10 de outubro de 2015

A lenda do "cânon alexandrino"


Diz o ditado popular: "Uma mentira, quando repetida mil vezes, se torna uma verdade". Nada se aplica melhor a isso do que a nefasta apologética católica, que inventa mentiras a todo momento e as repetem mil vezes, até alguém entre eles mesmos se convencer da mentira, e defender como "verdade". Um dos casos mais notáveis é do lendário "cânon alexandrino". Digite este termo no Google e você verá legiões e legiões de sites apologéticos católicos defendendo a existência deste suposto "cânon", incluindo o do Sr. Obsceno, o do Fakenando Nascimento, os vídeos do Paulo Porcão, do padre Gargamel e o Mentiratis. De todos os sites católicos que eu busquei, apenas um único diz que não existia um cânon alexandrino, mas como é blog de astronautas não conta. E o pior é que até alguns sites protestantes tem comprado esta mentira.

Vamos à verdade nua e crua: nunca existiu qualquer "cânon alexandrino". Eu fecho este blog imediatamente no momento em que algum católico me mostrar um único documento da era pré-cristã ou de até mil anos depois de Cristo onde alguém fala em "cânon alexandrino". Quem estiver lendo isso pode me cobrar depois. Basta mostrar qualquer indivíduo do planeta terra escrevendo em qualquer período desde antes de Cristo até mil anos depois de Cristo e falando abertamente em "cânon alexandrino", usando esta expressão, em contraposição a um suposto "cânon palestino". Aí está um jeito fácil para os zumbis tridentinos que querem me calar na força: me mostrem um só texto antigo onde qualquer criatura da face da terra falou em "cânon alexandrino", pode ser judeu, cristão, ateu, cientologista ou qualquer coisa, e eu fecho este blog no mesmo dia.

Isso que os catoleigos chamam de "cânon alexandrino" na verdade se trata da Septuaginta, que não era um "cânon" propriamente dito, mas uma coleção de livros que incluía os livros sagrados dos judeus. A estratégia rasteira que o apologista católico usa é transformar a Septuaginta em um "cânon", e como a Septuaginta foi escrita teoricamente em Alexandrina, então tiraram daí o tal do "cânon alexandrino". O papista embusteiro então tenta usar este fantasioso "cânon" imaginário para se contrapor ao verdadeiro cânon, o cânon judaico (ou "cânon dos hebreus"), que eles traiçoeiramente chamam de "cânon palestino", para tentar passar a ideia de que apenas os judeus da Palestina tinham o cânon protestante do Antigo Testamento.

Perceba então a estratégia do papista pérfido: como ele sabe que os judeus rejeitavam completamente a canonicidade dos sete livros apócrifos que eles adicionaram em suas Bíblias, ele tenta dividir o cânon judaico em dois, o da Palestina e o de Alexandria, para depois falsamente dizer que eles seguem o de Alexandria (que seria o certo, consistindo nos livros da Septuaginta) e nós o da Palestina (que seria o errado, produzido pelos malvados fariseus da época de Cristo). Para isso, ele inventa que a Septuaginta era um cânon próprio, diz que ele segue todos os livros da Septuaginta e o protestante não, e então conclui que o protestante é um "filho da serpente" e um "descendente do dragão". Parece coisa de louco. E é.

Como podemos ter certeza de que a Septuaginta não era um "cânon" da Bíblia, mas apenas uma coleção de livros que incluía os livros sagrados? É simples: pela evidência histórica e pelos próprios livros da Septuaginta. O papista mentiroso que usa o argumento da Septuaginta contra os protestantes é geralmente tão burro que não sabe nem quais livros faziam parte da Septuaginta. Na verdade, ele é tão desinformado que mal sabe que não existe um único códice da Septuaginta, mas três, e todos eles divergindo entre si na quantidade de livros. E para piorar: nenhum dos três códices contém o número de livros católicos certinho! Isso você nunca vai ouvir da boca de mentirosos como o padre Gargamel Paulo Ricardo, é claro.

Abaixo estão os códices da Septuaginta e alguns livros neles presentes:

Códice Alexandrino (A)
Códice Vaticano (B)
Códice Sinático (Alef)
Baruque, Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, 1 Esdras3 e 4 Macabeus1 e 2 ClementeSalmos de Salomão
Sabedoria, Eclesiástico, Judite, Tobias, Baruque, 1 Esdras
Tobias, Judite, 1 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, 4 MacabeusEpístola de Barnabé, O Pastor de Hermas
Analisando:

1) No Códice Alexandrino, há a presença de muitos livros apócrifos que não estão presentes na Bíblia católica romana, tais como o apócrifo de Esdras (que não tem nada a ver com o Esdras canônico das Bíblias católicas e protestantes), mais dois livros de Macabeus além dos dois que os papistas já tem, e os Salmos de Salomão.

2) No Códice Vaticano, há novamente a presença do livro apócrifo de Esdras, e além disso faltam os dois livros dos Macabeus, que os católicos tem nas Bíblias deles.

3) No Códice Sinático, há a presença do quarto livro de Macabeus, e além disso faltam os livros de Baruque e de 2 Macabeus.

Tudo isso só quer dizer uma coisa: independentemente de qual códice da Septuaginta os católicos afirmarem que é o "certo", eles estão lascados de qualquer jeito. Só no mundo da lua é que a Septuaginta tinha todos os livros católicos certinho, sem faltar nenhum e sem sobrar nenhum. Mas você nunca vai ver um papista admitindo isso, seja por ignorância ou por desonestidade. Em vez disso, você verá multidões de embusteiros à la Fakenando Nascimento usando o ridículo "argumento da Septuaginta" para acusar os protestantes de "mutilar a Bíblia Sagrada". Se os evangélicos "mutilam" a Bíblia porque não consideram canônicos todos os livros da Septuaginta, então os romanistas também a mutilam pela mesma razão.

Não é à toa que a Igreja Ortodoxa, querendo ser mais coerente com o argumento da Septuaginta, considera canônicos todos os livros da LXX, diferente dos romanos, que mutilam livros nela presente. Mas os ortodoxos não concordam nem consigo mesmos sobre quais exatamente são estes livros, porque, como vimos, a Septuaginta não tem uma lista única ou fixa de livros, ou um único códice. É por isso que os ortodoxos em geral tem por canônicos os livros de 1 Esdras, a Oração de Manassés, o Salmo 151, o apócrifo de 2 Esdras e 4 Macabeus, mas a Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia tem ainda os "Atos de Paulo", 1 Clemente e O Pastor de Hermas, e a Igreja Etíope tem ainda o Livro dos Jubileus, o Livro de Enoque e 4 Baruque. Para aumentar a confusão, a Igreja Ortodoxa Siríaca excluiu o livro de 2 Pedro, o de 2 João, o de 3 João, o de Judas e o Apocalipse, e a Igreja Ortodoxa Russa retirou alguns "deuterocanônicos" de suas Bíblias. Então já dá pra imaginar o quão concreto e forte é o argumento da Septuaginta.

A conclusão que qualquer pessoa honesta toma a partir destes dados é que a Septuaginta não era um "cânon bíblico", mas somente uma coleção de livros que reunia livros inspirados e também livros considerados importantes devocionalmente e/ou historicamente pelos setenta sábios, ainda que não canônicos. Nenhum judeu alexandrino intentava produzir qualquer tipo de cânon paralelo ou concorrente com o da Palestina, isto é, com o cânon já corrente entre os judeus, inclusive na época de Cristo, que citou diversas vezes as Escrituras do Antigo Testamento, muito antes que qualquer concílio judaico ou cristão tratasse a questão (o que mostra que já era possível distinguir o que era Escritura e o que não era).

Uma prova cabal de que uma coleção de livros numa versão da Bíblia não implica em considerar todos estes livros canônicos ou inspirados é a própria Vulgata Latina, de Jerônimo. É bastante conhecido que Jerônimo rejeitava categoricamente os apócrifos católicos, e que só decidiu incluí-los na Vulgata a contragosto e atendendo a pedidos de amigos que gostavam daqueles livros para finalidades devocionais. Mesmo assim, Jerônimo deixou claro na sua introdução a tais livros que eles não eram canônicos e nem tinham força suficiente para fundamentar doutrina. Ele escreveu:

"E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja"[1]

"Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim, de forma que nós podemos garantir que o que não é encontrado em nossa lista deve ser colocado entre os escritos apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque [Eclesiástico], e Judite e Tobias e o Pastor [supõe-se que seja o Pastor de Hermas], não fazem parte do cânon. O primeiro livro dos Macabeus eu não encontrei em hebraico, o segundo é grego, como pode ser provado de seu próprio estilo"[2]

"Para os católicos, os apócrifos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos, quer do N.T, quer do V.T, o mais das vezes atribuídos a personagens bíblicos, mas não inspirados, como os livros canônicos, e nem escritos por pessoas fidedignas nem de doutrina segura"[3]

“Que [Paula] evite todos os escritos apócrifos, e se ela for levada a lê-los não pela verdade das doutrinas que contêm mas por respeito aos milagres contidos neles, que ela entenda que não são escritos por aqueles a quem são atribuídos, que muitos elementos defeituosos se introduziram neles, e que requer uma perícia infinita achar ouro no meio da sujeira”[4]

A mesma coisa aconteceu tempos mais tarde, com a Reforma Protestante, no século XVI. Os Reformadores, no desejo de levar a Bíblia ao povo na língua do povo, se empreenderam no trabalho de tradução das Escrituras e assim tiveram suas próprias versões da Bíblia. E embora eles não considerassem nenhum dos apócrifos católicos como canônicos, eles mesmo assim traduziram e colocaram em suas versões bíblicas, não porque os consideravam inspirados, mas porque julgavam que tinham algum conteúdo útil a ser lido. Até hoje algumas Bíblias possuem hinários no final, o que obviamente não significa que os hinários sejam "canônicos". Portanto, o fato de algum livro ou conteúdo em geral estar presente em uma versão da Bíblia não implica que todos os livros sejam considerados canônicos.

Outro dado que deita por terra com toda e qualquer lenda de "cânon alexandrino" é o fato de que o grande historiador judeu Flávio Josefo (37-100) nunca fez referência a este suposto "cânon alexandrino", mas fez menção ao cânon dos judeus como sendo um só, e formado por 22 livros[5], com precisamente o mesmo conteúdo presente na Bíblia dos evangélicos. Ele disse:

“Não há pois entre nós milhares de livros em desacordo e em mútua contradição, mas há sim, apenas vinte e dois livros que contêm a relação de todo o tempo e que com justiça são considerados divinos. Destes, cinco são de Moisés, e compreendem as leis e a tradição da criação do homem até a morte de Moisés. Este período abarca quase três mil anos. Desde a morte de Moisés até a de Artaxerxes, rei dos persas depois de Xerxes, os profetas posteriores a Moisés escreveram os fatos de suas épocas em treze livros. Os outros quatro contêm hinos em honra a Deus e regras de vida para os homens. Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja”[6]

Josefo não faz absolutamente nenhuma divisão de "dois cânones" entre os judeus, mostrando o "cânon palestino" e o fabuloso "cânon alexandrino", mas menciona um só, e diz que tudo aquilo que foi escrito no período que nós conhecemos como "intertestamentário" não foi considerado digno de crédito, porque a sucessão dos profetas (inspiração) havia cessado. E, para piorar, nem o famoso judeu Fílon (20 a.C - 50 d.C) jamais fez menção a qualquer livro apócrifo da Septuaginta como "Escritura Sagrada", e nunca fez menção de qualquer "cânon alexandrino". E ele era... alexandrino. E citava amplamente as Escrituras. A conclusão é óbvia: a Septuaginta nunca foi um "cânon". Era apenas uma coleção de livros, que os judeus sabiam bem quais eram canônicos e quais não eram.

Nos primeiros séculos, até mesmo aqueles que criam na canonicidade dos apócrifos jamais propuseram a hipótese de que os judeus tinham mais de um cânon, nem tentaram em momento algum dizer que eles estavam do lado do "cânon alexandrino" e contra o "cânon palestino". Nenhum Pai da Igreja foi suficientemente idiota para dizer uma aberração dessas. Agostinho, que cria na canonicidade dos apócrifos e que foi decisivo nas escolhas dos Concílio de Hipona e de Cartago, jamais alegou uma sandice dessas. Ao contrário, ele reconhecia explicitamente que os judeus rejeitavam tais livros:

“Desde este tempo, quando o templo foi reconstruído, até o tempo de Aristóbulo, os judeus não tiveram reis, mas príncipes, e cálculo de suas datas não é encontrado nas Sagradas Escrituras que são chamadas canônicas, mas em outros, entre os quais estão também os livros dos Macabeus. Estes são tidos como canônicos, não pelos judeus, mas pela Igreja, por conta dos sofrimentos extremos e maravilhosos de certos mártires, que, antes de Cristo vir em carne, sustentaram a lei de Deus até a morte, e suportaram males mais graves e horríveis”[7]

Em outra obra, ele diz que "o livro de Eclesiástico não está no cânon dos hebreus"[8].

Ao invés de Agostinho inventar a asneira de que os judeus tinham dois cânones divergentes e que ele estava do lado do "cânon alexandrino" e contra o "cânon farisaico de Jâmnia", ele foi honesto em reconhecer que os judeus como um todo rejeitavam os apócrifos, mas que a Igreja tinha uma opinião diferente. Essa era a posição dele, embora outros vários Pais da Igreja (anteriores a ele) em geral rejeitassem os apócrifos, como o leitor pode conferir clicando aqui e aqui.

Foi só em tempos recentes que os embusteiros virtuais conhecidos como apologistas católicos inventaram a lenda do "cânon alexandrino", para conseguirem levar adiante um debate sério com os protestantes sobre o cânon, já que bastaria ao protestante o argumento de que o cânon do Antigo Testamento é responsabilidade dos judeus (o que é óbvio) e pronto, fim de discussão. Por isso eles precisaram criar um pseudo-cânon judaico fantasioso, distorcer ridiculamente os fatos em torno da Septuaginta, e mentir, mentir, mentir. A apologética católica só se serve de mentiras, uma atrás da outra. Mentem mil vezes, até que se torne "verdade".

Então, meus irmãos, quando um catoleigo ou um tridentino obsceno chegar a você e disser que “na época de Jesus Cristo já existia um cânon alexandrino”, jogue esse artigo na cara dele e mande-o fornecer algum documento da época que prove a existência desse suposto cânon.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (www.lucasbanzoli.com)


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[1] Prefácio dos Livros de Salomão.
[2] Prologus Galeatus.
[3] Introdução Geral a Vulgata Latina, p. 9.
[4] Epístola 107:12 - Nicene and Post-Nicene Fathers, 2nd Series, vol. 6, p. 194.
[5] O número vinte e dois é porque os judeus consideravam certos livros como sendo um único volume. Por exemplo, eles consideravam todos os doze profetas menores um único livro, chamado "Os Doze". Em geral, todos os livros que os cristãos dividiram em dois volumes são contabilizados como um só pelos judeus. Assim, 1 e 2 Crônicas são um livro só, assim como 1 e 2 Reis, 1 e 2 Samuel, etc. No fim, o cânon judaico de 22 livros é exatamente o mesmo conteúdo do cânon protestante de 39 livros, apenas mudando a forma de contar os livros.
[6] Josefo, Contra Apião. Citado em “História Eclesiástica” (Eusébio de Cesareia), Livro III, 10:1-6.
[7] Cidade de Deus, 18:36.
[8] On the Care of the Dead. Disponível em: http://www.newadvent.org/fathers/1316.htm

29 comentários:

  1. Lucas, primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo seu excelente trabalho! Venho acompanhando o seu blog há algum tempo e os seus artigos tem contribuído muito para o meu desenvolvimento, ampliando e agregando novos conhecimentos na busca e defesa da verdade. Além disso, gostaria de sugerir um tema para ser abordado (se é que já não foi)... Certa vez assisti a um vídeo intitulado “Os livros banidos da bíblia que não podemos ler” (segue o link - https://www.youtube.com/watch?v=Ym_g_v33zt4), o qual aponta citações a evangelhos apócrifos contidas na bíblia, exemplificada mais precisamente no vídeo através dos livros de Judas 1:14 e Hebreus 11:5, os quais fariam referências ao texto apócrifo “Livro de Enoque”. Obrigado! A paz de nosso Senhor Jesus Cristo.

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    1. Olá, Josimar, a paz de Cristo!

      O autor do vídeo desconhece completamente o processo de formação do cânon, deu até vergonha alheia de ver aquele vídeo. Ele pensa que os cristãos simplesmente elegeram do nada, sem motivo algum, e de modo totalmente arbitrário, alguns livros para serem "lidos" e outros para serem "proibidos" de se ler. Em primeiro lugar, ler ou não ler não tem NADA A VER com canonicidade ou não-canonicidade. Eu leio todos esses livros apócrifos que ele mencionou, e mesmo assim não os considero canônicos. Canonicidade não tem a ver com "permissão de leitura", mas com inspiração. Os Pais da Igreja nunca proibiram ler livro nenhum. A ideia de proibir certos livros é de origem posterior da Igreja Romana, que criou o Index Librorum Prohibitorum, mas isso já foi em pleno século XVI. Nem a igreja cristã dos primeiros séculos, nem a igreja reformada, jamais teve qualquer problema em ler livros não-canônicos.

      Foi precisamente pelo fato de eles LEREM esses livros que chegaram à conclusão de que eram falsificações, e por essa razão nunca entraram no cânon. A ideia de que a Bíblia original tinha um zilhão de livros e que de repente meia dúzia de "canalhas" decidiram tirar um monte de coisa pra ficar com o que temos hoje é teoria de conspiração neo-ateísta. Coisa de idiotas, pra enganar outros idiotas. Basta ver o Cânone de Muratori, do século II, muito antes do Concílio de Niceia e do de Cartago, que já estão ali quase todos os livros exatamente da forma que temos hoje. Alguns livros eram considerados "duvidosos" pelo Cânone de Muratori, e por essa razão decidiram apenas considerar canônicos aqueles cuja canonicidade era notória em todas as partes, ou pelo menos na maioria delas. Mas livros como os que ele citou (apócrifo de Adão e Eva, de Judas, de Maria Madalena, etc) NUNCA entraram em lista nenhuma de cânon, de tão obviamente ridículos e tão descaradamente falsificados que eram. Eles nunca foram "retirados" por cristão nenhum, simplesmente porque nunca estiveram lá.

      Citar o livro de Enoque não é prova de que este livro era canônico, a não ser que Judas tivesse citado como "Escritura", o que ele NÃO fez. Eu também cito em meus artigos livros não-canônicos o tempo todo, e nem por isso os considero inspirados! Paulo citava até poetas pagãos, seja para fortalecer um ponto, ou para refutá-los. Isso não prova coisa alguma. Os cristãos dividiam os livros em três partes: os canônicos, os eclesiásticos e os apócrifos. Os canônicos são os que temos hoje, e os apócrifos são o lixo de livros descaradamente fraudulentos. Mas entre estas duas categorias havia os eclesiásticos, que tinham coisas úteis para edificação espiritual do leitor, mas mesmo assim não eram considerados canônicos, e por isso não podiam fundamentar doutrina. O livro de Enoque, assim como vários outros, eram considerados "eclesiásticos", ou seja, livros que tinham sua utilidade e que pregavam a verdade pelo menos até certo ponto, enquanto as falsificações gnósticas eram "apócrifos" propriamente dito. Só esta última categoria que era realmente desprezada.

      Se quiser conferir mais sobre isso, veja este artigo:

      http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/04/refutando-argumentos-contra-veracidade.html

      Grande abraço!

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    2. Obrigado Lucas, excelente explicação! Aliás, como sempre... Grande abraço!

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    3. Eu que agradeço pela ótima pergunta formulada. Deus lhe abençoe!

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    4. O que você acha do livro de sabedoria ter sido citado no cânone de Muratori?

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    5. Bastante suspeito, já que a lista de Muratori diz respeito aos livros canônicos do NT, e Sabedoria seria do AT e não teria nada a ver com aquela lista, e nem pode ser considerada uma "epístola católica" se não foi escrita na era da Igreja. Agora, se realmente essa é a prova cabal de que Sabedoria deve ser incluída no cânon, então isso detonaria com o argumento católico de que o cânon bíblico só foi definido no final do século IV, já que Muratori é de meados do século II, e ainda não cita qualquer outro livro apócrifo católico como canônico, e põe o Pastor de Hermas no cânon.

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  2. Num passado recente eu tinha uma ligeira impressão de que os católicos apologistas não liam nossas refutações, mas agora tenho certeza de que eles não leem nada. Estão desatualizados, desenformados e refutados E NEM SABEM!

    Eles continuam escrevendo depois de centenas de artigos dos apologistas evangélicos espalhados pela internet, como este do Lucas que é simples, objetivo e de uma clareza tão cristalina que até cego enxerga. Parabens, Lucas. Nota 1000 pra voce.

    Quero apenas deixar algo aqui que muitos ainda parecem não saber. Talvez possa fazer com que voce desenvolva um assunto em torno disso: Não existia nos tempos dos profetas um Velho Testamento encadernado num volume só.

    Apesar da paixão católica pela Septuaginta, ela não existia como um livro (se existiu mesmo). É um engano achar que a septuaginta estava toda encadernada num volume apenas. O códex só foi inventado muito tempo depois de Jesus. O que havia antes era apenas papiro – rolos. Veja que em Atos capítulo 8, Felipe encontra o Eunuco e o surpreende lendo o rolo do profeta Isaias. O mesmo aconteceu com Jesus quando entrou numa sinagoga: Lhe deram o rolo do profeta Isaias para ler. Eles não entregaram a Jesus um um volume em forma de Livro, mas um rolo:

    “... E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito...”, Lucas 4:17.

    Portanto, caros colegas, católicos: Quem disse que o Velho Testamento estava todo reunido num volume só? Mais perguntas: O Velho Testamento em forma de Septuaginta ficava guardado onde, alguns rolos em prateleiras e outros dentro de gavetas? Estavam em ordem livro por livro? Eles tiravam para ler e voltavam a guardar na sequência obedecida hoje ou as vezes o rolo de Gênesis ficava na mesma gaveta do livro de Samuel?

    Supondo que a Septuaginta tenha existido mesmo antes de Cristo - em rolos - rsssssss, então vamos falar dos apócrifos. Estes livros ficavam guardados em que ordem? Ficavam separados para consulta ou eram incluídos nas mesmas gavetas/prateleiras dos outros livros? Os católicos devem estar assustados por que citei gavetas e prateleiras. Provavelmente achavam que o Velho Testamento estava todo reunido num volume só como temos hoje. Esse é o engano fatal, o que não permite que eles estabeleçam como inspirados rolos apócrifos. Quem sabe estes ROLOS ficavam separados dos livros inspirados?

    Ora, se um mestre em Escritura nos dias de hoje tem um livro dos mórmons em sua biblioteca não deve significar que ele o estima como inspirado por que está na mesma prateleira da Bíblia.

    E mais: quantos rolos eram considerados parte do Velho Testamento antes que existisse a família de Judas Macabeus? Outra coisa; Como pode um rolo apócrifo estar incluído no Velho Testamento/Septuaginta se ele foi escrito quase dois séculos depois dela estar supostamente concluída?

    Os problemas são diversos. Por exemplo: a Septuaginta JAMAIS poderia ser traduzida por 72 sábios Judeus sendo seis de cada tribo. Na época da convocação de 72 sábios não existia mais as doze tribos de Israel. Existiam apenas a tribo de Judá e Benjamim. Sendo a tribo de Judá maioria, todos os Israelitas passaram a ser classificados como Judeus, já desde o exílio Babilônico, o que pode ser confirmado por documentos dos Gregos encontrados no ano de 305 até 333 a.c. E mais do que isto, a Torá proíbe a tradução por qualquer Judeu que não seja um Levita. Portanto, se existissem os membros das outras doze tribos, eles não poderiam traduzir.

    Isso é um desastre para o catolicismo!

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    1. Perfeita explanação, Alon. A nota 1000 é pra você!

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    2. E o pior é que o retardado do Macabeus entendeu que neste artigo eu disse que "nunca existiu Septuaginta", quando o que eu disse claramente foi que "nunca existiu um CÂNON ALEXANDRINO". O sujeito é cretino mesmo, não sabe nem ler o texto, muito menos interpretá-lo. Tanta mediocridade que é de dar dó.

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    3. Sugerir que todos os evangélicos tem que crer ou concordar com tudo aquilo que a SBB faz ou diz, é semelhante a dizer que todos os católicos são obrigados a concordar também com todas as decisões da CNBB, inclusive com o apoio ao projeto de "reforma" do PT. Só mesmo um OBSCENO para levantar uma coisa dessas como "argumento". É muita mediocridade. Não dá pra acreditar que em um só sujeito habite tanta imundície quanto neste Macabeus insano.

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    4. Incrível, esse Macabeus. Ele acredita que a Septuaginta foi toda encadernada num volume só. Possivelmente acredita também que cada pessoa na Judéia e confins da terra tinha uma Septuaginta em casa.

      Rolos, Macabeus, rolos. O V Testamento era um coleção de rolos – 22 rolos inspirados. Flávio Josefo escreveu bem antes do Concílio de Jamina que só haviam 22 livros inspirados reconhecidos pelos judeus, que por sinal eram os guardiões da Palavra de Deus. Esses 22 rolos perfazem os mesmos 39 livros do V Testamento das Bíblias Protestantes. Pesquise e confira, Macabeus

      É "desinformados" lá acima, e não desenformados.

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    5. Esse sujeitinho é tão desprezível que deve pensar mesmo que a Septuaginta era um cânon próprio, como uma Bíblia completa e cheia de livros, e que nestes livros não havia nenhum que não esteja no cânon da ICAR. Vá ser estúpido assim lá longe.

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    6. Perfeita a contribuição do Alon,

      Esse é um ponto que muitos perdem de vista. Ao analisarmos o testemunho dos pais da Igreja precisamos qualificá-los. A opinião de Jerônimo que era um erudito bíblico conhecedor do hebraico não pode ser colocada no mesmo patamar que a de Agostinho, que não sabia nada de hebraico e quase nada de grego.

      Por isso, precisamos analisar o porquê de alguns pais aceitarem os apócrifos. É percebido que a maior parte aceitava por conta da Septuaginta. Eles acreditavam no mito de que 72 escribas judeus inspirados pelo Espírito Santo traduziram de forma uniforme o texto hebraico, mesmo tendo trabalhado de forma separada. Vejam o testemunho de Agostinho:

      "... as outro Ptolomeu, chamado Filadelfo, que o sucedeu, permitiu todos que ele trouxe sob o jugo a retornarem livres; e, além disto, enviou presentes reais ao templo de Deus, e suplicou a Eleazar, que era o sumo sacerdote, a dar a ele as Escrituras, que ele ouviu de um relatório que eram verdadeiramente divinos, e então grandemente desejou ter naquela mais nobre biblioteca que ele tinha. Quando o sumo sacerdote os enviou em hebraico, ele depois pediu intérpretes dele, e se enviou a ele setenta e dois, dos quais das doze tribos, seis homens, mais letrados em ambas as línguas, para testemunhar, o hebreu e o grego; e sua tradução é agora por costume chamada Septuaginta. É relatado, de fato, que havia uma concordância em suas palavras são maravilhosa, estupenda e claramente divina, que quando foram colocados neste trabalho, cada um separadamente (pois pareceu bem a Ptolomeu testar sua fidelidade), eles divergiram de cada um em nenhuma palavra que tinha o mesmo significado e força, ou, na ordem das palavras. Mas, como se os tradutores fossem um, de forma que tudo que foi traduzido foi um, porque no próprio ato o Único Espírito esteve em todos eles. E eles receberam uma dádiva tão maravilhosa de Deus, para que a autoridade destas Escrituras pudessem ser consideradas não como humana mas divina, como de fato foi, para o benefício das nações que deveriam em algum tempo crer, como nós vemos agora elas fazendo."

      Como o Alon demonstrou, talvez esse engano nunca tivesse acontecido se não fosse o formato de códice em que vários livros são agrupados juntos. Muito provavelmente os livros apócrifos estavam em rolos separados, se é que de fato eles faziam parte da Septuaginta no início.

      Os concílios de Hipona e Cartago cometeram um erro pois acreditavam numa lenda. A igreja romana ratificou o erro no séc. XVI e agora os católicos precisam se agarrar a isso, mesmo que a base seja uma lenda sem nenhum fundamento histórico.

      Juntos com os artigos do Lucas e o blog conhecereis a verdade, recomendo fortemente os artigos do William Webster. A parte 1 e 2 foram traduzidas pelo site e-cristianismo:

      http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/bibliologia/o-canon-dos-judeus.html

      http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/bibliologia/o-canon-do-velho-testamento-da-era-da-igreja-a-jeronimo.html

      A parte 3 trata do cânon de Jerônimo até a reforma. Webster demonstra que na Igreja ocidental houve uma polarização entre a opinião de Agostinho e Jerônimo. Diversos teólogos medievais seguiram Jerônimo e rejeitaram os apócrifos como canônicos. Isso só demonstra que a ideia de que Hipona e Cartago definiram autoritativamente o cânon do A.T para toda a igreja é falsa.

      A parte 3 em inglês: http://www.christiantruth.com/articles/Apocrypha3.html


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    7. Bruno, você pode traduzir essa terceira parte? Se o Gustavo não traduziu ainda. Abs!

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    8. Deixei um comentário no site dele para saber sobre isso. Se ele não quiser traduzir, pretendo fazê-lo.

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  3. Lucas estou mandando o link do livro Richard Whately Sobre os erros do catolicismo rastreados para sua origem na natureza humana. diga se recebeu um abraço do amigo Marcos Monteiro.

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    1. Olá. Não chegou nada na minha caixa de e-mails. Tenta enviar de novo para: lucas_banzoli@yahoo.com.br

      Abraços

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  4. Como pode, depois de tantos anos ainda existir em nosso meio duvidas acerca de quais livros são inspirados. A Bíblia com livros inspirados é de fato aquela composta com 66 livros. Estes sim, verdadeiramente inspirados. Cuidado, não vos acomodeis.... O mal está próximo, está a procura de perverter os eleitos.

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  5. Lucas banzoli, o Macabeus ficou nervoso com meu post que apresenta uma breve citação de Flavio Josefo que afirma – antes do concílio de Jamina – sobre a coleção que compunha o Velho Testamento dos tempos de Cristo, quando ele garante que eram reconhecidos apenas 22 livros.

    Cristiano Matadeus, presta atenção no que você vai ler.

    Romanos 3:1,2, diz: "Qual é logo a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda a maneira, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas".

    A palavra de Deus foi confiada inicialmente aos judeus. Ela foi designada como a custódia da palavra inspirada de Deus. Os judeus sabiam quais eram os livros canônicos, e quais não eram, e eles sabiam isso antes da Igreja Católica aparecer. Devemos deixar que os judeus determinem o cânon do Antigo Testamento (22 livros), porque a eles foram confiados os oráculos de Deus.

    Os Católicos não podem negar que Deus falou no passado por meio dos profetas Judeus (Hebreus 1:1 ), e as suas palavras foram colocadas em forma escrita por eles.

    Voce reclamou de Josefo que deixou um testemunho valiosíssimo sobre quantos livros compunham o V Testamento. O que vai fazer com a declaração de Jesus em Lucas 11:50,51?

    “Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado;Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração”.

    Por que de Abel a Zacarias, Macabeus? Voce saberia responder? Porque Jesus fala de Genesis a II Crônicas. E quantos livros contam de Gênesias a II Crônicas, Macabeus?

    Exatamente 22 Livros!

    E não é apenas isso Macabeus. Vale a pena notar que, enquanto Abel foi o primeiro mártir, Zacarias não é o último no Antigo Testamento, cronologicamente falando. Esse foi o profeta Urias, morto pelo rei Jeoiaquim em Jeremias 26:20-23, mais de um século após o martírio de Zacarias. Então, Macabeus, por que Jesus citou “desde o sangue de Abel até o de Zacarias?” Porque Jesus falava justamente do primeiro ao último livro do velho pacto! Um cânon que se inicia em Gênesis e termina em II Crônicas.

    Macabeus, muito antes de qualquer concílio, o mesmo hebraico bíblico, o Tanakh, era conhecido pelos cristãos como o Antigo Testamento. Embora o Canon hebraico seja composto de 22 ou 24 livros, e a Bíblia dos protestantes - Antigo Testamento - tenha 39 livros, eles são idênticos no conteúdo real. A diferença para a contagem é que certos livros no Tanakh ficaram juntos e nas Bíblias protestantes eles ficam separados.

    O testemunho de Josefo concorda com as palavras de Jesus!

    Sinto muito, mas você está totalmente equivocado!

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    1. Caro Alon, depois que esse insano disse que era “mera especulação” que os 22 livros mencionados por Josefo fossem os mesmos 39 livros presentes na Bíblia evangélica, já deu pra perceber que ele estava sob o efeito de drogas pesadas nestes “mais de um mês” que ele não atualiza a porcaria do “site” dele. O moço é uma verdadeira fábrica de emburrecimento e demência. Mas eu penso que o mundo ficaria menos divertido sem a presença de figuras grotescamente caricaturadas como esse Macabeus.

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  6. Primeiro erro que vi foi o nome errado da Igreja, não é Católica Romana, mas sim, Igreja Católica Apostólica Romana... Outra coisa, quem definiu os textos sagrados do NT? Por acaso vc nega as cartas de Inácio de Alexandria, que viveu no ano 100?

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    1. Em primeiro lugar, se você lesse os concílios da TUA PRÓPRIA IGREJA, iria saber que eles também chamam a Igreja de "Igreja Romana" apenas, uma abreviação para a Igreja Católica Apostólica Romana. Mas como você não lê, passa vergonha aqui. Entre as teses condenadas de John Wycliffe pelo Concílio de Constança (1414-1418), está a de que “não é necessário para a salvação acreditar que a IGREJA ROMANA é suprema entre as outras igrejas” (Concílio de Constança, Sessão 8).

      Em segundo lugar, nunca existiu um "Inácio de Alexandria". Existiu foi um Inácio de ANTIOQUIA. Isso mostra que você nem sabe do que está falando.

      Em terceiro lugar, este artigo trata do cânon do AT, caso você ainda não tenha notado, e não do NT. Mesmo assim, respondendo a você, o cânon do NT não teve nada a ver com o Inácio "de Alexandria", mas foi definido aproximadamente no século IV, nos tempos de Atanásio - este sim de Alexandria.

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    2. "Outra coisa, quem definiu os textos sagrados do NT?"

      Os católicos não cansam de ser refutados nesse argumento? Quem definiu os textos sagrados NT? A resposta é Deus. Foi Ele que escolheu inspirar certos livros e não outros. Quando isso aconteceu? Até o fim do primeiro século. Quando Inácio de Antioquia escreveu suas cartas, todos os livros inspirados do Novo Testamento já existiam. A maioria deles (os evangelhos e as cartas de Paulo) já eram amplamente reconhecidos como Escritura.

      Portanto meu caro, a Igreja Católica (universal) que nada tinha a ver com o que hoje você chama de Igreja Romana RECONHECEU os livros inspirados, mas quem os DEFINIU foi Deus. Da mesma forma, as Escrituras hebraicas foram RECONHECIDAS pelos judeus, mas foram definidas por Deus.

      O que hoje você chama de Igreja Romana só reconheceu o cânon no séc. XVI, o que demonstra que Atanásio e outros pais da igreja não compartilhavam da crença errônea de que o cânon só poderia ser afirmado após uma decisão "infalível" do bispo de Roma.

      Dessa forma, se você deseja provar a autoridade da igreja romana, a questão do cânon será irrelevante para o seu pleito.

      Fique na PAZ!

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    3. Não chama de "Igreja Romana", Bruno. Ele só aceita "Igreja Católica Apostólica Romana", senão fica bravo (risos).

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  7. Que pena, tanto comentário bom nesse artigo e a coisa acaba ficando escondida. Tem jeito de você fazer um novo artigo baseando-se nos comentários, Lucas?

    Eu tenho algo guardado sobre as Escrituras na Igreja Primitiva. Poderia enviar a você para ajudar. É coisa boa.

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  8. Esse Respostas Cristãs aí é bom no debate!

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    1. Bom mesmo. Conhece o site dele?

      http://respostascristas.blogspot.com.br

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