18 de agosto de 2012

Os Pais da Igreja e o Cânon Bíblico - Parte 2


Em meu artigo anterior sobre os Pais da Igreja e o Cânon Bíblico, eu mostrei que os Pais da Igreja dos séculos II ao IV não criam na canonicidade dos livros apócrifos, mas criam que eles eram meramenteeclesiásticos, onde não se podia formular doutrina em cima deles, mas podiam ser lidos para a edificação da Igreja. Já neste artigo continuarei o anterior mostrando outras declarações dos demais Pais da Igreja de séculos posteriores quanto aos apócrifos: 


-Gregório Nazianzeno (329 – 389 d.C) 

“Receba o número e nome dos livros sagrados. Primeiro os doze livros históricos em ordem: primeiro é Gênesis, então Êxodo, Levítico, Números e o testamento da lei repetido de novo; Josué, Juízes e Rute a moabita seguem estes; depois disto os famosos feitos dos Reis possuem o nono e décimo lugar; as Crônicas veem no décimo primeiro lugar e Esdras é o último. Há também cinco livros proféticos, primeiro dos quais é Jó, o próximo é o do Rei Davi, e três de Salomão, a saber, Eclesiastes, Provérbios e seu Cântico. Depois deste vem cinco livros dos santos profetas, dos quais doze estão contidos em um volume: Oseias... Malaquias, estes estão no primeiro livro; o segundo contém Isaías. Depois destes está Jeremias, chamado do ventre de sua mãe, então Ezequiel, força do Senhor e Daniel por último. Estesvinte e dois livros do Velho Testamento são contados de acordo com as vinte e duas letras dos judeus... Que sua mente não seja enganada sobre livros estranhos, pois várias falsas atribuições estão circulando, mas você deve manter este número legítimo de mim, querido leitor (Carmina Dogmática, Livro I, Seção I, Carmen XII. PG 37:471-474) 

“Além disto, é mais importante que você saiba disto também: nem tudo que se oferece como venerável Escritura deve ser considerado certo. Pois há aqueles escritos por falsos homens – como é algumas vezes feito. A respeito dos livros, há vários que são intermediários e próximos da doutrina da verdade, por assim dizer, mas há outros contudo, que são espúrios e extremamente perigosos, como selos falsos e moedas espúrias, que de fato possuem a inscrição do rei, mas que são falsificações, e feitos de material básico. Com relação a isto, então, eu devo enumerar para você os livros individuais inspirados pelo Espírito Santo e para que você saiba claramente, eu irei começar com os livros do Velho Testamento. O Pentateuco contém Gênesis, então Êxodo, Levítico, que é o livro do meio, depois disto Números e finalmente Deuteronômio. A estes adicione Josué e Juízes, depois destes Rute e os quatro livros de Reis, Paralipomenon (Crônicas) igual a um livro, seguindo estes o primeiro e segundo de Esdras. Depois eu te lembro de cinco livros: o livro de Jó, coroado pela luta contra várias calamidades, também do livro de Salmos, o remédio musical da alma, os três livros da Sabedorias de Salomão, Provérbios, Eclesiastes e o Cântico dos Cânticos. Eu adiciono a estes os doze profetas, primeiro Oseias, então Amós, depois Miqueias, Joel, Abdias, Jonas, o tipo dos três dias da Paixão, depois destes não, Habacuque então o nono Sofonias, Ageu, Zacarias e o anjo com dois nomes, Malaquias. Depois destes, conheça os outros profetas, chegando a quatro: o grande e destemido Isaías, Jeremias, inclinado à misericórdia, o místico Ezequiel e Daniel, mais sábio nos acontecimentos das Últimas Coisas, e alguns adicionam Ester a estes. Tenho alistado vinte e dois livros, de acordo com as vinte e duas letras hebraicas. Se há qualquer um além destes, não são genuínos (Carta a Seleuco. ap. Gregório de Nazianzo, Carminum II.vii, PG 37.1593-1595) 


-Rufino de Aquileia (340 – 410 d.C) 

“Estes são os que os Pais incluíram dentro do cânon, pelos quais as afirmações da nossa fé são firmadas; contudo, convém saber que há outros livros que não são canônicos, mas chamados, por nossos maiores, de eclesiásticos, como a Sabedoria de Salomão e a outra Sabedoria que se diz do filho de Siraque; da mesma ordem é o livro de Tobias e Judite e os Macabeus, que no máximo são lidos na igreja, mas não são tidos como autoridade por onde se possa firmar coisas da fé (NPNF2 3:558; Rufino, sive Cyp. in Explic. Symboli) 

“E então parece apropriado neste lugar enumerar, como nós temos aprendido da tradição dos Pais, os livros do Novo e do Velho Testamento, que de acordo com a tradição de nossos pais, se acredita serem inspirados pelo Espírito Santo, sendo transmitido para as igrejas de Cristo. Do Velho Testamento, então, antes de tudo foram transmitidos cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio; então Josué Nave, (Josué filho de Num), o Livro dos Juízes junto com Rute; então quatro livros dos Reis (Reinos), que os hebreus reconhecem como dois; o livro das Omissões, que é intitulado o Livro dos Dias (Crônicas) e dois livros de Esdras (Esdras e Neemias), que os hebreus reconhecem como um, e Ester; dos Profetas, Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel; além do mais dos doze Profetas menores, um livro; Jó e também os Salmos de Davi, cada um um livro. Salomão deu três livros às igrejas, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos. Estes compõe os livros do Velho Testamento. Mas deve-se saber que há também outros livros que nossos pais chamam não de 'Canônicos', mas de 'Eclesiásticos': a saber, Sabedoria, chamada Sabedoria de Salomão, e outra Sabedoria, chamada de Sabedoria do Filho de Siraque, o último sendo chamado pelos latinos com o título geral de Eclesiástico, designando não o autor do livro, mas o caráter da obra. À mesma classe pertence o Livro de Tobias, o Livro de Judite e os Livros dos Macabeus. No Novo Testamento o pequeno livro chamado de Pastor de Hermas (e aquele) que é chamado Os Dois Caminhos, ou o Julgamento de Pedro;todos os quais podem ser lidos nas igrejas, mas não recorridos para a confirmação de doutrina. Os outros escritos eles chamam 'Apócrifos'. Estes eles não podem ler nas igrejas. Estes são tradições que os pais nos transmitiram, as quais, como eu disse, eu achei oportuno estabelecer neste lugar, para a instrução daqueles que estão sendo ensinados nos primeiros elementos da Igreja e da Fé, para que eles saibam de quais fontes da Palavra de Deus suas aspirações devem ser tomadas (NPNF2, Vol. 3, Rufino, Comentário ao Credo dos Apóstolos 36) 


-Jerônimo (347 – 419 d.C) 

"E assim da mesma maneira pela qual a igreja lê Judite, Tobias e Macabeus (no culto público) mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também sejam estes dois livros [Sabedoria e Eclesiástico] úteis para a edificação do povo, mas não para estabelecer as doutrinas da Igreja"(Prefácio dos Livros de Salomão) 

"Este prólogo, como vanguarda (principium) com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os Livros que traduzimos do Hebraico para o Latim, de forma que nós podemos garantir que o que não é encontrado em nossa lista deve ser colocado entre os escritos Apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque [Eclesiástico], e Judite e Tobias e o Pastor [supõe-se que seja o Pastor de Hermas], não fazem parte do cânon. O primeiro livro dos Macabeus eu não encontrei em hebraico, o segundo é grego, como pode ser provado de seu próprio estilo" (Prologus Galeatus) 

“E assim há também vinte e dois livros do Antigo Testamento; isto é, cinco de Moisés, oito dos profetas, nove dos hagiógrafos, embora alguns incluam Ruth e Kinoth (Lamentações) entre os hagiógrafos, e pensam que estes livros devem contar-se por separado; teríamos assim vinte e quatro livros da Antiga Lei” (Prefácio aos Livros de Samuel e Reis. Em Nicene and Post-Nicene Fathers, 2nd Series, vol. 6, p. 489-490)  

“Estas instâncias têm sido tocadas por mim (os limites de uma carta proíbem um tratamento mais discursivo deles) para convencer você de que nas Escrituras Sagradas você não pode fazer progresso a menos que você tenha um guia para mostrar a você o caminho... Gênesis ... Êxodo ... Levítico ... Números ... Deuteronômio ... Jó ... Jesus o filho de Nave ... Juízes ... Rute ... Samuel ... O terceiro e quarto livros de Reis ... Os doze profetas cujos escritos estão comprimidos nos limites de um simples volume: Oseias ... Joel ... Amós ... Obadias ... Jonas ... Miquéias ... Naum ... Habacuque ... Sofonias ... Ageu ... Zacarias ... Malaquias ... Isaias, Jeremias, Ezequiel e Daniel ... Jeremias também vai quatro vezes através do alfabeto em diferentes metros (Lamentações)... Davi... canta de Cristo em sua lira; e em um saltério com dez cordas (Salmos) ... Salomão, um amante da paz e do Senhor, corrige moral, ensina natureza (Provérbios e Eclesiastes), une Cristo e a igreja, e canda uma doce canção de matrimônio para celebrar aquele santo casamento (Cântico dos Cânticos) ... Ester ... Esdras e Neemias. Eu te suplico, meu caro irmão, a viver entre estes livros, a meditar neles, a saber nada mais, não buscar nada mais (NPNF2, Volume 6, São Jerônimo, Carta LIII.6-10) 

"Para os católicos, os apócrifos são certos livros antigos, semelhantes a livros bíblicos, quer do N.T, quer do V.T, o mais das vezes atribuídos a personagens bíblicos, mas não inspirados, como os livros canônicos, e nem escritos por pessoas fidedignas nem de doutrina segura" (Introdução Geral a Vulgata Latina, p.9) 

“Como a Igreja lê os livros de Judite e Tobite e Macabeus, mas não os recebe entre as Escrituras canônicas, assim também lê Sabedoria e Eclesiástico para a edificação do povo, não como autoridade para a confirmação da doutrina (Prefácio aos Livros de Salomão) 

“Que [Paula] evite todos os escritos apócrifos, e se ela for levada a lê-los não pela verdade das doutrinas que contêm mas por respeito aos milagres contidos neles, que ela entenda que não são escritos por aqueles a quem são atribuídos, que muitos elementos defeituosos se introduziram neles, e que requer uma perícia infinita achar ouro no meio da sujeira (Epístola 107:12 - Nicene and Post-Nicene Fathers, 2nd Series, vol. 6, p. 194) 

“Mas entre outras coisas, devemos reconhecer que Porfírio faz-nos esta objeção sobre o Livro de Daniel, que ele é claramente uma fraude que não deve ser considerado como pertencente às Escrituras Hebraicas mas uma invenção composta em grego. Isso ele deduz do fato de que na história de Susana, onde Daniel está a falar com os anciãos, encontramos as expressões: ‘Para dividir da árvore de aroeira(apo tou skhinou skhisai) e viu no carvalho sempre verde (kai apo tou prinou prisai), um jogo de palavras apropriadas para o grego, em vez de para o hebraico. Mas tanto Eusébio como Apolinário responderam-lhe após o mesmo teor, que as histórias de Susana e de Bel e o Dragão não estão contidas no hebraico, mas constituem uma parte da profeciade Habacuque, filho de Jesus, da tribo de Levi. Assim como encontramos no título dessa mesma história de Bel, segundo a Septuaginta: Havia um certo sacerdote chamado Daniel, filho de Abda, um íntimo do reida Babilônia’. E, no entanto, a Sagrada Escriturat estifica que Daniel e os três jovens hebraicos eram da tribo de Judá. Por esta mesma razão, quando eu traduzi Daniel muitos anos atrás, assinalei essas visões com um símbolo crítico, demonstrando que elas não estavam incluídas no hebraico. E a este respeito, estou surpreendido ao ser informado de que certos críticos reclamam que eu por minha própria iniciativa trunquei o livro.Afinal de contas, quer Orígenes, Eusébio e Apolinário e outros homens da Igreja proeminentes e doutores da Grécia reconhecem que, como eu disse, estas visões não são encontradas entre os hebreus, e que portanto eles não são obrigados a responder a Porfírio por estas partes que não exibem autoridade como Sagrada Escritura (Prólogo do Comentário sobre Daniel) 


-Agostinho de Hipona (354 – 430 d.C) 

“O Santo, porém, prova com ótima e farta argumentação que neste mundo não faltam os perigos de pecar, mas não subsistirão depois desta vida. E aduz como testemunho as palavras do livro da Sabedoria: Foi arrebatado para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar (Sb 4,11). Este argumento aduzido também por mim, nossos irmãos não aceitaram, conforme dissestes, por ter sido tomado de um livro não canônico, como se, à parte deste livro, a doutrina que quisemos ensinar não fosse bastante clara. Qual o cristão que se atreve a negar que o justo estará em descanso, quando for arrebatado pela morte? Que pessoa de fé ortodoxa pensaria o contrário de quem isto afirmasse? Do mesmo modo, se alguém disser que um justo, violando a santidade na qual perseverou por longo tempo e falecendo na impiedade, na qual viveu não digo um ano, mas um dia, não incorreria nas penas devidas aos réprobos, de nada lhe aproveitando os méritos passados (Ez 18,24), qual o fiel que se oporia a esta verdade tão evidente? Além disso, se nos perguntassem se este justo falecesse enquanto praticava a justiça, se incorreria nas penas devidas aos condenados ou encontraria o descanso, não responderíamos sem hesitação que estaria no descanso? Esta é a razão que levou alguém a dizer, seja quem for: Foi arrebatado para que a malícia não lhe mudasse o modo de pensar”(Da Justificação dos Santos, Cap.14) 

“Desde o tempo da restauração do templo entre os judeus já não houve reis, mas príncipes, até Aristóbulo. O cálculo do tempo destes não se encontra nas Santas Escrituras chamadas canônicas, mas em outros escritos, entre os quais estão os livros dos Macabeus (A Cidade de Deus, XVIII:36) 


-Concílio de Laodiceia (375 e 390 d.C) 

Estes são todos os livros do Antigo Testamento nomeados para serem lidos: 1, Genesis do mundo; 2, O Êxodo do Egito, 3, Levítico, 4, Números, 5, Deuteronômio, 6, Josué, filho de Num, 7, Juízes, Rute, 8, Esther, 9, Dos Reis, Primeira e Segunda, 10, dos reis, Terceira e Quarta, 11, Crônicas, Primeiro e Segundo, 12, Esdras, Primeiro e Segundo, 13, O Livro dos Salmos ; 14, Os Provérbios de Salomão, 15, Eclesiastes, 16, O Cântico dos Cânticos, 17, Jó; 18, Os Doze Profetas, 19, Isaías, 20, Jeremias e Baruque, Lamentações, 21, Ezequiel ; 22, Daniel” (Cânon 60 do Concílio de Laodiceia) 


-Gregório Magno (540 – 604 d.C) 

“Em relação a tal particular não estamos a atuar irregularmente, se dos livros, ainda que não canônicos, no entanto outorgados para a edificação da Igreja, extraímos testemunho. Assim, Eleázar na batalha feriu e derribou o elefante, mas caiu debaixo da própria besta que tinha matado [1 Macabeus 6:46]” (Library of the Fathers of the Holy Catholic Church, 2:424) 


-João Damasceno (675 – 749 d.C) 

“Observa-se, ainda, que há vinte e dois livros do Antigo Testamento, um para cada letra do alfabeto hebraico. Há vinte e dois livros, dos quais cinco são duplos, e assim eles passam a ser vinte e sete. Pois as letras Caph, Mem, Nun, Pe e Sade são duplas. E, assim, o número de livros desta forma é vinte e dois, mas são encontrados vinte e sete por causa do duplo caractere de cinco. Pois Rute se une com Juízes, o primeiro e segundo livro de Reis são contados como um livro, assim como o terceiro e quarto livro dos Reis, e também o primeiro e segundo livro das Crônicas e primeiro e segundo de Esdras. Desta forma, os livros são reunidos em quatro Pentateucos e dois outros permanecem sobre eles, para formar, assim, os livros canônicos. Cinco deles são da Lei: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Este é o código da Lei, constituindo o primeiro Pentateuco. Em seguida, vem outro Pentateuco, o chamado Grapheia, ou, como são chamados por alguns, o Hagiographa, que são os seguintes: Josué, Juízes juntamente com Rute, primeira e segunda Reis, que são um livro, terceiro e quarta Reis, que são um livro, e os dois livros das Crônicas que são um só livro. Este é o segundo Pentateuco. O terceiro Pentateuco são os livros em versos: Jó, Salmos, Provérbios de Salomão, Eclesiastes de Salomão e o Cântico dos Cânticos, de Salomão. O quarto Pentateuco são os chamados livros proféticos, a saber os doze profetas constituem um livro. Em seguida temos Isaías, Jeremias, Ezequiel, Daniel. Depois, vêm os dois livros de Esdras como um só, e Ester. Há também a Sabedoria de Salomão e a Sabedoria de Josué [=Eclesiástico], que foi publicado em hebraico pelo pai de Siraque, e posteriormente traduzido para o grego por seu neto, Josué, o filho de Siraque. Estes são nobres e virtuosos,mas não são contados e nem foram admitidos no cânon (An Exposition of the Orthodox Faith, Livro IV, Cap.17) 


Conclusão 

Chegamos à segunda parte deste estudo resumido e sumariado, e vemos que a totalidade dos Pais da Igreja que trataram do assunto do cânon bíblico são unânimes em dizer que: 

1. O cânon cristão veterotestamentário é formado por 22 livros, em conformidade com o cânon judaico, que exclui os apócrifos e os deixa de fora das Escrituras. 

2. Os apócrifos eram considerados por eles como “eclesiásticos”. Essa designação era frequentemente associada ao fato de que tais livros eram permitidos de serem lidos na Igreja, mas não para se fundamentar doutrina, como ocorre com os livros canônicos que constituem a Escritura Sagrada. 

3. Os livros apócrifos não são fonte de doutrina segura ou fidedigna. Por isso, é comum vermos muitos Pais chamando-os de “duvidosos”, onde “não se pode estabelecer as doutrinas da Igreja”. 

4. A designação de “deuterocanônicos” é um termo tardio, criado em pleno século XVI, com a única finalidade de conceder deutero-canonicidade a tais livros. Tal terminologia nunca foi aplicada por qualquer Pai da Igreja, os quais sempre citavam os apócrifos como sendo “eclesiásticos”, “apócrifos” ou“não-canônicos”. Não há menções a estes livros como “estando no cânon” ou como “deuterocanônicos”, porque de fato não eram Escritura Sagrada, inspirada e autoritativa. 

Recomendo, para mais amplitude e aprofundamento no assunto, que leiam os meus dois estudos sobre o tema: Desmascarando os Livros Apócrifos (P1) e Desmascarando os Livros Apócrifos (P2), que são acompanhados por um suplemento intitulado Diálogo entre Evangélico e Católico sobre o Cânon. Tenho certeza que os artigos servirão de boa fonte de estudos para os que se interessam com o tema. 

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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10 comentários:

  1. Prezado Lucas Banzoli

    Boa tarde

    Na verdade tais citações dos Pais da Igreja fazem uma objeção não só a Igreja Católica Romana mas também a Igreja Católica Ortodoxa.
    Parece que A Biblia da Igreja Católica Ortodoxa tem alguns livros a mais do que a Biblia da Igreja Católica Romana.

    Um abraço e felicidades

    Luiz

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  2. Olá, Luiz.

    Você tem total razão em dizer isso. De fato, os ortodoxos tem como canônicos os livros de 1ª Esdras (=3ªEsdras na Vulgata), a Oração de Manassés, o Salmo 151, 2ª Esdras (=4ª Esdras na Vulgata) e 4ª Macabeus. A Igreja Ortodoxa Copta da Etiópia, por sua vez, tem 81 livros ao todo na Bíblia, contendo a mais no NT os “Atos de Paulo”, “1ª Clemente” e “O Pastor de Hermas”. Na Igreja Etíope é adicionado o “Livro dos Jubileus”, o “Livro de Enoque” e 4ª Baruque, além de a Bíblia Ortodoxa Siríaca excluir o livro de 2ª Pedro, 2ª e 3ª João, Judas e o Apocalipse.

    O mais interessante é que os católicos romanos afirmam que a Bíblia deles é mais "completa" do que a protestante por ter mais livros. Ora, se ter mais livros fosse algum critério de "completude", então deveríamos considerar canônicos todos estes livros aprovados pelas igrejas ortodoxas, que não existem nas Bíblias católicas de Roma (logo, as Bíblias católicas também seriam "incompletas"!).

    Sendo assim, o critério para ter uma "Bíblia completa" não é ter "mais livros", mas é ter a totalidade dos livros realmente considerados canônicos pela Igreja, que sempre aprovou o cânon judaico que deixava de fora os livros apócrifos aprovados pelo Concílio de Trento.

    Abraços!

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  3. PARA DE COLOCAR A QUESTÃO COMO UMA BRIGA ENTRE PROTESTANTES E CATOLICOS.A VERDADE QUE A BIBLIA ORTODOXA ESTA CERTA POR QUE NÃO?ELA E A MAS ANTIGA E AI QUE DIZER QUE TODAS QUE VIERÃO DEPOIS DELA SO TIRARÃO LIVRO E NÃO COLOCARÃO QUEM TIRA DA PALAVRA DE DEUS E PUNIDO.SO VCS MESMO PARA ACHAR QUE UM DEUS VIVO FICOU CALADO 400ANOS VENDO O POVO SOFRE E NÃO FAZER NADA SO OLHANDO NEM UMA PROFESIA DE CONFORTO AINDA MAIS ESSE DEUS AMOROSO POR DEMAIS COM ISRAEL AGORA NAS SUAS IGREJA ELE FALATODA HORA NE VC ATE VENHEN O ANJO ANDANDO AI MAS COM ISRAEL ELE FICOU 400ANOS CALADO PIADA.A BIBLIA MAS ANTIGA E A MAIS COMPLETA ESTRANHO NE DEPOIS SO FOI REDUZINDO JOGO DE INTERESSES.

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    1. Caro Anônimo.

      Em primeiro lugar, gostaria que você pelo menos tentasse escrever direito, pois, além de digitar tudo em caixa alta, ainda escreve coisas como “VIERÃO”, “PROFESIA”, “VENHEN” e outras coisas que mais parecem que você escreveu este texto como uma piada do que como uma coisa séria. Além disso, faz parecer que você é uma criança que escreveu enquanto estava no recreio. Tome cuidado com estes erros primários, eles fazem com que qualquer pessoa se perca e nem consiga entender aquilo que você está querendo dizer no meio de tantas pérolas.

      Em segundo lugar, se é que deu para decifrar um pouco dos seus “argumentos”, você disse que a Bíblia Ortodoxa é a correta por ser “a mais velha”. Onde você viu isso? E outra: de qual Bíblia Ortodoxa você está falando? Da Igreja Etíope, que tem adicionado o “Livro dos Jubileus”, o “Livro de Enoque” e 4ª Baruque? Da Igreja Ortodoxa Siríaca, que excluiu o livro de 2ª Pedro, 2ª e 3ª João, Judas e o Apocalipse? Da Igreja Ortodoxa Russa, que a partir do século XVII também retirou os “deuterocanônicos” do AT de suas Bíblias? Veja que, dependendo de QUAL das igrejas “ortodoxas” que você se refere, a coisa inverte completamente, algumas tem livros que outras não têm e outras têm menos livros do que a dos romanos!

      E, em terceiro lugar, ter mais livros nunca foi critério para ser considerada a Bíblia mais completa. Bíblia completa não é a que tem mais livros, mas sim a que tem a totalidade dos livros canônicos. Se a Igreja Ortodoxa adicionou livros não-canônicos, ela não está “mais completa”, ela está ADICIONANDO às Escrituras livros que não deveriam ser acrescentados. É interessante que você cita de maneira indireta a passagem que afirma para não tirar livros, mas você se esquece que naquela mesma passagem está escrito para não acrescentar nada além do devido:

      “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes ACRESCENTAR alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:18)

      Então, eu não sei se eu chamo isso de ingenuidade ou de desonestidade. E, em quarto lugar, se Deus “ficou calado” no sentido de não ter acrescentado mais nenhum livro à Bíblia durante os últimos 1900 anos na era da Igreja (NT), então por que raios ele não poderia fazer o mesmo com o povo de Israel por 400 anos, que é um tempo bem menor?

      Meu caro, estude bem antes de postar bobagens aqui. Não apenas estude teologia (o que é necessário), mas gramática também, alfabetização correta aumenta o nível dos seus argumentos e o impede de formular tantas pérolas dentro de um texto tão curto.

      Que Deus o abençoe.

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    2. Lucas,

      Só uma dúvida: esse trecho de Apocalipse não se refere a esse livro especificamente? Se não, como ter certeza que se refere a toda bíblia?

      Matheus

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    3. Olá, Matheus, esse trecho se refere ao Apocalipse sim, mas eu o usei porque meu interlocutor fez uso implícito dessa mesma passagem para afirmar que não se pode tirar livros da Bíblia. O que eu expus, então, é que por essa mesma lógica (daquele mesmo texto que ele usou) também é proibido INCLUIR livros nela, pois o texto de João não diz apenas sobre tirar algo, mas também sobre ACRESCENTAR algo. E, embora o texto de Apocalipse se refira ao Apocalipse, o PRINCÍPIO vale para todos. Paulo, por exemplo, fez o mesmo ao declarar aos gálatas para que eles não fossem além do ensino já recebido:

      "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gálatas 1:8-9)

      Deus faz o mesmo em Deuteronômio, dizendo:

      "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Deuteronômio 12:32)

      Portanto, o PRINCÍPIO se aplica a todos os livros, conquanto que aquela passagem ESPECIFICAMENTE se refira ao Apocalipse mesmo.

      Fique com Deus.

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  4. Prezado Lucas. Poderia indicar o livro em que constam todas as citações dos Pais da Igreja?

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    1. Eu leio nos próprios escritos dos Pais, não em livros escritos por algum autor moderno com citações patrísticas. Você pode encontrar as obras dos Pais da Igreja em sites como esses:

      http://arminianismo.com/index.php/categorias/obras/patristica

      http://www.newadvent.org/fathers/

      https://www.ccel.org/fathers.html

      Abs.

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  5. existiu algum pai da igreja que considerava os apócrifos como canônicos?

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    Respostas
    1. Sim, os Pais de data posterior aos concílios de Hipona e Cartago, ou seja, os Pais do quinto século em diante, como Agostinho, tinham a tendência de inclui-los no cânon, não obstante o fato de a esmagadora maioria dos Pais tê-los rejeitado em data anterior e até mesmo numerosos doutores da Igreja em data posterior, como você pode conferir nos artigos abaixo:

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p12

      http://apologiacrista.com/desmascarando-os-livros-apocrifos-p2

      http://heresiascatolicas.blogspot.in/2015/10/lutero-retirou-sete-livros-da-biblia.html

      Abs!

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