Agostinho em defesa da Sola Scriptura



Chegamos agora ao mais eloquente pregador da Sola Scriptura na Igreja primitiva: santo Agostinho. Ninguém foi tão prolífero em citações sobre a autoridade suprema da Bíblia quanto ele. Em nenhum lugar ele coloca uma tradição extra-bíblica em pé de igualdade com as Escrituras, mas sempre faz questão de ressaltar, assim como os reformadores fizeram, que a Bíblia é a autoridade suprema da fé. Ele disse:

“Aqui, alguém talvez pergunte se nossos autores sacros, cujos escritos, inspirados por Deus, constituem para nós um cânon da mais salutar autoridade, se eles devem ser chamados somente sábios ou ainda eloquentes”[1]

A Escritura era “da mais alta autoridade”, o que indica que não havia, na concepção de Agostinho, uma autoridade de nível superior à Bíblia, como a tradição e o magistério são na concepção romana. Essa realidade da superioridade das Escrituras sobre todas as outras coisas foi ressaltada outras várias vezes por ele, que também disse:

“E o que é mais, o que não aprendeu em nenhuma outra parte, somente encontrará na admirável superioridade da profundidade das Escrituras”[2]

Essa autoridade suprema das Escrituras foi a primeira constatação que ele teve logo ao se converter à fé cristã. Ele testemunha sobre isso em suas “Confissões”, dizendo:

"Persuadiste-me de que não eram de repreender os que se apoiam na autoridade desses livros que Tu deste a tantos povos, mas antes os que neles não crêem (...) Porque nessa divina origem e nessa autoridade me pareceu que devia eu crer (...) Por isso, sendo eu fraco e incapaz de encontrar a verdade só com as forças da minha razão, compreendi que devia apoiar-me na autoridade das Escrituras; e que Tu não poderias dar para todos os povos semelhante autoridade se não quisesses que por ela te pudéssemos buscar e encontrar"[3]

A autoridade suprema das Escrituras foi ressaltada de forma ainda mais enfática em sua obra sobre o Sermão do Monte, quando ele disse:

“Quem é que se submete a divina Escritura, senão aquele que a lê ou ouve piamente, submetendo a ela como a autoridade suprema?[4]

Ele também dizia que as Escrituras canônicas eram o ápice da autoridade:

“Não faltam obras eclesiásticas – sem contar as Escrituras canônicas, salutarmente colocadas no ápice da autoridade – por cuja leitura um homem bem dotado pode penetrar, além de seu conteúdo, no estilo das mesmas”[5]

E da mais sublime autoridade:

“Ou quem além de ti, nosso Deus, fez para nós aquele firmamento de autoridade sobre nós em Sua Escritura divina? Como é dito, pois o Céu vai ser dobrado como um pergaminho; e agora está estendido sobre nós como uma pele. Pois sua divina Escritura é da mais sublime autoridade, uma vez que aqueles mortais a quem Ele dispensou isso a nós foram submetidos à mortalidade”[6]

Fora desta autoridade suprema, que é a Sagrada Escritura, não há nenhuma outra autoridade. A fé cristã não era formada por uma autoridade principal e uma menor que também pudesse fundamentar doutrinas à parte da Bíblia. A Escritura era vista como a única autoridade suprema para os cristãos, o que fica claro quando lemos a resposta de Agostinho a uma carta enviada por Jerônimo:

“Em sua exposição da Epístola de Paulo aos Gálatas eu descobri uma coisa que me preocupou muito. Pois se declarações falsas em si mesmas foram admitidas na Sagrada Escritura, que autoridade restará para nós?[7]

Agostinho estava debatendo com Jerônimo sobre a passagem de Gálatas 2:11-14, onde Paulo repreende Pedro na face. Jerônimo havia dito que Paulo tinha sido dissimulado naquela ocasião, dando razão a Pedro, porque Paulo teria feito coisa semelhante em outras ocasiões. Agostinho rejeitou essa interpretação sob a alegação de que, se Paulo não tinha razão de repreender Pedro e de escrever isso aos gálatas, a Escritura estaria errada, e haveria uma declaração falsa em si mesma na Bíblia.

Para Agostinho, se a passagem é falsa, a autoridade da Bíblia é questionada. E, se a autoridade da Bíblia é questionada, que autoridade restará para nós? Esta é a pergunta que coloca em xeque as doutrinas católicas sobre a tradição. A pergunta retórica deixa um “não” como resposta implícita. Em outras palavras, além da Escritura, não há nenhuma outra autoridade. Se Agostinho cresse em uma tradição apostólica que também fosse regra de fé e fundamentasse doutrinas, ele obviamente teria indicado que além da Bíblia havia a autoridade da tradição. Assim sendo, restaria a tradição como autoridade.

Contudo, ele deixa claro que, além da Escritura, não há nenhuma outra autoridade para eles. Se a Escritura é questionada, não lhes resta mais autoridade a seguir. Isso é colocar a Bíblia como a única regra de fé da forma mais clara possível. A Escritura era vista como autoridade única e suprema, e não como autoridade secundária e inferior, que divide lugar com outras autoridades na fé, como ocorre no catolicismo romano.

É por isso que Agostinho se referia às Escrituras como sendo a autoridade na fé, e não como uma autoridade, que dividisse lugar com outras regras de fé:

“Isso é mais pertinente ao assunto que eu tenho em mãos, ou seja, a confirmação da universal e inquestionável verdade das Escrituras divinas, que foram entregues para nós, para a nossa edificação na fé, não por desconhecidos homens, mas pelos apóstolos, e por esse motivo foram recebidas como a autoridade canônica[8]

Tal conceito é ainda reforçado em sua controvérsia com os donatistas, quando ele diz que a única coisa que deveria ser levada em consideração eram os livros canônicos divinos:

Deixemos que sejam removidas de nosso meio as coisas que citamos uns contra os outros, não com apoio nos livros canônicos divinos, mas de outras fontes quaisquer. Talvez alguém possa perguntar: Por que desejais remover essas coisas do vosso meio? Porque não queremos a santa igreja aprovada por documentos humanos, mas sim pelos oráculos divinos”[9]

A mensagem era clara: apenas aquilo que tinha o apoio das Escrituras era que devia ser considerado. Qualquer outra fonte, para Agostinho, era rejeitada. Se Agostinho tivesse dito isso a um católico romano nos dias atuais, o romanista teria que abrir mão de pelo menos metade das doutrinas que crê, que não possuem base bíblica nenhuma. Qualquer discussão, naquela época, era resolvida exclusivamente com base na Bíblia, ao invés de em fontes externas.

O mesmo princípio foi aplicado por Agostinho em outras ocasiões:

“Julguemos, pois, esta questão fundamentando-se nas Sagradas Escrituras da nossa religião, e não conforme a crendice popular”[10]

“Não ouçamos: Isto eu digo, isto vós dizeis; mas, assim diz o Senhor. Certamente são os livros do Senhor, em cuja autoridade ambos concordamos e nos quais ambos cremos”[11]

Este mesmo critério também foi usado contra Maximino, onde o debate teve por base exclusivamente as Escrituras:

“Nem eu para prejudicar-te devo argüir com o Concílio de Niceia, nem tu a mim deves argüir com o Concílio de Rímini, como se tivesse de decidir a questão antecipadamente. Nem estou sujeito à autoridade deste, nem estás sujeito à autoridade daquele. Pelas autoridades das Escrituras, não pelas pessoais de cada um desses dois Concílios, mas pelas que são comuns a um e ao outro, dispute coisa com coisa, causa com causa, razão com razão[12]

Alguém poderia pensar que Agostinho considerava os concílios como uma “segunda autoridade” de fé, paralela às Escrituras, por ele ter dito que aceita o Concílio de Niceia. Contudo, um exame mais detido nos escritos de Agostinho nos mostra que ele só aceitava o que era dito nos concílios se os concílios estivessem de acordo com a Bíblia, que era vista como a única autoridade suprema de fé.

Em outras palavras, os concílios, para Agostinho, não tinham autoridade intrínseca e por essa mesma razão estavam sujeitos a revisões e erros, pois dependiam da única autoridade da Bíblia. Isso se opõe à visão romana e se alinha perfeitamente ao pensamento da Reforma. As igrejas protestantes também tinham seus próprios concílios, mas ainda assim criam na Sola Scriptura, porque sabiam que um concílio não tinha validade em si mesmo, mas sua aceitação dependia do grau de aproximação com as Escrituras.

O objetivo dos concílios, portanto, não era de formar uma outra autoridade ou regra de fé paralela à Bíblia, mas de sumariar os pontos de fé extraídos daquilo que a Bíblia ensina. Que Agostinho aceitava a visão reformada acerca do valor dos concílios em contraste com a visão romanista dos mesmos, isso fica claro quando vemos ele se referir a Cipriano e a um concílio:

“Cipriano emitiu opiniões que não são encontradas nas Escrituras canônicas, mas em seus próprios escritos, e em um Concílio”[13]

Agostinho se opôs ao parecer de Cipriano, mesmo este estando apoiado em um concílio, e a razão para isso é que aquele ensino não era encontrado nas Escrituras. O silêncio das Escrituras falava mais alto do que o som dos concílios. Ele via os escritos dos Pais da Igreja desta mesma forma:

“Em primeiro lugar, esta classe de escritos [dos Pais] deve ser considerado de menor autoridade, distinguindo-se da Escritura canônica. Pois tais escritos não são lidos por nós como um testemunho do qual seria ilegal manifestar qualquer opinião diferente, pois pode ser que as opiniões deles sejam diferentes daqueles que a verdade exige a nossa concordância [as Escrituras]”[14]

Ele distingue a autoridade dos Pais com a autoridade das Escrituras. Para ele, a Escritura era infalível e era ilegal se opor a algo que estivesse nela. Os escritos dos Pais, contudo, estavam sujeitos a erro, e só podiam ser considerados na medida em que estivessem em harmonia com as Escrituras. Portanto, a autoridade dos Pais depende da autoridade única e suprema da Bíblia. Era assim que ele respondia a quem se apoiava exclusivamente nas palavras de Cipriano:

“Você está encantado com a autoridade desse bispo e ilustre mártir Cipriano, que nós realmente respeitamos, como eu disse, mas como bastante distinto da autoridade da Escritura canônica[15]

Este conceito ele mantinha até mesmo quando o bispo em questão era Ambrósio, o seu tutor na fé durante muitos anos:

“Por mais respeitado que Ambrósio seja, e por mais santo que sabemos que ele é, ele não pode ser comparado com a autoridade da Escritura canônica”[16]

Assim sendo, se o ensino de algum Pai da Igreja ou de algum concílio não estava em harmonia com as Escrituras, era rejeitado, porque os concílios e os Pais não tinham autoridade intrínseca, mas só eram verdadeiros enquanto estivessem de acordo com a Bíblia. Eles não eram uma autoridade complementar à Bíblia, e sim uma autoridade dependente da Bíblia. Eles não serviam para fundamentar doutrinas fora das Escrituras, como se estivessem no mesmo grau de autoridade que a Bíblia. Agostinho chegou a dizer para rejeitar qualquer coisa que bispos católicos dissessem, se eles estivessem contra as Escrituras:

“Nem ouse alguém concordar com bispos católicos, se por acaso eles errarem em alguma coisa, resultando que sua opinião seja contra as Escrituras canônicas”[17]

Isso foi exatamente o que Lutero fez, quando viu que os bispos católicos já haviam se desviado da verdade bíblica há muito tempo, caindo em apostasia e diminuindo a autoridade da Bíblia diante da tradição. Agostinho repetiu essa posição ao dizer:

“Mas quem pode deixar de estar ciente de que a Sagrada Escritura canônica, tanto do Antigo como do Novo Testamento, está confinada dentro de seus próprios limites, e que ela está tão absolutamente em uma posição superior a todas as cartas posteriores dos bispos, e que sobre ela não podemos ter nenhum tipo de dúvida ou disputa se o que está nela contida é certo e verdadeiro, mas todas as cartas de bispos que foram escritas ou que estão sendo escritas são susceptíveis de serem refutadas, se há alguma coisa nelas contidas que se desvia da verdade[18]

Há um limite bíblico que ninguém pode passar, e que se restringe ao Antigo e Novo Testamento. Qualquer coisa que um bispo, por mais importante que seja, afirme sem o apoio das Escrituras, deve ser rejeitado, pois a verdade do que os bispos afirmam depende do quanto eles estão sendo fieis (ou não) às Escrituras. O conceito de que a Escritura possui sacralidade intrínseca, que a difere de modo único e singular de qualquer outra obra e de qualquer outra fonte, também está presente na carta de Agostinho a Fausto:

“Nos inúmeros livros que foram escritos ultimamente podemos às vezes encontrar a mesma verdade como está na Escritura, mas não é a mesma autoridade. A Escritura tem uma sacralidade peculiar a si mesma. Em outros livros, o leitor pode formar sua própria opinião, e, talvez, de não concordar com o escritor, por ter uma opinião diferente da dele, e pode pronunciar em favor do que ele escreve, ou contra o que ele não lhe agrada. Mas, em conseqüência da peculiaridade distintiva das Sagradas Escrituras, somos obrigados a receber como verdadeira qualquer coisa que tenha sido dita por um profeta, ou apóstolo, ou evangelista”[19]

Agostinho insistia em dizer que é somente pela confirmação nas Escrituras que os pontos de fé podem ser considerados:

“Essas coisas que eu propus pertencem a nossa crença, e podem ser confirmadas por você nessa nossa profissão de fé, sem prejuízo da autoridade da fé cristã. Porque eu não posso mostrar de modo algum que eu acertadamente acredito, a não ser que eu confirme aquela crença pela autoridade das Escrituras[20]

Para ele, a única maneira de mostrar que ele acertadamente acredita é confirmando a crença pela autoridade das Escrituras. Sem a confirmação Escriturística, não há nada certo ou confiável. Este princípio ele aplicava até para si mesmo:

“Pois os raciocínios de qualquer homens que seja, mesmo que seja católico e de alta reputação, não é para ser tratado por nós da mesma forma que a Escritura canônica é tratada. Estamos em liberdade, sem fazer qualquer ofensa ao respeito que estes homens merecem, para condenar e rejeitar qualquer coisa em seus escritos, se por acaso vemos que eles têm tido opiniões divergentes daquela que os outros ou nós mesmos temos, com a ajuda divina, descoberto ser a verdade. Eu lido assim com os escritos de outros, e eu gostaria que meus inteligentes leitores lidassem assim com os meus[21]

A Fausto, ele disse que “a autoridade estabelecida da Escritura deve superar todas as outras[22]. E ele concluiu dizendo: “Eu fecho com uma palavra de conselho para vocês que estão inseridos naqueles chocantes e condenáveis erros: que reconheçam a autoridade suprema da Escritura[23].

A afirmação mais clara da Bíblia como a autoridade suprema e como sendo a regra da qual toda a doutrina tem que ser submetida está em sua famosa obra “Cidade de Deus”, onde ele diz:

“Este mediador, tendo falado o que Ele julgou suficiente primeiramente pelos profetas, em seguida por Seus próprios lábios, e depois pelos apóstolos, também produziu a Escritura canônica, que tem autoridade suprema, e à qual nos submetemos assentimento em todos os assuntos[24]

Eles submetiam assentimento às Escrituras em todos os assuntos relacionados à fé, pois a Bíblia era considerada a autoridade suprema. Isso é tudo o que os reformados sustentaram na Reforma Protestante e tudo aquilo que os católicos romanos mais combatem hoje. Eles não submetem todos os seus pontos de fé à Bíblia, pois sustentam dogmas e doutrinas não-bíblicos, sustentados em uma tradição inventada por eles. O contraste entre Agostinho e o catolicismo romano é perturbador.

Ninguém que não fosse evangélico poderia assinar embaixo essas palavras ditas por Agostinho:

“Que mais eu vos ensino além do que leio no apóstolo? Pois a Escritura Sagrada fixa a regra para a nossa doutrina, a menos que ousemos ser mais sábios do que devemos (...) Portanto, não devo ensinar-vos qualquer outra coisa, a não ser expor-vos as palavras do Mestre”[25]

Agostinho não ensinava nada além do que lia nos apóstolos. Ele não menciona uma “tradição oral”. Seus ensinos não ultrapassavam o que era lido nas Escrituras. A Bíblia, para Agostinho, era uma regra fixa para a doutrina, regra essa que ninguém poderia ousar ultrapassar. Ele não ensinava nada além das doutrinas ditas por Jesus e registradas nas Escrituras. Essa “regra fixa da doutrina” nada mais é senão o mesmo que os reformados consideravam como “única regra de fé”.

As Escrituras funcionavam para Agostinho da mesma forma que funcionavam para os reformadores: ela é uma regra fixa, da qual nenhuma doutrina pode ultrapassar. Portanto, ela pode ser considerada a única regra de fé, tanto por Agostinho, como pelos reformadores. Qualquer um que vá contra isso está tentando “ser mais sábio do que deve ser”, o que é claramente repudiado por ele. Isso é basicamente o mesmo daquilo que Agostinho disse em outro lugar:

“Se alguém pregar, seja com referência a Cristo ou à sua igreja, ou a qualquer outro assunto que se refira à nossa fé e vida, não direi se nós, mas sim o que Paulo acrescenta: se um anjo vindo do Céu pregar qualquer coisa além do que recebestes pela Escritura sobre a Lei e os Evangelhos, que seja anátema[26]

Era “anátema” (amaldiçoado) qualquer um que recebesse doutrinas que não estivessem na Bíblia. Quantos concílios, papas e bispos romanos já não teriam sido anatemizados por Agostinho se este estivesse vivo hoje para presenciar!

Agostinho também bateu firme na tecla de que a Bíblia é suficiente para a salvação. Foram muitas as vezes em que ele repetiu este conceito, contrário ao que é crido hoje pela Igreja Romana. Ele disse, por exemplo, que na Escritura são abertamente encontrados todos os ensinos que envolvem a fé:

“Entre as coisas que são ditas abertamente na Escritura devem ser encontrados todos os ensinos que envolvem a fé, os hábitos de vida, a esperança e a caridade que temos discutido”[27]

Para ele, a Escritura não silencia em vista de nossa salvação:

“Assim, em vista de nossa salvação, a Sagrada Escritura não silenciou sobre este tipo de fornicação da alma”[28]

As coisas que são lidas na Escritura estão ali precisamente para a nossa salvação:

“Todas as coisas que são lidas nas Sagradas Escrituras, a fim de nossa instrução e salvação, cabe-nos ouvir com séria atenção”[29]

Ele afirma ainda que “nos ensinos que estão claramente baseados na Escritura encontra-se tudo o que diz respeito à fé e à conduta de vida”[30]. A ideia de que a Bíblia é doutrinariamente incompleta ou insuficiente para a salvação era completamente estranha para Agostinho. Ele dizia que a Escritura torna o homem “perfeitamente preparado para o Seu serviço pelos conselhos rentáveis ​​de Sua palavra escrita”[31].

Ele também declara que a salvação em Cristo está testemunhada pelas Escrituras e elenca uma série de coisas presentes na Bíblia que não deixa nada de sobra:

“Essa mesma nação também foi posteriormente dispersa pelas nações, a fim de testemunhar pelas Escrituras que a eterna salvação em Cristo tinha sido declarada. Pois não apenas as profecias estão contidas na Palavra, nem apenas os preceitos para a conduta correta da vida, que ensinam a moral e piedade, e estão contidas nos sagrados escritos, mas também ritos, sacerdócio, tabernáculo ou templo, altares, sacrifícios, cerimônias e tudo aquilo que pertence a esse serviço que é devido a Deus”[32]

Ao examinar as Escrituras, ele encontrava tudo aquilo que era necessário para a sua salvação:

“Essas e coisas semelhantes que eu deveria ou ter dito a eles ou considerado comigo mesmo, pois até então, suplicando a Deus com todas as minhas entranhas, por assim dizer, e examinando as Escrituras tão atentamente quanto possível, eu deveria talvez ter sido capaz, ou de dizer tais coisas ou pensá-las, tanto quanto era necessário para a minha salvação[33]

Além disso, ele também diz não haver grande dificuldade em chegar pelas Escrituras às coisas necessárias à salvação:

“Pois tal é a profundidade das Escrituras cristãs, que mesmo se eu fosse tentar estudá-las e nada mais fizesse desde a infância até a velhice, com o máximo de tempo livre, e com o mais incansável zelo e talentos maiores do que eu tenho, eu ainda estaria diariamente progredindo em descobrir seus tesouros. Não que exista grande dificuldade em chegar nelas para saber as coisas necessárias à salvação, mas quando alguém aceita essas verdades com a fé que é indispensável para uma vida de piedade e retidão, então muitas coisas que estão veladas sob múltiplas sombras de mistério restam a serem investigadas por aqueles que estão avançando no estudo”[34]

Ele não negava o fato de que existem certas passagens bíblicas obscuras e de difícil interpretação, mas dizia que nunca surgiu um ponto obscuro em que, por causa dele, alguém poderia perder a salvação:

“Pois sempre que surge uma pergunta sobre um assunto extraordinariamente obscuro, no qual nenhum auxílio pode ser prestado por claras e certas provas da Sagrada Escritura, a presunção do homem deve conter-se; nem deve tentar qualquer coisa definitiva, inclinando-se para os lados. Mesmo assim, na Sagrada Escritura, que é a mais clara autoridade, nunca surgiu um ponto em que algum homem poderia ser ignorante ao ponto de pôr em risco a salvação que foi prometida a ele[35]

Em outras palavras, a Bíblia é suficientemente clara em todos os pontos necessários para a salvação. Os pontos de difícil interpretação não influenciam na perda da salvação, mas são detalhes que podem ser solucionados através das passagens mais claras sobre o mesmo assunto. Agostinho seguia à risca o lema da Reforma, de que “a Bíblia interpreta a Bíblia”:

“O Espírito Santo dispôs a Escritura Sagrada de uma forma tão magnificente e proveitosa que, por meio das claras passagens, ele sacia a fome, e por meio das passagens obscuras ele evita a aversão. Porque dificilmente alguma coisa provém das passagens obscuras, mas o que é afirmado em outra parte é mais claro[36]

Para ele, as passagens mais claras da Escritura devem servir de intérprete para as passagens mais obscuras:

“Agora, apesar de eu mesmo não ser capaz de refutar os argumentos desses homens, eu ainda vejo o quanto é necessário aderir estreitamente para com as claras afirmações das Escrituras, a fim de que as passagens obscuras possam ser explicadas com a ajuda dessas”[37]

Este foi exatamente o mesmo método aplicado pelos reformadores na interpretação da Bíblia. Rejeitando a autoridade de um suposto magistério infalível em Roma – completamente desconhecido por todos os Pais da Igreja – os reformadores insistiram que a Bíblia serve de intérprete para a própria Bíblia, sendo que as passagens mais claras lançam luz às mais obscuras. Isso não é novidade da Reforma, mas é puramente o que já era ensinado por Agostinho, que também mostrava desconhecer a autoridade de um magistério interpretando a Bíblia.

Agostinho também dizia que os sinais comunicados por Deus se encontravam nas Escrituras, naquilo que nos foi legado por escrito:

“É sobre esse tipo de sinais e no que se refere aos homens que determinei examinar e estudar aqui. E por que os sinais nos foram comunicados por Deus, e que se encontram nas santas Escrituras, foram-nos comunicados pelos homens que as escreveram”[38]

Ele sustentava que “caminha-se com muito mais confiança ao seguir as divinas Escrituras”[39], e que “o homem temente a Deus procura diligentemente a vontade divina nas santas Escrituras”[40]. Quando alguém errava, ele mostrava e refutava o erro tendo por base as Escrituras:

“Essa heresia tornou-nos mais vigilantes e diligentes para descobrirmos nas santas Escrituras o que escapou a Ticônio, menos atento, em menos preocupado em saber que a fé é um dom daquele que reparte a cada um segundo a sua medida”[41]

O orador, segundo Agostinho, tinha que ser sempre fiel às palavras da Escritura, e provar o que dizia com citações Escriturísticas:

“É, pois, de toda a necessidade para o orador – que tem o dever de falar com sabedoria, ainda que não consiga fazê-lo com eloquência – ser fiel às palavras das Escrituras (...) Assim, quem era menor por seu próprio vocabulário crescerá pelo testemunho das magníficas palavras das Escrituras. Ele agradará, certamente, ao provar com citações Escriturísticas, já que pode desagradar com suas palavras pessoais”[42]

A verdade era investigada de acordo com as Escrituras:

“Devemos investigar o que é a verdade neste assunto de acordo com as Escrituras”[43]

Qualquer que fosse a teoria apresentada para a origem da alma, tinha que ser confirmada por passagens bíblicas que não admitissem nenhuma outra interpretação. Não há qualquer mínima sugestão de que a tradição bastasse para provar o mesmo:

“Tenho escrito estas coisas a fim de mostrar que quem está disposto a manter e reivindicar qualquer uma destas quatro teorias da origem da alma deve apresentar, a partir das Escrituras recebidas como autoridade eclesiástica, passagens que não admitem qualquer outra interpretação[44]

Quando uma analogia não tinha base bíblica, ele dizia:

“Essa analogia não parece harmonizar para mim suficientemente com a autoridade das declarações das nossas Escrituras”[45]

Para ele, a verdadeira noção de Igreja deveria ser buscada nas Escrituras – exatamente como fizemos no capítulo 2 deste livro:

“Mas também orando por eles, que Deus abra o entendimento deles, e que eles possam compreender as Escrituras. Pois nos livros sagrados, onde o Senhor Jesus é manifesto e onde também a Igreja dele é declarada, eles demonstram extraordinária cegueira, pois não sabem nada sobre o próprio Cristo salvar, o que é revelado nas Escrituras, e com vaidade e falsidade humana formam suas noções da Igreja dele, em vez de aprender o que isso é na autoridade dos livros sagrados[46]

Quando Agostinho analisava um assunto relacionado à fé, ele fazia questão de considerar o assunto a partir daquilo que era possível de se reunir nas Sagradas Escrituras:

“Certamente é muito mais difícil de acreditar que os santos anjos estão agora incertos de sua eterna bem-aventurança, de acordo com o que temos sido capazes de reunir e considerar a partir das Sagradas Escrituras”[47]

Daí vem a sua afirmação no mesmo livro:

“O que afirmamos, vamos provar pelas Escrituras”[48]

E também:

“Nós mesmos também temos falado dessas coisas nos livros anteriores, e temos escrito o que lemos na Sagrada Escritura, e o que podemos razoavelmente deduzir a partir dela”[49]

Outra afirmação mais clara sobre a Bíblia como a fonte de fé dos primeiros cristãos é quando ele diz:

“A Sagrada Escritura que chamamos canônica, Antigo e Novo Testamento, é a fonte da fé pela qual o justo vive”[50]

Ele não diz que a Escritura é uma das fontes, como se existissem outras que dividissem lugar com a Bíblia, mas sim a fonte, com artigo definido, no singular. Era a Bíblia, toda a Bíblia e somente a Bíblia a fonte de fé pelo qual o justo vive. Este princípio reformado nada mais era senão um coro com as palavras de Agostinho.

Até quando ele escrevia sobre a Trindade, que os romanistas afirmam ter sido “baseada na tradição”, ele dizia que tinha que provar pela Bíblia:

“Antes, porém, temos de demonstrar, de acordo com a autoridade da Sagrada Escritura, que a fé é assim”[51]

Ele ainda dizia que a Trindade era “suficientemente demonstrada de acordo com a fé da Sagrada Escritura”[52]. Aquilo que ele não conseguia encontrar nas Escrituras, ele mantinha a prudência e se calava:

“Deus ameaça visitar a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gerações, porque em sua misericórdia, não se estende a Sua ira contra os pecados dos progenitores mais do que isso, para aqueles que não obtêm a graça da regeneração possa ser esmagado sob um fardo pesado demais, se eles forem obrigados a suportar a culpa que tem como origem todos os pecados de todos os seus progenitores desde o início da raça humana, e para pagar a pena que lhes é devida. Ou, se há qualquer outra solução para esta grande questão, não pode ser encontrada na Escritura por uma pesquisa mais diligente e uma interpretação mais cuidadosa, então eu não ouso afirmar precipitadamente[53]

Todas as coisas apresentadas por Agostinho, o manso poderia encontrar nas Escrituras:

“Os mansos, a quem Deus ensina Seus caminhos, vai encontrar todas essas coisas nas Escrituras, e vai acreditar naquilo que vê”[54]

Agostinho também previu que, depois da ascensão de Jesus, a fé estaria preservada em um único lugar: na Bíblia. Ele disse:

“Deveis notar e reter particularmente em vossa memória que Deus quis lançar um firme fundamento nas Escrituras contra erros traiçoeiros, um fundamento contra o qual ninguém, que de algum modo fosse considerado cristão, ousasse falar. Porquanto, quando ele se ofereceu ao povo para que o tocasse, isso não o satisfez, exceto se ele também confirmasse o coração dos crentes com base nas Escrituras, pois ele anteviu que o tempo chegaria em que não haveria coisa alguma a tocar, porém teria alguma coisa a ler[55]

Para os papistas, a fé estaria preservada no que é lido e no que foi pregado oralmente e transmitido adiante. Mas Agostinho ignora por completo qualquer tradição oral supostamente existente e aponta um único lugar como sendo aquele fundamento que permaneceria mesmo depois que já não pudéssemos tocar no Mestre: a Bíblia. Não podemos tocá-Lo mais, mas temos alguma coisa a ler. Temos um “firme fundamento nas Escrituras”. É esta a nossa regra de fé.

A Escritura, para Agostinho, era o “o livro de Deus, carta que nosso Pai celeste nos envia da pátria”[56]. Como ele também expressou em outra ocasião, “a Escritura é a voz do Cristo”[57]. Esta Escritura, por sua vez, não estava confinada a um magistério romano, mas podia ser livremente examinada por todos, como ele disse:

“Portanto, eu tenho nesta carta, que chegou a você, mostrado por passagens da Sagrada Escritura, que você pode examinar por si mesmo, que nossas boas obras e piedosas orações não poderiam existir em nós, a menos que tenhamos recebido tudo a partir dele”[58]

A Escritura podia ser interpretada por todos os que a lessem:

“Daí provém que a divina Escritura, a qual socorre a tão grandes males da vontade humana, tendo sido originada de uma só língua que lhe permitia propagar-se oportunamente pelo orbe da terra, foi divulgada por toda a parte, em diversidade de línguas, conforme os intérpretes. Os que a leem não desejam encontrar nela mais do que o pensamento e a vontade dos que a escreveram e desse modo chegar a conhecer a vontade de Deus, segundo a qual creem que esses homens compuseram”[59]

Ao invés de dizer que “os que leem” devem buscar a interpretação do infalível magistério romano, ele diz que os que leem devem tentar interpretar a Bíblia em conformidade com o sentido expresso pelos homens que a compuseram. Por isso, “quem escruta os divinos oráculos deve esforçar-se por chegar ao pensamento do autor, por cujo intermédio o Espírito Santo redigiu a Escritura”[60].

O princípio seguido e incentivado por Agostinho não era o de ler a Bíblia e consultar a interpretação oficial do papa, mas sim aquele mesmo princípio reformado, onde o leitor deve particularmente orar a Deus para que possa entender as Escrituras:

“Agora, quem é que se submete a divina Escritura, se não aquele que a lê ou ouve piamente, submetendo a ela como de autoridade suprema; de modo que o que ele entende ele não rejeita por causa disso, sentindo que ela seja contrária aos seus pecados, mas ama sendo repreendido por ela, e se alegra de que seus males não são poupados até que sejam curados; e por isso que, mesmo em relação ao que lhe parece obscuro ou absurdo, ele, portanto, não levanta contradições ou controversas, mas ora para que ele possa entender, entretanto lembrando que a boa vontade e reverência há de se manifestar no sentido de uma tão grande autoridade?”[61]

É também importante ressaltar que Agostinho redigiu uma obra inteira destinada às regras de interpretação da Bíblia, conhecida como “A Doutrina Cristã”, dividida em vários volumes. Surpreendentemente, nela não há sequer uma única linha dizendo que a interpretação correta da Bíblia está confiada exclusivamente a um magistério romano. Ao contrário: ele mostra ao leitor como ele deve interpretar particularmente a Bíblia, seguindo as regras e instruções de exegese que ele observou em sua obra:

“Quanto aos princípios que devem ser seguidos na interpretação das Sagradas Escrituras, são demonstrados no livro que eu escrevi, e em todas as introduções aos livros divinos que eu tenho na minha edição prefixado para cada um; basta remeter ao prudente leitor”[62]

Seria realmente de um esquecimento incrível ou de uma soberba enorme se Agostinho tivesse propositalmente ou ocasionalmente deixado de mencionar aquilo que deveria ser o mais importante sobre a interpretação da Bíblia em uma obra sobre a interpretação da Bíblia: que a Bíblia só pode ser corretamente interpretada pelo magistério romano. A razão pela qual Agostinho nunca cita um magistério particular em Roma como autoridade infalível na interpretação das Escrituras, mas transmite regras gerais de exegese para que qualquer leitor pudesse ler e interpretar a Bíblia, é porque a Igreja primitiva só era Romana na ilusão de mentes presas ao erro, ao sofisma e à mentira.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

-Extraído de meu livro: "Em Defesa da Sola Scriptura"


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Estudando Escatologia (Estudos sobre o Apocalipse)





[1] A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 9.
[2] A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 63.
[3] Confissões, Livro VI, 5:2-3.
[4] Do Sermão do Monte, Livro I, 11.
[5] A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 4.
[6] Confissões, Livro XIII, 15.
[7] Letter 40, 3.
[8] Letter 82, 2.
[9] De unitate ecclesiae, 3.
[10] O cuidado devido aos mortos, 2.
[11] De unitate ecclesiae, 3.
[12] Contra Maximino e Ário, II, XIV, 3.
[13] Letter 93, 10.
[14] Letter 93, 10.
[15] Letter 93, 10.
[16] Da graça de Cristo e do pecado original, Livro I, 47.
[17] De unitate ecclesiae, 10.
[18] Do Batismo, Contra os Donatistas, Livro II, 3.
[19] Contra Fausto, Livro XI, 5.
[20] Acts or Disputation Against Fortunatus, 20.
[21] Letter 148, 4.
[22] Contra Fausto, Livro XIII, 5.
[23] Contra Fausto, Livro XXXIII, 9.
[24] A Cidade de Deus, Livro XI, 3.
[25] De Bono Viduitatis, 2.
[26] Contra Litteras Petiliani, Livro III, 6.
[27] On Christian Doctrine (Nova York: Liberal Arts Press, 1958), II:9.
[28] A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 31.
[29] Homília 2 sobre a Primeira Epístola de João, 1.
[30] Agostinho, citado em ARMSTRONG, John H. Sola Scriptura, p. 96.
[31] Letter 21, 6.
[32] A Cidade de Deus, Livro VII, 32.
[33] Of Two Souls, 8.
[34] Letter 137, 1.
[35] On Merit and the Forgiveness of Sins, and the Baptism of Infants, Livro II, 59.
[36] Agostinho, citado em Pieper, Christian Dogmatics, p. 324.
[37] On Merit and the Forgiveness of Sins, and the Baptism of Infants, Livro III, 7.
[38] A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 3.
[39] A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 39.
[40] A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 1.
[41] A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 46.
[42] A Doutrina Cristã, Livro IV – Sobre a maneira de ensinar a doutrina, 8.
[43] Letter 34, 5.
[44] Letter 143, 11.
[45] Letter 167, 3.
[46] Letter 185, 1.
[47] A Cidade de Deus, Livro XI, 13.
[48] A Cidade de Deus, Livro XIV, Capítulo 7.
[49] A Cidade de Deus, Livro XV, 1.
[50] A Cidade de Deus, Livro XIX, 18.
[51] Sobre a Trindade, Livro I, 2.
[52] Sobre a Trindade, Livro XII, 5.
[53] Manual de Fé, Esperança e Amor, 47.
[54] Contra Fausto, Livro XII, 30.
[55] In Epistolam Johannis Tractus, 2.
[56] In, Ps 26,II,1.
[57] Os Christi Envangelium est; Sermão 851,1.
[58] Letter 214, 4.
[59] A Doutrina Cristã, Livro II – Sobre os sinais a serem interpretados nas Escrituras, 6.
[60] A Doutrina Cristã, Livro III – Sobre as dificuldades a serem dissipadas nas Escrituras, 38.
[61] Do Sermão do Monte, Livro I, 11.
[62] Letter 75, 6.

Comentários

  1. Lucas, quando um católico se deparar com um artigo desse, a primeira coisa que ele vai dizer é que Agostinho era CATÓLICO, e que cria na "Virgem" Maria. Como por exemplo, este artigo aqui: http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/controversias/565-santo-agostinho-era-protestante

    No meu ponto de vista, a obra dos Pais da Igreja só mostra e nos ensina como a Igreja Cristã dos primeiros século foi se decaindo e se desviando do evangelho puro e genuíno que eles recebera dos apóstolos.

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    1. Católico sim (no sentido antigo de "universal"), mas não católico-romano, que é um desenvolvimento posterior. Mas você tem razão, os Pais não eram infalíveis nem acertavam em tudo, e quanto mais os séculos passavam e mais distante ficavam dos apóstolos, mais enganos e falsas doutrinas foram entrando na Igreja, até se tornar esse paganismo puro que a Igreja Romana é hoje. Eu escrevi sobre isso neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/um-pequeno-resumo-da-historia-da-igreja_8.html

      Abraços.

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    2. As vezes eu tenho a impressão de que foi tanto debate entre os pais da igreja, que parece que eles não tinha recebido a doutrina dos apóstolos do jeito que foi ensinada no primeiro século até a morte de João. O fato é que inegavelmente eles entendiam que somente a Escritura Sagrada tem valor doutrinário para o servo de Cristo Jesus, e a única tradição correta era aquela que estava de acordo com a Bíblia. Mas, tenho uma certa dúvida sim, no que se refere, ao entendimento deles. Pois eram próximo dos apóstolos, no entanto, tinham muitas dúvidas quanto a doutrina da trindade ou com relação ao papel de Maria ou a estrutura da igreja, etc? Parece que de fato, estava se cumprindo o que disse o apóstolo Paulo:

      Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades. 2° Timóteo 4.3

      Com isso não estou dizendo que os pais da igreja eram certos ou errados. Mas, a centelha da apostasia já estava dentro da igreja já naquela época e por que não dizer no primeiro século:


      Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho
      que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo.
      Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!
      Como já dissemos, agora repito: Se alguém lhes anuncia um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado!
      Gálatas 1:6-9

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    3. Sim, com certeza. A história da Igreja antiga é uma história de corrupção lenta e gradual. Quanto mais os séculos passam, mais heresias vão surgindo, e maior e mais urgente a necessidade de uma Reforma.

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  2. lucas vc nao ia resumir e explicar o apocalipse em ordem cronológica que eu tinha te pedido ? Eu nem sei mais em quem acreditar, pq na internet e ate em livros cada autor fala uma coisa diferente um do outro...se possível não pule nenhum capítulo...eu queria ver a ordem narrada dos fatos cronologicamente como se fosse uma historia...mas sem o uso de simbolos que é onde u nao entendo nada e o livro complica..

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    1. Eu estou escrevendo, estou no capítulo 12 ainda. Talvez acabe hoje e publique amanhã, senão publico outro amanhã e deixo esse pra daqui uns dias. Abs.

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    2. Terminei:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/06/um-resumo-completo-do-apocalipse.html

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  3. Mas santo agostinho não é católico ? Como chamava a igreja que ele liderava ?
    Se os pais da igreja foram todos falhos como podemos confiar neles autenticamente sobre qq assunto e como confiar neles ja que o canon do NT foi dado por eles ?
    Qual a influencia da agostinho no cristianismo ? pois agostinho ensina a intercessão de mortos...ou seja, vc mesmo nao segue agostinho, pois sabe que ele errou em alguns pontos...do mesmo modo um catolico pode pegar textos de agostinho defendendo o primado de pedro e a intercessão de santos e usar em favor deles....ou seja...debater isso e patristica acaba sendo uma espada de dois gumes..e isso serve pra que se cada um prova aquilo que quiser com patristica ?

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    1. Agostinho fazia parte da Igreja antiga que tinha o nome de "católica", e que não pode ser confundida com a Igreja Católica ROMANA de hoje, o que incorreria em um grave erro de anacronismo. Eu escrevi sobre o significado de "Igreja Católica" nos Pais da Igreja neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/o-significado-de-catolica-nos-pais-da.html

      Eu nunca disse que podemos confiar neles sobre "QUALQUER ASSUNTO". Se os romanistas fizessem isso eles também teriam que abandonar o papismo, já que os Pais da Igreja em conjunto rejeitavam dogmas romanos como a imaculada conceição, por exemplo. Os Pais da Igreja eram intérpretes da Bíblia, com a diferença de que viviam em uma época mais próxima dos apóstolos e por esta razão, em tese, possui uma maior confiabilidade em princípio do que um intérprete moderno (o que não significa necessariamente que os intérpretes modernos estejam sempre errados, nem que os intérpretes antigos estivessem sempre certos).

      Quanto ao cânon bíblico, há uma confusão aqui. Os Pais não determinaram cânon nenhum. Eles apenas reconheceram um cânon, usando critérios legítimos que qualquer historiador concordaria. Isso não tem a ver com doutrina. Cânon não é doutrina, nem é uma determinação de outra pessoa a não ser de Deus, que previamente decidiu quais livros seriam inspirados pelo Espírito Santo e fariam parte da Bíblia, bastando aos homens reconhecer isso e nada mais.

      É claro que eu não sigo Agostinho em todos os pontos. Não creio que Agostinho fosse infalível. Nem o próprio Agostinho se considerava infalível. Ele dizia que infalível é somente Deus. Eu "sigo" Agostinho, no sentido de concordância, quando aquilo que Agostinho ensina encontra respaldo naquilo que as Escrituras ensinam. Se é um ensino estranho à Bíblia, é claro que não. A revelação cessou no século I, não em Agostinho.

      O problema é que os romanistas tem na cabeça deles uma ideia bisonha e barata segundo a qual os Pais da Igreja eram bons católicos romanos, crendo em todas as doutrinas papistas atuais. Isso é LENDA. Eu nunca disse que os Pais eram "protestantes", embora os primeiros Pais, em especial os do século I e II, eram bastante semelhantes aos evangélicos atuais. Mesmo assim, eu nunca disse tal coisa. Mas se por um lado eles não eram "protestantes", muito menos eram "romanistas". Muitos ensinaram um monte de doutrinas anti-católicas que se fossem pregadas hoje seria motivo de excomunhão. E essa verdade precisa ser dita, antes que mais ignorantes e desinformados fiquem pensando que a Igreja Romana atual é um reflexo da Igreja antiga.

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  4. Podemos considerar Agostinho o ''pai da teologia'' ? Pelo conhecimento e influência dele ? E ele foi determinista igual Calvino ou Calvino só se inspirou nele na questão de predestinação(escolher pessoas pra ir pro céu ou paraíso)

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    1. Pela influência sim. Mas pelo conhecimento houve outros Pais da Igreja que eram tão célebres quanto ele.

      Nunca li alguma citação determinista de Agostinho, nem mesmo depois de sua mudança de ponto de vista em relação à predestinação. Ou seja, ele passou a crer na predestinação estilo calvinista, mas não deu um passo a mais para aderir ao determinismo, até porque o determinismo era expressamente condenado nos sínodos da época.

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  5. Banzoli, o que você tem a dizer sobre este artigo:

    http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/controversias/565-santo-agostinho-era-protestante

    Li em algum outro lugar que Agostinho aceitavam o Cânon com os deuterocanônicos. Que me diz?

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    1. Eu nunca disse que Agostinho rejeitava os livros apócrifos, pelo contrário, sempre disse que foi justamente o fato dele aceitar que levou os concílios de Hipona e de Cartago a incluí-los em suas listas do cânon bíblico, dada a enorme influência do bispo de Hipona já em sua época. Em contrapartida, a esmagadora maioria dos Pais da Igreja de data anterior a Agostinho rejeitava todos os apócrifos ou grande parte deles, como demonstrei nesses artigos:

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      Mas o próprio Agostinho não colocava os apócrifos no mesmo nível dos demais livros do cânon (Da Justificação dos Santos, XIV); o termo “cânon” para ele tinha um sentido mais amplo que abrangia esses livros, ainda que não os considerasse autoritativos. Ainda mais significativo do que isso é o fato de Jerônimo, contemporâneo de Agostinho, ter rejeitado categoricamente todos os apócrifos, e que a maioria dos Doutores da Igreja de época posterior rejeitasse os apócrifos pelo fato deles não constarem no cânon de Jerônimo, como por exemplo:

      • Radulfo Flavicêncio (Séc. XII)

      “Nas Sagradas Escrituras, há quatro tipos de discurso: histórico, profético, proverbial e simples. História está relatando fatos passados, como nos cinco livros de Moisés. Nisto, apesar dos temas a respeito dos quais são escritos estarem cheios de figuras, não obstante o legislador declara estas coisas serem ordenadas pelo Senhor, ou cumpridas por ele mesmo ou seu povo. Da mesma forma, os livros de Josué, Juízes, Rute, Reis, Crônicas, Esdras, Ester, os quatro Evangelhos e os Atos dos Apóstolos pertencem à história sagrada. De Tobias, Judite e Macabeus, apesar deles serem lidos para a instrução da Igreja, no entanto não possuem completa autoridade” (Radulfo Falvicêncio, Comentário em Levítico, Prefácio ao livro XIV)

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    2. • Hugo de São Vítor (1096-1141)

      “Agora é apropriado mostrar em quais livros aquilo que é reconhecido no nome do julgamento divino ser Escrituras. Há dois Testamentos que incluem todas as divinas Escrituras em um corpo: O Velho e o Novo. Ambos estão divididos em três ordens. O Velho Testamento contém a Lei, os Profetas e os Hagiógrafos, que interpretado significa ou os escritores sagrados ou as coisas sagradas escritas. Há cinco volumes na Lei: que é Gênesis, Êxodo, Levítico, Número e Deuteronômio. Gênesis é assim chamado de geração, Êxodo vem de 'exit' - sair – Levítico vem de Levitas, o livro dos Números, porque nele os filhos de Israel foram numerados, Deuteronômio com base na Lei, e em hebraico, 'bresith', 'hellesmoth', 'vagetra', 'vegedaber', 'adabarim'. Há oito volumes na ordem dos Profetas. O primeiro no livro de Josué, que é também chamado Jesu Nave e Josue Bennun, que é filho de Nun; o segundo o livro dos Juízes, que é chamado Sophthim, o terceiro o livro de Samuel, que é o primeiro e segundo livro dos Reis, o quarto é Malaquias, que é entendido como o dos Reis, que é o terceiro e quarto dos Reis; o quinto é Isaías, o sexto Jeremias; o sétimo Ezequiel; o oitavo o livro dos doze profetas, que é chamado de 'thareasra'. Eles são chamados de proféticos porque eles são ‘dos profetas’, contudo, nem todos são profecias. Um profeta é assim chamado com relação a três coisas: o ofício, a graça e a missão. A palavra é também frequentemente encontrada em uso comum para indicar profetas que são profetas tanto em relação ao ofício do profeta ou em relação a ter sido claramente enviado como profeta, como no caso aqui. De acordo com esta definição, Davi e Daniel e vários outros não são ditos profetas, mas hagiógrafos. Há nove volumes na ordem dos Hagiógrafos: primeiro Jó, segundo o livro dos Salmos, terceiro os Provérbios de Salomão, que é chamado 'Parabolae' em grego e 'Masloth' em hebraico, o quarto Eclesiastes que é traduzido como 'coeleth' em hebraico e 'concionator' [lit.: o conferencista do povo, palestrante] em latim; o quinto, 'syra syrim', que é o Cântico dos cânticos; o sexto Daniel, o sétimo Paralipomenon, que em latim é chamado as Palavras dos Dias e em hebraico é chamado 'dabreniamin'; o oitavo é Esdras e o nono Ester. Estes são todos, que são cinco e oito e nove, fazendo vinte e dois, assim como o número das letras no alfabeto hebraico, assim que a vida do justo possa ser instruída no caminho da salvação por tantos livros quanto as letras educam as línguas do inteligente em eloquência. Há alguns outros livros além destes no Velho Testamento, que são algumas vezes lidos, mas eles não estão inscritos no corpo do texto ou no cânon autorizado, tais quais os livros de Tobias, Judite, e os Macabeus, e um chamado a Sabedoria de Salomão e Eclesiástico” (Hugo de São Vítor, De sacramentis. Prólogo, Cap. VII)

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    3. “A primeira subseção do Velho Testamento é a lei, que os hebreus chamam de thorath, contém o Pentateuco, que são os cinco livros de Moisés. Nesta subseção o primeiro é Beresith, que é Gênesis; segundo Hellesmoth, que é Êxodo; terceiro é Vagethra, que é Levítico; quarto Vagedaber, que é Números; quinto Elleaddaberim, que é Deuteronômio. A segunda subseção é a dos profetas e contém oito textos. O primeiro é Bennum, que é, Filho de Nun, que é chamado de Josué e Jesus e Jesus Nave.O Segundo é Sathim, que são os Juízes; terceiro Samuel, que é primeira e segunda Reis; quarto Malaquias, que é terceira e quarta Reis; quinto Isaías; sexto Jeremias; sétimo Ezequiel; oitavo Thereasra, que são os doze profetas. A terceira subseção tem nove livros. Primeiro é Jó, segundo Davi, terceiro Masloth, que em grego é Parabolae mas em latim é Provérios, isto é de Salomão; quarto Coeleth, que é Eclesiastes; quinto Sirasirim, que é o Cântico dos cânticos; sexto Daniel, sétimo Dabreiamin, que são as Crônicas; oitavo Esdras; nono Ester. Todos eles se somam vinte e dois. Além disto, há alguns outros livros, tais quais a Sabedoria de Salomão, o livro de Jesus filho de Siraque, e o livro de Judite, Tobias e o livro dos Macabeus que são lidos mas não são considerados no cânon. A estes vinte e dois livros do Velho Testamento (...) Então os escritos dos santos pais, que são Jerônimo, Agostinho, Ambrósio, Gregório, Isidório, Orígenes, Beda e os outros doutores, que são incontáveis. Estes escritos patrísticos não são contados no texto das Santas Escrituras, assim como no Velho Testamento, como temos dito, há certos escritos que não estão inscritos no cânon e ainda são lidos, como a Sabedoria de Salomão, etc. E assim o texto das Sagradas Escrituras, como um corpo inteiro, é principalmente contido em trinta livros, vinte e dois destes são reunidos no Velho e oito no Novo Testamento” (Hugo de São. Vítor, De Scripturis et Scriptoribus Sacris Praenotatiunculae, Cap. VI, De ordine, numero et auctoritate librorum sacrae Scripturae)

      • João de Salisbury (Séc. XII)

      “E assim eu fico feliz de tomar para você as questões propostas, e respondê-las, com permissão feita para minhas presentes oportunidades e tarefas urgentes, não como eu deveria, mas tão bom quanto eu puder por enquanto. As questões foram: qual você acredita ser o número dos livros do Velho e Novo Testamento, e quem são seus autores... Sobre o número dos livros eu me encontrei lendo diversas e numerosas opiniões dadas pelos pais; e assim eu sigo Jerônimo, professor da Igreja Católica, de quem eu mantenho ser a testemunha mais segura em estabelecer a base da interpretação literal. Assim como é aceito que há vinte e duas letras no alfabeto hebraico, assim acredito sem sombra de dúvidas que há vinte e dois livros no Velho Testamento, divididos em três categorias” (Letters of John of Salisbury, W.J. Millor S.J. e C.N.L. Brooke, editores - Oxford: Clarendon, 1979 -, Carta 209, páginas 317, 319, 321, 323, 325)

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    4. • Antonino (Séc. XV)

      “Os judeus,... de acordo com Jerônimo em seu prólogo Galeatus... criaram quatro divisões dos livros do Velho Testamento. A primeira eles chamam de Lei... a segunda de Profetas,... a terceira de Hagiografia,... a quarta (que os judeus não colocam no cânon das Escrituras Sagradas mas chamam de apócrifos) eles fazem com os outros cinco livros, a saber, Sabedoria, Eclesiástico, Judite, Tobias e Macabeus, que é dividido em dois livros; a respeito destes cinco livros Jerônimo diz em seu prólogo a Judite, que sua autoridade é julgada menos que apropriada para fortalecer aquelas coisas que vierem em disputa... E Tomás diz a mesma coisa na Secunda secundae, e Nicolas de Lyra em Tobias, a saber, que eles não possuem tal autoridade, que não se pode ser argumentado de suas palavras o que pertence à fé, como outros livros das Escrituras Sagradas. Daí, talvez, eles possuem tanta autoridade quanto as palavras dos sagrados Doutores aprovados pela Igreja” (Sancti Antonini, Archiepiscopi Florentini, Summa Theologica, In Quattuor Partes Distributa, Pars Tertia, Tit xviii, Cap vi, Sect 2, De Dilatatione Praedicationis, Col 1043-1044)

      Eu teria que perder dias para refutar cada asneira do artigo do paspalhão, mas para resumir, o cara não sabe nem o que significa IMACULADA CONCEIÇÃO, confundindo essa crença católica dele com impecabilidade. Ou ele é desonesto, ou é burro mesmo (na verdade é os dois). Não ter cometido pecado pessoal não implica necessariamente em ter tido uma concepção imaculada, ou seja, de ter sido livre da mancha do pecado original. Neste artigo que eu traduzi do Keith Thompson ele mostra isso com vários Pais da Igreja e a visão de cada um deles sobre o tema, NENHUM deles (nem Agostinho) defendia a imaculada conceição, mas no máximo (em uma minoria de casos) a impecabilidade:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/05/a-igreja-primitiva-nao-cria-na.html

      Agostinho afirmou que Maria não tinha pecado, mas que ela foi santificada após a concepção, enquanto no útero, e não na primeira instância da concepção. Ele afirmava que só Cristo nasceu sem a mancha do pecado original. Citando com aprovação Ambrósio contra Pelágio, afirmando:

      “Pois dentre os nascidos de mulher, Jesus é o ÚNICO que é santo em todas as coisas. Ele foi o ÚNICO que não experimentou os contágios de corrupção terrena pela NOVIDADE de seu nascimento imaculado, em função de Sua majestade celestial” (Augustine, Against Julian, Book I, 10)

      Note que Agostinho e Ambrósio concordavam que Cristo sozinho é exclusivamente imaculado, sem ter contraído o pecado original. Este nascimento é descrito como uma “novidade”, o que não seria caso Maria tivesse sido abençoada com o mesmo tipo. É relevante notar que o erudito católico Bonifácio Ramsey admite:

      “Nós ainda não encontramos as doutrinas da imaculada conceição de Maria e sua assunção em Ambrósio” (Boniface Ramsey, Ambrose, [Routledge, 1997], p. 51)

      O anglicano J. N. D. Kelly, especialista em patrística, observa que em relação à ausência de pecado:

      “Agostinho negou a possibilidade de todos os outros homens, mas concordou que Maria era a única exceção; ela havia sido mantida sem pecado, no entanto, não pelo esforço de sua própria vontade, mas como resultado da graça dada a ela em vista da encarnação. Por outro lado, ele não defende (como por vezes tem sido alegado) que ela nasceu isenta de toda mancha de pecado original (a doutrina posterior da imaculada conceição)” (J. N. D. Kelly, Early Christian Doctrine, [HarperOne, 1978], p. 497)

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    5. Kelly nota que Agostinho acreditava que “Maria de fato tinha nascido sujeita ao pecado original assim como todos os outros seres humanos; mas tinha sido entregue a partir de seus efeitos ‘pela graça do renascimento’” (J. N. D. Kelly, Early Christian Doctrines, [HarperOne, 1978], p. 497). Nesta mesma linha, o historiador reformado Philip Schaff observa que:

      “Em uma observação incidental contra Pelágio, ele concordou com ele excetuando Maria, do real (mas não do original) pecado (...) Ele ensinou que Maria nasceu e viveu sem pecado, mas não ensinou sua imaculada conceição (...) Ela foi santificada por uma operação especial do Espírito Santo antes de seu nascimento” (Philip Schaff, History of the Christian Church, vol. 3, [Hendrickson, 2011], pp. 418, 419)

      Luigi Gambero admite que as evidências apontam para a conclusão de Kelly e Schaff, e observa:

      “Sem dúvida, ele exclui qualquer pecado pessoal de Maria. É possível supor que Agostinho também pretende excluir o pecado original? Para nós parece mais seguro adotar a posição contrária, que é defendida por muitos especialistas e parece estar mais de acordo com os numerosos textos agostinianos” (Luigi Gambero, Mary and the Fathers of the Church: The Blessed Virgin Mary in Patristic Thought, [Ignatius Press, 1999], p. 226)

      Outro estudioso católico-romano que concorda com isso é Peter M. Fehlner, que admite:

      “A sua [de Agostinho] resposta ao ponto específico não diz que Maria é inoxidável na concepção; ao contrário, ele deixa a porta aberta para uma santificação libertadora no útero. Ele escreveu: ‘Nós não entregamos Maria ao diabo pela condição de seu nascimento; por esta razão, sua própria condição encontra uma solução na graça do renascimento’” (Peter M. Fehlner, The Virgin Mother’s Predestination and Immaculate Conception, ed. Mark I. Miravalle, Mariology: A Guide for Priests, Deacons, Seminarians, and Consecrated Persons, [Mark I. Miravalle, S.T.D., 2007], p. 248)

      Afirmando o mesmo, o estudioso católico-romano Peter M. Stravinskas disse:

      “Agostinho acreditava que Maria estava no domínio do pecado original” (Peter M. Stravinskas, The Catholic Answer Book of Mary, [Our Sunday Visitor Publishing, 2000 ], p. 50)

      Para piorar, o sujeitinho distorce completamente as palavras de Agostinho para “provar” o primado do bispo romano. Ora, o bispo de Hipona cria no primado de honra apenas, o mesmo que todos os bispos orientais também concediam, e NUNCA algum tipo de jurisdição universal sobre todas as igrejas. Isso eu já refutei nesses artigos, razão pela qual não vou me estender aqui novamente:

      http://apologiacrista.com/provas-contra-o-papado-na-historia

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/12/roma-locuta-est-causa-finita-est-roma.html

      Ele ainda usa citações onde Agostinho diz que Pedro é a pedra, ignorando completamente que Agostinho mudou de parecer no final da sua vida, quando se retratou desta interpretação errônea e disse expressamente que a pedra em questão era Cristo e não Pedro:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/08/agostinho-e-pedra-de-mateus-1618.html

      Depois vem um monte de texto isolado onde aparece a palavra “tradição”, sem sequer explicar O QUE É essa tradição. O burro simplesmente copia e cola um monte de texto onde Agostinho cita essa palavra e pensa que assim está refutando a Sola Scriptura kkkkk

      Para ver o que os Pais entendiam sobre tradição apostólica, confira:

      http://apologiacrista.com/tradicao-apostolica

      Para ver o que Agostinho pensava a respeito da Sola Scriptura, confira:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/05/agostinho-e-sola-scriptura.html

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    6. Para ver o que Agostinho pensava a respeito do livre exame, confira:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/04/santo-agostinho-e-o-livre-exame.html

      Por fim, um monte de mentirada sobre a transubstanciação, em cima de textos que não falam NADA de transubstanciação e podem perfeitamente ser entendidos em termos de presença real espiritual e não em presença física ou mudança literal de substância. Eu já refutei toda essa baboseira neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/agostinho-cria-na-transubstanciacao.html

      Como eu disse, não tenho tempo pra ficar rebatendo cada asneira que esse cidadão maluco diz, mas a esmagadora maioria dos temas do site dele já foi refutada aqui centenas de vezes; para refutar tudo eu teria que me dividir em três e passar o dia todo escrevendo, o que infelizmente não posso.

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    7. Bicho, tu é um MITO! Muito obrigado pela resposta. :D
      Deus te abençoe grandemente.

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  6. Lucas, você acha que um protestante pode ser agostiniano (discordando, obviamente, dos erros de Agostinho), visto que Agostinho tanto discordava das doutrinas da ICAR e parece concordar com os reformadores?

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    1. Se Santo Agostinho discordasse da doutrina da igreja católica. Ele nem seria considerado Santo pela igreja, já começa por aí.

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    2. Ele também é considerado santo pela Igreja Ortodoxa, será que ele não discordava em nada deles também?

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    3. Discordava não Lucas, a Igreja Ortodoxa só veio a existir muito tempo depois de Santo Agostinho.

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    4. Também não Lucas, se você considera que a Igreja Católica foi fundada por Constantino, consequentemente ela já existia.
      Max

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    5. Quando foi que eu disse que a Igreja Católica foi fundada por Constantino?

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    6. No dia 2 de Abril de 2013.
      Título que você próprio escreveu: A Igreja Católica Romana de Constantino

      Segue o link: http://visaogeraldafe.blogspot.com.br/2013/04/a-igreja-catolica-romana-de-constantino.html
      Max

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    7. Só tem dois probleminhas:

      1) O site citado nunca foi meu.

      2) Eu nunca escrevi aquele título.

      Volte sempre.

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    8. 1) Agostinho não discordava da Igreja Católica porque se considerava católico;
      2) A Igreja Católica não "discorda" de Agostinho
      3) A Igreja Católica discorda da interpretação de Banzoli sobre Agostinho.
      4) As igrejas protestantes discordam da interpretação de Banzoli e da dos católicos sobre Agostinho.

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    9. Papista é sempre a mesma coisa. Primeiro fala um monte de bobagem sobre Constantino e a Igreja Romana, me acusa levianamente de apoiar essa ideia, e depois que é refutado, em vez de admitir que foi refutado e calar a boca de uma vez, tem que vir aqui com perguntinhas toscas e toda aquela lenga-lenga católica romana. Nem sei por que ainda me dou ao trabalho de responder, mas vamos lá...

      1) Agostinho não discordava da Igreja Católica, ele discordaria da Igreja Católica ROMANA, que é uma distorção e deturpação grotesca daquilo que foi a antiga Igreja Católica. Agostinho NUNCA se considerou católico romano, simplesmente porque ele não era. Me mostre UM ÚNICO texto de Agostinho dentre as suas dezenas e dezenas de obras onde ele diga "eu sou católico romano", que eu fecho este blog, me converto ao romanismo e ainda te pago 10 mil reais em barras de ouro.

      2) Qual Igreja Católica? A Católica Romana? A Católica Ortodoxa? A Veterocatólica? Todas elas dizem concordar com Agostinho em gênero, número e grau. O que isso significa? DROGA NENHUMA.

      3) Eeeeeeeeeee daí?

      4) Que igrejas protestantes? Quem é você para falar em nome das "igrejas protestantes"? Qual igreja protestante especificamente que discorda que Agostinho apoiava a Sola Scriptura em seus escritos? Isso sequer é questão de "interpretação", é questão de LEITURA, de saber ler. Alguns não sabem, e a outros faltam honestidade intelectual para admitir o óbvio.

      Só volte a falar comigo quando tiver a prova de que eu afirmo que a Igreja Católica Romana foi fundada por Constantino. Eu conheço os truques de vocês, sempre que são derrotados em um ponto fogem para outro, e assim sucessivamente para jamais admitir que perderam em uma discussão. Eu não caio mais nesse truque, se quiser continuar debatendo comigo, volte e prove que eu afirmo que Constantino fundou a ICAR, ou então, prove que Agostinho se considerava CATÓLICO ROMANO e não apenas católico (universal), mas se você não tiver nada disso, apenas as mesmas enrolações de sempre, NÃO VOLTE AQUI NUNCA MAIS, porque eu não vou aprovar desgraça nenhuma de comentário seu e muito menos perder tempo respondendo.

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    10. Vamos por partes:

      1) Ele foi bispo de Hipona. Hipona estava sob jurisdição da Igreja Católica, que tinha seu centro onde? Adivinha? Em Roma. Portanto, estava em plena comunhão com o Papa e Roma -- senão não teria nem permanecido no seu cargo.

      2) Qual? Essa pergunta é retórica. Todas. O que isso significa? Significa que, obviamente, os católicos têm uma interpretação de Agostinho diferente da sua. Se os católicos achassem que Agostinho era um herege, ele não seria santo... nem doutor.

      3)E daí que é possível concordar com Agostinho e com a Igreja Católica.

      4) Diga-me que igrejas protestantes concordam com todas as suas doutrinas, Lucas.

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    11. Esse argumento de que a igreja reconheceu o teólogo como um santo, logo ele não poderia ter discordado da igreja é falso por dois motivos:

      (1) Parte do pressuposto não provado que a igreja é sempre consistente e sempre interpreta corretamente um teólogo do passado. Tendo em vista que a igreja romana nunca produziu qualquer estudo ou interpretação infalível de qualquer teólogo patrístico, sua opinião é só mais uma dentre tantas que pode estar errada;

      (2) Qualquer pessoa com um conhecimento mínimo sabe que muitos teólogos hoje considerados santos contradisseram o magistério presente em algum ponto. Um exemplo notável é Tomás de Aquino que negou a imaculada conceição, todavia, é considerado não somente um santo, mas doutor da igreja.

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    12. Lá vamos nós de novo... já está ficando cansativo.

      1) Eu te desafiei a mostrar UM ÚNICO texto em Agostinho onde ele diga "sou católico romano". Disse que se você fosse capaz de fazer isso eu pagaria dez mil reais em barras de ouro, fecharia imediatamente este blog e me converteria com a máxima urgência ao romanismo. Misteriosamente, você não trouxe texto nenhum do tipo (óbvio, porque não existem), apenas repetiu a lenga-lenga de que Agostinho era católico (quando o termo "católico" não tinha absolutamente nenhuma conotação que tem hoje, e sem provar que era romano também) e disse que a Igreja da época tinha seu centro em Roma. Provas? NENHUMA. Você apenas faz afirmações soltas e quer empurrá-las com a barriga. Eu, o Elisson Freire e o Bruno Lima (Respostas Cristãs) já escrevemos uma pancada de artigos refutando completamente a lenda do primado do bispo de Roma nos primeiros séculos, vou apenas passar os links dos artigos aqui, embora eu saiba que você não irá ler nenhum, como bom romanista que é:

      http://apologiacrista.com/provas-contra-o-papado-na-historia

      http://www.resistenciaapologetica.com/2015/06/ortodoxos-refutam-o-papado-com.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/joao-crisostomo-e-o-papado-parte-1.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/joao-crisostomo-e-o-papado-parte-2.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/os-pais-da-igreja-e-o-papado-parte-1.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/os-pais-da-igreja-e-o-papado-parte-2.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/os-pais-da-igreja-e-o-papado-parte-3.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/03/o-oriente-alguma-vez-reconheceu-um.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/03/agostinho-e-o-catolicismo-romano-parte.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/03/agostinho-e-o-catolicismo-romano-parte_7.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/03/jeronimo-e-o-papado.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/03/eusebio-de-cesareia-e-o-papado.html

      http://respostascristas.blogspot.com.br/2016/04/santo-atanasio-o-arianismo-se-romana-o.html

      2) Não respondeu nada do que eu perguntei. Se o simples fato de considerá-lo "santo" significa que o sujeito em questão (Agostinho) concordaria com 100% das doutrinas e práticas de hoje em dia, então ele seria ao mesmo tempo um católico ortodoxo oriental, um sedevacantista, um teólogo da libertação, um veterocatólico, um tradicionalista, um episcopal e um modernista, visto que todas essas vertentes consideram Agostinho um "santo". Você vai ter que fazer algum malabarismo para provar que Agostinho só poderia ser católico romano da sua vertente, e para isso teria que mudar completamente o argumento, porque esse aí é fraquinho demais.

      3) Concordar no que? Em algumas coisas sim, em outras é impossível. Agostinho não cria em imaculada conceição de Maria, não cria em primado ou infalibilidade do bispo romano, não cria em assunção de Maria, não cria na tradição como uma fonte paralela de doutrinas fora da Escritura, enfim, não cria numa porção de coisas que hoje a Igreja Romana admite como OBRIGATÓRIO para alguém ser considerado "católico".

      4) Irrelevante. O que está sendo debatido aqui, se você ainda não percebeu, se chama "AGOSTINHO E A SOLA SCRIPTURA". Mudar o tema do debate para "as doutrinas que o Lucas crê" só mostra o quão desesperado que você já está. Normal, depois que não conseguiu provar nada sobre Constantino e muito menos sobre Agostinho.

      Te dei três chances de provar seus pontos sobre Constantino e Agostinho, como você não conseguiu provar nada, goodbye, vá com Deus. No meu blog não comenta mais.

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    13. Comentei de novo. Vai tomar no cu.

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    14. É sempre o mesmo roteiro: tentam debater, se esforçam, não conseguem, levam surra, e depois voltam despejando palavrões. Esse aí pelo menos durou três rodadas. É fraquinho, mas pelo menos é esforçado. Achou que podia. Dá pena.

      Esse o nível da apologética católica atual.

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  7. Lucas, sempre que puder, escreva artigos sobre Santo Agostinho
    Tu é muito bom!!!! Que o Senhor te abençoe sempre!!!

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