30 de maio de 2015

Refutando a Infalibilidade Papal


REFUTANDO A INFALIBILIDADE PAPAL
(Keith Thompson)


Implicações da Definição do Vaticano I sobre a Infalibilidade Papal

O Concílio Vaticano I definiu o dogma da infalibilidade papal em 1870. Este ensinamento diz que o papa é infalível quando ele decreta um ensinamento sobre fé ou moral que deve ser crido pela Igreja universal ou quando ele ratifica um concílio ecumênico.

Em sua “Enciclopédia do Catolicismo”, Frank K. Flinn e J. Gordon Melton notam que muitos católicos romanos na época do Concílio Vaticano I acreditavam que a infalibilidade papal era uma falsa inovação contrária à tradição da Igreja e protestaram contra a decisão do concílio que decretou a doutrina, e até mesmo se separaram da comunhão com Roma por causa disso:

“Em protesto, 55 membros do concílio deixaram Roma um dia antes da votação final. Em meio ao desacordo generalizado e protesto contra o concílio, aqueles que agora são conhecidos como veterocatólicos foram separados da comunhão com Roma”[1]

Além disso, Johann Joseph Ignaz Von Döllinger foi um dos mais renomados historiadores católicos romanos durante o tempo do Concílio Vaticano I, no século XIX. Ele ensinou história da Igreja por 47 anos. Assim, seus comentários sobre a decisão do Vaticano I são dignos de nota. Pouco antes do decreto da infalibilidade papal, ele escreveu o seguinte em sua obra “O Papa e o Concílio”, mostrando todo o seu desgosto por uma doutrina tão infundada:

“O fato de que um grande concílio, recebido universalmente e sem qualquer hesitação em toda a Igreja, e presidida por núncios papais, ter pronunciado dogmaticamente que um papa era herege, e o anatemizado pelo próprio nome de ‘herege’, é uma prova tão clara quanto o sol do meio-dia que a noção de qualquer iluminação peculiar ou infalibilidade dos papas era então totalmente desconhecida para toda a Igreja. O único recurso dos defensores da infalibilidade papal, tais como Torquemada e Belarmino, tem sido a de atacar as atas do concílio como espúrias, e afirmar que elas são uma falsificação fabricada pelos gregos”[2]

Döllinger foi compelido a escrever isto para tentar persuadir o Vaticano I a não decretar a infalibilidade papal, à luz dos fatos históricos. O incidente que citamos no livro de Döllinger, que refuta a noção de infalibilidade papal, diz respeito ao papa Honório, do sétimo século. Com este papa você tem um dos exemplos mais claros de erro papal em toda a história.


Papa Honório

A informação básica relativa à falibilidade do papa Honório é que ele se envolveu em uma heresia no início da Igreja, heresia esta conhecida como “monotelismo”, que ensinava que Jesus Cristo tinha apenas uma vontade. Isso confrontava a crença ortodoxa, que diz que ele tem duas vontades que surgem a partir de suas duas naturezas. A heresia monotelista foi, assim, uma extensão natural da heresia monofisita, que disse que Jesus só tinha uma natureza, em oposição a duas.

O Concílio de Calcedônia, também conhecido como o IV Concílio Ecumênico, realizado em 451 d.C, repudiou a heresia monofisita em seu credo e afirmou que Jesus tinha duas naturezas, dizendo: “Nós, então, seguindo os santos Padres, todos com um só consentimento, ensinamos os homens a confessar as duas naturezas”. Então, mais tarde, o sexto concílio ecumênico, também conhecido como o terceiro concílio de Constantinopla, afirmou que Jesus tinha duas vontades decorrentes dessas duas naturezas, e condenou a heresia monotelista, que afirmava que Jesus tinha apenas uma vontade.

Sérgio I, patriarca de Constantinopla a partir de 610-638 d.C, era uma herege monotelista, que acreditava que Jesus tinha de fato duas naturezas, mas apenas uma vontade. Em 634 d.C, ele escreveu ao papa Honório, que reinou como papa de 625-638 d.C, sobre este assunto teológico. O papa Honório respondeu a Sérgio I e também escreveu para os outros que promoveram a heresia monotelista em sua condição oficial de papa. E Honório declarou:

“Nós confessamos uma vontade de nosso Senhor Jesus Cristo”[3]

Preste atenção nas palavras “nós confessamos”. Essa é a forma no plural muito usada hoje para falar da Igreja como um todo.

Honório foi então condenado como herege pelo sexto concílio ecumênico de 680-681 d.C, por causa deste ensinamento por ele promulgado a toda a Igreja como bispo de Roma. Na décima sexta sessão do concílio, ele proclamou: “Anatemizamos o herege Sérgio, o herege Ciro e o herege Honório”. E no decreto da 18ª sessão de fé era dito: “O autor de todo o mal... encontrei um instrumento próprio para a sua vontade em... Honório, o antigo papa de Roma”. O concílio também disse que Satanás havia “ativamente os empregado para levantar sobre toda a Igreja os tropeços de uma vontade e uma operação nas duas naturezas de Cristo, nosso Deus verdadeiro, da Santíssima Trindade; divulgando, assim, em termos novos entre as pessoas ortodoxas, uma heresia”.

Os romanistas acreditam que o sexto concílio ecumênico que condenou Honório era infalível, uma vez que foi ratificado pelo papa Leão II (611-683 d.C). A fim de demonstrar que Honório era falível, já que ele estava ensinando em ex cathedra, temos de olhar para a definição do que ex cathedra é para Roma. O Concílio Vaticano I a definiu da seguinte maneira:

“Nós ensinamos e definimos que é um dogma divinamente revelado: que o Pontífice Romano, quando fala em ex cathedra, isto é, quando na condição de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina sobre fé ou moral a ser crida pela Igreja Católica, pela assistência divina prometida a ele em Pedro, é possuidor da infalibilidade com a qual o divino Redentor quis que a Sua Igreja fosse dotada para definir doutrinas sobre fé ou moral; e que, portanto, tais definições do Pontífice Romano são de si mesmas, e não do consentimento da Igreja, irrevogáveis”[4]

Com base na condenação do papa Honório no sexto concílio ecumênico, William Webster observa que Honório cumpriu os critérios básicos de ex cathedra. Isso prova que o erro do papa foi em ex cathedra, e, portanto, ele não era infalível:

a) O concílio o condenou especificamente como herege e o anatemizou (amaldiçoou) em sua condição oficial como papa, e não como um teólogo privado.

b) Ele foi condenado por seguir e depois por confirmar a heresia do monotelismo.

c) Ele foi condenado por divulgar e propagar doutrinas heréticas em sua condição oficial de papa, o que afetou toda a Igreja ativamente[5].

Os católicos romanos creem que o sexto concílio ecumênico, que condenou Honório, era infalível. No entanto, alguns apologistas católicos tentam suavizar a posição do papa Leão II quanto a ratificação ou aprovação deste concílio. Eles alegam que o papa Leão II só condenou o papa Honório por negligência, ou por não conseguir acabar com a heresia, mas não como sendo realmente um herege que ensinou heresia para a Igreja.

Em seu livro Pope Fiction, o apologista romano Patrick Madrid tenta argumentar que, embora o papa Leão II tenha confirmado ou ratificado o sexto concílio ecumênico, ele o redefiniu em um sentido e não condenou Honório como um herege monotelista (como fez o concílio), mas apenas sustentou que Honório, no que diz respeito ao monotelismo, “falhou em seu dever para condená-lo”[6]. Madrid cita Warren Carroll na história da cristandade como a prova para o seu argumento de que no suposto texto original grego da respectiva carta de Leão II ao imperador, ele diz que Honório apenas permitiu ou autorizou que a fé fosse subvertida, em oposição à versão latina da carta, que diz que Honório realmente tentou subverter a fé[7].
    
A versão grega da carta de Leão II diz permisit subverti (ou seja, “permissão para subverter”). A versão latina diz subvertare conatus est (i.e, “tentou subverter”). Assim, pode-se ver o conflito que isso cria. Contudo, em sua monumental obra Oxford Dictionary of Papas, o erudito patrístico e historiador J. N. D. Kelly observa a verdade da questão dizendo que “no texto original em latim falaram dele como ‘tentou subverter a fé pura por sua traição profana’, e na versão grega isto foi atenuado para ‘por sua traição, ele permitiu que o ensino puro fosse maculado”[8].

A posição do papa Leão II não era apenas de que Honório era culpado de negligência ao permitir que a fé fosse subvertida, mas que houve uma tentativa real de Honório a fim de subverter a fé com a falsa heresia monotelista. O papa Leão II anatemizou Honório nesta carta ao imperador, em sua carta aos bispos espanhóis e em sua carta ao rei espanhol. Em nenhum deles o papa Leão II faz qualquer colocação de que o sexto concílio ecumênico errou e que Honório não era um herege. Leão II nunca disse nada do tipo. Tanto este concílio quanto o papa Leão II afirmaram que Honório era um herege e anátema. E Honório ensinou heresia para a Igreja na qualidade de bispo de Roma, de acordo com este concílio que os católicos consideram ser infalível. Isso refuta a doutrina antibíblica da infalibilidade papal, usando os próprios padrões de Roma.


A Falibilidade do Concílio Vaticano II sobre o Islã

Outro exemplo de falibilidade papal tem a ver com ensinamentos heréticos do Vaticano II. O Concílio Vaticano II foi inaugurado pelo papa João XXIII em 11 de outubro de 1962. Foi celebrado pelo papa Paulo VI, em 8 de dezembro de 1965. Nos documentos do Vaticano II estavam contidos decretos formais[9] sobre fé e moral que não apenas contradizem claramente a Bíblia, mas também os próprios dogmas católicos.

Estes decretos do Vaticano II foram “infalivelmente” ratificados ou confirmados pelo papa Paulo VI, que assinou ao final de cada um deles. Os decretos sobre fé ou moral do Vaticano II são, portanto, infalíveis para os católicos, uma vez que foram ratificados pelo papa. A Enciclopédia Católica afirma em seu artigo sobre os concílios gerais, tais como o Concílio Vaticano II, que:

“A ratificação papal promulga formalmente a sentença do concílio como um artigo de fé que deve ser conhecido e aceito por todos os fieis... Os decretos do concílio aprovados pelo papa são infalíveis por causa daquela aprovação, porque o papa é infalível também em extra concilium, sem o apoio de um concílio[10]

Da mesma forma, o estudioso católico Ludwig Ott afirma:

“As resoluções dos concílios gerais são infalíveis... A fim de que um concílio seja geral, é necessário: a) que todos os bispos dominantes no mundo sejam convidados; b) que os bispos dos vários países possam ser considerados representantes de todo o episcopado; c) que o papa convoque o concílio, ou, pelo menos, invista em conjunto sua autoridade e presida pessoalmente ou pelo seu representante na reunião, e ratifique as deliberações. A partir das ratificações papais, que podem ser explícitas ou implícitas, as resoluções derivam o poder vinculativo legal geral”[11]

Além disso, o papa Paulo VI solenemente aprovou todos os documentos do Concílio Vaticano II com as seguintes palavras que provam que os decretos do Vaticano II são vinculativas e infalíveis para os católicos:

“Cada uma das coisas estabelecidas neste Decreto ganhou o consentimento dos pais. Nós, também, pela autoridade apostólica a nós conferida por Cristo, junto com a aprovação dos veneráveis padres, decretando e estabelecendo essas coisas pelo Espírito Santo, determinamos que o que tem sido promulgado no sínodo [concílio] deve ser publicado para a glória de Deus... Eu, Paulo, Bispo da Igreja Católica”[12]

Um dia antes do final do Concílio Vaticano II, o papa Paulo VI também disse o seguinte: “Nós decidimos, além disso, que tudo o que foi estabelecido neste sínodo é para ser religiosamente observado por todos os fieis”[13]. Muitos proeminentes escritores católicos romanos têm afirmado que o Vaticano II é um concílio infalível de acordo com a doutrina católica. Em seu livro “O que os Católicos Realmente Acreditam”, Karl Keating identifica o Vaticano II como o vigésimo primeiro concílio ecumênico, infalível no que diz respeito aos seus decretos que envolvem fé ou moral:

“Houve vinte e um concílios ecumênicos, e a maioria deles emitiu decretos doutrinais ou morais. Esses decretos são infalíveis”[14]

Tendo dito isso, se houver heresia sobre fé e moral nos decretos do Vaticano II – supostamente infalível – é a prova de que o papa Paulo VI era falível e errava em ratificar e confirmar heresias. Isso mais uma vez prova que a doutrina da infalibilidade papal é refutada pela história. Um grande exemplo de heresia no Concílio Vaticano II é que ele disse que os muçulmanos adoram o mesmo Deus dos cristãos. No documento do Vaticano II Nostra Aetate, nós lemos:

“A Igreja também olha os muçulmanos com estima. Eles adoram ao único Deus, vivo e permanente, misericordioso e todo-poderoso, o Criador do céu e da terra, que falou aos homens e a cujos decretos, mesmo ocultos, procuram submeter-se de todo o coração, como a Deus se submeteu Abraão, com quem a fé islâmica de bom grado vincula-se”[15]

Note que o Vaticano II diz que os muçulmanos, como Abraão, se esforçam para se submeter aos decretos de Deus. Uma vez que Abraão se esforçou para se apresentar ao verdadeiro Deus, o Vaticano II está dizendo que os muçulmanos fazem o mesmo também. Em Lumen Gentium, o Vaticano II diz também que “os muçulmanos, professando manter a fé de Abraão, conosco adoram o Deus único e misericordioso, que no último dia julgará a humanidade[16].

Em apoio ao fato de que esses decretos do Vaticano II supostamente infalíveis ensinam a heresia de que os muçulmanos e os cristãos têm o mesmo Deus, os ensinamentos dos papas seguintes ao Vaticano II são importantes a se considerar. Primeiro, a citação do Vaticano II Lumen Gentium sobre muçulmanos e cristãos supostamente adorarem o único Deus verdadeiro é diretamente citada como uma doutrina católica no mais recente catecismo da Igreja Católica (ano 1994, parágrafo 841), promulgado e aprovado pelo papa João Paulo II. No que diz respeito a este e aos outros ensinamentos contidos nesse Catecismo, João Paulo II declarou o seguinte em sua Constituição Apostólica Fidei Depositum:

“O Catecismo da Igreja Católica, que aprovei em 25 de junho passado e cuja publicação hoje ordeno em virtude da minha autoridade apostólica, é uma declaração de fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Sagrada Tradição e pelo Magistério da Igreja. Declaro que seja uma norma segura para o ensino da fé[17]

Este afirma, ainda, que a posição oficial da Igreja Romana moderna é que os muçulmanos e cristãos adoram ambos ao único Deus verdadeiro. Comentando ainda sobre a posição romana acerca deste assunto, o papa Paulo VI declarou o seguinte em 1972:

“Nós também gostaríamos que você soubesse que a Igreja reconhece as riquezas da fé islâmica – uma fé que nos liga ao único Deus”[18]

O papa João Paulo II, da mesma forma, declarou:

“Nós acreditamos no mesmo Deus, o Deus vivo, o Deus que criou o mundo e traz suas criaturas à sua perfeição”[19]

O papa Bento XVI igualmente declarou:

“Os muçulmanos adoram a Deus, o Criador do céu e da terra, que falou à humanidade”[20]

O problema com o catolicismo ensinar que os muçulmanos adoram o mesmo Deus dos cristãos é que a religião islâmica ensina que Jesus Cristo não é Deus. O Alcorão ensina que “são blasfemos aqueles que dizem que Deus é Cristo, o Filho de Maria” (Surata 5:17). Ele também nega a Trindade quando afirma: “Não digas: ‘Três’” (Surata 4:171). Portanto, é impossível e herético dizer que os muçulmanos se apresentam ao Deus vivo e verdadeiro, já que eles negam que Deus é um Deus uno e trino, o que inclui Cristo na Divindade.

Além disso, na Surata 19:35 do Alcorão há a negação ao fato de que Jesus é o Filho de Deus. Assim, 1ª João 2:23 da Bíblia prova que os muçulmanos não têm o verdadeiro Deus, uma vez que diz: “Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Quem confessa o Filho tem também o Pai” (1ª João 2:23). Quando 1ª João 2:23 diz que “aquele que nega o Filho não tem o Pai”, a palavra grega para “tem” é echei, que aqui significa “ter” Deus, “possuir” Deus ou ter comunhão com Deus no sentido de um relacionamento[21]. Desta forma, é claro que o catolicismo está errado ao reivindicar que os muçulmanos se submetem e adoram ao Deus verdadeiro, já que ao negar a filiação de Jesus provam que eles não têm Deus, o Pai, em coisa alguma.

A Escritura ensina que os deuses das nações pagãs (por exemplo, o árabe islâmico “Alá”) são meros ídolos, e não o verdadeiro Deus (Salmos 96:5). A Bíblia declara, ainda, que esses falsos deuses das falsas religiões e de nações pagãs são, na verdade, demônios, como vemos em 1ª Coríntios 10:20 – “Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios” (1ª Coríntios 10:20). Portanto, o deus muçulmano que se originou em uma nação diferente de Israel é um demônio e não o Deus verdadeiro.

Ademais, o demônio islâmico Alá ordenou aos muçulmanos matar e subjugar os cristãos e os judeus no Alcorão. O Deus de Abraão e os cristãos, no entanto, disse aos crentes para não matar nem subjugar outros cristãos ou judeus, mas para amar a todos e evangelizar os incrédulos com o evangelho de Cristo. A Surata 9:29 do Alcorão afirma:

Façam guerra contra aqueles tais a quem as Escrituras foram dadas [judeus e cristãos] por não acreditarem em Alá. No último dia – e não permita o que Deus e Seu Mensageiro proibiram – aqueles quem não professam a profissão verdadeira, até que paguem o preço, serão humilhados”

No entanto, na Bíblia, o Jesus cristão diz: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mateus 5:44), e também: “tratai as pessoas da mesma maneira que vocês querem ser tratados” (Mateus 7:12). E Tiago diz aos cristãos para “amar o próximo como a si mesmo” (Tiago 2:8). Claramente não estamos lidando com o mesmo Deus!

Ao ratificar o Concílio Vaticano II, o papa Paulo VI afirmou que era infalível que os muçulmanos adoram o Deus verdadeiro. Contudo, este é um erro, uma vez que temos mostrado que os muçulmanos não adoram o Deus verdadeiro, mas um demônio. Assim sendo, o papa Paulo VI era falível, e, portanto, a infalibilidade papal é refutada.

Outro erro do Concílio Vaticano II é seu ensinamento de que os muçulmanos podem ser salvos se eles permanecerem no Islã, se apenas fizerem boas obras e forem ignorantes do evangelho e da Igreja. Em Lumen Gentium, lemos: “Aqueles também podem alcançar a salvação eterna, pois não por culpa deles mesmos não conhecem o evangelho de Cristo e da Sua Igreja, mas procuram sinceramente a Deus e, movidos pela graça, se esforçam em seus atos para fazer a Sua vontade como é conhecida a eles através dos ditames de sua consciência”[22].

Não apenas este ensinamento é contrário à Escritura, que ensina que a fé em Cristo e no evangelho são essenciais para a salvação (João 3:18; 14:6; Atos 4:12; 16:31; Romanos 3:25; 10:9), mas o mesmo contradiz o dogma católico previamente definido. Por exemplo, o papa Eugênio IV deu a seguinte declaração em ex cathedra no Concílio de Florença, em 1439:

“Quem quiser ser salvo, antes de tudo, é necessário que mantenha a fé católica... Da mesma forma o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. No entanto, eles não são três deuses, mas um Deus”[23]

Semelhantemente, em 1302, o papa Bonifácio VIII declarou o seguinte na bula Unam Sanctam:

“Nós declaramos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário para a salvação de toda criatura humana que esteja sujeita ao Pontífice Romano”[24]

De um lado, temos o papa Paulo VI, que ratificou o Vaticano II dizendo que os muçulmanos podem ser salvos sem que estejam na Igreja Católica e sem seguir seu ensino. Do outro lado, os papas Eugênio IV e Bonifácio VIII disseram que é necessário ser católico e afirmar os ensinamentos da Igreja para ser salvo. Esta é claramente a falibilidade papal, a forma de mostrar ao mundo que a Igreja Católica não é a verdadeira Igreja de Cristo.

Autor: Keith Thompson (Reformed Apologetics)
Tradução: Lucas Banzoli (Apologia Cristã)


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[1] Frank K. Flinn, J. Gordon Melton, Encyclopedia of Catholicism, [Infobase Publishing, 2007], p. 621.
[2] Johann Joseph Ignaz von Döllinger, The Pope and the Council, Second Edition, [Rivingtons, 1869], p. 74.
[3] Quoted in Charles Joseph Hefele, A History of the Councils of the Church, vol. 5 [Edinburgh: T. & T. Clark, 1896; AMS Reprint, 1972], p. 29.
[4] Vatican I, First Dogmatic Constitution on the Church of Christ, Concerning the Infallible Teaching of the Roman Pontiff, ed. Vincent McNabb, O.P. [Burns and Oates, 1907],  p. 47.
[5] William Webster, Holy Scripture The Ground and Pillar of our Faith, Volume II, [Christian Resources, 2001], p. 257.
[6] Patrick Madrid, Pope Fiction, [Basilica Press, 1999], p. 160.
[7] Warren Carroll, The History of Christendom, [Christendom College Press, 1987], p. 254.
[8] J. N.D. Kelly, Oxford Dictionary of Popes, Second Edition, [Oxford University Press, 2010], p. 77.
[9] e.g. Lumen Gentium, Dei Verbum, Nostra Aetate, etc.
[10] Charles George Herbermann, Catholic Encyclopedia: An International Work of Reference on the Constitution, Doctrine, Discipline, and History of the Catholic Church, Vol. IV, [The Catholic Encyclopedia Inc., 1913], pp. 431, 433.
[11] Ludwig Ott, Fundamentals of Catholic Dogma, [Tan Books and Publishers, Inc, 1960], p. 300.
[12] Paul VI, Rome, at St. Peter’s, December 7, 1965, Walter M. Abbott, ed., "Papal Brief Declaring the Council Completed”, trans. Joseph Gallagher, in The Documents of Vatican II: With Notes and Comments by Catholic, Protestant, and Orthodox Authorities, [Piscataway, NJ: Association Press, 1967], p. 696.
[13] Walter M. Abbott, ed., "Papal Brief Declaring the Council Completed”, trans. Joseph Gallagher, in The Documents of Vatican II: With Notes and Comments by Catholic, Protestant, and Orthodox Authorities, [Association Press, 1967], p. 738.
[14] Karl Keating, What Catholics Really Believe-Setting the Record Straight: 52 Answers to Common Misconceptions About the Catholic Faith, [Ignatius Press, 1995], p. 15.
[15] Walter M. Abbott, The Documents of Vatican II: With Notes and Comments by Catholic, Protestant, and Orthodox Authorities, Declaration on the Relationship of the Church to Non-Christian Religions, Nostra Aetate 3, trans. Joseph Gallagher, [Association Press, 1967], p. 663.
[16] Walter M. Abbott, Lumen Gentium 16, The Documents of Vatican II: With Notes and Comments by Catholic, Protestant, and Orthodox Authorities, Dogmatic Constitution on the Church, trans. Joseph Gallagher, [Association Press, 1967], p. 35.
[17] John Paul II, Apostolic Constitution Fidei Depositum 3, Catechism of the Catholic Church, Second Edition, [DoubleDay, 1994], p. 5.
[18] Pope Paul VI, Speech, Sept. 9, 1972, L’Osservatore Romano, Sept. 21, 1972, p. 2.
[19] Pope John Paul II, Addressing Young Muslims in Morocco, August 19, 1985, www.vatican.va
[20] Pope Benedict XVI Amman, Jordan, May 9, 2009, time.com/time/world/article/0,8599,1897119,00.html 
[21] Theological Dictionary of the New Testament, ed. Gerhard Kittel, trans. Geoffrey W. Bromily, Vol. 2, [Wm. B. Eerdmans, 1964-1976], pp. 822-82.
[22] Walter M. Abbott, Lumen Gentium 16, The Documents of Vatican II: With Notes and Comments by Catholic, Protestant, and Orthodox Authorities, trans. Joseph Gallagher, [Association Press, 1967], p. 663.
[23] Pope Eugene IV, Council of Florence, Session 8, November 22, 1439.
[24] Pope Boniface VIII, Unam Sanctam, November 18, 1302.

8 comentários:

  1. Olha só vocês que coisa extremamente terrível e assustadora. O dogma da infalibilidade papal foi definido em 1870. Dogma estabelecido por causa de pessoas que viveram antes do século I - estou falando dos dias que Jesus nasceu, viveu e morreu! Imaginem vocês como uma doutrina poderia estar em discussão quase dois mil anos depois? Basta dizer que 1870 lembra o Oeste americano, época que pode ser conhecida por FOTOS! Absurdo o tempo para se definir um dogma dos tempos de Vida de Pedro e Paulo. Mais absurdo ainda é saber que o dogma da assunção de Maria foi definido dogmaticamente pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. Vejam só, 1950!!! Cúmulo dos cúmulos! Doutrina bíblica dos tempos apostólicos definida poucos anos antes do homem ir a lua!!! Brincadeira, eu nasci 9 anos depois de terem definido um dogma dos tempos em que pessoas chamavam Abraão de Pai!!! Não tem Como levar a sério a Igreja Católica!

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    1. E o pior, Alon, é que não sabemos o que eles vão definir amanhã. O magistério católico é uma caixinha de surpresas, e seja lá o que for que eles inventarem no futuro, restará aos fieis papistas a maravilhosa e fenomenal missão de acatarem sem discussão qualquer coisa que o papa decretar, de forma tão passiva e acrítica quanto uma vaquinha de presépio. Que bênção.

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  2. É por essas e outras que eu prefiro seguir a orientação do apóstolo Paulo quando ficou feliz em relação a atitude destes irmãos.

    E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.
    Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.
    Atos 17:10,11

    Homens verdadeiramente inspirados pelo ESPÍRITO SANTO, Este sim INFALÍVEL. Consideravam os cristãos que examinavam as Escrituras, para ver se o que eles falavam era correto, NOBRES.

    Agora, será que um papa aceita uma atitude dessas? Acho que não! Qualquer coisa contrária, mesmo que seja de acordo com a Sã Doutrina dos Apóstolos de Cristo Jesus, será uma afronta ao entendimento apostásico que eles tem da Sagrada Escritura. Recorreriam a essa tal, "infabilidade papal". Para terminar, qualquer um, com o mínimo de senso crítico, lendo as Escrituras, verá que: A grande maioria dos dogmas católicos, são extra-bíblicos!
    Portanto, nunca foi tão forte o apelo de Apocalipse 18.4.





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    1. É exatamente por isso que eles se autoproclamam "infalíveis": para que ninguém tenha a audácia de fazer como os crentes de Bereia.

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  3. Lucas, você conhece alguma compilação de falas em ex cathedra? ou algum livro que mostre especificamente contradições nestas falas?

    Alguns católicos não consideram o Concílio Vaticano II infalível, pois o Papa não se expressou em ex cathedra. O CV II é considerado apenas um concílio pastoral (em outras palavras, falível).

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    1. Aí que tá, não existe NENHUMA lista oficial do magistério católico expondo tudo o que foi dito pelos papas em ex cathedra e tudo o que não foi dito em ex cathedra. Até mesmo o próprio conceito de "ex cathedra" eles não podem precisar ao certo. É por isso que o Hugo disse que a infalibilidade papal é tão útil como um páraquedas em um submarino.

      Mas que o papa da época confirmou a autoridade do Concílio Vaticano II e o considerou autêntico e infalível, isso fica muito claro quando ele proclama:

      “Todas e cada uma das coisas apresentadas neste decreto tiveram a aprovação dos Padres Conciliares. E também Nós, pelo poder apostólico que nos foi outorgado por Cristo, juntamente com os veneráveis Padres, aprovamos, decretamos e estabelecemos estas coisas no Espírito Santo, e para glória de Deus mandamos promulgar o que o Concílio estabeleceu… Eu, Paulo, Bispo da Igreja Católica.”1 (Paulo VI, cláusula solene de Paulo VI em cada um dos documentos do Vaticano II)

      Note que ele fala com a autoridade de todo o poder apostólico, ou seja, não tem como dizer que esses decretos não tinham valor ou que estão errados. É claro que os tradicionalistas irão arranjar desculpas e pretextos para poderem condenar o Vaticano II que eles tanto odeiam, mas a declaração de Paulo VI é suficientemente clara.

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  4. Os argumentos têm como base o que o próprio Paulo VI disse: "... dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia, conferiu a seus ensinamentos a autoridade do supremo Magistério ordinário". (Paulo VI, discurso no encerramento do Concílio Vaticano II, 12 de janeiro de 1966)

    Dê uma olhada na definição de ex cathedra dada pelo prof. Orlando Fedeli:
    http://www.montfort.org.br/bra/cartas/papa/20040817201903/

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    1. A Montfort é um site católico ferrenhamente tradicionalista que de nenhuma maneira reflete o pensamento de todos os católicos ou do magistério da Igreja. Eu poderia simplesmente rebater este artigo mostrando outros vários artigos de outros sites católicos que são a favor do Concílio Vaticano II, mas nem vale a pena. Tudo isso só mostra como os católicos são de fato divididos: nem mesmo se um concílio é válido ou não eles chegam a uma concordância.

      A frase que você passou do papa Paulo VI não diz em lugar nenhum que o Vaticano II não foi válido ou infalível, ou que não deva ser seguido pelos católicos atuais. Só diz que o Concílio não proclamou nenhum NOVO DOGMA, isso é óbvio, eu nunca disse que o Vaticano II criou algum dogma novo, muitos concílios católicos não criaram nenhum "dogma infalível" e mesmo assim são seguidos à risca pelos católicos que creem que os mesmos são infalíveis. Na citação que eu passei acima do mesmo Paulo VI, ele assina embaixo de cada um dos documentos do Vaticano II, e diz que fazia isso PELA AUTORIDADE DO PODER APOSTÓLICO, e com a aprovação de todos os padres conciliares. Se isso não significa que na visão dele todo o Vaticano II era válido e tinha que ser crido e seguido pelos católicos, eu não sei mais o que significa.

      E também não deixa de ser engraçado que uma Igreja que diz ser assistida pelo Espírito Santo da mesma forma que a Igreja primitiva, que é governada por um papa infalível da mesma forma que Pedro, e que proclama um concílio ecumênico (universal) com mais de dois mil prelados de todo o planeta por um período de três anos, e tudo isso para que algumas décadas depois sites católicos tradicionalistas chamem esse mesmo concílio de herético, modernista e rejeitem um monte de coisa nele. Ou seja: fizeram o concílio pra que? Pra isso? Seria melhor o papa Paulo VI ter mandado os dois mil prelados pescarem.

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