A Igreja é a coluna e sustentáculo da verdade!


Os papistas adoram (perdoem-me a redundância) citar um texto na primeira epístola de Paulo a Timóteo, quando disse que a Igreja é a “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm.3:15). Pelo menos dez mil vezes eu tive que ler o repetido jargão de que “é a Igreja a coluna da verdade, e não a Bíblia”. O acréscimo posterior que faz questão de dizer que “não é a Bíblia” existe apenas para acentuar o valor que eles atribuem à Escritura. Um completo desprezo.

Em resposta a este argumento, devemos ressaltar em conjunto com aquilo que foi escrito no livro:

1ª) Paulo não estava falando da Igreja Romana. A adição “romana” no texto não existe. Aliás: existe, mas só na cabeça de quem precisa encontrar “romana” ali para dar sentido ao seu argumento.

2ª) Paulo não estava falando da Igreja como instituição. No capítulo 2 deste livro conferimos inúmeras provas bíblicas de que o real e verdadeiro conceito de ekklesia não é o de uma instituição religiosa, e muito menos a romana, mas refere-se aos próprios cristãos, como o Corpo de Cristo.

3ª) Coluna é uma coisa completamente diferente de fundamento. O papista que argumenta que a verdade está sujeita à Igreja mostra que não entende nada sobre o significado de “Igreja” e menos ainda de “coluna”. A coluna não é um fundamento, mas está edificada sobre o fundamento! Paulo usou aqui duas palavras gregas, uma chamada hedraioma, que significa: “suporte, apoio, escora”[1]. A outra foi stulos, que significa “pilar ou coluna”[2]. Como vemos, nenhuma delas tem o sentido de “fundamento” (como vertem algumas traduções católicas adulteradas), mas de algo que está sobre o fundamento.

Assim sendo, o sentido do texto não é o de que a verdade está sujeita ou dependente da Igreja, mas o contrário. Assim como a coluna é dependente do fundamento, a Igreja é dependente da verdade. O fundamento (verdade) vem antes, e a coluna (Igreja) vem depois. A Igreja, portanto, tem o papel de anunciar esta verdade, e não de manipular essa verdade, como se qualquer coisa que a Igreja dissesse fosse verdade pela única razão de que a Igreja disse.

4ª) Para elucidar a questão, vamos citar o texto onde Paulo usa a mesma palavra grega stulos (coluna) ao dizer:

“Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas [stulos], estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão” (Gálatas 2:9)

Tiago, Pedro e João obviamente não estavam “acima da verdade”, muito menos acima da Igreja como um todo. Isso também não significa que a Igreja não existiria sem eles. Eles eram apenas “colunas” que se destacavam dentre as demais. Se Pedro estivesse acima da verdade por ser coluna, ele não poderia ter sido repreendido por Paulo (Gl.2:11-14), ou ter negado Jesus (Jo.18:27). Ser uma coluna não garante pregar sempre a verdade, e muito menos estar acima da verdade.

Os apóstolos, assim como os cristãos nos dias de hoje (Igreja), tinham a função de pregar essa verdade, pois são colunas dela. Se os cristãos não pregarem a verdade, o mundo não a ouvirá, e, consequentemente, não crerá no evangelho. É por isso e é neste sentido que a Igreja é a coluna da verdade, pois ela tem a obrigação de proclamar a verdade das Escrituras e manter a verdade tal como ela é.

5ª) Enquanto a Igreja é a coluna da verdade (algo inferior à verdade, que tem a supremacia), a Bíblia é a própria verdade, pois Jesus disse:

“Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade (João 17:17)

Pedro disse o mesmo:

“Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela Palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (1ª Pedro 1.22-23)

Antes que algum papista diga que a verdade é a tradição e não a Bíblia, cabe lembrarmos que foi o próprio Senhor Jesus que fez distinção entre uma coisa e outra, ao dizer que os judeus abandonavam a Palavra (referindo-se às Escrituras) por causa das suas tradições:

Mateus 15:6 – Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.

Marcos 7:3 – Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa.

Essa Palavra de Deus, que Jesus disse que os fariseus anulavam, e que estava em oposição à tradição, nada mais era senão as Escrituras, de onde ele cita Isaías e os mandamentos de Deus:

Marcos 7:6-7 – Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

Marcos 7:8 – Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens.

Marcos 7:9 – Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!

Mateus 5:13 – E por que vocês transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?

Os Pais da Igreja concordavam sobre isso também. Agostinho disse que a Bíblia é a “Palavra escrita de Deus”[3], e Ambrósio, seu tutor na fé, disse que a Palavra de Deus é o que está escrito:

“Os incrédulos se recusam a acreditar na Palavra de Deus. Pois o Filho de Deus, como você encontrará escrito no Evangelho, disse: ‘Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei’ (Jo.12:28)”[4]

“Eles não acreditam na Sua eternidade, apesar de na Palavra de Deus estar escrito: ‘No princípio era o Verbo’ (Jo.1:1)”[5]

Em síntese, a Palavra de Deus, seja a Palavra escrita (Escrituras) ou a Palavra revelada (Jesus Cristo) é a própria verdade. Estes sim não podem falhar, e a estes tudo está sujeito, inclusive a Igreja, que não é um “fundamento” da verdade, mas uma coluna, algo que está sobre, e não que coloca sobre si a verdade. A Bíblia realmente não é a coluna da verdade, porque ela é muito mais que uma coluna. Ela não é como uma coluna (que depende de algo), mas o fundamento, a própria verdade.

Todos os verdadeiros cristãos (=a Igreja), por sua vez, são colunas da verdade, pois a eles cabe a obrigação de anunciar e proclamar esta verdade ao mundo. Isso também tem relação com certa frase famosa dita por Agostinho (“eu não creria no evangelho, se não fosse a autoridade da Igreja”), que foi comentada neste artigo.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

-Extraído de meu livro: "Em Defesa da Sola Scriptura"


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[1] De acordo com a Concordância de Strong, 1477.
[2] De acordo com a Concordância de Strong, 4769.
[3] Letter 77, 1.
[4] Exposição da Fé Cristã, Livro II, Capítulo 15.
[5] Exposição da Fé Cristã, Livro III, Capítulo 8.

Comentários

  1. Obrigado por esclarecer mais esse argumento católico! Vc explica muito bem, Deus te abençoe!

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  2. Boa Lucas. Não tem como católico nenhum dizer que a Palavra de Deus não seja as Escrituras, as Sagradas LETRAS:

    “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17)

    Mateus 15:6 – Assim vocês anulam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.

    Palavra de Deus: Dois pactos! Em lugar algum fora dessas Escrituras pode se encontrar a história dos dois testamentos. Isso é muito sério: TESTAMENTOS. Ainda mais quando o testador se trata do Filho de Deus, Heb 9:15-18.

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    1. Pois é, Alon. Imagina alguém fazendo isso aqui com a teologia católica:

      "Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, EXAMINANDO TODOS OS DIAS AS ESCRITURAS, PARA VER SE TUDO ERA ASSIM MESMO" (Atos 17:11)

      O que sobraria?

      The Death.

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    2. Agora é que ficou feia a coisa para os católicos. Eles examinavam todos os dias, aí está dizendo. Esse povo tinha as Escrituras em casa. As sinagogas só abriam no sábado! Eles mesmo examinavam, sem o magisterio judeu por perto!

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    3. Lucas, os católicos humilham qualquer evangélico, veja:

      "AGORA RESPONDENDO O QUE SÃO AS DORES DE PARTO DO APOCALIPSE 12: 2
      QUE DIZ: Apocalipse 12: 2. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.
      NOTAS:
      ESSA PROFECIA SE CUMPRIU EM MARIA
      NO QUAL DISSE A PALAVRA DO VELHO SIMEÃO QUE:
      Uma espada de dor transpassará a tua alma (Lc 2, 35)."

      Fonte: Edmilson Silva ( o apologista estilo exterminador do futuro). SQN

      Ps.: O argumento dele é uma piada das boas.

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    4. Hahahahahahahahahahaha

      Difícil expressar o quanto ri desse "argumento" deste grande "teólogo" de "respeito" chamado Edmilson Silva kkkkkkkkkk

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    5. Esse povo católico escreve e não pensa mesmo no que escrevem. Estava vendo alguns artigos, inclusive um do leitão, e observei que eles realmente apresentam Maria como a mulher de Apocalipse 12. A maioria deles diz que o filho varão nascido da mulher, se trata de Jesus e, quase todos eles, argumentam que a fuga dela para o deserto fala da ida para o Egito. Uma referência para a fuga da família de Jesus na perseguição de Herodes ao menino. O problema é que A mulher de Apocalipse foge para o deserto sem o filho (vv 5,6).

      Evangélicos também estão entre aqueles que escrevem e não pensam no que estão escrevendo, não meditam antes de concluir o estudo. Andei lendo em alguns sites que a Babilônia de Apocalipse 18 pode ser os E Unidos.

      Pois é, os profetas e apóstolos, como todos aqueles que habitam no céu, foram conclamados a se alegrar com a queda dos Estados Unidos. Veja

      "Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela", v 20

      O que os EUA tem a ver com a morte de todos os santos - os mártires de toda a terra?

      "E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra", v 24.

      Meditem antes de concluir um argumento!

      Visite meus sites

      Agrandecidade.com
      Ohomemjesus.wordpress.com
      Sempredestinacao.wordpress.com

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    6. Bem observado. Também nunca gostei da tese de que a Babilônia é os Estados Unidos, ainda que os EUA tenham coisas ruins (tal como os outros países também). Não vejo base bíblica nenhuma para inferir que os EUA tenha algo a ver com a Babilônia, principalmente pela ligação da Babilônia com Roma e com o sangue dos mártires.

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  3. Interessante que o verso que postei acima mostra que os apóstolos também foram conclamados a se alegrar com a queda de Babilônia. E juntamente com eles está sendo cobrado o sangue de TODOS que foram mortos sobre a terra, Apocalipse 18:24.

    Jerusalem pode ter sido responsável pela morte dos apóstolos? Por que a Babilônia tem que ser Jerusalem se dela está sendo cobrado o sangue de TODOS os que foram mortos sobre todo o planeta? Jerusalem não pode ser responsabilizada pelo banho de sangue ocorrido após sua destruição

    O número de mártires assassinados depois de 70 AD supera em muito aos mortos antes desse período. Só um governo poderia ser responsável por tão grande chacina: o romano - pagão e religioso:

    http://agrandecidade.com/2012/09/30/babilonia-e-o-sangue-dos-apostolos/

    http://agrandecidade.com/2015/06/27/onde-nosso-senhor-foi-crucificado/

    Desculpe, Lucas, estar invadindo seu artigo, mas as denúncias contra Roma não acabam

    Abraços

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  4. Caro Lucas,
    O primeiro paragrafo do texto diz tratar-se de 1 Timoteo 3:5, mas, na verdade, se trata de 1 Timoteo 3:15.
    Deus te abençoe!!!

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    1. Vou corrigir, obrigado pela observação.

      Abraços.

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    1. Seu texto ficou fragmentado, não dá pra entender direito. De qualquer forma, pelo que eu pude entender do que você escreveu, há uma falácia lógica que eu já abordei em outros artigos, que é a concepção de que a Sola Scriptura não pode ser verdadeira porque naquela época a Bíblia ainda não estava completa. Isso seria o mesmo que eu dissesse que a minha casa não pode ser o único lugar onde eu moro, só porque a parte de cima ainda não terminou de ser construída. Mas a minha casa É, de fato, o único lugar onde eu moro, independentemente se está completa ou apenas construída parcialmente. Este raciocínio de modo algum invalida a Sola Scriptura.

      De fato, tudo o que Jesus disse na terra é Palavra de Deus, e nem tudo o que ele disse consta nas Escrituras. Isso evangélico nenhum nega. No entanto, é somente na Escritura que está o REGISTRO daquilo que Jesus disse. Ou seja, o que Jesus disse e não foi registrado, nós não temos como saber o que é, e qualquer coisa que seja dita não passa da mais pura especulação. Isso eu já escrevi em uns quinhentos artigos, mas se você puder ler apenas este abaixo, já está bom:

      http://apologiacrista.com/telefone-sem-fio-tradicao-oral

      Ou seja, quando dizemos que só a Bíblia é a Palavra de Deus, é porque nada a mais do conteúdo original se preservou além daquilo que está preservado na Bíblia. A não ser que você descubra mais coisas e possa prová-las com a mesma credibilidade e precisão com a qual podemos provar a autenticidade da Bíblia - o que eu nunca vi católico nenhum conseguir fazer.

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    3. No link do artigo do Michael Patton que você me passou não há nada que tenha a ver com a sua alegação de que "a sola scriptura só vale depois da definição do cânone". Ou você me passou o link errado, ou está lendo mais coisas do que está escrito. Patton, da mesma forma que Mathison, acentuam que o "tripé" católico (supostamente Escritura+Tradição+Magistério) é na verdade um "Sola Ecclesia", isto é, somente o magistério, porque o magistério seleciona arbitrariamente o que ele quer da Bíblia e da tradição para considerar "doutrina legítima". Sobre isso eu mesmo já acentuei em dezenas de artigos. O que esses dois autores protestantes citados por você fazem não é mais do que aquilo que eu e todos os evangélicos instruídos cremos.

      Vejo que você está argumentando em círculos. Eu já respondi a esta mesma objeção anteriormente, quando disse que nem toda a verdade foi registrada na Bíblia, mas na Bíblia está toda a verdade que foi registrada. Este é um princípio óbvio, da mesma forma que nem tudo o que Platão disse está nos escritos de Platão, mas tudo o que sabemos de Platão é daquilo que foi escrito por ele (ou por seus seguidores). Você aparentemente não leu este artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/11/como-funciona-sola-scriptura-de-forma.html

      Se não é para crermos na Sola Scriptura, então é bastante simples: nos diga em que mais temos que crer como regra de fé infalível à par das Escrituras. Simplesmente clamar pela autoridade da "tradição", sem sequer delimitar O QUE É e QUAIS SÃO essas tradições, sua extensão e delimitação, é simplesmente argumentar no vazio, rejeitando a Sola Scriptura para não oferecer nada de concreto em lugar dela.

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    6. Quando Mathison diz que a primeira geração de cristãos (que convivia com os apóstolos) aceitava doutrinariamente não apenas os escritos apostólicos mas também o que os apóstolos pregavam de viva-voz é algo evidente, eu mesmo não contesto isso em meu livro “Em Defesa da Sola Scriptura”. O link que eu passei anteriormente, que é relativo a um dos capítulos do livro, é justamente onde eu afirmo que a Sola Scriptura consiste no fato de que HOJE a nossa única fonte confiável do registro apostólico é a Bíblia:

      http://apologiacrista.com/telefone-sem-fio-tradicao-oral

      E neste outro artigo, eu mostro que já cedo os Pais da Igreja do século II em diante admitiam doutrinariamente apenas o que estava em consonância com as Escrituras:

      http://apologiacrista.com/os-pais-da-igreja-e-a-sola-scriptura

      A lógica é simples:

      • Existem duas formas de se chegar ao que foi ensinado originalmente por Jesus e por seus apóstolos: por aquilo que foi transmitido oralmente e por aquilo que foi escrito.

      • Aquilo que foi transmitido oralmente se perdeu com o tempo e passou por acréscimos, mudanças e alterações ao longo dos séculos, ou seja: corrompeu-se. Igual ocorreu com a tradição oral judaica, que foi duramente repreendida por Jesus (Mt.15:3-6; Mc.7:3-9).

      • Aquilo que foi transmitido por escrito – e que está guardado nas Sagradas Escrituras – conservou-se preservado e inalterável ao longo dos séculos até hoje.

      • Portanto, se somente a transmissão escrita preservou-se, temos uma base sólida para o princípio da Sola Scriptura – somente as Escrituras.

      Você argumenta ainda que “a sola scriptura não é um guia certo para a verdade porque a partir da escritura podemos ter interpretações contraditórias”. Ora, se isso é verdade, então nem a tradição católica e nem o magistério católico são “guias certos para a verdade”, porque também existem católicos pregando coisas diferentes entre si. Se você duvida, pode entrar neste site católico abaixo, que mostra estas divisões e admite isso abertamente:

      http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/3778/29/

      A conclusão que é a autora católica trouxe é que:

      “Como podem ver caros amigos, de una a Igreja passou a ser variada. Se você se identifica com um determinado grupo ou associação, procure conhecer, no entanto, o Corpo de Cristo vai ficando cada vez mais desfigurado e irreconhecível. E quem tem a mais árdua das missões para fazer este Corpo voltar a ser um só não é mais o Papa, e sim um colégio de Bispos, cada um com sua sentença. É complicado irmãos conviver desta maneira, mas não é impossível se observarmos as regras de ouro: respeitar, ouvir e amar o próximo como ele é”

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    7. Se você AINDA duvida que existam divergências entre os católicos, pode fazer o favor de ler este artigo também:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/03/o-ufc-catolico.html

      Eu tenho vários outros artigos sobre o tema da divisão, mas, em suma, se a Bíblia não pode ser o único guia porque pessoas tiram conclusões diferentes a partir da sua leitura, então pela mesma razão a tradição e o magistério católico também não podem. E mesmo se este argumento nos levasse a alguma conclusão sofista do tipo “precisamos de um magistério infalível”, como saberíamos se este magistério é o romano, em vez da Igreja Ortodoxa ou de qualquer igreja protestante?

      Você vai responder alguma coisa relacionada ao uso da razão, e é JUSTAMENTE pelo uso da razão que eu posso interpretar a Bíblia. O fato de pessoas interpretarem a Bíblia de forma diferente não significa que ela não seja a regra de fé, da mesma forma que o fato de dois católicos interpretarem diferente alguma coisa que o papa afirme não significa que exista alguma autoridade acima do papa (na visão católica).

      Por fim, não é espantalho nenhum a alegação de que os católicos usam este versículo DESTA maneira. Basta entrar em qualquer fórum de debates ou em sites apologéticos católicos para perceber isso, e quem estiver lendo isso agora certamente vai concordar comigo, se é que está familiarizado com o mundo dos debates. Há um uso indiscriminado e deturpado deste versículo para justificar qualquer coisa que a Igreja Romana faça, pela única razão de que a Igreja Romana fez. Pode até ser que os teólogos católicos mais sérios não o utilizem neste sentido, mas os debatedores de fundo de quintal deitam e rolam em cima disso, e eles não podem ficar sem refutação.

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    9. Não entendi por que você publicou seu comentário em dois locais diferentes, quando na verdade se trata de uma continuação do mesmo debate. De qualquer forma, eu decidi responder ao seu comentário de baixo, onde respondo às suas colocações dali e deste aqui também.

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  6. Complementando a resposta do Lucas, aponto outras falácias e más compreensões do Youssef Cherem:

    1 – Seu argumento é autorefutante. Os Protestantes podem refutar o romanismo utilizando o mesmo argumento. Se diferentes interpretações de um texto implicam que este texto não pode ser suficiente, o magistério e a tradição da sua Igreja também são insuficientes, pois há diferentes interpretações a respeito. Aliás, creio que nenhum texto no mundo poderia ser considerado suficiente, pois bastaria alguém discordar do consenso, e pronto, declararíamos sua insuficiência.

    2 – Toda forma de comunicação implica em interpretação. A interpretação não depende apenas das qualidades do comunicador (no caso da Bíblia – Deus), mas depende também do receptor. Muitas pessoas interpretam erroneamente as Escrituras por que são ignorantes (por isso a ênfase bíblica no estudo da Palavra de Deus) e, principalmente, por causa do pecado. Muitos colocam a sua própria tradição acima da Palavra de Deus. Este é o caso dos romanistas. Os romanistas não tem a Palavra de Deus como autoridade final, este papel é exercido pelo Magistério (Sola Eclesia). É a Igreja que define os limites da revelação e seu significado. Por mais absurda e infundada que seja uma doutrina romana, você precisa aceita-la. Ou seja, não há tribunal de recurso, a heresia precisa ser aceita. Infelizmente, esta atitude de colocar sua própria Igreja ou tradição acima das Escrituras não se limita apenas à ICAR.

    3 – Os Protestantes não afirmam que toda verdade está na Bíblia. É óbvio que existem verdades históricas, científicas, factuais que não estão na Escritura. O que afirmamos é que a Escritura contém todas as verdades DOUTRINAIS que precisamos saber para sermos salvos e termos vida em Cristo. Se você acredita que existem doutrinas que os Cristãos devem crer para serem salvos, o ônus da prova é seu neste debate. Cabe a você nos dizer que doutrina é esta e provar que assim como a Escritura, esta doutrina tem origem em Deus e não numa invenção humana. Seu argumento de que a Bíblia precisa conter todas as verdades para ser suficientes é uma falácia. A Bíblia não precisa ser exaustiva para ser um guia infalível para aqueles que desejam ser salvos e viver em Cristo. A Bíblia não precisa me dizer quando a América foi descoberta para que eu seja um bom cristão.

    4 – Porque um crente não poderia escolher racionalmente entre a Igreja Metodista, Igreja Presbiteriana ou Luterana? Você acredita que é possível racionalmente definir quem está certa, a Igreja Ortodoxa ou Romana? Como uma pessoa que está em busca da verdade poderia decidir entre essas várias Igrejas? Ele deveria aceitar a Igreja Romana como verdadeira só porque ela diz que é única verdadeira ou deveria estudar a teologia e a história e decidir com base nas evidências? Outro detalhe – o fato de existirem Igrejas Protestantes com práticas ou doutrinas diferentes não implica que os crentes de todas elas não possam ser salvos. Se assim for, nem todos os católicos poderão ser salvos, pois há uma série de práticas e questões que dividem os romanistas. Quem vai ser salvo? Os carismáticos ou os tradicionalistas? E os sedevacantistas, como ficam? Como fica a controvérsia entre tomistas e molinistas? Quem serão os salvos entre os dois? Se você estudar a Igreja do período patrístico, perceberá que os Pais divergiam numa série de questões. Se formos levar em conta esta lógica, muitos do santos da Igreja Romana nem devem estar no céu, pois muitos deles negaram expressamente várias doutrinas mais tarde proclamadas pela ICAR como necessárias para a salvação.

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  7. (continuando)

    5 – Qual o problema de não haver um fundamento bíblico para a data da páscoa ou natal? Aliás, no que se refere ao natal, é quase certo que a data de 25 de dezembro adotada pela ICAR é equivocada. Estes são meros costumes. Não são doutrinas que devem ser necessariamente cridas para a salvação.

    6 – Você realmente acha que a doutrina da trindade não está na Bíblia? Lamento informar, mas os teólogos da sua própria denominação discordam de você. Recomendo a leitura deste artigo: http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/apologetica/foi-a-tradicao-catolica-que-definiu-a-doutrina-da-trindade.html

    7 – Protestantes não negam que havia uma tradição oral. Como poderia não haver? Afinal Jesus e os Apóstolos pregaram oralmente. Esta tradição oral mais tarde foi escriturada no que chamamos de Novo Testamento. Tanto Protestantes como Romanistas reconhecem a autoridade apostólica, a questão é como podemos saber hoje o que os Apóstolos pregaram há 2 mil anos atrás.

    Até hoje a ICAR não definiu formalmente no que acredita. Até ai normal, sabemos que o magistério romanista não é muito célere e eficiente, leva séculos e séculos para definir doutrinas que supostamente sempre foram cridas pela Igreja. Muitos teólogos católicos, assim como Protestantes, defendem a suficiência material das Escrituras, isto é, a Escritura tem todas as doutrinas que o cristão deve crer. Outros já dizem que muitas doutrinas apostólicas não foram escritas, mas foram preservadas até hoje apenas oralmente. A Sola Scriptura é a negação dessa afirmação. Por isso, se deseja refutar a Sola Scriptura, aqui vai um processo simples: defina que doutrina não foi escriturada e preservada por séculos apenas oralmente (que tal a infalibilidade do bispo de roma?), após isso, prove que ela tem origem apostólica. Perceba que o ônus da prova recai sobre o romanista, são você que precisam provar a existência destas doutrinas e a validade do suposto magistério infalível. Que tal nos provar também que os Apóstolos deixaram líder sobre toda a Igreja que seria capaz impedir o erro?

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    1. Você afirma:

      “Se você não tem certeza do que era ensinado oralmente, de onde há evidências de que corrompeu-se?”

      Você está invertendo o ônus da prova. Não sou eu que tenho que provar que a tradição romana é falsa, é você que tem que provar que ela é verdadeira, e até o momento você não fez isso em lugar nenhum. Para provar que ela se corrompeu é muitíssimo simples: basta mostrar que já a partir do século II existiam muitas tradições divergentes e contraditórias no oriente e no ocidente, e que, portanto, PELO MENOS uma delas não se preservou (ou nenhuma das duas), o que significa que SE CORROMPEU. Ou, senão, que você me traga as PROVAS HISTÓRIAS que provem que a sua tradição é a verdadeira e a dos ortodoxos é falsa:

      (1) Qual tradição é a certa: a que diz que Maria não teve concepção imaculada (ortodoxos) ou a que diz que teve (romanos)?

      (2) Qual tradição é a certa: a que diz que não existe purgatório (ortodoxos) ou a que diz que existe (romanos)?

      (3) Qual tradição é a certa: a que diz que existem sete concílios ecumênicos normativos (ortodoxos) ou a que diz que existem vinte (romanos)?

      (4) Qual tradição é a certa: a que diz que o Espírito Santo procede apenas do Pai (ortodoxos) ou a que diz que procede do Filho também (romanos)?

      (5) Qual tradição é a certa: a que diz que o bispo de Roma (papa) é infalível em ex cathedra (romanos) ou a que diz que ele é mais um bispo falível como os demais (ortodoxos)?

      (6) Qual tradição é a certa: a que permite as indulgências (romanos) ou a que as proíbe (ortodoxos)?

      (7) Qual tradição é a certa: a que permite o divórcio em casos excepcionais (ortodoxos) ou a que proíbe em qualquer circunstância (romanos)?

      (8) Qual tradição é a certa: a que diz que o padre pode escolher se vai se casar ou não (ortodoxos) ou a que prescreve o celibato obrigatório (romanos)?

      (9) Qual tradição é a certa: a que diz que o templo pode estar cheio de imagens de escultura (romanos) ou a que só permite ícones (ortodoxos)?

      (10) Qual tradição é a certa: a que comunga em ambas as espécies (ortodoxos) ou a que comunga em uma só (romanos)?

      (11) Qual tradição é a certa: a que entende a tradição como uma forma de interpretar as Escrituras (ortodoxos) ou a que a entende como uma fonte de revelação paralela à Bíblia (romanos)?

      (12) Qual tradição é a certa: a que diz que há um único juízo (ortodoxos) ou a que diz que há juízo particular e geral (romanos)?

      Não adianta apelar para a tradição sem antes definir o que é a tradição. Eu quero que você me prove com documentos históricos de que a tradição romana é a única tradição certa, que todas as outras tradições que remetem às outras igrejas do início da era cristã e que divergem da igreja de Roma são todas falsas, que a sua e apenas a sua tradição é incorruptível e que jamais passou por acréscimo, alteração, subtração ou modificação nenhuma, e que devemos rejeitar todos os argumentos ortodoxos para a tradição deles e ficar somente com a tradição de vocês. Você pode fazer isso, por favor? Apelar somente à palavrinha ‘tradição’ nos escritos dos Pais não é suficiente, pois a Igreja Ortodoxa faz exatamente a mesma coisa para provar a tradição deles. Eu quero provas decentes, que sejam satisfatórias. Até agora você não trouxe nenhuma.

      Dizer que a tradição romana está nos “Pais da Igreja” também não resolve nada, pois todas as doutrinas cridas pelos protestantes e pelos ortodoxos também podem ser provadas pelos Pais da Igreja. Eu disse todas, sem exceção.

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    2. Quando Gregório Magno rejeitou o título de “bispo universal” e o chamou de “título de blasfêmia”, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Os próprios mandamentos de nosso Senhor Jesus Cristo são transtornados pela invenção de uma certa orgulhosa e ostensiva frase, que seja o piedosíssimo senhor a cortar o lugar da chaga, e prenda o paciente remisso nas cadeias da augusta autoridade. Pois ao atar estas coisas justamente alivias a república; e, enquanto cortas estas coisas, provês o alargamento do teu reinado (...) O meu companheiro sacerdote João, pretende ser chamado bispo universal. Estou forçado a gritar e dizer: Oh tempos, oh costumes! (...) Os sacerdotes, que deveriam chorar jazendo no chão e em cinzas, buscam para si nomes de vanglória, e se gloriam em títulos novos e profanos (...) Quem é este que, contra as ordenanças evangélicas, contra os decretos dos cânones, ousa usurpar para si um novo nome? O teria se realmente por si mesmo fosse, se pudesse ser sem nenhuma diminuição dos outros – ele que cobiça ser universal (...) Se então qualquer um nessa Igreja toma para si esse nome, pelo qual se faz a cabeça de todo o bem, segue-se que a Igreja universal cai do seu pedestal (o que não permita Deus) quando aquele que é chamado universal cai. Mas longe dos corações cristãos esteja esse nome de blasfêmia, no qual é tirada a honra de todos os sacerdotes, no momento em que é loucamente arrogado para si por um só” (Epístola XX a Maurício César)

      Quando Agostinho rejeitou a transubstanciação e disse que era uma “expressão simbólica” de algo espiritual, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “‘Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós’ (Jo 6,54). Aqui, parece ser ordenada uma ignomínia ou delito. Mas aí se encontra expressão simbólica que nos prescreve comungar da paixão do Senhor e guardar, no mais profundo de nós próprios, doce e salutar lembrança de sua carne crucificada e coberta de chagas por nós” (A Doutrina Cristã, 3,24)

      “Entenda espiritualmente o que eu disse; não é para você comer esse corpo que você vê; nem beber aquele sangue que será derramado por aqueles que irão me crucificar. Recomendei-lhes um certo mistério; espiritualmente compreendido, vivificará. Embora seja necessário que isso seja visivelmente celebrado, contudo precisa ser espiritualmente compreendido” (Agostinho, contra Adimante)

      Quando Cipriano negou a existência de um “bispo dos bispos”, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Pois nenhum de nós coloca-se como um bispo de bispos, nem por terror tirânico alguém força seu colega à obediência obrigatória; visto que cada bispo, de acordo com a permissão de sua liberdade e poder, tem seu próprio direito de julgamento, e não pode ser julgado por outro mais do que ele mesmo pode julgar um outro. Mas esperemos todos o julgamento de nosso Senhor Jesus Cristo, que é o único que tem o poder de nos designar no governo de Sua Igreja, e de nos julgar em nossa conduta nela” (Sétimo Concílio de Cartago)

      Quando Cirilo de Jerusalém pregou o batismo por imersão, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Depois disto fostes conduzidos pela mão à santa piscina do divino batismo, como Cristo da cruz ao sepulcro que está à vossa frente. E cada qual foi perguntado se cria no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E fizestes a profissão salutar, e fostes imersos três vezes na água e em seguida emergistes, significando também com isto, simbolicamente, o sepultamento de três dias de Cristo. E assim como nosso Salvador passou três dias e três noites no coração da terra , do mesmo modo vós, com a primeira imersão, imitastes o primeiro dia de Cristo na terra, e com a imersão, a noite. Como aquele que está na noite nada enxerga e ao contrário o que está no dia tudo enxerga na luz, assim vós na imersão, como na noite, nada enxergastes; mas na emersão, de novo vos encontrastes no dia” (Segunda Catequese Mistagógica, Cap.4)

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    3. Quando Taciano negou a imortalidade da alma, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Com efeito, do mesmo modo como, não existindo antes de nascer, eu ignorava quem eu era e só subsistia na substância da matéria carnal – mas uma vez nascido, eu, que antes não existia, acreditei em meu ser pelo nascimento – assim também eu, que existi e que pela morte deixarei de ser e outra vez desaparecerei da vista de todos, novamente voltarei a ser como não tendo antes existido e portanto nasci. Mesmo que o fogo destrua a minha carne, o universo recebe a matéria evaporada; se me consumo nos rios ou no mar, ou sou despedaçado pelas feras, permaneço depositado nos tesouros de um senhor rico. O pobre ateu desconhece esses depósitos, mas Deus, que é rei, quando quiser, restabelecerá em seu ser primeiro a minha substância, que é visível apenas para ele” (Discurso contra os Gregos, c. 6)

      Quando Cirilo de Jerusalém disse que todas as doutrinas tinham que ser provadas na Escritura, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Com respeito aos mistérios divinos e salvadores da fé, nenhuma doutrina, mesmo trivial, pode ser ensinada sem o apoio das Escrituras divinas... pois a nossa fé salvadora deriva a sua força, não de raciocínios caprichosos, mas daquilo que pode ser provado a partir da Bíblia” (Das Divinas Escrituras)

      Quando Beda pregou a justificação somente pela fé, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Por isso, é errado interpretar Paulo de modo a sugerir que não importava se Abraão colocou a sua fé em prática ou não. O que Paulo queria dizer era que não se obtém o dom da justificação com base em méritos derivados de obras realizadas de antemão, porque o dom da justificação vem somente pela fé” (Super Divi Jacobi Epistolam, Caput II, PL 93:22)

      Quando Lactâncio disse que onde há imagem não há religião, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “É indubitável que onde quer que há uma imagem não há religião. Porque se a religião consiste de coisas divinas, e não há nada divino a não ser nas coisas celestiais, segue-se que as imagens se acham fora da esfera da religião, porque não pode haver nada de celestial no que se faz da terra (...) não há religião nas imagens, mas uma simples imitação de religião” (Instituições Divinas, 2:19)

      Quando Eusébio esmagou a tese de que os irmãos de Jesus eram primos, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Naquele tempo também Tiago, o chamado irmão do Senhor- porque também ele era chamado filho de José; pois bem, o pai de Cristo era José, já que estava casado com a Virgem quando, antes que convivessem des­cobriu-se que havia concebido do Espírito Santo, como ensina a Sagrada Escritura dos evangelhos -; este mesmo Tiago pois, a quem os antigos puseram o sobrenome de Justo, pelo superior mérito de sua virtude, refere-se que foi o primeiro a quem se confiou o trono episcopal da Igreja de Jerusalém” (História Eclesiástica, Livro II, 1:2)

      Quando Agostinho disse que a pedra era Cristo e não Pedro, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Mas eu sei que em seguida expus, muito frequentemente, as palavras de Nosso Senhor: ‘Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja’, da forma seguinte: que a Igreja seria edificada sobre Aquele que Pedro confessou, dizendo: ‘Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo’. Assim Pedro (Petrus) que teria tomado o seu nome desta pedra (Petra), simbolizaria a Igreja que é construída sobre esta pedra e que recebeu as chaves do Reino dos Céus. Com efeito, não lhe foi dito: Tu és a pedra (Petra), mas: Tu és Pedro (Petrus), pois a Pedra (Petra) era o próprio Filho de Deus, Cristo. Simão Pedro, ao confessar Cristo como a Igreja inteira O confessa, foi chamado Petrus (Pedro)” (Retractações, Cap. 21)

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    4. Quando João Crisóstomo disse que Maria pecou, ele fez isso baseado na tradição oral?

      "Nas bodas de Caná, Maria foi molesta e ambiciosa" (Homília sobre Mt 12:48)

      Quando Jerônimo disse que os apócrifos não podiam fundamentar doutrina nenhuma, ele fez isso baseado na tradição oral?

      "E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja" (Prefácio dos Livros de Salomão)

      Quando Papias, Irineu, Lactâncio e Tertuliano pregaram o pré-milenismo, eles fizeram isso baseados na tradição oral?

      “Ele [Papias] divulgou uma segunda vinda de Nosso Senhor ou Milênio. Irineu, Apolinário e outros dizem que após a ressurreição do Senhor, ele irá reinar em carne com os santos. Também Tertuliano, em sua obra ‘Sobre a Esperança dos Fieis’, Vitorino de Petau e Lactâncio seguem este ponto de vista” (Jerônimo, De Viris Illustribus, 18)

      Quando João Crisóstomo disse que só devemos orar a Deus, ele fez isso baseado na tradição oral?

      “Não fazes oração aos homens, mas a Deus” (Homilias sobre São Mateus, 19:3)

      Deixa eu dar um palpite: não, né? Acho que não considera nada disso parte da “tradição”. Você deve pegar textos de outros Pais da Igreja dizendo coisas diferentes. É por isso que eu sempre digo: vocês selecionam arbitrariamente na patrística o que “vale” e o que “não vale”, como uma cartola de um mágico, que tira dali quantos e quais coelhos quiser, para então chamar de “tradição”. É a falácia do “Sola Ecclesia”, tão abordada por autores como Mathison e os outros que você cita incorretamente.

      Sobre as suas alegações em favor da Igreja Romana, sinto muito, mas nenhuma delas prova coisa alguma em relação à ICAR. A minha pergunta foi bem específica: como você pode provar que o verdadeiro magistério é o romano, e não o ortodoxo. Você me respondeu com textos isolados que qualquer ortodoxo concordaria, sem com isso implicar em NADA em relação à igreja romana em particular. Inclusive os ortodoxos creem no primado de honra de Pedro, em vez de um primado jurisdicional, ou seja, de um “governo” propriamente dito. Ora, foi o próprio Cristo que rejeitou este segundo tipo de primado quando disse:

      “Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. NÃO SERÁ ASSIM ENTRE VOCÊS” (Marcos 10:42)

      Ao invés de Cristo dizer que Pedro iria exercer domínio (primado, autoridade superior, jurisdição universal) sobre eles, ele diz que não seria assim entre eles. Ao contrário dos “governantes das nações”, que tinham autoridade sobre os que eram governados, Jesus diz que isso não aconteceria na comunidade cristã. Este verso é o oposto de quem afirma que Pedro e “seus sucessores” exerceriam autoridade sobre todos os demais bispos da comunidade cristã.

      Sobre o pastoreio das ovelhas, Pedro negou Jesus três vezes e por isso ficou perturbado ao ponto de chorar amargamente (Mc.14:72), e precisava ser restaurado novamente. Por isso, em João 21:15-17 Jesus restaurou Pedro à sua condição de pastor de ovelhas, permitindo que ele reafirmasse seu amor por ele também por três vezes, e mostrando que ele ainda era digno de pastorear o rebanho de Deus, que é obrigação de TODOS os líderes eclesiásticos e não apenas de Pedro. Paulo chama todos os bispos e presbíteros da igreja de pastores do rebanho (At.20:28), e o próprio Pedro disse que os presbíteros tinham o dever de pastorear a Igreja (1Pe.5:2).

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    5. Portanto, pastorear as ovelhas não é, nunca foi e nunca será um papel EXCLUSIVO de Pedro. Se Pedro tivesse um status especial e mais elevado, Cristo nunca teria dito para ele pastorear ovelhas, mas sim para pastorear OS PASTORES, já que a Igreja Romana alega que Pedro era “bispo dos bispos”. No entanto, Cristo recolocou Pedro à condição de pastor de ovelhas, ou seja, A MESMA dos demais apóstolos, e não como um “pastor de pastores”, ou seja, como uma liderança eclesiástica sobre os próprios líderes da igreja.

      Sobre sucessão apostólica, os mesmos Pais da Igreja de data tardia que criam que Pedro foi bispo de Roma também diziam que ele foi bispo de ANTIOQUIA antes disso. Inclusive você pode ver neste site ortodoxo a lista de sucessão de bispos antioquenos, que tem Pedro como o primeiro da sucessão:

      http://sor.cua.edu/patriarchate/patriarchschronlist.html

      Ou seja: se a Igreja de Roma é a primaz, a que tem a autoridade, a que manda em todo mundo, a infalível, etc, etc, etc, porque tem Pedro como seu primeiro bispo, ENTÃO A IGREJA DE ANTIOQUIA TAMBÉM DEVERIA SER. Mas a sucessão de Antioquia preserva-se hoje no domínio da Igreja Ortodoxa, e não da Romana. E a mesma sucessão que você diz que ocorreu em Roma também ocorreu nas demais igrejas – Antioquia inclusa – e mesmo assim você crê que essas outras igrejas caíram na apostasia pelo menos a partir do cisma de 1054 d.C. Isso já é o bastante para provar que “sucessão apostólica” NÃO GARANTE a apostolicidade da doutrina, pois duas doutrinas contraditórias não podem ser “apostólicas” ao mesmo tempo.

      O próprio Calvino destruiu completamente a “lógica” católica com um parágrafo:

      “Agora lhes farei outra concessão, a qual jamais obterão dos homens de mente sã – isto é, que a primazia da Igreja foi fixada em Pedro, com vista a permanecer para sempre por sucessão perpétua. Contudo, como convencerão que sua sé foi colocada em Roma, que quem quer que fosse bispo dessa cidade presidiria ao mundo inteiro? Com que direito vinculam a um lugar esta dignidade que foi dada sem menção de lugar? Dizem que Pedro viveu em Roma e aí morreu. Que dizer do próprio Cristo? Porventura não exerceu em Jerusalém o episcopado, enquanto lá viveu, e ao morrer aí não consumou o ofício de seu sacerdócio? O Príncipe dos pastores, o Bispo Supremo, a Cabeça da Igreja não pôde adquirir essa honra para um lugar; Pedro, muito inferior a ele, o adquiriu? Porventura tais sandices não são mais que pueris? Cristo conferiu a Pedro a honra do primado; Pedro sediou-se em Roma; logo, aí estabeleceu a sede do primado. Seguramente, com este arrazoado, os israelitas de outrora devem constituir a sede do primado no deserto, onde Moisés, mestre supremo e príncipe dos profetas, exercera seu ministério e morreu [Dt 34.5]” (Calvino, Institutas, 4.6.11)

      Existiam bispos com influência e importância maior do que outros (principalmente os de Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém e Constantinopla), mas mesmo estes bispos de maior importância tinham uma jurisdição limitada, que se restringia à sua própria diocese, e, quando muito, a uma diocese próxima, sujeita ao bispo metropolitano. É assim que o próprio Concílio de Niceia (325) deixa claro:

      “O bispo de Alexandria terá jurisdição sobre o Egito, Líbia e Pentápolis; assim como o bispo romano sobre o que está sujeito a Roma. Assim, também, o bispo de Antioquia e os outros, sobre o que está sob sua jurisdição. Se alguém foi feito bispo contrariamente ao juízo do Metropolita, não se torne bispo. No caso de ser de acordo com os cânones e com o sufrágio da maioria, se três são contra, a objeção deles não terá força” (Cânon VI)

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    6. Está óbvio que a jurisdição do bispo romano se limitava à própria Roma, e não universalmente. A jurisdição do bispo romano era tão local quanto a dos bispos de Alexandria e de Antioquia, citados no mesmo cânone. Roma era certamente a mais importante, mas nunca, em momento algum, exerceu qualquer tipo do governo sobre as demais igrejas, nem tampouco uma jurisdição universal, e muito menos tinha um “poder pleno, supremo e universal”, como alega o catecismo católico. Ou seja, tentar provar historicamente o papado para validar a Igreja Romana em detrimento de todas as demais é um verdadeiro tiro no pé, pois qualquer historiador decente concorda que não existia algo como um primado jurisdicional universal do bispo romano nos primeiros séculos, e há multidões de provas contra isso.

      Sobre sua tentativa de salvar a divisão católica, me desculpe, mas ela existe sim, não adianta tentar tapar o sol com a peneira. Eles podem não discutir por causa de DOGMA, mas discutem por doutrinas sim, e basta uma leitura simples na Bíblia para descobrir o óbvio: que “divisão” nunca esteve limitada apenas à doutrina. Só o fato de um católico considerar o outro católico um “herege”, mesmo sem estar oficialmente excomungado pelo papa, já prova a divisão. Na RCC, que nunca foi excomungada da Igreja, há a crença no batismo com o Espírito Santo, no falar em línguas, em maldição hereditária, em retiros de cura e libertação, no “cair no Espírito”, em músicas estilo “gospel” plagiadas dos evangélicos, etc. A liturgia e o estilo de culto numa igreja da RCC não têm nada a ver com uma tradicionalista. Inclusive este site católico reconhece isso, e não considera os da RCC como “católicos mesmo”:

      https://afeexplicada.wordpress.com/tag/rcc/

      Mas eu nem preciso ir à RCC para saber das divergências, basta voltar à questão do cisma de 1054. Se houvesse total unidade, não haveria o cisma. E basta um estudo simples na história para perceber que quem causou o cisma foram os romanos, não os ortodoxos. Foi a Igreja de Roma que rachou a Igreja no meio. A partir do momento em que vocês fizeram isso, vocês perderam totalmente qualquer moral para apontar o dedo nas “divisões” dos outros.

      E vale ainda ressaltar, como o Bruno fez brilhantemente em seu comentário abaixo, que por essa sua lógica “nenhum texto no mundo poderia ser considerado suficiente, pois bastaria alguém discordar do consenso, e pronto, declararíamos sua insuficiência”. Ou seja, você ataca a um espantalho quando pretende refutar a Sola Scriptura.

      Isso fica ainda mais patente e óbvio quando vemos a sua tentativa de refutar meu artigo sobre os Pais da Igreja e a Sola Scriptura, alegando que nenhum Pai cria que “tudo” está na Bíblia. Oras bolas, mas eu já afirmei milhões de vezes que nem tudo foi registrado na Bíblia realmente. Isso eu deixei explícito no próprio artigo, e ainda anteriormente em nosso próprio diálogo. Isso porque Sola Scriptura nunca consistiu em “tudo tem que estar na Bíblia”. De onde você tirou isso? Sola Scriptura é a crença de que todas as DOUTRINAS tem que estar em consonância com as Escrituras, ou seja, ser provadas por ela explícita ou ao menos implicitamente, e não que cada coisa que já aconteceu na história está na Bíblia.

      Veja se este princípio não é EXATAMENTE A MESMA COISA que Cirilo de Jerusalém afirmou em suas Leituras Catequéticas:

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    7. "Que este selo permaneça sempre em tua mente, o qual foi agora, por meio do sumário, colocado em teu coração e que, se o Senhor o permitir, daqui em diante, será elaborado de acordo com nossas forças por provas da Escritura. Porque, concernente aos divinos e sagrados Mistérios da Fé, é nosso dever não fazer nem a mais insignificante observação sem submetê-la às Sagradas Escrituras, nem sermos desviados por meras probabilidades e artifícios de argumentos. Não acreditem em mim porque eu vos digo estas coisas, a menos que recebam das Sagradas Escrituras a prova do que vos é apresentado: porque esta salvação, a qual temos pela nossa fé, não nos advém de arrazoados engenhosos, mas da prova das Sagradas Escrituras” (Leituras Catequéticas, 4:17)

      Apenas nesta citação de Cirilo já podemos confirmar todos os princípios reformados da Sola Scriptura de uma só vez:

      • A doutrina era elaborada de acordo com as provas da Escritura, e não de alguma outra fonte.

      • Nem a mais insignificante observação doutrinária poderia ser feita ser submetida às Sagradas Escrituras.

      • Nós não devemos acreditar em ninguém, a não ser que recebamos as provas da Escritura daquilo que nos é apresentado.

      • A salvação provém das provas das Escrituras.

      Se a declaração acima estivesse sem autoria, qualquer romanista teria a certeza de que foi feita por Lutero, Calvino ou qualquer outro evangélico reformado. Ela expressa com a mais profunda e perfeita exatidão tudo aquilo que os reformadores tão constantemente afirmavam. Nenhum deles precisava usar de suas próprias palavras para afirmar a Sola Scriptura – bastava utilizar-se das palavras de Cirilo.

      Em síntese, você distorce o sentido real de “Sola Scriptura” para tentar fazer com que os Pais da Igreja não fossem “Sola Scripturistas”. A verdade é que grande parte deles foi mais enérgico em favor da Sola Scriptura do que o próprio Lutero, como demonstrei no artigo. E o fato de pessoas interpretarem mal a Bíblia NÃO SIGNIFICA que a Bíblia não seja a norma de fé, porque se fosse assim nenhum documento do mundo serviria, pois todos eles são passíveis de interpretações diferentes, INCLUSIVE a própria tradição católica, que já no século II em diante era conflitante, confusa e contraditória.

      E o jeito para saber qual igreja está mais próxima da verdade – Luterana, Presbiteriana ou Metodista – é O MESMO que você usa para achar que a Igreja Romana é mais próxima da verdade do que a Ortodoxa: o USO DA RAZÃO. Se o seu uso da razão pode levá-lo com confiança a entender que a Igreja Romana é melhor que a Ortodoxa, por que um protestante não poderia fazer o mesmo? Só porque ele chega a uma conclusão oposta da sua? Como você pode provar que O SEU uso da razão é melhor do que o uso da razão praticado por um ortodoxo, que conclui que a Igreja Ortodoxa é a superior? Não seria DA MESMA FORMA que os evangélicos podem concluir em favor de uma destas três denominações mencionadas? Seu argumento é confuso e autorefutante.

      Como já expressei muitas vezes em outros debates deste blog, já adianto que meu tempo para debates como este é bastante limitado, e que por isso eu restrinjo sempre a três rodadas de debate, esta já é a segunda. Escreva se quiser a sua terceira refutação, que eu escrevo minha terceira resposta e encerro esta discussão, para que ela não seja eternizada e eu tenha tempo para fazer as outras coisas.

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    10. Você diz:

      “Interessante a sua forma de debater e sua ‘educação’ e ‘humildade’”

      Resposta – Em nenhum momento eu te agredi, ofendi, ou proferi qualquer tipo de xingamento a você. Quem está vendo esse debate pode julgar por si mesmo. Mas se você se sente “ofendido” por estarmos falando a verdade neste blog acerca do fato da Igreja Romana ser uma igreja apóstata, então eu não posso fazer nada, pois isto é liberdade de expressão e opinião, e não ofensa pessoal. Neste caso eu também poderia me sentir no direito de me achar “ofendido” quando você e todos os demais apologistas católicos dizem que as igrejas evangélicas são “seitas heréticas”, etc. Mas eu não choro, eu argumento.

      Você diz:

      “Interessante também que não nega que eu posso escolher entre você, um calvinista e um luterano, ou talvez até um anglicano, e não me dá razão nenhuma para isso”

      Resposta – Sua frase é dúbia, e eu posso analisar de duas maneiras. Se o sentido que você quis expressar quando disse que eu não te dou “nenhuma razão para isso” é de que eu não dou nenhuma razão para a CAPACIDADE de poder escolher entre um ou outro, então é você mesmo que se refuta, visto que você se acha na capacidade de escolher entre a Igreja Romana ou a Ortodoxa. Ora, se você tem o direito de escolher, então eu também tenho, assim como qualquer protestante, por qualquer igreja que entenda racionalmente ser a mais próxima da verdade. Isso se chama CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL. Sem ela, não poderíamos escolher nada.

      Se essa capacidade de consciência individual não existisse, então sequer algum evangélico poderia virar católico, porque como ele iria saber que o papa é a infalível autoridade final e não o patriarca ortodoxo ou um líder de seita ou um Inri Cristo da vida? Ele não poderia escolher se ele não tivesse essa capacidade de escolha. Então essa capacidade de escolha é necessária, e até mesmo imprescindível. Por meio da consciência individual ele pode descartar logo de cara algumas opções mais levianas (ex: Inri Cristo), e estudar mais a fundo a Bíblia e a história da igreja para chegar à conclusão de que quem está com a verdade (ou mais próximo dela) é o catolicismo romano, ou o ortodoxo, ou alguma igreja protestante, ou o que quer que seja. O próprio católico quando tenta converter um evangélico é por meio da consciência individual, embora depois ele vá tentar suprimir esta mesma consciência individual para ele não deixar mais de seguir o papa. Portanto, seu argumento é autorefutante.

      Agora, se o sentido da sua frase foi que eu não dei razões para achar que a igreja protestante é mais próxima da verdade do que a católica-romana, isso só pode ser piada, porque ESTE BLOG INTEIRO é destinado a esta finalidade, com mais de 350 artigos e vários livros que tocam em dezenas de pontos doutrinários e históricos com os mais variados argumentos e razões para entender que o protestantismo é legitimamente um avanço em relação ao catolicismo. Por isso prefiro entender que a sua expressão dúbia deva ser interpretada da primeira forma (e continua errada assim mesmo).

      Você diz:

      “Os católicos têm divisões, os protestantes também diz você. Mas todas as divisões que mostrou foram entre católicos e ortodoxos!”

      Resposta – Então você não leu a parte em que eu disse:

      Na RCC, que nunca foi excomungada da Igreja, há a crença no batismo com o Espírito Santo, no falar em línguas, em maldição hereditária, em retiros de cura e libertação, no “cair no Espírito”, em músicas estilo “gospel” plagiadas dos evangélicos, etc. A liturgia e o estilo de culto numa igreja da RCC não têm nada a ver com uma tradicionalista. Inclusive este site católico reconhece isso, e não considera os da RCC como “católicos mesmo”:

      https://afeexplicada.wordpress.com/tag/rcc/

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    11. E mesmo que fosse só com a ortodoxa, ISSO AINDA NÃO LIVRA A IGREJA DE ROMA DE CAUSAR DIVISÃO, visto que os romanos que causaram o primeiro grande racha na história da Igreja, muitos séculos antes de Lutero ser taxado de “cismático”. Diante disso, você não tem moral nenhuma para acusar os outros de divisão. E vamos deixar claro uma coisa, de uma vez por todas: a Verdade não está no que “é mais unido”, mas no que preserva melhor a doutrina apostólica registrada nas Escrituras. Os espíritas são MUITO mais unidos do que os católicos, e nem por isso eu acho o espiritismo mais correto que o catolicismo. Da mesma forma, os judeus do AT, que eram os depositários dos oráculos de Deus, eram cheios de divisão (fariseus, saduceus, essenios, zelotas, etc), muito mais do que outros povos pagãos da época, que eram unidos NA MENTIRA, o que não adiantava nada.

      Você disse:

      “O celibato obrigatório é para os católicos latinos somente”

      Resposta – E não deveria ser. Pedro era casado (Mt.8:14), os apóstolos e irmãos do Senhor em geral também eram (1Co.9:5), o evangelista Filipe tinha “quatro filhas virgens, que profetizavam” (At.21:9), Clemente de Alexandria deu “uma lista dos apóstolos que comprovadamente foram casados” (História Eclesiástica, Livro III, 30:1), Paulo diz que os bispos deveriam cuidar bem dos seus filhos e ser maridos de uma só mulher (1Tm.3:1-7), e repudiou aqueles que “proíbem o casamento” (1Tm.4:1-3). O fato de a Igreja Ortodoxa continuar com o celibato OPCIONAL, enquanto a Igreja Romana adota o obrigatório, é sim um ônus para a Igreja Romana, e uma das causas para o aumento no número de pedófilos no clero:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/07/celibato-e-pedofilia.html

      Você diz:

      “Os ortodoxos não acusam os católicos de idolatria por ter esculturas”

      Resposta – Não é bem isso que este site ortodoxo diz:

      “O Oriente Cristão não produz estátuas por considerar o volume como um passo para antropomorfizar a representação e deslizar para a idolatria” (Fonte: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/iconografia/a_arte_sacra_na_igreja_ortodoxa.html#2)

      Essa é a mesma visão que os protestantes têm sobre o tema.

      Você diz:

      “Os católicos não acham que a tradição é uma ‘fonte’ de revelação”

      Resposta – Não é bem isso o que o Compêndio do Vaticano II diz:

      “Não é através da Escritura apenas que a Igreja deriva a certeza a respeito de tudo aquilo que foi revelado. Por isso, ambas (Escritura e Tradição) devem ser aceitas e veneradas com igual sentido de piedade e reverência” (Compêndio do Vaticano II, pág. 127)

      E nem o Terceiro Catecismo Católico:

      “À tradição deve dar-se o valor que se dá à Palavra de Deus revelada, contida nas Sagradas Escrituras” (Terceiro Catecismo Católico, pág. 154)

      E nem o teólogo católico Giuseppe Perardi:

      “A tradição é parte da revelação de Deus e por isso deve ser respeitada a par da Escritura. A tradição é o ensinamento de Jesus Cristo e dos apóstolos, feito a viva voz, e pela Igreja transmitido até nós sem alteração” (Giuseppe Perardi, Novo Manual do Catequista, pag. 375)

      Você diz:

      “A epístola que cita de Gregório é a XX, você a adulterou com (…) para tirar dela seu contexto e suas referências”

      Resposta – “Adulterar” a citação com o (...)? Você não deve saber o que é “adulteração”. Adulteração é quando um texto traz uma coisa, e um indivíduo altera o que o texto diz, transcrevendo o oposto no lugar em que é dito. O (...), por outro lado, é um recurso extremamente utilizado inclusive em livros e em obras acadêmicas para resumir uma citação que de outra forma ficaria enormemente longa. Ou você nunca leu um livro na vida, ou deve pensar que todo mundo anda “adulterando” com as reticências...

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    12. Sobre a parte que você destaca, ela em NADA altera sequer uma vírgula do que Gregório disse, ao rejeitar o título de “bispo universal”. O que Gregório Magno faz é dizer que Pedro era o “primeiro” (em honra, não em governo, como a Igreja Ortodoxa sempre afirmou), e mesmo assim ele nunca foi chamado de “bispo universal”, então muito menos um bispo no século VI poderia querer ter a audácia de se intitular com algo que nem o próprio apóstolo Pedro se intitulou. Era só isso. Ao invés de fortalecer a tese do bispado universal ao usar o exemplo de Pedro, ele usou o exemplo de Pedro PARA REFUTAR esta tese.

      Você ainda distorce grosseiramente as palavras de Gregório quando ele disse:

      “Certamente, em honra de Pedro, Príncipe dos Apóstolos, foi oferecido pelo venerável sínodo de Calcedônia ao romano pontífice”

      Em primeiro lugar, do fato do título de “bispo universal” ter sido OFERECIDO ao bispo romano, não se depreende que ele o tenha ACEITO. Aliás, o ponto de Gregório era justamente este: se o bispo de Roma não aceitava um título que (supostamente) lhe fora “oferecido”, muito menos então um outro bispo (o de Constantinopla) deveria usá-lo. Veja o que Gregório diz em todo o seu contexto:

      “Agora eu digo com confiança que todo aquele que chama a si mesmo, ou deseja ser chamado, Sacerdote Universal, é em sua exaltação o precursor do Anticristo, porque ele orgulhosamente se coloca acima de todos. E pelo orgulho ele é levado ao erro, pois como perverso deseja aparecer acima de todos os homens. Por isso, todo aquele que ambiciona ser chamado único sacerdote, exalta-se acima de todos os outros sacerdotes” (Gregório Magno, a Maurícius Augustus)

      Gregório Magno afirma categoricamente que “TODO AQUELE” que se chama a si mesmo de “Sacerdote Universal” é o precursor do anticristo. Este “todo” obviamente não se refere somente ao bispo de Constantinopla. Ao contrário, Gregório estava estipulando um princípio universal – “todo aquele” se refere a todos os bispos, a qualquer um deles. Ele declara que este título, seja aplicado a quem quer que seja:

      1º É uma exaltação de um precursor do anticristo.

      2º É fruto do orgulho de quem se coloca acima dos demais.

      3º É um perverso que só quer aparecer acima de todos.

      4º Exalta-se acima de todos os outros sacerdotes.

      Foi por isso que ele disse:

      “Que dirás tu João a Cristo que é cabeça da Igreja universal no prestar de contas no dia do juízo final? Tu que te esforças de te antepor a todos os teus irmãos bispos da Igreja universal e que com um título soberbo queres pôr debaixo dos teus pés o seu nome em comparação do teu? Que vais tu fazendo com isso, senão repetir com Satanás: Subirei ao céu e exaltarei o meu trono acima dos astros do céu de Deus? Vossa fraternidade quando despreza (os outros bispos) e faz todos os esforços possíveis para os subjugar, não faz senão repetir quanto já disse o velho inimigo: Me exaltarei acima das nuvens mais excelsas (...) Possa pois tua Santidade reconhecer quanto é grande o teu orgulho pretendendo um título que nenhum outro homem verdadeiramente pio jamais se arrogou” (Gregório Magno, Epistolarum V, Ep. 18, PL 77, pag. 739-740)

      Gregório diz aqui que somente Cristo é cabeça da Igreja Universal – não o papa – e declara também que se colocar como “bispo universal” seria tomar para si um título de soberba que o colocaria acima de todos os outros bispos da Igreja. Ele afirma que quem se coloca como bispo universal está repetindo com Satanás o mesmo orgulho que causou a sua queda, que seria fruto de uma exaltação indevida. Mas o mais importante é o que ele afirma logo em seguida: que NENHUM OUTRO HOMEM JAMAIS ARROGOU TAL TÍTULO PARA SI, o que mata toda tentativa católica de dizer que os bispos romanos já eram a tal altura “bispos universais”.

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    13. E pra piorar ainda mais as coisas, Gregório estava ENGANADO sobre o Concílio de Calcedônia ter “oferecido” este título ao bispo de Roma. Isto não consta em nenhuma ata do mesmo concílio. Foi o papa Leão que havia FALSIFICADO um cânon do referido concílio, e enganado Gregório. Leão, como outros bispos de sedes importantes, era chamado "arcebispo ecumênico" (oikoumenikos archiepiskopos). Na sentença contra Dióscoro, patriarca de Alexandria partidário do monofisismo, dizia nas atas conciliares "Leão, santíssimo e beatíssimo ARCEBISPO DA GRANDE E ANTIGA ROMA". Em contrapartida, nas atas em latim enviadas pelo ambicioso bispo de Roma aos bispos da Gália (França) o título tinha mudado para "Leão, santo e beatíssimo Papa, CABEÇA DA IGREJA UNIVERSAL".

      Leia mais sobre isso aqui:

      http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/2014/08/gregorio-magno-o-papa-que-condenou-o.html

      Portanto, o que temos sobre Gregório Magno é que:

      1º Ele rejeitou categoricamente o título de “bispo universal”, chamando-o, entre outras coisas, de TÍTULO DE BLASFÊMIA e de PRECURSOR DO ANTICRISTO, para qualquer um que ousasse usá-lo em detrimento dos demais.

      2º Ele usou o exemplo de Pedro, não para dizer que o bispo romano é o único “bispo universal”, mas pelo contrário, para acentuar o ponto de que Pedro, mesmo sendo tão importante, não era um bispo universal, então MUITO MENOS um bispo no século VI poderia tomar este título para si.

      3º Ele erroneamente acreditava que o Concílio de Calcedônia havia OFERECIDO este título ao bispo de Roma, quando na verdade se tratava de uma falsificação ocidental das atas do concílio. E se tivesse mesmo sido “oferecido”, em momento nenhum Gregório diz que “aceitou”. O ponto central pelo contexto é justamente que o bispo de Roma NÃO ERA um bispo universal, mesmo este título supostamente tendo-lhe sido oferecido (o que na verdade não foi), então muito menos o bispo de Constantinopla poderia ser, já que ninguém havia nem ao menos “oferecido” a ele.

      Você diz:

      “E note que você nem dá um link para suas referências, para lermos o texto completo, o que é evidência de má-fé (ou preguiça)”

      Resposta – Isso só pode ser burrice ou desonestidade. A referência JÁ HAVIA SIDO DADA, quem disse que eu tenho que ir buscar link de internet pra cada coisa que eu cito? Se você nunca fez um trabalho acadêmico na vida, saiba que o necessário é apenas citar a REFERÊNCIA, e não “links” da referência em algum site da internet. E se este seu critério bobo tem que ser aceito, então 99% dos sites católicos são desonestos ou preguiçosos, já que eles também não dão link nenhum, apenas passam a citação. Sério mesmo, seus “argumentos” soam desespero.

      Você diz:

      “Você cita os Padres da Igreja quando são convenientes, e não quando não são”

      Resposta – Pelo contrário, eu sempre reconheci que existiam Pais da Igreja que criam em determinadas doutrinas católicas, quando foi que eu disse que todos os Pais da Igreja de todas as eras criam em todas as doutrinas protestantes? Ou você está atacando um espantalho de novo, ou está sendo desonesto mesmo. O meu ponto é justamente que a patrística NÃO PODE ser considerada autoridade final e infalível junto com a Bíblia, JUSTAMENTE PORQUE os Pais defendiam doutrinas contrárias entre si, alguns criam numa coisa, outros criam em outra; alguns de uma época tinham uma posição, outros de outra época tinham outra, e assim por diante.

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    14. Ou seja, se a patrística for o critério para a definição da doutrina, então estamos perdidos, e cada um (o protestante, o ortodoxo e o romanista) vai poder pincelar os textos que quiser para passar a falsa noção de que todos os Pais eram “bons protestantes”, ou “bons ortodoxos”, ou “bons romanistas” – e NÃO eram. São os papistas, e não nós, que estão sempre desonestamente tentando fazer de conta que os Pais da Igreja eram da sua própria igreja e tinham exatamente a mesma confissão de fé em todos os pontos, e concordavam pacificamente em tudo. Essa é uma visão infantil, hilária e extremamente ingênua da patrística, e eu posso passar milhares de textos patrísticos e citar centenas de estudiosos patrísticos protestantes e ortodoxos provando isso.

      Pra começo de conversa, estes 67 artigos repletos de citações dos Pais da Igreja contra dezenas de doutrinas romanas é um bom início:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/search/label/Pais%20da%20Igreja

      Como eu já tinha dito, esta era a última rodada, e, portanto, debate encerrado.

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