11 de setembro de 2012

Hoje estarás comigo no Paraíso?


Percebo que uma grande quantidade de pessoas tem dificuldades na interpretação da passagem de Lucas 23:43 e o “hoje estarás comigo no Paraíso”. Portanto, creio ser útil a criação de um artigo para tratar especificamente sobre este assunto, embora de um modo mais resumido, pois o artigo completo, que se encontra neste link de meu outro site, tem mais caracteres do que o tanto que eu proponho como padrão para os artigos deste blog. Sendo assim, irei colocar aqui as partes mais importantes do meu estudo sobre esta passagem. Que Deus abençoe a todos!

LUCAS 23:43 E O “HOJE:

A maior das falsas interpretações dos verdadeiros ensinos de Cristo por parte dos defensores da doutrina da imortalidade da alma é também uma das últimas mensagens que Cristo trouxe enquanto ainda estava em vida. Segundo os dualistas, o que Jesus disse ao ladrão do lado da cruz foi que estaria naquele mesmo dia com ele no Paraíso: “Em verdade e digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc.23:43).

O que poucas pessoas sabem é que temos muitas evidências de que o ladrão, realmente, não esteve no Paraíso naquele dia. Mas como não? A Bíblia não diz claramente isso? Na verdade, não. O fato é que o original grego não tinha vírgulas, e o texto original assim reza: Kai eipen autw amhn soi legw shmeron met emou esh en tw paradeisw” (Lc.23,43).

Em primeiro lugar, é bom mencionarmos logo que a adição presente em muitas Bíblias, da palavra “QUE”, não existe nos originais. O que Jesus realmente disse ao ladrão da cruz foi: “Em verdade te digo hoje estarás comigo no Paraíso”. Como o texto original não possui vírgulas e o texto deixa em aberto a questão, poderíamos colocá-la em dois lugares diferentes, entretanto é algo que mudaria completamente o significado da frase.

Esta poderia ser: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso” (dando a entender que estaria naquele dia no Paraíso com o ladrão da cruz) ou então: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso” (ele garantia “hoje” que o ladrão estaria no Paraíso).

É algo parecido com uma rebelião em determinada cidade, que o governante comunicou a revolta ao seu superior, dizendo: “Devo fazer fogo ou poupar a cidade?”A resposta do superior foi: “Fogo não, poupe a cidade”. Infelizmente, o funcionário do correio trocou a vírgula e escreveu o seguinte na resposta do telegrama: “Fogo, não poupe a cidade”. A cidade foi totalmente destruída.

Mas como podemos saber que Jesus realmente não disse: “Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso”? Temos muitos motivos para desacreditar que o ladrão não esteve naquele mesmo dia com Cristo no Paraíso. Alguns dos principais motivos são:

Após três dias, Jesus ainda não havia subido ao Pai – Uma verdade que nos é reveladora para concluirmos que Cristo não esteve com o ladrão da cruz naquele mesmo dia no Paraíso, é o fato de que após três dias morto, Jesus ainda não havia subido ao Pai, e declarou a Maria Madalena: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai” (Jo.20:17). Ora, se Jesus ainda não havia subido ao Pai após três dias, então não poderia ter estado naquele mesmo dia com o ladrão da cruz no Paraíso!
Além disso, seria muito estranho Cristo ter subido ao Pai junto com o ladrão “em espírito”, e depois voltado ao corpo e dizer que não havia subido ao Pai. Isso seria uma mentira. O texto não diz que ele não subiu “apenas corporalmente”, o texto diz que a pessoa de Cristo, que o próprio Cristo não passou pelo Paraíso nos dias em que esteve morto. Nisso fica claro que não poderia estar junto com o ladrão da cruz naquele mesmo dia no Céu.

Ademais, a interpretação dos dualistas de que Jesus esteve no Paraíso nos dias em que esteve morto bate fortemente com qualquer senso de lógica e pelas regras do bom senso, como bem observa o prof. Azenilto Brito: “Para os imortalistas, quando Jesus declarou que não subiu para o Pai em João 20:17 Ele quis dizer — minha alma é que subiu; agora é que vou completo, corpo e alma... Conclusão absurda, para dizer o mínimo”.

É evidente que, caso Cristo tivesse subido ao Paraíso, então ele relataria isso a Maria Madalena ou, no mínimo, omitiria tal declaração tão categórica de que ele não esteve no Paraíso; passaria a dizer algo como “já subi e subirei de novo”. Infelizmente para os imortalistas, a única coisa que Cristo disse é que ainda NÃOhavia subido ao Pai, algo que não seria verdade caso o “verdadeiro eu” de Cristo já tivesse subido.

Jesus desceu, não subiu – Outro fator de clareza fundamental para concluirmos que Cristo realmente não subiu ao Pai no dia em que morreu, é o fato que, nos três dias em que Cristo esteve morto, ele esteve no Sheol, e não no Paraíso. Tal fato é relatado no livro de Atos, quando Pedro falava a respeito da ressurreição de Jesus: “Porque não deixarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.” (At.2:27).

Pedro na realidade usou a passagem do livro dos Salmos em que Davi citava tal passagem, que diz: Pois não deixarás a minha alma no Sheol, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção” (Sl.16:10). O próprio Cristo afirmou que o Hades (transliterado grego da palavra “Sheol”) fica nas regiões inferiores da terra, em oposição ao Paraíso: E tu, Cafarnaum, será elevada até ao céu? Não, você descerá até o Hades! Se os milagres que em você foram realizados tivessem sido realizados em Sodoma, ela teria permanecido até hoje” (Mt.11:23; ver também Ef.4:9; Mt.12:40).

Portanto, vemos que a alma de Cristo passou os três dias em que esteve morto no Sheol, que não é o Paraíso, muito pelo contrário, está em um local em oposição a este (Mt.11:23). O Filho do Homem estaria “três dias e três noites no coração da terra” (Mt.12:40), e não no Paraíso. Portanto, sendo que claramente Jesus esteve no Sheol (e não no Paraíso) nos dias em que esteve morto, logo ele não podia estar naquele mesmo dia com o ladrão da cruz em um lugar em que ele não passou.

O contexto – O que foi dito pelo ladrão da cruz no verso anterior a esta resposta de Cristo (no verso 42), no original grego foi: μνήσθητί = Lembra-te μου = de mim ταν = quando λθς = vierες = emτν = oβασιλείαν = Reino σου = de ti. Ou seja, “lembra-te de mim quando vieres no teu Reino”. Tal é o texto original no grego e confirmado pelas melhores versões a nossa disposição, tais como a versão Trinitariana, a Versão Italiana de G. Deodatti, a Francesa L. Segond, a Inglesa de King James, Almeida Revisada e Atualizada, entre outras.

Cristo buscava assegurar ao ladrão da cruz que não precisava pensar em termos de tempo tão remoto para ser lembrado por Ele. “Hoje lhe garanto que estarás comigo no Paraíso”, é o sentido lógico diante de tal contexto. O ladrão pediu a Jesus para lembrar-se dele no futuro quando Ele viesse no Seu Reino visível (v.42), mas Jesus respondeu o lembrando imediatamente “hoje” assegurando que estaria com Ele no Paraíso.

“Em verdade te digo hoje”, isto é, eu lembro agora mesmo, não precisa pensar em um tempo tão distante, hoje mesmo eu te digo que você estará comigo no Paraíso. Esse é o sentido lógico pelo contexto. Note que o próprio ladrão sabia que não iria ao Céu imediatamente após a morte, já que pediu para Cristo se lembrar dele “quando viesse em seu Reino”, ou seja, na segunda vinda de Cristo.

Lemos, por exemplo, em Deuteronômio 30:16 e 18 frases semelhantes à de Lucas 23:43, o que nos mostra que era comum dizer "em verdade te digo hoje", levando em consideração a sociedade judaizante da época de Cristo. De fato, a Oxford Companion Bible diz ainda em seu comentário: ‘Hoje’ concorda com ‘te digo’ para dar ênfase à solenidade da ocasião; não concorda com “estarás’”.

O ladrão pediu para ser lembrado quando “vieres no teu Reino”. Os judeus criam que a vinda do Messias acarretaria na vinda imediata do Reino em sua forma visível, com um “Cristo” político e libertador. Contudo, a vinda de Jesus trouxe o Reino em sua forma espiritual, dando-nos vitória sobre as forças das trevas.

Quando o ladrão pede para ser lembrado por Cristo “quando vieres no teu Reino”, ele traduz a sua convicção de que ele só voltaria à vida novamente quando a vinda visível do Reino de Cristo for consumada, pois é somente neste momento (da segunda vinda de Cristo, a Sua Volta Gloriosa), que os mortos serão ressuscitados. É por isso que muitos manuscritos antigos trazem: “lembra-te de mim quando vieres no teu poder real”.

O ladrão sabia que ele iria morrer, e Cristo também, e pede para ser lembrado por Ele naquele dia tão esperado em que Cristo viesse em Seu reino em sua forma visível, destruindo o poder da morte e dando vida aos mortos. É neste momento que o ladrão seria lembrado por ele, porque é somente neste momento em que os mortos ressuscitam para estar com Cristo.

Evidências Históricas – Como se tudo isso não fosse suficientemente claro, temos ainda mais fontes e evidências históricas que corroboram com o fato de que o que Cristo disse ao ladrão da cruz foi que “hoje lhe garanto que estarás comigo no Paraíso”. No texto original do grego, não existia vírgulas e, portanto, os tradutores colocam a vírgula antes do advérbio “hoje”, não por alguma razão gramatical, mas sim em decorrência das suas razões teológicas.

Mas, apesar do grego não possuir vírgulas, existiam outros idiomas na época que possuíam e nos ajudam extraordinariamente a desvendar de vez se a vírgula é antes ou depois do advérbio “hoje”. Tais documentos históricos vêm de idiomas que ou possuíam a vírgula ou puderam formular o texto de maneira em que fica mais claro qual é o sentido do verso 43.

E todos eles comprovam que, de fato, o que Jesus realmente afirmou ao ladrão da cruz foi: “Em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso”.

"Eu digo a você hoje, que Comigo tu deve está no Jardim de Éden" [Manuscritos Bc e Sy-C - Antigo Siríaco]

"E Ele disse a ele: 'Hoje Eu lhe conto a verdade, que Eu devo o ter em Paraíso Comigo’; ‘E imediatamente Ele disse a mim: Amém, amém, hoje Eu lhe falo, você estará comigo em Paraíso’” [Evangelho de Nicodemos – segundo século d.C]

“Verdadeiramente eu lhe falo hoje” [Hesichius de Jerusalem, em Patrologia Grega, Volume Noventa e Três, 1433]

“Verdadeiramente Eu lhe falo hoje” [Teofilacto em Patrologia Grega, em Patrologia Grega, Volume Cento e Vinte e Três, 1104]

A gramática – Ainda que o texto original não possua vírgulas, a forma linguística em que ele é escrito nos ajuda a desvendarmos qual é o seu real sentido na passagem em pauta. No português, quando traduzimos a frase podemos colocá-la em antes ou depois do advérbio “hoje” (como vimos acima), ambas as traduções aparentemente podem dar sentido real a frase.

Contudo, quando pegamos os manuscritos originais no grego e ponderamos em onde colocar a vírgula, tal não faz sentido se ela for colocada antes do “hoje”, como querem os imortalistas. Por quê? Simplesmente porque isso criaria um dilema de primeira ordem por falta de lógica no próprio texto.

Grande parte dos tradutores simplesmente ignoram a palavra; μο = de mim. Sem considerar esta palavra o sentido original do que foi dito se perde. Vejamos uma tradução do verso palavra por palavra:

κα
= E επεν = disse ατ = a ele μήν = amémσοι = a ti λέγω = digo σήμερον = hoje μετ᾿ = depois μο = de mim σ = serás ν = emτ = oπαραδείσ = paraíso.

A palavra μετ᾿ significa “comigo”, como também significa “depois”, se você considerar que μετ᾿ está no sentido de “comigo”. Necessariamente, temos que ignorar a palavra μο = de mim. Comigo de mim, não faz sentido algum. A vírgula não pode ficar antes de “hoje”. A vírgula deve ser colocada após o “hoje” e também após o “depois”. Considerando todas as palavras como elas são literalmente e traduzindo corretamente, o sentido original do foi dito fica muito claro:

“E disse a ele; Amém, a ti digo hoje, depois, de mim serás em o paraíso”.

Depois de todas as coisas concluídas, o ladrão com certeza absoluta será do nosso Salvador. Jesus entregou ao ladrão da cruz a promessa de que este estaria no Paraíso. ‘Hoje’ é o momento em que esta promessa lhe foi dita. Naquele momento Cristo assegurou a ele tal promessa. Mas em resposta a que foi feita a promessa?

Verso 42... μνήσθητί = Lembra-te μου = de mim
ταν = quando λθς = vierες = emτν = o βασιλείαν = Reino σου = de ti.

“Lembra-te de mim quando vier em o reino de ti”. O ladrão tinha dúvida se aquilo poderia ser possível e, por isso, seu pedido a Jesus foi que este se lembrasse dele, não quando morresse, mas quando Ele viesse em seu poder visível. Então, naquele momento, o hoje, Cristo lhe deu esta certeza. Ele lhe garantio: “depois, de mim serás em o paraíso”.

A preposição μετ indica um tempo – depois; após; além de. Depois que todas as coisas forem concluídas, quando Cristo vier na Sua Glória, o ladrão será propriedade do Senhor Jesus. Naquele momento, o ‘hoje’ do verso, o ladrão recebeu a certeza de que, no futuro, estaria com Cristo no Paraíso. μο ou μου é um pronome na primeira pessoa do singular, que não pode ser ignorado.

No grego, a pontuação não é absolutamente necessária para a compreensão textual, mas no português se você não organizar as palavras da maneira correta e usando a pontuação, o texto fica sem nenhum sentido, e ainda dá margens para más interpretações.

Portanto, vemos que:

(1) O ladrão sabia que não entraria no Paraíso naquele mesmo dia, por isso pediu para ser lembrado por Cristo somente quando na Sua Segunda Vinda.

(2) Cristo lhe assegurou naquele mesmo dia que o ladrão estaria com ele no Paraíso. O ladrão pediu a Jesus para lembrar-se dele no futuro quando Ele viesse em seu poder visível, mas Jesus respondeu lembrando a ele imediatamente, o “hoje” do verso, e garantindo que com Ele seria no Paraíso.


(3) Quando? O verso anterior responde a essa pergunta: “Quando vieres no teu Reino” (v.42)!
Essa é a conclusão fácil, clara, óbvia, inequívoca e evidente diante do contexto, dos documentos históricos, das provas bíblicas e dos fatos coerentes que nos mostram nessa passagem que o ladrão só entra no Reino na segunda vinda de Cristo, e não no momento da morte em algum estado intermediário.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


-Meus livros:

-Veja uma lista completa de livros meus clicando aqui.

- Acesse o meu canal no YouTube clicando aqui.


-Não deixe de acessar meus outros sites:
Apologia Cristã (Artigos de apologética cristã sobre doutrina e moral)
O Cristianismo em Foco (Reflexões cristãs e estudos bíblicos)
Estudando Escatologia (Estudos sobre o Apocalipse)
Desvendando a Lenda (Refutando a Imortalidade da Alma)
Ateísmo Refutado (Evidências da existência de Deus e veracidade da Bíblia)

7 comentários:

  1. Prezado Lucas Banzoli

    Boa noite

    A passagem de Lucas 23:43 não daria margem para os defensores da doutrina chamada de " uma vez salvo, salvo para sempre" afirmarem que a salvação do malfeitor que estava falando com Jesus ,teria sido assegurada e garantida pelas palavras de Jesus?
    Ou seja, Jesus garantiu a salvação dele.Será que ele naquele pouco tempo poderia ainda não perseverar em santificação?

    Um abraço e felicidades

    Luiz

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Luiz.

      Eu não creio que Lucas 23:43 sirva para sustentar a tese antibíblica de que "uma vez salvo pra sempre salvo", precisamente porque Cristo lhe assegurou essa promessa nos momentos finais da vida do ladrão. Em nenhum outro momento vemos Jesus assegurando salvação a qualquer outra pessoa que seja em toda a Escritura, mas vemos ele falando aquilo ao ladrão da cruz, porque este confiou em Cristo e porque já estava nos momentos finais de vida.

      Pouco depois da promessa que Cristo lhe fez, o próprio Senhor Jesus morreu, as pernas do crucificado foram cortadas e o ladrão possivelmente morreu de asfixia algumas horas depois.

      Portanto, se o ladrão tivesse ainda muito tempo de vida ou pudesse deixar a cruz e voltar ao pecado, creio que dificilmente Jesus lhe teria dito aquilo (como ele também não afirmou a ninguém mais), mas como o ladrão da cruz não tinha mais como voltar ao pecado e estava em seus últimos suspiros de vida, demonstrando um arrependimento genuíno antes de morrer, ele pôde lhe assegurar essa promessa da salvação.

      Portanto, eu não creio que naquele pouco tempo que lhe restava de vida ele poderia cair em pecado, é difícil pensar em como ele poderia fazer isso. A não ser que fosse pecados em pensamentos, pois ele não teria como sair da cruz, mas não creio que o simples pecar em pensamentos (embora evidentemente já seja pecado) possa por si só levar alguém à morte eterna.

      Ainda sobre o tema da graça irresistível, sugiro-lhe a leitura de um breve artigo meu em meu outro site, onde eu exponho algumas passagens bíblicas que nos deixam claro que o homem, uma vez salvo, pode perder a salvação, se não perseverar até o fim:

      http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1084263913

      Abraços!

      Excluir
  2. Lucas, desculpe encher teu saco de novo, rsrs. Mas é que me surgiu uma outra passagem que gostaria de entendê-la.

    "E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram.
    E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
    E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram."
    Apocalipse 6:9-11

    Como elas clamam por vingança (as almas)debaixo do altar se elas dormem (foram mortas)? Logo em seguida, é dito a elas que repousem.

    Obrigada mais uma vez pela atenção.
    Antes mesmo de conhecer o site eu tinha o mesmo posicionamento doutrinário acerca do estado intermediário, porém algumas passagens (como esta) me são de difícil entendimento.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá,

      A explicação desta passagem encontra-se neste artigo de meu outro site:

      http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1079461708

      Se quiser conferir mais refutações sobre outras passagens usadas pelos imortalistas, sugero-lhe esta página em que eu refuto por ordem as passagens mais famosas utilizadas por eles:

      http://apologiacrista.com/index.php?pagina=1084461433

      Sinta-se a vontade para fazer qualquer outro comentário ou tirar qualquer dúvida.

      Que Deus lhe abençoe!

      Excluir
  3. Obrigada mais uma vez, bem esclarecedor!
    Tenho sim outra dúvida.
    Onde estão nesse momento Enoque, Elias e Moisés?
    Já estão no Céu? Como se Jesus declara que ninguém havia subido aos Céus?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, me desculpe pela demora em respondê-la.

      A Bíblia atesta que Enoque e Elias foram arrebatados. O arrebatamento de Enoque aparece em Gênesis 5:24 e o de Elias aparece em 2 Reis 2:11. Quanto a Moisés, a polêmica é maior porque este morreu, e a sua morte aparece em Deuteronômio 34:5. Porém, há fortes indícios de que este reviveu (se de modo temporário ou permenente, só Deus o sabe), o que podemos deduzir do fato de que o diabo estava lutando pelo corpo de Moisés em Judas 9, e pelo fato de que Pedro propôs construir três tendas - uma para Jesus, outra para Elias e outra para Moisés (Lucas 9:33).

      Sendo que não se constrói tendas para espíritos incorpóreos, mas apenas para pessoas com corpo físico, Moisés não estava em espírito no monte da transfiguração, mas em corpo glorificado. Se essa ressurreição de Moisés foi meramente temporária (especificamente para aparecer no Monte) ou se foi permanente (estando no Céu ou se encontrando em outro lugar) isso a Bíblia não esclarece.

      Sobre o fato de Cristo ter dito que ninguém subiu aos céus, isso é meramente uma generalização. Em muitos casos bíblicos de generalizações existem exceções à regra. Por exemplo, o autor de Hebreus disse que o homem morre uma só vez (Hb.9:27), mas os que foram ressuscitados em vida morreram duas vezes. Portanto, existem casos especiais (excepcionais) de exceções a uma regra geral, e eu creio que o caso de Elias e Enoque se enquadre nessas exceções.

      O que Jesus estava falando é que em termos gerais ninguém havia subido aos céus, pois tal coisa só acontecerá na ressurreição dos mortos e o arrebatamento dos crentes. Mas, da mesma forma que existiram pessoas que ressuscitaram antes do último dia (ver Mateus 27:53), também existiram casos de pessoas que foram arrebatadas antes deste último dia, como é o caso de Elias e Enoque.

      Portanto, são casos excepcionais, e não regra. A regra básica é que ninguém vai para o Céu a não ser na ressurreição futura e arrebatamento da Igreja.

      Que Deus lhe abençoe!

      Excluir

Seu comentário será publicado após passar pela moderação. Ofensas, deboches, divulgação de páginas católicas (links) e manifestações de fanatismo não serão aceitos. Todos os tipos de perguntas educadas são bem-vindas e serão respondidas cordialmente. Caso o seu comentário ainda não tenha sido liberado dentro de 24h, é possível que ele não tenha chegado à moderação, e neste caso reenvie o comment.