26 de agosto de 2012

Mateus 24 favorece o preterismo?


A doutrina católica mais popular corrente nos dias de hoje com relação ao Apocalipse é a posição escatológica preterista, segundo a qual todas as tribulações que viriam sobre o mundo já teriam sido cumpridas em 70 d.C, em um evento local (e não global) entre Jerusalém e Roma.

João, então, teria escrito de forma inteiramente alegórica um livro que retrataria somente a guerra entre estes dois povos, e nada a mais que isso. Depois de 70 d.C, já não nos resta nenhuma tribulação, mas somente a volta de Jesus no fim dos tempos. Embora as evidências contra tal posição sejam esmagadoras, irei me reter neste artigo somente ao texto mais frequentemente utilizado por eles – o de Mateus 24, analisando todo o contexto, para vermos se Jesus era mesmo preterista.

Lembrando que, para os evangélicos, o que Jesus disse poderia ser figurado ou tipificado na guerra entre Jerusalém e Roma em 70 d.C, mas não se limita a ela, pois representa também uma grande tribulação que atingirá o mundo em dimensões globais no fim dos tempos. Porém, para os preteristas, tudo era somente entre aquelas duas nações e não sobrou nada para a gente. Então, eles terão que explicar como que:


*Houve guerras e rumores de guerras entre 30 e 70 d.C

“Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim” (Mateus 24:6)

Se o que Jesus estava prevendo em Mateus 24 era uma tribulação que se resumia somente a guerra entre Jerusalém em Roma em 70 d.C (e ele dizia isso em torno de 30 d.C), devemos entender que houve “guerras e rumores de guerras” neste breve espaço de tempo, entre 30 e 70 d.C. Porém, não há registros históricos de grandes guerras que abalaram as nações entre 30 e 70 d.C, isto é, entre essa declaração de Cristo e a destruição de Jerusalém.

Note que o verso seguinte explica que essas guerras seriam de “nação contra nação, e reino contra reino” (v.7). Ou seja, não seriam batalhas de menor expressão, mas coisas grandes. Isso historicamente não ocorreu neste intervalo de tempo entre 30 e 70 d.C! Mas se aplicarmos o que Cristo dizia como sendo uma referência ao fim dos tempos, essa declaração faz total sentido, visto que realmente houve muitas grandes guerras deste aquela época até os dias de hoje.


*Houve fomes e terremotos em vários lugares do mundo entre 30 e 70 d.C

“Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares” (Mateus 24:7)

Sabemos que grandes terremotos já abalaram o planeta, mas não temos conhecimento de nenhum grande terremoto que tenha afetado o mundo entre 30 e 70 d.C, muito menos de “terremotos”, no plural! Lembre-se que Jesus estava dizendo que tudo isso aconteceria antes do fim (v.6), sendo somente o início das dores (v.7). Ou seja, todos estes acontecimentos seriam somente uma prévia daquilo que aconteceria na grande tribulação.

Se eles marcam a tribulação como sendo um evento para 70 d.C, então todos estes acontecimentos (incluindo as guerras e os terremotos) deveriam acontecer antes desta data, e depois do tempo em que Jesus dizia essas coisas. É evidente que nenhum grande terremoto abalou a terra entre 30 e 70 d.C, pois João nos diz no Apocalipse que “houve um forte terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto” (Ap.16:18).

É evidente que um terremoto tão grande assim – de magnitude enorme, o maior que já aconteceu na história da humanidade – não aconteceu entre 30 e 70 d.C, pois obviamente teríamos registros históricos de tal coisa tão impressionante.Mas, se aplicarmos o que Cristo dizia como sendo uma referência ao fim dos tempos, essa declaração faz total sentido, visto que realmente houve muitos grandes terremotos desde aquela época até os dias de hoje.


*Muitos falsos profetas surgiram entre 30 e 70 d.C

“Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos” (Mateus 24:24)

Sabemos que muitos falsos profetas têm surgido nestes últimos dias, incluindo muitos que se dizem ser Jesus Cristo, tais como Inri Cristo, José Luis de Jesus Miranda (“Jesus Cristo Homem”) e tantos outros. Porém, não há qualquer registro histórico de que, entre 30 e 70 d.C, alguém saiu por aí dizendo ser “Cristo”, muito menos “numerosos” (v.11), e muito menos que fizessem “grandes sinais e maravilhas”(v.24).

Esse aparecimento numeroso de falsos cristos que atrairiam multidões para junto de si não se deu entre 30 e 70 d.C. Mas, se aplicarmos o que Cristo dizia como sendo uma referência ao fim dos tempos, essa declaração faz total sentido, visto que realmente houve muitos falsos cristos desde daquela época até os dias de hoje, especialmente nestes últimos tempos.


*O evangelho foi pregado em todo o mundo e em todas as nações entre 30 e 70 d.C

“E este evangelho do Reino será pregado em todo o mundo como testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14)

Sabemos que nem mesmo nos dias de hoje o mundo inteiro já foi evangelizado. Existem milhões que até hoje nunca ouviram falar de Jesus. Se isso ocorre em pleno século XXI, com toda a globalização, informatização e tecnologia disponível, e ainda mais contando com mais de dois bilhões de cristãos espalhados pelo mundo, quanto menos entre 30 e 70 d.C, quando não existia nenhuma tecnologia de alcance, quando o evangelismo não era em massa, mas boca a boca, com caminhada que durava dias até chegar a outra cidade e começando com um grupo de apenas doze discípulos!

O fato é que, embora o empenho missionário da Igreja primitiva tenha sido grande, não houve uma evangelização global de todas as pessoas, senão Jesus já poderia perfeitamente ter voltado. Mas, se aplicarmos o que Cristo dizia como sendo uma referência ao fim dos tempos, essa declaração faz total sentido, visto que a evangelização dos povos não alcançados está avançando como nunca antes visto, com todo o apoio da tecnologia e o aumento da população evangélica no mundo, estando próximo a que, um dia, essa profecia de Cristo se cumpra completamente.


*A guerra entre Jerusalém e Roma em 70 d.C foi a maior que já existiu na história

“Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá (Mateus 24:21)

“Como nunca houve no mundo e nem jamais haverá” passa claramente a noção de que a tribulação que Jesus descrevia seria a maior batalha de todos os tempos jamais vista, nem antes, nem depois dela. O problema em dizer que essa guerra é a de Jerusalém e Roma em 70 d.C reside principalmente no fato de que esta, embora tenha sido uma guerra importante, não foi a maior que o mundo já viu.

Os gráficos abaixam demonstram claramente como que houve guerras que foram muito mais importantes, maiores e mais abrangentes do que a que houve entre Jerusalém e Roma. Vejamos, por exemplo, os números desta guerra em comparação com a 2ª Guerra Mundial:

Números
Guerra entre Jerusalém e Roma (66 - 73)
Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945)
Vítimas
1.100.000
73.000.000
Forças
300.000
110.000.000
Abrangência
Local
Mundial
Nações envolvidas
Jerusalém e Roma
Europa, Oceano Atlântico, África, Médio Oriente, Sudeste Asiático e Oceano Pacífico

Não é preciso ser um grande historiador para perceber que a guerra entre Jerusalém e Roma, há quase dois mil anos, não foi a maior que o mundo já viu ou verá. Essa foi uma guerra de proporções locais (tal como inúmeras outras ao longo da história), e não de abrangência global; não teve o número de envolvidos, de vítimas, de soldados, de feridos, de nações, de destruição, de proporção que a 2ª Guerra Mundial teve.

Vale ressaltar que a 2ª Guerra Mundial é somente um exemplo. Eu poderia passar aqui inúmeros outros casos de guerras que foram maiores do que a de 70 d.C. Sendo assim, Jesus não estava dizendo que aquela batalha local entre Jerusalém e Roma seria a maior de toda a história da humanidade (como creem os preteristas), pois existiram de fato guerras maiores que ela em todos os sentidos.

A profecia deve aplicar-se, portanto, a uma guerra de proporções globais, reservada para o fim dos tempos, como nos mostra o Apocalipse, que registra um exército de 200 milhões de soldados envolvidos nessa batalha (Ap.9:16), número jamais visto antes numa guerra em toda a história da humanidade (muito menos entre Jerusalém e Roma em 70 d.C!).


*Jesus voltou em 70 d.C

“Porque assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra no Ocidente, assim será a vinda do Filho do homem. Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres”(Mateus 24:27-28)

Notem, também, que bem no meio das descrições de Cristo acerca de eventos que antecederiam a tribulação ou que aconteceriam no meio dela, ele inclui a própria vinda do Filho do homem! Ora, sabemos que Jesus não voltou em 70 d.C, e, portanto, a referência não era algo reduzido àquela época, mas sim algo preparado para o fim dos tempos. Os versos seguintes explicam isso com ainda mais lucidez:

Imediatamente após a tribulação daqueles dias ‘o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes celestes serão abalados’. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mateus 24:29-31)

Cristo diz que “imediatamente após” a tribulação daqueles dias o sol escureceria, a lua não daria a sua luz e as estrelas cairiam do Céu. Isso aconteceu em 70 d.C? Não! Mas não termina aqui. Logo em seguida, Cristo diz que, “então” (i.e, naquele mesmo momento) o Filho do homem voltaria nas nuvens do Céu com grande poder e glória, e reunirá os eleitos dos quatro ventos.

Ora, em 70 d.C e nos anos que sucederam não houve a volta gloriosa de Jesus, nem tampouco o arrebatamento e glorificação dos crentes. Sendo assim, aquilo que Cristo dizia jamais se resumia somente a 70 d.C, mas sim ao fim dos tempos, quando Ele voltará e todos estes eventos factualmente sucederão. E Jesus disse que seria “imediatamente após a tribulação daqueles dias” (Mt.24:29), e não dois mil anos depois, como seria no caso de ele estar se referindo à guerra de 70 d.C!

Devemos crer, portanto, que, em todo o contexto de Mateus 24, Jesus estava se referindo a uma grande tribulação reservada para o fim dos dias, como nunca houve e nem jamais haverá, e imediatamente após o seu fim ele mesmo voltará para buscar a Sua Igreja e levá-la consigo.
Até lá, haverá neste tempo muitos falsos cristos, terremotos com grande magnitude, muitas guerras e rumores de guerras, e o evangelho sendo difundido em amplitude global. Tudo isso não aconteceu em 70 d.C, mas está claramente associado a um evento escatológico dos últimos dias – a grande tribulação apocalíptica.

Só os próprios preteristas que não conseguem enxergar o óbvio em Mateus 24.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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11 comentários:

  1. Preteristas católicos realmente falham ao desassociar a vinda final de Cristo da destruição de Israel apóstata em 70 d.C. “Ambos” são eventos paralelos ou sinônimos. Da mesma forma, você falha em não reconhecer muito da linguagem profética e da revelação progressiva da Bíblia. Podemos ver que todas as coisas preditas por Jesus estavam acontecendo naqueles dias. Repare que Jesus afirmou que quando seus discípulos vissem “todas as coisas”, eles saberiam que ele estava próximo, às portas.
    Aprendei da figueira esta parábola: quando o seu ramo se torna tenro e as suas folhas começam a brotar, sabeis que o verão está próximo. Da mesma forma também vós, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. (Mateus 24:32-33)

    Alguns anos depois, ao escrever para as doze tribos da Dispersão, Tiago faz uma declaração que simplesmente prova que eles estavam vendo todas aquelas coisas.

    Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis, irmãos, uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta. (Tiago 5:8-9)

    O raciocínio é simples:

    - Jesus disse que Seus discípulos saberiam que Ele estava próximo, às portas, quando eles vissem “todas essas coisas” (Mt. 24:32-33);
    - Tiago afirmou que Jesus estava próximo, às portas (Tiago 5:8-9);
    - Portanto, Tiago viu todas aquelas coisas.

    A questão é: Tiago estava mentindo?

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    1. Olá, Paulo Tiago.

      Creio que você deve ter lido o início do meu artigo, onde eu escrevo com todas as letras que: "o que Jesus disse poderia ser figurado ou tipificado na guerra entre Jerusalém e Roma em 70 d.C, mas não se limita a ela".

      Em outras palavras, aquilo que ocorreu entre Jerusalém e Roma em 70 d.C foi uma TIPOLOGIA (repito: tipologia!) daquilo que ocorrerá em amplitude global no fim dos tempos. Por isso que Jesus disse aos discípulos que eles veriam aquelas coisas acontecendo, pois seria uma tipologia da grande tribulação, que seria a maior que a humanidade já viu (Mt.24:21). Você acha que a guerra local entre Roma e Jerusalém em 70 d.C foi a maior que já existiu na História? Você acha que cumpre a descrição de Cristo, que disse:

      “Porque haverá então grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá” (Mateus 24:21)

      Desculpe-me, mas eu não! Um simples estudo básico na História e vemos que não foi nem de longe a maior que já tinha existido, muito menos a maior da história futura.

      Quanto ao mais, se a sua pretenção é usar aquilo que Cristo disse em Mateus 24:32-33 como "prova" de que os discípulos estariam vivos em 70 d.C vendo a guerra entre Jerusalém e Roma, sinto-lhe informar, mas a grande maioria dos discípulos (à exceção de João) já haviam sido martirizados ANTES de 70 d.C! Então como é que eles "veriam" aquelas coisas acontecendo? Do Céu?

      É evidente que era mera tipologia (figuração) de algo que todos os discípulos de Cristo, chamados CRISTÃOS, iriam presenciar no fim dos tempos. Aquilo que Tiago disse (sobre Jesus estar às portas) se aplica no mesmo contexto. Jesus voltou em 70 d.C? Não, mas a guerra de 70 d.C foi uma prefiguração de algo maior que viria no fim dos tempos.

      Estude a história da Igreja e veja Irineu de Lyon, Jerônimo, Eusébio e tantos outros Pais da Igreja que disseram que João escreveu em 95 d.C. Como foi que ele escreveu uma profecia futura sobre acontecimentos passados? Essa é você que tem que me explicar!

      Não vou me alongar e nem repetir aquilo que já foi explanado. Creio que todas as suas indagações se refutam muito bem quando se faz a correta distinção entre tipo e realidade, entre figura e cumprimento. Se não fizermos esta distinção, estaremos incorrendo no mesmo equívoco já abordado no artigo, o qual você mesmo comenta que é falho por "desassociar a vinda final de Cristo da destruição de Israel".

      Um abraço e que Deus lhe abençoe.

      Por Cristo e por Seu Reino,
      Lucas Banzoli.

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    2. Você disse: "Quanto ao mais, se a sua pretenção é usar aquilo que Cristo disse em Mateus 24:32-33 como "prova" de que os discípulos estariam vivos em 70 d.C vendo a guerra entre Jerusalém e Roma, sinto-lhe informar, mas a grande maioria dos discípulos (à exceção de João) já haviam sido martirizados ANTES de 70 d.C! Então como é que eles "veriam" aquelas coisas acontecendo? Do Céu?"

      Meu objetivo era mostrar que o sinal “guerras e rumores de guerras” foi de fato visto pelos apóstolos. Permita-me aprimorar meu raciocínio:

      - Jesus disse que Seus discípulos saberiam que Ele estava próximo, às portas, quando eles vissem “todas
      essas coisas” (Mt. 24:32-33);
      - “Guerras e rumores de guerras” (Mt. 24:6) fazem parte de “todas essas coisas” que os discípulos precisariam ver para saberem que ele estava próximo, às portas;
      - Tiago afirmou que Jesus estava próximo, às portas (Tiago 5:8-9);
      - Portanto, Tiago viu “todas essas coisas” de Mt. 24:32-33.

      Você disse: "Estude a história da Igreja e veja Irineu de Lyon, Jerônimo, Eusébio e tantos outros Pais da Igreja que disseram que João escreveu em 95 d.C. Como foi que ele escreveu uma profecia futura sobre acontecimentos passados? Essa é você que tem que me explicar!"

      Não devemos aceitar o testemunho dos pais da igreja em detrimento da fé nas escrituras, nas palavras de Jesus e dos apóstolos. Eles não eram infalíveis. Apocalipse fala de coisas que aconteceriam em breve (Ap. 1:1-3) e nenhum evento pós-95 dC preenche estes requisitos da profecia. Veja que João recebeu ordem para NÃO SELAR A PROFECIA porque o tempo estava próximo (Ap. 22:10), enquanto que Daniel, sobre as 2.300 tardes e manhãs (1.150 dias, interpretação mais popular) recebeu ordem para SELAR A PROFECIA (Daniel 8:26) por que se tratava de DIAS MUI DISTANTES. Você pode me explicar por que uma profecia selada e para dias mui distantes se cumpre em 1.150 DIAS e uma profecia NÃO SELADA porque o tempo está PRÓXIMO demora mais de 2.000 ANOS para se realizar? Será que Deus falhou na matemática?

      Grande abraço e até a próxima.

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    3. Olá, Paulo Tiago. Vou lhe responder resumida e sinteticamente, pois estou com falta de tempo, e não quero que este debate se torne um “jornal”. Sobre o testemunho dos Pais da Igreja, eu concordo plenamente com você, que disse que não devemos aceitar testemunhos dos Pais quando são contrários às Escrituras; porém, você há de aceitar que todo o legado histórico que conservamos da História da Igreja vem em grande parte através dos escritos dos primeiros Pais.

      Negar isso não é apenas negar a História da Igreja, como também seria o mesmo que anular ou desvalorizar todo o trabalho de eruditos que até hoje tem dedicado o seu tempo lendo e escrevendo sobre os trabalhos dos Pais e sobre a História Eclesiástica. Se você já leu algum livro de História da Igreja, você deve concordar que a história é importante.

      Grande parte do conteúdo deste blog é de doutrinas pregadas pelos Pais da Igreja. Você acha todos eles inúteis? É por pensamento como esses que os católicos usam e abusam dos escritos dos Pais, enquanto a maioria dos evangélicos ficam de mãos atadas, deixando o povo pensar que não vivemos da História, ou que a História da Igreja não corrobora com as doutrinas evangélicas e da Reforma. Ainda que você possa não concordar com o legado doutrinário dos Pais, pelo menos tem que concordar com o legado histórico.

      Como é que você sabe que foi Mateus quem escreveu Mateus, Marcos quem escreveu Marcos, Lucas quem escreveu Lucas e João quem escreveu João? Por acaso está escrito na Bíblia o nome de quem escreveu estes evangelhos? Não! Mas você crê por causa do testemunho dos Pais da Igreja a este respeito. Da mesma forma, não está escrito na Bíblia o número de livros que ela possui. Mas como você sabe disso? A resposta caiu do Céu? Não, mas os Pais da Igreja foram cuidadosamente guiados pelo Espírito Santo para reconhecerem o cânon neotestamentário aprovado por Deus para a Sua Igreja.

      Poderia dar inúmeros exemplos aqui e passar o dia inteiro com estes exemplos, mas creio que o que já foi dito seja o suficiente para demonstrar o legado importante e incontestável dos Pais da Igreja. Por isso, não creio que os Pais do século II – que conviveram tão de perto com a data do Apocalipse – iriam se enganar assim tão fácil. Não creio que Irineu iria dizer que o Apocalipse fora escrito “há pouco tempo, quase em nossa geração”, se isso fosse puramente uma mentira. Se quiser ver mais testemunhos sobre a data do Apocalipse nos primeiros Pais, sugiro a leitura deste meu artigo sobre o tema, em meu outro site:

      http://www.apologiacrista.com/index.php?pagina=1087152643

      Você também me perguntou onde que Jesus e os apóstolos trataram a tribulação como um acontecimento futuro, para o fim dos tempos. Ora, o artigo inteiro eu passei demonstrando isso, por inúmeros meios. Sobre a destruição de Jerusalém ser tipológica e envolver aspectos da destruição do templo em 70 d.C, isso vem do próprio discurso de Cristo, que mistura acontecimentos da destruição de Jerusalém, da grande tribulação e da volta de Jesus. Lembre-se que a pergunta que foi feita a Cristo foi em forma tripartida:

      “Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?” (Mateus 24:3)

      Note que foram três perguntas feitas a Jesus:

      1. Quando aconteceria a destruição do templo.

      2. Quais seriam os sinais da vinda de Jesus.

      3. Como seria o fim dos tempos.

      A resposta de Jesus, portanto, como não poderia ser diferente, mistura estes três elementos, pois estas três questões foram levantadas para o Mestre. Por isso vemos citações sobre a destruição de Jerusalém, junto a outras citações que não se encontram na descrição histórica da destruição desta cidade em torno de 70 d.C.

      (...)

      Excluir
    4. Você citou exemplos de algumas passagens bíblicas que dizem que um grande mal foi feito a Jerusalém, como nunca antes. Porém, tal passagem não está se referindo a uma catástrofe de ordem material, mas de ordem moral. O povo de Jerusalém estava se desviando dos princípios da Palavra de Deus, e estava pagando por seus atos. A disciplina que eles estavam sofrendo era muito mais de ordem moral do que qualquer referência a uma catástrofe semelhante a uma grande tribulação apocalíptica. Portanto, creio que o texto que você citou não se aplica no sentido que o próprio apóstolo aborda em seu livro.

      Ademais, que a tribulação é de ordem global, isso fica claro na descrição de João:

      “Visto que você guardou a minha palavra de exortação à perseverança, eu também o guardarei da hora da provação que está para vir SOBRE O MUNDO INTEIRO, para pôr à prova os que habitam na terra” (Apocalipse 3;10)

      Qual seria a necessidade de falar “sobre o mundo INTEIRO” se a tribulação seria meramente de um âmbito local? Não faz sentido algum. Negar a objetividade deste texto é ir frontalmente contra a exegese, pois significa negar o óbvio de um texto bíblico. Se eu fizesse o mesmo com você não haveria debates.

      Sobre Jesus já ter voltado, isso é um engano. Note que a vinda de Cristo descrita em Mateus 24 não refere-se a uma vinda para exercer juízo somente, mas a uma vinda em glória e poder. Vejamos o que o próprio Cristo disse a este respeito:

      “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mateus 24:30-31)

      Note que essa vinda do Filho do homem implica em:

      1. Todas as nações da terra veriam Jesus vindo sobre as nuvens do Céu. Porém, ainda se tirarmos toda a literalidade do texto e ficássemos somente com uma interpretação alegórica, no máximo seria um sinal para duas nações (Roma e Jerusalém), e não para “todas as nações da terra”, como o texto diz claramente. A guerra de 70 d.C não foi um juízo para todas as nações da terra, precisamente porque muitas delas nem sequer estavam guerreando coisa alguma.

      2. Com grande poder e glória. É uma vinda gloriosa, não uma vinda de juízo somente. Isso inclui sons de trombeta, como o verso 31 aponta claramente. Lembre-se que Paulo associa o som de trombeta na volta de Jesus à glorificação dos crentes e ao arrebatamento da Igreja. Porém, nem uma coisa nem outra ocorreram em 70 d.C.

      3. A reunião dos eleitos das quatro extremidades do Céu. Isso também não ocorreu em 70 d.C. Os que estavam em uma extremidade continuaram lá, e os que estavam em outra também. Não ocorreu a reunião de todos os crentes com Jesus Cristo. O texto trata-se obviamente de um evento global futuro, e não de algo ocorrido particularmente em 70 d.C.

      Os textos que você citou não servem de apoio para a sua tese. Os “meus consagrados” de Isaías 13 são uma referência a um exército terrestre (possivelmente os medo-persas), e não a um celestial, de santos e santas.

      Sobre as guerras e rumores de guerras, o que eu lhe pedi, na verdade, foi mostrar na História QUANDO É QUE HOUVE GUERRAS ENTRE 30 E 70 DC que abalaram “as nações” (no plural). É notório que o período entre 30 e 70 d.C foi relativamente sem guerras entre as grandes nações da época. Mas, se a referência a “guerras e rumores de guerras” se aplica no contexto entre a declaração de Cristo em Mateus 24 e a destruição do templo em 70 d.C, então cabe a você me mostrar quais foram essas várias “guerras” que ocorreram neste período de tempo! Você tem ao seu dispor fontes bíblicas, eclesiásticas e até mesmo seculares à sua disposição. Se não conseguir apontar essas guerras, é porque realmente Jesus estava apontando um período bem futuro, e não tão breve como os preteristas pensam.

      (...)

      Excluir
    5. Sobre os seus argumentos finais, sim, a tribulação seria “em breve”, assim como a volta de Jesus também é descrita como sendo “em breve”. Isso significa que Jesus já voltou? É claro que não. Este “em breve” também toma biblicamente o sentido de “repentinamente”. Basta ver no original grego. Recomendo, para isso, a leitura do blog “A Grande Cidade”, do grande apologista Alon, que é um grande entendedor do assunto:

      http://agrandecidade.com/

      Sobre a profecia de Daniel, muitos creem que ela só se consumará no final dos tempos. Isso é OUTRA discussão escatológica, a qual eu não pretendo entrar aqui. Mas o fato de João ter ou não selado a profecia isso é um problema dele, que simplesmente seguiu as ordens de Deus a este respeito. E se Ele quis agir de uma maneira com Daniel, e de outra com João? Nem eu nem você podemos provar o contrário. Só Ele que sabe.

      Ademais, Pedro afirma que, para Deus, um dia tem mil anos, e mil anos tem um dia (2Pe.3:8). Limitar Deus ou as Suas profecias dentro do prisma humano e do espaço de tempo Chronos é no mínimo destruir toda a teologia. Deus provavelmente alertou João esta maneira para que a Igreja estivesse em alerta desde o primeiro momento. Se Deus dissesse que as profecias estavam longe de se cumprir e o tempo estava distante, a Igreja poderia relaxar e não realizar a obra como deveria, se desligando do fato de que a questão do tempo é relativa e que Jesus voltaria a QUALQUER MOMENTO, como um ladrão.

      Outrossim, vale ressaltar que, embora Deus saiba o dia da Sua Vinda, esse dia nunca esteve fixado, como no caso da profecia de Daniel. O dia da volta de Jesus é assemelhado aos dias de Noé. Quando veio o Dilúvio? Quando Noé terminou de construir a arca. Quando voltará Jesus? Quando a Igreja terminar a Sua missão na terra. Se a Igreja tivesse terminado já naquela época, a profecia seria, sim, para tempos breves.

      Por este aspecto humano, temporal e relativo, João não poderia ter escrito que seria “em breve”, nem mesmo se tratando em termos humanos, pois, diferentemente das profecias de Daniel, que tinham data e tempo fixo para acontecer, a de João não tem uma data fixa, pois esta depende da rapidez e agilidade da Igreja em cumprir o seu papel como Igreja. Por isso, a vinda de Cristo e a tribulação podem ser “em breve”, ou “a qualquer momento”, “repentinamente”, “como um ladrão”.

      Respondi bem resumidamente naquilo que foi exposto acima, e me perdoe pelos possíveis erros ortográficos ou gramaticais. Creio que o mais importante na teologia não é o preterismo, e reconheço que existem irmãos evangélicos que adotam linhas diferentes da minha. Eu sou futurista e pós-tribulacionista; mas existem pré-tribulacionistas e preteristas (como você). Respeito ambos os grupos.

      Por isso, acho sem muita razão debater com um outro evangélico sobre este tema, o que muitas vezes pode levar à divisão ou à desunião, o que é exatamente aquilo que os católicos pretendem. Podemos continuar debatendo naturalmente, mas creio que, na medida em que vemos que ambos os lados já expuseram todos os argumentos, podemos fechar este debate e deixarmos a decisão de escolha para o público, senão o que irá sobrar não serão mais argumentos, mas somente um tentando empurrar e forçar o outro a admitir esta ou aquela tese.

      Fique com Deus e que Ele te abençoe!

      Por Cristo e por Seu Reino,
      Lucas Banzoli.

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    6. Apenas um adendo:

      Ontem eu escrevi com muito sono e muitas coisas passaram despercebidas por mim. Relendo o texto agora e vendo o seu argumento sobre as 2300 tardes e manhãs, que você diz que se refere à 1150 dias, vejamos:

      *1150 dias é o equivalente a 3 anos e 2 meses.

      *Deus mandou Daniel selar a profecia, pois 3 anos e 2 meses seria um tanto distante.

      *Porém, a maioria dos preteristas colocam o livro de Apocalipse entre os anos 63-64 d.C.

      *De 63-64 d.C até 70 d.C, com a destruição de Jerusalém, temos aproximadamente de 6 a 7 anos desde o término do livro de João até a explosão da guerra, que você diz ser a “tribulação apocalíptica”.

      *Então, de QUALQUER FORMA (ou seja, mesmo tomando as cronologias preteristas para o livro de Apocalipse) as profecias de João estariam MAIS DISTANTES de se cumprirem do que as de Daniel. Ou seja, pelo critério que você analisou acima, não apenas anula a minha interpretação, mas a sua também! A não ser que você discorde de absolutamente todos os maiores preteristas que enquadram o Apocalipse entre 63-64 d.C, e assim você estaria entrando em contradição não somente com os Pais da Igreja que colocam o Apocalipse em 95 d.C, como também com os próprios preteristas que você se apoia. E, se você não se apoia nem nos historiadores da Igreja, nem nos Pais da Igreja e nem nos eruditos preteristas, estará se apoiando no que? Em seus próprios achismos.

      Além disso, vale a pena também ressaltar:

      *As profecias do Apocalipse também abrangem:

      -A ressurreição dos mortos, que ocorre no último dia.
      -A volta de Jesus.
      -A Jerusalém Celestial.
      -O aprisionamento de Satanás.
      -O milênio e o reinado de paz.
      -A eternidade com Deus.
      -A criação de novos céus e nova terra.
      -As bodas do Cordeiro que sucedem a tribulação.

      Pergunto: TODAS essas coisas já aconteceram? É claro que não. Muitas delas (como a ressurreição dos mortos) os próprios preteristas admitem que estão reservadas para o fim dos tempos. A maioria dos preteristas enquadra os últimos três capítulos do Apocalipse como eventos futuros. Sendo assim, o seu argumento também se demonstra falho quando tomamos em mente a ABRANGÊNCIA das profecias de João, que vai muito além de se reservar somente às tribulações, mas vai além delas, para eventos que não aconteceram ainda.

      Portanto, de nenhum modo o argumento de que João não selou o livro demonstra a iminência do cumprimento de todas as profecias descritas no livro, uma vez tendo em mente que uma boa parte dessas profecias ainda está reservada para o fim dos tempos, e não aconteceu nem na época de João e nem nos dias de hoje, e isso confirmado pelos próprios preteristas.

      Que Deus lhe abençoe.

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    7. Olá, Paulo Tiago. Uma última observação: escrevi um artigo examinando com mais precisão o seu argumento de que a volta de Jesus ocorreu em forma de juízo sobre os judeus em 70 d.C. Se encontra neste link:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/09/jesus-ja-voltou-e-como-ficam-os_4.html

      Se quiser comentar, fique a vontade.

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    8. Paz de Cristo meu irmão!!!
      Venho estudando seus comentários! E acompanhei,hoje,os comentários do Paulo e voce! Ha um momento em que voce sugere o fim do debate entre voces e qu o público decida por si só a quem seguir ou dá a razão mediante à Palavra Poderosa e perfeita do Senhor!
      Sou evangélico,sai da católica,e por estudar a própria biblia Católica vi as fazetas,enganos e erros dela (Católica=Roma)...Confesso que aprendi muito com voce! E analizei atentamente os comentários do Paulo Tiago e; se foi claro para mim identificar os erros nos comentários do Paulo Tiago acredito que realmente seus pontos de vistas conferem sim com o sentido das profecias de Jesus!
      Ao acompanhar o debate entre voces dois,,confesso que eu estava livre a dá atenção aos dois,mas ao comprovar com a biblia,a história,a lógica,e o dia a dia,apoiei sua linha de raciocíno,pois é claro a Palavra!!
      Outro ponto que me chamou a atenção é um simples detalhe,,a cada término de comentário voce,em nome de DEus Pai,abençoa o Paulo,,,ja ele nao! POis é,,nesse simmmmmmmmmmmmmmples detalhe,percebe-se que seu coração estava disposto à mostrar a Verdade que salva,,enquanto ele,só queria contestar A Palavra de Deus,para nao aceita-la,e se Luiz Algazas é inpirado por satanás(palavras minhas) pra mentir,,,outros também serão!!!mas dançou!!!
      Lucas ,,que Deus te abençoe irmão! Que sua iteligencia,para honra e glória do Senhor,esteja sempre à disposição do evangelho que salva!!! E é isso ai,,Jesus virá ,,agora sim,,está pertinho!!! abraços!

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    9. Olá, Carlos, a paz de Cristo! Agradeço as suas palavras, o Paulo Tiago é alguém extremamente educado e inteligente, e isso melhora muito o nível do debate. Há um link de debate entre nós dois de forma mais aprofundada, você pode conferir aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/12/debate-sobre-o-preterismo-lucas-banzoli.html

      Que Deus lhe abençoe!

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    10. Paz irmão Lucas.

      Eu reli meu primeiro comentário que fiz,,e vi que nao fui claro devido ao que escrevi diante o que pensava no momento.Acredito que algumas coisas me expressei mal. Entre aspas estará o que escrevi anteriormente,e rapidamente quero retificar ok? ""....E analizei atentamente os comentários do Paulo Tiago e FOI claro para mim identificar os erros nos comentários do Paulo Tiago, acredito que realmente "SEUS"(eu quis dizer os pontos de LUCAS) pontos de vistas conferem sim com o sentido das profecias de Jesus!""
      outro ponto que quero retificar..""...mas ao comprovar com a biblia,a história,a lógica,e o dia a dia,apoiei SUA(me refiro à linha de pensamento do LUCAS) linha de raciocíno,pois é claro na Palavra!! ""...
      oK? Desculpe os meus erros de portugues!!!
      JESUS estápra chear ainda!! Estou contigo irmão!!
      Deus te abençoe,,e qdo ELE voltar,nos veremos la no céu,,com ELE! Abraços!

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