17 de agosto de 2012

Os Pais da Igreja e o Cânon Bíblico - Parte 1


Irei mostrar aqui bem resumidamente aquilo que eu comento com muito mais amplitude no Apologia Cristã, acerca do cânon bíblico adotado e aceitos pelos Pais da Igreja, como você pode conferir clicando aqui e aqui. Segue-se, então o que dizem os Pais da Igreja quanto à canonicidade dos livros apócrifos:

-Militão de Sardes (†177)

“E nos Extratos por ele escritos, o mesmo Militão, ao começar, faz no prólogo um catálogo dos escritos admitidos do Antigo Testamento, catálogo que é necessário enumerar aqui. Escreve assim: ‘Militão a seu irmão Onésimo: Saúde. Visto que muitas vezes, valendo-te de teu zelo pela doutrina, tens pedido para ti extratos da lei e dos profetas, sobre o Salvador e toda a nossa fé; mais ainda, já que quiseste saber dos livros antigos com toda exatidão quantos são em número e qual é sua ordem, pus minha diligência em fazê-lo, sabendo de teu ardor pela fé e teu afã de saber sobre a doutrina, já que em tua luta pela salvação eterna e em tua ânsia por Deus, preferes isto mais do que tudo. Assim pois, tendo subido ao Oriente e chegado até o lugar em que se proclamou e se realizou, informei-me com exatidão dos livros do Antigo Testamento. Ordenei-os e envio-os a ti. Seus nomes são: cinco de Moisés: Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio; Jesus de Navé, Juízes, Rute; quatro dos Reis, dois dos Paralipômenos; Salmos de Davi; Provérbios de Salomão, também chamado Sabedoria, Eclesiastes, Cantar dos Cantares, Jó; dos profetas, Isaías, Jeremias, os doze em um só livro, Daniel, Ezequiel; Esdras. Destes livros tirei os Extratos, que dividi em seis livros’. E é isto que há de Militão” (Conservado por Eusébio em História Eclesiástica, Livro IV, Cap.26, v.12-14)

-Teófilo de Antioquia (120 – 180 d.C)

“Basta o que dissemos sobre o testemunho dos fenícios e egípcios, tal como aparece nas histórias escritas sobre nossas antiguidades pelo egípcio Maneton, pelo efésio Menandro e pelo próprio, o cronista da guerra dos judeus, feita contra eles pelos romanos. Através desses antigos demonstram-se que os escritos dos outros são posteriores aos que nos foram dados por Moisés e mesmo aos dos profetas posteriores. De fato, o último dos profetas, chamado Zacarias, exerceu sua atividade no reinado de Dário.Também vemos que os legisladores editaram suas leis posteriormente. Com efeito, se se cita Sólon, o ateniense, este viveu nos tempos dos reis Ciro e Dário, contemporâneo do profeta Zacarias e até muitos anos posterior” (Terceiro Livro a Autólico, Cap.23)

-Orígenes de Alexandria (185 – 253 d.C)

“Ao explicar o salmo primeiro, ele [Orígenes] faz uma exposição do catálogo das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento, escrevendo textualmente como segue: ‘Não se pode ignorar que os livros testamentários, tal como os transmi­tiram os hebreus, são vinte e dois, tantos como o número de letras que há entre eles’. Logo, depois de algumas frases, continua dizendo:’Os vinte e dois livros, segundo os hebreus, são estes: o que entre nós se intitula Gênesis, e entre os hebreus Bresith, pelo começo do livro, que é: No princípio; Êxodo, Ouellesmoth, que significa: Estes são os nomes; Levítico, Ouikra: E chamou; Números, Ammesphekodeim; Deuteronômio, Elleaddebareim: Estas são as palavras; Jesus, filho de Navé, Josuebennoun; Juízes e Rute, para eles um só livro: Sophtein; I e II dos Reis, um só para eles: Samuel, O eleito de Deus; III e IV dos Reis, em um: Ouammelchdavid, que significa Reino de Davi; I e II dos Paralipômenos, em um: Dabreiamein, isto é: Palavras dos dias; I e II de Esdras em um: Ezra, ou seja, Ajudante; Livro dos Salmos, Spharthelleim; Provérbios de Salomão, Meloth; Eclesiastes, Koelth; Cantar dos Cantares (e não, como pensam alguns, Cantares dos cantares), Sirassireim; Isaías, Iessia; Jeremias, junto com as Lamentações e a Carta, em um: Ieremia; Daniel, Daniel; Ezequiel, Iezekiel; , Iob; Ester, Esther. E além destes estão os dos Macabeus, que são intitulados Sarbethsabanaiel’" (História Eclesiástica, Livro VI, 25:1,2)

-Júlio Africano (Século II – III d.C)

“Também neste tempo era conhecido Africanus, o autor dos escritos intitulados Kestoi. Dele conserva-se uma Carta escrita a Orígenes, na qual se mostra em dúvida sobre se a história de Susana no livro de Daniel é espúria e inventada (História Eclesiástica, Livro VI, 31:1)

-Eusébio de Cesaréia (265 – 339 d.C)

“’Não há pois entre nós milhares de livros em desacordo e em mútua contradição, mas há sim, apenas vinte e dois livros que contêm a relação de todo o tempo e que com justiça são considerados divinos. Destes, cinco são de Moisés, e compreendem as leis e a tradição da criação do homem até a morte de Moisés. Este período abarca quase três mil anos. Desde a morte de Moisés até a de Artaxerxes, rei dos persas depois de Xerxes, os profetas posteriores a Moisés escreveram os fatos de suas épocas em treze livros. Os outros quatro contêm hinos em honra a Deus e regras de vida para os homens. Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja. Estas palavras do autor aqui apresentadas não deixarão de ser úteis(História Eclesiástica, Livro III, 10:1-6)

-Atanásio de Alexandria (295 – 373 d.C)

“Há, portanto, 22 Livros do Antigo Testamento, número que, pelo que ouvi, nos foram transmitidos, sendo este o número citado nas cartas entre os Hebreus, sendo sua ordem e nomes respectivamente, como se segue: Primeiro, o Gênesis. Depois, o Êxodo. Depois, o Levítico. Em seguida, Números e, por fim, o Deuteronômio. Após esses, Josué, o filho de Nun. Depois, os Juízes e Rute. Em seguida, os quatro Livros dos Reis, sendo o primeiro e o segundo listados como um livro, o terceiro e o quarto também, como um só livro. Em seguida, o primeiro e o segundo Livros das Crônicas, listados como um só livro. Depois, Esdras, sendo o primeiro e o segundo igualmente listados num só livro. Depois desses, há o Livro dos Salmos, os Provérbios, o Eclesiastese o Cântico dos Cânticos. O Livro de . Os doze Profetas são listados como um livro. Depois Isaías, um livro. Depois, Jeremias com Baruc, Lamentaçõese a Carta [de Jeremias], num só livro. Ezequiel e Daniel, um livro cada. Assim se constitui o Antigo Testamento” (Epístola 39, Cap.4)

“Mas para maior exatidão eu adiciono isto também, escrevendo por necessidade, que há outros livros além destes que não estão incluídos no Cânon, mas apontados pelos Pais para leitura por aqueles que acabaram de se juntar a nós, e que desejam instrução na palavra celestial. A Sabedoria de Salomão, a Sabedoria de Siraque, Ester, Judite, Tobias, aquele que é chamado de o Ensino dos Apóstolos e o Pastor. Mas os primeiros, meus irmãos, são incluídos no Cânon, sendo os últimos meramente para leitura (Epístola 39, Cap.7)

“Além destes, porém, há outros do mesmo Velho Testamento, que não são canônicos, que somente se lê na Igreja, como a Sabedoria de Salomão (Athanas. in Synopsis, et in Lit. Festiv. – Dupin, t. 1. Pag. 180)

-Hilário de Poitiers (300 – 368 d.C)

“A lei do Velho Testamento é reconhecida em vinte e dois livros, de forma que eles se enquadram no número de letras hebraicas. Eles são contados de acordo com a tradição dos antigos pais, de forma que aqueles de Moisés são cinco livros; o sexto de Josué; o sétimo de Juízes e Rute; o oitavo do primeiro e segundo de Reis; o décimo dos dois livros chamados Crônicas; o décimo primeiro de Esdras (onde Neemias estava compreendido); o livro de Salmos fazendo o décimo segundo; os Provérbios de Salomão, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, fazendo o décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto; os doze profetas fazendo o décimo sexto; então Isaías e Jeremias, juntos com suas Lamentações e sua Epístola, (agora o vigésimo nono capítulo de sua profecia) Daniel, e Ezequiel, e Jó, e Ester, fazendo o número completo de vinte e dois livros”(Sancti Hilarii Pictaviensis Episcopi Tractatus Super Psalmos, Prologue 15, Testamenti Veteris libri XXII, aut 24. Tres linguae praecipuae. PL 9:241)

Em vinte e dois livros está julgada a lei do Antigo Testamento, para que corresponda ao número das letras... confesso que alguns querem acrescentar Tobias e Judite, mas o outro parecer está mais conforme a tradição(Hilario in Prolog. Psal. explanat. Veronae 1730)

-Apolinário de Laodiceia (310 – 390 d.C)

“As histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico... Por isso, quando traduzia Daniel muitos anos atrás, anotei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que não estavam incluídas no hebraico... Afinal, Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros clérigos e mestres distintos da Grécia reconhecem que, como eu disse, essas visões não se encontram no hebraico, e portanto não são obrigados a refutar Porfírio quanto a essas porções que não exibem nenhuma autoridade de Escrituras(Prólogo do Comentário sobre Daniel, p.15, disponível aquipara leitura)

-Epifânio (310 – 403 d.C)

“Há também além destes dois outros livros duvidosos, a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico... estes são úteis e proveitosos, mas não estão admitidos no número dos aceitos (Epiphan. adv. Haeres. pags. 18, 19. Colon. 1682, et Epiph)

-Cirilo de Jerusalém (315 – 386 d.C)

“Agora estas divinamente inspiradas Escrituras do Velho e Novo Testamento nos ensinam... Aprenda também diligentemente, e da Igreja, quais são os livros do Velho Testamento, e quais aqueles do Novo... Leia as Divinas Escrituras, os vinte e dois livros do Velho Testamento, estes que foram traduzidos pelos setenta e dois intérpretes... Destes leia os vinte e dois livros, mas não tenha nada com os livros apócrifos. Estude seriamente estes apenas, os quais nós lemos abertamente na Igreja. Mais sábio e mais piedoso que a ti mesmo foram os apóstolos, e os bispos dos tempos antigos, os presidentes da Igreja, que nos transmitiram estes livros. Sendo então um filho da Igreja, não falsifique seus estatutos. E do Velho Testamento, como temos dito, estude os dois e vinte livros, que se for desejoso de aprender, se esforce em lembrar pelo nome, como eu os cito. Pois a Lei, os livros de Moisés, são os cinco primeiros, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio. E depois Josué, o filho de Num, e o livro de Juízes, incluindo Rute, contado como sete. E dos outros livros históricos, o primeiro e segundo livro dos Reis são entre os hebreus um livro; também o terceiro e quarto um livro. E da mesma forma, o primeiro e segundo de Crônicas são para eles um livro e o primeiro e segundo de Esdras são contados como um. Ester é o décimo segundo livro, estes são os escritos históricos. Mas aqueles que são escritos em versos são cinco, Jó, o livro de Salmos, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos, que é o décimo sétimo livro. E depois destes veem os cinco livros Proféticos: dos doze Profetas um livro, de Isaías um, de Jeremias um, incluindo Baruque e Lamentações e a Epístola, então Ezequiel e o livro de Daniel, o vigésimo segundo do Velho Testamento” (NPNF2, Vol. 7, Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectures IV.33-36)

“Leia as Divinas Escrituras, os vinte e dois livros do Velho Testamento, estes que foram traduzidos pelos setenta e dois intérpretes... Destes leia os vinte e dois livros, mas não tenha nada com os livros apócrifos. Estude seriamente estes apenas, os quais nós lemos abertamente na Igreja(Catechetical Lectures IV.33-36)

-Basílio, o Grande (329 – 379 d.C)

“Como estamos lidando com números e cada número entre reais existências, um certo significado do qual o Criador do universo fez uso completo tanto no esquema geral como no arranjo dos detalhes, nós devemos dar boa atenção e com a ajuda das Escrituras traçar seu significado e o significado de cada um deles. Nem devemos falhar em observar que não é sem razão que os livros canônicos são vinte e dois, de acordo com a tradição hebraica, o mesmo número das letras do alfabeto hebraico. Pois como as vinte e duas letras podem ser consideradas uma introdução à sabedoria e às divinas doutrinas dadas aos homens naquelas letras, assim os vinte e dois livros inspirados são o alfabeto da sabedoria de Deus e uma introdução ao conhecimento das realidades (Philocalia, Cap.3)


Conclusão

A conclusão que chegamos é que os Pais da Igreja consideravam apenas 22 livros do AT como canônicos, que são os mesmos aceitos pelos evangélicos e pelos judeus, e não o cânon católico que acrescenta sete livros à Bíblia. Ademais, vemos os Pais declarando que os apócrifos não são canônicos, mas eclesiásticos, onde não se pode fundamentar doutrina em cima deles, mas servem apenas para a leitura e edificação.

Neste grupo de livros considerados “eclesiásticos” encontramos os sete livros apócrifos acrescentados por Trento, e mais o Pastor de Hermas, a Epístola de Barnabé, 3ª e 4ª Macabeus, 1ª Esdras (da Antiga Vulgata), Salmos de Salomão e a Epístola de Clemente aos Coríntios. A Igreja de Roma decidiu acrescentar à Bíblia somente sete de todos estes livros não-canônicos (i.e, não-inspirados, onde não se pode formular doutrina), deixando os outros de lado.

A Igreja Ortodoxa, um pouco mais coerente, decidiu adicionar à Bíblia vários outros livros “eclesiásticos” e “não-canônicos” dos que foram listados acima. Mas tanto um quanto o outro ignoram o fato de que tais livros eram considerados pelos Pais não como Escritura Sagrada e autoritativa, mas como fora do cânon de livros aceitos, servindo apenas para a leitura, e sendo rejeitados também pelos judeus, a quem foram entregues os “oráculos de Deus” do Antigo Testamento (Rm.3:2).

O cânon bíblico de 22 livros agrupados no AT, adotado tanto pelos judeus quanto pelos Pais da Igreja, é hoje aceito pelos cristãos evangélicos, que seguem a ordenança divina de não acrescentar nada à Palavra de Deus (Ap.22:19).

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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12 comentários:

  1. Prezado Lucas Banzoli

    Boa tarde

    O artigo é muito interessante.
    Só me tira uma dúvida?

    Por que Militão disse que subiu ao Oriente,se quando olhamos o mapa Sardes está acima da Palestina?

    Um abraço e felicidades

    Luiz





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    1. Olá, Luiz.

      A sua pergunta é muito interessante, confesso que nunca havia prestado atenção neste detalhe. Mas creio que possa haver duas razões para isso:

      1) Milito, embora fosse bispo de Sardes, poderia se encontrar em outra localidade naquela ocasião. Os bispos geralmente viajavam de uma a outra região com certa frequencia, ao invés de permanecerem fixos em um único lugar.

      2) Pode ser também que a referência a "subir" não seja exatamente uma referência a estar acima ou abaixo no mapa, mas talvez uma referência a uma subida literal (altitude) em relação a um outro local. Por exemplo, em João 5:1 vemos o termo "subiu", que descreve perfeitamente a subida a Jerusalém. Ou seja, pode ser que ele esteja falando que foi para um local mas alto, e não mais acima no mapa da época.

      Eu particularmente ficaria mais com a primeira opção, mas ambas são hipóteses. Pode também haver um terceiro motivo. E também pode ser até mesmo um erro de copista ou simplesmente um erro do próprio autor. Eu só não creio que haveria motivos para o autor "mentir" com relação a um detalhe deles (embora ele pudesse se enganar sem intenção).

      Grande abraço!

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  2. Qual a sua posição a respeito do livro de Enoque, muitos acreditam na veracidade do livro, eu particularmente não, e tu?

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  3. Olá, irmão parabéns pelo seu trabalho, tem me ajudado muito, o que você tem a dizer a respeito do livro de Enoque? Para muitos é verídico, pelo fato da questão dos nefilins, seio de Abraão, e de Pedro e Judas terem citado o conteúdo deste livro em seus escritos, qual a sua opinião sobre o livro de Enoque?

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    1. Olá, Gilvan, a paz. Não se sabe ao certo se esse livro de Enoque citado por Pedro e Judas é O MESMO livro que foi achado no século I a.C. Naquela época era comum escrever livros em nome de figuras históricas famosas, e não seria anormal que existisse mais de um livro em nome de Enoque, assim como não seria anormal que o livro de Enoque citado pelos apóstolos seja OUTRO, e não esse que a maioria crê que faz referência.

      Também é importante ressaltar que em nenhum momento eles falam de que Enoque ESCREVEU algo, mas sim que ele DISSE algo (Jd.14). Esse algo que ele disse pode ter sido escrito ou não; ele pode ter citado algo que Enoque disse no passado enquanto ainda estava vivo e que foi preservado por tradição, ou citado algo direto por revelação divina daquilo que teria sido dito por Enoque. Ou seja: não necessariamente trata-se de um "livro" em específico.

      Por último, é importante salientar que o fato de os escritores bíblicos citarem trechos de outras obras NÃO SIGNIFICA que eles criam em TUDO o que essas obras diziam, significa apenas que AQUELA PARTE da obra que eles citaram era verdadeira. Paulo costumava citar autores pagãos, em cujas obras havia obviamente filosofia não-cristã, embora houvesse alguma verdade nessas obras, e essa alguma verdade é o que foi citado por Paulo. Se a citação de Enoque é mesmo de um livro, isso não significa que Judas e Pedro criam na inspiração dele (porque se fosse inspirado estaria no cânon) nem que concordam com TUDO o que ele escreveu, mas sim ESPECIFICAMENTE sobre aquelas partes que eles destacaram.

      Assim diz o comentário da nota de rodapé da NVI sobre isso:

      "O fato de não ser canônico não significa que não contivesse verdades; e ser citado por Judas não significa que ele o considerasse inspirado" (p. 2164)

      Fique com Deus.

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    2. Valeu irmão, obrigado por me responder, tenho aprendido bastante contigo. Baixei seu livro dobre a lenda da imortalidade da alma, obrigado por disponibilizá-lo para download. Tenho um canal no youtube e tenho me dedicado também ao ensino da mortalidade da alma:
      https://www.youtube.com/user/Gilvan7398

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    3. Vou seguir seu canal no YouTube, um abraço!

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  4. Oie Lucas, queria saber onde vc achou os livros dos pais da Igreja, queria muito ler,
    aqui meu email: emerson991934@gmail.com
    Flw um abraço

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    1. Olá, Emerson, os livros dos Pais do primeiro século e início do segundo você pode encontrar neste endereço em português:

      http://arminianismo.com/index.php/categorias/obras/patristica

      Os demais só tem disponível em inglês, muitos deles você pode encontrar no New Advent:

      http://www.newadvent.org/fathers/

      Abraços.

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    2. Pow valeu Lucas,nossa fui pesquisa seu nome no Google, só levando pau. KKKK

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    3. Olá, Lucas, então eu vi em alguns site católicos o concilio de Jâmmia, dá pra você falar um pouquinho dele?

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    4. Isso é para você ver como os católicos me amam.... HSUAHSUAHSUH

      Sobre o Concílio de Jâmnia, eu aconselho se dirigir a estes artigos em que eu abordo este assunto no meio do texto:

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086893398

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086905743

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1086918088

      E principalmente esse que eu abordo o tema de forma mais direta:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2013/06/os-judeus-e-o-canon-veterotestamentario.html

      Abraços.

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