Destruindo o preterismo de certo autor de site obsceno


Você já deve certamente ter participado de um “amigo secreto” (ou “amigo oculto”, em outras regiões). Na brincadeira, você tem que dar várias dicas que apontam para a pessoa que você tirou, até que alguém acerte quem é o sujeito em questão. Por exemplo, se você tirou um certo tridentino mal educado que tem um site obsceno e obscuro nos escombros da internet, você pode identificá-lo pelas dicas: soberbo, arrogante, orgulhoso, obsceno, grosseiro, vulgar, fracassado, baixo, torpe, desonesto, chulo, e por aí vai. Então todo mundo vai saber de quem se trata.

Mas a brincadeira não serve caso você dê dicas que apontem para um sujeito diferente. Por exemplo, se Joãozinho é baixo e tem olhos castanhos, você não pode identificá-lo dizendo que ele é baixo e tem olhos verdes. A primeira dica poderia até conduzir à identificação do sujeito, mas a segunda iria botar dúvida e ninguém mais conseguiria saber de quem se trata. O mais importante, então, é que todas as dicas apontem para o mesmo sujeito que deve ser identificado. Se você tem duas dicas para apontar ao mesmo sujeito, elas devem conduzir à mesma resposta.

De que forma que isto refuta absolutamente todo o cerne da interpretação preterista do Apocalipse, o Alon nos explica:



E ele conclui:


Para não dizerem que eu estou brincando, vejam este print tirado de um site preterista criado por loucos que bisonhamente afirmam que os sete reis do Apocalipse são sete imperadores romanos(!):


O problema para essa turma toda é que a profecia liga a identificação das “sete colinas” com a identificação dos “sete reis”:

“Aqui se requer mente sábia. As sete cabeças são sete colinas sobre as quais está sentada a mulher. São também sete reis. Cinco já caíram, um ainda existe, e o outro ainda não surgiu; mas, quando surgir, deverá permanecer durante pouco tempo” (Apocalipse 17:9-10)

Portanto, a identificação das sete colinas é também a identificação dos sete reis. Em outras palavras, ambos são pistas apresentadas para que o leitor identifique o sujeito em questão, assim como em uma brincadeira do amigo secreto. Eles não apontam para um sujeito distinto, ou senão o “também” teria caído ali de paraquedas no texto. Obviamente, eles remetem ao mesmo sujeito, ou seja, à mesma resposta. Aqui está a bomba no colo dos nossos amigos preteristas. Os futuristas são consistentes em afirmar que ambos (os sete reis e as sete colinas) recaem sobre Roma, mas os preteristas, como o autor do site obsceno recém mencionado, afirmam que os sete reis se referem a Roma, mas as sete colinas, ao contrário, dizem respeito a Jerusalém!

O autor do site obsceno, por exemplo, escreve:


Isso, é lógico, se concretiza em uma enorme contradição exegética. O apóstolo João, autor do Apocalipse, nos escreve dizendo que os sete reis são também as sete colinas. Ou seja: ambos são dicas que nos levam ao mesmo sujeito. Mas na interpretação macabélica os sete reis são de Roma, mas as sete colinas são de Jerusalém (sujeitos distintos). O autor obsceno do site obsceno cita um livro que ele nunca leu na vida, onde supostamente mostra que Jerusalém fica entre sete colinas. Mesmo que isso seja verdade, em nada altera o fato de que Roma sempre foi a mais mundialmente reconhecida “cidade das sete colinas”, cujos nomes são:

• Capitólio
• Quirinal
• Viminal
• Esquilino
• Célio
• Aventino
• Palatino

As sete colinas de Roma são tão famosas que tem até artigo no Wikipedia apenas sobre isso. Ela sempre foi reconhecida no mundo por isso. Ainda que os judeus pudessem saber que Jerusalém também ficava em sete colinas, dificilmente as igrejas da Ásia, para quem João destina a sua carta profética, saberiam disso. Elas obviamente identificariam na hora Roma como sendo essa “cidade das sete colinas”, que era um codinome mundial para Roma. A identificação era óbvia, tanto quanto seria caso hoje alguém falasse da “cidade maravilhosa” que fica no Brasil, em referência ao Rio de Janeiro.

Mas o ponto principal é precisamente o fato de que a profecia une as duas referências como apontando para uma coisa só, enquanto os preteristas, por contraste, fazem de João alguém confuso, que cita sete colinas em referência a uma cidade (Jerusalém) e depois sete reis em referência a outra cidade (Roma), sendo que os dois eram referência à mesma coisa, em função do “também”, que marca o início do verso 10. Em outras palavras, João não estava dando uma pista de alguma coisa diferente do sujeito do verso 9; ao contrário, ele estava dando mais uma pista que apontava para o mesmo sujeito.

Os preteristas bem que queriam interpretar os sete reis como sendo reis de Jerusalém para dar sentido e coerência à sua tese mirabolante, mas tragicamente não existiam reis em Jerusalém no primeiro século. Então eles tem que apelar a reis romanos, ainda que isto contrarie o fato de que as sete colinas são colinas de Jerusalém, e não de Roma (de acordo com a interpretação de cambalhota dos preteristas macabélicos). Parafraseando o texto, se alguém perguntasse a um preterista o que são as “sete cabeças” da besta, ele responderia:

“Aqui se requer mente sábia. As sete cabeças são sete colinas (DE JERUSALÉM) sobre as quais está sentada a mulher. São também sete reis (DE ROMA). Cinco já caíram, um ainda existe, e o outro ainda não surgiu; mas, quando surgir, deverá permanecer durante pouco tempo” (Apocalipse 17:9-10)

Eu presumo que um leitor simples não vá conseguir saber o que essas “sete cabeças” representam: será que é Jerusalém ou é Roma?

Mas os problemas para o preterismo não param por aqui. O Sr. Obsceno vai em frente, e afirma também que a mulher (Jerusalém) estava sentada sobre a besta (Roma), porque estava sob o domínio do império romano:


Curiosamente, e vamos fazer de conta que seja apenas uma infeliz coincidência, o verso 9 do capítulo que estamos lendo diz que tem uma mulher sentada sobre sete colinas:

“Aqui se requer mente sábia. As sete cabeças são sete colinas sobre as quais está sentada a mulher...”

Aqui vemos a mulher, que o Sr. Obsceno diz se referir a Jerusalém, sentada sobre sete colinas, que o Sr. Obsceno diz que representam Jerusalém também. É tudo Jerusalém. Entretanto, na passagem similar do verso 3, que mostra essa mesma mulher sentada sobre a besta, o Sr. Obsceno interpreta como sendo Jerusalém sentada sobre Roma:

“Então o anjo me levou no Espírito para um deserto. Ali vi uma mulher montada numa besta vermelha, que estava coberta de nomes blasfemos e que tinha sete cabeças e dez chifres” (Apocalipse 17:3)

Percebam a ironia: no verso 3, a mulher sentada numa besta é Jerusalém sentada sobre Roma. Mas logo no verso 9, pouco adiante, a mulher sentada em sete colinas não é mais Jerusalém sentada sobre Roma (a famosa cidade das sete colinas), e sim Jerusalém sentada sobre Jerusalém!

Por que raios que o malabarista, comediante e palpiteiro faz questão de interpretar o verso 9 como sendo uma referência a Jerusalém e não a Roma, como ele faz com a besta do verso 3? A resposta é óbvia: porque o verso 18 diz que “a mulher que você viu é a grande cidade que reina sobre os reis da terra” (v.18), e o bobão acha que a mulher que reinava sobre todo mundo no século I não era a poderosa Roma imperial, mas sim a pobre e destruída Jerusalém, cercada por exércitos romanos e totalmente devastada por eles. Ao que parece, o Sr. Obsceno faz de tudo, até piruetas, para fazer escapar de Roma a identificação nos versos. É malabarismo que não acaba mais!

Sumariando tudo, o que o anencéfalo teológico quer nos convencer é que:

• No verso 9 a identificação da mulher sentada em sete colinas é Jerusalém, embora no verso 10 ele diga que se trata de reis romanos, sendo que o início do verso 10 diz claramente que ambos se tratam da mesma coisa, ligando um ao outro.

• A mulher sentada na besta no verso 3 significa Jerusalém sentada sobre Roma (o que é estranho, já que em geral quem está assentado sobre algo é porque tem autoridade sobre aquele, e aqui quem está assentado está sendo massacrado por aquele!).

• Embora no verso 3 a mulher sentada na besta seja uma figura de Jerusalém sentada em Roma, no verso 9 a coisa muda e a mulher sentada já passa a ser Jerusalém sobre Jerusalém mesmo!

• A cidade das sete colinas, embora mundialmente reconhecida em todas as épocas como sendo um codinome para Roma, passa subitamente a ser um codinome para Jerusalém no Apocalipse, ainda que o mesmo tenha sido enviado para igrejas na Ásia (e não em Jerusalém), que só poderiam ter Roma como referencial principal.

• A “mulher” no verso 18, claramente identificada como sendo a cidade que reina sobre os reis da terra, simplesmente não é a cidade que reinava sobre os reis da terra na época (Roma), mas sim uma que não reinava sobre absolutamente rei nenhum (Jerusalém).

O preterismo no fim das contas é tão ridículo, mas tão ridículo, que quase ninguém dá crédito a ele. A maioria esmagadora dos teólogos (católicos, inclusive) não crê que Nero seja a besta nem que toda a tribulação tenha se resumido e acabado em 70 d.C. Teólogos católicos com quem já conversei e debati afirmavam que Nero e os acontecimentos de 70 d.C eram meramente uma tipologia do anticristo e da tribulação que ocorrerá no fim dos tempos. E eles se apoiavam em textos claros do catecismo católico a este respeito, como este aqui, que diz que a tribulação que a Igreja passará ainda está por vir, que o mistério da iniquidade ainda está para ser desvendado e que ele há de trazer (no futuro) a apostasia:

“Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalar a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade” (§675 do Catecismo Católico)

É uma pena que quem fez o Catecismo Católico não tenha consultado o Sr. Obsceno, que em seu site podre afirma que já desvendou o mistério de iniquidade, que o catecismo não sabe qual é. O cara é tão gênio que já descobriu aquilo que nem o Catecismo Católico sabe!


Para o Sr. Obsceno, é fácil desvendar quem é esse tal mistério de iniquidade: o império romano. Já para o Catecismo Católico, este mistério de iniquidade ainda está para ser desvendado. Ninguém desvendou ainda. Quem sabe o Sr. Obsceno não manda seu artigo pro papa descobrir essa maravilhosa verdade? Ou será que os protestantes devem crer em algo que nem o próprio papa crê? Que ele pergunte também ao seu amiguinho, o astronauta católico, se ele concorda que não existirá nenhum anticristo nem tribulação no futuro, e que tudo (excetuando a volta de Jesus) se resumiu a 70 d.C, e ele terá uma surpresa. O Sr. Obsceno está sozinho nesta guerra. Este é o grande problema em se transportar inquisidores medievais para o século XXI, que nem sabem o que estão fazendo aqui.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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Comentários

  1. Valeu Lucas! Será que ele, O Sr, Obsceno, vai dizer que "Jerusalém sobre Jerusalém" é o significado de "pedras sobre pedras que iriam ser derrubadas"? Não é possível! Esta heresia é para os homens fugirem da IRA VINDOURA"!. A Paz

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    1. Pra quem disse que Maria é a mulher de Cantares e que a marca da besta (666) na testa ou na mão era a saudação a Nero, eu não espero mais nada....

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  2. Resta saber como o Cristiano Macabeus do site OBSCENO vai sair dessa!

    Brilhante Lucas, magnifico!

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    1. Com mais vandalismo e obscenidades, provavelmente...

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    2. Espero nunca poder debater com o Lucas kkkkkkkkkkkkk

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  3. Olá meu caro Lucas,

    Uma provocação bem-humorada de vez em quando faz bem(1). Ainda te devo uma resposta sobre o preterido, mas em relação à lista dos czares, Ernest Renan fez um excelente apanhado(2) em "O Anticristo". De qualquer forma, você disse bem. Roma, a besta, os sete reis e as sete colinas são a mesma entidade política.

    (1) https://plus.google.com/+RodrigoSilvaBarros/posts/BQ6AJip6qwL

    (2) http://cantinhodoprimorodrigo.blogspot.com.br/2009/08/besta-imperial-romana.html

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  4. Vamos esperar o macabeus dar saltos soltos e até um thuister carpado pra sair dessa.

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  5. Pronto, Lucas.

    Segue uma análise completa, como prometido: https://plus.google.com/+RodrigoSilvaBarros/posts/bHEXwPjrCp6

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  6. Acabei esquecendo de Tito e Domiciano na minha lista de reis romanos

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