7 de junho de 2015

Respondendo perguntas católicas sobre a Sola Scriptura



RESPONDENDO PERGUNTAS CATÓLICAS SOBRE A SOLA SCRIPTURA
(Keith Thompson)

Recentemente tomei conhecimento de uma lista com dezesseis perguntas feitas a protestantes sola scripturistas que os apologistas católicos evidentemente acham que não podem ser respondidas. Portanto, vamos enfrentá-las uma a uma, a fim de mostrar que o autor do desafio não entende nada de Sola Scriptura e que as suas perguntas podem ser tranquilamente respondidas. Em seguida, vamos apresentar nossas dezesseis questões para os católicos romanos.

É evidente a partir da leitura de suas perguntas que o autor tem uma falsa ideia do que Sola Scriptura significa, pensando que ela é a única autoridade. No entanto, como vamos demonstrar, isso não é verdade. Sola Scriptura significa que a Bíblia é a autoridade final e materialmente suficiente, obviamente. Cremos em outras autoridades, como credos, catecismos, magistério da Igreja e opiniões de escritores antigos. Nós apenas sujeitamos essas autoridades à autoridade final das Escrituras.

Além disso, o autor também pensa que Sola Scriptura significa acreditar que tudo o que acreditamos deve estar explícito nas Escrituras. Mas, como vamos demonstrar, nós não pensamos assim. Acreditamos que os ensinamentos podem estar implícitos, ou seja, razoavelmente deduzidos a partir de textos bíblicos. Estes pressupostos devem estar claros para respondermos as perguntas.


Sola Scriptura não significa que a Bíblia é a única autoridade

Em meus artigos e em meu documentário de cinema “Respostas Reformadas à Apostasia do Catolicismo Romano”, eu já provei que Sola Scriptura não significa que os protestantes não acreditam em outras autoridades. Existem outras autoridades válidas, que estão sujeitas à autoridade final da Escritura, como a própria Bíblia nos ordena. Então eu vou brevemente provar que essa é a visão protestante clássica da Sola Scriptura. Nenhum credo ou catecismo da Reforma define Sola Scriptura no sentido de que a Escritura é a nossa única autoridade. A Confissão de Fé de Westminster, na verdade, mostra que outras autoridades são válidas, desde que elas estejam subordinadas à Escritura:

“O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura”[1]

A Confissão de Fé Batista diz basicamente a mesma coisa. Os 39 artigos da Igreja Anglicana também confirmam que há outras fontes de autoridade, tais como os credos, que estão subordinados à Escritura e que devem ser provadas por ela, demonstrando que a Bíblia é a autoridade máxima. O artigo 8 diz:

“Os três credos, o Credo Niceno, o Credo de Atanásio, e aquilo que é comumente chamado de Credo Apostólico, deve ser minuciosamente recebido e crido, pois eles podem ser provados pelos argumentos provenientes da Sagrada Escritura”[2]

Com relação aos concílios gerais, o artigo 21 estabelece:

“Portanto, as coisas ordenadas por eles como necessárias para a salvação não têm força nem autoridade, salvo que possa ser declarado que eles estejam em conformidade com a Sagrada Escritura”[3]

O estudioso reformado Michael Horton afirma que “as igrejas Luterana e Reformada consideram os credos ecumênicos, juntamente com as suas próprias confissões e catecismos, como resumos oficiais e obrigatórios das Escrituras, a quem todos eles estão subordinados”[4]. Assim, nós não vemos as Escrituras como a única autoridade, como os católicos afirmam. Além disso, no que diz respeito aos reformadores, o estudioso reformado John Maxfield observa:

“Entre os reformadores do século XVI, o princípio da Sola Scriptura significa que a Bíblia era a autoridade suprema sobre todas as outras autoridades”[5]

No que diz respeito à visão de Lutero sobre as autoridades inferiores, como os Pais da Igreja e outros, o historiador James R. Payton observa que “eles estavam no patamar de uma autoridade religiosa significativa, mas subordinada à abrangente autoridade final das Escrituras”[6]. Ainda sobre Lutero, o teólogo e escritor Richard J. Foster observa:

“Ao enfatizar a primazia da Palavra de Deus contida na Escritura, Lutero não estava rejeitando os ensinamentos de concílios ou dos grandes escritores do pensamento cristão. Mas ele estava tornando-os sujeitos à Escritura: qualquer ocasião em que há discrepância entre os dois, ele disse, a Bíblia deve ser considerada como a fonte de autoridade de fé e prática”[7]

Martinho Lutero declarou:

“Todos os outros concílios também devem ser vistos desta forma, sejam eles grandes ou pequenos (...) eles não introduzem nada de novo, quer em matéria de fé ou de prática; mas eles defendem, como os mais altos magistrados e bispos sob Cristo, a antiga fé e as boas obras antigas, em conformidade com as Escrituras”[8]

Lutero não cria que a Escritura fosse a única autoridade. Ele cria que todas as autoridades devem estar sujeitas à Bíblia. Ademais, o sucessor de Lutero, Philip Melanchthon, também afirmou que outras fontes de autoridade eram válidas na medida em que estivessem sujeitas à Palavra escrita. James R. Payton observa que, “para ele, a Sola Scriptura não foi descartada, mas sim reforçada pela autoridade religiosa subordinada dos Pais da Igreja, dos credos antigos e dos decretos doutrinários dos concílios ecumênicos”[9].

Em sua obra The Shape of Sola Scriptura, Keith Mathison aponta que o reformador protestante João Calvino comentou que:

“O poder da Igreja... reside em parte nos bispos individuais, e em parte em concílios, quer provinciais ou gerais... o poder da Igreja, portanto, dentro dos limites definidos, não pode ser tirado de lá para cá pelo capricho dos homens... o poder da Igreja não é infinito, mas sujeito à Palavra do Senhor e, por assim dizer, confinada a ela”[10]

Calvino acreditava em outras fontes de autoridade, na medida em que elas estivessem subordinadas à autoridade suprema: a Sagrada Escritura. Ele não cria na deturpação conhecida como solo scriptura, que é tão comumente atacada hoje como se fosse a posição protestante. O que é frequentemente esquecido é o fato de que nós, possuindo autoridades como credos, confissão, catecismos e um magistério de ensino em nossas igrejas, provamos que a Escritura não é nossa única autoridade. Mais uma vez: ela é nossa autoridade final.


Sola Scriptura não diz que tudo o que os evangélicos acreditam deve estar explícito na Bíblia

Quando os protestantes afirmam a suficiência material das Escrituras, não estamos dizendo que tudo o que acreditamos está explícito na mesma. Nós estamos dizendo que tudo que é preciso crer para a salvação está claro nas Escrituras e que os nossos outros ensinamentos podem ser pelo menos razoavelmente deduzidos da Bíblia em razão de sua suficiente clareza.

A Confissão de Fé de Westminster declara:

“Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela. À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens”[11]

A Confissão de Fé Batista ecoa a Confissão de Fé de Westminster, basicamente afirmando a mesma coisa. Portanto, qualquer tentativa romanista de que a reivindicação protestante de Sola Scriptura precisa dar um versículo afirmando explicitamente nossas crenças, simplesmente não compreende a nossa posição. Devemos ter isso em mente antes de respondermos as perguntas que foram feitas.


Respondendo às perguntas católicas

As perguntas dos apologistas católicos estarão em vermelho, e nossas respostas em preto.

Pergunta 1 – Forneça o verso que diz que Deus criou o mundo do nada.

Como observamos, os sola scripturistas não precisam mostrar isso explicitamente em um verso. Nós só precisamos provar que isso está pelo menos implícito nas Escrituras. E isso está. Criação ex nihilo é ensinada implicitamente em Hebreus 11:3 – “Pela fé entendemos que o universo foi criado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito de coisas que são visíveis”. Dizer que o universo não foi feito de coisas que são visíveis é dizer que Deus criou o universo do nada. Isso é semelhante àquilo que Paulo disse, sobre Deus ter criado a “luz das trevas” (2Co.4:6). Esta é a posição de estudiosos notáveis, tais como F. F. Bruce e Leon Morris. Como Morris observou, “o visível não se originou a partir do visível”[12]. Além disso, quando Gênesis 1:1-3 diz que no princípio Deus criou os céus e a terra, o que está implícito é que antes da criação de Deus não havia céus com que utilizar para criar o universo.


Pergunta 2 – Forneça o versículo que diz que a Escritura é a única autoridade (ou seja, que não há nenhuma outra autoridade para se aprender sobre Deus ou sobre a salvação).

Como eu disse anteriormente, nós não acreditamos que a Escritura é a única autoridade. Nós acreditamos que é a autoridade final para a qual toda autoridade está sujeita. Para ver um caso de autoridade final das Escrituras, confira este artigo.

Mas para oferecer um argumento aqui, notarei que Mateus 15:2-9 prova que as tradições, não importa quais a suas alegadas origens, nunca devem contradizer a Escritura, mas devem estar sujeitas a ela. Isto é o que Jesus ensinou quando ele repreendeu os judeus pela observância de tradições que eles pensavam que fossem inspiradas, mas que na verdade invalidavam a Escritura. Isto é semelhante ao que os protestantes dizem sobre a tradição católica sobre Maria ser sem pecado, o que contradiz o ensino da Bíblia sobre Maria e sobre toda a humanidade ter pecado. Assim sendo, a Escritura é tratada por Cristo como a última instância de recurso para determinar se uma tradição é válida ou não. Essa é a doutrina da autoridade final da Bíblia.


Pergunta 3 – Forneça o versículo que diga que a salvação só é possível mediante a fé.

Nós não precisamos de um verso que tenha as palavras “somente a fé”. Nós podemos chegar à Sola Fide legitimamente através de outros meios, como pelo fato de a Bíblia alegar que a justificação é pela fé e não pelas obras (Rm.3:28; 4:3-5; Gl.2:16. 3:11; Ef.2:8-9; Fp.3:9; 2Tm.1:9-10). Se as obras são excluídas da justificação, a fé é deixada por si só. Logo, você tem a justificação somente pela fé.

[Nota minha (Lucas): O “somente a fé” aparece explicitamente em Gálatas 2:16, confira aqui]


Pergunta 4 – Forneça o versículo que conte como que nós sabemos que a revelação de Jesus Cristo terminou com a morte do último apóstolo.

Este ensino é baseado no fato de que os apóstolos foram comissionados por Cristo e a eles foi dada a revelação especial para escrever a Escritura como homens inspirados assim como os profetas (1Co.14:37-38; 2Tm.3:16-17; 1Ts.4:8; 2Pe.1:21; 3:15-17). Portanto, uma vez que a revelação especial foi dada aos apóstolos a fim de escrever as Escrituras e proclamar a verdade da nova aliança, segue-se que após a revelação especial ter sido realizada ela cessou.

Além disso, Efésios 1:8-9 implica que a revelação especial cessou, uma vez que mostra através de Paulo que a sabedoria e entendimento veio para a igreja “fazendo-nos conhecer o mistério de Deus”. Por isso, segue-se que, uma vez que por causa dos apóstolos agora conhecemos a vontade de Deus em relação à nova aliança, não há necessidade de uma revelação especial maior, após este período.

Por último, uma vez que de acordo com 2ª Timóteo 3:16-17 a Escritura torna o homem de Deus completa e totalmente equipado para a sua doutrina e educação na justiça em relação a Cristo e à nova aliança, não há necessidade de uma revelação especial maior.


Perguntas 5 e 6 – Forneça o versículo que mostre a lista dos livros canônicos do Antigo Testamento e uma lista dos livros canônicos do Novo Testamento.

Eu combinei as questões 5 e 6. Roma afirma que sua tradição é a base para o estabelecimento do cânon bíblico pela Igreja no século IV, quando o Concílio de Hipona e o Terceiro Concílio de Cartago disseram a lista de livros[13]. Duas visões diferentes da tradição romana são (1) a ideia dos apóstolos entregarem em um corpo de ensino oral um conteúdo doutrinário não encontrado na Escritura; e (2) a ideia de que a tradição da Igreja esclarece o verdadeiro significado nas Escrituras.

No entanto, o Concílio de Hipona e o Terceiro Concílio de Cartago, que lidaram com a questão do cânon, nunca afirmaram que eles sabiam que o cânon era esse porque eles tinham um corpo de tradição oral dos apóstolos afirmando quais livros bíblicos eram canônicos. Nem podemos dizer que tinham uma interpretação histórica do conteúdo da Escritura e, portanto, reconheceram o cânon pelo significado desta interpretação histórica. Isso não faz sentido. Assim, as definições que os romanistas têm da tradição não podem ser usadas como base para as decisões destes concílios relativas ao cânon.

Os concílios não utilizaram qualquer tradição apostólica para isso. Em vez disso, eles usaram vários critérios para decidir sobre o cânon. Eles não afirmavam que tinham um ensino oral dos apóstolos dizendo que os livros eram verdadeiros. Seus critérios de canonicidade eram: apostolicidade (se o escritor era um apóstolo ou ligado a um apóstolo), a ortodoxia (se o conteúdo do livro era ortodoxo teologicamente), a antiguidade (se o livro era suficientemente antigo) e uso (se o livro foi amplamente utilizado na igreja antes do Concílio)[14].

Estas são as perguntas que os protestantes são confrontados: se a Escritura é a única autoridade que deve ser seguida, como você sabe quais livros são inspirados, visto que a própria Escritura não lhe diz? Ou então: se você crê na Sola Scriptura, por que mantém um cânon do Novo Testamento que foi reconhecido pela autoridade da Igreja Católica Romana? Isso não viola a Sola Scriptura?

No entanto, existem sérios problemas com este argumento.

(1) Ele só se aplica ao Solo Scriptura, que é a crença de que a Bíblia é a única autoridade, e não à Sola Scriptura, que diz que a Escritura é a autoridade máxima. Na Sola Scriptura não há nada de errado em seguir autoridades externas como a igreja, desde que o que ela declare não contradiga a Bíblia e seja consistente com a Escritura pelo menos implicitamente[15]. Deste modo, não há nenhum problema para a Sola Scriptura ao se afirmar o cânon através da Igreja, uma vez que os critérios utilizados pela Igreja para conhecer o cânon no século IV podem ser validados biblicamente pelo menos implicitamente.

Por exemplo, a Igreja usou os critérios de apostolicidade para decidir se um livro do Novo Testamento era Escritura (ou seja, se um livro foi escrito por um apóstolo ou companheiro de um apóstolo). Qualquer boa introdução conservadora ao Novo Testamento dará argumentos internos para o fato de um livro ter sido escrito por um apóstolo ou por alguém próximo de um apóstolo (por exemplo, Donald Guthrie’s, D. A. Carson e Douglas J. Moo’s, dentre outros). No que diz respeito aos critérios de antiguidade utilizados pela Igreja, podemos olhar para o conteúdo interno do livro para descobrir se ele foi escrito no primeiro século ou se é uma obra do segundo século.

Estudiosos do Novo Testamento fazem isso regularmente. Qualquer boa introdução teológica irá fornecer argumentos internos de que um livro foi escrito no primeiro século. No que diz respeito aos critérios da ortodoxia utilizados pela Igreja, podemos ver quais livros são internamente consistentes e quais não são. Então não há nada inconsistente em se afirmar a Sola Scriptura ao mesmo tempo em que se reconhece a autoridade da Igreja em reconhecer o cânon, uma vez que quando observamos os livros reconhecidos vemos que seu reconhecimento é consistente com a Escritura, pelo menos implicitamente.

(2) Ao usar este argumento, o apologista católico assume que aqueles concílios no quarto século que reconheceram o cânon eram concílios católicos romanos ou faziam parte de uma Igreja Católica Romana. Entretanto, ninguém nesses concílios acreditava nas coisas que a Roma moderna afirma que somos obrigados a acreditar para sermos considerados católicos romanos – ensinamentos e reivindicações romanistas nem sempre foram cridas pela Igreja (por exemplo, a confissão auricular privada, o poder a um padre para perdoar pecados veniais e mortais, a infalibilidade papal, a assunção e imaculada conceição de Maria, a missa como o mesmo sacrifício propício de Cristo re-apresentado, a ideia de que só o papa tem autoridade para interpretar a Bíblia, etc). Por isso, é errônea a reivindicação dois católicos modernos de que aqueles concílios que trataram da questão do cânon faziam parte de seu sistema religioso moderno. A Igreja Ortodoxa também afirma que a sua Igreja reconhece o cânon. Portanto, Roma tem que lidar com eles primeiro.


Pergunta 7 – Forneça o versículo que explica a doutrina da Trindade.

Claro. Há um só Deus (Dt.6:4; Is.45:5-6). No entanto, há três pessoas apresentadas como divindade nas Escrituras: o Pai (Jo.6:27; Cl.1:3), o Filho (Jo.1:1-3,14; 8:24; 20:28-29; Rm.9:5; Tt.2:13; 2Pe.1:1; Hb.1:10-12) e o Espírito Santo (Jo.14:16-17; At.5:3-4; 2Sm.23:3-3; 2Co.3:18). Por último, esses três são apresentados como pessoas distintas (Jo.8:16-18; Lc.11:1; 3:21-22;Gl.4:6). Assim, através da Escritura aprendemos que, embora haja um só Deus, há três pessoas distintas que estão na divindade. Assim, a Trindade é a posição bíblica que assegura aquilo que a Bíblia ensina.

Em segundo lugar, quando Jesus disse em Mateus 28:19 para “fazer discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, isto prova as pessoas da Trindade, que embora distintas (em pessoa), são um naquilo que eles são. Isso porque Jesus fala no singular (um “nome”) do Pai, Filho e Espírito Santo. Como o estudioso do Novo Testamento R. T. France observa, “o fato de que três pessoas divinas são mencionadas como tendo um único ‘nome’ é uma evidência significativa em direção a doutrina trinitária de três pessoas em um Deus”[16].


Pergunta 8 – Forneça o versículo que nos diga o nome do discípulo amado.

Eu já escrevi sobre isso neste artigo. Então vou reproduzir aqui o que eu escrevi ali, com algumas pequenas variações.

É nos dito que o “discípulo amado” é uma testemunha ocular da vida de Cristo e o autor deste quarto evangelho. Em João 21, vemos uma das aparições pós-ressurreição de Jesus aos discípulos, e perto do final do encontro lemos:

“Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava os seguia (este era o que se inclinara para Jesus durante a ceia e perguntara: ‘Senhor, quem te irá trair?’). Quando Pedro o viu, perguntou: ‘Senhor, e quanto a ele?’ Respondeu Jesus: ‘Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa? Siga-me você’. Foi por isso que se espalhou entre os irmãos o rumor de que aquele discípulo não iria morrer. Mas Jesus não disse que ele não iria morrer; apenas disse: ‘Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa?’. Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as registrou. Sabemos que o seu testemunho é verdadeiro” (João 21:20-24)

O discípulo amado que é referido como sendo o autor deste Evangelho e uma testemunha ocular da vida de Jesus era João, filho de Zebedeu. Comentários anteriores ao capítulo 21 diminuem a lista de possíveis “discípulo amado” a candidatos como Pedro, Tomé, Natanael, Tiago (filho de Zebedeu), João (filho de Zebedeu) e dois discípulos sem nome, colocando-os neste aspecto pós-ressurreição, onde o discípulo amado está presente (Jo.21:2). Destes sete, podemos facilmente descartar Pedro, Tomé, Natanael e Tiago como sendo o discípulo amado. E apoiar a crença ortodoxa de que era João, filho de Zebedeu, e não um desses dois discípulos sem nome é o fato de que João, filho de Zebedeu, não é mencionado pelo nome no quarto Evangelho, apesar dos outros apóstolos serem menos conhecidos, tais como Filipe, Lázaro e Judas (não o Iscariotes), mesmo que os Evangelhos sinópticos mencionem frequentemente o apóstolo João pelo nome. Será que pelo fato de João ser o autor, ele deliberadamente evitou incluir seu próprio nome no quarto Evangelho?

Um apoio adicional para a tese da autoria joanina é o fato de que, no quarto Evangelho, o discípulo amado e o apóstolo Pedro estão intimamente ligados (Jo.13:23; 20:2-9; 21:1-25). João 19:26 é a única vez em que o discípulo amado é mencionado sem Pedro. Curiosamente, os dados não-joaninos do Novo Testamento vinculam muito fortemente João, filho de Zebedeu, com Pedro (Mc.5:37; 9:2; 14:33; Lc.22:8; At.3:1,11; 4:13; 8:15-25; Gl.2:9). Isto apoia ainda mais a tese de que o discípulo amado é João. Além disso, Donald Guthrie alega que, à luz do fato de João Batista ser identificado simplesmente como “João”, presume-se que a audiência identificasse o apóstolo João com outro nome (ou seja, o “discípulo amado”).

Ele argumenta:

“João Batista é descrito como ‘João’ sem mais nenhum acréscimo, o que sugere fortemente que o escritor queria que o apóstolo João fosse identificado por outro título. Não se pode negar que a ausência de uma referência específica a ele cria uma predisposição definida em direção a autoria joanina e quaisquer pontos de vista alternativos devem contar com essa peculiaridade e fornecer uma explicação adequada”[17]

F. F. Bruce argumenta que o discípulo amado é João baseando-se em sua relação especial com Tiago, Pedro e Jesus. Depois de reduzir os possíveis “discípulo amado” dentre os doze candidatos, à luz dos dados sinóticos sobre a Última Ceia, ele afirma:

“Dos doze, havia três que estavam na ocasião e tinham uma comunhão mais íntima com o Mestre – Pedro, Tiago e João. Eram estes três, por exemplo, que ele tomou para vigiar com Ele durante sua vigília no Getsêmani após a Última Ceia (Mc.14:33). Nós devemos naturalmente esperar que o discípulo amado seja um deles. Ele não era Pedro, de quem ele é explicitamente distinguido em João 13:24, 20:2 e 21:20. Restam os dois filhos de Zebedeu: Tiago e João, que foram incluídos no capítulo 21. Mas Tiago foi martirizado no máximo em 44 d.C (At.12:2), e, portanto, havia pouca probabilidade de que o ditado sobre aquele discípulo amado não morrer se aplicasse a ele. Então ficamos com João”[18]

Bruce se referia a João 21:21-23, que é a discussão entre Jesus e Pedro sobre o discípulo amado não morrer até que Jesus viesse, e este discípulo levou sua vida naturalmente, de modo que entre os seguidores de Cristo se espalhou o rumor de que aquele discípulo não morreria. Este rumor perdurou até a época da escrita daquele Evangelho. Ele observou corretamente que esse rumor que circulava até a época da escrita do quarto Evangelho não poderia ser aplicado a Tiago, que morreu muito antes, ainda em 44 d.C. Assim, teria que se referir a João, filho de Zebedeu.

Alguns estudiosos afirmam que o discípulo amado foi Lázaro e não João. No entanto, sabemos que o discípulo amado esteve presente na Última Ceia (Jo.13:23) como um dos doze. Lázaro, porém, não estava lá. De acordo com os dados sinóticos, somente os doze estavam presentes nessa reunião. Uma vez que Lázaro não esteve presente na Última Ceia como um dos doze, ele não pode ser o discípulo amado. Além disso, João não nomeou o discípulo amado, mas o identifica como tal. Portanto, uma vez, que Lázaro é nomeado quinze vezes no quarto Evangelho, é problemático afirmar que ele era o discípulo amado.

Assim sendo, há base bíblica sólida para o fato de que João é o discípulo amado. Nós não precisamos da tradição papista tardia para nos dizer que este é o caso.


Perguntas 9-13 – Forneça o versículo que contenha o nome do autor do Evangelho de Mateus, de Marcos, de Lucas, de João e dos Atos dos Apóstolos.

Nós combinamos as perguntas 9 a 13 porque todas elas são abordadas aqui. Neste artigo eu mostro biblicamente que a lista ortodoxa de escritores bíblicos pode ser deduzida através dos próprios textos da Escritura. Não é necessário recorrer a tradições posteriores. Consulte aquele artigo para ver a prova bíblica da autoria tradicional de Mateus, Marcos, Lucas e Atos. Em relação ao Evangelho de João e o autor ser o discípulo amado João, veja a resposta à pergunta de número 8.


Pergunta 14 – Forneça o versículo que diga que o Espírito Santo é uma das três pessoas da Santíssima Trindade.

Veja a resposta à pergunta número 7.


Pergunta 16 – Forneça o versículo que diga que Jesus Cristo é da mesma substância da divindade como o Pai.

Dizer que Jesus é da mesma substância ou essência que o Pai significa que ele compartilha dos mesmos atributos incomunicáveis essenciais de Deus, o Pai, que nenhuma criatura possui. E isso nós podemos mostrar biblicamente. Assim como o Pai, Jesus é onisciente (Lc.9:47; Jo.21:17; Ap.2:23), onipotente (Jo.5:19; 2Pe.1:3; 1Co.1:24; Cl.1:17) e onipresente (Mt.18:20; 28:20; Jo.1:48). Para mais informações sobre Jesus ter os mesmos atributos essenciais do Pai, veja o trabalho de Bowman e Komoszewski sobre a divindade de Cristo[19].


Dezesseis perguntas difíceis para os católicos romanos

Pergunta 1 – Por que os católicos defendem que a Escritura não é clara o suficiente para fornecer aos cristãos aquilo que eles precisam doutrinariamente, quando a própria Bíblia ensina sua suficiência material? Por exemplo, as chamadas para ler e obedecer a Escritura pressupõem a sua clareza, como Dt.4:1-3; 6:4-10; 31:9-13; Sl.19:7-11; Rm.4:22-25; 15:4; 1Co.10:1-11; Cl.3:16; 1Tm.4:13; 2Tm.3:14-17; 1Pe.1:22-23. A clareza da Escritura também é vista em Dt.29:29.; 2Rs.1:22-23; Sl.19:7-8; 119:130; 2Co.3:15-16; Cl.4:16; 2Tm.3:15; 2Pe.1:19. E a suficiência material das Escrituras é vista em João 20:31 e 2ª Timóteo 3:16-17.

Pergunta 2 – Por que os católicos querem atacar a capacidade do Espírito Santo para comunicar claramente as verdades de Deus para os cristãos nas Escrituras dizendo que precisamos de outras autoridades, tais como um papa e tradições extra-bíblicas para entender a Bíblia, devido à sua alegada falta de clareza e suficiência?

Pergunta 3 – Onde na Bíblia está escrito que as tradições dos apóstolos são ensinamentos que podem não se encontrar nas Escrituras, mas em vez disso são coisas como dogmas marianos, infalibilidade papal, etc?

Pergunta 4 – Por que os católicos dizem que os cristãos precisam vir a Roma para resolver o problema da alegada falta de clareza da Escritura sobre questões doutrinárias se Roma tem uma interpretação dogmática de apenas cerca de onze textos da Bíblia, como os próprios estudiosos católicos admitem?[20]

Pergunta 5 – Por que afirmam que os cristãos devem se tornar católicos para evitar o risco de uma má interpretação da Escritura quando estudiosos católicos admitem que o catolicismo não pode acabar com este risco? O apologista católico Jimmy Akin admitiu: “Se você conhece bem sua fé católica, isso irá ajudá-lo a discernir o que uma determinada passagem da Escritura não significa, mas normalmente não irá ajudá-lo a identificar precisamente o que significa. Consequentemente, há sempre o risco de erro na interpretação da Escritura. Nós [a Igreja Católica] não podemos eliminar este risco”[21].

Pergunta 6 – Como fazer um protestante se tornar católico romano se não podemos estudar as Escrituras e descobrir que supostamente ela apoia o ensino católico, já que os católicos alegam falta de clareza na Escritura? Devemos cegamente primeiro nos tornar católicos romanos sem antes ver se a Escritura apoia o catolicismo romano?

Pergunta 7 – Por que os católicos afirmam que é necessária a tradição católica a fim de discernir o cânon no século IV, quando os concílios que o fizeram nunca apelaram a qualquer suposto corpo de ensinamentos orais dos apóstolos sobre a questão (que é como o catolicismo tridentino define “tradição”), mas em vez disso usou vários critérios, tais como o uso, a antiguidade, a apostolicidade e a ortodoxia?

Pergunta 8 – Por que os católicos afirmam que a Sola Scriptura significa que a Bíblia é a única autoridade quando não é assim que os reformadores ou credos e confissões protestantes definiram isso?

Pergunta 9 – Por que os católicos afirmam que a doutrina da Sola Scriptura implica na ideia de que tudo o que o cristão crê deve estar explícito nas Escrituras, quando os reformadores, credos e confissões de fé protestantes não dizem isso?

Pergunta 10 – Por que os católicos afirmam que a Igreja Católica deu o cânon aos protestantes quando ninguém nos concílios do quarto século que discerniu o cânon acreditava nos ensinamentos que a Roma moderna diz que é preciso acreditar a fim de ser católico e que supostamente sempre foram cridos pela Igreja, tais como a imaculada concepção e assunção de Maria, a infalibilidade papal, a confissão privada e frequente aos sacerdotes e até mesmo os pecados veniais?

Pergunta 11 – Se a suposta assunção de Maria era um ensino oral dos apóstolos, por que os cristãos da igreja primitiva (ou seja, os Pais da Igreja) não afirmam tal ensino em seus escritos?

Pergunta 12 – Por que os católicos romanos afirmam que os Pais da Igreja primitiva mantinham seu entendimento da “tradição”, quando nenhum deles definiu tradição como um conteúdo doutrinário dos apóstolos que não pode ser encontrado na Escritura, como até mesmo estudiosos católicos admitem[22]? Você pode provar que eles definiram a tradição de tal maneira?

Pergunta 13 – Se a igreja primitiva entendeu a tradição e a Escritura de forma igual e tinha acesso a tradições extra-bíblicas, por que eles só fizeram um cânon das Escrituras e não um cânone de tradições apostólicas? Será que isso não mostra que a igreja primitiva tinha uma visão maior das Escrituras em relação à tradição, conceito este muito parecido com os protestantes?

Pergunta 14 – Por que os católicos acreditam em um conceito etéreo de tradição que na verdade ninguém tem acesso? Isto é, por que é que não há lista ou livro de tradições apostólicas extra-bíblicas da Igreja Católica, se eles realmente as possuem? Como você sabe que detém as supostas tradições extra-bíblicas que os apóstolos ensinaram – algo que você possa reivindicar que todos devemos ter de acordo com sua distorção de 2ª Tessalonicenses 2:15?

Pergunta 15 – Por que os católicos romanos afirmam que a Trindade não está clara nas Escrituras e que por isso devemos nos submeter à tradição católica e ao papado, quando os Pais da Igreja, como Ambrósio, afirmaram que esta doutrina está clara nas Escrituras? Ele disse:

“Deus, então, é um, sem violação da majestade da Trindade eterna, como é declarada na passagem colocada diante de nós. Nós não apenas vemos a Trindade manifestada em nome da Trindade, mas em muitos lugares também – especialmente nas epístolas que o apóstolo escreveu aos tessalonicenses – é mais do que claramente definida a divindade e soberania do Pai, do Filho e do Espírito Santo”[23]

Pergunta 16 – Por que os católicos romanos acreditam naquilo que Roma diz sobre a tradição extra-bíblica quando os papas têm se mostrado completamente indignos de confiança com a venda de indulgências, as vendas do trono papal, o massacre dos cátaros e valdenses (incluindo mulheres e crianças), a inquisição (envolvendo tortura brutal e assassinato em massa), os cadáveres dos papas passados colocados em julgamento simulado e os mutilando, as falsificações papais como a Doação de Constantino e os Decretos do Pseudo-Isidoro para enganar as pessoas e fazê-las acreditar no papado, as orgias no Vaticano, os assassinatos dos seus próprios cardeais, a ocultação de casos de abuso sexual envolvendo padres, sem falar nos participantes da Pornocracia? Para ver as provas destas coisas, consulte este artigo (nota do tradutor: em português, consulte este e este artigo).

Autor: Keith Thompson (Reformed Apologetics)
Tradução: Lucas Banzoli (Apologia Cristã)


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[1] Westminster Confession of Faith, 1:10.
[2] Anglican 39 Articles, Article 8.
[3] Anglican 39 Articles, Article 21.
[4] Michael Horton, The Christian Faith: A Systematic Theology for Pilgrims on the Way, [Zondervan, 2011], p. 187.
[5] John A. Maxfield, Luther's Lectures on Genesis and the Formation of Evangelical Identity, [Truman State University Press, 2008], p. 43.
[6] James R. Payton, Getting the Reformation Wrong: Correcting Some Misunderstandings, [InterVarsity Press, 2010], p. 139.
[7] Richard J. Foster, Streams of Living Water: Celebrating the Great Traditions of Christian Faith, [HarperCollins, 1998], p. 293.
[8] Martin Luther, On the Councils and the Church. Taken from Theodore G. Tappert Selected Writings of Martin Luther, Volume 1, [Fortress Press, 2007] pp. 313-314.
[9] James R. Payton, Getting the Reformation Wrong: Correcting Some Misunderstandings, [InterVarsity Press, 2010],  p. 147.
[10] John Calvin, Institutes of the Christian Religion, IV.VIII.1. cited in Keith Mathison,  The Shape of Sola Scriptura, [Canon Press, 2001], pp. 112-113.
[11] Westminster Confession of Faith, 1:6.
[12] Leon Morris, Hebrews, ed. Frank E. Gaebelein, The Expositor’s Bible Commentary, Vol. 12, [Zondervan 1981], p. 114.
[13] Robert Sungenis, Point/Counterpoint: Protestant Objections and Catholic Answers, Not by Scripture Alone, [Queenship Publishing, 1997], p. 270.
[14] The Cradle, the Cross, and the Crown: An Introduction to the New Testament, eds. Andreas J. Kostenberger, L. Scott Kellum, Charles L. Quarles, [B&H Publishing Group, 2009], p. 13.
[15] Westminster Confession of Faith, 1:6-7; 1:10.
[16] R. T. France, The Gospel of Matthew, ed. Joel B. Green, The New International Commentary on the New Testament, [Wm. B. Eerdmans, 2007], p. 1118.
[17] Donald Guthrie, New Testament Introduction, [InterVarsity Press, 1990], p. 257.
[18] F. F. Bruce, The New Testament Documents: Are They Reliable?, [Wm. B. Eerdmans, 1981], p. 45.
[19] Robert M. Bowman Jr, J. Ed Komoszewski, Putting Jesus in His Place, [Kregel, 2007], pp. 283-284.
[20] Peter M. J. Stravinskas, The Catholic Church And The Bible, 2nd ed., [Ignatius Press, 1996], p. 8; Peter Williams, Catholic Principles for Interpreting Scripture, [Gregorian & Biblical Book Shop, 2001], p. 115.
[21] Jimmy Akin, Scripture Commentary Recommendation, (http://jimmyakin.com/2006/01/scripture_comme.html)
[22] Yves Congar, The Meaning of Tradition, [Ignatius Press, 2004], p. 15.
[23] Ambrose, On the Holy Spirit, Book III, Ch. 14. 94.

18 comentários:

  1. Lucas, paz e graça.

    Uma igreja protestante que diz que a Bíblia é insuficiente para o conhecimento da revelação divina merece confiança? Se ela diz que Deus revelou novas doutrinas ocultas a ela, você acha que se deve permanecer nela, ou não, ou se Deus realmente revelou?

    Obrigado desde já.

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    1. Não merece confiança. Até onde eu saiba, apenas os mórmons (além dos católicos, é claro) fazem este tipo de coisa (eles acrescentam à Bíblia as doutrinas extra-bíblicas presentes no Livro de Mórmon).

      Abraços.

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  2. Bom artigo,

    É bom mencionar também que a Sola Scriptura não quer dizer que tradições como fatos históricos, costumes e práticas litúrgicas precisam estar na Bíblia nem explicitamente nem implicitamente.

    Os romanistas usam citações dos Pais da Igreja desta natureza para provar que eles não criam na Sola Scriptura. É até difícil ver um católico representar esta doutrina protestante sem recorrer a um espantalho.

    Aqui vai um pequeno manual de como refutar a Suficiência Material das Escrituras usando os Pais da Igreja:

    1. Mostre que uma Pai da Igreja cria em determinada doutrina que não pode nem explicitamente nem implicitamente ser extraída das Escrituras;
    2. Mostre que o Pai da Igreja cria que esta doutrina chegou até ele através de uma tradição oral extra bíblica - ou seja - ele precisaria crer nisto sem usar a escritura;
    3. E o mais importante - prove que esta doutrina é de origem apostólica. Não é suficiente citar uma Pai da Igreja que viveu séculos após os apóstolos, é preciso rastrear sua doutrina até um apóstolo.

    Se alguém conseguir provar estes 3 pontos, terá conseguido refutar a doutrina protestante da suficiência material da escritura.

    Só que até hoje nenhum católico fez isso.

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    1. Bruno, quando eu fui escrever meu livro sobre a Sola Scriptura, eu pesquisei especificamente sobre "Escritura" e "tradição" em MILHARES de obras patrísticas, incluindo todas as presentes no New Advent, e pra minha surpresa NENHUMA VEZ, absolutamente nenhuma mesmo, a tradição aparece em um contexto católico-romano, ou seja, como um meio de transmissão oral de doutrinas que não se encontram na Bíblia mas que se devem crer para a salvação. Absolutamente em TODAS as ocasiões a tradição estava relacionada a interpretação de textos presentes na Bíblia, a acontecimentos históricos ou a costumes, e NUNCA disse respeito a qualquer uma das alegações que os papistas fazem a este respeito. No meu livro há aproximadamente de 400 a 500 citações patrísticas provando a Sola Scriptura e refutando a tradição romanista, que é fruto desta pesquisa. O católico que usa a palavrinha "tradição" nos Pais como se fosse a mesma coisa da tradição atual da Igreja Romana mostra que é um completo ignorante, sem nenhum conhecimento de causa.

      Abraços!

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  3. Acrescentaria a lista de desafios do Keith Thompson o seguinte:

    17 - Qual é o conteúdo infalível e exato da tradição doutrinal extra bíblica preservada pela ICAR?
    18 - Quais as provas incontestáveis de que todos os pontos desta tradição doutrinal extra bíblica tão de origem apostólica?

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    1. 19 - Como você pode provar que a tradição supostamente preservada pela Igreja Ortodoxa, que também diz remeter ao primeiro século por sucessão apostólica, é falsa, e que a tradição supostamente preservada pela Igreja Romana é a única verdadeira e 100% confiável em todos os pontos de divergência?

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  4. Fico me perguntando quando estes católicos vão parar de questionar a suficiência das Escrituras. A Bíblia e o único livro que apresenta o propósito de Deus para o homem chamando-o ao arrependimento. O único livro que apresenta os dois pactos - dois testamentos. Apresenta a história da criação. A entrada do pecado no mundo e as causas dessa queda; o que consequentemente fez com que Deus enviasse um salvador para reconciliar o homem com ele. Temos as alianças e os profetas, apóstolos e o nascimento da Igreja, como também o nascimento, vida e morte do Senhor Jesus e a difusão do Evangelho por todo o mundo, sem contar as inúmeras profecias para o fim dos tempos. A suficiência das Escrituras e real e não imaginaria. Que os católicos apresentem outro livro que seja de mais peso e importância do que as Escrituras ao invés de retalhos e mais retalhos de tradições sem fim que apenas servem para invalidar a Palavra de Deus. A tradição católica e uma imitação muito mau feita das Escrituras. Eles torcem tudo, desde a promessa do salvador em Gênesis 3 até a última página do Apocalipse. E no fim das contas pegam tudo que essa tradição medonha fabricou e afirmam que a Bíblia não é suficiente. Que loucura meu Deus do céu!

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  5. Lucas, como você harmoniza Gálatas 2:16 com São Tiago 2:24 que diz que o homem não é justificado por fé somente? Segundo um estudo que li em um site luterano São Paulo conflita com São Tiago, sim. Não seria melhor tirar São Tiago do cânon protestante?

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    1. Veja este artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/01/tiago-ensinava-justificacao-pelas-obras.html

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  6. Um católico chegou a dizer que o sola scriptura é falso pois a biblia não menciona que o uso de drogas é pecado. É triste ver até que ponto o sujeito pode ir.

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    1. Isso é pouco, eu já ouvi até católico dizendo que a Sola Scriptura é falsa porque não existe rock and roll na Bíblia hahahaha

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    2. Esse devia ser fã do iron maiden.

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  7. Lucas, acho que o catolico mais honesto é o Hans Kung.Ele reconhece que esses conceitos de infabilidade papal sao absurdos e endossa(até certo ponto) o sola fide.

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    1. Sim, e tem também o renomado historiador católico Döllinger, que foi o maior historiador eclesiástico do século XIX e estudou história da Igreja por 47 anos. Ele era tão severamente contra a infalibilidade papal que na época do Concílio Vaticano I escreveu um livro inteiro refutando esta doutrina absurda e totalmente anti-histórica, em um livro traduzido ao português pelo Rui Barbosa e que eu estou lendo no momento. Chama-se "O Papa e o Concílio". Ele joga toda a História na cara dos papistas, que mesmo assim aprovaram essa ridícula doutrina da infalibilidade do papa.

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    2. Outro autor que parece honesto na abordagem histórica do papado é o Klaus Schatz. Ele escreveu o livro abaixo:

      http://www.amazon.com/Papal-Primacy-Origins-Present-Theology/dp/081465522X

      Entre outras coisas, afirma que ninguém nos primeiros séculos acreditava que o Bispo de Roma era o Bispo Chefe da Igreja Universal, que não havia bispo monárquico em Roma até metade do séc. II. Enfim, ele endossa o que os historiadores não católicos já vem dizendo há um bom tempo. A defesa histórica do papado já uma batalha perdida, por isso, cada vez mais, os defensores mais sofisticados do papado tem recorrido ao desenvolvimento da doutrina para explicar a ausência do papado na Bíblia e na Igreja Primitiva e seu posterior surgimento na forma atual.

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  8. O Thiago Dutra tentou comentar mas não conseguiu por algum problema no sistema de comentários. Ele me pediu então para expor aqui o comentário dele:

    20- Há uma obra católica afirma que: ."..Acima da Bíblia está a Tradição, isto é, a pregação de Jesus Cristo que não foi escrita ...”

    (Os Erros ou Males Principais dos Crentes ou Protestantes, da editora O Lutador, lançada sob o IMPRIMATUR do Monsenhor Aristides Rocha, 7ª edição de 1957, página 26)

    Pergunta

    Por quê o que NÃO ESTÁ ESCRITO E REGISTRADO, está ACIMA do que está ESCRITO E REGISTRADO?

    ---------------------------------------------------------------------------------

    Ressalto ainda que se mais alguém não está conseguindo postar o comentário, ou se o comentário em tom respeitoso não foi aprovado, favor entrar em contato comigo por e-mail (lucas_banzoli@yahoo.com.br) ou pelo facebook.

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    Respostas
    1. O que está escrito representa dois Testamentos. Não é possível que aquilo que não foi escrito possa estar acima dos dois Concertos que DEUS FEZ Com o homem

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