21 de agosto de 2012

A História negra dos Papas - Parte 1


Em meu artigo anterior, eu abordei as calúnias ditas pelos papas de um âmbito teológico, ou seja, demonstrei heresias e blasfêmias que foram ditas por eles ou pelos concílios sobre eles. Neste presente artigo irei mostrar, especialmente para aqueles que acusam Lutero de ser imoral, a verdadeira história não contada sobre os papas da Igreja deles, que se corromperam em nível infinitamente superior até mesmo em relação àquilo que eles inventam sobre Lutero.

Como são muitos os papas imorais ao longo da História e o meu espaço aqui no blog é limitado, irei abordar apenas alguns deles, de forma mais breve e resumida. Todas as informações presentes aqui podem ser encontradas inclusive em fontes católicas, como, por exemplo, no livro “Santos e Pecadores – A História dos Papas”, do professor católico Eamon Duffy, e alguns até mesmo na Enciclopédia Católica. Vamos, portanto, à história negra dos papas.


Sergius III (897-911) – O Papa da Pornocracia

Filho de nobres romanos, o Conde do Túsculo, bispo do Cere, data de nascimento desconhecida: este é mais um Papa classificado como desgraçado e funesto. Chegou ao posto pela influência política-econômica da família Teofilacto. Ficou conhecido por ser o mandante do assassinato de outro Papa e por ter gerado um filho (com sua amante e irmã ilegítima, Marósia da família Teofilacto). Anos depois, esse filho também seria Papa (Papa João XI ─ período do papado: 931-935)!

O papado de Sergio III foi chamado de "Pornocracia" (segundo o historiador Liutprand de Cremona 922-972), com a sede do catolicismo entregue aos arbítrios das prostitutas (Liber pontificalis ou Livro dos Papas). Naquela época, início do século X, um tempo chamado século de ferro, foi também a "era do poder das mulheres" na cena política e sócio-econômica dos reinos europeus que se definia a partir de Roma, na Itália.

No pontificado de Sergio III quem mandava era matrona Theodora ─ A Maior, assessorada por suas filhas: Theodora, a Jovem e Marósia. Toda a linha de parentesco era escandalosa: Sergio era filho bastardo de Theodora e, portanto, irmão natural de Marósia, que tornou sua amante e com quem teve um filho que também veio a ser Papa. Quando fala das "prostitutas sem-vergonha" na sede da Igreja, o historiador Liutprand refere-se principalmente a estas mulheres, ricas e influentes.

Na acirrada disputa pelo papado, Sergio III foi eleito Papa (por uma facção da Igreja) em 897, mas o Papado estava, de fato, nas mãos de João IX e, depois da morte deste, Leão V. Assim, durante algum tempo Sergio foi uma espécie de Papa clandestino ou não legitimado, coisa muito comum na História dos Papas medievais e mesmo entre os Papas da Idade Moderna. Na Idade Média houve alguns Antipapas.

Sergio III chegou a ser excomungado pelo Papa João IX (898–900). Somente conseguiu oficializar sua pretensão em 904, em Roma, quando o "Antipapa" Christopher (Cristóvão) acabava de ocupar o papado à força (entre 903 e 904). A família Teofilacto reagiu obtendo a deposição do usurpador e reinvestiram Sergio III no cargo, em janeiro de 904. Sergio III ordenou a prisão dos rivais, Cristovão e Leão V (outro que disputava o lugar), instituiu um processo contra eles e condenou os dois à degola!


João XII (955-964) – Estuprador de Peregrinas e Herege Pagão!

Era o filho de uma relação incestuosa entre o Papa Sergio III e sua irmã natural, (ilegítima), Marósia, que na época do parto tinha 15 anos. Em 963, o Imperador do Sacro Império Romano, Otto I (912-973, Alemanha), reuniu um conselho e fez várias acusações a este Papa: sacrilégio, simonia, perjúrio, assassinato, adultério, incesto. Ele excomungou seus juízes, mas foi deposto assim mesmo.

João XII tinha ordenado um diácono em um estábulo; consagrou um menino de 10 anos Bispo de Todi em troca de dinheiro; mandou castrar e assassinar um cardeal; transformou o Lateran Palace (na época, residência Papal) em um bordel onde estuprava peregrinas; sodomizava crianças!

Roubava as doações que os fiéis entregavam à Igreja, erguia brindes ao Diabo e invocava a ajuda de Jove (Júpiter), Vênus e outros deuses pagãos quando estava jogando dados. Quando perdia no jogo pagava com o dinheiro da Igreja e prestava culto à deusa Cibele na colina do Vaticano. Consta que tornou-se amante da própria mãe, Marósia.


João XVI (985-996) – Distribuindo a Grana de Deus com os Parentes!

O Papa venal (mercenário, desonesto) e nepótico tornou-se extremamente impopular perante os fiéis. Era público e notório: ele dissipava os recursos do Vaticano enchendo as bolsas dos parentes. Foi descrito como "ambicioso, comprometido com dinheiro sujo e corrupto em todos os seus atos".

Ele foi deposto, mas retornou ao posto de Papa quando Otto deixou Roma. Vingativo, o "religioso" mandou aleijar e mutilar todos aqueles que a ele se opuseram. Em 964, foi espancado pelo marido traído de uma de suas amantes. Morreu três dias depois sem direito a confissão ou receber sacramentos.


Benedito IX: Demônio, Assassino, Homossexual ─ Vendeu o Papado!


Um papado descontínuo, impensável nos dias atuais, ilustra bem a grande confusão política da época em torno da legitimidade das autoridades, fossem papas, príncipes ou reis. Seu nome de batismo era Theophylactus of Tusculum e assumiu pela primeira vez o papado quando tinha entre 12 anos de idade. Por isso, foi chamado de o Papa Criança sendo, o papa mais jovem da história da Igreja Católica, e possivelmente o mais maldito entre os malditos.

Sobre Benedito IX, São Pedro Damião (1007-1072) comentou em Liber Gomorrhianus, um tratado sobre corrupção e sexo no papado: "...banqueteava-se na imoralidade... era um demônio do inferno disfarçado de padre". Era um ser bestial, bissexual e zoófilo, ou seja, mantinha relações sexuais com animais inclusive sodomizando os bichos!

O Papa Victor III (período do papado: maio de 1086 a setembro de 1087), em seu livro Dialogues, menciona "seus estupros, assassinatos e atos inconfessáveis... sua trajetória como Papa... vil, execrável, abominável, nojenta". Na Enciclopédia Católica Benedito IX é descrito como "uma desgraça para a Cadeira de Pedro". O bispo Benno de Piacenza acusava-o de adultérios e assassinatos.

Em 1044, ele vendeu(!) o Papado por uma boa quantia em dinheiro. Porém, no ano seguinte renunciou à renúncia e voltou a ocupar o cargo. Um mês depois, vendeu o cargo de novo(!) ─ por 650 quilos de ouro, desta vez, com o propósito de se casar! O comprador foi seu padrinho ou "pai espiritual", o padre John Gratian (muito pio, muito devoto, mas disposto a fazer tal negociata e rico o bastante para isso; assumiu o nome Gregório VI). Mas Benedito IX não ficou longe do Lateran Palace (residência papal): ele "tomou" a cidade, Roma, e "declarou-se" Papa outra vez.

A essa altura já havia mais de um Papa: além de Benedito, Gregório VI e Silvester III também reivindicavam para si a legitimidade do papado. A maioria dos fiéis reconhecia Gregório como verdadeiro Papa. Era uma disputa política na qual os reis intervinham para "fazer o Papa", garantindo, deste modo, o apoio popular dos católicos.

O rei germânico (alemão) Henrique III (reinou entre 1039-1056) interferiu na questão e, no Concílio de Sutri (região do Lácio, província de Vieterbo Itália), dezembro 1046, tanto Benedito IX quanto Silvester III foram depostos e Gregório VI foi "persuadido" a renunciar. Um novo pontífice foi escolhido: era o bispo alemão Suidger, Clemente II. Mas Clemente II morreu no ano seguinte. Benedito IX voltou ao ataque e conseguiu mais um brevíssimo período de papado de novembro de 1047 até julho de 1048, quando tropas alemãs expulsaram-no de Roma.

O bispo Poppo, conde de Brixen, foi eleito novo Papa e assumiu como Damasus II. Em 1049, Benedito IX não compareceu ao julgamento onde seria julgado por simonia. Foi excomungado; porém, mais tarde, o Papa Leão IX (papado: 1049-1054), que substituiu Clemente II, suspendeu as condenações contra Benedito IX. Apesar dessa "reintegração" ele não foi enterrado entre os Papas, na Basílica de São Pedro, mas na Abadia de Grottaferrata onde morreu, segundo registros, cumprindo penitência. A data de sua morte é incerta, situada entre 1065 e 1085.


Urbano II [1088-1099]

Em 1095 ele instituiu o callagium, uma taxa anual de liberação sexual, tributo pago ao Papado, que permitia aos "membros" do clero ter amantes! O efeito imediato mostrou que o clero ou ia mal de finanças ou era composto de religiosos avaros; as concubinas desapareceram e cresceu notavelmente a prática do homossexualismo nos monastérios e paróquias.


Anacletus [1130-1138]

Cometeu incesto com a irmã e muitas outras mulheres da família. Estuprava freiras.


Inocêncio III [1198-1216]

Instituiu o método de interrogação para os suspeitos de sodomia. Para fazer confessar os interrogados, obrigava-os a sentarem-se, encaixando-se nus em uma estaca de ferro em brasa.


Inocêncio IV [1243-1254] Introduziu a Tortura na Inquisição

Durante a Inquisição, esta página sombria da história da Igreja Romana, foi o Papa Inocêncio IV que aprovou o uso da tortura para obter confissões de heresia. Agressivo, ele acreditava que "os fins justificam os meios". E os meios eram os instrumentos de tortura aos quais foram submetidas milhares de pessoas, inocentes ou não (porque a tortura é barbárie instituída, sempre injusta mesmo com os culpados de qualquer crime). Galileu, que foi julgado no pontificado deste Papa, teve bons motivos para renegar qualquer de suas teorias e até o próprio nome considerando a perspectiva dos interrogatórios mais "severos".

(Continua na parte 2...)

Por: Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


-Artigos relacionados:


-Atenção: Não deixe de conferir o nosso site, apologiacrista.com, o maior compêndio apologético em defesa da fé cristã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O seu comentário passará por moderação e em seguida será exibido ao público. Comentários que contenham insultos ou ofensas não serão aceitos.