3 de junho de 2015

"Famoso" pastor sueco se converte ao catolicismo romano por preguiça de pensar


Eu gosto de ler os relatos de “testemunhos” de conversão de protestantes ao catolicismo, por duas razões principais. Primeiro, porque é muito engraçado vê-los fazer um estardalhaço escandaloso quando ocorre uma conversão para o lado deles, sendo que para cada conversão ao catolicismo há pelo menos dez católicos que se convertem a Jesus Cristo, se tornam evangélicos e ninguém faz uma única nota para comentar este acontecimento, por tão natural que é. Mas compreendo que acontecimentos extravagantes e excepcionais sejam dignos de nota. Está certo.

A segunda razão pela qual eu gosto muito de ler relatos de conversões ao catolicismo é bem simples: porque isso fortalece cada vez mais a fé do evangélico consistente. E a razão pela qual tais “testemunhos” fortalecem a fé do verdadeiro evangélico é porque nenhuma conversão ao catolicismo é por causa da Bíblia. Nunca. Jamais. That is impossible. Um evangélico se tornar católico através da leitura da Bíblia é semelhante a um ateu se tornar cristão depois de ler “A Bíblia Satânica” de Anton LaVey. Ou seja: não tem nada a ver. Sempre as razões da conversão são outros fatores primordiais, os quais já abordei neste artigo. Seria realmente estranho se a Palavra de Deus levasse alguém para longe do Deus da Palavra. É por isso que as “conversões” são sempre por outros meios.

Agora a última novidade é a conversão de um ex-pastor sueco chamado Ulf Ekman, publicada em vários sites católicos (o que eu irei abordar especificamente aqui é a publicação presente neste site católico). Como já era de se imaginar, o relato começa com um apelo sensacionalista logo no título: Famoso pastor pentecostal e sua esposa se tornam católicos”. Quando eu li a manchete, pensei que quem tivesse se convertido fosse o Benny Hinn ou o Reinhard Bonnke, mas então descobri que na verdade se tratava do famosíssimo e ilustre Ulf Ekman, que ninguém que está lendo isso agora conhecia antes de se tornar manchete pela sua “conversão”.

A estratégia nunca muda: qualquer que seja o pastor protestante que tenha se convertido ao catolicismo, ele é imediatamente taxado de “famoso”, mesmo que tenha uma igreja com não mais de três mil membros (isso é menos do que a igreja local em que eu congrego). Essa tática serve para impressionar mais, o que acaba sendo útil para enganar as massas. Caso semelhante é a da conversão de Scott Hahn, que nasceu católico, se tornou protestante por pouco tempo (sem ser ainda nem um pouco famoso nesta época) e depois voltou ao catolicismo, onde já está há mais de duas décadas (e mesmo assim os sites católicos continuam publicando textos sobre a conversão de Hahn como se fosse algo atual e bombástico). Em outras palavras, eles criam seus próprios “heróis”, e estes heróis são qualquer pessoa que decida virar católico.

As consequencias de se transformar um pastor meia-boca em um super-herói católico são grandes. Os livros de Scott Hahn em defesa do catolicismo são tão horrivelmente fracos em nível técnico que faz até parecer que o comediante Paulo Porcão é um intelectual. E o testemunho de Ulf Ekman entra por esta mesma linha. O artigo em questão, citando Ekman, afirma:

“Acreditar na unidade [dos cristãos] tem consequências práticas, disse. Seus argumentos neste campo foram expostos na revista ‘Varlden Idag’, em uma entrevista: ‘Não entendo que se diga que não precisamos de um magistério. Se temos 5 versículos da Bíblia e 18 comentários sobre estas escrituras, quem decidirá? Meu intelecto é melhor que o seu, eu li mais, posso convencer melhor que você… ou existe um magistério que orienta sobre como julgar o assunto’”

Eu não sei se vocês entenderam a “lógica”. Funciona assim: existem várias interpretações teológicas possíveis, eu não tenho capacidade para julgar qual delas é a certa, e então, ao invés de estudar a fundo a questão para descobrir as respostas, é melhor transferir a tarefa de pensar para o magistério romano, que é a pior opção de todas. Seria como dizer que existem várias filosofias de vida possíveis, eu não tenho capacidade para julgar qual delas está certa, então vou aderir à filosofia de vida do Osama Bin Laden. Ou então dizer que existem vários partidos políticos e visões políticas, eu não tenho capacidade para julgar qual é melhor, então na dúvida vou aderir ao PT (eu sei, peguei pesado nessa).

No fundo, todo esse falatório falacioso não passa de uma coisa comumente conhecida como preguiça intelectual. Ao invés do camarada usar sua consciência individual para analisar argumentos e decidir entre várias opções possíveis de acordo com aquilo que lhe parece mais plausível, ele prefere terceirizar a tarefa de pensar, deixando que o papa pense no lugar dele. Ao fazer isso, o sujeito não apenas perde totalmente qualquer resquício de personalidade e liberdade, mas também se reduz ao papel de papagaio do papa ou de vaquinha de presépio, como já expliquei neste artigo.

Com preguiça de pensar, o sujeito prefere deixar que outra pessoa (ou um magistério, ou o que quer que seja) pense por ele. Ao invés de chegar às suas próprias conclusões, se resume ao vergonhoso papel de marionete do papa, sem livre-arbítrio, sem capacidade crítica, apenas com a mais cruel e sombria submissão passiva e acrítica. Isso é, obviamente, tudo aquilo que os falsos profetas mais desejam: submissão incondicional. Os profissionais em lavagem cerebral sempre têm como objetivo principal fazer com que você abra mão da sua capacidade de pensar criticamente e então deixe que ele pense no seu lugar. Quando ele consegue isso, ele consegue tudo. Você se torna um fantoche dele, e estará disposto a aceitar e concordar com qualquer coisa que saia da boca dele.

Alguns pastores neopentecostais têm recorrido ao chavão de “não toque no ungido do Senhor” como um passe-livre para o pastor pregar qualquer aberração em púlpito, e o pobre fiel se sentir coagido a “dar tudo” sem contestar. A Igreja Romana é tão descarada que faz mais do que isso: ela proclama oficialmente a “infalibilidade”. E, se ela é infalível, você não pode contestar. Resta a você se reduzir à sua insignificância e prestar submissão incondicional ao ditador e tirano espiritual mais conhecido como “papa”.

A partir de então, qualquer coisa que ele proclame oficialmente tem o mesmo valor do que seria caso o próprio Deus tivesse pessoalmente decretado isso. E consequencias terríveis tem ocorrido em função disso: distorções da Bíblia, inquisição, cruzadas, perseguição, venda de indulgências e de falsas relíquias sagradas, peregrinações e procissões, superstições e amuletos, medalhinhas, comércio com imagens de santos, venda de sacramentos, idolatria desenfreada, ladainhas e repetições vazias, pedofilia dos padres, excessiva riqueza e luxo extravagante, e até mesmo um país inteiro (Vaticano), estabelecendo um Estado na terra em nome daquele mesmo que disse que “meu Reino não é deste mundo” (Jo.18:36), e se tornando a instituição mais rica do planeta em nome daquele que disse para “não ajuntar tesouros na terra” (Mt.6:19).

O povo não contesta, porque ele não é nada para contestar alguém “infalível”. A maioria já está com a mente tão dominada pela lavagem cerebral que nem vê mal nenhum nessas coisas. E os poucos que ousam se levantar contra o sistema (Lutero, Wycliffe, Tyndale, Huss, etc) são imediatamente taxados de hereges satânicos que estão se subvertendo contra o ditador dos ditadores, que governa este sistema totalitário romano mais conhecido como “a mãe de todas as abominações da terra” (Ap.17:5).

A maior ironia reside justamente no fato de que Ekman não se converteu por causa de uma interpretação bíblica, mas é o contrário: ele se converteu para não ter que interpretar a Bíblia. Há uma diferença crucial. O católico que se torna evangélico é porque tomou coragem para pensar por si mesmo e deixar de ser marionete nas mãos do papa. Ele então lê as Escrituras com a mente aberta e percebe o óbvio: que as doutrinas católicas não têm nada a ver com a Bíblia. Já o evangélico que se torna católico traça o caminho inverso: ele não se torna católico porque descobriu pela Bíblia que a doutrina católica é a verdadeira, mas sim porque se sente tão incapaz de interpretá-la que decide então terceirizar esta função e deixar que o magistério romano pense no lugar dele. Um se converte por ter encontrado a verdade. O outro se converte porque tem preguiça de buscá-la.

O argumento usado por Ekman é também bastante falho do ponto de vista filosófico. Ele é totalmente uma negação à consciência individual (já tratada neste, neste, neste e neste artigo). Para ele, a sua consciência individual é pequena demais para conseguir descobrir a verdade por seu próprio raciocínio através das evidências. Vale destaque a parte em que ele diz: “Meu intelecto é melhor que o seu, eu li mais, posso convencer melhor que você… ou existe um magistério que orienta sobre como julgar o assunto”. O problema com este pensamento é que, se o aplicarmos às outras coisas no mundo, incorreríamos em grandes transtornos.

Tome como exemplo o caso mais amplo e geral sobre a existência de Deus. Nenhum ser humano pensante do universo acredita que Deus existe pela única razão de que “a Igreja Católica crê que Deus existe, então Deus existe”. Nem Tomás de Aquino, nem qualquer outro católico que tentou provar a existência de Deus, argumentou por esta linha. Em lugar disso, geralmente são apresentados argumentos de ordem filosófica (argumento ontológico), cosmológica (argumento cosmológico kalam), teleológica (argumento baseado nas constantes antrópicas) ou moral (argumento da moralidade). Em suma, os argumentos expostos em meu livro "Deus é um Delírio?".

O ponto em questão é que todos estes argumentos são baseados na razão, e nenhum deles é pressuposto a partir do fato de que “a Igreja Católica disse isso”. Em outras palavras, se Ekman fosse desafiado a mostrar as razões pelas quais ele crê na existência de Deus, ele não teria nenhum “magistério que orienta sobre como julgar o assunto” para ajudá-lo. Ao contrário: ele teria que seguir seu intelecto e aquilo que ele leu – justamente aquilo que ele critica quando aplicado aos protestantes! Ora, se a questão mais importante da vida pode ser resolvida na base do intelecto (consciência individual), por que a questão mais diminuta da interpretação da Bíblia teria necessariamente que ser resolvida na base de um magistério infalível (e eu nem estou me referindo ao romano)?

A coisa complica ainda mais se aplicarmos este mesmo critério ao próprio fato de Ekman ter se convencido de que a Igreja Católica é a “verdadeira Igreja de Cristo”. Isso por uma razão simples: não existe nenhum magistério infalível que nos conduza infalivelmente à crença em um magistério infalível. Em outras palavras, Ekman se convenceu de que existe um magistério infalível, não por causa de algum magistério infalível, mas pela sua própria consciência individual, o que pode ser traduzido precisamente como sendo o seu intelecto e aquilo que ele leu!

Como é que ele chegou à conclusão de que o intelecto dele não é bom o suficiente? Como é que ele chegou à conclusão de que nós precisamos de um magistério infalível? Como é que ele chegou à conclusão de que esse magistério não é nenhum magistério protestante ou ortodoxo, mas o romano? Como é que ele chegou à conclusão de que a fé cristã é a verdadeira, e não alguma dentre as outras milhares de religiões e seus “magistérios”? Nada disso foi por causa de um magistério romano, mas sim pelo uso da consciência individual. Mas se a consciência individual é boa o suficiente para chegar a estas conclusões tão importantes, ela também seria boa o suficiente para chegar a conclusões sobre textos bíblicos.

Ele adere ao intelecto para saber que o uso do intelecto não é confiável, mas mesmo assim chega também a várias outras conclusões importantes sobre o mundo, puramente pelo intelecto. Se isso não é uma clara e patente contradição de termos, eu não sei mais o que é. Suprimir a consciência individual após chegar a esta conclusão por meio de uma consciência individual é uma ideia muito pouco inteligente, presumo. Querendo ou não, Ekman e os demais católicos têm sim que tomar decisões importantes pelo próprio intelecto, e decisões essas que tem milhões de pessoas que pensam o oposto. Ele nunca vai escapar do fato de que, gostando ou não, é por meio do intelecto que ele chegou a tais conclusões. Se ele não pode chegar a conclusões apenas por meio do intelecto e daquilo que leu, só há uma saída: se matar. Ou perguntar lá no Posto Ipiranga (#sqn).

O relato prossegue dizendo:

“Ekman era um jovem estudante na década de 70 quando, sentado em um restaurante, sentiu as lágrimas escorrerem e não conseguiu evitar o choro. ‘Tive uma experiência instantânea de como Jesus sofre porque sua Igreja está dividida. Foi como um relâmpago. Senti: ‘Isso não é do agrado de Deus’. Jesus chorava por isso. Eu o senti naquele restaurante, na hora do almoço. Depois isso desapareceu da minha memória. Mas voltou a surgir nos últimos 10 anos’, recordou”

Se essa experiência foi verdadeira, ela contradiz toda a doutrina católica. Isso porque “Jesus” teria dito que a Igreja dEle está dividida. Mas para os católicos, apenas a Igreja Católica Apostólica Romana é a “Igreja de Cristo”. Então temos somente duas opções: (a) a Igreja evangélica é Igreja de Cristo também; ou: (b) a Igreja Romana é que é dividida. Eu adicionaria uma terceira: (c) o relato é falso e ninguém fala mais nisso.

Ekman não tem muita moral para falar sobre divisão, pois, segundo o relato, ele se tornou um católico carismático, e não um católico “tradicional”. Ele deve estar fazendo culto em línguas estranhas neste momento. Tomara que ele esteja avisado e bem preparado para enfrentar as legiões do exército tridentino que odeia mortalmente os carismáticos, mas que mesmo assim ainda acham a Igreja Católica “una”. Tomara também que ele faça os seus retiros de libertação, cura interior, batismo no Espírito Santo e quebra de maldições hereditárias bem longe de um tridentino, mas bem longe mesmo (#ficadica).

John Piper é famoso. Paul Wahser é famoso. Norman Geisler é famoso. William Lane Craig é famoso. Roger Olson é famoso. John MacArthur é famoso. R. C. Sproul é famoso. Wayne Grudem é famoso. Ravi Zacharias é famoso. Lee Strobel é famoso. John Lennox é famoso. Alvin Plantinga é famoso. Mas Ulf Ekman não é famoso. O dia em que a Igreja Católica conseguir converter evangélicos realmente conscientes e prestigiados no meio, aí sim poderá estardalhar que um “famoso pastor protestante se tornou católico”. Enquanto isso, terão que se contentar com testemunhos meia-boca, oriundos de pastores que sabem nada de teologia protestante nem de lógica elementar, e que sucumbem diante dos primeiros argumentos tolos e superficiais, que são facilmente refutáveis por qualquer blogueiro evangélico.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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24 comentários:

  1. Lucas, não sou famoso, mas o que me afastou do Protestantismo em cujas fileiras permaneci por 7 anos não foi a questão da corrupção e a loucura espiritual, política e financeira de, por exemplo, pastores pentecostais e neopentecostais, até porque a Beatíssima Igreja Católica está cheia de bispos vermelhos da CNBB aqui no Brasil e o Papa Francisco que adora se cercar e apoiar toda a corja da teologia da libertação da América Latina. O que me afastou do Protestantismo foi a questão filosófica de Martinho Lutero apoiar o nominalismo ockhamista que, em termos gerais, diz não haver o que todos percebemos que há que são os gêneros e os universais. Por exemplo, todos percebem que não é normal, que é até chocante um homem ser deformado e alguns até dizem que um homem tão feio assim nem parece humano, não é mesmo? Para Ockham e Lutero essa percepção é impossível. Em suma, Lutero rompeu com a filosofia clássica aristotélico-tomista, isso, então, me afastou do Protestantismo.

    Você poderia, Lucas, um dia fazer um post falando de Filosofia e mostrando a contribuição do Protestantismo na Filosofia?

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    1. Olá, João. Eu comentei sua postagem com o Vitor Barreto, que conhece mais sobre filosofia tomista e nominalismo do que eu, e postarei aqui a resposta que ele me passou.

      Lutero não era nominalista. Ele chamava os nominalistas de teólogos porcos. Esse papo de que Lutero era nominalista é um espantalho criado pela ICAR e difundido pelo padre Paulo Ricardo. Lutero recebeu uma educação ockamista, mas ela só influênciou ele na primeira fase de sua vida. O livro "Teologia dos Reformadores" de Timothy George fala brevemente sobre isso. Já na segunda fase, ele abandonou o Ockam.

      Um nominalista rejeita o realismo filosófico e Lutero não rejeitava. Lutero, inclusive, elogiou Platão, apesar de não gostar de Aristóteles. Lutero, contudo, elogiou brevemente Platão, não como fonte de verdade paralela à Bíblia, como os escolásticos faziam com o Estagirita, mas apenas a teoria das Ideias no mesmo texto de onde retirei a última citação. Aqui está a citação:

      "Aristóteles critica e ridiculariza injustamente a filosofia das idéias platônicas, que é melhor do que a sua. A imitação dos números nos objetos é engenhosamente afirmada por Pitágoras, porém mais engenhosa é a participação das idéias nos objetos, afirmada por Platão”

      Isso é mais do que suficiente pra refutar as asneiras de quem o acusa de ser adepto do nominalismo. Seus professores occamistas, Usingen e Trutvetter, inclusive, não puderam acompanhá-lo, pois as teses foram, na verdade, um ataque à teologia destes. Nada disso significa, contudo, que Lutero concordasse com verdades básicas defendidas por Aristóteles:

      "Nada de infinito existe pelo ato, mas por potência e matéria existe tanto quanto há de feito nas coisas, conforme Aristóteles”

      As citações a seguir foram escritas por Lutero em 1917, contra Gabriel Biel, que era nominalista; não confundir com as 95 teses da porta da igreja. Essas são outras. Lutero foi influenciado por Biel, mas quando publicou as 95 teses quando já tinha rompido com o pensamento dele. Para Lutero, os nominalistas eram "teólogos porcos".

      Foi exatamente a teologia nominalista que começou a lançar Lutero na angústia. Nessa época, aliás, ele ainda pensava como os católicos romanos pensam a respeito das boas obras como disposição para a Graça. Ele escreveu em 1915:

      "Portanto, assim como a lei era uma figura e uma preparação para o povo para perceber a Cristo, também o fazer está em nós (factio quantum in nobis est) dispõe-nos para a graça"

      Timothy George escreveu:

      "A ruptura de Lutero com os conceitos nominalistas de mérito e graça constituiu um passo fundamental no desenvolvimento de sua doutrina da justificação" (pág. 68)

      Depois disso, Lutero recebeu uma influência dos místicos. Ele não acreditava mais nas obras humanas para conseguirem justificação. Mas Lutero rejeitou o misticismo da Theologia Germanica dizendo "o arrebatamento místico não é o caminho para Deus". Ele, contudo, abraçou uma doutrina mística chamada synteresis até meados de 1516. Ele começou a questionar isso quando aumentava a conscientização acerca da completa incapacidade do pecador de salvar-se a si mesmo ou de manter qualquer postura justa diante de Deus.

      "Ele começou a entender o pecado como uma rebelião", escreveu Timothy, "a situação do homem diante de Deus (Coram Deo) perante Deus, era de completa nudez”.

      Ele mantinha contato com o Agostinho:

      "Nossa teologia e de S. Agostinho estão em bom andamento e, graças a Deus, eles predominam em nossa universidade”

      Ele só rompeu com Agostinho finalmente por causa de Paulo. Em 1518 ele já disse que "só a fé justifica".

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    2. A filosofia do lado protestante infelizmente foi muito influenciada pelo liberalismo. Precisamos entender uma coisa: graças a Tomás de Aquino, a filosofia divorciou-se da teologia. Tomás de Aquino dividiu as duas coisas. Os reformadores voltaram-se para Agostinho, que "interpretava tudo à luz da fé. ("Creio para poder entender", dizia Agostinho). Esse é um dos motes da Reforma, especialmente calvinista. Depois que Guilherme de Ockam mostrou a falsidade da síntese tomista entre filosofia grega e teologia, o Ocidente se dividiu. A Reforma voltou à Escritura e a Agostinho e a filosofia acabou no naturalismo aristotélico.

      Os católicos exaltam a filosofia tomista, mas ela, pra começar, nem é exatamente tomista, mas uma cristianização do aristotelismo. Esse louvor sustenta-se apenas na propaganda e não subsiste diante das críticas contra o empirismo, porque Tomás era um empirista. Tomás não poderia começar seu argumento do motor imóvel antes que visse uma pedra em movimento.

      A filosofia VERDADEIRAMENTE reformada tem ganhado força especialmente dentro da tradição neocalvinista holandesa. O principal nome é Herman Dooyeweerd, considerado por alguns como o Eric Voegelin calvinista. Na Holanda, até um não cristão afirmou que Dooyeweerd era o filósofo holandês mais criativo, acima mesmo de Spinoza. Ele propõe uma reforma em todas as áreas do conhecimento, incluindo matemática, química e biologia.

      Além dele, Alvin Plantinga é respeitado na academia e é mais recente. Numa escala menor, Francis Schaeffer foi um bom professor para seu período e continua sendo lido hoje. Rookmaarker era um historiador e crítico de arte. Ele escreveu livros sobre a crise da Modernidade sob a ótica das transformações nos movimentos artísticos e como deve ser uma arte cristã genuína. R. J. Rushdoony segue a linha da filosfia da história iniciada por Herman Dooyweerd e somada por Cornelius Van Til, um pressuposicionalista.

      Embora sofra críticas, Gordon Clark deu boas contribuições sobre os pressupostos bíblicos, a lógica e o conhecimento de Deus. Ele é um destruidor de empiristas. Fundou o dogmatismo. Van Til fundou a linha apologética chamada pressuposicionalismo, que mostra os pontos fracos da filosofia moderna e explica porque a filosofia católica romana não é eficaz contra ela. Em oposição, sua apologética é reformada. Thomas Reid, um "pastorzinho" do interior da Escócia que estudou a obra de David Hume por 20 anos e escreveu um livro para refutar o ceticismo moderno. Ele é considerado como um dos alicerces para a fenomonologia. Existem outros, mas esses são os que eu conheço. Bavinck e outros neocalvinistas, mas não são tão bons quanto Herman Dooyweerd.

      Eu lhe recomendo a leitura de "Raízes da Cultura Ocidental", de Herman Dooyweerd, "O Pastor Reformado e o Pensamento Moderno", de Cornelius Van Til e "Uma Visão Cristã dos homens e do mundo" de Gordon Clark. "Arte Moderna e a Morte de uma Cultura", do Rookmaaker é bom também. "Como Viveremos" do Francis Schaeffer também tem informações boas, especialmente pra vacinar nossa cabeça contra os ataques roamnistas. Recomendo também a leitura deste artigo do Rushdoony, que ele traduziu sobre Revolução Civil. Ele é dividido em cinco partes:

      PARTE 1:

      http://umavisaoreformada.blogspot.com.br/2015/05/a-revolucao-civil-parte-1-por-r.html

      PARTE 2:

      http://umavisaoreformada.blogspot.com.br/2015/05/a-revolucao-civil-parte-2-por-r.html

      PARTE 3:

      http://umavisaoreformada.blogspot.com.br/2015/05/a-revolucao-civil-parte-3-por-r.html

      PARTE 4:

      http://umavisaoreformada.blogspot.com.br/2015/06/a-revolucao-civil-parte-iv-por-r.html

      PARTE 5:

      http://umavisaoreformada.blogspot.com.br/2015/06/a-revolucao-civil-parte-5-por-r.html

      Talvez seja interessante também o meu artigo mais recente, que mostra a importância da Reforma Protestante no desenvolvimento dos países que foram influenciados por ela:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/06/protestantismo-desenvolvimento.html

      Abraços.

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    3. Obrigado Lucas pelas informações. Eu gosto muito de Filosofia e como diria Max Weber em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", justamente me interesso pela Filosofia, porque sou católico, se eu fosse protestante seria provavelmente um homem de negócios capitalista.

      Lucas, você sabia que o filósofo que definitivamente cristianizou a Filosofia foi o Beatíssimo João Duns Scotus, segundo Olavo de Carvalho? Para Olavo, Santo Tomás de Aquino corresponde a Platão e Duns Scotus a Aristóteles no amadurecimento cristão da Filosofia.

      Quanto ao empirismo, bem, São Paulo parece ser empirista, porque em Romanos 1:20 ele diz que pela coisas criadas podemos chegar a Deus e a seus atributos combatendo um certo vício solo scripturista de caras como Gordon Clark

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    4. Olá, João Emiliano. Tudo bem?

      Pra começar, eu começaria a questionar se Olavo de Carvalho sequer pode ser considerado como cristão. Ele tem muitas influências esotéricas, duguinistas e, quando o assunto é Sola Scritptura, bate em espantalhos. Para o Olavo, por exemplo, em vários artigos, ele diz que René Guenon foi um dos homens mais iluminados dos últimos séculos. Só que Guenon era um luciferianista, segundo diversas fontes. Então: você vai levar essa opinião do Olavo a sério também? O Olavo já disse tantas bobagens sobre Cristianismo que nem os católicos levam a sério. Certa vez, disse que não existia doutrina no Novo Testamento, mas apenas fatos que depois serviram para o desenvolvimento doutrinário. A ICAR, como um todo, pensa de modo diferente. E aí? Em quem você vai acreditar?

      E Paulo não é empirista coisíssima nenhuma. Essa é uma das afirmações mais bobas que já ouvi, me perdoe por dizer. Você simplesmente não entende o que Paulo quer dizer em Romanos 1. Paulo está dizendo que sim, a glória de Deus está testemunhada na criação, mas se você superar um pouquinho esse senso comum católico e entender o contexto, você verá que ela, em momento algum, é SUFICIENTE PARA QUE OS HOMENS CREIAM. E Paulo não formulou nenhuma teologia natural, ainda que a obra de Aristóteles já fosse conhecida naquele tempo; e Paulo muito provavelmente conhecia ela. Tenho quase certeza de que essa ideia estapafúrdia saiu de alguma aula do Olavo, cujas peripécias são famosas e motivos de riso entre os evangélicos mais experientes. rs

      Deixa eu te fazer uma pergunta: Paulo acreditava na vida eterna por empirismo? Ele já viveu a vida eterna pra experimentá-la e saber sequer que existe? Não. Paulo começou a crer em Cristo por empirismo? Como? Paulo JÁ CONHECIA AS ESCRITURAS antes de converter-se. Quando ele converteu-se, reconheceu que Cristo era o Messias que já estava profetizado. Isso aqui é puro dogmatismo ao estilo de Gordon Clark, que eu sei que você nunca leu na vida e que só está repetindo o que o Olavo diz, como papagaio que é. Se você ou o palpiteiro da Virginia entendessem o que dizem, saberiam que sem pressuposições, qualquer evidencialismo em termos de religião validaria todas as religiões que apresentam milagres. Por exemplo, os espíritas. Eles creêm que Jesus fez milagres e ressucitou dos mortos. Mas porque eles não assumem os pressupostos bíblicos, eles simplesmente não acreditam que Cristo é o Filho de Deus. Ora bolas, olhe o próprio Olavo de Carvalho. Ele mesmo, anos atrás, afirmou que a tradição oral era necessária. A tradição oral por acaso é empirismo, filho? Por favor, poupe-nos.

      Agora, leia com seus próprios olhos o que Paulo escreveu:

      Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Romanos 7:7

      Ora, não é isso o que o "Platão" do cristianismo pensava. haha... Tomás de Aquino, através de seu estudo da lei natural, tentou provar que a lei de Deus (ou seja, o que era ou não pecado), poderia ser descoberta através do empirismo. Na prática, ele apenas cristianizou a ética aristotélica de Aristóteles, que é uma ética TELEOLÓGICA e que, como todo método indutivo, não leva a conclusões universais.

      Agora, meu amigo, peço encarecidamente a você que abandone essa vaidade, esse ídolo no seu coração, que é tentar ser entendido em filosofia e cristianismo, coisa que você não é. Essa idolatria pelo Olavo na verdade é um reflexo dessa idolatria mais profunda.

      Que a Graça de Deus te ilumine.

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    5. Lucas, li os links e acho que, apesar das grandes contribuiçoes, há nos neo reformados, um certo ranço anti grego.Tal atitude nao se justifica, como se vê aqui:https://calvinistinternational.com/2014/01/20/blessing-japheth-response-james-b-jordan/

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    6. Corrigindo: O Olavo não tem influências duguinistas. Eu queria ter escrito Guenonistas. É possível notar esse erro pelo fato de René Guenon ter citado por mim logo em seguida.

      Os alunos mais experientes do Olavo entendem-no muito mais como um perenialista do que como um católico. E falo dos alunos católicos mesmo.

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    7. Anônimo, é uma pena que você faz uso do anonimato para dizer coisas certas, mas uma eu discordo que é dizer que eu idolatro Olavo de Carvalho o que não é verdade até porque o professor Olavo não é nenhum Che Guevara ou Mao Tsé-tung para exigir esse tipo de coisa. Seja católico, seja cristão à moda antiga, meu caro Anônimo, e você descobrirá a verdadeira admiração a que podemos ter pelos seres humanos, pois nós católicos veneramos os santos para quem construimos belas catedrais e fazemos também belas imagens de escultura em nossas igrejas católicas cercados de flores, incenso e destaque para as imagens dos mesmos o que na época das catacumbas eram apenas grafites nas paredes.

      Quanto ao Beatíssimo João Duns Scotus, o professor Olavo de Carvalho explica muito bem a cristianização definitiva da Filosofia por meio dele, eu na minha ignorância sem mais tamanho fiquei convencido.

      Outra coisa, o que há de luciferiano em René Guenón se o mestre francês combateu terríveis idéias satânicas como a teosofia e o espiritismo?

      Por fim, eu amo a Filosofia, mas não sou nem de longe um aluno a altura de um mestre como Olavo, Duns Scotus, Santo Tomás ou muitíssimo menos um Aristóteles. Fique com seus negócios capitalistas protestantes enquanto eu fico estudando a Filosofia e quem sabe achando um fim decente para os seu sucesso financeiro.

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    8. Só esqueci uma coisa Anônimo, é que a meu ver e essa é a opinião de Santo Tomás, segundo o próprio Vítor Barreto, que São Paulo em Romanos 1:20 mesmo diz que o homem pode conhecer a Deus e por isso SUFICIENTEMENTE CRER, SIM EM DEUS, o que torna esses homens I-NES-CU-SÁ-VEIS, palavras do Apóstolo! Até porque, diz o salmista, que é o insensato diz em seu coração que não há Deus e se é o insensato, logo, é o ignorante, é o homem sem conhecimento, talvez o caso daquele protestante ricaço que prefira muito mais cuidar de seus negócios capitalistas do que filosofar, que diz que não há Deus.

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    9. João Emiliano,

      É só ler os caps 1, 2 e 3 de Romanos. Paulo diz sim que há uma revelação de Deus na natureza que permitiria aos homens conhecer alguns de seus atributos, mas esta revelação não é suficiente para que eles se aproximem de Deus. Isso, ele vai tratar no restante do cap 1 e no 2. O pecado afeta de tal forma a consciência humana que se torna impossível ao homem chegar a Deus apenas através dessa revelação natural. Por isso, apenas é possível aceitar a Cristo através da obra do Espírito Santo, algo que Paulo tratará com detalhes no cap 2 de Efésios.

      Eu acho a teologia natural um campo interessante, muito útil quando se trata de dantes com ateus, mas ela por si mesma é manca. Sem a revelação específica de Deus contida que está preservada nas escrituras, homem algum pode atingir comunhão com Cristo. Lembrando que o próprio Paulo afirma também em Romanos "como crerão se não há quem pregue".

      Paulo, claramente, cria numa revelação natural, mas não a considerava suficiente.

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    10. Bruno, existe a Epístola a Diogneto em que um mestre cristão antigo desmoraliza completamente os filósofos dizendo que só se conhece a Deus pela fé, pela revelação de Jesus Cristo.

      E é bom lembrar que a Igreja Católica também não acredita que só se pode chegar a Cristo sem a Revelação, sem o Espírito Santo, pois cair-se-ia na heresia do semipelagianismo condenado no Concílio de Orange do ano de 529.

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    11. Então, me parece que concordamos que apesar de existir uma revelação natural, ela é insuficiente para salvar, até por que no máximo ela nos permite conceber um Deus genérico, faltariam elementos da revelação específica que nos permitisse chegar à Cristo.

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    12. Sobre Lutero e a filosofia, leiam este interessante artigo:
      https://calvinistinternational.com/2013/05/20/the-platonism-of-martin-luther/

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    13. Lucas, falando em filosofia, o que voce acha de Rene Girard, quando ele fala dos sacrificios e cristianismo?

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    14. Do que eu já li a respeito, gostei bastante.

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  2. oie lucas tudo bom ? Você poderia fazer um artigo mostrando a cronologia do livro do apocalipse e resumindo todos os eventos igual a você fez com o resumo de história da Igreja ? fazendo a favor...queria ler os fatos em ordem para aprender mais e vc sabe muito sobre o tema...
    obrigada

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    1. Vou escrever, obrigado pela sugestão. Mas ele provavelmente irá ser postado em meu blog direcionado a escatologia, e não neste aqui (de qualquer forma, quando eu fizer o artigo a notificarei por aqui). Abraços.

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  3. São dois extremos, ou há conversões ao catolicismo por falta de amor ao que está escrito na Bíblia, ou por amor às sutilezas da filosofia segundo os homens e não segundo a mente de Cristo. De qualquer maneira, qualquer protestante que se converta ao catolicismo tem que ser um verdadeiro "herói" da fé católica, porque saiu da simplicidade de Cristo, exposta nas Escrituras para a sofisticada teologia católica exposta na sua "tradição" e "magistério". Em suma é muito difícil conhecer bem as sagradas letras, que podem nos tornar perfeito para a salvação, e depois desprezá-las em detrimento da "sabedoria" segundo o mundo. Só um "herói" mesmo, ou melhor um insano espiritual.

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    1. É isso mesmo, Jacob. Recomendo também que você leia o comentário abaixo do Bruno, que citou um importante comentário de C. S. Lewis sobre esta questão.

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  4. Realmente, ouvir este relato é um bom motivo para ficar longe do catolicismo. Será que este pastor tem consciência plena do passo que deu? ele realmente conhece a fundo a teologia católica e suas reivindicações?

    Falo isso por que já convivi de perto com muitos católicos, principalmente carismáticos, e boa parte deles sequer conhecem sua própria religião. Era comum ouvir alguém falar: "o papa é o chefe da Igreja, mas ele não é infalível, ele pode errar" mesmo se tratando de questões de fé já oficializadas como crença obrigatória.

    Diante disso, eu só posso citar um dos maiores apologistas cristãos de todos os tempos - C.S Lewis - que respondeu da seguinte forma a alguém que perguntou por que ele não era católico romano:

    "A Igreja Romana, onde ela difere da tradição universal e especialmente do cristianismo apostólico, eu rejeito. Assim, a sua teologia sobre a Virgem Maria rejeito porque parece totalmente estranha ao Novo Testamento; onde de fato as palavras "Bem-aventurado o ventre que te gerou" recebem uma tréplica apontando na direção exatamente oposta. Sua papalismo parece igualmente estranho a atitude de São Paulo em direção a São Pedro nas epístolas. A doutrina da transubstanciação insiste numa definição que o Novo Testamento me parece não aprovar. Em outras palavras, todo o set-up do catolicismo moderno me parece ser tanto uma variação provincial do central, antiga tradição como qualquer seita protestante em particular é. Devo, portanto, rejeitar o seu pedido: embora isso, naturalmente, não significa rejeitar determinadas coisas que eles dizem ".

    E o argumento principal:

    "A verdadeira razão pela qual eu não posso estar em comunhão com você [católicos] não é o meu desacordo com esta ou aquela doutrina romana, mas ter que aceitar sua forma de Igreja, não para aceitar um determinado corpo de doutrina, mas para aceitar com antecedência qualquer doutrina que sua Igreja produzir no futuro. É como ser solicitado a concordar não só com o que um homem tem dito, mas também como o que ele vai dizer."

    Isso é o catolicismo romano - uma total submissão do intelecto a uma autoridade humana. Como bem disse C.S Lewis, você não pode olhar para a história da Igreja e dizer: "até então ela não ensinou nenhuma doutrina errada", o que seria um engano para qualquer pessoa que tenha estudado a Bíblia e a história, mas não acaba ai, é sobretudo dizer: "não importa o que a Igreja fará daqui pra frente - ela continuará acertando".

    Não por acaso, os apologistas católicos precisam recorrer a falaciosas e absurdas teorias de desenvolvimento da doutrina para contornar o óbvio: a Igreja muda em seu ensino doutrinário. Felizmente hoje temos liberdade de consciência, pelo menos em algumas partes do mundo, algo que a ICAR sempre detestou e lutou contra. Graças a essa liberdade, alguns católicos podem ser sedevacantistas e simplesmente não se submeterem ao papa, por mais incoerente que isso seja.

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    1. Muito proveitoso o seu comentário, Bruno. Eu já sabia que o Lewis não era católico, mas não conhecia estas declarações dele. De fato, ele tem toda a razão.

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    2. Lewis era anglicano, e como todos sabem, ele era bem ecumênico, algo que considero ruim. Apesar de que é natural, quando um apologista cristão se especializa em combater o ateísmo, ele tende a menosprezar as diferenças entre as tradições cristãs.

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    3. Sim, acho que ele deve isso ao fato de ele ter sido ateu antes de se converter.

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  5. O anônimo refutou muito bem o João! 👍👏👏👏

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