7 de setembro de 2012

Maria, cheia de graça. E os outros, como ficam?


Há uma discussão muito grande no meio apologético, se Maria era “cheia de graça” ou “agraciada”. Sei que entrar na discussão sobre o original grego de Lucas 1:28 é pura perda de tempo. Ambos os lados estão armados até os dentes com argumentos que tem por base o original grego, mais especificamente com relação a uma palavrinha quase mágica, chamada “kecharitomene”. Bem, eu vou dizer aqui neste site anticatólico uma coisa que pode apavorar muitos crentes:

-Sim, eu creio que Maria é “cheia de graça”!

“Nossa, Lucas, agora você foi radical, pegou pesado, virou mariano!”, você poderia dizer. Calma. Antes que você discorde do que escrevi e me crucifique, é importante que você entenda exatamente o que estou querendo dizer:

-Eu creio que todos os cristãos (não apenas Maria) que alcançam o favor divino são cheios da graça de Deus!

Isso mesmo. Às vezes eu fico abismado em ver o bate-boca que se resume se Maria é o ou não “cheia de graça”, quando, na verdade, o ponto principal não tem nada a ver com isso, mas sim se os demais cristãos são desprovidos dessa plenitude da graça, que seria um atributo único e exclusivo de Maria.

Portanto, o que deveríamos tentar fazer é ver se, biblicamente, os demais cristãos são cheios de graça ou se tem uma “graça pela metade”, ao invés de discutirmos se Maria era ou não era cheia de graça, o que é uma discussão secundária, importante somente para os devotos marianos fanáticos.

A verdade bíblica é que todos aqueles que são preenchidos com a graça de Deus são “cheios de graça”. Não existe ninguém com uma “graça pela metade”. Deus não olha para um ser e diz:

“Puxa vida, eu não fui muito com a tua cara. Vou te dar uma ‘meia-graça’, e é bom que fique contente com isso”!

Aí ele olha pra outro e diz:

“Você é mais simpático, vou te dar 80% de graça. E se você for muito bonzinho, fizer boas obras, pagar penitência e subir as escadarias da catedral de joelhos, vai ganhar uma promoção e terá 90% de graça! Daqui a pouco você chega lá”!

Não, não, não...

Essa teologia de “muita graça” e “pouca graça” é totalmente falida, antibíblica e cheia de engano. Deus não dá uma graça “meia-boca” ou “pela metade”. Ele sempre a dá sem limitações:

Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida (João 3:34)

A Nova Versão Internacional traduz este verso da seguinte maneira:

“Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações (João 3:34)

Portanto, Deus não dá do Seu Espírito “por medida”. Ele não o dá “limitado” a alguém, que fica “somente com uma parte”. Não. Ele dá o Seu Espírito completamente. É por isso que a Bíblia sempre diz que somos cheios do Espírito Santo (At.4:8; 7:55; 13:9; 9:17; Lc.1:55; 1:67), e não incompletos do Espírito Santo, tendo apenas uma parte dEle em nós.

Acontece que com a graça divina é a mesma coisa que ocorre. Se Deus concede a nós o Seu Espírito de forma completa, de tal modo que ficamos “cheios” dele, então ele também não dá uma graça “incompleta”, pois o Espírito Santo é tão ou mais importante do que a própria graça de Deus. O Espírito Santo é uma pessoa, a graça não. O Espírito Santo é o próprio Deus, a graça é somente um favor de Deus. E, se a graça é um favor divino, o Espírito Santo é muito mais (Lc.11:13).

Sendo assim, ser “cheio do Espírito Santo” é algo tão ou mais forte e significativo do que ser “cheio de graça”. Negar isso é inferiorizar o valor e importância do Espírito Santo na vida do cristão. E o que nós vemos é que todos os cristãos são “cheios do Espírito Santo”, e não apenas Maria:

“Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: Autoridades e líderes do povo...” (Atos 4:8)

“Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou” (Lucas 1:67)

“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus de pé, à direita de Deus” (Atos 7:55)

“Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse” (Atos 13:9)

“Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor” (Atos 11:24)

“Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento” (Lucas 1:55)

“Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo (Atos 9:17)

Em outras palavras, vemos que:

1º O Espírito Santo é um favor divino tão grande quanto a graça ou até maior.

2º Todos os verdadeiros cristãos são cheios do Espírito Santo, pois Deus não dá o Seu Espírito por medida, limitamente.

3º Sendo assim, a graça de Deus (que é outro favor divino) deve seguir este mesmo caminho: ela é dada liberalmente, e não por medida!

Ora, se ser cheio do Espírito Santo é algo tão ou mais profundo do que ser cheio de graça, então este último não implica em ser imaculado ou sem pecado, pois todos aqueles que foram cheios do Espírito Santo, inclusive desde antes do nascimento (como é o caso de João Batista – Lc.1:55), pecaram.

Vemos, portanto, que o argumento católico em favor da imaculada conceição de Maria tendo como única base bíblica o polêmico texto de Lucas 1:28 é no mínimo falaciosa. Se João Batista era cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento e isso não o impediu de pecar, por que Maria deveria ser imaculada pelo simples fato de que (segundo os católicos) ela teria sido cheia de graça desde antes do nascimento? Não faz sentido, a não ser que o valor do Espírito Santo seja menor do que a graça.

O que vemos é que o argumento católico é totalmente falacioso e sem sentido. Ser cheio de graça não é ser livre de pecado, mas ser cheio de favor divino. Graça é isso: favor imerecido. Ser cheio de graça implica, não em não poder mais pecar para o resto da vida, mas sim que Deus está em seu favor, ajudando-o. Mesmo Deus sendo totalmente a favor de todos os grandes homens do povo de Deus no passado, todos eles pecaram ao mínimo uma vez na vida. Por que com Maria deveria ser diferente?

Além disso, biblicamente Maria não é a única pessoa a ser considerada “cheia de graça” por Deus. A Sagrada Escritura dá o seguinte testemunho acerca de Estêvão:

“Estêvão, homem cheio da graça e do poder de Deus, realizava grandes maravilhas e sinais entre o povo” (Atos 6:8)

Aqui vemos que Estêvão também era “cheio de graça”; portanto, tal coisa não era nem nunca foi “exclusividade” de Maria. A expressão usada aqui para Estêvão é no original grego χαριτος [charitos], que é exatamente a mesma de onde provém a palavra grega “kecharitomene”, que foi dirigida a Maria. Ambas são do verbo “charitoô”, e significam “favorecer” ou “encher de favores”. Portanto, Estêvão também era “cheio de graça” [charitos] tanto quando Maria era “cheia de graça” [charitos].

Alguns católicos argumentam que o tempo verbal para Maria em Lucas 1:28 é diferente do tempo verbal para Estêvão em Atos 6:8. Que grande descoberta! Que diferença faz? Os católicos argumentam que o tempo no particípio perfeito significa que Maria sempre foi cheia de graça, diferentemente de Estêvão, que teria recebido graça a partir daquele momento. Mas eu continuo repetindo: Eeee... daí? Isso não muda nada. Será que depois de Atos 6:8 Estêvão passou a ser “imaculado”? É claro que não.

Então, tal palavra não tem nada a ver com cometer ou não cometer pecados. Se ela foi aplicada a Estêvão e nem por isso Estêvão deixou de ser pecador nem por um instante, então mesmo se a interpretação católica estivesse correta e implicasse que Maria sempre foi cheia de graça, isso igualmente não implicaria que Maria não era pecadora.

Além disso, o verbo se encontra no particípio presente porque o anjo quis corroborar com as palavras de Isaías em Isaías 7:14, que profetizou, há muito tempo antes, que uma virgem conceberia.

Portanto, a razão do verbo no particípio presente não tem nada a ver com Maria nunca ter pecado (pois já vimos que charitos jamais implicou em não ter pecados), mas sim para indicar que a graça recebida por Maria já era algo esperado e anunciado desde há muito tempo (antes do nascimento da própria Maria), pois o próprio Deus já havia predito, muitos séculos antes, que uma virgem seria escolhida para dar a luz ao Salvador do mundo.

Prova disso é que logo em seguida, no verso 30, o mesmo verbo é aplicado no tempo presente (o mesmo que foi aplicado para Estêvão e para os demais), e não mais no particípio perfeito: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça [χαριν [charin] Acus. Sing] diante de Deus”(Lc.1:30).

Além disso, vemos, biblicamente, que todos os cristãos são cheios de graça (não apenas Maria e Estêvão), pois Paulo se referiu a todos os cristãos quando disse: “para o louvor da glória da sua graça, com a qual nos encheu de favores (ou “nos encheu de graça”, echaritôsen) no Amado” (Ef.1:6). Essa passagem de Efésios nos diz que Deus nos “encheu de graça”, e Paulo usa precisamente o mesmo verbo charitoô, apenas mudando o tempo verbal, o que obviamente não muda o significado do verbo.

Vemos também o apóstolo Paulo dizendo com respeito a todos os cristãos o seguinte:

E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra” (2ª Coríntios 9:8)

Paulo usa o termo grego “perisseuo”, que, de acordo com o léxico da Concordância de Strong, significa:

4052 περισσευω perisseuo
de 4053; TDNT - 6:58,828; v
1) exceder um número fixo previsto, ter a mais e acima de um certo número ou medida.
1a) ter em excesso, sobrar.
1b) existir ou estar à mão em abundância.
1b1) ter muito (em abundância).
1b2) algo que vem em abundância, ou que transborda, algo que cae no campo de alguém em grande medida.
1b3) contribuir para, despejar abundantemente para algo.
1c) abundar, transbordar.
1c1) ser abundantemente suprido com, ter em abundância, abundar em (algo), estar em afluência.
1c2) ser preeminente, exceder.
1c3) exceder mais que, superar.
2) fazer abundar.
2a) fornecer ricamente a alguém de modo que ele tenha em abundância.
2b) tornar abundante ou excelente.

Paulo diz que toda a graça “superabundaria” neles, que os cristãos teriam “em excesso, sobrando, em abundância” (significados de perisseuo), toda a graça, e não “uma parte dela”. Ora, se Paulo diz que todos os cristãos superabundam de toda a graça, então obviamente são cheios de graça. Não é possível alguém abundar ou exceder a totalidade de algo, sem ser cheio daquilo. “Perisseuo” não é apenas ser cheio, é ser transbordante. E Paulo diz que somos transbordantes de toda a graça! Aleluia!

Isso serve para calar todos aqueles que pensam que ser “cheio de graça” significa ser algo maior do que os outros ou ser imaculado. Todos nós somos abundantes de toda a graça de Deus, não apenas Maria. E isso não impede que nós pequemos e erremos, cometendo falhas e deslizes, pequenos e graves, como meros seres humanos mortais. Mas os católicos, é claro, preferem esconder toda a verdade de povo, para que todos idolatrem a deusa-mãe deles tendo como bode expiatório a única passagem de Lucas 1:28, como se justificasse todos os dogmas marianos!

Ora, Atos 4:33 nos diz que:

“E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça (Atos 4:33)

“Abundante graça” aqui é a tradução de “megas charis”. “Megas”, no grego, significa “numeroso, grande, abundante... coisas que excedem os limites de um ser criado” (Concordância de Strong, 3173). Portanto, uma numerosa, grande, abundante e transbordante graça envolvia cada um dos apóstolos, estando sobre todos eles abundante graça. Se isso significasse aquilo que os católicos pensam com base em sua interpretação defeituosa e tendenciosa de Lucas 1:28, então todos os apóstolos seriam “imaculados”.

Devemos crer, portanto, que todos os cristãos recebem a plenitude da graça de Deus, não só Maria.  O evangelista João nos escreveu sobre isso, dizendo:

E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça sobre graça (João 1:16)

Ele nos diz que nós recebemos graça da plenitude de Deus. Em outras palavras, os católicos que afirmam que Maria era “gratia plena” terão que acordar e perceber que todos os genuínos cristãos também tem graça plena, pois é uma graça que vem da plenitude de Deus, por isso João diz: “graça sobre graça”, representando uma graça transbordante, e não uma graça incompleta.

No original grego, João emprega a palavra “pleroma”, que significa: aquilo que enche ou com o qual algo é preenchido... plenitude, abundância”. E essa plenitude, que João diz, não é aplicada somente a Maria, mas a todos nós, como ele diz:

“E todos nós recebemos também da sua plenitude...”

E o que é que recebemos plenamente de Deus?

“...graça sobre graça”

Sendo assim, é inegável que todos os cristãos têm a plenitude da graça de Deus, e não Maria exclusivamente. Sendo assim, não se pode formular um argumento com base em Lucas 1:28 no fato de Maria ser “cheia de graça”, tendo em vista que todos os cristãos também recebem graça plenamente, e não uma graça incompleta.

Católicos, sejam sinceros: qual expressão tem mais significado e mais intensidade para vocês – “cheia de graça” ou “superabundante de graça”?

“Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos 5:20)

“E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo”
 (1ª Timóteo 1:14)

O termo “superabundou de graça”, etimologicamente falando, possui inegavelmente um significado muito mais forte do que “cheia de graça”. Se eu digo: “estou cheio de alegria por causa disso”, tal expressão será muito menos forte do que “estou superabundante de alegria”!

E, sendo que a superabundante graça de Jesus Cristo foi derramada não apenas sobre Maria, mas sobre todos os cristãos (1Tm.4:14; Rm.5:20; Jo.1:16; At.4:33; 2Co.9:8; Ef.1:6), fica claro e evidente que este termo não implica de modo algum em ser sem pecado, em ser superior a alguém ou em ser mais santo e mais pio que os demais.

Alguns católicos poderiam chegar ao final deste estudo e não ter palavras para refutar uma vírgula (como de fato não tem, nem nunca tiveram), mas vão apelar para a falsa alegação de que as Bíblias protestantes estão “mutiladas”, porque, mesmo sem favorecer em nada a doutrina católica, o texto de Lucas 1:28 deveria ser traduzido por “cheia de graça”, e não por “agraciada”. Nem vou perder meu tempo debatendo essa inutilidade, já disse que isso não faz a menor diferença.

Nem uma nem outra tradução servem de base para a mariolatria católica, nenhuma delas fornece uma base sólida para o dogma da imaculada conceição ou para qualquer outro que seja, de modo que debater sobre isso é uma questão significativa apenas para os sensacionalistas mariólogos que querem deturpar o significado do termo bíblico, fazendo pura mistificação papista em cima dele.

Porém, para que não me apareça ninguém aqui berrando e dizendo que “os protestantes adulteraram a Bíblia”, vou passar aqui uma lista de versões católicas da Bíblia que traduzem da mesma forma que as protestantes, para que os católicos me digam se elas também adulteraram o texto bíblico de forma criminosa e anticatólica:

-Bible de Jérusalem
"L`ange entra chez elle, et dit: Je te salue, toi à qui une grâce a été faite; le Seigneur est avec toi" –Lucas 1:28

-The New American Bible
"And coming to her, he said, "Hail, favored one! The Lord is with you" – Lucas 1:28

-Bíblia católica Latinoamericana 
"Alégrate tú, la Amada y Favorecida; el Señor está contigo" – Lucas 1:28

-Bíblia de Mateos-Schökel 

"Alégrate, favorecida, el Señor está contigo" – Lucas 1:28

-New Jerusalem Bible
 

"He went in and said to her, 'Rejoice, you who enjoy God's favourThe Lord is with you" – Lucas 1:28

-Bíblia do Peregrino

"O anjo entrou onde ela estava e lhe disse: Alegra-te, favorecida, o Senhor está contigo" – Lucas 1:28

-Revised Standard Version
"And he came to her and said, "Hail, O favored one, the Lord is with you!" – Lucas 1:28

-Versão Nácar-Colunga (revisão de 1960)
"E entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve agraciada; o Senhor é contigo" – Lucas 1:28

Portanto, fica evidente que as diferenças nas versões em Lucas 1:28 é questão de tradução, e não de “adulteração protestante anticatólica”, visto que muitas versões católicas traduzem da mesma forma que as traduções evangélicas. Isso vem do fato de que elas identificaram que o verbo no particípio presente não é porque Maria foi sempre alvo da graça de Deus, mas diz respeito ao anúncio feito pelo anjo, como já explanamos anteriormente, fato este ressaltado pelo contexto imediato (v.30).

Outras pensam diferente disso. Mas repito: isso é questão de tradução, e não de adulteração proposital. Se alguém aqui está mais propenso a adulterar passagens bíblicas são os católicos. Pois, enquanto nós não temos as mãos e os pés amarrados a um catecismo ou uma reza “Ave Maria” que nos obrigue a traduzir de um jeito para não entrar em contradição com essas tradições humanas, eles estão tendenciados (e até certo ponto forçados) a traduziram por “cheia de graça”, ou senão a própria reza deles e o catecismo (que repetem a forma “cheia de graça”) ficariam sem sentido.

Sendo assim, os evangélicos estão livres para traduzirem de acordo com aquilo que for o mais coerente segundo o original grego (pois tanto faz se o texto diz que Maria era cheia de graça ou agraciada, pois todos nós recebemos uma graça completa e não incompleta), enquanto os católicos estão tendenciados a se viciarem na tradução por “cheia de graça”, em razão de seus próprios dogmas.

Portanto, apelar para distorções ou adulterações nas Bíblias protestantes é um duplo tiro no pé. Primeiro, porque várias traduções católicas vertem o texto por “agraciada” ou “muito favorecida”; e, segundo, porque quem realmente está mais fadado a fazer uma tradução tendenciosa do texto bíblico são os próprios católicos, que muitas vezes se veem forçados a tal, perante a crítica católica.

Por fim, vamos listar um pouco do que vimos aqui. Eis algumas das principais razões pelas quais o dogma da imaculada conceição de Maria não se justifica com base em Lucas 1:28:

1º Porque todos os cristãos são cheios do Espírito Santo (At.4:8; 7:55; 13:9; 9:17; Lc.1:55; 1:67), e isso não é uma exclusividade de Maria. E, se ser cheio do Espírito Santo não significa viver sem pecado, então ser cheio de graça também não significa ser sem pecado, a não ser que o Espírito Santo seja algo inferior à graça.

2º Porque Deus não nos dá do Seu Espírito ou da Sua Graça de maneira limitada (Jo.3:34). Todos nós recebemos da plenitude de Deus (Jo.1:16), não apenas Maria.

3º Porque Paulo disse aos efésios que Deus “os encheu de graça” (Ef.2:6), e nem por isso eles viraram imaculados.

4º Porque o mesmo verbo que aparece a Maria também aparece a Estêvão, na descrição bíblica de que este era “cheio de graça” (At.6:8). Mas isso não tornou Estêvão imaculado, nem antes e nem depois daquele acontecimento.

5º Porque Paulo diz que todos nós somos abundantes em toda a graça (2Co.9:8). Se nós temos abundantemente toda a graça, então nós também somos “cheios de graça”.

6º Porque entre os apóstolos também havia “abundante graça” (At.4:33), e, embora a palavra grega muitas vezes represente algo transbordante (acima de “cheio”), isso não implica que os apóstolos eram imaculados ou sem pecado.

7º Porque João nos diz que todos nós recebemos plenamente a graça de Deus (Jo.1:16). Portanto, todos nós somos gratia plena, e não Maria somente.

8º Porque Paulo diz que a graça de Deus superabundou sobre nós (1Tm.4:14; Rm.5:20), e tendo em vista que “superabundar” é algo etimologicamente tão ou mais forte quando estar “cheio”, fica claro que nós também somos cheios da graça divina.

9º Porque muitas traduções católicas seguem a maioria das versões evangélicas e também traduzem Lucas 1:28 por “agraciada” ou “muito favorecida” (incluindo a New Jerusalem Bible), e nem por isso os católicos dizem que essas traduções católicas da Bíblia são tendenciosas, criminosas ou anticatólicas.

10º Porque, mesmo na ilusão de que só Maria fosse cheia de graça e mais ninguém, isso não implicaria que ela fosse imaculada, visto que ser cheio de graça não implica em não ter pecado, assim como ser cheio do Espírito Santo não implica em não poder pecar mais. Ou será que o Espírito Santo é incapaz de realizar algo que a graça sozinha faz?


Conclusão

Tendo em vista todo este nosso estudo sobre Lucas 1:28 e o termo aplicado a Maria, chegamos a conclusão de que o termo grego não diz nada de especial sobre Maria. Todo ser humano é κεχαριτωμένος quando tocado pela graça de Deus. Ninguém pode dizer que a graça em Maria foi maior do que em qualquer outro ser humano. Deus não calcula a "quantidade" de graça, ele é sempre generoso e total em sua entrega amorosa.

Ele nos derramou “abundante graça” (At.4:33), “superabundante graça” (1Tm.4:14; Rm.5:20), “graça sobre graça” (Jo.1:16), “plenitude” (Jo.1:16), “toda a graça” (2Co.9:8), nos “encheu de toda a graça”(Ef.2:6) para sermos “cheios de graça” (At.6:8). Todas essas passagens não se aplicam somente a Maria, mas o texto bíblico aplica a todos os cristãos (2Co.9:8; Ef.2:6), aos apóstolos (At.4:33), a Estêvão (At.6:8), e também a Maria (Lc.1:28).

Os católicos costumam se apegar unicamente no texto que fala sobre Maria porque é o único que lhes interessa na formulação de suas falsas doutrinas e de seus dogmas heréticos. Mas que isso fique claro: até mesmo essa apegação única a Lucas 1:28 é uma interpretação tendenciosa, sem critério, desprovida de exegese e apelativa.

Seria mais fácil eles abandonarem seus “argumentos bíblicos” e admitirem que não os tem (como já fazem em outros assuntos), apelando somente para o seu bode expiatório chamado de “tradição oral”, do que passarem vergonha tentando deturpar a Bíblia com interpretações forçadas que vão além daquilo que o texto bíblico diz.

Então sim, Maria era cheia de graça.

E os demais cristãos?

Também.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)


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37 comentários:

  1. Muito bom o texto !!!
    Esse negócio do ´´participio´´ eles sempre jogam na nossa cara.
    A Biblia diz que Maria foi agraciada ( Lucas 1:28). Ela achou graça diante de Deus ( Lucas 1:30). Ela não possui graça em si mesma. Jesus é cheio de graça ( João 1:14). A graça foi traduzida por Ele ( João 1:17, Rm 3:24, Tt 2:11-13) e não nos é dada por Maria. Todos os que esperam em Deus são também agraciados por Deus ( Mt 5:1-11).

    Fique com Deus
    T++
    ((( Matheus )))

    ResponderExcluir
  2. Obs: As Biblia que eu tenho aqui não dizem que Estevão era cheio de graça, em Atos 6:8 ela diz: ´´ Estevão, cheio de fé e poder, fazia prodigios e grandes sinais entre o povo´´
    .
    São coisas distintas ´´ser cheio de graça´´ e ser ´´cheio de fé e poder´´, não é ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Respondendo sobre Atos 6,8:

      A grande maior parte das traduções católicas e evangélicas traduzem por "cheio de graça" o texto de Atos 6:8, aplicado a Estêvão. Isso inclui a Nova Versão Internacional, a versão Ave Maria, a Sociedade Bíblica Britânica, a Almeida Revisada e Imprensa Bíblica, a versão católica da CNBB, a Bíblia de Jerusalém e muitas outras versões. Na verdade é difícil achar uma Bíblia que não traduza assim, pois, se não traduz, está adulterando o original grego, que diz:

      "stephanos de plêrês a=charitos tsb=pisteôs kai dunameôs epoiei terata kai sêmeia megala en tô laô" (Atos 6:8)

      Note que o "charitos" (graça) aparece logo no começo da passagem, ao falar que Estêvão era "cheio de graça [charitos]". Portanto, se alguma versão da Bíblia (sabe-se lá qual for) traduz o texto por "fé" ao invés de "graça", está simplesmente adulterando a passagem.

      Fique com Deus.

      Excluir
    2. Atos 6.5,8 vemos se o homem é cheio de fé e do Espírito Santo ele também é cheio da graça pois o Espírito Santo habita nele então não tem como você querer falar que Estêvão não era cheio da graça e questão de raciocínio e interpretação

      Excluir
    3. Eu tenho uma Bíblia Católica (Editora Ave Maria) que diz (Atos 6.8): "Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo"

      Excluir
  3. Na verdade essa diferença de tradução não emerge de interpretação ou adulteração, mas sim de variantes textuais. Observe:

    «Στέφανος δὲ πλήρης χάριτος καὶ δυνάμεως ἐποίει τέρατα καὶ σημεῖα μεγάλα ἐν τῷ λαῷ.» (Atos 6:8 UBS4 e NA-27)

    «Στέφανος δὲ πλήρης πίστεως καὶ δυνάμεως ἐποίει τέρατα καὶ σημεῖα μεγάλα ἐν τῷ λαῷ.» (Act 6:8 Bizantino Majoritário)

    O texto que usa KHARITOS optou por uma leitura Alexandrina e o que usa PISTEÔS usa a leitura Bizantina.

    Abraços.

    ResponderExcluir
  4. Maria antes da redenção, ou seja, do derramamento da Graça, ja era cheia de Graça, como isso é possível, se ’’Pois a lei foi dada por Moisés, a Graça (KHARIS - o mesmo termo usado para Maria) e a Verdade vieram por Jesus Cristo’’ (João 1, 17)?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Primeiro, que a graça já existia desde os tempos do AT:

      "Noé, porém, ACHOU GRAÇA aos olhos do Senhor" (Gn.6:8)

      "E ACHARÁS GRAÇA e bom entendimento aos olhos de Deus e do homem" (Pv.3:4)

      "Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor DARÁ GRAÇA e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão" (Sl.84:11)

      "Assim diz o Senhor: O povo que escapou da espada ACHOU GRAÇA no deserto. Eu irei e darei descanso a Israel" (Je.31:2)

      "E disse: Meu Senhor, se agora tenho ACHADO GRAÇA aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo" (Gn.18:3)

      "E eu DAREI GRAÇA a este povo aos olhos dos egípcios; e acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios" (Gn.3:21)

      "E o Senhor DEU AO POVO GRAÇA aos olhos dos egípcios. Além disso o varão Moisés era mui grande na terra do Egito, aos olhos dos servos de Faraó e aos olhos do povo" (Êx.11:3)

      "Então disse o rei a Zadoque: Torna a levar a arca de Deus à cidade; pois, se eu ACHAR GRAÇA aos olhos do Senhor, ele me fará voltar para lá, e me deixará ver a arca e a sua habitação" (2Sm.15:25)

      "SEJA SOBRE NÓS A GRAÇA DO SENHOR, nosso Deus; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos" (Sl.90:17)

      Enfim, estes sites católicos amadores que existem por aí na internet propagando a afirmação de que não existia graça antes de Cristo nos tempos do AT se mostram completos ignorantes de Bíblia, pois a Escritura deixa claro em inúmeras ocasiões pessoas que acharam graça aos olhos de Deus, e o Senhor derramando graça sobre o Seu povo, os israelitas.

      O fato, portanto, da graça salvífica ter vindo por meio de Cristo não anula o fato de que a graça aos olhos de Deus já existisse antes disso. Portanto, o argumento mariano não faz qualquer sentido, assim como os demais. Se tantos e tantos servos de Deus do AT puderam achar graça aos olhos de Deus antes da redenção de Cristo na cruz, então por que com Maria não poderia acontecer o mesmo? Não vejo sentido neste "argumento", se é que posso chamá-lo de tal.

      Aviso também que você não precisa criar três fakes para mandar a mesma mensagem aqui. Só um já está de bom tamanho. O tal do "Blog Santa Igreja" e um tal de "Eu quero ser de Deus" entraram aqui mandando exatamente O MESMO COMENTÁRIO (em um deles você inclusive fingia ser "protestante"), e como isso é coincidência demais para ser verdade, se deduz que você está desesperado demais buscando uma resposta, mas é necessário avisar que criar um, cinco, dez ou cem fakes não vai aumentar as chances de receber uma resposta - uma única mensagem como um único usuário já é mais que o suficiente.

      Fique com Deus.

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  5. Graças a Deus por pessoas como você por partilharem estudos como este.
    "À Lei e ao testemunho, se estes não falarem segundo esta palavra nunca verão a alva", como diz o profeta.
    Deus tenha misericórdia de milhões de católicos, e seja sobre eles também a graça do Senhor.

    Deus o abençoe cada vez mais.
    Artur Lopes

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  6. Não minha opinião há dois significados.
    (O anjo já tinha a sentença de escolha de Deus por isso ele chamou-a a de agraciada por que?
    porque Deus já tinha a escolhido para conceber a própria graça (Jesus)essa expressão agraciada tem dois sentido o humano e o espiritual agraciada de ser escolhida condecorada e o sentido espiritual agraciada ela estava cheia da da graça que tem a graça é o que agraciada.)
    não entender isso é o cumulo da tolice.
    faceboook - acesse (Denilsonmaisquemaciel@hotmail.com)

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    1. E este "sentido espiritual" quem lhe deu foi a sua tradição e magistério, correto?

      Agora sim! Parabéns! Você realmente parece muito sábio e nós tolos!

      Eu prefiro crer no que disseram os apóstolos na Bíblia, todos eles advogam os méritos de Cristo e nunca, nunca, nunca os méritos de qualquer outro ser humano.

      É somente por Jesus que obtemos graça, qualquer sentença contrária seja anátema!

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  7. graça significa favor imerecido de Deus para com a humanidade, portanto é um atributo divino e que não pode ser dado a Maria e a nenhuma outra pessoa!!!! Se for assim acho que é melhor eu deixar de servir a Deus!!!!

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  8. A Igreja católica ensina que os merecimentos de Maria vem pelos méritos de Jesus... Ela ensina que todos podem receber a graça, mediante ao batismo, fé, obras... a graça santificante que recebemos no batismo, nos comunica a uma vida sobrenatural que nos faz filhos e filhas de Deus... a graça atual e etc. Agora a graça direcionada a Maria é por excelência, afinal ela é mãe do salvador, de todas as mulheres ela foi a que mais agradou a Deus, veja o espanto de Maria Isabel. Esta graça é merecida por Jesus Cristo seu filho, pois se dar aquilo que tem, por onde passa ele a deixa, até a cruz, sinal d mort, tornase sinal de amor. Quanto mais aquela que foi presevada de todo o pecado.
    Bem aventurada Maria mãe de Deus.

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    1. "A Igreja Católica ensina... A Igreja Católica ensina...".... Andy, eu já sei perfeitamente bem o que a Igreja Católica ensina. Todos nós já sabemos. Não há novidade alguma. O que eu quero é PROVAS BÍBLICAS de que isso que "a Igreja Católica ensina" é verdadeiro mesmo. Você apenas mencionou o que a Igreja Católica pensa, não deu argumentos bíblicos para crermos que isso seja verdadeiro. Isso é como querer provar o catolicismo por meio do catecismo. Se você quiser pregar a não-convertidos, pode começar tentando provar que a afirmação de que "Maria foi preservada de todo o pecado" é verdadeira mesmo. Pode tentar começando por aqui:

      http://heresiascatolicas.blogspot.com.br/2015/02/maria-pecou.html

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  9. A maior falácia é alegar onde habita Deus, habita o pecado. Onde abunda à graça, abunda o pecado. Como se Jesus não teria nos redimido dos pecados. Estamos cheios da graça, cheios do Espírito Santo e cheios de pecados. Essa sim é a maior falácia de todas.

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    1. Deus habita em nossos corações por meio do Espírito Santo (2Tm1:14), mas nem por isso deixamos de pecar. Você é um liberal que não crê na existência do pecado ou é só mais um catoleigo que engoliu um dicionário de falácias?

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    2. Eu não sou um liberal, sou um racional que não sai por ai acreditando em falácias que falam por ae.
      O fato é: Jesus redemiu todos os nossos pecados, logo estamos cheios da graça, onde há graça, não há pecado.
      Quando pecamos perdemos o estado da graça e precisamos nos reconciliar com Deus de novo.
      Se onde há graça, também há pecado, logo Jesus Cristo morreu em vão, pois o pecado habita o céu por meio de pessoss cheios da "graça" e do pecado.

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    3. Me desculpe mas você é um liberal sim e precisa conhecer a Bíblia:

      "Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (1 João 1:8)

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    4. Ora, sejamos coerentes; o salário do pecado é a morte (rom: 6.23), se todos estamos no pecado, ninguém será salvo, pois mortos estamos pelo pecado. Dessa forma a morte de Jesus foi em vão, pois não nos libertou dos nossos pecados.

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    5. Você precisa entender a diferença entre "pecar" e "VIVER no pecado". Cristãos pecam, mas eles não vivem no pecado. Se alguém afirma não ter pecado nenhum, engana-se a si mesmo, como diz João (1Jo.1:8). Mas se você se considera um super santo que não possui pecado nenhum, então não sei o que faz comentando no meu blog. Você já deveria ter sido transladado ao terceiro céu e canonizado.

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    6. Pecar todos nós pecamos, mas pedimos perdão e Deus por sua divina misericórdia nos perdoa.
      Quem não pede perdão vive com seu pecado esse está morto pelo pecado.
      Na carta de São Judas no versículo 22, ele nos exorta a ficarmos puros, santos e imaculados, ou seja sem pecado algum, pois temos a remissão plena de nossos pecados pelo sagrado coração de Jesus que nos ama incondicionalmente. Deus não quer que seus filhos se percam, por isso nos dá os meios necessários da graça santificante.
      O pecado não habita os céus. O destino do pecador é a morte.

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    7. Você está andando em círculos. Agora admite que pessoas cristãs com a graça de Deus possam cair em pecado, mas que Deus nos perdoa pela Sua misericórdia (o que eu concordo). Mas estranhamente não aplica este mesmo princípio a Maria (i.e, que Maria pudesse pecar e ser perdoada por Deus assim como todos os demais santos que já pisaram na face da terra). E depois eu que sou "falacioso"...

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    8. Quando pecamos deixamos de estar na graça. Quem está no pecado, não está na graça; Quem está na graça, não está no pecado.
      Não é difícil entender é só ser coerente.

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    9. Agora só falta você me passar o versículo que diz que quando um crente peca ele perde o Espírito Santo, depois se arrepende e o Espírito Santo volta, depois peca de novo e o Espírito Santo vai, depois se arrepende de novo e o Espírito Santo vem, depois peca de novo e lá se vai o Espírito Santo novamente, depois se arrepende outra vez e aqui está ele... e assim sucessivamente, pois pecamos centenas ou milhares de vezes por dia, até mesmo em pensamentos.

      Vou ficar aqui esperando pelo versículo bíblico.

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    10. Todos nós nascemos carregando a herança do pecado de Adão, e nem por isso deixamos de estar na graça. Pedro, um dos apóstolos escolhidos, pecou ao repreender Jesus e ao negá-lo 3 vezes e nem por isso a graça se afastou dele. Davi pecou, e ainda assim, mesmo com o castigo, obteve a graça de Deus. (acho difícil Davi ter perdido a graça e ir parar no inferno, não acha?)

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    11. Somos membros do corpo de Cristo (1co 6.15) feitos um só em Cristo pelo batismo (rom: 6.5), se dissermos que estamos cheios do Espírito Santo e cheios de pecados, logo Deus é pecador e morto está, pois o salário do pecado é a morte (rom: 6.23). Não podemos conceber a ideia de Deus pecador, mas de um Deus misericordioso que vê seu filho se afastar dele ao escolher o mundo (pecado), mas que está de braços abertos esperando a volta dele; como na parábola do filho pródigo (lc: 15.11-32).

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    12. Sid Oliv.
      Pedro não estava na graça antes da vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos no cenáculo (atos:2+). Davi pecou, mas pediu perdão de seu pecado e se humilhando (2samuel: 12.13+). Davi possivelmente não foi ao inferno, mas também não foi ao céu (jo: 3.13), então para onde foi? (Lc: 16.19-31).

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    13. Diego, você já deu a sua opinião, mas eu não quero saber de achismos. Eu vou reiterar minha pergunta anterior:

      "Agora só falta você me passar o versículo que diz que quando um crente peca ele perde o Espírito Santo, depois se arrepende e o Espírito Santo volta, depois peca de novo e o Espírito Santo vai, depois se arrepende de novo e o Espírito Santo vem, depois peca de novo e lá se vai o Espírito Santo novamente, depois se arrepende outra vez e aqui está ele... e assim sucessivamente, pois pecamos centenas ou milhares de vezes por dia, até mesmo em pensamentos"

      Essa tese de que o Espírito Santo some e volta milhares de vezes por dia é uma coisa tão absurdamente ridícula que nem a Igreja Católica que você diz seguir afirma isso. Isso é LIVRE INTERPRETAÇÃO sua, você está fazendo o mesmo que condena nos protestantes.

      Sobre o local onde Davi foi, não sei pra que citar uma PARÁBOLA (alegoria) e totalmente fora de contexto, quando é O PRÓPRIO TEXTO DE ATOS 2 que responde para onde que Davi foi:

      "Irmãos, posso dizer-lhes com franqueza que o patriarca Davi morreu e FOI SEPULTADO, e o SEU TÚMULO está entre nós até o dia de hoje" (Atos 2:29)

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  10. Primeira questão: Primeiro o catecismo e o código de direito canônico atestam que nós por nossos pecados estamos separados de Deus. CIC: 1033; Cânon. 960.

    Segundo, não é Deus (Espirito Santo) que se afasta de nós, somos nós que nos afastamos de Deus por causa de nossos pecados.

    Terceiro que, mesmo que fosse livre interpretação seria pelo menos coerente dizer que nós nos afastamos de Deus devido a nossos pecados do quê crer que Deus coabita com o pecado. Isso sim que é ridículo.

    Segunda questão:
    Abraão também foi sepultado como atestado nas sagradas escrituras (GN: 25.7-10). Segundo sua “tese” que propõe dizer que o fim último das pessoas é a sepultura, que é o contexto por vós dado ao propor do uso de atos: 2.29, será que Jesus ao ditar tal parábola sobre o rico e Lázaro não sabia onde Abraão estava sepultado?

    Reenvio-lhe minha resposta caso essa não o tenha chegado.
    In corde Iesu et Mariae Virgine.

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    1. Meu Deus, quando foi que eu disse que o pecado não causa separação??? Isso qualquer criancinha que faça escolinha dominical sabe. A separação de Deus é o estado NATURAL do homem, TODOS NÓS estamos destituídos da glória de Deus (Rm.3:23) porque nossa própria carne é naturalmente pecaminosa, isso não é relativo somente aos momentos em que cometemos algum pecado. O que eu perguntei foi específico:

      - QUAL VERSO BÍBLICO DIZ QUE O ESPÍRITO SANTO SAI DO CRENTE REGENERADO A QUALQUER PECADO QUE ELE COMETA?

      Eu não quero seus achismos, eu quero os versos bíblicos que digam explicitamente que a QUALQUER pecado (de pensamento, inclusive) o Espírito Santo “sai” de nós. Uma coisa é o Espírito Santo se entristecer DENTRO de nós por causa de um pecado cometido, e outra coisa TOTALMENTE DIFERENTE é ele SAIR de nós por qualquer pecado cometido. Paulo não disse que ao pecarmos o Espírito Santo vai embora, mas sim que ele se entristece:

      “Não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30)

      Se o Espírito Santo tivesse saído de Davi quando ele pecou, ele não teria orado pedindo para o Espírito não SAIR, mas sim para o Espírito VOLTAR:

      “Não me expulses da tua presença, NEM TIRES de mim o teu Santo Espírito” (Salmos 51:11)

      O Espírito Santo, a partir da nova aliança, passa a ser POSSE PERMANENTE dos crentes regenerados, e é por isso que perder o Espírito Santo implica em pecado sem perdão e sem volta:

      “Ora para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública” (Hebreus 6:4-6)

      Ou seja, o Espírito Santo só deixa de estar numa pessoa que peca deliberadamente a tal ponto que perde a salvação, não é por qualquer pecado. Essa ideia ridícula de que a qualquer pecado (de pensamento, inclusive) o Espírito Santo sai de nós, e que depois volta, e que depois sai, e que depois volta, e que depois sai, e que depois volta, e assim sucessivamente milhares de vezes por dia a cada vez que cometemos o menor pecado que seja NUNCA foi doutrina da Igreja Romana, NUNCA foi doutrina da Igreja Ortodoxa, NUNCA foi doutrina da Igreja Protestante, NUNCA foi doutrina de coisa nenhuma, exceto da tua cabeça. A própria NATUREZA HUMANA EM SI é carnal, inclinada para o pecado desde o pecado original, e mesmo assim o Espírito Santo habita em nós, só na tua cabeça que isso significa compactuar com o pecado.

      Eu nem vou desperdiçar meu tempo aqui debatendo sobre imortalidade da alma com um mané que nasceu ontem e vem citar “parábola do rico e Lázaro” contra alguém que tem mais de 2.000 páginas escritas sobre o tema, incluindo três livros que você nunca leu. Além de ser um desvio grotesco do tema em pauta, que você foi obrigado a desviar já que viu que seu argumento da ausência do Espírito Santo é um lixo. Não vou perder tempo ensinando o be-a-bá do mortalismo a alguém que risivelmente cita a parábola do Lázaro como “prova” de imortalidade da alma em um debate sobre impecabilidade de Maria. Vá arrumar o que fazer.

      E se voltar aqui de novo sem o versículo que diga que a cada pecado por menor que seja o Espírito Santo vai embora e só volta depois, eu não vou perder tempo lendo, nem aprovando, e muito menos respondendo seus comentários, já que você está há mais de um mês enrolando e andando em círculos, sem chegar a lugar nenhum, e sem abrir a Bíblia em parte alguma.

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  11. Mas o anjo não vizita qualquer um,e Deus não teria um filho com uma qualquer o fato é que Deus daria a seu filho a melhor das mães,é assim uns obedecem mais outros menos na obediência cada um reage de uma maneira leia 1timóteo 3a5 discrição por palavras a crentaida quer pir qualquer custo desmerecer a Mãe do salvador,e explicar o inexplicável isto sim é herezia!

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    1. "vizita"

      "discrição"

      "pir"

      "herezia"

      R.I.P, gramática. Descanse em paz.

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  12. Olá Lucas, tudo bem?
    Eu sou aquele que abandonou o catolicismo e vive te fazendo perguntas para refutar artigos e matérias de sites católicos que eu não consigo entender nem refutar com argumentos e ainda fico com um "soco no estômago" enquanto não consigo refutar tais matérias e artigos,
    Pois é, agora a pouco vi uma matéria em um desses sites que fala e mostra (com os termos originais em grego) que o termo usado para definir Estevão como cheio de graça é diferente do termo usado para definir Maria, o texto é esse: "Diante disso podemos afirmar que sim. Estevão estava cheio de graça, note que ele estava e não era, ao contrario de Nossa Senhora que era cheia de graça, isso porque o termo usado em grego para o primeiro mártir da santa igreja é “Pleres Charitos”, o que significa que Estevão literalmente estava cheio de graça, ou seja, é uma acção momentânea, o que quer dizer que Santo Estevão esteve naquele momento cheio de graça, ao contrário de Maria que é kecharitomene, palavra com prefixo “ke”, prefixo do verbo “charitoo” que quer indicar a palavra num tempo perfeito, acção concluída no passado, e com sufixo “mene”, fazendo nele um particípio passivo, a acção realizada em Nossa Senhora por Deus, fazendo ela desde sempre cheia de Graça. Os termos empregados para o primeiro mártir foi à junção de duas palavras: o adjectivo “pleres” que significa cheio, seguidamente com “charitos”, de graça. Como disse de antemão, Santo Estevão esteve cheio de graça, ao passo que Santa Maria sempre esteve, está e estará cheia de graça, e é muito esquisito que se o autor tivesse a mesma intenção entre Estevão e Maria, porque usaria termo distinto justo ele ser o autor menos indicado porque é o autor do evangelho e de Actos dos Apóstolos? Então, isso só pode significar que São Lucas não usou as mesmas palavras porque ele sabia perfeitamente no que se referia.", eu queria saber Lucas, como refutar a desculpa da diferença entre o termo usado para Maria e o termo usado para Estevão? Não adianta discutir isso com um católico porque já sei s desculpas que eles irão usar

    Abraço

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    1. Olá, a paz, me desculpe pela demora em responder.

      Sobre o kecharitomene, ele não está no tempo particípio passado perfeito por causa da explicação que os católicos dão (de que Maria "foi e sempre será cheia de graça"), mas sim porque o anjo quis corroborar com as palavras de Isaías em Isaías 7:14, que profetizou, há muito tempo antes, que uma virgem conceberia, e portanto a graça recebida por Maria já era algo esperado e anunciado desde há muito tempo (antes do nascimento da própria Maria), pois o próprio Deus já havia predito que uma virgem daria a luz ao Salvador do mundo. Não tem nada a ver com "sempre ser cheia de graça", como os apologistas católicos inferem.

      Aliás, se formos analisar tecnicamente apenas pelos dois textos em questão, Estêvão seria mais cheio de graça do que Maria, pois a ele é empregado o termo grego "pleres" (cheio) antes de "charitos" (graça), enquanto com Maria não, embora o escritor bíblico tivesse plena possibilidade de colocar o "pleres" no texto de Maria também caso ele quisesse ressaltar que ela é cheia de graça, assim como o mesmo evangelista (Lucas) fez com Estêvão em Atos. É lógico que isso não significa que Estêvão tinha "mais graça" do que Maria, porque como eu mostro neste artigo, Deus não dá graça limitada às pessoas, mas liberalmente, no que Paulo chama de uma graça "transbordante" ou "superabundante", que é ainda mais do que apenas "cheio". E isso sobre todos os cristãos, não apenas sobre Maria, ou Estêvão, ou quem quer que seja.

      O problema é que os católicos veem a graça divina como significando que a pessoa não pode mais pecar, e não é isso, a graça não impede que uma pessoa caia em pecado, como se ela inflingisse o livre-arbítrio das pessoas e impedisse de escolher pecar. Graça é nada a mais que um favor divino imerecido, e, portanto, ser "cheio de graça" não tem nada a ver com ser "cheio de santidade" ou ser "imaculado".

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    2. Na verdade esse assunto já está batido, já que muitos católicos que sabem grego já estão admitindo que a tradução católica não é a melhor. Eu tenho um print de um apologista católico que disse que estudou esse assunto por anos e chegou à conclusão de que a tradução protestante é a correta, não vou citá-lo aqui para não dar ibope (até porque ele não é muito conhecido), e me lembro que na antiga comunidade de Grego Bíblico no Orkut havia um padre muito esclarecido que respondia a todas as dúvidas de todas as pessoas e que sempre provava que a tradução protestante era a correta e refutava os católicos que entravam lá com aqueles argumentos baratos e falaciosos de sempre. Geralmente quem continua defendendo a tradução católica nos dias de hoje é essa gente que não sabe nada de grego e nunca estudou, como Paulo Leitão, Cris Macabeus, etc. Gente desse nível.

      É por isso que muitas traduções católicas mais modernas que seguem o grego vertem por "agraciada" e não por "cheia de graça" (passei algumas delas neste artigo mesmo). O problema é que a grande maioria das traduções católicas NÃO seguem o original grego mas sim a Vulgata Latina de Jerônimo, que é a versão oficial da Igreja Romana. E como Jerônimo errou na tradução, elas acabam copiando o erro e perpetuando-o adiante.

      O mais engraçado de tudo é que esse mesmo termo kecharitomene, exatamente como aparece a Maria e no mesmo tempo verbal, aparece em Eclesiástico 18:17 e NENHUMA versão católica o traduz por "cheio de graça". A versão "Ave Maria", por exemplo, traduz por "homem justo", e Jerônimo na Vulgata por "homine justificato". Se eles tivessem um pingo de coerência, teriam que traduzir o texto que fala de Maria como "mulher justa" e não como "cheia de graça", o que também seria um erro de tradução, mas que ao menos não incorreria na especulação de Maria ser "imaculada".

      Recomendo-lhe ainda este artigo do Gustavo que lança mais luz sobre a questão da tradução:

      http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/apologetica/maria-cheia-de-graca.html

      Abs!

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    3. Pode me mandar algum artigo escrito por esse apologista católico e esse padre? Eu preciso muito ler, estou só esperando ter toda a certeza da falsidade católica para ser batizado numa igreja protestante...
      Abs

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