutando a teologia minimalista dos católicos, que eles dizem que a Bíblia não tem credibilidade histórica, que por exemplo, os livros de Rute e Ester são fábulas, que Daniel não foi escrito por Daniel, que a Lei não foi escrita por Moisés..., pois não existem evidências históricas e arqueológicas para se crer nisso?

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    1. Evidências históricas e arqueológicas é o que não falta, são tantas que só não crê quem for realmente cego ou estiver mesmo bem disposto a lutar contra a Palavra de Deus a qualquer custo. Há diversos sites de arqueologia bíblica com vários artigos provando a credibilidade histórica de tudo isso e muito mais, vou apenas passar alguns links:

      http://arqbib.atspace.com

      http://www.arqueologiadabiblia.com

      http://www.arqueologia-biblica.com

      http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1084881163

      http://www.arqueologia.criacionismo.com.br

      http://novotempo.com/evidencias/

      Este último link é do programa "Evidências", da TV Novo Tempo, apresentado pelo Dr. Rodrigo Silva, que é pós-doutorado em arqueologia e apresenta semanalmente um programa de meia hora de duração onde apresenta sempre novas descobertas históricas que fundamentam os relatos da Bíblia. Ele já foi entrevistado algumas vezes pelo Jô Soares e também teve uma participação no Programa Vejam Só:

      https://www.youtube.com/watch?v=gzXbEjfymEc

      A verdade é que a razão pela qual os católicos não creem na Bíblia não é por falta de evidências, mas sim porque os livros apócrifos acrescentados por eles no Concílio de Trento contém inúmeros flagrantes erros e distorções históricas grotescas, e por essa razão eles tentam sorrateiramente atacar a Escritura canônica na tentativa de fazer parecer que os livros sagrados também tem erros igual os apócrifos que eles seguem.

      Grande abraço.

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  8. Esta loucura é fruto apenas de ceticismo.Veja em Newman, De Maistre e Bonald; todos esres defendiam a igreja romana poraue nao criam na habilidade do ser humano de conhecer coisa alguma.Puro niilismo no fim das contas.

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