25 de julho de 2015

O livre exame pela lógica e a razão


Os papistas afirmam que a crença no livre exame torna a verdade relativa, dependendo da opinião de cada um. Já vimos que isso é um espantalho que confronta o verdadeiro sentido de livre exame, pois nenhum reformador afirmou que qualquer coisa que alguém interpretasse seria necessariamente verdadeira, mas sim que cada um é livre para interpretar, podendo acertar ou errar. Os hereges são hereges por errar nas questões essenciais à salvação, e os crentes são crentes por acertar nestas questões fundamentais.

Nenhum de nós afirma que se um evangélico crê no batismo infantil este batismo é necessariamente verdadeiro, ou que se um outro evangélico nega o batismo infantil este batismo é necessariamente falso. Logicamente, um está certo e outro está errado. Não ensinamos que a verdade seja relativa à opinião de cada um. Todos tem direito de opinar, mas isso não significa que a opinião de todos estará certa. Nós (evangélicos) somos unidos nos pontos essenciais à salvação, embora possamos divergir em algumas questões secundárias que não afetam a salvação – o mesmo também ocorre entre os católicos (veremos mais sobre isso no capítulo seguinte).

Que existe uma verdade absoluta por detrás de cada texto, isso é crido tanto por evangélicos como por romanistas. A diferença está em quem pode chegar a esta verdade. Os evangélicos creem que qualquer pessoa inteligente e estudada pode chegar à verdade se respeitar os métodos de exegese e hermenêutica. Os papistas creem que só o papa (e seu magistério romano) que pode. Já vimos que tanto a Bíblia como os Pais favorecem a visão reformada. Ela está de acordo com tudo o que ocorre no mundo a nossa volta.

Por exemplo: se eu vejo uma placa dizendo “não pise na grama”, eu não preciso ir consultar um magistério infalível para pedir a correta interpretação do que isso significa. Eu simplesmente não irei pisar na grama. Da mesma forma, se eu vejo o apóstolo Paulo dizendo que os bispos poderiam ter no máximo “uma só mulher” (Tt.1:6), eu não preciso ir pedir a ajuda de um magistério infalível – simplesmente me limito a ter uma só mulher. Se alguém diz que podemos ter mais (muçulmanos) ou que os bispos não podem ter nenhuma (romanistas), isso é simplesmente falso, e o fato de isso ser falso independe de qualquer interpretação de qualquer magistério.

O mesmo ocorre em diferentes campos. Na ciência, por exemplo, os cientistas são livres para fazerem suas próprias experiências, para analisarem as experiências feitas por outros cientistas e para tomarem suas próprias conclusões. Não existe um “cientista infalível” ou um “magistério infalível da ciência” que determina tudo o que é cientificamente certo ou cientificamente errado. É por isso que existem cientistas criacionistas e evolucionistas, e que mantém diferentes posições sobre diferentes assuntos na ciência. Há uma verdade absoluta em cada caso, mas cada cientista pode alcançar essa verdade por si mesmo, sem a necessidade de apelar a algum Centro Científico que não possa errar.

Ou tome como exemplo o campo da música. Não existe um “músico infalível” que seja perfeito e que julgue com exatidão o tão bom ou mal que algum cantor canta. Em programas de auditório com jurados, é comum vermos interpretações diferentes para uma mesma apresentação. Certamente há aqueles que interpretam melhor ou pior, mas não existe alguém que sirva de árbitro para todas as decisões no campo da música, como o papa é no campo da religião para os romanos.

Com a interpretação da Bíblia é a mesma coisa. Todos são livres para interpretar, mas não significa que todos vão acertar. Todos os cientistas são livres para examinar a ciência e defender algum ponto, mas isso não significa que o que ele irá defender é necessariamente verdadeiro. Há um livre exame em tudo o que existe em nosso mundo, e com a Bíblia não é diferente. Isso é muito distinto de afirmar que não existem verdades objetivas ou que qualquer coisa que o leitor interpretar é o certo. Significa apenas que cada leitor é livre para examinar a Bíblia assim como é livre para examinar qualquer outro livro já escrito pelo homem, e que ele pode chegar à verdade sem a necessidade ou dependência de um magistério ou de alguém infalível na questão – o que nunca existe.

Então, se não é o papa que define o que está certo e o que está errado, o que é? A resposta está exatamente no campo da exegese e hermenêutica. Há métodos consistentes para interpretar a Bíblia da maneira correta, e é exatamente nisso que consiste qualquer debate sobre qualquer assunto em nosso mundo – mesmo naquilo que não se trata de religião. É por isso que quando alguém tira uma frase do contexto (o que os romanistas sempre fazem) é tão condenado por todos – porque todos sabem que ele está infligindo uma regra de interpretação.

Mas essas regras não fariam qualquer sentido de existir caso não fossem por meio delas que alguém pudesse chegar à verdade. Se é verdadeira a tese papista de que o papa é o único que pode interpretar a Bíblia, então pouco importa se qualquer pessoa tira frases do contexto ou se não tiram; se aplicam o método histórico-gramatical ou qualquer outro método. A única coisa que importaria é o que o papa (e o magistério) pensa. Então, enquanto os romanistas desprezam os métodos de interpretação da Bíblia para seguir a um homem, os evangélicos seguem as regras de interpretação para buscarem a verdade.

É por isso que o árbitro na questão da interpretação das Escrituras não é uma autoridade humana (papa), mas sim o uso correto das regras de interpretação da Bíblia. Como analogia, na matemática ninguém prova que o outro errou uma operação matemática porque algum grande matemático chegou a outro resultado na mesma operação. Ao contrário: se prova que ele está errado ao mostrar que ele se equivocou na utilização dos métodos operacionais que regem o campo da matemática. O outro matemático, por melhor que seja, também pode estar errado.

Da mesma forma, no campo da política ninguém prova a alguma pessoa que ela está errada porque a sua opinião confronta a de um grande político de esquerda ou de direita; ao contrário, rebate na base dos argumentos lógicos e racionais mostrando aquilo que seria a melhor opção. Não existe uma autoridade infalível na política e nem algum “magistério” que decida tudo aquilo que é politicamente certo e errado. Existe um certo e um errado, mas são as próprias pessoas que tem que estudar e tomar suas próprias decisões e escolhas para descobrir a verdade.

Com a Bíblia não é nada diferente de qualquer outro ramo da sociedade. Não há um ser humano ou magistério infalível, mas há seres humanos se esforçando através dos métodos corretos da aplicação de uma boa exegese para chegar à verdade na interpretação dos textos bíblicos. No fundo, a própria apologética católica se vale deste método. Eles tentam mostrar argumentos pelos quais alguém tem que crer na doutrina católica, mas é a própria pessoa que tem que examinar por si mesma o argumento e tomar sua própria decisão. Em outras palavras, até os papistas que criticam o livre exame fizeram um livre exame antes de se tornarem católicos, tanto quanto os evangélicos que fizeram o mesmo antes de se tornarem evangélicos.

Os romanistas também costumam distorcer a lógica ao dizer que, se o livre exame é verdadeiro, então nós nunca podemos chegar à verdade, pois, para eles, é somente se existe uma autoridade infalível (o Sumo Pontífice deles) que podemos chegar à verdade. Com o livre exame, haveria muitas interpretações possíveis diferentes, e, assim, a verdade nunca poderia ser descoberta pelo leitor. Ele precisaria de um magistério infalível para decidir a questão e chegar à verdade, e esse magistério infalível seria o romano, é claro.

O problema com esse pensamento é que ele distorce tudo aquilo que conhecemos como verdade em nosso mundo. Por exemplo: já dissemos que não existe uma autoridade infalível na ciência. Existem evidências científicas para um lado e para o outro, e cabe ao próprio cientista tomar uma posição após analisar ambas as evidências. Ninguém em sã consciência diria que por causa disso a verdade se tornou relativa e que ninguém pode chegar à verdade. O fato de não haver uma autoridade infalível e dos próprios cientistas terem que se posicionar diante de argumentos divergentes não anula a existência da verdade nem a torna relativa.

Ninguém concluiria que em razão do fato de que diversos advogados podem interpretar a Lei de forma diferente então não existe uma forma correta de se interpretar a Lei, ou que a verdadeira interpretação é relativa, ou que há um advogado infalível que sempre interpreta a Lei da maneira correta e a ele são submetidas todas as dúvidas jurídicas. Daí apenas se concluiria que uns a interpretam corretamente, enquanto outros a interpretam errado. A interpretação é livre; se essa interpretação está correta depende da boa aplicação dos métodos de interpretação, do peso de cada argumento. Não de um ser humano infalível.

Em uma sala de aula, é comum os alunos interpretarem um texto em uma prova de maneira diferente de outros alunos. A interpretação é livre, mas alguns erram, outros acertam. Ninguém em sanidade mental diria que não existe uma forma correta de se interpretar os textos porque os alunos os interpretam de maneira conflitante e divergente, ou que do fato de que vários alunos interpretam o texto diferente significa que a verdade não possa ser alcançada senão todos chegariam às mesmas interpretações, e muito menos que seja exigido um aluno infalível que saiba todas as respostas infalivelmente e que é a este aluno que todos os demais alunos devem recorrer em todas as questões.

A Bíblia é como a prova, as questões são como os versículos, os alunos são como os intérpretes e o professor é Deus, àquele a quem devemos prestar contas no futuro. Existe uma resposta exata para cada questão, mas não existe um aluno infalível que não possa errar nenhuma questão. O que existe são intérpretes melhores e outros piores, uns que acertam mais e outros que acertam menos, uns que são aprovados e outros que são reprovados. A interpretação, em si, é livre. Ela não torna a verdade relativa.

Os papistas frequentemente atacam o livre exame dizendo que, já que diversos evangélicos interpretam a Bíblia de forma diferente da interpretação de outros, então o livre exame é falso e nós precisamos de um intérprete infalível, que seria o papa e seu magistério romano. Mas isso seria tão estúpido quanto afirmar que por causa do fato de muitos alunos marcarem a opção “C” em uma questão interpretativa de múltipla escolha em uma prova e de outros alunos assinalarem “A” como a resposta correta, que isso significasse de alguma forma que nenhum aluno poderia interpretar nenhuma questão da prova e que seria necessário a existência do aluno infalível, o super CDF, um Sheldon Cooper da vida real.

Obviamente, assim como a prova pode ser livremente examinada e interpretada por todos os alunos, a Bíblia pode ser livremente examinada e lida por todos os leitores. Isso não garante que o aluno irá acertar a interpretação correta da prova nem que o leitor irá interpretar todos os textos bíblicos perfeitamente. Mas significa que uns irão acertar mais do que outros, e que todos são livres para acertar ou errar.

Assim como um aluno precisa estudar para ter mais chance de acertar e passar, o intérprete da Bíblia deve mergulhar nas Escrituras e na oração para ser aprovado e passar. O papa é somente mais um aluno que pode acertar ou errar, com a diferença de que é um aluno soberbo que se acha melhor do que os outros, que pensa que não pode errar e que é tomado pelo orgulho. Imagine um aluno que sustenta que só ele pode interpretar corretamente as questões da prova, que não pode errar, que tira as provas dos outros alunos e diz que só ele deve interpretar as questões – os outros podem apenas copiar as respostas dele depois.

Tal aluno seria certamente e corretamente considerado arrogante, altivo, vaidoso e pretensioso, mas o papa faz exatamente isso e é considerado santo, infalível, bondoso e vigário de Cristo. Um apologista evangélico na internet também fez uma importante observação sobre o argumento católico de que não se pode chegar à interpretação certa e verdadeira das Escrituras a não ser que um intérprete infalível a forneça. Ele disse:

“Ora, mas como todos os homens são falíveis, também não podem chegar infalivelmente ao conhecimento de uma autoridade infalível, - os católicos não podem validar infalivelmente a sua autoridade infalível, ou seja o magistério romano. Consequentemente, os homens não teriam qualquer possibilidade de chegar a algum conhecimento da verdade. Não existiriam verdades absolutas, nem nada a que pudéssemos chamar a realidade. Este ponto de vista levado a sério, conduz à total desesperança, ao cepticismo mais profundo, e à insustentável posição do niilismo filosófico”[1]

Então ele conclui:

“Obviamente, este ponto de vista não é para ser levado a sério, visto que parte de uma premissa falsa e filosoficamente insustentável de que os homens não podem chegar ao conhecimento da verdade sem ser infalíveis. Podemos saber muita coisa (incluindo o cânon bíblico e o significado das Escrituras) de forma certa e absolutamente verdadeira sem ser infalíveis! Na verdade, uma autoridade infalível é totalmente inútil e desnecessária para que possamos chegar ao conhecimento certo e verdadeiro do que quer que seja”[2]

Além disso, se não se pode chegar à verdade por causa de opiniões divergentes a não ser que haja alguém infalível para decidir a questão, onde está a autoridade infalível da ciência? Onde está a autoridade infalível da matemática? Onde está a autoridade infalível em história? Onde está a autoridade infalível em línguas? Onde está a autoridade infalível da medicina? Onde está a autoridade infalível da química? Onde está a autoridade infalível da política? Onde está a autoridade infalível da música? Onde está a autoridade infalível da física? Onde está a autoridade infalível da literatura? Onde está a autoridade infalível da astronomia? Onde está a autoridade infalível do direito? Onde está a autoridade infalível em economia?

Se em todas as áreas do saber humano não há uma autoridade infalível em cada questão mas mesmo assim os católicos creem que podemos chegar à verdade nestes campos, por que com a religião seria diferente? Por que deveríamos precisar de uma autoridade infalível? Por que não poderíamos chegar à verdade sem ela? Por que as divergentes opiniões nas outras áreas não afetam em nada a capacidade do indivíduo em chegar à verdade sem a necessidade de uma instituição infalível, mas na religião sim?

Como vemos, qualquer tentativa romanista de desconsiderar o livre exame pela lógica fracassa terrivelmente pelo uso da própria lógica. Eles querem subverter a lógica predominante em tudo no mundo para se curvar aos seus próprios sofismas quando a questão é a interpretação da Bíblia. E isso por uma única razão: eles sabem que, se deixarem os fieis católicos livres para lerem e interpretarem a Bíblia, estes encontrarão os mais escabrosos erros na apóstata Igreja de Roma e descobrirão que ela não é a Igreja de Cristo, mas a sinagoga de Satanás.

Eles sabem que é necessário prendê-los na interpretação do magistério romano, e de os tornarem incapazes de qualquer interpretação, porque com a mente atrofiada e incapaz de pensar por si mesma é muito mais fácil de manter dentro dos limites de seus falsos dogmas e doutrinas fora da Bíblia. É por isso também a importância de eles combaterem a Sola Scriptura, pois no campo da Bíblia eles sabem que são facilmente derrotados.

Eles sabem que ao se deterem em algum ponto e debaterem sobre a correta interpretação de uma passagem bíblica que comprometa alguma doutrina romanista eles tem uma enorme tendência de perderem o debate, pois sabem que a sua interpretação nada mais é senão uma perversão do significado explícito nas Escrituras. Então, a tática usada por eles é a de não debater sobre aquele ponto em questão, mas levar o debate ao campo do livre exame, onde eles podem argumentar que a interpretação do papa está certa pela única razão de que ela é a interpretação do papa.

Há algum tempo atrás eu estive debatendo com um católico-romano sobre a interpretação correta de um único texto bíblico, o de 1ª Timóteo 3:2, que diz que o bispo pode ter “uma só mulher”. O catolicismo romano ensina oficialmente que os bispos não podem se casar com nenhuma mulher. No início, ele topou e começou a discutir sobre o significado do texto. Ele disse que o texto não diz que o bispo tinha que ter uma esposa, porque o próprio Paulo não era casado. Isso é verdade. Contudo, eu não havia argumentado que o bispo tinha que ser casado, e sim que ele podia ser casado – caso assim desejasse.

Argumentei também que, se Paulo fosse a favor do celibato obrigatório do clero, não teria dito que os bispos poderiam ter “uma só mulher”, mas que não teriam que ter nenhuma. Disse também que Paulo estipulou um limite de “uma”, e não de “zero” esposa. Ele não estava obrigando a se casar, mas claramente estava abrindo essa possibilidade. Por fim, citei também o contexto imediato, que fala claramente sobre esse bispo ter “família” (v.4) e “filhos” (v.4). Era algo que ele simplesmente não podia contestar, pois a clareza dos textos estava acima de qualquer dúvida.

Em algum momento do debate ele percebeu isso e mudou de assunto. Ao invés de continuar debatendo sobre a correta interpretação do texto bíblico em questão, provando por argumentos lógicos e racionais ou pelo contexto que a minha interpretação estava errada e a dele certa, ele preferiu correr para o argumento de que o significado deste texto era oculto e que só o papa podia interpretar corretamente. Então, se o papa diz que o bispo não pode se casar, não pode. Se o papa diz que 1ª Timóteo 3:2 não testemunha contra o celibato obrigatório, então não. Não importa a hermenêutica, a exegese, os argumentos ou os métodos de interpretação. Importa somente a opinião do papa.

Este é somente um exemplo de um todo muito maior de ocasiões em que os papistas no fundo sabem que estão errados e que estão pervertendo grosseiramente o significado dos textos bíblicos, mas continuam crendo no engano mesmo assim, porque preferem seguir homens (cf. Jr.17:5) pelo caminho em que eles andarem. São como ovelhas guiadas ao matadouro por um lobo que não as permite pensarem por si mesmas para verem se estão sendo levadas ao erro ou não. O lobo conduz a um precipício, eles veem o precipício, mas preferem acreditar na palavra do lobo que diz que ali não há precipício algum do que seguir a própria consciência que vê o precipício.

Mantendo-os distante do exame das Escrituras e convencendo-os de que são incapazes de chegarem à outra interpretação que não seja a romana, eles conseguem prendê-los em seu próprio domínio, cegando-os para que não vejam a luz de Cristo, manipulando-os para que não conheçam a verdade, e que a verdade não os liberte. É por meio deste controle mental que eles conseguem perpetuar doutrinas horrivelmente antibíblicas, como se fossem verdadeiras. Ao invés do católico pensar e crer, ele crê e depois pensa.

Ao invés de ele estudar as Escrituras, analisar ambos os argumentos, orar e depois concluir a favor daquilo que ele considera o mais plausível, e somente depois disso começar a defender certa doutrina, ele passa a crer nesta doutrina pela simples razão de que o pontífice romano diz que ela é a doutrina certa. Então, depois disso eles buscam encontrar alguma base na Bíblia ou na tradição para esta doutrina.

É como demonstrado no quadro abaixo:

MÉTODO CRISTÃO-EVANGÉLICO
MÉTODO CATÓLICO-ROMANO
“Aqui estão ambos os argumentos. Qual lado tem a evidência mais forte? Quais conclusões podemos tirar dessas evidências?”
“Aqui está a conclusão. Quais evidências podemos encontrar para o nosso lado? Quais argumentos poderemos usar para sustentar essa conclusão?”

A resistência à crença no livre exame é simplesmente uma forma que os papistas encontraram para impedir o fiel católico de buscar a verdade por si mesmo e de poder chegar a uma conclusão diferente daquela que deve ser aceita a priori. Esta forma de manipulação e lavagem cerebral se vê de forma mais clara quando um católico tem sua consciência confrontada com a interpretação do magistério.

O hoje falecido Aníbal Pereira dos Reis, na época em que era padre, percebeu que a doutrina romanista do primado de Pedro e do bispo romano não encontrava base na Bíblia nem na tradição. Ele via como a Bíblia contradizia tais teses claramente. A consciência dele lhe dizia que a interpretação do magistério era uma interpretação errada. Ele várias vezes se reuniu com monges no mosteiro de São Bento, para ver se eles conseguiam refutar aqueles argumentos que tantas vezes o perturbavam. Mas nada. Cada vez mais ele via os argumentos papistas sendo facilmente derrubados diante da verdade da Palavra de Deus.

Foi quando chegou a um ponto irreconciliável, que obrigou o monge a dizer:

“Temos que nos submeter às determinações da Santa Igreja. Embora nossa razão rejeite algum dogma, nossa submissão deve ser incondicional. Se isto é branco e a Santa Igreja diz que é preto, devo-lhe acatar a decisão e renunciar à lógica”[3]

Em outras palavras, a palavra do papa é verdadeira porque é a palavra do papa. O papa não deve provar que a sua interpretação é a verdadeira por causa desses, desses e daqueles argumentos exegéticos, mas o papa é a própria verdade, e não está sujeito ao erro ou a discussão. Isso, obviamente, faz do papa um deus. Os evangélicos perdem tempo fundamentando suas doutrinas com bases e alicerces bíblicos sólidos quando poderiam simplesmente fazer como o papa e se auto-proclamarem “infalíveis”, e que essa infalibilidade concede veracidade a qualquer doutrina a despeito de qualquer argumento contra ou a favor dela.

A diferença entre o padre Aníbal Pereira dos Reis e o católico recém-mencionado que debateu comigo é que o padre abriu seus olhos para a verdade, seguiu a sua consciência, e a verdade o libertou. Tornou-se ex-padre. O outro católico, por outro lado, suprimiu sua própria consciência, pois fez das palavras do papa as suas, mesmo quando sua consciência lhe dizia que ele estava errado.

Assim sendo, se o papa acerta tudo, ele acerta tudo. Mas se é um lobo em pele de ovelha que erra mais do que acerta, ele erra também. E muito. E de forma indesculpável, pois não poderá defender-se no dia do Juízo dizendo que não ouviu ou que não foi persuadido da verdade. Ele foi. Ele só não se deixou convencer. Ele resistiu à graça. Ele não deu atenção aos argumentos, nem mesmo à sua própria consciência.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

-Extraído de meu livro: "Em Defesa da Sola Scriptura"


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[1] Disponível em:
<http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/2014/06/magisterio-infalivel-e-niilismo.html>. O nome do autor foi preservado porque ele prefere manter o anonimato.
[2] Ibid.
[3] REIS, Aníbal Pereira. Pedro nunca foi papa. Edições Cristãs, 2ª Edição, 2003, São Paulo, p. 81.

15 comentários:

  1. Lucas vc é pastor? Qual a denominação q vc frequenta?

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    1. Não sou pastor. Frequento a Comunidade Alcance de Curitiba/PR.

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    2. Essa Igreja é de linha reformada Lucas?

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    3. Não, é de linha pentecostal moderada.

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    4. Você pode ver algumas pregações do pastor Subirá (da igreja em que eu congrego) aqui:

      https://www.youtube.com/channel/UCczPEsycoDKpG9ImCAnZSmg/videos

      Abs.

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    5. Tem certeza que esse pastor não é reformado Lucas? kkkkkkkkkkkkkk

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    6. Bom, depende do que você considera por "reformado". Se "reformado=calvinista" então não. Mas tem alguns que consideram arminianos clássicos e pentecostais moderados como "reformados" também, aí fica difícil saber quem é e quem não é kkkkk

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  2. Lucas, como você responderia a este argumento:

    A Igreja Cristã criada por Jesus Cristo, continuada pelos apóstolos não foi desfeita! No seculo IV, o imperador romano Constantino convocou os bispos cristãos da época e juntos deram o nome de Igreja Católica Apostólica Romana no lugar de Igreja Cristã! Católica = todos batizados, Apostólica = seguimento dos apostolos, Romana = sede em Roma! A igreja protestante surgiu no século XVI com Martinho Lutero, seguido por João Calvino e Henrique VIII (creio que vc viu isso nas aulas de História no ginásio!) e fugiram da verdadeira doutrina cristã! Eliminaram 7 livros e alguns versículos de 2 outros da Bíblia! Alteraram a tradução dos textos, para que eles fossem a favor do protestantismo! Depois deles que começaram nos séculos XVIII e XIX a surgirem outras doutrinas protestantes!

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    1. O cara que escreveu isso devia estar dopado ou bêbado.

      Primeiro que NINGUÉM na época de Constantino deu o nome de "Igreja Católica Apostólica ROMANA", qualquer anta que leia as atas do concílio percebe que o nome era apenas "Igreja Católica Apostólica", sem o "Romana" que o cara de pau quer enfiar para dentro do concílio. Veja o que diz a Epístola Sinodal à Igreja de Alexandria sobre o primeiro Concílio de Niceia:

      “De modo que aqueles homens não tenham autoridade para fazer registros de pessoas que sejam de seu agrado, nem sugerir nomes, nem fazer nada que seja, sem o consentimento dos bispos da IGREJA CATÓLICA E APOSTÓLICA, que estão servindo sob o governo do santo colega Alexandre. Ao mesmo tempo aqueles que, pela graça de Deus e através de preces, não se encontravam entre os cismáticos, mas, pelo contrário, estavam sem mancha na IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA devem ter autoridade de fazer registros e nomeações de pessoas dignas entre o clero, e, em resumo, fazer todas as coisas de acordo com a lei e ordenação da Igreja”

      Segundo, Lutero apenas restaurou boa parte das doutrinas que foram simplesmente ABANDONADAS por Roma, ou seja, ao invés de ele criar uma religião nova, ele apenas restaurou o que havia sido deteriorado da original. Eu escrevi sobre isso neste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/03/a-origem-das-doutrinas-da-reforma.html

      Terceiro, essa estorinha de que Lutero "arrancou sete livros da Bíblia" é conversa de católico EMBUSTEIRO que nunca leu nada na vida. Os judeus NUNCA aceitaram a canonicidade destes livros, os Pais da Igreja também NUNCA aceitaram a canonicidade destes livros, e nem a maioria dos doutores da Igreja que vieram depois (dentre os próprios romanos) aceitava a canonicidade destes livros. Foi a Igreja Romana que ACRESCENTOU estes sete livros, não Lutero quem "retirou". Se quiser ler sobre o assunto sob uma perspectiva histórica e não sob as papagaiadas dos militontos catoleigos, confira estes artigos:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/06/os-judeus-e-o-canon-veterotestamentario.html

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2014/02/o-canon-biblico-dos-judeus.html

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      Abraços.

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  3. E qual o método de sabermos que uma doutrina está certa ou não, se não há uma autoridade que mostre qual a correta. É exatamente por isso que existem muitas igrejssvevsngelicas se divergindo uma da outra e todas se dizem corretas. Na verdade, o livre exame faz mais mal ao cristianismo do que bem. Abraços.

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    1. Já sei, o método correto é calarmos a boca e esperarmos o posicionamento infalível do papa infalível sentado na cátedra infalível da igreja infalível, acertei?

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    2. "E qual o método de sabermos que uma doutrina está certa ou não. "

      Estudando Teologia da forma correta. Isto é, utilizando a Hermenêutica e a Exegese.

      "se não há uma autoridade que mostre qual a correta."

      A Bíblia é a autoridade infalível (e não um suposto ser humano que se diz infalível - Papa - ). E é a partir dela que sabemos a verdade. Bem como aquilo que condiz e não condiz com as Escrituras Sagradas.

      "É exatamente por isso que existem muitas igrejas evangélicas se divergindo uma da outra e todas se dizem corretas."

      Antes de mais nada, também existe muitas igrejas católicas se divergindo umas das outras. Em segundo lugar, as Igrejas evangélicos se divergem em certos pontos teológicos, mas não em todos eles. E vcs, papistas, sempre tentam trazer a imagem de que as igrejas evangélicos divergem em tudo. Quando na verdade isso não condiz com a realidade. Pois a maioria das Igrejas Evangélicas concordam com as 5 Solas; no Livre-Exame; que só por meio de Cristo se chega ao Pai; Que Cristo pagou nossos pecados na cruz do calvário; Que sem Fé não há salvação e etc.
      Portanto, há sim, um consenso doutrinário entre as Igrejas Evangélicas.

      " Na verdade, o livre exame faz mais mal ao cristianismo do que bem."

      Isto é piada?! Só pode! Na verdade, meu caro amigo, foi por causa da proibição do Livre-Exame que ocasionou fatos lamentáveis como por exemplo: A Inquisição, As Cruzadas, A Noite de São Bartolomeu, etc. E esses fatos temporais acabaram denegrindo a história do Cristianismo. Sendo assim, vamos para um rápido exercício mental: Você acha que se as pessoas lessem a Bíblia e conhecesse o Evangelho de Cristo, elas concordariam em queimar outras pessoas vivas só por motivos religiosos? Hein? É claro que não!!!

      O que a ICAR fez foi esconder as Escrituras Sagradas para enganar o povo de suas atrocidades e ainda manter o poder. Poder este que muitas vezes era superior de um rei, chegando a depor alguns reis da Europa por não se submeter ao Papa.

      Obs: A Igreja de Cristo não omite a verdade, mas sim, a expõe. Para que o pecador seja liberto pela verdade. Coisa da qual a ICAR não fazia.

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  4. Este artigo é espetacular! Impressionante mesmo! Antologia de argumentos sólidos... Parabéns Lucas Banzoli por estar realizando esse grande trabalho.

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