9 de setembro de 2012

Breve resumo de heresias católicas - Parte 5


XXI – Prostrar-se diante de imagens

Milhões de católicos, em todas as partes do mundo e em todos os momentos da história, prostram-se diante de imagens esculpidas. Seria esta prática correta? Cremos que não. Primeiro, porque ela nunca aparece em nenhum lugar da Bíblia, nem no Antigo e nem no Novo Testamento[1]. O máximo que lemos são de pessoas no AT que se prostravam diante de homens, e não de imagens, pois era uma forma de reverência típica da cultura judaica daquela época, assim como o aperto na mão é nos dias de hoje.

Porém, no NT vemos que até isso passou a ser condenado, especialmente quando o ato deixa de ser uma simples reverência e passa a ser uma prestação de culto e veneração. Foi por isso que Pedro rejeitou que Cornélio de prostrasse diante dele (At.10:25,26), dizendo: “levante-se, pois sou homem como você” (At.10:26). Cornélio era um homem “justo e temente a Deus” (At.10:22), e, portanto não estava querendo praticar um ato idólatra. Ele pensava que aquilo seria simples veneração, mas até isso foi condenado por Pedro como sendo adoração (At.10:25).

No Apocalipse, vemos que o anjo não permitiu que João se prostrasse diante dele (Ap.19:10; Ap.22:9), mas disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Ap.22:9). Sabemos que João não era idólatra, era puramente monoteísta e temente a Deus. Porém, tal ato foi considerado idolatria pelo anjo, que disse para adorar somente a Deus (Ap.22:9). Se o próprio apóstolo amado João foi proibido de se prostrar diante de um anjo, mesmo tendo boas intenções, quanto mais o povo católico, que se prostra diante de meras imagens esculpidas e lhes presta culto!

Finalmente, devemos lembrar que a proibição de Deus com relação às imagens era exatamente com vista a se prostrar diante delas: “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso” (ÊX.20:4,5). Portanto, sendo que a proibição divina estava relacionada precisamente ao ato de se prostrar diante das imagens e cultuá-las, não devemos imitar os católicos e os pagãos em seus atos de se prostrar diante daquilo que as suas mãos fizeram.

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XXII – Culto de dulia e hiperdulia

A Bíblia atesta claramente a não prestarmos qualquer tipo de culto a qualquer que seja a não ser o próprio Deus. Cristo disse: Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto” (Lc.4:8). Se Jesus fizesse a suposta “dintinção” que os católicos criaram entre dulia e latria, ele teria dito que somente o culto de latria era devido somente a Deus, mas teria aberto espaço para o “culto de dulia” a uma infinidade de santos, o que não foi o caso.

Além disso, devemos ressaltar que a alegada distinção entre ambos os termos é totalmente superficial, tanto em sentido teórico como também no aspecto prático. No aspecto teórico, vemos que “latria” deriva do grego “latreuo”, que significa “servir”. Já a palavra “dulia” vem do grego doulus e significa “servo” ou “escravo”. Assim, ambos os termos significam servir ou se escravizar a alguém. A Igreja Católica prega também a hiperdulia com relação à Maria, o que podemos entender como sendo “superescravos” de Maria. Portanto, a distinção entre dulia e latria é muito frágil e superficial para estabelecer um distinção significativa entre ambos os termos.

No campo prático, vemos que os católicos praticam latria da mesma forma que praticam dulia. Eles se prostram diante de Deus, mas também se prostram diante de imagens. Eles oram a Deus, mas também oram aos santos. Eles consideram Jesus mediador, mas declaram Maria medianeira. E eles fazem muito mais coisas com os santos que não fazem com Deus: como beijar suas imagens, ascender velas à elas, levá-las em procissão ou queimar incenso em honra a elas. Portanto, também no aspecto prático não há qualquer diferença substancial entre dulia e latria. A diferença no culto católico com relação a ambas reflete muito bem a diferença técnica dos dois termos: nenhuma.

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XXIII – Virgindade perpétua de Maria

Há várias razões para crermos que Maria teve outros filhos com José, depois do nascimento de Jesus. Primeiro, porque é nos dito que José “não a conheceu até que ela desse luz a um filho” (Mt.1:25), e não que ele “nunca a conheceu”. Segundo, porque Jesus é sempre relatado como sendo o primogênito de Maria, mas nunca como sendo o filho único dela (Mt.1:25; Lc.2:7).

Terceiro, porque há uma clara distinção no grego entre primo e irmão. A palavra grega para irmão é “adelfos”, ao passo que a palavra grega para primo é “anepsios”. Sendo assim, Paulo pôde chamar Marcos de “pirmo [anepsios] de Barnabé” (Cl.4:10), mas sempre chamou os irmãos de Jesus de adelfos (1Co.9:5; Gl.1:19).

Quarto, porque há uma palavra no grego para “parente”, que é “suggenes”, e que poderia perfeitamente ter sido usada para se referir aos irmãos de Jesus caso eles fossem apenas parentes próximos, mas ela também nunca foi usada com relação a eles, embora o evangelista Lucas a empregue quando se referiu a Isabel como sendo parente [suggenes] de Maria (Lc.1:36). Portanto, existia no grego palavra específica para irmão (adelfos), para primo (anepsios) e para parente (suggenes), mas misteriosamente apenas adelfos aparece nas inúmeras menções bíblicas aos irmãos de Jesus!

Quinto, porque a alegação romana de que Jesus tivesse quatro “primos” e que dois deles eram seus discípulos não sucede, visto que em diversas citações bíblicas os irmãos do Senhor são colocados em um grupo totalmente a parte dos seus discípulos (Jo. 7:3-5; Mc.3:13-31). Sexto, porque a Bíblia diz que os seus irmãos não acreditavam nele (Mc.3:21; Jo.7:5), mas os seus discípulos acreditavam (Jo.6:69). Sendo assim, é incorreto afirmar que metade dos seus irmãos eram seus discípulos, pois há claras distinções marcantes entre um grupo e outro.

Para ler mais sobre os irmãos de Jesus e a virgindade perpétua de Maria, clique aqui.


XXIV – Maternidade espiritual de Maria

O catecismo católico declara a "maternidade espiritual de Maria, que se estende a todos os homens que Ele veio salvar"[2]. Porém, há várias razões para crermos que nenhum apóstolo jamais pregou a maternidade universal de Maria. Primeiro, porque a própria Maria passa despercebida pelas epístolas apostólicas doutrinárias, que abrangem todas as 13 epístolas de Paulo, a epístola aos Hebreus, as duas cartas de Pedro, as três de João, a de Tiago e a de Judas. Se eles nem sequer mencionaram Maria em seus escritos, quando menos pregaram a maternidade espiritual de Maria aos seus leitores.

Segundo, porque a passagem utilizada pelo catecismo para justificar essa tese basea-se em um texto que é dirigido a um só apóstolo em particular, e não a todos os cristãos de todas as eras da humanidade. De fato, Cristo entregou a sua mãe aos cuidados de João (Jo.19:26,27), mas não disse que ele era um representante de todos os crentes, não disse que aquilo era uma espécie de tipologia espiritual nem falou que estavam implicitamente incluídos todos os membros da Igreja.

De fato, interpretar a Bíblia com essa ótica católica deturpada serviria de base e pretexto para amputarmos toda a hermenêutica bíblica, podendo interpretar ao nosso bel prazer toda e qualquer passagem bíblica da forma que desejássemos. Isso é eisegese, e não exegese.

Terceiro, o próprio papa João Paulo II negou que o texto de João 19:27 sirva de base para a maternidade espiritual e universal de Maria, pois ele disse que "Jesus, na cruz, não proclamou formalmente a Maternidade Universal de Maria, mas instaurou uma relação materna, consagrada entre Ela e o discípulo preferido”[3][4].

Quarto, há duas mulheres que a Bíblia relata como sendo espiritualmente "mãe" dos crentes. Uma delas é Sara, de quem Pedro diz que "dela vocês serão filhas, se praticarem o bem e não derem lugar ao medo" (1Pe.3:6). Pedro fala que as mulheres tementes a Deus eram espiritualmente filhas de Sara, e não de Maria! Ele preferiu usar como exemplo de submissão e obediência a Deus a pessoa de Sara do que Maria. Portanto, se Pedro escolheu Sara para ser exemplo espiritual ("mãe" nesse sentido), por que os católicos teimam em mudar a passagem e aplicá-la a Maria?

A segunda pessoa que Paulo relata como sendo nossa "mãe" é Eva, de quem ele diz: "porquanto era a mãe de todos os viventes" (Gn.3:20). Portanto, embora fosse comum os apóstolos darem exemplos de "mães" espirituais, nenhum deles acabou se lembrando de Maria neste sentido.

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XXV - Os papas são santos

Esse mito se propagou com tamanha intensidade que nos dias de hoje chamam o papa de "Santo Padre". Mas será mesmo que os papas que reinaram em Roma ao longo da história podem ser considerados "santos"? Embora nem todos tenham sido imorais, uma boa parte deles passou dos limites dos próprios pagãos. Clemente VII afirmou que era "necessário acender fogueiras, matar, incendiar"[5].

O papa Pio V ordenou que os judeus fossem "despojados de suas propriedades"[6], e que deviam "tornar-se servos da Igreja Romana e sujeitar-se à servidão perpétua"[7]. Na Enciclopédia Católica Benedito IX é descrito como "uma desgraça para a Cadeira de Pedro"[8], e o bispo Benno de Piacenza acusava-o de adultérios e assassinatos. São Pedro Damião afirmou que ele "banqueteava-se na imoralidade... era um demônio do inferno disfarçado de padre"[9]. O Papa Victor III menciona "seus estupros, assassinatos e atos inconfessáveis... sua trajetória como Papa... vil, execrável, abominável, nojenta"[10].

O papa Urbano II instituiu, em 1095 d.C, o callagium, que era uma taxa anual de liberação sexual, tributo pago ao papado, que permitia aos "membros" do clero ter amantes. Em 963, o Imperador do Sacro Império Romano, Otto I (912-973, Alemanha), reuniu um conselho e fez várias acusações contra o papa João XII: sacrilégio, simonia, perjúrio, assassinato, adultério, incesto. Ele excomungou seus juízes, mas foi deposto assim mesmo.

O papado de Sergio III foi chamado de "Pornocracia"[11], com a sede do catolicismo entregue aos arbítrios das prostitutas[12]. O papa Pio II foi um conhecido autor de literatura erótica e teve 12 filhos ilegítimos, enquanto o papa Inocêncio III teve sete filhos ilegítimos e outras tantas filhas que ele reconhecia abertamente. Seu pontificado ficou conhecido como The golden Age of Bastards (Era de Ouro dos Bastardos). Portanto, em questão de ética, o mais coerente seria tirar o título de "Santo Padre" e deixar somente "Padre" (o que do jeito que está também não implica em nenhuma santidade).

Para ler mais sobre a história negra dos papas, clique aqui.

Em breve, mais heresias católicas refutadas.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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-Notas e referências bibliográficas:

[1] A única possível exceção é a arca da aliança, fato este já explicado neste artigo: http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2012/09/a-arca-da-alianca-justifica-idolatria.html

[2] Catecismo N° 501.

[3] “Osservatore Romano” 24.04.1997.


[5] M. Lachatre - Historia dos Papas, vol. 3 p. 403 - Lisboa 1895.

[6] Papa Pio V, 1567, bula Romanus Pontifex, VII, 741.

[7] ibid.

[8] Enciclopédia Católica.

[9] Liber Gomorrhianus.

[10] Papa Victor III, Dialogues.

[11] Segundo o historiador Liutprand de Cremona 922-972.

[12] Liber pontificalis ou Livro dos Papas.

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