14 de agosto de 2012

Cronologia das inovações doutrinárias sobre Maria


"O mesmo zelo que Deus tem por vocês eu também tenho. Porque vocês são como uma virgem pura que eu prometi dar em casamento somente a um homem, que é Cristo. Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção pura e sincera a Cristo" (2 Coríntios 11:2,3)

Segue-se abaixo uma extensa e aprofundada cronologia sobre as invenções e inovações da doutrina católica em torno de Maria ao longo dos séculos, cada vez mais acentuando o desvio doutrinário do Caminho original do Evangelho puramente Cristocêntrico e de devoção pura e sincera somente a Cristo.

SÉCULO III

-Evangelhos apócrifos (Gnósticos) de Felipe e de Tomé, originam lendas sobre Maria.

-Primeira possível referência arqueológica a Maria, em Nazaré.

-Primeira referência escrita à virgindade perpétua de Maria no Proto-Evangelho de Tiago, um escrito apócrifo surgido em círculos heréticos.

-Primeira referência à assunção de Maria aos céus num escrito apócrifo transmitido pelo herege Leucio.

-Na Arábia, a seita Koliriana dá culto a Maria como a deusa-mãe, a Rainha do Céu.


SÉCULO IV

-Primeiro templo em honra de Sta. Ana, mãe de Maria.

-Primeira referência no Oriente a Maria como “Mãe de Deus”.

-Primeira invocação documentada que se dirige a Maria (Sta. Justina, c. 350).

-Primeira liturgia da Virgem. É celebrada na Síria (c. 370).

-Sínodos de Milão (390) e Roma (393) declaram a virgindade no parto como doutrina de fé para a Igreja.


SÉCULO V


-O concílio de Calcedónia declara dogmaticamente Maria «Theotokos» (ano 451).

-Primeira referência papal (Leão Magno) à virgindade perpétua de Maria.

-O herege pelagiano Julião de Eclana defende pela primeira vez a doutrina da imaculada concepção de Maria. A ele se opõe o teólogo cristão Agostinho de Hipona.
-O templo da deusa Isis em Soissons é consagrado a Maria.

-Início e desenvolvimento do culto a Maria.


SÉCULO VI

- Evangelho do Pseudo-Mateus.

-Evangelho da Natividade de Maria.

-Institui-se no Oriente uma festa dedicada a celebrar a Assunção de Maria.

O Partenão, templo ateniense da deusa grega Atena, é dedicado a Maria.


SÉCULO VII

-Culto e adoração de Maria.

-Festa da Concepção da Virgem, no Oriente.


SÉCULO VIII

-Começa a celebrar-se no Oriente uma festividade em honra do nascimento de Maria.

-O papa Sérgio I introduz as festas da Anunciação, da Dormição, da Purificação e da Natividade de Maria.

-Se iniciam afirmações explícitas sobre Maria ser Advogada.


SÉCULO IX

-Livro da Natividade de Maria.

-Começa a celebrar-se no Oriente a festa da concepção de Sta. Ana.

-Se estabelece a Festa da Assunção.


SÉCULO X

-Os sábados são dedicados a Maria (c. 975)

-Se compõe a antífona Regina Coeli

-É introduzido o ofício parvo da Bendita Virgem na liturgia.


SÉCULO XI

-No Ocidente se celebra a Assunção de Maria. A razão fundamental para tal decisão é a aceitação como autêntica de uma obra falsamente atribuída a Agostinho, na qual defenderia tal doutrina.

-Se compõe as antífonas da Alma redemptoris mater e Salve Regina.


SÉCULO XII

-Começa a celebrar-se no Ocidente uma festividade em honra do nascimento de Maria. Na mesma, não há nenhuma referência à imaculada concepção.

-Isabel de Schonau afirma ter visões da assunção de Maria.

-Começa-se a formular a doutrina de Maria como Dispensadora de todas as graças.


SÉCULO XII

-Primeiros episódios de flagelações públicas em honra de Maria.

-Começa a utilizar-se o rosário «trazido do Oriente» como instrumento de devoção a Maria.

-Tomás de Aquino, em sua obra “Suma Teológica”, se opõe rotundamente à crença na imaculada concepção de Maria.

-Diversas obras literárias (por exemplo, os Milagres de Nossa Senhora, do monge espanhol Gonzalo de Berceo) popularizaram a tese de que Maria tem poder para outorgar a salvação a seus devotos, acima dos atos destes, assim como a de que tem autoridade sobre todas as hostes demoníacas.

-Duns Scoto, seguido pelos franciscanos, advoga pela tese da imaculada concepção de Maria.


SÉCULO XIV

-Maria é apresentada pela primeira vez como “Advogada” dos crentes por um poeta baixo-normando

-Se institui no Ocidente a festa da apresentação da Virgem (ano 1372).

-Se estabelece a festa do Escapulário da Virgem (c. 1386).


SÉCULO XV

-Se estabelece a festa das Dores de Nossa Senhora (ano 1423).

-O concílio de Basileia define como dogma a imaculada concepção de Maria. O fato de o concílio ter rompido a sua submissão à Sé Romana provoca que a decisão careça de validade canônica (ano 1439).

-Se impõe a recitação diária do Angelus como um sinal da veneração a Maria. (1456)

-Primeira confraria do rosário (1475).


SÉCULO XVI

-Se aprova a peregrinação a Loreto (ano 1507).

-Primeiras aparições da Virgem em Guadalupe, México (ano 1531).

-É publicada a ladainha de Loreto (ano 1558).

-O Concílio de Trento insiste na veneração que deve prestar-se às imagens religiosas. É fundado osodalício de Nossa Senhora (ano 1563).

-O Ave-Maria é introduzido no Breviário na forma oficial atual (ano 1568).

-Se estabelece as festas da Expectação da Virgem e de Nossa Senhora da Vitória e do Rosário (ano 1571).

-O papa Gregório XIII fixa a festividade de Sta. Ana em 26 de Julho de 1584.


SÉCULO XVII

-Maria começa a ser considerada Co-Redentora.

-Papa Paulo V proíbe as discussões em público acerca do pecado original de Maria. Somente os dominicanos poderiam discutir sobre o tema, mas em privado e dentro da sua Ordem (ano 1617).

-O papa Gregório XV estende a proibição para o terreno privado (ano 1622).

-Se estabelece a festa do divino coração de Maria (ano 1647).

-O papa Alexandre VII afirma em relação com a crença na imaculada concepção de Maria, que “já quase todos os católicos a abraçam” (ano 1661).

-A festa do sagrado nome de Maria se estende a toda a igreja (ano 1683).


SÉCULO XVIII

-Festividade das sete dores da Virgem (1715).

-A festa do rosário se estende a toda a igreja (ano 1726).

-Movimento marianista. O seu principal expoente, Afonso Maria de Ligório, escreve “As Glórias de Maria” (1750), onde esta aparece como “Senhora soberana dos demônios”, Rainha dos Céus e procuradora de um caminho de salvação mais fácil do que o aberto por Cristo. As teses de Ligório terão uma enorme influência em papas como Leão XIII, Pio X e Bento XV.

-A Virgem de Guadalupe é proclamada como a padroeira do México (ano 1754).


SÉCULO XIX

Visões de Anna Catberine de Emmerich. A maioria dos especialistas atuais «católicos incluídos» tendem a considerá-las pura fantasia (c. 1824).
A medalha milagrosa aparece a Catalina Labonre (ano 1830).
-Maria imaculada é proclamada a padroeira dos Estados Unidos (ano 1846).

-Aparições da Virgem de La Salete, França (ano 1846).

-É fundada a Sociedade de Maria (c. 1850).

-É definido como dogma a crença na imaculada concepção de Maria (ano 1854).

-Aparições de Lourdes, França (ano 1858).

-Aparições de Pontmain (ano 1871).

-O papa Leão XIII foi o primeiro a designar Maria como Co-Redentora do gênero humano.

-Aparições de Knock, Irlanda (ano 1879).

-Nossa Senhora de Guadalupe é proclamada padroeira das Américas (ano 1900).


SÉCULO XX

-Maria é proclamada Mediadora Universal (1904).

-Aparições de Fátima, Portugal (ano 1917).

-Fundação da legião de Maria em Dublín (ano 1921).

-Se estabelece a festa da Divina maternidade (ano 1931).

-Aparições em Beauraing, Bélgica (anos 1932-1933).

-Aparições em Banneux, Bélgica (ano 1933).

-O mundo é consagrado ao imaculado coração de Maria (ano 1942).

-O papa Pio XII define como dogma a assunção corporal de Maria aos céus (ano 1950).

-Aparições em Garabandal (anos 1961-1965).

-Maria é proclamada Mãe da Igreja (ano 1964).

-O Concílio Vaticano II reafirma a teologia mariológica dos últimos séculos e Paulo VI afirma que o Evangelho é incompreensível sem aceitar a mariologia católica (anos 1962-1965).

-Encíclica Cultus Marialis (ano 1974).

-O Catecismo da Igreja Católica dedica diversos apartados para o ensino da mariologia católica tradicional (ano 1992).

(Do livro: “Las desventuras de la Virgen Maria”, escrito por Manuel Díaz Pineda, Ph. D.)

Desta forma, a Igreja Católica se corrompeu cada vez mais em seus ensinos doutrinários ao longo dos séculos. A Igreja cristã primitiva, que era fundamentalmente cristocêntrica, onde Maria sequer é mencionada nas epístolas apostólicas, passou por alterações, acréscimos e desvios por parte da Igreja Romana, até se tornar essa Babel que vemos hoje, onde a mariolatria católica suprimiu o evangelho da devoção somente a um homem, que é Cristo (2Co.11:2,3).

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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2 comentários:

  1. Podemos afirmar, portanto, que nos primeiros séculos (séculos I e II) não havia referência alguma à Maria como exemplo para igreja, a não ser o que foi escrito na Bíblia?

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    1. Como inovação doutrinária, nada. Tudo o que há nos primeiros dois séculos é uma antítese que Irineu faz no final do século II entre Eva e Maria, destacando a desobediência da primeira em contraste com a obediência da segunda, mas sem nada que fizesse alusão a qualquer dogma mariano católico. E os Pais da Igreja de data anterior, praticamente nunca nem sequer tocavam no nome dela, da mesma forma que ela não é citada nenhuma vez nas epístolas (de Romanos a Apocalipse). Sobre isso eu já escrevi no penúltimo tópico deste artigo:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/08/refutando-astronauta-catolico-vii.html

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